Better Living Academy
5 O Inferno Maqueado da Vida de Kim Kibum
Notas iniciais
Acordei ao som de uma linda melodia que refletia o lindo dia ensolarado que fazia lá fora. Era o primeiro dia de aula e eu estava demasiado feliz por reencontrar meus colegas e os professores. Por sorte, eu havia até já me encontrado com o Onew. Eu gostava tanto dele! E finalmente eu teria aulas de Trigonometria, das quais senti tantas saudades nas férias.
Ok. Parei por aí em minha ilusão de dia perfeito. Desejar aulas de Trigonometria era o cúmulo do absurdo. Mas, enquanto me arrumava, tentava visualizar em minha mente fértil o que poderia ser uma boa manhã. Afinal, não havia como eu pudesse ficar mais irritado.
Acordei com o maldito do Taemin derrubando seus livros no maldito chão. Quase peguei aqueles livros (e o menino também) e queimei em um culto em homenagem a mais bonita e perfeita das divas: eu, é claro. Além disso, o dia estava tão horrível quanto a mala de quinta do projeto de gente que dormia no mesmo quarto que eu. Não chovia, mas estava nublado. Que coisa mais meio-termo. Alguém avise a Zeus que isso está totalmente over? E até parece que eu queria ver a trupe de vadias da minha sala. Acho que até uma passagem para o inferno (a sala do diretor) era melhor do que aguentar aquele cheiro de perfume Carolina Herrera do ano passado — será que elas não tinham visto que já lançaram cinco depois daquele? — e quase ser intoxicado pelo pó de arroz que saía da cara delas com o vento. Se havia alguém que eu não queria ver mesmo além delas, era o Onew. Nem esculpido a diamantes, com as roupas do Herchovitch, cantando Whitney Houston. Na verdade, se estivesse cantando aquilo, eu poria fogo nele... Enfim, "gostava muito dele"? Realmente, a imaginação era algo sem limites. Eu queria era matar aquele desgraçado. Como ele ousava descobrir meu segredo e ainda vir falando comigo daquele jeito, me olhando daquele jeito? AAAAAAAAAAA, AQUELE ALIEN PERVERTIDO*.
O que era mais perturbador nisso tudo era que eu gostava de ter meu corpo nos olhos dele, de ter minha beleza analisada minuciosamente por eles. Aqueles olhos eram pequeninos, mas viam mais do que os de muito ocidental por aí. E eu me sentia atraído por isso. Às vezes, eu me odiava demais...
– KEY, ME AJUDA!! A ESCOVA FICOU PRESA NO MEU CABELO! AAAAAAAAAAAAAAA — gritou Taemin, quase me fazendo morrer de susto.
O que eu estava dizendo mesmo? Que às vezes me odiava demais? Pois é, troque o sujeito daquela frase por "Taemin".
***
Depois de tirar a escova da cabeça da criatura — querido Deus, por que me destes um companheiro assim? Eu sei que eu vou para o Inferno todos os dias, mas não é como se eu quisesse, Você sabe -, fui em direção ao auditório, onde me sentei bem no fundo, para ouvir o Capeta... Quer dizer, o diretor do colégio fazer o discurso. A única parte boa de estar com aquelas pessoas ao meu redor era que Taemin não me encontraria e viria com aquele sorriso inocente para cima de mim. Até parecia que me enganava. Aquele menino era o próprio Capeta. Eu disse Capeta? Desculpe, não quis tirar o posto do nosso querido diretor.
Parei de pensar sobre o CapeTaemin, Capeta mor e os demônios à minha volta — o Inferno era pior do que as pessoas imaginavam — para prestar atenção nas palavras daquele menino digno que eu esquecera o nome... Choi MinHo! Eu convivia com ele fazia dois anos, mas sabe como é. Eu ficava nervoso com aqueles óculos... Ele poderia ser bem mais do que era.
Depois dele, veio o Onew. Ele estava... Muito bem, mesmo com aquela luz horrorosa em cima de seu rosto gordinho. Meus ouvidos doíam com alguns erros gramaticais que ele cometia e duvido que mais alguém além de mim e da professora de nossa língua percebera. Ai, que vontade de sair correndo. Será que alguém perceberia se eu desse um tiro na cabeça dele? Não, o sangue ia manchar o discurso e eu não poderia corrigi-lo... E na minha própria? Não, o sangue mancharia minhas roupas...
– Oi, Kibum — uma voz falou no meu ouvido, fazendo-me arrepiar, ao mesmo tempo em que sentia uma mão em minha cintura.
JongHyun sentou-se ao meu lado.
– Já disse para me chamar de Key — nem olhei para o moreno ao meu lado.
– O que houve? Não está tendo uma boa manhã? — sorriu JongHyun calmamente.
– Pois é.
– Sabe que pode me contar se houve algo, não é?
Revirei os olhos.
– Você é tão atencioso para um atleta — olhei-o e sorri, mas logo apaguei o sorriso de minha face. — Mas continua sendo um pedreiro em outros sentidos.
Ele riu e se ajeitou na cadeira de modo a ficar mais virado para mim. Sua mão avançou na minha cintura, quase chegando à minha barriga. Fingia que não percebia, embora isso causasse vários arrepios incontroláveis — o idiota conhecia meus pontos fracos -, até que sua mão começou a abaixar.
Suspirei. Como uma pessoa podia ser tão contraditória? Ele era um fofo às vezes, mas também era extremamente safado quando queria. E sempre nas horas erradas.
Segurei a mão dele e joguei-a para longe.
– Vai cantar as vadias do pó de arroz, que só não babam por você para não estragar a maquiagem vagabunda que elas fazem. Humpf — disse e joguei minha franja, cruzando os braços.
Ele riu de novo.
Novamente, senti sua mão em minha cintura.
– Não as quero. Apenas há você para mim, já disse — ele sussurrou contra meu pescoço, e, posteriormente, beijou minha orelha, esfregando o nariz ao lado dela.
Mordi o lábio inferior, sorrindo. Esse desgraçado sabia o que fazer.
Ficamos a Cerimônia inteira assim, sem nem nos importarmos se alguém estava vendo. Ele tentava algo mais ousado, mas eu recuava, fazendo-o querer mais. Não sou uma mulher fácil**.
No fim, quando os alunos foram liberados, esperamos que todos fossem antes. Logo, saímos dali também, sem nenhuma pressa para a primeira aula.
– Up & Down — disse JongHyun do nada enquanto andávamos lado a lado, quase chegando à nossa sala.
Olhei-o e ele sorria para si mesmo.
– Que cara de idiota é essa? Eu tô aqui. Você deveria interagir comigo em vez de ficar pensando coisas das quais eu não sei o significado — empurrei-o.
– "Interagir", "das quais"... Sua personalidade não combina muito com essa linguagem mais formal, sabia? Às vezes, acho que sua aparência não condiz com o que sai da sua boca — disse JongHyun, como se isso não importasse muito.
Desviei o olhar.
– Enfim...
Quando estávamos a pouquíssimos passos de nossa sala, ele parou. Aff, esse homem, sempre mudando de ideia do nada. Só o acompanhava porque eu também era assim.
Olhei para a cara dele, já mostrando minha irritação no meu olhar de "se não vir logo, vai apanhar". Mas ele olhava-me daquele jeito estranho que ele fazia quando ia fazer algo estranho.
– Jong... Não adianta, não vou com você, não importa o que voc... — fui interrompido pelos lábios do moreno nos meus. Logo, ele se afastou e saiu andando na direção contrária à sala de aula, carregando-me junto enquanto segurava meu braço.
Em vão, eu tentava me desvencilhar.
– AISH, SEU IDIOTA, SEQUESTRADOR. MALDITO, DESGRAÇADO. LARGA MEU BRAÇOOOOO — eu gritava, pouco me importando para o povo tendo aula.
Ele parou e, quando ia pôr a mão na minha boca, eu desviei.
– TUDO BEM, TUDO BEM. Eu me rendo. Não quero que essas suas mãozinhas borrem a minha maquiagem — falei e me amaldiçoei por ser tão sensível com coisas desse tipo.
JongHyun, seu maldito, o que você queria de mim?
Notas finais
** Peguei de uma frase do Taemin em Hello Baby, onde ele, MinHo, Onew e JongHyun interpretam uma história da cultura coreana.
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