Better Living Academy

14 Lágrimas e Fotografias


Notas iniciais
Olá, meus amores ^^ Não me matem, ok? Hehe Sei que estou atrasada (BEM ATRASADA), mas é que esse capítulo ficou maior do que eu esperava e ia ficar ainda maior do que o que eu estou acostumada a fazer. E ele me exigiu bastante, talvez mais do que aquele do Key. Mas, porém, contudo, todavia, entretanto, talvez a espera valha a pena. Mais segredos foram revelados. O último do Key, AMÉM. E o do pobre Onew... Eu ia pôr aquele extra, mas percebi que não sou muito boa em reduzir as cenas '-' Precisarei fazer um outro capítulo para o segredo Jong u.u Não me matem novamente, please. ALIÁS, É ONEW'S POV!! Enfim, trabalhei hard nesse capítulo e espero que gostem ^^
P.S.: Tentarei pagar minha dívida em breve!

“Tenho um coração que bate por si só. Tenho mãos que trabalham por si só. Não preciso de alguém para amar ou ter prazer”.

Desliguei o notebook ao terminar de ler mais um texto lançado há pouco de Park Jungsoo. Ele já tinha um livro lançado, no qual apresentava teorias conspiratórias envolvendo o governo, religião, etc. em uma história excitante e envolvente. Fazia muito sucesso entre estudantes de Sociologia, Filosofia, História, Letras... Humanas em geral. Mas, em seu blog, seus textos eram mais emocionais e pessoais, onde abordava situações emocionais de seu dia a dia. Muitas pessoas amavam seus textos por se identificarem e outros tantos acreditavam que ele só os fazia para ganhar mais público. Mas... Eu gostava de acreditar que eram situações que ele realmente passava. Porém, por algum motivo, eu não desejava que ele estivesse falando de sua vida nessas últimas frases.

Levantei-me e abri meu armário. Dentre cadernos que eu gostava de guardar, cartas antigas e memórias perdidas, peguei a caixa já um pouco maltratada por tanto ser usada. Olhei-a, sorrindo levemente. Andei até a cama levando a caixa como se fosse um bebê, aninhada em meus braços, sentando-me nela e pondo a caixa à minha frente. Abri-a com cuidado para que a aba de cima não saísse e vislumbrei a grande lente da máquina profissional dada por minha mãe. Peguei-a com cuidado, aninhando-a em uma das mãos e passando um fino e delicado pano, que havia pegado dentro da caixa, em sua lente livre de arranhões.

- Hoje você vai ser testemunha de uma das imagens mais belas do mundo, se não a mais. Tem que estar preparada – sorri bobamente ao pensar no que veria esta tarde.

Era sábado e eu tiraria as fotos de Key para um book que eu prepararia para um trabalho do Clube de Fotografia. Parece besteira, mas não é exagero falar que eu contei os minutos para que esse dia chegasse. Esperei seis longos dias. Ou melhor, doze longos anos, desde que nos conhecíamos. Sempre quis tirar uma foto sua, mas ele nunca deixou. Desde que eu tinha cinco anos, já era avoado e gostava e retratar o que via. Como Key era uma das coisas mais surpreendentes que eu já havia visto, sempre quis pô-lo em algum lugar que não fosse minha memória. Em meu quarto, trancados a sete chaves em meu armário, estavam diversas tentativas fracassadas de eternizar seus traços. Estudei desenho e pintura durante anos, mas nunca consegui retratar fielmente o que seu rosto verdadeiramente representava. Aperfeiçoei-me a ponto de ganhar alguns prêmios na época em que ele estava na França, mas desisti a partir do momento que percebi que nunca poderia desenhá-lo de modo satisfatório. Foram tempos difíceis, afinal pensei que nunca mais o veria novamente, e julguei-me um incompetente por conviver com ele por tantos anos e não conseguir ao menos algo que chegasse perto de sua beleza. Mas, depois de tudo isso, finalmente eu conseguiria o que mais queria. Só mesmo Key para me proporcionar todos esses tão fortes e felizes sentimentos...

Algumas batidas soaram vindas da porta. Pousei a câmera na cama e levantei-me, indo em direção à porta, desejando que não fosse MinHo, afinal havia dito que precisaria do quarto hoje.

Abri a porta e me deparei com Key, trajado com roupas normais e um peignoir enrolado no braço, que com certeza ele havia adquirido na França. Eu não o havia tocado, mas sabia ser de seda e das boas – e caras.

Saí de frente da porta, abrindo-a para que ele entrasse.

- Posso admitir uma coisa? Estou um pouco nervoso – ele disse enquanto entrava, rindo ao final.

- Sabe que não precisa disso. Sou só eu, o Onew. Prometo que o verei de modo totalmente profissional – sorri.

- Se fosse JongHyun, ele falaria algo como “até parece que você não já ficou nu na frente de algum outro cara antes” – revirou os olhos delineados por lápis preto.

- Mas eu não sou ele.

- Certamente que não – ele mordeu o lábio inferior; fazia isso quando estava nervoso e/ou ansioso. – Enfim, vou me trocar.

Fiz um sinal positivo com a cabeça e ele foi em direção ao banheiro.

Observei-o até ele desaparecer atrás da porta fechada.

Suspirei e deitei-me na cama, jogando as costas sobre o colchão. Levei a câmera ao meu rosto, olhando o teto através da lente. E, através dessa lente, eu o veria. Mas não simplesmente o veria. Eu realizaria meu desejo mais profundo, do qual ninguém, nem mesmo Key, tinha conhecimento. Meus olhos deleitarão de sua pele clara, seu olhar selvagem, suas linhas perfeitas... Meus olhos encontrariam aquela perfeição que meu olhar de fotógrafo esperara por toda a minha vida.

- Onew... – sua voz chamou meu nome em tom baixo, que, se eu não estivesse em total silêncio, não escutaria.

Levantei-me lentamente, tirando a câmera de meu rosto. Meu olhar caiu primeiro sobre seu rosto levemente corado. Seus olhos delineados, seus cílios levantados, sua pele brilhosa e bem cuidada. Lentamente, meus olhos foram baixando, encontrando seu corpo magro envolvido por seu peignoir vinho com um grande decote, que ia até abaixo do peito, quase chegando ao umbigo, onde havia uma tira também de seda fazendo uma amarra. O tecido parecia ter sido feito especialmente para sua pele, que parecia ainda mais branca que o normal em contraste com a cor forte que estava sobre si. A seda parecia acariciar-lhe a pele tão macia e delicada, o que explicaria os arrepios que eu percebia em seu corpo.

Levantei-me e fiz sinal para que se sentasse na cama. Ele andou até ela, a cauda de seu longo peignoir arrastando no chão. Deitou-se, cuidando para que o tecido continuasse onde estava nos lugares certos.

Aproximei-me e toquei-lhe o rosto, no que ele fechou os olhos em um movimento involuntário. Empurrei com delicadeza sua cabeça para o lado, expondo seu pescoço alvo e macio. Desci a mão, sem nunca tirá-la do contato com seu corpo, e abri um pouco o robe, deixando seu peito parcialmente exposto.

Posicionei a câmera, pegando todo seu corpo, e o primeiro flash saiu, iluminando todo o quarto por menos de um segundo. Estávamos em uma penumbra, com as pesadas cortinas entre as camas parcialmente fechadas. Era um bom cenário.

Pus a mão inteira em sua barriga, subindo-a à medida que andava e tirando um dedo de cada vez de sua pele, até chegar ao seu queixo com apenas um dedo, empurrando-o para o lado oposto ao que estava, para minha direção. Seus olhos se abriram e olharam-me com aquele olhar sedutor que eu tanto amava. Não era como se ele sempre forçasse esse olhar. Eu o conhecia desde criança e ele sempre foi assim. Era natural dele. E eu amava essa naturalidade presente em todo o seu ser.

Seu pomo de adão subia e descia rapidamente, indicando que estava ofegante. Eu me segurava para apreciar sua imagem da forma mais imparcial possível, ou não resistiria ao seu corpo tão desnudo como jamais vi tão perto.

Pus a câmera em frente ao meu rosto e focalizei de seu peito para cima. Não precisei dizer uma palavra pedindo para que ele não mudasse seu olhar. Havia uma sincronia entre nós, como se fôssemos apenas um só. Sem ao menos nos tocarmos, era como se ele soubesse eu queria que ele fizesse. A prova disso era que ele ficava mais à vontade aos poucos, a cada flash. Eu não precisava mais guiá-lo. Seu corpo ia automaticamente, levado por uma aura inebriante e erótica, que era intensificada pela pouca luz, que a cada hora que passava, era mais soturna pela ida do dia. Seus movimentos se assemelhavam aos de um leopardo arisco que procurava por sua caça, sinuoso e delicado ao mesmo tempo. Mas eu sabia que se o tocasse, ele viraria um gato dócil e manhoso.

Ele levantou-se e, embora eu não o tocasse, podia sentir a maciez de sua pele como se eu mesmo fosse aquele peignoir que se espalhava por ele como se fosse parte de sua pele. Chegou à janela e segurou as pontas das cortinas, abrindo-as levemente, fazendo com que os últimos raios do Sol batessem no teto do aposento.

Flash.

Tirou o tecido de seus ombros e mexeu-os, como se estivesse levando um grande peso em suas costas.

Flash.

O tecido desceu, deslizando por sua pele, acariciando-a.

Flash.

Chegou à dobra de seu cotovelo.

Flash.

Suas mãos deslizavam pelo tecido das cortinas, abaixando, cravando as unhas como se precisasse de apoio.

Flash.

Junto com suas mãos, o tecido, agora sem apoio, também abaixava lentamente, expondo mais de seu corpo.

Flash.

Em um ritmo torturante que fazia meu coração bater acelerado, mais de sua pele era revelada.

Flash.

Não queria perder nem um segundo daquilo. Via-o pela lente da câmera, mas, ainda assim, era excitante, era instigante, era tudo o que Key era.

Flash.

Então, suas mãos pararam e seguraram o tecido bem antes de revelar a pele de suas nádegas. Meu coração parou junto com os movimentos de suas mãos.

Ouvi seu suspiro e vi seu corpo se movimentando com o ato.

Segundos, minutos e até horas poderiam ter se passado. Era como se o tempo houvesse parado ao nosso redor. Mas os raios solares ficavam mais altos...

Flash. O tecido estava caindo.

Até que vi o tecido caído completamente no chão, estirado, parecendo um líquido. Incrédulo, subi o olhar lentamente, ainda vendo tudo pela câmera. Lá estava o corpo complemente nu de Kim Kibum. Não, não era como eu imaginava. Era muito mais mágico, muito mais surreal. Algo que, por mais que minha câmera fosse profissional e de uma boa marca, nunca reproduziria.

Tirei a câmera lentamente e visualizei-o. Sua cintura levemente marcada e suas nádegas perfeitamente redondas e fartas. Suas coxas faziam um conjunto perfeito com sua derriére*.

Eu estava de joelhos para pegar melhor os ângulos das fotos e assim continuei. Deixei a câmera de lado e encaminhei-me em sua direção, ainda de joelhos. Ao chegar lá, deparei-me com sua cintura. Pude ver sua pele mais claramente. Parecia leite de tão branca e uniforme.

Não poderia aguentar apenas observá-la, por mais que isso tivesse sido suficiente para mim até hoje. Eu não estava em meu estado normal. Quem estaria ao perceber que, sim, a perfeição existia? Quem estaria ao ver a perfeição diante de seus olhos? Quem estaria ao ver todos os seus sonhos tornando-se realidade?

Toquei-lhe. Apenas encostei minha bochecha à curva suave de sua cintura, sentindo sua maciez com minha própria pele. Fechei os olhos. Era melhor que qualquer sensação que eu já havia sentido. Sua temperatura era elevada e podia sentir seu pelos arrepiados acariciando meu rosto.

Meu coração batia forte, como nunca antes. Nada pagaria por isso. Era um momento tão único e eu nunca trocaria isso por nada. Nada.

Virei meu rosto lentamente, ainda de olhos fechados. Encostei meus lábios levemente em sua pele. Seu gosto não era menos que inebriante. Nem melhor nem pior que o gosto de café recém-passado de sua boca. Era diferente, saborosamente diferente.

Minhas mãos subiram sem que eu ao menos pensasse e acariciaram seu quadril, descendo para suas coxas, apenas fazendo carinho delicadamente. Explorei sua pele, sentindo sua maciez em minhas mãos.

Comecei a levantar, espalhando uma linha de beijos rápidos por sua coluna. Ao me levantar completamente, beijei sua nuca e fiquei ali por algum tempo. Apreciei seu cheiro tão típico seu: uma mistura perfeita de sua colônia francesa e seu próprio cheiro, que me lembrava da cor vermelha. Era intenso, inebriante. Minhas mãos subiam também, espalmando sua barriga e envolvendo seu corpo magro entre meus braços.

Sua cabeça tombou para trás, apoiando-se em meu ombro, dando-me passagem para ver seu pescoço liso. Aproximei-me da região e beijei-lhe. Pude perceber os movimentos rápidos de seu pomo de adão e peito. Deslizei minha mão direita até o lado esquerdo de seu peito. Seu coração batia descompassado, assim como o meu. Encostei-me a ele, colando nossos corpos, para que ele pudesse também sentir minhas batidas. Minha respiração acelerada também podia ser notada por ele, pois ela batia fortemente na pele descoberta de seu pescoço.

Nossos corações batiam igualmente como em uma sinfonia apenas conhecida por nós, apenas apreciada pelo sangue que corria rápido em nossas veias, com todo aquele erotismo e prazer contido em suas moléculas.

Esfreguei a ponta de meu nariz em sua pele, contornando a linha de uma veia grossa que se destacava porque sua pele era demasiado clara e seu sangue pulsava rápido. Abaixei a mão, alcançando seu baixo-ventre, para onde a maior parte do sangue de seu corpo era bombeada. Não diferentemente acontecia comigo.

Vi-lo-ei de frente e tomei seus lábios lenta e sensualmente, segurando sua cintura, apertando-a com meus dedos, provavelmente deixando marcas facilmente.

O Sol já se fora e apenas sua luminosidade era refletida no local. Ela ia embora à medida que a urgência invadia nossos sentidos, tornando nossos lábios mais afoitos. Eu necessitava de seu gosto em mim, então eu explorava sua boca sem nenhum pudor, sem nenhuma vergonha, sem nenhum receio. Toda a insegurança que pudesse restar em nós ia embora junto com a luz do dia.

Minhas mãos desbravavam o lindo santuário que era seu corpo, vezes passando o dedo intimamente em suas costas, vezes apertando suas nádegas com toda a força, o que o fazia gemer entre meus lábios, excitando-me ainda mais.

Suas mãos despenteavam meus cabelos, puxando-os até machucar. Era doloroso, mas meus sentidos estavam turvos pelo prazer que estava no ato de tocar-lhe, de apalpar-lhe, de machucar-lhe.

Seus dedos trêmulos tentavam tirar minha camisa, no que fiz questão de ajudar. Suas mãos arranhavam meu corpo sem se preocupar se eu estava sentindo dor ou não.

Agora, parecia que havia uma linha tênue demais para ser sentida entre a dor e o prazer, entre o amor e a luxúria, entre o sagrado e o profano. Não era como quando os atletas me batiam e até se aproveitavam de mim de outras formas. Aquilo era dor, aquilo era errado. Mas agora, com Key, por mais que ele me machucasse ou eu o machucasse, aquilo se revertia em prazer de uma forma sedutora e envolvente.

Seus lábios encontraram meu pescoço e beijaram-no, morderam-no, lamberam-no, se aproveitaram avidamente do que minha pele podia oferecer.

Agarrei suas coxas sem delicadeza, agora movido apenas pela luxúria, e levantei-o, passando suas pernas ao redor de minha cintura. Levei-o rapidamente e o joguei na primeira superfície plana que havia avistado. Mais uma vez, puxei seus lábios em um beijo demorado e cheio de desejo e sentimento.

Suas mãos se encontravam em minha cintura, baixando e tentando desabotoar e abrir meu zíper. Com as pernas, movimentei-me de modo a tirar minha calça.

Apertei sua cintura novamente, sentindo o pré-gozo sendo expelido de seu membro. Peguei-o e comecei a masturbá-lo rapidamente.

Seus gemidos eram outra sinfonia que ficariam dentre essas quatro paredes e em nossa memória auditiva para sempre. Meu nome estava em sua boca, o que me fazia sentir o sangue pulsar mais rápido em meu próprio membro, aprisionado torturantemente em minha boxer.

Explorei o outro lado de seu pescoço, deixando marcas, como se quisesse dizer ao mundo que ele era meu, que eu o manteria para sempre comigo e nunca o deixaria escapar. Não de novo.

Suas mãos empurraram a cueca para baixo e eu tirei-a completamente, liberando meu membro já úmido pelo pré-gozo. Novamente, elas agiram e empurraram meu peito, deitando-me na cama. Sentou em meu quadril e respirou pesadamente contra minha face, acariciando-se com seu doce hálito. Ele conseguia me embriagar mais do que qualquer bebida poderia fazê-lo.

- Onew... – mais uma vez naquele dia, ele pronunciava meu nome, mas desta vez, havia uma clara diferença em seu tom de voz. – Você é o pior de todos.

Antes que eu pudesse expressar qualquer reação, ele aproximou seus lábios dos meus, apenas roçando-os. Nossos hálitos se misturavam, embriagando-nos com um sabor de desejo profundo e amor eterno.

Beijou-me, mas algo havia mudado. Seus lábios não demonstravam apenas desejo. Por seus movimentos notei a mudança de comportamento. Era como se algo tivesse se rompido em seu interior e ele pudesse se entregar completamente. Não só seu corpo, mas eu podia sentir que meus toques alcançavam-lhe a alma.

Retribuí com paixão, oferecendo todo o sentimento que parecia querer transbordar de meu coração e apossar-se de seu corpo e sua alma. E ele parecia aceitar de bom grado sem mais nenhuma resistência.

Mordeu meus lábios e rebolou, roçando nossas ereções. Gemi contra seus dentes ferindo minha pele.

Subitamente, parou e sentou-se. Olhou-me e eu pude ver que, naquele olhar, não havia apenas luxúria. Algo como... Dor? Antes que eu pudesse definir o que se passava com ele, uma súbita carga de prazer assolou meu corpo, fazendo-me urrar, o que juntou-se ao seu grito de dor. Senti seu interior quente em todo o meu membro.

Key mordia o lábio inferior para não gritar novamente.

Tentei ser paciente e esperar que ele se acostumasse, mas segurei firmemente sua cintura e joguei-o sobre a cama. Comecei a movimentar meu quadril com velocidade, provocando nele gritos, que eram mais altos a cada estocada.

Pus as mãos em suas coxas e empurrei-as em sua direção, pondo a dobra de suas pernas em meus ombros.

Estoquei-o mais profundamente e percebia que ele agora gemia de forma lasciva enquanto também se masturbava.

Abaixei-me e beijei seus lábios, aumentando o ritmo.

Com a mão livre, levantei seu quadril, alcançando seu ponto sensível. Suas unhas deixavam marcas em minha pele suada. Estoquei-o naquele ponto violentamente várias e várias vezes até ele gritar por fim e molhar nossas mãos e abdomens com seu gozo.

Ao chegar ao seu ápice, seus músculos contraíram-se, fazendo-me desfazer-me dentro dele também.

Saí de seu interior e deitei-me ao seu lado, abraçando-o fortemente, ato que ele retribuiu.

Fechei os olhos e uma lágrima escapou de meu olho esquerdo. Era a condensação de toda a felicidade que eu sentia naquele momento.

~*~

A cor de sua pele quase se confundia com o branco à sua volta. A espuma se tornava cada vez mais densa ao redor de seu corpo, impedindo-me de apreciá-lo. Mas, mesmo assim, minhas mãos passavam a esponja por seus ombros e nuca lentamente, sem nenhuma pressa de lavar-lhe e terminar aquele banho tão delicioso, o mais especial de minha vida.

O ambiente era preenchido pelo cheiro dos sais de banho contidos na água que nos envolvia. O vapor da água quente formava um clima misterioso, mas confortável. Apesar de saber que ele ainda escondia coisas de mim, coisas que eu deveria saber, eu estava confortável onde estava. Não totalmente bem, apenas confortável. Mas não queria afundar-me nessa conformidade. Nem poderia. Suas palavras antes de entregar-se a mim ainda pairavam por minha mente assim como o vapor d’água pairava pelo ar.

“Você... É o pior de todos.”

Por quê? Por que eu era o pior? O pior de quais todos? Por que sua expressão tão estranha naquela hora?

Suspirei. Essas questões não se restringiriam à minha mente por muito tempo.

- Eu sei que isso deve estar te matando por dentro – seu murmuro pairou no ar até mim, bem distante.

- Se sabe, por que não me diz o porquê? – perguntei, minha angústia ecoando pelo local.

- Não é tão simples assim – sua voz transmitia um pouco de tristeza e insegurança.

- Não vou forçá-lo a fazer algo que não queira. Posso esperar – menti.

O que eu mais queria era forçá-lo a dizer-me o que se passava, porque eu já não podia mais esperar. Queria desvendar todos os seus segredos. Não somente os referentes a mim, mas todos eles. Não era questão de ser invasivo ou não. Eu apenas queria conhecer seus mais profundos mistérios e anseios, livrando-o de possíveis angústias. Eu queria seu bem, queria vê-lo feliz. Eu sabia que ele não o era, pois o conhecia melhor do que ninguém. Mais até que seus pais, já que ambos nunca tiveram tanto interesse assim.

- Por que você não luta pelo que quer? – ele sibilou de forma um pouco irritada.

- Porque eu dou prioridade ao que você sente.

Sua cabeça tombou um pouco para baixo. Não podia ver seu rosto, pois ele encontrava-se de costas para mim, entre minhas pernas. Seus músculos ficaram tensos, como pude perceber por minhas mãos presentes em seu corpo. Deixei a esponja ao lado e comecei uma massagem em seus ombros. Ele suspirou, sua cabeça ainda baixada. Suas mãos levantaram-se e enxaguou o rosto, mantendo as mãos ali. Parecia tão frágil, tão sensível. E eu queria apenas protegê-lo de o que quer que estivesse afligindo-o.

- Jinki... Como vai sua mãe? – ele perguntou, sua voz abafada por suas mãos.

- Muitas coisas mudaram desde que você foi embora, Kibum – disse, suspirando.

Essa era a pergunta que eu mais torcia para que ele não fizesse desde que ele voltou e havíamos nos reencontrado. Por nada nesse mundo, eu queria lembrar daquelas cenas. Nem por Kibum. Mas, a partir do momento que ele fizeram a pergunta, as lembranças era inevitáveis...

— Flashback on -

Meus dedos sentiam a necessidade de sentir a textura macia dos fios daquela que me dera à luz. Sua pele iluminada pela luz pálida acima de si fazia-a parecer uma boneca de porcelana. Sua falta de expressão apenas frisava essa aparência. O único contraste era a cor de seus fios, negros como seus olhos opacos e sem vida, que caíam por sobre seus ombros, como grandes serpentes circulavam sinuosas por entre as águas ralas de um rio qualquer. Sim, ela aparentava a fragilidade de um rio cristalino. Ela aparentava a temperatura gélida de uma corrente de águas que traziam o sabor amargo da morte. Assim como o rio Estige, seus cabelos eram negros. Assim como a barba de Zeus, sua pele era pálida. Assim como os gritos de Prometeu acorrentado, eram os gritos desesperados de meu pai, acorrentado à sua dor pela fuga da vida de sua amada. E assim como as almas aprisionadas nos Campos Elísios sob o comando de Hades, ela estava morta. Minha mãe estava morta. E eu apenas podia observar a beleza caótica daquela cena perturbadora.*

- SUA ABERRAÇÃO. NEM COM SUA MÃE MORTA, VOCÊ TEM REAÇÃO. O QUE ESTÁ OLHANDO, SEU INÚTIL? POR QUE NÃO ME RESPONDE? POR QUE NÃO FALA NADA? POR QUE NÃO CHORA? POR QUE NÃO GRITA? POR QUE NÃO EXPRESSA NADA, JINKI? – gritava meu pai com suas mãos em meus ombros chacoalhando-me, tentando fazer-me reviver daquele torpor.

Mas não adiantava. Eu ainda não expressava nada. Apenas tentava focar minha visão naquela imagem tão bela que era a de minha mãe deitada naquele leito de hospital. Morta.

Eu algum momento em que eu não percebi seus movimentos, ele largou-me no chão. Já não me obrigava a sentir o que ele achava que eu deveria. Apenas chorava desolado ao lado do corpo de minha mãe.

Ainda fora de meu estado normal – ou dentro dele -, senti um líquido quente escorrer por meu rosto. Levantei a mão e toquei meu rosto. Ao afastar a mão e observá-la, percebi meu dedo molhado. Era uma lágrima. Mas eu não sabia por que eu chorava. Voltei meus olhos para cima, encarando meu pai, que agora me observava, ainda chorando desesperadamente.

- Jinki... Sua mãe... Perceba, olhe para ela... Por favor – ele falava entre soluços e, com tamanha dor que era transmitida para mim através da expressão de seu olhar e seu rosto, eu percebi.

Inspirei o ar, arregalando os olhos. Minha mãe havia morrido. Sim, ela estava morta. Morta.

Ela estava... Morta...

As palavras ecoavam por minha cabeça e tudo se encaixava.

Levantei a mão e pus em minha boca, olhando para ela. Seus olhos inexpressivos me encaravam, acusando-me. Eu não havia sentido nada, eu ao menos havia percebido que ela se fora. Tudo porque eu apenas olhava para a beleza estética que havia naquela cena. Desviei os olhos. Não aguentava a culpa que assolava meu corpo.

Corri. Corri daquela sala fedendo a morte. Corri sem direção, fugindo dos olhos cheios de dor de meu pai, dos olhos inexpressivos e acusadores de minha mãe. Mas, acima de tudo, fugia de mim mesmo e da aberração que eu era. Sim, agora as palavras de meu pai realmente adentravam minha mente, como adagas que entram no coração de alguém. Eu era uma aberração. Eu não sentira nada, absolutamente nada, aos momentos finais de minha mãe.

Tudo parecia ruir sobre meus ombros a cada passo desesperado que eu dava. As pessoas me olhavam em reprovação, mas eu não me importava, sequer as via.

As lágrimas embaçavam minha visão e, vez ou outra, esbarrei em algum médico ou fiz com que alguma enfermeira derrubasse algum remédio.

Mil coisas se passavam por minha mente, mas a principal era a vontade de arrancar meus olhos, assim como Édipo havia feito. Eles eram os responsáveis por eu ver beleza em tudo, sem exceção. Até na morte. E, pior, na morte de minha própria mãe.

Alcancei o exterior do hospital sem nem ao menos perceber. Apenas constatei o fato por sentir as gotas frias da chuva invadirem minha pele, fazendo-me arrepiar. Parei de correr gradativamente, sem mais forças para continuar. Não tinha mais ar, não tinha mais resistência àquela dor tão forte em meu coração. Meus pulmões queimavam por causa do ar gélido que lhe era bombeado. Caí sobre meus joelhos, deixando minha cabeça cair para trás. As gotas quentes que saiam de meus olhos contrastavam com as frias que vinham do céu. Apenas ouvia meus soluços e o som da água caindo na superfície ao meu redor.

Eu queria gritar. Queria expelir tudo o que estava em meu peito e tanto o fazia doer.

Amaldiçoei esse maldito dom que me fora dado. Amaldiçoei meus olhos por serem os meios desse dom interagir com o mundo ao meu redor. E, ali, ajoelhado debaixo daquelas gotas que me cortavam a pele, prometi que nunca seguiria a carreira que almejava. Nunca seria fotógrafo. Meus olhos eram treinados para isso, mas não poderia continuar com esse sonho. Afinal, se era para ver beleza em coisas tão profanas... Eu preferia não ver. Nunca mais.

- Flashback off -

- Onew... – sua voz carregada de uma doçura não típica sua volveu meu nome.

Senti seus dedos acariciarem minha bochecha. Voltei os olhos para si e ele olhava-me preocupado. Seu toque era gelado, embora estivesse o tempo todo inundado de água quente e acolhedora. Ele chegou perto e beijou a região abaixo de meus olhos e então entendi. Eu estava chorando.

Respirei fundo, tentando fazer com que as lágrimas não escapassem de meus olhos. Seria mais fácil carregar uma dúzia de tijolos por um deserto inteiro.

Ele afastou-se, levando consigo o seu calor.

- Para... – ele disse, seu tom levemente autoritário, mas carregado de vergonha e preocupação. –E-Eu... não quero vê-lo chorar.

E foi como se ele pedisse o contrário. Por algum motivo, sua preocupação para comigo derrubaram todas as minhas barreiras e mais lágrimas saíra por meus olhos, sua frequência ainda maior.

Ele franziu o cenho e abraçou-me. Escondi o rosto em seu pescoço com minhas lágrimas, que pareciam pesar quilos em meu coração. Havia chorado com verdadeiramente apenas três vezes em minha vida: na morte de minha mãe, quando desisti da pintura porque não conseguia retratar Key e agora.

- Onew... O que aconteceu? – ele perguntou, cauteloso, quando eu havia me acalmado.

- Ela morreu... – respondi contra sua pele; continuávamos na mesma posição.

- M-Morreu? A mãe morreu? – ele perguntou, seu tom sufocado; ele esperava algo assim, com certeza, mas, ainda assim, ninguém espera ouvir o que não quer.

Balancei a cabeça positivamente. Key era tão próximo de minha família, que até chamava-a de mãe também. Afinal, era a principal — e talvez única — figura materna que já teve em sua vida.

- Quando? – seu sussurro denunciava sua dor e as lágrimas que saíam de seus olhos.

- Algum tempo depois de você ir para a França – funguei contra sua pele.

- Deve ter sido difícil... Eu sinto muito, Onew. Desculpe. Eu não estava aqui com você... E você sempre esteve ao meu lado. Eu... D-Desculpe – suas palavras se embolavam, então apenas apertou-me em seus braços, aconchegando-se em mim.

- Não se culpe... Se tem alguém culpado aqui sou eu. Quando ela morreu, eu apenas olhei sem sentir nada, Kibum. Apenas olhei-a como se aquela cena fosse digna de uma representação... Como se aquela cena fosse bela – meus olhos eram estreitos, mas não era um obstáculo para as lágrimas que se acumulavam novamente na região. – Nunca senti tanto ódio de mim mesmo e desse maldito olhar que eu tenho, desse maldito dom.

Meus soluços ecoavam pelo banheiro, tornando o ambiente, antes sensual e alegre, soturno e trágico, como a cena final de um drama, onde nada dava certo e todos acabavam mortos ou feridos por alguma dor tão dilacerante quanto aquela que me voltava com tudo, arrancando-me todo aquele líquido de meus olhos.

Ele permaneceu em silêncio, mas seus braços me acolhiam. Talvez ele não esperasse que eu fosse tão sincero e derramasse todas aquelas angústias tão antigas sobre si. Eu sempre parecia tão sereno e livre de preocupações. Mas, na verdade, eu construía essa imagem até para mim mesmo, para não ter que lidar com aquela situação torturante que sempre estive longe de superá-la.

- Uma vez alguém me disse que eu nunca seria tão frio a ponto de ser egoísta e só querer o bem da minha irmã por ela ser a minha única fonte de felicidade. E, agora, essa mesma pessoa está cometendo o mesmo erro estúpido que eu e cobrindo as pesadas e negras vestes de uma culpa que não é dela – afastou-se e segurou meu rosto entre suas mãos. – Como quer que eu supere minhas dores se não me dá o exemplo? Como quer que eu supere o que me preocupa se uma delas é você? Como quer que eu sorria se o seu próprio é um dos motivos para que eu o faça?

Meus olhos paravam de inundar com aquelas lágrimas infundadas e davam espaço à surpresa. Nunca vira Key falar desse modo, ainda mais comigo. Mas, antes que eu pudesse dizer alguma coisa, seus lábios me calaram, fazendo-me provar do beijo mais delicioso de minha vida. Dessa vez, as esperanças de que ele sentisse por mim o mesmo que eu sentia por ele aqueciam meu coração de forma confortadora, de um jeito que eu nunca esquecerei, nem que quisesse.

Só você para me içar ao céu enquanto estou no inferno, Kim Kibum.

~*~

Distribuía-lhe beijos por sobre sua face, enquanto ele tentava se esquivar.

- Aish, seu bobo, me laaaaarga – ele ria e eu me deliciava com aquele som, rindo junto com ele. – Alguém pode ver.

Sorria tímido e olhava para os lados do corredor vazio como se alguém pudesse pular do nada à nossa frente e desvendar-nos.

- Bobo é você. Ninguém vem aqui a essa hora – encostei-o na parede, encostando meu corpo ao dele, e distribuí suaves beijos e mordidas em seu pescoço alvo, fazendo-o arrepiar e gemer baixinho em minha orelha.

Continuei beijando-o e ele continuava emitindo aqueles sons que tanto me agradavam. Porém, percebi-os cessarem e desviei o rosto para o seu, que estava virado para o lado, encarando algo ao final do corredor. Seus olhos eram apreensivos e parecia querer dizer algo, mas as palavras não saíam de sua boca.

Olhei para a mesma direção para a qual ele olhava e deparei-me com JongHyun encarando-nos. Não sabia o que sua expressão dizia. Era um misto de vários sentimentos juntos, mas que ele tentava a todo custo esconder. Por fim, virou-se e saiu andando normalmente como se nada houvesse acontecido.

Key ainda encarava o lugar para onde ele havia ido e algo que eu temia sentir invadiu-me. A preocupação estampada em sua expressão me enervava tanto quanto seu cenho franzido. Porque aquela mesma preocupação me brindava há pouco tempo. Não queria que ele se preocupasse com aquele atleta da mesma forma que se preocupava comigo. Não queria que ele o olhasse. Não queria que ele lhe dirigisse a palavra. E me odiava por ser tão possessivo e estúpido.

- Key... – por mais que soubesse que era insano, queria atrair sua atenção a qualquer custo. – Eu te amo.

E escolhi o pior jeito para isso.

Ele olhou-me, seus olhos surpresos em contraste com os meus confiantes. Engoliu em seco e empurrou-me para longe de si.

- “Tenho um coração que bate por si só. Tenho mãos que trabalham por si só. Não preciso de alguém para amar ou ter prazer” – ele falou, proferindo automaticamente como um robô aquelas palavras que eu tanto torcia que não fossem suas, que não fossem relacionadas à sua vida. – Desculpe, Onew... Mas eu não preciso do seu amor.

E assim ele saiu a passos largos para a mesma direção que ele...

Finalmente Kim Kibum recolocava sobre meus ombros as palavras daquele a quem havia criado para que pudesse escrever. Daquele atrás do qual escondia-se para expressar os sentimentos mais sinceros que havia em seu coração. Daquele cujo nome era Park Jungsoo, pseudônimo de Kim Kibum, o escritor que ganhava vários prêmios, mas nunca ia às premiações, que era chamado a várias entrevistas, mas nunca aparecia, por medo de mostrar sua verdadeira face aos pais. E esse era o segredo que eu mais amava sobre ele, afinal fora o que me havia permitido aproximar-me dele no último verão.

Mas agora sentia-me um idiota. Sentia que havia o perdido. Sentia um vazio, que apoderava-se de mim aos poucos, afogando-me naquele torpor novamente. Sentia. Mas apenas fingi que não. Fingi que nada havia acontecido. E queria que aquilo durasse para sempre. Mas foi apenas o suficiente para me prender até que me trancasse dentro daquele quarto e chorasse toda aquela dor que novamente me assolava.

Notas finais
* Naquele parágrafo, fiz referências a personagens da mitologia grega. Explicaria cada um deles, mas isso aqui ficaria tipo uma bíblia, então perdoem-me.
5.644 palavras e nada menos que isso. O Nyah! costuma comer palavras, o que me deixa um pouquinho irritada u.u Enfim, aí está, leitores... Valeu a pena? Espero que sim, meus lindos d.d
É isso aí, Key é um escritor. E dos bons u.u Lembram do Park Jungsoo, né? Sim, é ele! Eu tinha que pôr algum escritor nessa história, pois é...
Uma vez, a Hero me perguntou se alguém na minha fanfic tinha uma família normal. E, prontamente, respondi "Tamin", mas me lembrei de um fato, então percebi que não u.u (vocês saberão o que é em breve). E não é diferente com o Onew. A tristeza dele me assola cada vez que eu penso nele d.d Por isso, acredito que ele merece ser feliz, sabe... Mas, enfim, espero que tenham gostado, rsrs. Beijão, gente!