Na noite seguinte lá estava Patrick novamente, sentado na janela esperando que a música começasse, havia tido essa rotina todos os dias naquela semana: almoçava com Deli, dava aulas, chegava em causa exausto, a musica começava e lá estava ela, dançando com apenas uma lingerie. Naquela noite não era diferente, a não ser pela garrafa de uísque na mão da mulher.

No dia seguinte Deli estava a caminho de seu carro quando sentiu um braço de Patrick.

– Deli... hum...- Patrick estava ofegante.

Deli, ou voce acaba de ganhar uma aposta... – pensou a mulher observando Patrick de cima a baixo, as gotas de suor escorriam de sua testa e por seu pescoço, ele estava vestido de modo simples, uma camiseta listrada vermelha e branca, que ia para cima e para baixo devido à respiração ofegante, uma calça jeans e tênis, aqueles belos olhos que pareciam negros, mas que ela sabia que eram castanhos a observavam, sua boca aberta para dizer algo (ou hiper-ventilar, como ele estava fazendo)-... ou um homem.

Ela o observou novamente, fixando-se naqueles lábios, e que lábios! Carnudos, dignos de uma escultura de deus grego, assim como aquele rosto, e aquele corpo. Deus! Aquele homem estava mexendo com ela.

E que homem – acrescentou em pensamento.

– Você quer... Hum... – ele finalmente conseguiu acumular ar o suficiente para soltar as palavras que estava segurando – Quer jantar comigo?

Deli abriu a boca para falar, então mordeu o lábio inferior, indecisa.

– Eu aceito – disse ela por fim, fazendo os ombros largos do homem relaxarem.

– Passo para te pegar as oito?

– Pode ser – disse Deli encolhendo seus ombros e dando um sorriso meigo – Estarei te esperando.

– Esteja pronta – ele deu uma piscadela que fez os pelos da nuca de Deli se eriçarem e a pequena mulher corar.

O homem se afastou, deixando Deli parada ali com as bochechas vermelhas e um sorriso estampado no rosto.

*

– POLLY WATERSON!!- Deli gritou no telefone assim que chegou em seu apartamento, checou as janelas para ver se Patrick não estava espiando.

– O que foi Deli?- perguntou a amiga do outro lado da linha – O que aconteceu? Não me diga que perdi a aposta? Olha que isso não é justo por que você mora ao lado do Patrick e tem um dom pra fazer strip-tease enquanto eu to a quatro casas e uma rua de distancia sem habilidade nenhuma e...

– Quer calar a boca?- Deli interrompeu massageando as têmporas – Por deus Polly você fala demais. É sério, eu só disse seu nome em voz talvez alta demais porque Patrick Soak me convidou para um encontro e você já vem falando de seus problemas pessoais?

– Eu não tenho culpa se a sorte não esta em cima de mim para morar ao lado do amor da minha vida e... – a voz de Polly foi diminuindo – PERAI O QUE VOCE DISSE?

– Isso mesmo que você ouviu – disse Deli – Patrick Soak me convidou para um encontro. Hoje mesmo, no estacionamento.

– Vocês se pegaram?- perguntou Polly.

– O que? Polly!- a mulher se surpreendeu com a pergunta da amiga – Não!

– Ata – disse a amiga – Mas que droga! Você já arrumou um encontro? Eu to aqui plantada na frente de casa esperando aquele banana sair para fazer qualquer coisa e ver que eu estou morando quatro casas de distancia dele!

– Boa sorte – disse Deli contendo a risada e desligou o telefone, então se jogou na cama e caiu na gargalhada, riu até pegar no sono.

*

Polly passou a tarde na frente da casa de sua amiga, fez as unhas, leu revistas, olhou o movimento, até que viu o brilho do carro vermelho de João a quatro casas de distancia.

Olha pra cá, olha pra cá – Polly cruzava os dedos e mordia o lábio inferior enquanto observava o homem saindo do carro. Ele não olhou.

– Ah, vá se ferrar seu filho da mãe – Polly entrou em casa batendo a porta e gritando, agradeceu por estar sozinha naquele momento.

Olhou para o relógio, eram sete e meia. Pegou o telefone e discou o numero de Deli, chamou pelo menos cinco vezes.

– Alo?- perguntou a voz fina de Deli sonolenta.

– Deli, o que você ta fazendo?- perguntou Polly calmamente.

– Tava dormindo por quê?- perguntou Deli.

– Ah, por nada – disse Polly – Eu só queria saber se você esta arrumada para seu encontro?

– O que? Mas que horas – ela ouviu Deli derrubar algo no chão, então ouviu a mesma pular da cama – Cassilda! Patrick vem me pegar as oito e eu tenho que tomar banho e me arrumar e escolher uma roupa e o meu cabelo? Minhas unhas?

– Que espécie de palavrão é esse? “Cassilda”?- Polly tentou imitar o tom da amiga.

– Não gosto de falar palavrão, mas se você prefere... Merda! Caralho!- Deli disse.

Polly riu, nunca tinha ouvido a amiga falar palavrão na vida.

– Pare de rir! Não vê que a situação é critica?- Deli disse do outro lado da linha – Alias, do que esta rindo? Eu gostaria de achar graça em Patrick estar na minha porta daqui a vinte minutos e eu provavelmente estar enrolada em uma toalha, escovando os dentes e passando rímel.

Polly riu mais ainda da situação da amiga.

– Pare de rir!- Deli gritou ao telefone, de um jeito mais fofo do que assustador, e Polly a imaginou correndo pelo apartamento derrubando coisas, com a cara amassada de sono, gritando nervosa ao telefone. Então escutou barulho de água.

– Deli, o que você ta fazendo?

– Tomando banho, Patrick já vai chegar – disse Deli.

– MEU DEUS QUAL O SEU PROBLEMA?- Polly gritou ao telefone – Desliga já esse chuveiro, você esta falando ao celular! Não acredito, acho que você deve falar aos seus alunos que não mexe com nada elétrico e com água ao mesmo tempo, e também acho que já ensinou que NÃO SE TOMA BANHO FALANDO AO TELEFONE!

– Na verdade nunca perguntaram – disse Deli parando para pensar – Ta, preciso tomar banho já te ligo. Beijos.

– Bei... — a ligação foi cortada antes de Polly conseguir terminar a palavra.

A Deli é uma tartaruga, ela não vai se arrumar a tempo. Preciso atrasar o Patrick – pensou Polly arquitetando um plano.

*

– O que você quer que eu faça mesmo?- perguntou Mary ao telefone.

– Eu acabei de falar sua jamanta – disse Polly – Vá até o seu vizinho, o Aaron, e peça pra ele inventar qualquer coisa que enrole o Patrick pelo menos quarenta minutos.

– Com o que exatamente?- perguntou Mary já trancando a porta de seu apartamento.

– Peça pra ele inventar algo – disse Polly sem paciência – A Deli não ta pronta, e por mais que eu queira que ela perca essa aposta, essa é a chance dela.

– Ai ai – disse Mary – A baixinha faz a burrada e nós temos que consertar. Ela vai ficar me devendo por essa.

– Cobre dela amanhã. Tchau tchau beijos.

Polly desligou o telefone antes que Mary pudesse se despedir, a mulher atravessou a rua e foi até o prédio vizinho, seus saltos produziam um barulho ritmado conforme caminhava até o elevador.

– Eu moro no sétimo, ele é meu vizinho, deve morar também – pensou Mary em voz alta apertando o botão redondo com o número sete no painel do elevador.

O elevador apitou antes de abrir a porta, indicando que havia chego ao andar certo, parou no meio do corredor, encarando todas as portas fechadas do corredor.

– Hum... Eu vim daqui – ela apontou para a direção de seu prédio – Meu apartamento fica nesta direção – ela apontou para a direção contrária no corredor – Então o apartamento dele deve ser... Este.

Ela pegou a direção a sua esquerda, que levava a uma porta fechada, número 709. Bateu na porta duas vezes e se afastou alguns passos. Alguns minutos depois a porta se abriu e lá estava Aaron.

*

– Posso entrar?- perguntou a mulher da vida de Aaron parada do lado de fora de seu apartamento.

Por que eu não fiz uma aposta também? Teria ganhado há essa hora – pensou o homem ainda parado encostado a porta.

Mary arqueou uma sobrancelha e sorriu levemente, ficando na ponta dos pés apesar do salto para enxergar por cima do ombro do homem alto, tentando ver o interior do apartamento.

– Pode sim – disse Aaron dando caminho para que Mary passasse, baixando os olhos, primeiro para seu decote e depois para as curvas de seu corpo quando ela ficou de costas, inalando o perfume que ficara como um rastro por onde ela passara provocante, doce, forte.

A mulher observava o apartamento, as mãos seguravam a bolsa e ela fazia o que parecia pose para foto na cabeça de Aaron.

Meu deus que mulher! – pensou Aaron.

– Quer se sentar?- perguntou o homem apontando para o sofá.

– Na verdade eu preciso de um favor – disse Mary se aproximando, quase grudando seu corpo ao de Aaron e empurrando seu dedo indicador contra o peitoral do homem, dando um sorrisinho de canto de boca -... seu.

Aaron tentou respirar normalmente para que a mulher que continuava com a proximidade entre os dois corpos não percebesse.

– Que favor?- perguntou ele..

Ela desceu a mão até o abdômen do homem, então envolveu as costas e desceu até o bolso traseiro da calça jeans, pegando o celular.

– Preciso que ligue para seu amigo Patrick – disse ela levando o telefone a altura da boca dele, deixando tombar para o lado e bater contra os lábios do mesmo.

– Por quê?- perguntou Aaron.

– Apenas atrase ele por mais uns... – ela olhou seu relógio de pulso – vinte ou trinta minutos.

Ele a encarou por mais alguns minutos, tentando pensar, então pegou o celular da mão da mulher e discou o número do amigo.

*

Não sei por que a Polly fez esse barraco todo. A Deli que se enrola e a gente têm que consertar – pensou Mary sentando-se no sofá da sala de Aaron, observando o homem que falava ao telefone, mas ela não prestava atenção nas palavras, estava distraída com seus pensamentos.

– Ok então cara – disse Aaron desligando o telefone e colocando de volta no bolso e se virando para a mulher sentada de pernas cruzadas em seu sofá, o vestido encolhendo-se um pouco e mostrando as belas pernas da mesma.

Mary sorriu ao ver o olhar interessado de seu vizinho.

– Bom, tenho que ir – disse ela pegando sua bolsa e caminhando até a porta. Aaron se apressou para abri-la – Muito obrigada Aaron.

Ela estava já fora do apartamento, parada em frente à porta, o encarando. Seus olhos se desviaram para os lábios do homem rapidamente, então voltaram a fitar os olhos azuis.

Em alguns segundos os lábios de ambos estavam unidos em um beijo intenso, Aaron segurou a cintura da mulher e acabou com a distância entre os corpos, Mary o segurava pela nuca com uma das mãos e a outra segurava o ombro largo do homem.

Eles entraram apressadamente no apartamento, Aaron fechou a porta com um chute segurando Mary pela cintura enquanto a mesma cruzava suas pernas ao redor da cintura do homem, interrompendo os beijos apenas quando precisavam de ar. O homem a colocou contra a parede, atrevendo-se a descer uma de suas mãos pela perna da mulher, apertando de vez em quando até chegar a seu quadril, apertando com força, ela passava suas mãos por baixo da camisa do homem, arranhando o peitoral e às vezes as costas.

Ele a deitou no sofá, abrindo o zíper do vestido da mulher impacientemente enquanto a mesma chutava seus calçados para longe e tirava a camisa do homem.

Notas finais
E ROLOU!!!! Eu shippo Maaron (não acho um nome que combine mais, se vocês acharem me avisem pls) E a Deli falando no celular durante o banho? Eu racho com essas duas, comentem o que acharam amores!!