Bet Me or Love Me
7 Capítulo 7
– Polly, o que você fez?- perguntou Deli ao telefone enquanto terminava de passar seu típico batom vermelho.
– Eu? Nada, por quê?- perguntou a amiga.
– Pelo fato de que são oito e quarenta e Patrick não apareceu ainda – disse Deli.
– Ah, isso. De nada. Eu o atrasei para que você pudesse se arrumar – disse Polly.
– O que você fez?- perguntou Deli colocando seu calçado com salto.
– Pedi para a Mary dar um jeito de o Aaron ligar para o Patrick inventando qualquer coisa pra atrasá-lo – disse Polly num tom que parecia se gabar de seu plano.
– Ai, obrigada – disse Deli respirando aliviada.
– Nada, agora termine de se arrumar que daqui a pouco Patrick deve estar aí – disse Polly.
Deli escutou duas batidas na porta e ficou na ponta dos pés para espiar pelo olho mágico da porta. Era Patrick, parado em frente na porta, as mãos enfiadas nos bolsos da calça jeans, olhava para os lados e batia o pé no chão, nervoso ou impaciente.
– Na verdade – Deli falou baixinho para que Patrick não escutasse -, ele esta aqui na minha porta. Tchau, beijos.
A mulher desligou o telefone sem deixar a amiga se despedir e abriu a porta.
– Patrick, oi – disse ela sorridente.
– Oi, tudo bem?- perguntou Patrick olhando para a mulher, então arqueou uma sobrancelha – Esta pronta?
Deli olhou para sua roupa, usava um vestido preto, de mangas compridas, mas que deixava os ombros e as costas descobertas, sapatos igualmente pretos de salto, mas que tinham um detalhe dourado.
– Estou vestida adequadamente para o restaurante aonde vamos?- perguntou a pequena mulher.
Patrick demorou um pouco para responder, seus olhos estavam fixos no decote da mulher, e depois subiram para os lábios. A mulher deu um cutucão no ombro do homem, arqueou uma sobrancelha e sorriu.
– Ah, esta perfeita – disse ele.
Deli sentiu suas bochechas esquentarem, então sorriu tentando disfarçar.
– Vamos?- Patrick estendeu seu braço. Deli confirmou com a cabeça e enganchou seu braço ao braço musculoso do homem.
– Aonde iremos?- perguntou a mulher quando já estavam no carro.
– Será uma surpresa – disse Patrick sorrindo.
– Ah, não é justo – disse Deli dando um leve tapa no ombro de Patrick, que fez cara de dor teatralmente – Eu sou muito curiosa.
Patrick riu, mas não falou aonde iriam.
*
– Hunf – Polly bufou mudando os canais da televisão aleatoriamente sem realmente prestar atenção neles.
Deli esta em algum canto dessa cidade jantando com seu vizinho. Enquanto o meu nem percebeu que eu estou aqui em três semanas! Babaca! – pensou Polly, depois mordiscou a almofada do polegar e sorriu – Um belo e gostoso babaca... rum rum... mas ainda assim um babaca.
Ela desligou a televisão e, decidida, saiu de casa. Andou alguns metros, mas parou em frente à casa de João, inalou o ar e soltou pesadamente.
Não. Esse não é o acordo, Polly. Ele tem que ir até você – pensou Polly fazendo o caminho de volta, então fez uma careta e acrescentou – Mesmo que você perceba que ele é um idiota que não consegue perceber que tem uma nova vizinha plantada na varanda observando-o. Mesmo que esse seja o caso.
Entrou novamente em casa e jogou-se no sofá.
Merda, como pude aceitar essa aposta? Estou ferrada!
Coincidência ou não, ela começou a assistir Como se Livrar de Um Homem em Dez Dias, um filme que mostrava quase a mesma situação que ela imaginava com Deli e Patrick, trabalho e aposta. A única diferença era que o homem havia apostado ficar com ela e ela tinha que se separar dele, enquanto Deli havia apostado apenas atraí-lo a seu apartamento, sem nada da parte de Patrick
Ou quem sabe Patrick também apostou – Polly começou a desenvolver uma linha de raciocínio – Quem sabe por isso ele ainda não foi ao apartamento de Deli, nem quando ela o convidou a entrar. E se os dois estiverem envolvidos em uma aposta?
De repente aquilo fazia tanto sentido para Polly, ela pensou em ligar para Deli naquele momento e contar sua teoria, mas se lembrou que Deli estava com Patrick, e que talvez um dos dois (se ela estivesse certa) venceria uma aposta hoje. E ela não estava torcendo para Deli.
*
Patrick estacionou em frente a um restaurante muito chique, chamado Bel La Itália, saiu do carro e abriu a porta para Deli, que antes de sair deu uma bela olhada no vestido que usava, achando um pouco simples demais para a ocasião.
– Você esta perfeita – Patrick repetiu – Não, perfeita é pouco para descrever, mas foi a palavra mais digna que achei.
Ele a ajudou a descer do carro, puxando-a pela mão e depois segurando sua cintura.
– Nossa, ninguém nunca tinha dito isso para mim – disse Deli sorrindo – Obrigada, Patrick.
– Sério? Você deveria escutar isso todos os dias.
Ai meu deus! Patrick Soak dizendo que sou perfeita e mostrando ser um cavalheiro – pensou Deli, de repente, voltara a ser uma adolescente boba que ficava louca com um elogio – Não Deli, você não pode ser assim. Recomponha-se, sem ficar vermelha como um pimentão. Afinal, ele só te trouxe num restaurante carérrrrrrrrimo e a ajudou a descer do carro como um cavalheiro, falou que você esta perfeita duas vezes na noite e não ousou passar a mão por qualquer lugar abaixo da cintura, isso é o que qualquer homem faria certo?
Então Deli se lembrou de certos homens com quem saira, que a levaram a botecos de esquina, se embebedaram, não foram nem um pouco cavalheiros. Comparados a eles, Patrick era um deus.
Um belo e gostoso deus que eu preciso na minha cama – acrescentou Deli por pensamento.
– Boa noite – disse uma mulher que estava com o uniforme do restaurante aproximando-se do casal.
– Boa noite, eu tenho uma reserva no nome de Patrick Soak – disse Patrick.
– Ah, sim – disse a moça – Me sigam, por favor. Meu nome é Claudia.
Ela os levou até uma área mais reservada do restaurante, numa grande sacada que tinha vista para um bosque ao lado do restaurante e a iluminação era mais fraca, a mesa mesmo tinha apenas velas, para que pudessem aproveitar a luz do luar.
– Não precisa Patrick – disse Deli vendo que o homem puxava a cadeira para que ela se sentasse.
– Eu faço questão – disse Patrick.
Deli sorriu docemente e sentou-se na cadeira.
– Gostariam de um champanhe ou vinho?- perguntou Claudia.
– Champanhe, por favor – disse Patrick.
O homem olhou para Deli e sorriu.
*
– Então, como foi?- perguntou Polly no dia seguinte, puxando Deli e Mary pelos pulsos até o banheiro das professoras.
– Como foi o que?- perguntou Deli confusa.
– Ontem à noite, cabeça de vento!- disse Polly dando um tapinha na testa de Deli – Você e Patrick.
– Ah, isso – disse Deli – Foi normal, nós jantamos, conversamos e...
– Vocês fizeram aquilo?– perguntou Polly interrompendo a amiga.
– Não! Polly!- brigou Deli.
– Ah, sim – disse Polly – O que você acha disso Mary?
O recinto ficou silencioso enquanto as duas esperavam uma resposta da amiga, que estava alheia a conversa, afundada em seus próprios pensamentos.
– Mary!- chamou Polly.
– Hã? O quê?- perguntou Mary piscando algumas vezes.
– O que você acha disso?- perguntou Polly.
– Disso o quê?- perguntou Mary confusa.
– Aloo! Terra chamando Mary – disse Polly – Em que mundo você esta?
– Eu só estava... distraída – justificou Mary.
– Ta, se distraia depois – disse Polly – Ontem a Deli conseguiu ir no jantar com o Patrick, eu quero saber o que você pediu para o Aaron...
Polly parou no meio de sua fala, ficou um tempo apenas encarando Mary, ligando algumas coisas em sua cabeça, então sorriu.
– MARY, EU NÃO ACREDITO!- disse Polly batendo uma palma contra a outra como se tivesse resolvido alguma equação e se vangloriando – Você e Aaron? Sério?
Em questão de segundos Mary estava com uma mão na frente da boca de Polly, mantendo-a quieta, tudo que a amiga tentava falar saia apenas um gemido.
– Quer calar a boca sua tapada?- disse Mary ainda tampando a boca de Polly – Essa porta não é uma barreira que impedem que quem esteja do lado de fora escute.
Polly concordou e Mary tirou a mão que tampava a boca da amiga.
– Eu não acredito – disse Polly num tom mais baixo de voz, ainda sorrindo.
– Como você sabe?- perguntou Mary.
– Você não deu sinal de vida ontem depois que eu pedi para você ir falar com seu “vizinho”- Polly não resistiu a fazer um coração com a mão depois das aspas no ar – E ta avoada aí, alheia a conversa, acho que se eu te desse um tapa você não teria acordado.
– Ta bom – disse Mary jogando as mãos para cima como quem se entrega – Nós... bom, fizemos isso que você ta pensando sim.
– Temos duas apaixonadas aqui – disse Polly sorrindo maliciosamente.
– Você e a Deli, só se for – disse Mary – Eu não disse em momento algum que estava apaixonada por ele.
– Hunf, ok, tanto faz – disse Polly – Vocês tem sorte, ninguém aqui tem um vizinho banana. Quanto tempo ainda temos para ganhar a aposta, Deli?
– Duas semanas ainda – respondeu Deli.
– Meu deus, o que eu vou fazer para atrair a atenção dele?- perguntou Polly.
Mary sorriu maliciosamente, como quem acaba de ter uma idéia pervertida, mas boa.
– Vocês querem ir lá em casa depois de amanhã?- perguntou Mary – Eu até convidaria para hoje ou amanhã, mas tenho aulas, então terá que ser na quarta mesmo, hoje é segunda não é?
– É sim – disse Deli – Bom, eu não tenho compromissos nem hoje, nem amanhã e nem quarta.
– Correção: não tem jantares – disse Polly – Tudo bem. Vamos sim.
– Ótimo, amanhã vemos o horário – disse Mary retirando-se do banheiro.
Mary saiu do banheiro já bolando seu projeto de plano, e ela precisava falar com Aaron, quer dizer, será que ele ainda estava pensando na noite anterior? Se tinha feito alguma diferença? Ou será que ela era apenas outra mulher na vida dele? Por que, pelo que ela ouvira de seus amigos, Aaron era um pegador, assim como ela mesma era.
Mas Aaron havia sim feito diferença para ela, e ela queria que também tivesse feito diferença para ele.
Enfim, isso não fazia diferença naquele momento, ela precisava falar com Aaron.
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