Bet Me or Love Me
4 Capítulo 4
– Perdeu, perdeu. Na-na-ni-na-não – disse Polly negando com a cabeça e com o dedo, ainda mantinha suas cartas em mãos – Anda logo, Deli.
– Mas não é justo, porque só eu caio nessas ciladas? – perguntou ela levantando-se – Trouxe a roupa pelo menos?
– Claro, ta na bolsa – disse Polly sorrindo maliciosamente.
Deli pegou a bolsa furiosamente e marchou ate o banheiro.
– Não acredito nisso, Polly!- gritou a pequena mulher do banheiro, então saiu, ainda com a mesma roupa, segurando a calcinha de renda fio dental em seu dedo indicador – É sério?
– Eu não disse que seria uma roupa normal – disse Polly – Ah, já sei. Que tal fazermos um pouco de ciúmes nos rapazes também? Mary chama lá aquele garotão de novo aqui e pede pra ele sentar ai. Deli vai se trocar agora.
Deli bufou e voltou para o banheiro. Colocou a peça de lingerie minúscula que Polly havia comprado, então colocou o vestido de seda preta transparente por cima e o outro vestido preto colado também. Podia escutar a música alta vinda da sala.
*
– Olha só – disse Aaron fazendo sinal para que Patrick e João calassem a boca – A música começou. Onde há musica há strip-tease não é Patrick?
Os três garotos se viram na janela, observando atentamente o que ocorria dentro do apartamento vizinho, Polly estava sentada na poltrona, de costas, Mary ao lado dela e, de lado, podia ver aquele cara novamente.
Patrick procurava apenas uma pessoa, Deli. Onde ela estaria?
Foi surpreendido ao vê-la entrar na sala, já se direcionando a barra de ferro ao centro. Usava um vestido preto grudado a seu corpo escultural, praticamente rebolava ao andar, o cabelo totalmente solto e um pouco bagunçado. Admitiu que sentiu um pouco de ciúmes ao ver aos amigos vidrados nela, e no decote do vestido.
Ela segurou firmemente a barra e começou a dançar ao redor da mesma, rebolando de um jeito extremamente provocante, o garoto na sala do apartamento também parecia muito “concentrado” na dança da mulher. Não demorou muito para que a mesma se livrasse da peça de roupa que atrapalhava sua dança, de um jeito sensual ela tirou o vestido, deixando escorregar por suas pernas malhadas.
– Cara, que avião – disse Aaron bebendo um gole do uísque – Olha aquelas pernas.
Patrick trincou o maxilar para não falar nada, apenas continuou observando, a mulher agora vestia uma espécie de camisola de renda preta transparente, ia ate a altura do quadril e era aberta na frente, apenas uma corda segurava a parte que cobriam seus seios. Deli continuou rebolando ao redor da barra, vezes descendo ao chão rapidamente, vezes demorando-se um pouco mais e rebolando por provocação.
Então a mulher virou-se de cabeça para baixo, seu apoio eram apenas suas pernas entrelaçadas a barra de ferro, a camisola caída dando uma visão de seu abdome.
*
– Chega, não vou mais fazer isso – disse Deli colocando seus pés no chão novamente e ajeitando a camisola – Marcelo, fora.
– É Marcus – corrigiu o garoto saindo, Deli fez um sinal de “tanto-faz-vaza-agora” e voltou-se para as amigas.
– Eu não vou mais fazer isso – disse ela simplesmente – Não vou ficar mostrando meu corpo para eles.
Ela apontou diretamente para onde os amigos estavam reunidos observando, então caminhou até lá e fechou a cortina.
– Deli – disse Polly.
– Olha Polly, se quer isso faça você mesma, eu abro a cortina e você faz seu show, eu não vou continuar. O que eles vão pensar?- perguntou Deli- Patrick já deve ter comentado, devem pensar que sou uma vadia fácil.
– É apenas uma brincadeira, Deli- disse Mary.
– Então faça você essa brincadeira! Eu vou me trocar – disse Deli dirigindo-se ao banheiro.
A mulher voltou alguns minutos depois e encontrou as amigas sentadas na sala, comendo pipoca e bebendo caipirinha.
– Tudo bem – disse Polly fazendo sinal para que ela se sentasse – Que tal se fizéssemos uma aposta?
– Já disse que não faço apostas com você, eu vou me dar mal – disse Deli pegando um punhado de pipoca.
*
– É, acho que o espetáculo acabou – disse João sentando-se novamente a mesa onde estava o jogo abandonado.
– Cara, eu queria aquela mulher na minha casa – disse Patrick pensando em Deli, com aquela camisola transparente, a calcinha de renda minúscula que cobria sua região intima, imaginou-se tirando-a.
– Duvido que você consiga – disse João.
– Quer apostar? Eu consigo levar qualquer mulher para o meu apartamento – disse Patrick com um sorriso malicioso – Aposto que você consiga levar a Polly para a sua casa.
– Ok. Esta apostado – disse João – Você tem um mês para conquistar a Deli.
– E você a Polly – completou Patrick.
– Fechado, mas lembre-se – disse João alerta – Ela tem que ir ate você, não o contrario.
*
– Ele tem que ir até você Deli – disse Polly maliciosamente – Depois vocês vêem o que vão fazer quando ele estiver lá dentro. O objetivo é atraí-lo.
– Por quê?- Deli perguntou.
– Deli você morre de amores por ele – disse Mary – Tudo que tem que fazer é atraí-lo para o seu apartamento. Aposto que vai ser fácil, só precisa de uma dancinha.
– Você tem um mês – alertou Polly.
– Se eu tiver que fazer isso você vai ter que atrair o João – disse Deli imperativa.
Polly arregalou os olhos, depois os espreitou.
– Eu estou criando uma pequena chantageadora – disse ela abraçando a cabeça de Deli e rindo – Você é terrível sabia?
– Faço o que posso – disse Deli – Então, trato fechado?
– Fechado – Polly estendeu a mão e a amiga a apertou, selando um trato.
– Um mês?
– Um mês. – confirmou Polly.
*
– Bom, eu vou ir agora – disse Patrick levantando-se, fingindo não ter visto Deli sair do apartamento ao lado.
– Hmm, junto com a dançarina?- Aaron riu com o apelido que João dera a apequena mulher.
– Quanto antes vencer a aposta melhor não é? Não quero te dar o gosto de ter meu dinheiro em mãos – disse Patrick já fechando a porta.
Esbarrou “sem querer” na pequena mulher que passava por ali em direção a seu apartamento.
– Oi, Deli – disse Patrick.
A pequena mulher sorriu, depois olhou novamente para o prédio, a janela do apartamento de Mary, então se virou para ele.
– Oi, Patrick!- disse ela animada, o sorriso em seus lábios fez nascer um também nos de Patrick, o homem só conseguia pensar em como queria aqueles lábios junto aos seus – Como vai você?
– Bem e você?- o homem saiu do transe e perguntou.
– Ótima – disse a pequena mulher, Patrick agora podia ver que ela batia na altura de seu ombro. Era tão pequena e tão... Provocante – Melhor agora.
Ela sorriu docilmente enquanto tirava uma mecha de cabelo cor de cobre do rosto.
Esta na mão – pensou Patrick.
*
– Bom, esta entregue – disse Patrick a porta da casa de Deli.
– Obrigada – sorriu – Quer entrar?
Essa vai ser fácil – pensou a mulher.
– Ah, não vai dar, já esta tarde – disse Patrick – Bom, ate amanha.
– Ate – Deli sorriu vendo o homem se afastar, aqueles músculos, Deli queria tocá-los, queria sentir aqueles braços fortes ao redor de si, aqueles lábios junto aos seus.
Ela queria Patrick.
*
Droga de aposta. Ela me convidou para o apartamento dela!– pensou Patrick.
Ele se sentia observado enquanto caminhava pelo corredor do apartamento da mulher, mais não viraria para trás, ela precisava ir ate ele, infelizmente.
O homem só queria puxá-la pela cintura, segurar seus cabelos da nuca, juntar seus corpos e seus lábios.
Ele queria Deli. Não, queria já era muito fraco. Ele precisava dela.
Patrick voltou a seu apartamento, abriu todas as cortinas (principalmente as que davam para o quarto de Deli) e ficou passeando pela sala, esperando ver a pequena mulher a qualquer momento.
Não demorou muito para que ela aparecesse, pelo visto havia tomado banho porque estava enrolada numa toalha, seu cabelo pingava pelo chão e seu corpo ainda estava um pouco molhado. Como Patrick queria aquele corpo, perto dele, colado ao dele.
Patrick teve a impressão de que a mulher olhou rapidamente e sorriu para ele, mas devia ser apenas obra de sua imaginação. Ele se aproximou da janela na esperança de que a mulher tirasse aquela toalha e começasse a dançar naquela barra de ferro, sua esperança aumentou quando ele a viu puxando uma das pontas da toalha, mas logo depois ela sorriu maliciosamente e negou com a cabeça, então pegou uma calcinha fio dental, pareceu mostrar a calcinha para ele e, sem tirar a toalha, colocou a calcinha, o sorriso malvado ainda no rosto, como se estivesse o torturando.
Ele trincou o maxilar e segurou firme o braço da cadeira, tinha que garantir que não levantaria e iria ate ela, a tomaria em seus braços, a beijaria, a jogaria na cama...
Ah, se ela soubesse que ele morava ao lado.
*
Deli sabia que estava conseguindo o que queria, podia ver que ele estava tenso sentado naquela cadeira, mas ela não podia olhar para ele, não podia deixar que ele percebesse que ela sabia. E, além de tudo, ele tinha que vir até ela.
Ela queria? Sim. Queria que aquele homem entrasse sem bater, sem aviso, a tomasse nos braços, beijasse com força, a jogasse naquela cama, tão grande, tão espaçosa...
Por que não vem ate aqui? O que esta te impedindo?– era como se ela tentasse falar com ele por pensamento enquanto fazia um sacrifício desnecessário para por o sutiã. Ele já havia visto seus seios mesmo.
*
Uma aposta. Maldita aposta, não posso simplesmente ir ate ela – pensava o homem, tentando conversar com a mulher por telepatia.
Sentiu um arrepio ao vê-la soltar a toalha, que escorregou por suas pernas ate o chão, ele subiu um pouco os olhos ate a peça de roupa que usava, a calcinha minúscula que mostrara antes, agora estava vestida em seu corpo. O resto estava completamente descoberto, a mostra. Ela segurou seus seios com ambas as mãos enquanto procurava algo em seu quarto, depois pegou um sutiã e colocou, ficando um pouco mais a vontade já.
Depois ela pegou qualquer roupa pelo quarto e amarrou o cabelo, uma tentativa inútil assim como antes porque a maior parte não podia ser presa e ficou solta.
Ele precisava arrumar um jeito de atraí-la para seu quarto. Precisava dela.
No dia seguinte lá estava ele, sentado no sofá mais ao fundo da sala, ate que ela entrou, fazendo seu mundo ter um sentido, um objetivo. Usava um tamanco que produzia barulho por toda a sala enquanto andava, não olhou para Patrick nenhuma vez, e o homem podia ver que João e Aaron também olhavam para a pequena mulher que cruzava a sala, mas ela também não dirigiu olhar a eles, sentou-se ao lado de Polly e Mary do outro lado da sala.
*
– Não vão acreditar em quem me acompanhou até em casa ontem – disse a pequena mulher sentando-se.
– Quem?- perguntou Polly distraidamente enquanto observava João discretamente.
– Patrick Soak – disse Deli sorrindo.
– Não acredito!- disse Mary – Quer dizer que Polly perdeu a aposta?
– É o que?- perguntou Deli ao entender o que Mary estava perguntando – Não, ele apenas me acompanhou, eu até convidei ele pra entrar, mas ele não quis, depois o peguei me espionando e dei mais uma provocadinha.
– Você fez outro strip-tease?- perguntou Polly finalmente acordando e prestando atenção no que as amigas diziam.
– Não!- Deli disse assustada com a pergunta da amiga – Eu só, bom, deixei a toalha cair.
– Ah, sim – disse Mary, o olhar malicioso – Só deixou sua toalha cair.
– Não importa. Ele foi ate lá?- perguntou Polly indo direto ao ponto.
– Não, eu já disse – falou Deli olhando discretamente para Patrick, sorrindo ao ver que o homem a observava – E você Polly? Algum progresso?
– Nada, to dormindo na casa de uma amiga que mora na mesma rua que ele – disse Polly.
– Não esta fácil para ninguém – disse Mary observando o professor novo que acabara que chegar, era alto, os cabelos loiros e os olhos claros, a barba por fazer – Quem é aquele?
– Não sei, substituto?- chutou Deli também observando o homem.
– Mas então quem ele esta substituindo?- perguntou Polly acompanhando cada movimento do homem.
– Eu não sei, mas não faz diferença – disse Mary.
*
– Que ótimo – disse Aaron – Mais um idiota para fazer todas babarem.
Patrick apenas observava o homem, parecia simpático, mas não gostou dele, ainda mais depois de ver Deli olhando interessada para o tal homem.
– Alguém sabe quem é?- perguntou João fuzilando o homem com o olhar.
– Essa cadeira esta vazia?- perguntou o professor novo apontando para a cadeira a frente deles.
– Ta – disse Aaron entre dentes.
O homem puxou a cadeira e se sentou, de frente para os três homens sentados no sofá, a mão estendida.
– Sou Mike, prazer – disse ele diretamente para Patrick, que o cumprimentou contra vontade.
– Patrick.
– Sou João – disse João apertando a mão de Mike que estava estendida.
– Aaron – disse o homem restante.
*
Deli e suas amigas apenas observavam a cena, torcendo para que ele viesse ate elas, se apresentasse ou simplesmente começasse um strip-tease ali mesmo, para elas. A pequena mulher suspirou e, ao ver que Patrick a observava virou-se novamente para Polly e Mary, mordendo o lábio inferior.
Ou Patrick poderia começar um strip-tease– pensou a mulher sorrindo com a idéia.
Mary observava o homem mais novo com certo interesse e, assim como Deli, mordia o lábio inferior, mas não por pensar em Patrick fazendo strip-tease, mas sim no novato em seu apartamento, mostrando seus dotes.
Polly admirava o professor, mas a maior parte de seu cérebro registrava o comportamento de João, parecia com ciúmes e a olhava de vez em quando, fazendo-a corar.
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