*03/04 – Quarta* Noite:

Não é divertido viver em um mundo real? Tudo pode acontecer! Inclusive a revolta dos robôs versão Colégio Van Helmont...

Eu estava com 6 daquelas faquinhas esquisitas, cada um teria sua própria arma de defesa. Saindo do quarto de Michael eu peguei o meu carro e dirigi direto para o quarto de Roger, era preciso contar as novidades.

Para a minha alegria, ele estava bêbado, o que seria um pé no saco de se conversar. Contei a história como pude e tentei explicar o melhor possível para parecer sério, só que como previ seria uma missão impossível.

Como não nasci para ser boa, eu peguei o balde que estava no gramado de fora, enchi de água gelada e despejei em sua cabeça. Funcionou!

– Que porra é essa Nadia? Merda! Caralho! Filha duma puta!

– Finalmente está me ouvindo, ein?

– Não querida, eu estava lhe ouvindo desde o começo, só que eu já desconfiava disso. Os crimes eram perfeitos demais para serem humanos, eu desconfiava de máquinas. Puta que pariu! Pedir para ter uma equipe mais mente aberta é pedir demais?

Ele estava furioso, tudo bem, foda-se.

– Ai, ai... O que faremos agora? – Perguntei enquanto me jogava em sua cama.

– O que faremos agora? Que tal ser minha vez de te contar uma história, ein?

– Tudo bem, tenho esse tempo livre agora...

– Então vamos lá. Há 10 anos atrás eu conhecia uma bela garota, a mais legal e bonita que eu já vi na vida...

– Hmm... Por acaso essa garota apareceu no jornal? – Perguntei e comecei a beber a cerveja que estava na cabeceira da cama.

– Claro! Ela ficou famosa aos 13 anos de idade! Continuemos... Ela era a minha melhor amiga, e de certa maneira ainda hoje é. Éramos vizinhos e por isso vivíamos nosso dia juntos, aposto até que ela não se lembra de mim, mas tudo bem, explicarei o motivo depois. Era uma garota que tinha de tudo para ser bem sucedida, uma profissional competente e feliz, o seu único problema era sua família...

– Wow, que garota sortuda! Continue, estou ouvindo...

– Seu irmão mais velho era um drogado, seu pai estava desempregado e sua mãe se esforçava demais no trabalho para manter a família que esquecia dos problemas que deixava dentro de casa para sua bela filha.

– Agora deixa eu adivinhar, quando ela completou 13 anos ela foi assediada pelo pai, enlouqueceu e cortou a garganta de todo mundo enquanto eles dormiam, certo? Essa é a minha história, exceto que eu não tinha você como amigo de infância, boa tentativa... – Tomei mais um gole da bebida.

– Quem disse que era a sua? É da minha bela, única e exclusiva melhor amiga: Rebekah Romanov! – Ele falou triunfante.

– Puf! Me poupe, você dava para ser tudo, menos comediante...

– Cala a boca! Ainda não terminei, escuta.

– Tudo bem vossa majestade. – Disse enquanto revirava os olhos.

– Recapitulando: Rebekah era a minha melhor amiga de infância, só que por conta dos maus tratos de sua família ela foi desenvolvendo uma personalidade alternativa, um alter ego: Nadia. – Continuei revirando os olhos, porque ele estava contando isso mesmo? – Nadia, nasceu para acabar com a tristeza de Rebekah, assim ela poderia ser feliz de novo. Porém, Nadia era uma psicopata fingida, que matou os pais de minha amiga apenas para poder ser livre com aquele corpo...

– Cara... Você sabe que está falando um monte de merda, não sabe?

– Estou?

Roger se levantou e abriu as portas do guarda-roupa, no canto superior a esquerda tinha uma pequena caixa de madeira, ele a pegou e sentou de volta no chão. Dentro dela tinha fotos, várias fotos de crianças, ele procurou uma específica e me mostrou. Era um garoto e uma garota abraçados e sorrindo para a câmera.

Quando eu olhei direito, percebi que na verdade era eu e uma mini versão de Roger nela.

– Vire a foto. – Ele ordenou.

Atrás estava escrito: Rebekah Romanov e Roger Maldonato – Agosto de 2020. Soltei-a de minha mão porque havia começado a tremer.

– R-roger, o q-que é isso? O q-que isso sig-gnifica?

– Como isso é possível? Você tomou o corpo da minha amiga! É isso que significa, você é uma assassina de sangue frio tanto quanto eu. Você fica achando que ela é a psicopata, mas quem é é você.

– Isso não faz s-sentido! – Tentei gritar, agora eu já estava de pé.

– Como você explica a foto? Ou melhor, todas essas fotos que estão na caixa? – Ele jogou as fotos no chão e apontou para elas, me ajoelhei e constatei que eu estava em todas elas, e todas haviam um “RR” atrás. – Nadia, Rebekah esteve presa em seu próprio corpo todos esses anos, ela foi forçada a assumir a atitude que é sua, cada tentativa de fuga do centro de detentos era um reflexo de seu desejo interior: retomar o controle, só que você nunca deixava, eu perdi minha amiga por 4 anos, EU A QUERO DE VOLTA! EU MATEI A MERDA DE UMA PESSOA SÓ PARA PODER FICAR PERTO DELA DE NOVO. – Nessa hora ele já estava com as mãos em meus ombros chacoalhando brutalmente eles. – REBEKAH, REBEKAH, ESTÁ ME OUVINDO? APAREÇA! VOLTE PARA MIM, PRECISO DE VOCÊ!

Consegui me soltar dele. Finalmente recobrei a consciência de quem eu realmente deveria ser.

– Eu sou a psicopata, certo? Você quer sua amiga? Vem pegar!

Peguei as facas e corri. Corri o mais rápido que pude, precisava encontrar alguém, qualquer um servia para o meu propósito, e foi quando Daniel cruzou o meu caminho.

– Boa noite, Nadia! – Ele acenou.

Corri em sua direção e não me importei se ele era alguns centímetros maior do que eu, eu o havia pegado desprevenido. Derrubei ele no chão e comecei a esfaqueá-lo até que ele não respirasse mais.

Isso mesmo, a vadia louca voltou!

Depois disso, corri em direção a meu carro, eu ia visitar Michael agora. Com sorte o quarto dele estaria vazio e eu pegaria o que queria. Sem sorte ele estaria lá e morreria.

Quando cheguei ao quarto 21 da ala D, dei sorte de que ele ainda não tinha voltado do estudo noturno. Arrombei a porta e o alarme começou a tocar, não me importo com essa merda de barulho, peguei o P-348 e fugi dali.

Eles querem um mistério resolvido, é um mistério resolvido que eles terão. Vou me refugiar na parte da floresta do colégio, ainda não posso sair das mediações daqui, mas lá pelo menos eu posso me esconder de tudo e de todos.