Bem-vindo ao Colégio Van Helmont
9 Capítulo 9
*03/04 – Quarta* Noite, floresta interna do Colégio Van Helmont:
Parei a minha corrida debaixo de um grande carvalho, coloquei P-348 no chão e me sentei.
– Nadia, você não deveria ter feito isso... – Rebekah falou.
– Haha, e quando você pretendia me dizer que era amigo de Roger? Ou melhor, quando você pretendia me dizer que EU era a personalidade alternativa por aqui?
– Nunca, você não precisava saber.
Conversar com o alter ego que vivia dentro de mim era muito estranho...
– Nadia, porque você matou Daniel? – Ela perguntou.
– Não é isso que eu sou, uma psicopata? Porque está se importando? Alguém por aqui também tem uma personalidade um pouco parecida...
– Eu me acostumei a ter, era o único jeito de poder sobreviver contigo.
Eu comecei a rir!
– Quer dizer que essa é a sua “desculpa”? Você aprendeu a ser parecida comigo? A um tempo atrás eu poderia jurar que EU que tive que me acostumar com você, que tinha pais e uma vida, mas não, eu sou fruto do seu descontentamento com a vida que tinha. Porque não se livrou deles você mesma?
– Olha, por mais que eu odiasse a situação em que vivia, eu amava a minha família.
Ri um pouco mais.
– Amava sua família? É sério? E porque eu estou aqui?
– Me desculpa, naquele instante eu só queria morrer, e ainda quero, mas acho que você é a parte do meu corpo que insiste em continuar viva.
– Ok, eu sou seu “estímulo” de vida... Se eu já não soubesse, diria que estava louca. Continue, conte-me mais sua vida antes de mim, é interessante até.
– Você não se lembra? Compartilhamos a mesma mente para o que mesmo?
– Eu não me lembro de Roger por exemplo, eu só me lembro dos maus tratos e do incidente.
– Hmm... Realmente você é consequência do stress pós traumático, mas agora que você sabe, que tal me deixar morrer?
– Sua doida! Se você morrer eu morro! Eu não gosto da vida que levo, mas também não quero morrer.
– EU sou a dona do corpo, alguém aqui deveria escutar a minha vontade!
– Se é você que manda por aqui, porque não está no comando?
– Olha não me estresse, e depois, se eu assumir ele vou tentar fugir e me matar e como estávamos num local vigiado com uma segurança altamente eficiente, eu só me cansaria tentando fugir...
– E porque não se matava lá?
– Eu gosto de liberdade, e não quero morrer pelas mãos de outros...
– Entendo seu ponto de vista, pelo menos ganhei um corpo de consolo! Puxa, e pensar que Roger matou uma garota só para estar perto de você, e pensar que eu matei Daniel só porque deu vontade, interessante, não?
– Roger e eu sempre fomos próximos mesmo, meu único arrependimento é ter que deixá-lo para trás...
– Cara, acho que pelo que ele fez, toparia de boa um suicídio duplo.
– Eu não quero que ele morra, nem se for por mim.
– Bem, é melhor pensar em algo bom para falar para ele. Alguém deve estar extremamente puto nesse momento e se movendo em direção a nós...
– Ele não vai achar a gente aqui por enquanto, vai demorar um tempinho. Vamos dormir, amanhã será um longo dia para recolher informações.
*04/04 – Quinta*
Merda! Acho que por 1 segundo eu realmente achei que Roger se esqueceria que eu tenho um GPS instalado no corpo, não deu tempo nem o sol raiar direito que ele já tinha nos achado e apontado uma arma para nós.
– Nadia, levante. – Ordenou. Seus olhos expressavam fúria imensa.
Era Rebekah que estava no controle, creio que ela pensou que se fosse ela que aparecesse, nossas chances seriam maiores.
– Calma... Aqui sou eu, Rebekah! – Ela abriu um sorriso.
– Não me importo que seja você, ela matou alguém.
– Roger, você e eu sabemos que matar alguém não é exatamente um problema... Porque essa raiva toda? Eu estou aqui perto de ti, isso não era o que você queria?
– O que eu quero é a nossa vida de volta, ou ao menos parte dela pelo menos, EU MATEI ALGUÉM POR VOCÊ PORRA! – Ele gritou.
– E EU TE ENTENDO, EU TAMBÉM TE AMO! MAS NÃO POSSO MAIS VIVER COM AQUELA DOR! – Ela gritou.
– Ainda com essa ideia? – Ele não parecia surpreso com essa informação
– Me desculpe, eu sei que você chamou o centro de detentos para evitar que eu me suicidasse, mas esse é o meu desejo, entenda.
– Eu não quero te perder de novo...
– Eu nunca quis te deixar, você é o meu melhor amigo, mas devido as circunstâncias de perder as pessoas mais importantes para mim, eu não consigo continuar com a dor.
– Eles te maltratavam tanto... Como ainda pode amá-los tanto? – Ele abaixou a arma e ela se aproximou e acariciou seu rosto.
– Eu sou incapaz de odiá-los, o ódio não combina comigo, e não deveria combinar com você também...
– Rebekah... Nem que eu te prenda, mas eu não vou deixar você se matar. – Ele disse.
– Bem, já estamos no meio de um caso, acho que posso esperar mais um pouco...
– Você sabe que eu vou ter que colocar a culpa da morte de Daniel em você, certo? Assim não poderá fugir daquele local nem tão cedo. – Ele deu um leve sorriso.
– Você sabe que é só prendermos o culpado que eu vou fugir daqui e pular daquela montanha, certo? – Ela sorriu.
Eles se olhavam olho no olho, um momento mágico para os dois. Roger chegou mais perto e deu um forte abraço nela.
– Rebekah, posso ir com você? – Ele perguntou.
– Não! – Ela o afastou no mesmo segundo. – Não posso deixar você se suicidar comigo.
– Eu matei alguém por você! Minha vida já não tem muito valor...
– Claro que tem! Só faltam alguns anos até que o sistema te libere, você vai encontrar a felicidade sem mim.
– Isso é impossível.
E foi nesse momento que ele não aguentou mais esperar e a beijou, senti anos e anos de angústia e dor sendo expressos em apenas 1 movimento, mas também senti amor absurdo e enlouquecedor competindo com aqueles sentimentos tristes.
– Vamos voltar, o pessoal está cuidando do corpo de Daniel, ainda da tempo inventar uma desculpa. Quanto ao real mistério envolvendo os robôs não conte para eles, isso ira parecer surreal demais para suas mentes. Agora você terá que se explicar com Michael, as câmeras dele lhe flagraram...
– Tudo bem, vamos acabar com isso logo.
Incrível como tudo acabou bem, vai entender como Roger deveria estar se sentindo e Rebekah também. De repente ela não parecia mais tão má para mim, apenas incompreendida, e eles foram de mãos dadas até onde o corpo de Daniel ficara na noite passada.
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– Que belo estrago foi feito nesse corpo... – Alex falou.
– Quem fez isso tem uma bela desenvoltura com uma faca. – Mags afirmou. – Se eu não soubesse que Nadia está bem aqui na nossa frente poderia até dizer que foi ela. Bom dia bela adormecida! Foi preciso Roger ir te buscar no quarto para que você viesse trabalhar? – Ela sorriu, e também não sabia de nada.
– Hmm... É, eu não vi o “bip” para vir trabalhar.
– Tudo bem, mas porque você está segurando esse robô? – Ela apontou o dedo para o P-438.
– Sabe que eu não sei!
– Só pode estar ficando louca... – Ryan disse.
– Seja quem for que está por trás dos crimes decidiu nos mandar um alerta. Eles sabem de nós. – Mags deduziu totalmente errado.
– Deve ter sido isso mesmo. Pronto chefe, já vi que nosso amigo morreu. Posso voltar para o quarto? Tenho coisas para fazer. – Rebekah perguntou.
– Pode, vou procurar pistas por ai, te aviso se qualquer coisa aparecer...
Ela se despediu de todos e foi carregando P-438 para o nosso quarto. Ele era grande e nós estávamos cansadas, mas mesmo assim ela se forçou a carregar-lo, Michael deveria estar enfurecido também, espero que Roger tenha falado algo com ele.
Ela colocou o robô no chão para abrir a porta do quarto, entrou, tirou a roupa e ia banhar quando lembrou que tinha que trazer P-438 para dentro antes que alguém o visse. O que aconteceu depois nos deixou pasmas, ele começou a gritar.
– Alerta de perigo! Alerta de perigo! Alerta de perigo! Robô espião! Robô espião! Robô espião!
Ele gritava enquanto apontava para o robô que fazia faxina no meu quarto, dai o robô percebeu sua presença e fugiu porta a fora.
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