Bem Vindo à Itaju
1 Capítulo 1
— Filha acorda, estamos atrasadas. O sol já está nascendo. — Disse minha mãe e como sempre eu não a ouvi. Eu geralmente fazia isso para irritá-la, mas hoje estava tão cansada que nem irritá-la eu consegui. — Vanessa por favor hoje não, não… — Minha mãe para de falar, ouço batidas na porta. — Por favor levante-se, eu já volto. Ouço os passos dela se afastando no chão de madeira.
Respiro fundo, abro os olhos e olho para janela, como sempre minha mãe mentiu, estava bastante escuro, já era hábito eu irritá-la e ela mentir para mim sobre as horas. Automaticamente olho para o relógio que marca 5:30. Levanto-me da cama ainda cansada. Por que a minha mãe foi aceitar uma promoção na véspera do ano novo? Agora tenho que ficar horas e horas com a minha mãe em um carro viajando em pleno dia 31 de dezembro, onde eu podia muito bem passar o ano aqui com os meus amigos e família.
Sento-me na cama, esfrego os olhos com os meus dedos, tenho que acordar. É a única coisa que penso. Olho para a janela. Será que ele vem mesmo? Perguntei a mim mesma. Ou...
— Filha... — Minha mãe diz interrompendo meus pensamentos. Viro-me para a minha mãe. — Olha quem veio te visitar. — Ela está comum sorriso de criança.
Ouço passos e uma imagem se materializa, Mateus. Meu melhor amigo. Ele é cinco centímetros maior que eu, é moreno tem olhos cor de mel. Percebo que seu corpo está um pouco musculoso, ele começou a malhar no meio do ano falando que assim atrairia mais a atenção das garotas, toda vez que penso nisso dá vontade de rir.
— Você veio! Não estou acreditando que sua mãe deixou você vim me ver a essa hora. — Digo sorrindo.
Levanto-me e vou em sua direção para abraçá-lo. Estou muito feliz por ele estar aqui, só ele mesmo para alegrar esse dia que mal começou e que por mim vai ser a viajem mais chata da minha vida.
— Ah, você sabe que eu consigo tudo que eu quero, não é? E aliás, ela mandou um abraço.
Sorrio. Abraçando-o. Conversamos enquanto terminava de guardar as minhas roupas na mala e um homem da mudança desmontava as camas os guarda-roupas e outras coisas para colocar no caminhão.
Quando terminei já estava 6:00. A hora mais difícil é se despedir de um amigo de verdade. Um amigo que ficou do seu lado sempre.
— Então… — Começo a dizer na porta da minha antiga casa. — é isso, esse parece ser o fim da nossa amizade. — Não consigo olhar nos seus olhos — Obrigada por tudo Mateus, eu nunca vou te esquecer.
Seguro as lágrimas que se formam. Vou sentir saudade, já estou sentindo para falar a verdade. Digo. A primeira lágrima sai de meus olhos, fecho os olhos e tento esconder o meu rosto. Ele toca a sua mão em minha bochecha. Olho para ele que se aproxima um pouco de mim. O meu coração começa a acelerar. Sei o que ele quer, sempre soube e sempre neguei, mas hoje… eu não sei, hoje é diferente, não consigo me mover e não quero. Seu rosto está a alguns centímetros do meu. Fecho os meus olhos e sinto seu lábio tocar o meu. Ele se afasta e abro os olhos meio confusa.
— Eu… Me desculpe. É. Que… — Ele gaguejava.
— Tudo bem. — digo interrompendo-o, minha voz sai calma, mas por dentro estou quase correndo. Meus pensamentos só dizem: Fuja! Fuja! ...
Ficamos em silêncio por alguns minutos. Nem ele e nem eu conseguimos fazer uma brincadeira para tirar esse peso do ombro.
— Ah! Você está ai, temos que ir minha filha. — Minha mãe apareceu de dentro da casa com uma mala na mão. Torci para ela não ter visto o beijo e a agradeci em silêncio por aparecer, estava quase fugindo.
Concordo com a cabeça e ando até o carro, abro a porta, entro toda desajeitada. Respiro fundo, fecho os olhos. Ouço minha mãe entrar, abro os olhos e olho para a casa, principalmente para ele que está parado me olhando, Mateus dá um tchauzinho com a mão, faço o mesmo, meu coração ainda está acelerado.
Respiro fundo e olho para frente, para a rua onde um dia eu chamei de lar. Estava deixando tudo para trás. Um amigo que acabou de me beijar, quando penso nisso me dá um alivio ao pensar que não preciso encarar o rosto dele no dia seguinte e ao mesmo tempo saudade, ele sempre esteve do meu lado sendo bom ou ruim.
— O que foi? — Pergunta a minha mãe.
— Nada só o fato de nos mudarmos em plena véspera de ano novo. — Dou um sorrisinho.
— Eu não tenho culpa se eles não aceitaram que eu mudasse no dia 8. Agora, por favor colabore.
Olho para a janela, a única coisa que vejo é mato e pergunto para onde vamos. Deve ser uma pequena cidade do interior. Penso.
— Iguati e não é uma cidade pequena só por que você nunca ouviu o nome.
— Eu não disse nada. — Protesto.
— Mas com certeza pensou.
Sorrio olhando para ela. Minha mãe coloca uma música para tocar. É a minha música favorita.
Olho para a janela e vejo o meu reflexo. Lembro de quando tinha 8 anos e encarava-me no espelho para ver se o meu reflexo iria fazer algo diferente de mim. Sorrio com essa lembrança. Olho para além da janela do carro e do meu reflexo, concentrando-me no nascer do sol. Algo maravilhoso. A paisagem que sempre irei amar, mesmo que esteja nos mais difíceis desafios se olhar para ele a paz se estabilizará em mim. Desde pequena admirava o nascer do sol e o pôr. Lembro-me de sempre pensar. Que venha um dia repleto de aventuras e felicidades.
— Lembra do que você falava quando via o nascer do sol? — Pergunta minha mãe.
Olho para a minha mãe e concordo com a cabeça, sorrindo.
— Sim, eu lembro. Que venha um dia repleto de aventuras e felicidades. — Nós duas dizemos ao mesmo tempo a última frase.
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