Belo Desastre
15 Tensão.
Notas iniciais
–Certo, eu entendi. — Levy hesitou antes de tomar um gole de sua caneca.
–Não, é claro que não entendeu! Por que entenderia? — Eu revirei os olhos e bufei, coloquei meu copo na pia a voltei a me sentar na cadeira de sua cozinha.
–Olha, não é todo dia que alguém que você costumava conhecer aparece na sua casa as 02:30 da manhã quase morrendo de hipotermia, passa quase o dia inteiro em coma e depois te diz que vai atrás do ex! — Ponto para ela. Eu acabei resolvendo não contar nada a Levy sobre Natsu, eu precisava esquece-lo, eu precisava...
Que burra, Luce...– Estremeci quando ouvi sua voz em minha cabeça.
–Você está bem? — Levy perguntou e eu assenti rapidamente, minha respiração acelerando involuntariamente só de imaginar o tom de suas palavras.
Você sabe que me esquecer é impossível. — Sua voz rouca estava por todos os lados e a falta que ele estava me fazendo chegava a doer, ver seu rosto de manhã... ser tocada por ele todos os dias... a lembrança da única mas ainda sim inacreditável noite que passamos juntos me veio a mente e eu encostei a testa na mesa, me encolhendo, eu estava... com desejo?
Natsu havia sanado a falta que um homem me fazia e de quebra me fazendo sentir amada, mas agora esse vazio havia voltado com tudo e por algum motivo ridículo, o fato de ele ter quase atirado em mim... só me deixava com mais vontade.
Respirei fundo, em meu longo relacionamento com Sting, que inclusive tirou minha virgindade, nós dormíamos juntos em uma frequência normal, eu não ficava desse jeito... mas depois de apenas uma maldita noite, Natsu havia conseguido me transformar totalmente, eu estava ficando louca?
–Bom, então acho irmos. — Levy se levantou e eu me libertei de meus devaneios que estavam tomando um caminho muito perigoso.
–Oque? — Murmurei me levantando também, incerta, tentei focar em qualquer outra coisa, pensar nele em nada me ajudaria naquele momento. Minhas emoções se embaralhavam em meu estômago e eu não fazia ideia do que estava sentindo.
Natsu me deixava confusa de um jeito errado considerando a o que ele me fez passar, mas eu não conseguia conter.
Era inevitável.
–Me desculpa não ter te contado antes, mas... acho que nós duas sabemos que o clima não estava bom. Duas semanas atrás eu fui admitida no setor de design do Jornal de Magnólia e bem... você é a chefe de design... — Arregalei os olhos.
–Quando você começa? — Esperança cresceu devagar dentro de mim.
–Era pra eu ter chegado lá meia hora atrás... — Ela olhou para o relógio na parede e eu sorri. Segurei sua mão direita e respirei fundo.
Depois de tanto tempo separadas... nós ficaríamos juntas como antigamente, eu faria questão de esquecer aquilo.
–Se estiver comigo, você pode chegar até mês que vem. — Expirei e segui até o quarto de hóspedes, onde minhas antigas roupas me esperavam, minha sorte era que eu só havia crescido um pouco, então optei por uma blusa social cinza que eu costumava usar nos tempo de faculdade e uma saia vermelho-sangue...
Congelei. Aquela saia me era familiar, ao lado do armário havia um grande espelho e me observando nele eu me lembrei. Eu estava com aquela saia na festa de aniversário de Levy, quando estávamos no último ano do colégio.
A noite em que eu conheci Sting.
~♥~
As portas do elevador se fecharam silenciosamente e eu encarei a mim mesma nos espelhos que cobriam as três paredes daquele cubículo, atrás de mim, Levy lia e relia, gaguejando algumas vezes, uma folha com uma apresentação que ela havia escrito minutos antes de sairmos da casa dela.
–Está pronta? — Sorri no meio da frase, não que fosse um sorriso verdadeiro.
–Pergunto o mesmo. — Ela respondeu rapidamente dando um rápido sorriso nervoso e com um sino curto, o elevador se abriu para a entrada da redação.
–Vamos. — Foi tudo o que eu disse antes de dar o primeiro passo, forçando-me a não pensar na última vez em que estive aqui.
A redação estava barulhenta como sempre e de certa forma isso me animou, deixei Levy em minha sala, e segui para o escritório sem pensar direito.
–Lucy, oque faz aqui? — Macarov me olhou surpreso quando eu empurrei a porta de vidro temperado e fosco sem me importar em bater antes.
Ele estava conversando com uma garota que eu nunca havia visto na minha vida, com certeza alguém novo na redação.
–Eu aceito, onde irei me encontrar com o detetive? — Macarov e a garota piscaram, provavelmente assimilando tudo e eu revirei os olhos.
–Lucy... — Macarov hesitou.
–Oque foi? — Eu franzi a testa, a minha coragem se esvaindo aos poucos.
–Eu já aceitei. — A garota finalmente disse alguma coisa, e com um olhar nem um pouco amigável se levantou da cadeira, ficando de frente para mim.
–Bom... de repente, vocês podem fazer juntas. — Macarov deu a ideia a depois de alguns segundos pensando, concluiu. — Isso, vocês vão trabalhar juntas.
–Você acha que não sou capaz de fazer sozinha? — Eu quase gritei de frustração, ele não sabia de toda a tensão pela qual eu havia passado e eu não me conformava em dividir algo importante como aquela matéria.
–Muito pelo contrário, eu tenho certeza de que você conseguiria finalizar mesmo sem o detetive, mas já fechei contrato com a nova estagiária e acho que isso seria uma ótima oportunidade de experiência.
–Realmente, seria excepcionalmente bom escrever um artigo desses! — A garota inconveniente disse, sem realmente ser necessária.
–Você quer dizer ajudar a escrever, porque no final você vai acabar servindo só para buscar cafés. Se tiver sorte, vai durar mais que uma semana antes que eu te demita.- Eu rebati já nervosa e com um último olhar para um Macarov frustado, saí da sala em direção ao meu escritório.
No meio do caminho alguém segurou meu pulso e eu tive que me controlar para não virar já dando um soco em quem quer que fosse.
Infelizmente, era a garota nova. Finalmente reparando em suas feições, notei o cabelo albino cortado de uma forma muito mal-feita e os grandes olhos azuis-escuros que a maioria das pessoas tomaria como inocentes, o corpo um pouco desenvolvido, estatura minimamente mais alta que a minha, mas certamente mais jovem.
–Oque quer? — Quase cuspi em seu rosto, aquela raiva contida me preenchia cada vez mais e eu já não sabia o porque.
–Só quero me apresentar. — Puxei meu pulso e ela deu um passo para trás.
–Você já sabe quem eu sou, espero. — Eu disse seca e ela assentiu como uma cadela obediente, quase sorri em escárnio.
–Sim, e é uma honra trabalhar com você. Mas já que vamos passar umc erto tempo juntas de agora em diante, achei que podíamos tomar um café uma hora dessas...-
–Não. — Interrompi, por que raios ela estava enrolando tanto?
–C-Certo... bom, meu nome é Lisanna, Lisanna Strauss.
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