Notas iniciais
Yo' MiaChanDragneel... você me fez ter que parar de ler para simplesmente respirar no meio da sua recomendação, muito obrigada

Ela deu uma última olhada no espelho e suspirou com a pessoa que a encarava de volta, a pele pálida que não apenas por causa das luzes artificiais, as bolsas arroxeadas em baixo dos olhos que ela não havia percebido até aquele dia, os lábios secos e rachados e a tensão concentrada no maxilar que ela só percebeu quando seus dentes começaram a doer. Relaxou os músculos e finalmente observou o único ponto de cor em toda ela, o vermelho amargo do sangue fresco que escorria por seu braço.

Aquela não era ela.

Não podia ser.

Ela estava presa naquela maré há muito tempo, e estava chegando a hora das ondas se quebrarem.

Seus joelhos tremeram violentamente e um soluço fraco escapou de seus lábios quando ela desabou no chão, leve, a princípio, para depois descer com tudo, a cabeça tombada para frente, com a testa encostada nos joelhos que se encolhiam e os braços ao redor de si mesma. Ela engasgou com o choro e seus olhos lagrimejaram antes de lágrimas implodirem dolorosamente para fora de si.

"Não é o suficiente." — A frase atravessou sua cabeça como uma flecha e para torturar-se ainda mais, ela se forçou a lembrar. Lembrar de tudo.

~♥~

–Está feliz?

Os olhos dele brilhavam na escuridão, com a pupila cobrindo quase toda a íris.

Seus cabelos negros, muito mais compridos que os dela e seu corpo musculoso com piercings que brilhavam como faíscas prateadas. Os cílios longos e os lábios finos que agora estavam abertos em um sorriso.

Ela assentiu com a cabeça, sem responder devidamente a pergunta e tomou mais um gole daquele líquido fluorescente com cheiro de morangos e vodka que a atraiu desde o momento em que pisara naquele clube.

As luzes estroboscópicas fazia tudo parecer em câmera lenta e o gelo seco roçava em suas pernas enquanto ela se movimentava em cima de um piso que mudava de cor, envolta em corpos suados e incansáveis que dançavam como se não existisse amanhã. E talvez eles estivessem certos.

A sua frente, deslizando suavemente entre os vultos que acompanhavam a batida de qualquer fosse a música que estivesse tocando, ele a observava, movendo-se como se não tivesse peso, prendendo seus olhos aos dela.

Uma de suas mãos se ergueu sem o seu consentimento para chamá-lo com o dedo indicador e ela sentiu a respiração quente e familiar bater em sua bochecha.

–Feliz aniversário, Levy. — Um segundo e meio depois, o espaço entre os dois já era uma lembrança e a sincronia de seus corpos parecia ter sido ensaiada.

As mãos dele contornaram-na e chegaram até seus quadris, onde se encaixavam perfeitamente e os dedos dela arranharam a pele do abdome dele por baixo da camiseta escura.

Os pelos de seu corpo se arrepiaram quando ele suspirou em sua boca e as costas dela se arquejaram para ficarem totalmente em contato com aquele que proporcionava formigamentos.

Ela mordeu o lábio inferior dele e sentiu-o sorrir antes de contornar seus lábios com sua língua.

–Certo, eu estou interrompendo algo. — Os dois abriram os olhos e lentamente se separaram quando uma cabeleira loira ofuscante pulou para perto deles.

–Lucy. — Ela tentou fazer a voz soar mais animada, porque de fato ela estava feliz, mas seus olhos não se desviavam dos dele, que a encaravam sem pudor.

–Parabéns, Levy! Use camisinha! — E ela não teve tempo de retrucar, porque assim que a loira animada deu um leve beijo em sua bochecha, sua silhueta voltou a se perder entre a multidão e sua mente se voltou agora completamente para aquele que ainda a encarava, agora com um sorriso malicioso.

–Ela está certa, sabia? — Ele se aproximou mais uma vez e mesmo com a iluminação embaralhada, conseguiu ver as bochechas dela queimarem.

–Me beija logo porra. — E foi só oque ele precisou ouvir.

O calor dentro dela aumentava assim como o ritmo da guitarra que fluía violentamente pelas caixas de som.

Ela arranhou as costas dele por baixo da camiseta quando suas línguas deslizaram e as mãos fortes que antes estavam em seus quadris agora haviam descido para suas coxas, ela agarrou os cabelos dele com força quando o mesmo a levantou do chão, suas pernas grossas envolveram-no e ele ergueu o tronco enquanto ela puxava sua cabeça para trás pelos cabelos, fazendo ele arfar por mais, afastou seus lábios dos dele por tempo suficiente para ver entre os cílios semicerrados a expressão de desejo no rosto que estava a sua frente e o beijou sem deixa-lo retribuir, mordiscando seu lábio inferior entre as ocasionais chupadas.

Suas costas bateram contra uma parede gelada e o contraste de temperaturas a fez levar um susto, ele aproveitou para esquenta-la com sua língua.

Quando luzes fortes a atingiram, ela sabia que eles havia chegado no banheiro.

Ela suspirou e ele beijou seu pescoço, com o calcanhar, empurrou a porta de um dos cubículos e fechou atrás dos dois com as mãos que agora estavam fervendo.

–Levy, se não pararmos agora... — ele sussurrou e ela respirou fundo em muito tempo para pensar com clareza. Não levou nem dois segundos para chegar a uma resposta, e confiou nela.

–Eu te amo, Gajeel. — Sentiu os dedos dele tocarem nos botões de sua calça e deixou ser levada, quando as calças dele escorregaram até o chão e a fivela do cinto bateu no piso, ela abriu os olhos e os dois respiraram juntos.

E então ele avançou.

A dor não foi percebida no começo, talvez por que ela estava entorpecida pela sensação que a pele dele causava, então veio o desconforto e ela rangeu os dentes enquanto ele afundava a cabeça no pescoço dela.

Segundos; minutos; horas. Ela não sabia quanto tempo havia se passado, se sentia ao mesmo tempo jovem e adulta.

Finalmente, aliviou a pressão que suas pernas faziam em volta da cintura dele e seu quadril se afastou lentamente, para voltar com tudo.

O suor escorria pelo seu pescoço e os deixava escorregadios, dançando no ritmo deles, estremecendo a cada investida. O calor crescia dentro dela e seu corpo parecia estar sobre efeito de entorpecentes.

Palavras não eram necessárias, a velocidade não era reduzida e a força parecia querer rasga-la em duas. Um gemido inesperado escapou de sua boca e ela encontrou um brilho no olhar dele antes de tudo ficar branco.

Seus pés encostaram no chão e ele a abraçou com força suficiente para expulsar o oxigênio que ela tentava recuperar.

–Eu também te amo, Levy. — Ela se recuperou da sensação que a invadira quando chegaram ao ápice juntos e vestiu suas calças antes de trocarem um olhar cúmplice.

–Esse foi o melhor presente que eu já ganhei. — Ela afastou uma mecha de cabelo do rosto dele e os dois não trocaram mais palavras.

Foi quando os tiros começaram.

Os dois correram para fora do banheiro e encontraram o verdadeiro caos, foram empurrados para dentro da multidão e um pavor tenebroso cresceu no estômago dela quando um cotovelo bateu em sua nuca.

Vozes extremamente altas e em pânico eram ouvidas por toda parte e ela não conseguia ouvir a própria voz enquanto gritava desesperada.

De repente, todos pararam de se mover quando tiros acertaram o teto.

–No chão. — Uma voz grossa ecoou pelo clube agora silencioso sem esforço.

Levy se virou para Gajeel, mas não sem antes observar o dono da ordem, só teve tempo de avistar cabelos loiros e uma cicatriz na sombrancelha esquerda que emoldurava um par de olhos azuis antes de Gajeel puxar sua cabeça para a dele, beijando-a como se fosse morrer no dia seguinte. E talvez fosse.

–Eu também te amo, Levy. — Ele repetiu mais uma vez e ela franziu a testa, prestes a dizer algo quando ele a empurrou para trás, fazendo-a tropeçar e cair no chão.

Tudo o que viu antes de receber um forte golpe em sua nuca que a fez desmaiar, foram cabelos rosados no meio do gelo-seco.

~♥~

Usou a manga da camiseta para secar as últimas lágrimas que havia escorrido e lavou a lamina brilhante que estava sobre a pia.

Saiu do banheiro e tentou forçar um sorriso quando a mesma loira daquela noite veio em sua direção.

–Onde você estava? Você não sabe o que acabou de acontecer! Macarov me forçou a trabalhar com a nova estagiária! Como se já não bastasse o detetive... — Lucy se interrompeu quando observou Levy direito. — Você está bem?

Levy respirou fundo e repassou tudo em sua cabeça novamente.

–Eu estou bem. — Foi o que ela respondeu, com os pulsos ardendo debaixo das mangas.

Notas finais
Yaay' P.O.V. surpresa da Levy! Espero que tenham gostado, mas como eu não sou vidente, oque acham de comentar? Até o próximo