Notas iniciais
oi... ? Estou quase me forçando a pensar que o capítulo passado teve poucos comentários porque eu postei ele num horário ruim, mas está sendo difícil. Por isso, se você já o leu e agora está aqui, dá uma comentada lá? Aquela parte da estória é muito importante e eu estou um pouco magoada por saber que a maioria de vocês não disseram nada sobre ela...

–Nós chegamos?

–Sim.

Respirei fundo antes de abrir a porta do carro e pisar no asfalto, atrás de mim, Lisanna observava a casa, tranquei o automóvel com cuidado já que não era meu e nós duas andamos em direção a entrada.

Desnecessário dizer que estava tudo apagado.

Obviamente, também era noite de lua cheia.

"Só falta um maníaco com uma serra elétrica." — Pensei, sarcástica.

–Onde ele está? — Lisanna perguntou, segurando no meu braço e eu me forcei a não empurra-la para o lado, pelo menos daquela vez, sua presença tinha alguma utilidade, amenizando o súbito medo que eu sentia.

–Eu não sei. Macarov disse que nos encontraríamos aqui... — Ao longe, um cachorro uivava, a rua era larga e escura, não se via luz em nenhum dos vizinhos e nenhum carro havia passado desde que as duas chegaram.

–Bom, eu é que não vou ficar esperando no escuro! — Ela disse e me soltou, avançando casa adentro, eu hesitei, mas acabei seguindo sua silhueta, usando a lanterna do meu celular.

–Fique atenta á qualquer barulho, não vá a lugar algum se me avisar e independentemente da situação, não saia de perto de mim. — Ela assentiu e eu a alcancei, entrelaçando nossos braços. Ridículo, eu sei. mas situações desesperadoras pedem medidas desesperadas.

A casa era pequena, típica do subúrbio, a porta de entrada dava para a sala que era separada da cozinha por um balcão, seguindo pelo único corredor, chega-se a um quarto e um banheiro, além de mais uma porta, que dá para o quintal dos fundos.

Meus joelhos tremeram e um calafrio subiu pela minha espinha quando eu notei que todos os cômodos estavam vazios. Nenhum item pessoal, nenhum aparelho eletrônico, nem sequer um móvel! Não haviam lâmpadas no teto e as janelas não eram nada mais do que buracos quadrados tampados com pedaços de madeira pregados ás paredes, não havia privada, pia ou sequer chuveiro no banheiro, haviam arrancado até os capetes do chão, mostrando que é feito de madeira e não cimento, o que é estranho, considerando que a casa não tem porão.

De repente, ouço um ranger de madeira, sei que não veio de mim ou de Lisanna porque nós duas estamos paradas.

–Não pode ser-

Sou interrompida. Algo cai no chão e leva menos de um segundo para que Lisana me solte e desapareça entre as sombras, agora estou parada no meio da cozinha, não consigo nem ouvir minhas própria respiração e o silêncio é sufocante.

O pavor cresce na boca do meu estômago e eu engulo em seco, não confio mais em minhas pernas para me manter em pé e me apoio no balcão, o azulejo gelado machuca meus dedos, mas eu não noto, estou muito ocupada girando o celular em todas as direções, com medo do que não posso ver.

Meus pulmões ardem, mas eu não consigo respirar, travo meu maxilar e as batidas desesperadas do meu coração estalam em meus ouvidos.

Toda a coragem que eu havia reunido para aceitar aquela matéria evapora e eu me sinto estúpida por ter considerado a ideia de ir atrás dele.

Afinal, essa costumava ser sua casa...

Minha visão fica embaçada e meus olhos ardem. E se... Não, não pode ser.

Não pode ter sido ele o causador do barulho. Ele não pode estar aqui comigo, ele não... Meus olhos se enchem de água a medida que essa possibilidade vai se tornando cada vez mais forte.

Ele pode sim.

Eu não consigo mais pensar e minha parece estar explodindo, tento respirar mas minha boca não se abre, inalo pelo nariz e as lágrimas escorrem de uma vez.

Esse perfume. Eu reconheceria em qualquer lugar.

Sinto algo na minha nuca e me viro para trás, abafando soluços assustados com uma mão enquanto tento me convencer de que o cheiro é apenas psicológico.

Mas não é. Ou pelo menos não parece ser.

É o perfume de Sting. Ele está aqui.

Sinto que estou prestes a desmaiar e aperto o celular entre minhas duas mãos, os resquícios de luz que vinham de fora já desapareceram há muito tempo.

Batidas. Meu coração para. Mas eu não.

Antes que possa pensar qualquer coisa, saio correndo sem rumo, desesperada no meio do escuro, as batidas ecoam na minha cabeça e eu percebo que na realidade, elas estão ficando mais fortes.

Não. Não. Não. Não posso morrer aqui. Ele não vai me encontrar.

Meus pés fraquejam, mas eu continuo correndo, mancando até sentir uma forte pontada de dor no tornozelo, tropeço em meus próprios pés e bato de frente com alguém, arregalo meus olhos e durante os segundos em que não consigo decifrar o rosto a minha frente, o tempo para.

E então volta a correr.

As lágrimas caem com mais força e eu não abafo mais os soluços, meus braços tremem, mas eu o abraço mesmo assim, afundo minha cabeça em seu peito e sinto-o dar alguns passos para trás surpreso antes de me apertar de volta contra ele, surpreso. Ouço o bater calmo de seu coração e respiro fundo, tentando não engasgar com o choro preso em minha garganta, aos poucos as batidas fortes em meu peito diminuem de velocidade e eu paro de tremer.

Sinto duas mãos em meus ombros e olho o para cima, o alívio deixando todo o meu corpo dormente de uma vez só.

Jellal Fernandez, o detetive designado para me ajudar estava em pé a minha frente, o cenho franzido emoldurado pelas luzes da viatura vindas da porta que eu só percebera naquele momento, a lanterna em sua mão faz uma sombra nossa na parede e eu não sei o que fazer.

–Lisanna ligou para a delegacia pedindo socorro porque havia se separado de você e eu saí imediatamente, não planejava chegar atrasado no local de encontro. Me desculpe. — As lágrimas voltaram com tudo e eu não sabia exatamente o porque, Jellal suspirou e me puxou de volta para perto dele. — Fique calma, Lucy, já acabou. Eu estou aqui. Já acabou.

E enquanto nós seguíamos as luzes que vinham da porta agora localizada, eu, em meu estado de choque profundo só conseguia pensar em uma coisa.

Ele está errado. Ainda não acabou.

Está só começando.

Notas finais
Yaaay' Oe', oque acha de descer o mouse um pouquinho e deixar um comentário? Seus dedos não vão cair e eu vou saber oque você achou desse capítulo!