Belo Desastre
8 Rotina.
Notas iniciais
Não digo que fiz certo, apenas que não resisti quando vi uma garrafa de Vodka sobressalente sobre o balcão da cozinha, e com três longos goles, senti a dor de cabeça e o cansaço da ressaca irem embora devagar.
Como dizia minha amiga Cana, o álcool é na maior parte das vezes a causa e solução de todos os nossos problemas.
Infelizmente (ou não), Natsu tem um olfato aparentemente apurado, por isso se virou para mim quando saíamos de casa.
–Você bebeu? — Ele arqueou uma sobrancelha e torceu os lábios para a esquerda, me deixando sorrir perversamente.
–Talvez... quem sabe? — Revirei os olhos e segui até o carro com ele atrás, quando destravei as portas, o mesmo me impediu de entrar no lado do motorista.
–Nem sonhando que eu deixaria você dirigir, parece bêbada! — Ele riu e eu inclinei a cabeça em sua direção, me conformando e sentando no banco do passageiro.
Eu não estava bêbada... quer dizer, não muito.
Pelo menos eu acho.
Natsu girou a chave na ignição e eu achei o barulho do motor realmente engraçado, por isso gargalhei. Certo, talvez eu esteja um pouco fora de mim...
–Siga reto e depois entre na terceira a direita. — Instrui colocando sem perceber uma de minhas mãos em seu braço que se apoiava no violante, Natsu congelou e eu não entendi, mas o terno que eu havia emprestado para ele era feito de um tecido macio, que me fez deslizar os dedos e sentir a textura dele... do tecido, quero dizer, mesmo que os músculos que no momento estavam contraídos de Natsu não fossem incríveis, mas no meu estado atual, eu não raciocinava direito.
–Luce... — Ele murmurou como se estivesse se segurando, finalmente entendi.
–Só tenho duas palavras para você... — Eu disse. — Ducha Fria.
Ele revirou os olhos e nós dois começamos a rir, mas eu não afastei minha mão, aos poucos, ele trocou a direção pelo outro braço e mesmo que sem querer, acabamos de mãos dadas no espaço entre os bancos, no silêncio, como se estivéssemos com medo de que alguém nos visse. Estranho, mas de um jeito bom.
´*`
Entrei naquela redação me sentindo a dona daquele lugar, e tecnicamente eu era, já que meus textos eram considerados os melhores pelos meus superiores.
Já disse que sou alguém humilde? Pois é, eu estava mentindo.
–Lucy, que bom que chegou! — Mandy, a vadia/estagiária do design se aproximou saltitante com aquela vozinha irritante um décimo acima do que o natural.
–Oque você quer? — Perguntei direta, foi então que ela e aparentemente todas as mulheres mal-comidas daquele lugar repararam em Natsu bem atrás de mim.
Mandy o olhava como se quisesse come-lo, ela não tinha culpa, com aquele terno negro de gravata cinzenta que realçava seus ombros largos e aquele sorriso maroto, quem não o desejaria?
–Quem é esse? — Ela perguntou tentando parecer sensual, algo meio difícil, com seus seios inexistentes e quadris retos, os cabelos loiro-palha nunca seriam tão brilhantes e dourados como os meus.
Ok, acho que eu estou com um pouco de ciúme.
–Esse, se realmente te interessa é o meu novo assistente, e mesmo se eu quisesse conversar com você, tenho assuntos a tratar com ele, se é que me entende. — Não sei por que carreguei aquela frase com tantas segundas intenções, mas se Natsu entendeu, demonstrou apoiando a mão levemente em minha cintura com um sorriso nada santo no rosto.
–M-Mas... você está em horário de trabalho! — Ela disse/gritou e eu me virei para ela com a face mais perversa que possuía.
–Na verdade, ainda tenho mais dois dias de folga. Além do que você não é nada mais do que uma estagiária que eu posso mandar embora a hora que eu quiser. Agora se me dá licença, tenho uma reunião com meu novo assistente a la espanhola. — Respondi fria e praticamente agarrei a mão de Natsu o puxando pelo corredor até meu escritório, mas no caminho, aquela vadia teimosa... ops, Mandy decidiu tentar mais uma vez.
–O presidente não vai gostar nada disso! — Eu nem fiz questão de me virar, apenas ergui o braço livre e mostrei o dedo que vem depois do indicador.
–Olha pro céu querida, esse é o tamanho do meu foda-se pra você!
–Então... — Ele disse, fechando a porta. — Você estava falando sério sobre a reunião a la espanhola? Porque eu bem que queria um... — O interrompi, rindo.
–Cala a boca rosinha, você não tem sex appeal o suficiente para isso. — Disse sem pensar e quase me arrependi, de todos os homens que eu havia conhecido, ele era de longe o mais sensual, ele conseguia isso sem nem mesmo tentar.
É claro que depois dele vem o...
Subitamente me senti fraca, decidi então parar de pensar naquilo e focar no que estava acontecendo.
–Eu tenho mais sex appeal do que todas as garotas da playboy juntas! — Ele protestou e eu sorri.
–Talvez... se você tivesse peitos. — Eu me aproximei dele apoiando as mãos em forma de garras em seu peito, imaginando como ele ficaria com bojo. Mas ele segurou meus pulsos, levantando-os acima de minha cabeça e aproximando sua boca de meu ouvido.
–Eu não tenho peitos, já você... — Deixou a frase no ar e minha pele totalmente arrepiada, a temperatura naquela sala parecia ter subido alguns graus.
–Sabia que você era um pervertido. — Respondi devagar, ele soltou uma de suas mãos, segurando meus pulsos apenas com uma segurou em minha cintura.
–Eu sou mesmo, e você gosta. — Ele suspirou em meu rosto, seu hálito de menta corando minhas bochechas.
–Pior que é verdade. -Rebati de uma vez só e pisquei um dos olhos, ele pareceu surpreso, mas ao invés de provocar, me soltou com cuidado.
–Me aguarde, Luce. — Um calafrio de puro divertimento subiu pela minha espinha.
Quem sabe, nossa amizade acaba se tornando colorida?
O resto do dia eu passei ensinando Natsu como trabalhar, ou fingir que trabalha como meu assistente e ele pareceu aprender rápido, não fizemos mais nenhum daqueles joguinhos, eu havia perdido o clima depois que Mandy entrou pela terceira vez na sala para perguntar algo inútil.
–Oque você acha de ser direta, hun? — Ergui as sobrancelhas, maldosa.
–Oque quer dizer? — Ela respondeu.
–Oque mais será? Você quer comer o Natsu! — Apontei para ele em sua mesa perto da porta, que no momento nos observava atentamente sorrindo divertido.
–Que pena, Mandy. — Ele disse, se dirigindo a ela pela primeira vez, a mesma se virou hesitante. — Mas eu já tenho dona.
E apenas com cinco palavras e um olhar realmente significativo, ele deu provavelmente o maior fora da história da vida da garota.
O estranho foi que eu nem senti remorso, deve ser efeito do álcool.
´*`
–Oque aconteceu? — Perguntei assim que abri a porta da sala de reuniões, sentado em uma cadeira típica de chefe estava Macarov Dreyar, o melhor superior do mundo.
–Bom-dia, Lucy. — Ele me sorriu gentil como sempre, mas eu não me deixei levar, Macarov era como um avó, ele estava preocupado com alguma coisa.
–Bom-dia velhote. — Respondi e me sentei em uma cadeira perto dele, estávamos sozinhos, oque era bom, porque assim ele podia me tratar de igual para igual como sempre fazia em vez daquele lance chato de "chefe, funcionário".
–Lucy, antes de começar, eu sinto muito, mas você sabe é a única qualificada para esse trabalho e essa é uma oportunidade que não podemos perder. — Arregalei os olhos, ele parecia realmente receoso.
–Sim? — Inquiri, incerta.
–Você vai cobrir uma investigação de um criminoso altamente perigoso fugitivo. — Estranhei, afinal, já havia feito coisas como aquelas antes.
–E qual o problema? — Se eu soubesse oque viria, nunca teria feito essa pergunta.
–O problema... — Começou Macarov. — É que seu nome é Sting Eucliffe.
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