Notas iniciais
É o seguinte, eu demorei bagaralho pra atulizar então não vou gastar tempo com essa nota retardada, só digo que quase morri umas dezoito vezes nas minhas férias e no momento estou me entupindo de brigadeiro de panela, com gripe e me recuperando de uma cólica dos tártaros acabei de terminar de ler Cinquenta Tons de Cinza e vamos dizer que isso me inspirou a certas cenas calientes que estão por vir, só não posso garantir que será com o nosso esquentadinho...

Não posso dizer que não fui avisada.

Não posso dizer que não pensei duas vezes.

Mas também não posso dizer que não estava apaixonada por ele.

Sting Eucliffe foi, é, e sempre será alguém importante para mim, mas ao mesmo tempo em que minha cabeça gira só de pensar em seus olhos, um medo intenso e já familiar me invade ao lembrar do que aqueles olhos me levaram a fazer, do que eles me levaram a sentir e do que ele me forçou a esquecer.

No quesito memória, a minha podia chegar a ser tão ruim quanto a de Natsu, Sting deixou cicatrizes que mesmo fechadas ainda ardem ao menor toque, e esse é um tipo de ferimento que não pode ser curado com o passar do tempo.

Sua imagem, que antes apenas aparecia em meus pesadelos mais sombrios, agora havia voltado com tudo para me assombrar cada vez que eu fechava os olhos, ignorei o resto do dia de trabalho e a rotina em que eu estava tentando voltar a me encaixar e voltei para casa com um Natsu confuso no banco do carona, tranquei a porta assim que nós entramos com certa pressa, como se o simples fato de pensar nele o faria vir até mim, sem pensar direito fechei as janelas e abaixei as cortinas com certa dificuldade já que minhas mãos tremiam, ainda me lembrava do rosto compreensivo de Macarov quando sai da sala sem falar nada, minha expressão devia ser algo extremo, pois nem Mandy veio falar comigo, ao chegar na minha sala simplesmente segurei Natsu pelo pulso, atravessando todo o edifício e o empurrei para dentro do carro, eu poderia muito bem chegar em casa por mim e deixa-lo tentar tocar sua vida, mas eu não me sentia segura em ficar sozinha, e naquele momento a presença de Natsu parecia ser a mais reconfortante que eu conseguiria.

–Luce...– Ele murmurava enquanto me seguia escadas acima na minha compulsão de fechar toda a casa, mas eu não respondia, apenas tremia cada vez mais, entrei em meu quarto e me dirigi para a porta de correr que dava para uma sacada simples, mas antes que eu pudesse empurra-la, Natsu me segurou pelos ombros e me virou de frente para o mesmo, seus olhos estavam sérios e eu não consgui sustentar seu olhar por mais de dois segundos, no entanto quando ele abriu a boca para dizer algo eu desisti e o abracei, afundando meu rosto em seu peito com as mãos em volta de sua cintura, ele se assustou de início, mas depois envolveu seus braços em meus ombros e aproximou-me mais, foi a minha vez de hesitar, flashes da noite em que passamos dos limites voltaram a memória e eu me afastei com medo do que poderia acontecer, já havia passado por emoções demais em um espaço de tempo muito curto e algo me dizia que tudo havia sido desencadeado por causa do estranho armado que eu havia decidido levar para minha casa.

Uma súbita onda de raiva me atravessou e num impulso eu disse sem pensar:

–Você por acaso está mentindo para mim? Sobre não conseguir se lembrar de nada além de seu nome?- Natsu arqueou as sobrançelhas.

–De onde você tirou isso? Luce me explica o que está acontecendo? Foi algo que a Mandy fez? Porque eu não entendo a sua raiv... — Seu furacão de perguntas era insuportável, então o interrompi.

–Natsu, me responda! — Minha raiva atraiu a dele e logo nós dois estávamos gritando a plenos pulmões, eu não sabia por que estava tão alterada daquele jeito mas a minha vida parecia se assemelhar cada vez mais com um conto de terror.

–Você não confia em mim?! — Ele ergueu um dos braços e o apoiou na parede ao lado da janela, me fazendo dar um passo para fora.

–Porque eu deveria?! Eu nem te conheço! — Senti o vento gelado em minhas costas e a mureta da sacada não muito longe.

–Você não parecia se importar com isso quando me beijou! — Estanquei, com o quadril apoiado na madeira que me impedia de cair na calçada, ele foi se aproximando cada vez mais.

–Eu estava bêbada! — Rebati em uma tentativa de escapar, mas ele não permitiu, apoiando suas mãos dos dois lados de meu corpo na mureta, me prendendo no lugar.

–E o que me diz que você não está agora? — Ele desistiu de gritar quando se aproximou mais ainda, colando cada centímetro de seu corpo no meu, de modo que nem mesmo o vento forte pudesse separar.

O turbilhão de sensações finalmente conseguiu me levar e eu não sabia mais oque fazer, enquanto nós brigávamos uma lámina parecia se formar dentro de mim, pronta para machucar tudo e todos, mas quando eu olhei em seu olhos, ela pareceu perder o fio.

Natsu parecia estar transmitindo uma dor tão intensa que eu podia senti-la apenas de olhar em seus olhos, o álcool ingerido naquela manhã parecia ter evaporado de meu sangue no caminho de volta para casa e eu podia jurar que estava sóbria, com isso, todos os meus problemas pareciam ter se intensificado de repente e eu cheguei ao ponto de não estar entendendo nem ninguém, nem mais a mim mesma, meus pensamentos se revezavam entre todas as coisas que haviam acontecido comigo e eu não sabia como faze-los pararem.

Eu só queria uma saída.

Estava enlouquecendo.

Nos perderemos entre monstros

Da nossa própria criação

Serão noites inteiras

Talvez por medo da escuridão

Ficaremos acordados

Imaginando alguma solução

Pra que esse nosso egoísmo

Não destrua nosso coração

–Quer uma prova de que eu estou sóbria? — A fuga para tudo o que eu estava sentindo de repente pareceu estar bem embaixo do meu nariz. — Isso.

O espaço entre nós acabou e um fogo que eu nunca senti em toda minha vida pareceu me consumir da cabeça aos pés, de repente, não era mais a gravidade que me segurava, mas sim suas mãos em volta de mim, tudo oque estava me fazendo enlouquecer desapareceu e houve um breve momento em branco antes de uma enxurrada de adrenalina percorrer minhas veias, arrepiando todos os pelos do meu corpo, e eu não estava pronta para sentir.

Brigar prá que?

Se sem querer

Quem é que vai

Nos proteger?

Será que vamos ter

Que responder

Pelos erros a mais

Eu e você?

Aqueles versos não saíam da minha cabeça, junto com o sentimento que só ele podia me proporcionar, um momento para respirar antes de retomarmos, seguindo apenas nossos instintos e nada mais, como quando você é arremessada no ar, aquele breve momento em que nada tem peso antes de tudo vir a baixo.

Eu não o conhecia.

Eu não podia confiar nele.

Eu não estava pronta para aquilo.

Mas eu não me arrependeria.

Notas finais
Se vocês entenderam esse capítulo, saibam que meu propósito foi confundir vocês, faze-los se sentirem como a protagonista, muitas coisas de uma vez e nada tendo muito sentido. E também saibam que Natsu e Lucy ainda terão muita história juntos, não deduzam que está tudo bem apenas por esse final (: Comentários são sempre bem-vindos e por mais que a história pareça ridícula agora, não desistam, depois da tempestade vem o arco-íris