Belo Desastre

4 Proximidade.


Notas iniciais
Pelo título do capítulo, é possível que já tenham, suas suposições. Porém, antes de começarmos, quero avisar que escrevi esse capítulo ouvindo oque eu chamo de "Trilha Sonora da Depressão", com isso, também irão começar a suspeitar dos futuros acontecimentos :) Por último, quero dizer que... a verdadeira história começa agora ♥ Até.

–Natsu, que horas são? — Perguntei, me virando para ele, que estava sentado logo ao meu lado no sofá, assistíamos um programa qualquer e, na minha opinião, ele estava próximo, próximo demais.

–17:34, porque? — Ele respondeu depois de se virar para o relógio da cozinha, aproveitei esses curtos segundos em que ele estava ocupado para observar seu rosto minuciosamente, percebi que, quando ele está se esforçando para enxergar de longe, franze os lábios e endurece a linha do maxilar, e infelizmente, seu maxilar era tudo...

Pisquei, eu vinha fazendo muito isso, observando-o, analisando-o, testando suas reações e as vezes até as imaginando.

A questão, é... por que?

Suspirei sem perceber e, quando vi, ele estava me encarando. Imediatamente fiquei sem jeito, ele conseguia fazer isso comigo apenas com seu olhar, e isso me frustava, em frustava muito, porque eu sabia que nunca conseguiria fazer igual.

–Hum... Luce? — Ele inquiriu devagar, mesmo assim, me assustei, sua voz rouca e a curta distância entre nós me fizeram sentir seu hálito quente em minha face, ele havia acabado de tomar um achocolatado, fiquei inebriada, mas não pelo cheiro doce. Tentei me controlar, tentei.

No que eu estava pensando?

A resposta era nele.

Como eu conseguia me sentir, nem que fosse um pouco, a vontade com um desconhecido invasor? Como ele conseguia ser rude e suave, grosso e amigável ao mesmo tempo? E como os meus pensamentos conseguiam se perder em seus olhos...

Que estavam me encarando, a propósito.

Foi então que eu realmente notei a distância entre nós, e havia ficado ainda menor, com os dois rostos virados um para o outro, e sua respiração em minha face, senti algo, um toque, sua mão quente cuidadosamente em meu joelho, só percebi que ele estava se aproximando quando os nossos narizes se tocaram.

Fechei os olhos e esperei, incerta.

Mas não veio, ou melhor, ele não veio.

Os abri de novo, e desejei nunca ter feito isso, pois no lugar de seu rosto normalmente tão cheio de emoções, eu havia encontrado outro, pálido, cru, debochado e... loiro?

Gritei, era ele.

Sting.

´*`

Abri os olhos, assustada, para logo depois fecha-los de novo e recuperar o fôlego de devagar.

–Luce? — Ouvi sua voz e tive que me controlar para não relembrar das cenas de meu sonho... que mais se parecia com um pesadelo.

Não por Natsu ter estado nele, mesmo que tenha sido estranho, muito estranho. Mas pela presença de outra pessoa.

Alguém que eu nunca mais quero ver de novo.

–Eu... eu estou bem, foi só.... um sonho. — Murmurei cansada, agachado a minha frente no sofá estava Natsu, que parecia preocupado, ele trazia nas mãos uma caneca que exalava um cheiro delicioso, sem pensar, peguei dele e a tomei rapidamente.

Era chocolate, doce, quente e aconchegante.

–Oe, isso é meu! — Ele protestou e eu quase ri de sua expressão infantil, ou melhor, eu ri, pousei a caneca agora vazia na mesinha de centro e comecei a gargalhar. Porque Natsu, com seus olhos cerrados e lábios formando um leve biquinho parecia uma criança brincalhona e nervosa, e isso de alguma forma aliviou a tensão que eu sentia instantes antes. Ele se juntou a mim na risada e depois sorriu para mim, então pegou a caneca e se levantou, em direção a cozinha.

–Você está bem mesmo? — Ele inquiriu e meu riso se foi rapidamente, como se nunca tivesse existido.

–É óbvio, Natsu, foi só um sonho. — Porque aquele assunto estava começando a me irritar... ? E porque Natsu parece saber que teve a ver com ele?

–Os sonhos são as manifestações não falsificadas da atividade criativa inconsciente. — Ele soltou do nada, respirei fundo, chocada.

–Você não se lembra de nada mesmo? — Perguntei me levantando do sofá e indo até ele, me apoiando no batente da porta, estava cansada.

–Não, as vezes eu tenho uns flashes... mas nada significativo. — Ele falou sério enquanto colocava mais chocolate em sua caneca.

–Flashes? — Perguntei.

–Mais ou menos... — Ele murmurou infeliz e o assunto se acabou ali, suspirei, estava suspirando muito, e o segui de volta ao sofá.

–Não se lembra nem de seu sobrenome? — Perguntei e ele se virou para mim rapidamente, seu olhar era tão sério e passava uma aura tão negativa que eu achei que ele iria gritar.

–Não. — E, de novo, o assunto havia acabado.

–Sabe, Natsu, não é fácil conversar com você! — Desabafei com as mãos nas têmporas, de repente, meus problemas, o sonho e sua aparente amnésia dele me deixaram com uma forte dor de cabeça.

–Digo o mesmo. — Ele parecia.. irritado. Apenas por tocar no assunto de seu nome?

–As vezes eu acho que você é bipolar. — Disse, também irritada, mas para a minha surpresa, toda a sua raiva pareceu evaporar e pude ver um sorriso de canto se abrir para mim.

–Só se você quiser que eu seja. — Ele disse e eu me calei.

–Esquece, beba logo isso e vamos para cama. — Falei sem pensar, mas logo depois percebi oque havia feito.

–Devagar aí, Luce.– Um sorriso malicioso se formou e eu estremeci, logo corrigindo.

–Crianção. — Falei debochada para tentar concertar meu erro.

–Criançona. — Ele rebateu.

E naquele momento, parecia que nos conhecíamos a anos.

~♥~

Um barulho alto interrompeu meu sono, frustrada, abri os olhos e encarei com raiva o telefone ao lado da minha cama, era de madrugada, quem ligaria naquele horário? E com que motivo?

Seria uma emergência?

Respirei fundo, irritada com minha mania irreparável de sempre imaginar o pior, mesmo que não tivesse nada a ver.

–Olá? — Perguntei, sonolenta.

–Senhorita Lucy Heartphilia?– Uma voz séria e masculina disse, e eu me sentei, alerta. Seria mesmo possível que fosse uma emergência? Mas então, porque eu estaria envolvida?

–Sim, eu mesma. — Estava ansiosa, porém hesitante, sentia que algo do outro lado daquela linha telefônica era extremamente importante, e pior, destinado a mim.

No entanto, se pudesse voltar no tempo agora, provavelmente nunca teria acordado, sequer atendido a chamada.

Pois seu conteúdo parecia ter vindo de meus piores pesadelos.

Notas finais
Sim, foi um tanto quanto curto, mas cheio de fatores importantes, espero que tenham entendido e que não tenha ficado muito ruim :) Por favor, comentem! Eu estou realmente insegura com esse capítulo e adoraria saber as suas opiniões, mesmo que sejam negativas! Fui.