Belo Desastre
5 Doença.
Notas iniciais
Espero que gostem do capítulo!
Até ♥
Lágrimas.
Minha garganta estava dolorida, acho que era de tanto gritar.
O barulho enchia meus ouvidos, no entanto, tudo parou quando eu finalmente a encontrei, Layla Heartphilia, a imponente, loira e alegre Layla deitada inconsciente e pálida em uma cama de hospital, no meio de várias máquinas e pior, dependendo delas.
Eu nunca havia visto minha mãe tão fraca.
E provavelmente foi isso que me assustou, que me fez gritar ainda mais e correr até seu lado, me ajoelhando rapidamente e pegando sua mão, que estava gelada.
-Mãe, mãe, eu estou aqui... — Murmurei, mas sentia que ela não conseguia nem ao menos sentir minha presença, quem dera me escutar. Minha cabeça explodiu, e de repente, a temperatura no quarto pareceu baixar trinta graus em um segundo. Percebi que estava tremendo.
Ouvi a porta bater levemente atrás de mim.
-Luce! Finalmente eu te achei, você pulou do carro antes mesmo de eu estacionar, ficou louca?! E se... — Então ele pareceu perceber para quem aquele quarto era, não sei se notou que era minha mãe, acho que somos parecidas, mas a ele se calou.
-Natsu, por favor, pode me trazer um café? — Perguntei, trêmula, mas, por sorte, ele entendeu e me deixou sozinha, sozinha com ela.
-Mãe... Layla... Acorde, por favor, eu... eu preciso de você! — Apertei sua mão, mas até a máquina que contava seus batimentos cardíacos estava anormalmente lenta e baixa, respirei fundo.
-Natsu! — Chamei, não entedia como, mas sabia que, se chamasse, ele viria. — Natsu!
-Luce! Você está bem?! — Senti vontade de gritar "Não, e isso é meio óbvio!" , mas me contive, perguntar aquele tipo de coisa era a pior coisa a se fazer, mas eu não queria se rude.
Oque era aquilo? Eu estava em uma situação daquelas e me preocupava em não magoa-lo? Que tipo de idiota eu era?
-Me ajude. — Suspirei e ele me levou para fora do quarto com cuidado, no corredor, nos sentamos em um banco, onde ele passou o braço pelos meus ombros e eu pude apoiar minha cabeça em seu pescoço, ele conseguiu, de algum modo, me deixar confortável.
-Luce, aquela mulher... é a sua mãe? — Ele sussurrou no meu ouvido, assenti com a cabeça lentamente.
Layla Heartphilia e eu éramos as últimas com aquele sobrenome, todos os outros membros de nossa família haviam morrido. Meu pai, inclusive, sofreu um acidente de carro quando eu tinha 15 anos, desde então, minha mãe tem ficado cada vez menos independente. Dois meses depois descobriram que ela tinha um tipo de tumor cerebral e que teria que ser operada imediatamente, depois da cirurgia, todos pensávamos que ela estava bem, que tudo ficaria bem... mas não era assim. Quando fiz 22, ela teve que ser internada por que encontraram câncer pulmonar em último estágio, a solução foi internar, com doses variadas de morfina durante o dia para apaziguar as fortes dores que a mesma sentia.
Mas a razão por eu estar ali, o motivo de minhas bohechas estarem molhadas, a testa quente e o corpo pesado, era porque, algumas horas depois de minha visita, o exame de sangue que haviam feito aquela manhã indicou o retorno do tumor, oque acarretou em nosso último recurso, coma induzido.
Só pensar em perde-la já me desesperava. Ela não podia ir, não podia me deixar sozinha, era tudo oque eu tinha.
-Hum... — Um sufoco fraco me fez abrir os olhos, eu estava abraçando Natsu, em busca de conforto, era retribuída, mas estava apertando-o um pouco forte demais.
-Desculpa. — Falei, sem ânimo algum, ele segurou meu queixo e me fez olhar para ele, em seus olhos.
-Não tem porque se desculpar, você não fez nada de errado, Lucy. — Voltou a me abraçar, e só depois eu percebi que havia falado meu nome corretamente.
- Com licença, mas nós precisamos limpar esse corredor, se quiserem podem esperar na praça de alimentação. — Uma voz feminina falou e eu olhei para cima, devia ser uma das faxineiras, pelo seu uniforme e o esfregão que carregava, eu não queria levantar, mas não podia mais ficar ali, então, eu e Natsu seguimos em direção aos elevadores em silêncio.
Logo depois que a chamada telefônica havia side desligada, eu acordara Natsu e saíra para fora a toda, ele dirigiu, pois eu não estava em condições, e o tempo todo ficou me perguntando oque estávamos fazendo, só havíamos tido tempo de colocar casacos de frio por cima de nossos pijamas e sapatos antes de dispararmos pela estrada.
Ainda era de madrugada, e a brisa fria me fazia estremecer, espirrei uma ou duas vezes e apertei a roupa em volta de mim, em uma tentativa falha de me aquecer.
-Você vai acabar ficando doente, vem aqui. — Natsu disse e, surpreendentemente, me puxou para perto, abraçando-me lateralmente enquanto andávamos, me senti segura ao seu lado, só não entendi muito bem o por que.
Algo nele me lembrava de quando eu, meu pai e minha mãe viajávamos para uma casa de campo alugada em um cidade da qual eu nunca decorei o nome e fazíamos uma fogueira enorme, com direito a marshmallows e chocolates-quentes.
Assim que me recordei disso, a nostalgia, a dor e as lembranças me abateram com tudo.
Me lembrava de estar sentada, na minha primeira consulta em um dentista, segurando a mão de meu pai enquanto aquela luz forte me fazia piscar. Me lembrava de quando compramos um cachorrinho branco chamado Plue, e de quando o filhote morreu por mordida de rato e de quando eu insisti em lhe fazer um funeral, mamãe e papai foram os únicos a comparecer.
Me sentei em uma das muitas mesas do grande refeitório de que o hospital dispunha e pedi a Natsu um café, dessa vez, para valer, ele foi, rapidamente e voltou, com dois cafés e um cookie de chocolate que, depois eu descobri, era só para mim.
Como ele conseguia ser tão atencioso mesmo quase nem me conhecendo direito?
- É porque eu me preocupo com você. — Como se tivesse lido minha mente através de meus olhos, que ele tanto observava, ele respondeu, calmamente, tomando em seguida um gole de café.
- Não acho que eu seja uma prioridade atualmente. — Rebati, sem pensar, minha cabeça estava em minha mãe, no que a esperava e em alguma forma de impedir.
-Adoro quando você usa palavras difíceis comigo. — Ele sorriu por entre a frase e, mesmo que por um segundo, me fez sentir bem.
-Natsu... — Estendi minha mãe por cima da mesa até encontrar a dele, Natsu se endireitou e pareceu surpreso, então eu continuei. — Obrigada por ter vindo até aqui comigo, e ainda mais, por ter dirigido no meu lugar, eu não sei oque faria sem você.
Eu não fazia a mínima idéia de onde aquilo havia vindo, mas eu não me arrependera de ter falado.
-Eu estou morando na sua casa, Luce. É claro que te ajudo com oque você precisar, e mesmo quando não precisar, eu estarei lá. — Ele apertou minha mão de volta, incrivelmente, isso me fez sorrir.
´*`
-Como ela está? — Já haviam passado 8 horas desde que chegamos ao hospital, e só oque eu havia feito era ficar ali, sentada na poltrona desconfortável ao lado da cama de minha mãe e esperar por algum sinal de que seus batimentos cardíacos se estabilizassem novamente, somente depois disso, a acordariam.
Natsu, ao contrário de mim, não conseguia parar quieto, e estava a todo momento passeando pelos corredores do prédio, ocasionalmente me trazendo comida, mesmo quando eu não queria comer, ele me convencia a engolir pelo menos algumas mordidas e alguns goles, com certeza, muito atencioso.
E tudo isso por mim, não, por Layla, alguém que ele nunca conheceu.
-Nenhuma mudança em seu estado, sinto muito. — O doutor não mentiu, oque, ao mesmo tempo em que era algo bom pela sinceridade, era algo ruim pois nada estava diferente de antes.
-Hey... vai ficar tudo bem. — só percebi que Natsu havia entrado no quarto quando o mesmo me abraçou por trás, me apertando contra ele, me fazendo sentir o seu calor que, na minha opinião, era extremamente reconfortante. Me vi encostando a cabeça para trás em seu peito, mas ainda com os olhos em minha mãe.
Lá no fundo, já sabia que ela não iria mais acordar.
´*`
Layla Heartphilia morreu as 18:15 em um domingo gelado.
E parte de mim, havia morrido junto com ela.
Notas finais
É porque eu não quero que fique cansativo de ler, foi assim para vocês?
Até os próximos ♥
Fui.
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