Notas iniciais
Yeeep' Gostaram da capa nova? Comemorando a incrível recomendação dada pela NatySegin

Meus olhos já estavam começando a arder, abertos por tanto tempo e fixados na tela brilhante do computador.

Mas eu simplesmente não conseguia parar.

Seu nome não saia de meus dedos, que doíam de tanto bater no teclado, uma de minhas mãos se estendeu para agarrar o copo descartável de café ao meu lado e eu o levei até a boca, sentindo o seu gosto amargo e engolindo devagar. O sabor não mais me lembrava de Natsu, não que eu precisasse de lembretes, ele estava em todos os lugares, mas ainda sim, agora era apenas café. Uma bebida deliciosa e altamente viciante se tomada sem cuidado e no meu caso, com certo desespero.

Certo desespero esse, que havia começado três dias atrás, exatamente na manhã seguinte á minha "fuga" com Jellal do porão da antiga casa de Sting.

Sting.

Será que ele estava ligado ao rapto de Lisanna?

Quer dizer, aquela era a casa dele, quem mais estaria lá?

Se bem que eu ouvi vários passos, claramente um grupo.

Espirrei com força e respirei fundo, tomei mais um gole de café. No fim das contas e mesmo tendo um tipo de epifania*, ficar na chuva por todo aquele tempo resultou em um resfriado forte, minha cabeça latejou forte e eu larguei a cabeça para trás devagar, o nariz apontando para o teto enquanto meus olhos encaravam a parede atrás de mim.

Três dias sem pensar nele direito. Pelo menos não até agora.

Natsu.

Minhas mãos estavam tremendo levemente. Eu tinha motivos para acreditar que não era apenas pelo ódio que eu estava sentindo, era algo mais.

Mas eu não iria me conformar com isso, iria?

A resposta é clara.

–Lucy. — Viro a cadeira com os pés e vejo Levy encostada no batente da porta, era a quinta vez que ela aparecia, preocupada por eu não ter saído do quarto e provavelmente por não ter comido direito.

–Levy. — Eu respondi, depois me virei novamente para o computador, digitando o sobrenome que havia me trazido até ali.

Dragneel.

Por incrível que pareça, não há nada sobre ele em nenhum mecanismo de busca na internet, apenas o site da polícia continha seus dados. Pisquei e um sorriso sem emoção rasgou meu rosto, apertando de leve minhas têmporas, tentei me lembrar do papel que Gray Fullbuster havia me dado.

Estava na ponta da língua, uma gota de suor frio escorreu pela minha testa, o que era inesperado, visto que estava um dia particularmente frio, mas o súbito momento de distração foi tudo que minha mente para lembrar.

O endereço correu pelos meus dedos até aparecer na tela e logo a homepage do Departamento de Polícia de Magnólia se fez a minha frente.

Mantendo o sorriso falso mas de certa forma verdadeiro, digitei o username e a senha, batendo as unhas semi-roídas por todo o nervosismo que passei nesse três dias com força.

Apertei a tecla enter como se fosse um gatilho.

~*~

–Se eu não te conhecesse, acharia que está surpresa.

–Então acho que temos um problema, depois de todos esses anos. Como é possível que saiba tão pouco sobre mim! — Ela sorriu e veio em minha direção, seus braços evolveram meu pescoço e eu a levantei do chão, rindo.

"Mas não é a mesma coisa."

Arregalei os olhos, assustado, quase a derrubei, mas me contive, soltando-a com cuidado, ela respirou fundo e eu olhei em volta.

"Não é a mesma coisa."

–Venha, Ele está louco para te ver. Depois que perdemos você até quis organizar uma equipe de busca, mas eu acabei colocando juízo naquele cabeção. Estamos em menor número-

Eu a interrompi.

–Quantos? — Ela congelou por um segundo, desistindo logo depois.

–Contando com você? — Ela olhou em meus olhos. — Três.

Bom, poderia ser pior.

"Não é."

Balancei minha cabeça, começando a ficar nervoso, havia me saído excepcionalmente bem em bloquear quaisquer pensamentos indesejados desde que saíra de perto dela.

Mas agora, finalmente alcançando meu primeiro objetivo, eu não consegui parar de pensar nela, seus cabelos macios e a pele clara, ela seria uma loira típica se tivesse olhos azuis, mas não tinha, e isso talvez fosse o que eu mais gostava.

Dois olhos escuros, de longe, você vê que são castanhos, mas se chegar mais perto, nota que são quase do exato tom do chocolate. Quando o sol bate neles, brilham dourados e, se você prestar bastante atenção, percebe que são quase verdes. Simplesmente perfeita.

Memórias de nossa última noite juntos chegam até mim, o modo como eu apontei aquela arma para ela, como a fiz correr para longe, tomando todo o cuidado para não acertar um tiro que fosse nela, eu não poderia viver com o peso de a te-la machucado. E depois daquilo tudo, ainda houveram os infinitos minutos de silêncio, onde eu torci para que ela chegasse em um lugar seguro logo.

A dúvida estava me corroendo de dentro para fora, mas quando eu abri a pesada porta de ferro fundido e finalmente me reencontrei com as duas únicas pessoas em quem confiava, respirei aliviado.

Me joguei no sofá mais próximo de onde ele estava, e ela logo se sentou ao meu lado jogando as pernas para cima e agarrando uma garrafa de cerveja próxima.

–Eu tenho duas coisas para te contar, uma ruim e outra nem tanto. — Ele me ofereceu um copo com um líquido dourado, não precisei sentir o cheiro marcante para saber que era whiskey, ele desceu queimando pela minha garganta, mas eu imediatamente me senti melhor, lambi os lábios e fechei os olhos, apreciando os segundos de êxtase que o álcool trazia.

–Certo, a ruim primeiro. — Eu respondi, me apoiando no sofá, ao meu lado, ela riu, mas seus olhos deixavam claro que não havia sido verdadeiro.

–A primeira, é que a sua garota está correndo atrás de informações sobre você e consequentemente, chegará a nós. Temos que dar um jeito de fazê-la parar ou aquele detetive vai acabar dando um jeito de nos encontrar, de novo... Ela está tomando cada vez menos cuidado e logo vai achar alguma coisa. — Rangi os dentes ao termo usado para descrevê-la, mas não fiquei surpreso com o fato de ele conhecê-la, deixei de ficar surpreso com ele há muito tempo atrás.

–A segunda. — Ela se levantou de sua posição jogada ao meu lado para ficar de pé ao lado dele, um sorriso pequeno, mas ligeiramente bem-humorado fez o caminho até seu rosto quando ela inclinou a cabeça para algo atrás de mim. — É que nós sabemos exatamente como fazê-la parar.

E quando eu me virei no sofá, para encarar a garota amordaçada de olhos arregalados, senti os cantos da minha boca se curvando para cima.

–Erza, Gajeel. — Eles se viraram para mim, satisfeitos por me ouvirem dizer seus nomes depois de tanto tempo. — Parece que temos trabalho á fazer.

–Finalmente, Natsu. — Eles disseram em uníssono.

~*~

–Departamento de polícia de Magnólia.

–Passe a linha para o detetive Jellal Fernandez.

–O oficial Fernandez não está.

–Ah é? E onde ele foi?

–Isso é confidencial.

–Certo. Posso deixar uma mensagem para ele?

–Aguarde... Aqui é o detetive Jellal Fernandez, estou ocupado no momento, deixe sua mensagem após o sinal.

–Fernandez. — Saboreei a vitória iminente, sentada á minha frente, a garota amordaçada me encarava assustada. — Eu não sabia que chegaria tão longe a ponto de invadir a casa dele, e ainda por cima com Lucy Heartphilia ao seu lado. — Minha voz tremeu um pouco na menção do nome dela. — A esse ponto você já deve ter descoberto quem eu sou, mas caso não tenha... — Arranquei o pano que cobria a boca da garota sem me preocupar se a machucara ou não, ela imediatamente gritou. Palavras desconexas, mas sua voz era clara acima dos soluços. — Acho que vocês perderam alguma coisa não é? Fique sabendo que estou disposto a devolvê-la para vocês, com uma condição: Me encontre daqui á quatro dias atrás da casa de Luce. – Droga. Pensei, mas me recompus rapidamente. — Lucy Heartphilia. Venha sozinho, eu saberei se trouxer alguém. E nem pense em dizer nada para ninguém, se não eu mato ela.

Sorrindo em escárnio, desliguei o telefone. A garota á minha frente gritava desesperada, não foi necessário mais do que um chute em seu estômago para fazê-la calar a boca.

–Quietinha. — Me agachei a sua frente, tirando os cabelos albinos curtos da frente de seus olhos azuis. — Eu disse que te entregaria, mas não falei nada sobre te entregar viva.

Outro chute e ela apagou.

Me afastei até a janela mais próxima e respirei fundo, me preparando para o que viria em seguida.

Se o plano corresse certo, eu a veria de novo. Lucy Heartphilia.

Minha Luce.

*compreensão súbita da verdade.

Notas finais
┻━┻ ︵ヽ(`Д´)ノ︵ ┻━┻ Muahahahahahahahahahaha! PS.: Eu recebi alguns comentários e mensagens perguntando se sou bipolar, por que vão me receitar remédios para me controlar, a verdade é que eu não faço a mínima ideia, até onde sei, nunca consegui me controlar direito, e qualquer coisa me deixa explosiva, também começo a chorar do nada e as vezes me dão uns surtos... mas todos passam por isso também... eu acho... (ಥ_ಥ) .x