Belo Desastre
12 Dúvidas.
Notas iniciais
Não sei exatamente descrever o que eu estava sentindo no momento em que o olhar de Gray Fullbuster passou de mim para Natsu, e então para as mãos dele em minha cintura.
–Eu te conheço... ? — Natsu disse, mesmo que a frase soasse mais como uma pergunta, estremeci em seus braços e ele sentiu.
Gray Fullbuster rapidamente se recompôs e parou de encarar Natsu.
–Olá, Lucy. Será que... nós podemos falar em particular? — Ele perguntou incerto e eu demorei alguns segundos para assentir, meneei com a cabeça para ele entrar, mas Natsu o barrou ainda na porta.
–Quem é você? — Sua voz estava baixa e ele prendeu seu maxilar.
–E-Eu... — Percebi o que iria acontecer antes de Gray, as mãos de Natsu me soltaram para procurar sua arma, que não estava com ele e eu o ouvi grunhir.
–Natsu, faça um café para o Oficial Fullbuster! — Disse nervosa enquanto tentava evitar que um desastre acontecesse, meu pedido soou mais como uma ordem e por incrível que pareça, Natsu obedeceu... mas não sem antes me puxar contra ele, me beijando bem na frente de Gray.
Ele me soltou de repente e eu estranhei a sua grosseria, quando seus passos lentos o levaram até a cozinha, eu sabia que ele estava nos escutando.
–Por aqui. — Eu disse ainda meio tonta e segurei no pulso de Gray, nos fechando do lado de fora da casa mesmo que estivesse nevando, o que quer que fosse, eu tinha um pressentimento de que Natsu não deveria ouvir. — O que faz aqui?
–Você está com ele? — Gray disse incrédulo, e o frio pareceu piorar.
–Você o conhece? — Respondi com uma pergunta e Gray segurou meu pulso, me guiando até seu carro na frente da minha casa, sentei-me no banco do carona mas ele não ligou o automóvel, apenas trancou as portas.
–Lucy, onde você o encontrou? — Gray estava suando frio.
–O-Oque? Eu achei ele no meio de uma estrada deserta... nos arredores de Clover.
–Por que você não deixou ele lá?! — Gray segurava o volante com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos.
–Como assim?! — Me virei para ele, sentia um frio na boca do estômago.
–Lucy, você nem se preocupou em pesquisar sobre ele? Descobrir quem é o estranho que você trouxe para a sua casa? — A ficha caiu em cima de mim como uma pedra e eu me senti estúpida, confiando cegamente em um estranho armado, por causa de um beijo inevitável e sentimentos mal explicados.
–Eu nem... ! Ele não lembra do próprio sobrenome! — Soltei de uma vez e as mãos de Gray caíram do volante.
–Ele... não se lembra? — Fullbuster sussurrou e eu assenti com a cabeça.
–Você o conhece? — Insisti hesitante, mas decidida, sentia no fundo do meu estômago que alguma coisa ruim estava por vir, e logo.
–Lucy, eu não sei como te dizer isso mas... — Ele ignorou a minha pergunta, mas congelou no meio da frase, olhando para fora, virei a cabeça rapidamente a tempo de ver as cortinas da janela mais próxima balançando, Natsu estava nos espionando.
–Vocês se conhecem? — Perguntei pela terceira vez e ele respirou fundo.
–De certa forma, sim... mas isso é sério, você tem que saber quem ele é... quem ele já foi. Nós suspeitávamos que ele tivesse perdido a memória depois do... — Ele se interrompeu com uma expressão clara de que tinha atravessado o limite.
–Depois do que? — Eu inquiri, nervosa, meus punhos estavam fechados e as unhas compridas machucavam as minhas palmas, mas eu não ligava.
–Lucy, Macarov me mandou até aqui para me apresentar como o seu ajudante no caso do fugitivo Sting Eucliffe. — Tremi com aquele nome. — Mas você tem que saber quem o Natsu realmente é, e rápido. Eu não posso te contar, você tem que saber por si mesma, me desculpe.
–Como eu vou descobrir, nem ele sabe! — Gray girou a chave na ignição e se esticou sobre mim para abrir a porta do carona, em um sinal claro de que eu deveria sair.
–Com isso. — Ele me estendeu um papel dobrado, suas mãos tremiam. — Isso é sério Lucy, eu queria poder te ajudar.
–Espera, ele é algum tipo de criminoso? — Minha última pergunta foi aquela que martelava na minha cabeça, o moreno apenas sorriu fraco e colocou seu cinto.
Sai do carro não entendendo nada daquela conversa e entrei em casa, ouvindo o barulho do motor se afastando.
–Natsu? — Fui até a cozinha e o encontrei de frente para o balcão, mas o perturbador foi o facão de carne em uma de suas mãos, a franja de seu cabelo caia sobre um dos olhos quando ele se virou.
–Ele não vai ficar para o café? — Sua pergunta retórica e irônica saiu de seus lábios e eu nunca o havia visto daquela forma, quase... psicopata.
~♥~
Abri os olhos nervosa e observei o relógio ao meu lado 03:07 da madrugada, Natsu roncava alto no quarto ao lado e eu fiz o meu melhor para me manter em silêncio, de baixo da minha cama eu puxei meu notebook e o liguei, o papel que Gray me deu estava já em minhas mãos e eu o abri devagar.
Era uma folha comum de caderno, mas as informações contidas ali não eram de forma alguma normais.
Meus dedos gelados digitaram rapidamente o endereço do site que estava escrito e eu me vi no fórum da polícia de magnólia, faces e desenhos de fugitivos mudavam no centro, seus olhares frios eram semelhantes ao que Natsu tinha quando eu entrei em casa novamente, hesitei antes de seguir as instruções contidas no papel e fiz login com um nome e senha que não eram meus, rapidamente fui direcionada a outra página, como o agente especial Laxus Dreyar, passei meus olhos pelo papel de novo, forçando a minha vista naquela escuridão quebrada apenas pela luz da tela do notebook e cliquei em uma pequena lacuna de busca no canto superior da tela.
"Natsu"
Foi apenas o que eu digitei, apenas um nome, mas os resultados tomavam mais de 15 páginas e eu quase derrubei o aparelho no chão.
"Assassinato em massa está ligado a terroristas..."
"Incêndio em igreja não deixa sobreviventes..."
"Mafia Italiana é suspeita de escondê-lo..."
E o pior de todos, as letras pareciam pular para fora da tela enquanto eu lia várias vezes, não conseguindo conter o choque.
"Natsu Dragneel é culpado de esfaquear e matar 26 guardas em uma fuga da prisão central de Hargeon..."
–Esse é o meu sobrenome. — Ouvi sua voz rosnar e meu coração pulou uma batida, eu tremi, meus olhos ardendo em medo enquanto virava a cabeça lentamente para a porta agora aberta do meu quarto.
Onde Natsu se colocava de pé na quase-escuridão da luz da lua, com sua arma em punho apontada diretamente para mim.
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