Belo Desastre

18 Confiança.


Notas iniciais
Eu simplesmente não consigo respeitar quem usa boné de aba reta... Esse capítulo está curto, é mais um aviso para CERTOS LEITORES que costumavam se apresentar e agora devem estar morando de baixo de uma pedra. Olha, fica de boa, eu te entendo, minha estória ta uma bosta e eu pararia de escrevê-la se isso não fosse tipo... um vício. Mas se você vai abandonar, por favor me avise, porque eu não quero criar expectativas de leitores fantasmas (: Ah, e como eu odeio capítulos curtos tanto quanto vocês, enchi ele de conteúdo! Admitam, para um capítulo curto, esse conta bastante.

–Você tem certeza?

–Não.

–Certo, vamos entrar de uma vez.

Seguimos de volta para dentro da casa que eu tinha certeza seria o local do meu próximo pesadelo enquanto eu me agarra fortemente a lanterna que Jellal havia me dado, depois de todo aquele pavor, Lisanna e Jellal me fizeram sentar no banco da viatura policial durante vinte minutos com os aquecedores ligados mesmo que não estivesse frio, infelizmente eu não pude ouvir a conversa que os dois estavam tendo do lado de fora.

Mas agora, de pé e prestes a retornar para dentro daquele lugar macabro, eu desejava mil vezes voltar para o carro.

–Piso de madeira. — Lisanna sinalizou e Jellal assentiu com a cabeça.

Eu focava minha lanterna no chão a minha frente, sem realmente prestar atenção para onde ia enquanto Lisanna me levava junto com ela e Jellal para a cozinha.

Estávamos quase saindo de volta para a sala, quando uma das tábuas em baixo de mim rangeu com o meu peso, imediatamente olhei para Jellal.

–Porão. — Foi o que eu disse e nossas lanternas seguiram pela tábua até uma caixa de papelão amarrotada e toda riscada...

Que eu podia jurar, não estava ali antes.

"Respira. Relaxa. Controle-se."

–Eu não tinha visto isso... — Lisanna comentou e eu andei para trás até sentir o balcão gelado contra minha espinha dorsal quando ela ergueu a caixa do chão.

E até eu, que mal conseguia ver, tive que arregalar os olhos quando bem em baixo da caixa, quase escondida entre a sujeira escura da madeira, estava uma porta. Um buraco quadrado tampado precariamente por mais madeira.

–Havia algo pesado em cima disso, talvez a geladeira. — Jellal se agachou para ficar mais próximo do buraco e tudo em que eu conseguia pensar era em como aqueles não não sentiam o cheiro que exalava por entre as tábuas no chão.

Cheiro de carniça.

–Mas que... — Foi o que consegui murmurar antes que as tábuas de madeira já não nos separassem do que havia lá em baixo.

–Vocês estão sentindo isso? — Lisanna enrugou o nariz e eu assenti, mas Jellal ignorou e sem hesitar, desceu as escadas.

Ele. Desceu. As. Escadas.

Respirei fundo pela boca antes de voltar a abrir os olhos, nada havia mudado, continuávamos nós duas sozinhas ali enquanto os cabelos de Jellal sumiam enquanto ele descia cada vez mais.

–Vamos. — Eu disse sem pensar. Não podia pensar agora.

Não é necessário dizer que o cheiro só foi ficando mais forte.

–Parem! — Jellal disse de algum lugar abaixo de nós. — Não venham, voltem. Agora.

–Nem pensar. — Lisanna devia estar nervosa e eu não culpava ela, naquela casa, era impossível se sentir você de novo.

Ela tocou meu ombro e eu engoli em seco, mas isso me acordou e eu desci os últimos degraus até bater minha testa nas costas de Jellal.

–Eu disse para vocês não virem. — Ele se virou para mim e seu rosto estava preso em uma expressão de choque e incredulidade.

Mas quando eu me virei, podia jurar que o meu rosto estava exatamente igual.

Animais. Grandes, pequenos, esquilos, ratos, pássaros, gatos e cachorros.

Mortos, com as gargantas cortadas em uma tentativa clara de extrair o máximo de sangue possível, presos de ponta cabeça.

Ouvimos um baque surdo atrás de nós e nos viramos para ver que Lisanna havia desmaiado.

–Acho que... — Jellal engoliu em seco. — Já está bom por hoje...

–Está bom por hoje?! — Meus olhos ardiam. — Que ideia foi essa de entrar aqui para começo de conversa?! — Eu estava descontrolada, pensar que aquilo tudo tinha sido feito pela mesma pessoa que sorriu para mim tantas vezes.

Minha cabeça doía e eu percebi que mais uma vez não estava respirando, soltei o ar e o puxei de volta pela boca.

–Me desculpe se eu estava fazendo o meu trabalho! — Jellal disparou, mirando sua lanterna em mim, ofuscando minha visão.

Pisquei algumas vezes e voltei a respirar fundo, uma discussão era a última coisa da qual precisávamos naquele momento.

–Me desculpe. — Jellal me surpreendeu falando primeiro e eu engoli em seco assentindo com a cabeça.

–Temos que ir embora... Como vamos tira-la daqui? — Apontei o facho da minha lanterna para Lisanna, que ainda estava caída no chão.

–Acho que eu posso tentar... -

Mas eu nunca vou saber o que ele iria dizer, pois nesse exato momento, outro baque surdo preencheu nossos ouvidos.

E meu corpo inteiro tremeu.

Quando eu percebi que era a porta do porão. Fechando com força.

Notas finais
Certo, eu não sei o que dizer aqui. Então para manter a vibe do terror, aqui vai uma história curta de um autor anônimo que eu encontrei por aí: "Um homem chegou em um hotel e o recepcionista disse: -Todos os quartos estão vagos exceto o 318, não vá lá. Mas obviamente isso só serviu para atiçar a curiosidade do homem, que logo se viu de frente para a porta 318 forçando a maçaneta que não abria, como última tentativa, olhou pela fechadura, mas tudo o que conseguiu enxergar foi vermelho. Os dias se passaram e quando o homem estava prestes a sair o hotel, o recepcionista disse mais uma coisa: -É engraçado, os clientes do 318 foram encontrados mortos, mas seus olhos estavam totalmente vermelhos." Sentiu o arrepio? .x