Belo Desastre
7 Calmaria.
Notas iniciais
Abri meus olhos cansada, estava deitada em minha cama confortavelmente, mas Natsu não estava ao meu lado, ele havia saído logo após aquele "incidente", e sim, eu me refiro ao que aconteceu dessa forma porque ele também fez isso.
"Isso não vai acontecer de novo." — Foi oque ele disse antes de fechar a porta atrás de si e me deixar sozinha e surpresa, logo em seguida, minha surpresa se transformou em raiva, oque ele pensava que estava fazendo?
Entenda as últimas seis palavras como quiser.
Mas o fato é que ele não havia sentido nada com aquele beijo, deixou isso bem evidente ao me encarar e suspirar antes de se afastar.
Ah, estou sentindo uma dor fina no peito, porque será?
Se antes eu estava quebrada, agora tinha virado poeira, minúscula e insignificante, apenas servindo para piorar as coisas, ele nem se lembrava de onde havia vindo e agora estava em uma casa de uma mulher estranha que perdeu a mãe e se embebedou, logo em seguida, beijou ela porque não via como ela iria parar aquele discurso ridículo.
Provavelmente era nisso que ele pensava, mas ao contrario do que ele devia estar imaginando, eu não o colocaria para fora, nem pensar, voltaríamos a ser amigos, quer dizer, se fossemos amigos antes e esqueceríamos oque aconteceu.
E foi pensando assim que eu tomei um banho rápido e desci para a cozinha, Natsu estava lá, sentado no sofá da sala encarando a televisão como se algo muito importante estivesse passando, mas não, porque ela estava desligada.
–Bom dia, Luce.– Ele disse, me fazendo estremecer. Por alguns momentos depois de acordar, eu quase me esqueci de que sentia algo por ele, quase. Mas o fato é que nem eu mesma percebi quando comecei a me sentir assim, será que foi antes ou depois da morte da Layla? Provavelmente antes, falando a verdade, é bem possível que eu tivesse me sentido desse jeito desde a primeira vez que o vi.
–Bom dia. — Respondi apenas enquanto me aproximava da máquina de café, segundos depois o cheiro dos grãos invadiu a casa. — Quer café?
–Não, obrigado, já estou de saída. — Ele soltou e eu congelei.
–Como? — Travei o maxilar involuntariamente, mesmo que fosse me esforçar para ser apenas sua amiga, a idéia de passar nem que fosse um dia sem sua companhia me assustava, droga, eu estava perdida.
–Você ouviu. E sabe que, depois de ontem não tem como eu continuar ficando aqui... — O interrompi, me aproximando, mas ele não se virou para me olhar.
–Natsu, você não vai embora. — Soou como se fosse uma ordem, mas eu nem me importei, na verdade, estava satisfeita.
–Luce... — As palavras pareciam vazar de meus lábios.
–Não, e nem pense que aquilo ontem muda alguma coisa, você continua não se lembrando de nada e eu não posso te deixar sair por ai perdido, eu sei que aquele beijo foi só porque você não sabia mais oque fazer e não se preocupe, eu também não senti nada. — Hesitei uma vez antes de continuar. — Por isso, vamos continuar sendo bons amigos e você vai continuar aqui.
–Mas eu preciso... — Se dependesse de mim, ele nunca terminaria frase alguma.
–Precisa de café, e não vai tomar no sofá. — Disse andando até ele e dando a volta no sofá para ficar a sua frente, mas me surpreendi ao constatar um sorriso divertido em seu rosto, arqueei uma sobrancelha.
–Luce.Eu.Preciso.Arranjar.Um.Emprego.
Congelei, oque eram aqueles caninos levemente mais desenvolvidos? Deixavam seu sorriso... eu vou me arrepender disso... mas o deixavam muito sexy.
Com passos apressados, voltei para a cozinha, quebrei quatro ovos e os mistures com pedacinhos de bacon e cebola em uma frigideira, o café já estava pronto então eu me ocupei fazendo outra coisa, ovos mexidos improvisados para café da manhã.
–Hey, você está bem? — Ele perguntou vindo na minha direção e se apoiando no balcão ao meu lado, devagar, me virei para ele.
–Um emprego?
–Sim.
–Pra você?
–Obviamente.
–Ai meu deus. — Dei um tapa em minha testa, ele pareceu incomodado.
–Oque foi? — Com certeza ele era bipolar, porque naquele momento seus olhos demonstravam tanta inocência que eu parecia estar falando com uma criança.
–Você sabe fazer oque? Pelo menos fez faculdade? Ou será que largou seus estudos e... — Parei ao encontrar uma fagulha de perigo, ele não se lembrava, era inútil peguntar qualquer coisa sobre seu passado.
–Olha, isso eu não sei. — Bufei cansada enquanto misturava os ingredientes, ele continuou a me encarar — Mas aprendo rápido e prometo me esforçar em qualquer coisa que você me encontrar.
–Porque logo eu? — Desliguei o fogo e segui para a mesa com a panela em minhas mãos chiando quente, Natsu foi atrás.
–Você está vendo mais alguém aqui? — Ele me respondeu com outra pergunta, dessa vez, sarcástica. — Por falar nisso Luce, onde você trabalha?
–Sou jornalista. — Suspirei, havia tirado alguns dias de minhas férias para poder visitar minha mãe, tinha planejado pegar apenas 5 dias, mas como ela bem... havia... eu acabei precisando somente de 3.
Não me julgue, eu estou em sentindo um lixo agora, a falta que ela me faz está me corroendo por dentro como ácido, mas para mim, as únicas formas de não entrar em depressão em situações como essa são:
A) Dormindo, e isso eu já havia feito.
B) Bebendo, e isso também eu já havia feito, na verdade, beber só havia piorado a minha situação.
C) Preenchendo minha cabeça com outra coisa. Ponto para mim, trabalhar e encher minha cabeça com outra coisa.
Subitamente me senti animada para ir trabalhar, reencontrar meus amigos e voltar a rotina deveria exercer algum efeito sobre mim.
–Certo, começamos amanhã! — Olhei para Natsu com um sorriso no rosto e ele retribuiu, não pude deixar de reparar em como os cantos de seus olhos se enrugam quando ele sorri...
Lucy, pare.
Me virei rapidamente para a mesa e me sentei, mas ele continuou de pé a me observar com aquele agora maldito — mas ainda sexy — sorriso.
–Luce... — Ele colocou suas mãos em meus ombros por trás da cadeira, que era de encosto baixo e se inclinou em meu pescoço, de repente, eu imaginei aqueles caninos afiados mordendo a pele que ali havia, como um vampiro. sua respiração quente arrepiou todos os pelos de meu corpo e eu pude senti-lo sorrir contra mim quando o mesmo beijou a curva de meu pescoço, se demorando ali por tempo suficiente para me fazer repensar no beijo da noite anterior.
Porra, eu conseguiria mesmo fingir que nada havia acontecido?
Ele se afastou e escolheu sentar-se logo a minha frente, seus olhos não encontraram mais os meus, mas eu sentia como se ele estivesse jogando, como se ele soubesse oque eu havia sentido, como se ele soubesse e quisesse me torturar.
Caro Natsu, saiba que esse jogo é para dois.
Fale com o autor