Belo Desastre
6 Álcool.
Notas iniciais
Mas emfim, estou aqui, no meio de São Paulo e passando calor igual ao inferno, ainda por cima, com um ventilador quebrado que mais faz barulho do que ventila, como sou sortuda, meu deus :)
Well, espero que gostem, nos vemos lá embaixo.
–Hey, não chore, vamos para casa, okay?
Essa frase se repetiu mil vezes em minha mente enquanto Natsu me levava com cuidado até o estacionamento, parando uma vez na praça de alimentação para pegar mais um cookie de chocolate, de novo, para mim. Quando ele ligou a chave na ignição e o carro começou a se mover, encostei minha testa no vidro da janela, eu estava quente, muito quente, estava pesada e espirrava de vez em quando, na verdade, quase sempre.
A viagem de Clover até Magnólia pareceu ser a mais longa da minha vida, sobre o meu olhar, a paisagem de estrada deserta com vegetação rasteira e nuvens cinzentas nunca mudava, era como se o carro não saísse do lugar, era como se eu não saísse do lugar.
Dali em frente, as coisas mudariam, daquela vez, eu estava realmente sozinha, era a última descendente dos Heartphilia, responsável pela mansão ancestral dos Heartphilia que ficava em Crocus, responsável pela herança de nossa família, que, por maior que fosse, não me deixaria nem um pouco feliz, apenas me lembraria mais ainda deles.
Mas o pior e mais importante...
Eu agora era responsável pelo funeral de minha mãe, queria apenas me deitar e dormir, torcendo para que tudo aquilo fosse apenas um pesadelo, mas não, estou bem acordada, e isso torna tudo pior ainda.
–Luce, chegamos. — E com essas palavras, suspirei aliviada, mas algo aconteceu, eu me sentia tonta e um pouco fraca, por isso, quando abri a porta do carro e sai, não enxerguei o degrau da calçada, o vento gelado bateu contra meu rosto quando eu tropecei e... fui direto ao chão, batendo a testa e o cotovelo no cimento.
Gemi de dor e involuntariamente e isso acabou chamando a atenção de Natsu, que tirou as chaves e bateu a porta com tudo, correndo para o meu lado e me ajudando a levantar. Mas se antes eu estava um pouco tonta, agora eu estava totalmente desorientada, não conseguia nem mesmo ver direito, as cores formavam um grande borrão e eu só ouvia minha própria voz, dizendo.
–Não foi nada... — Mas não terminei, pois ao tentar me levantar sem ajuda, cai de novo e acabei sentada, dessa vez, quando ele estendeu a mão, eu a segurei, então, com um puxão inesperado estava de volta em pé, mas ainda instável.
–Você não consegue nem andar, Luce. — Ele falou enquanto me trazia para perto e...
Me pegava no colo? Eu perdi alguma coisa?
Mas era verdade, Natsu havia apoiado uma de suas mãos em minhas costas e a outra na parte interna de meus joelhos, eu não tinha forças nem mesmo para prender meus braços em volta de seu pescoço, precisava urgentemente dormir.
–Natsu... — Murmurei já caindo no sono, a porta de casa se aproximava, três, dois passos...
–Nem pensar, não. — Ele disse rapidamente e eu voltei a abrir os olhos, confusa. — Luce, você não pode dormir agora, vai ter que esperar pelo menos uma hora ou algo assim.
–P-Porque? — Eu estava extremamente exaurida, era como se tudo tivesse despencado em cima de mim de repente e eu não fosse mais a mesma, nunca mais seria.
–Você bateu a cabeça, pode acabar desmaiando, e se estiver dormindo, eu não vou ter como saber. — Era triste, mas ele tinha razão, eu precisava continuar acordada.
–Vamos entrar logo então, preciso de uma bebida. — Falei bufando e cruzando os braços enquanto ele me levava para dentro, devagar e sempre, as coisas paravam de girar e a dor em minha testa se transformou em um latejar pequeno.
Agora, eu estava machucada por dentro e por fora.
´*`
–Mais.
–Como assim?
–Eu quero mais, vai lá buscar.
–Já não está bom?
–Se eu estou dizendo que não é porque não está, anda logo!
–Luce... você está bêbada?
–É claro que não, não sou fraca com bebidas, seu estúpido, agora se levante dai e me traga mais uma garrafa, aquela acabou rápido demais.
–Oque eu faço com você, Luce?
–Me de álcool.
Eu menti, estava inegavelmente, terrivelmente e notavelmente bêbada, mas não ao ponto de inconsciência, minha resistência com bebidas era alta, em outros dias, isso era ótimo, mas naquele em especial, estava sendo um inferno, tudo, estava sendo um inferno.
E Natsu, coitado, mas foi ele que decidiu enfaixar minha cabeça e tentar cuidar de mim, para início de conversa, eu nunca pedi por aquilo, só queria dormir, mas já que não podia, arranjaria um jeito de me manter acordada por meio do sabor ardido e puro de uma garrafa de vodka inteira.
Eu me sentia um lixo, e agia como um lixo, maltratava Natsu sempre que podia e acabava gritando por tudo, não entendia como ela ainda não havia desistido, ou simplesmente apontado sua arma em minha cabeça e atirado, eu teria agradecido, se ele fizesse isso.
–Não, chega de álcool, agora você já pode dormir. — Ele disse e tentou ajeitar meus travesseiros, mas foi muito rápido, me assustando sem querer no estado ridículo em que eu me encontrava e me fazendo dar um tapa em seu rosto, um tapa forte.
Foi ai que percebi oque eu fiz.
Eu havia batido nele.
–Ah meu deus, Natsu, desculpa, desculpa, desculpa... — o abracei, ele estava em pé, ao lado de minha cama, atônito e eu, ajoelhada a sua frente e... chorando?
Ele podia ter feito qualquer coisa, desde me empurra para longe até me matar. Eu sabia que podia, e podia facilmente.
Mas ao invés disso, ele... me abraçou de volta, e colocou a cabeça na curvatura de meu pescoço.
–Me desculpa Lucy, eu não devia ter deixado você chegar a esse ponto, eu... — Espera, o que? Porque ele estava falando aquilo? Desde quando e como a culpa do que acabara de acontecer passou para ele?
–Natsu, eu ter ficado assim não é novidade.
–Oque...
–Eu estou toda quebrada, Natsu. Já passei por coisas além da bebida, você é que não deveria estar aqui, me vendo desse jeito, nessa situação vergonhosa... ainda por cima comigo sendo rude e te machucando, me desculpe, me desculpe. Eu sei que sou errada, e você tem que saber que não precisa mais ficar ao meu lado, só vai te fazer mal e... — Eu sentia sua respiração em meus seios, e seu cabelo macio roçava em minha bochecha, suas mãos apertavam minha cintura, cada vez mais contra ele. E de repente, eu percebi uma coisa. Eu me sentia atraída por ele, não igual aos livros românticos, onde, no primeiro olhar, o casal cai em desejo, mas aos poucos e lentamente, como uma chuva fina de outono que começava devagar e não parece parar nunca. Mas eu precisava afasta-lo, nada de bom viria de mim, nunca vinha. — Você precisa se lembrar de quem você é, parar de me ver, porque todos que eu um dia conheci ou estão mortos ou estão prestes a morrer, minha mãe é um exemplo, eu não te faço bem...
Mas então, ele calou a minha boca.
Pressionando-a, deliciosamente, contra a sua.
Notas finais
E quanto ao final, eu já disse, no cap passado, que a história começava a partir daqui, queridos leitores, saibam que isso é só a cereja do bolo!
Fui ♥
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