-Três meses depois...

Passados três meses do incidente, as coisas pareciam começar a se acertar. Mikey mudara de cidade, passando a alugar um apartamento no mesmo bairro de Ryan, para que este não perdesse contato com a menina – que resolveu chamar de Crista, pois Karen havia comentado sobre esse nome durante a gestação.

Ryan cuidava de Crista por uma parte do dia, e sempre antes de ir para seu trabalho, à noite, a deixava na casa de Mikey – para que Mikey fosse trabalhar.

Ryan, no meio do transito, ligava para Mikey para avisa-lo de que chegaria atrasado, por conta de um engarrafamento. O telefone chamava até cair na caixa postal; Isso não era um costume de Mikey, mas Ryan resolveu deixar para lá.

A pequena menina dormia no bebê-conforto do banco traseiro enquanto os carros andavam lentamente. Passadas quase 1 hora e meia, finalmente chegaram ao apartamento de Mikey. Ryan desceu do carro, trancando sua porta; Em seguida retirou Crista da cadeirinha, também trancou a outra porta do carro.

Chegando enfrente ao apartamento, bateu na porta, esperando que Mikey a atendesse, mas isso não aconteceu. Depois de cerca de 1 minuto esperando Mikey atender a porta, Ryan resolveu usar a chave para emergências – que Mikey o dera. Ao adentrar o apartamento, não encontrou Mikey, como já esperava. Decidiu que o mais sensato no momento seria ligar para seu trabalho para avisar que teria que cuidar da sobrinha e não poderia comparecer. Assim o fez.

A menina – que jazia no berço, em seu próprio quarto no apartamento — começou a chorar segundos após Ryan terminar a ligação. Ryan se dirigiu ao quarto rapidamente para ver como Crista estava, ela se assustara por ter acordado sozinha.

-Calma... Pronto, passou... – Ryan sussurrava enquanto embalava Crista (que começara a se acalmar) nos braços. – Aqui – deu a chupeta da menina, mas mesmo assim ela ainda resmungava.

Enquanto embalava a menina pelo quarto, notou que havia um papel, com uns números de telefones anotados, encima da cômoda de Crista. Assim que esta se acalmou, Ryan segurou-a de outra maneira – fazendo com que conseguisse segurá-la com um braço – e pegou o papel que tinha visto. Nele havia escrito “Em caso de emergência. Número do trabalho / Número da Dona”, seguido de dois telefones, sendo um da mãe de Mikey – presumiu que fosse ela.

Mikey era contador na outra cidade, mas o melhor emprego que conseguira nesta era de vendedor de eletrônicos em uma loja no centro da cidade.

Voltou para a sala do apartamento, sentou-se no sofá e acomodou Crista em seu colo. Pegou o celular do bolso e discou o número do telefone do trabalho de Mikey.

-Alô – falou assim que ouviu ruídos vindos da outra linha. – Eu sou cunhado do Michael Way, é sobre a filha dele. Eu posso falar com ele?

-O que? O Way não vem trabalhar faz dois dias. E na verdade, ele nunca comentou com ninguém que ele tinha uma filha – disse a mulher que atendera o telefone.

-Eu vou matar seu pai – disse baixinho, para que só ele e Crista ouvissem. – Mas você não tem ideia de onde ele está? Ele me deixou numa situação complicada, eu tinha que ir trabalhar, mas estou com a filha dele...

-Desculpa mesmo, mas eu não tenho ideia.

-Okay, obrigado mesmo assim – desligou o telefone.

Ryan ligou para o número de celular da mãe de Mikey, mas quando o fez, ouviu a mensagem de número inexistente.

-E agora, o que eu faço, hum? – Disse enquanto apertava levemente o nariz de Crista, fazendo-a rir.

Ryan, decidiu por fim, que enquanto não tivesse notícias de Mikey, teria de ficar com Crista. Pegou algumas coisas dela que precisaria – fraldas, roupas, lencinhos, leite em pó etc – e colocou em duas bolsas que a menina tinha. Trocou Crista antes de saírem novamente. Se dirigiram ao carro, Ryan segurando Crista com o braço envolto em seu tronco, fazendo-a ficar segura em seu lado, com uma bolsa em cada ombro. Depois de certa dificuldade, conseguiu a portas traseiras do carro. Colocou Crista na cadeirinha e as bolsas nos bancos dos passageiros, trancou a porta e foi para seu lugar. Enquanto dirigia de volta para sua casa, pensava em como Mikey deveria voltar logo.

Notas finais
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