Believe In Me
9 Capitulo 9 — Preparativos
Notas iniciais
Essa ideia de meninas contra meninos no futebol acabou animando muito Liame os outros garotos, as pestes não paravam um só minuto de falar nisso. No dia seguinte eu tentei fugir de Liam o máximo possível no colégio, mas ele sempre conseguia me achar, o que me irritava bastante.
Falem-me o que é preciso para fazer pra me livrar de um carrapato como ele?
Nesse momento eu estava na aula de geometria avançada riscando a mesa enquanto a professora falava varias baboseiras para o povinho a sua frente.
Olhei para Liam em minha frente e balancei a cabeça. O cara só podia ser nerd, pois ele nunca deixava de ouvir o professor para poder ficar conversando com seus amiguinhos populares, e para falar verdade, o menino nem sequer piscava enquanto a professora estava explicando a matéria.
Fiz um gesto de vomito e olhei para frente. O que encontrei?
Helen Forbes secando Liam descaradamente como se fosse devora-lo. Ri disso, pois a menina além de ser chata era retardada, e como eu suspeitava, estava no grupinho da Lisa.
Bocejei meio entediada e me espreguicei na cadeira. Certo, eu odeio Geometria, coisa mais chata.
— Srta Forbes — A professora chamou a ex-peguete de Liam que quase pulou da cadeira.
— Sim, professora? — perguntou, e a velha ficou em frente a sua mesa.
— Parece que está muito interessante olhar para os fundos enquanto eu explico — falou e eu ri cutucando Liam. Ele fez careta e me mostrou o dedo do meio.
— Desculpe professora — pediu Helen.
— Oh claro, eu lhe desculpo se me disser qual a raiz quadrada de 121.
— A pelo amor de Deus, essa até eu sei — sussurrei para Liam, que riu, olhando Helen levar um tempo ainda maior para responder.
— Hmm, 9? — perguntou indecisa e eu não me segurei e comecei a rir igual uma condenada.
— Fica quieta, Jodie — sussurrou Liam, mas já era tarde, pois a professora e todos os alunos estavam me olhando.
— Srta. Jodie, será que pode me explicar por que está rindo? — perguntou a professora rigorosa e eu me ajeitei na cadeira.
— Ah não é nada, mas ela disse que a raiz quadra de 121 é 9, não tem como não rir disso — Helen fez careta e a professora cruzou os braços me olhando desafiadora.
— Pois bem. Então qual é a resposta correta senhorita?
— Obviamente, é 11 ou — respondi mais do que certa. A velha sorriu confirmando.
— Isso mesmo, parabéns, agora que tal um pouco de geografia? — fiz careta.
— O que? Mas essa aula aqui é de matemática. Envolve números não historias — Reclamei e os idiotas que eram os alunos e riram achando que eu estava encrencada.
Eles nem sabem do que eu sou capaz.
— Sim, é matemática, mas como você gosta de responder minhas perguntas, que tal uma de cada matéria? — Porra, tudo menos Esportes.
— Hmm. Claro, sem problemas — falei dando de ombros e todos me olharam espantados. Ate mesmo Liam.
—Certo, certo… Quais os países mais populosos do mundo? — franzi a testa tentando lembrar todos os nomes e depois falei contando no dedo.
— Indonésia, Brasil, Paquistão, China, Índia, Estados Unidos, Rússia, Banglades, Japão, e Nigéria — Quando acabei de falar olhei para o povo e vi a professora sorrido enquanto os alunos me olhavam como se fosse uma aberração.
— Muito bom srta. Jodie, tem uma ótima memoria — Elogiou ela, mas eu não estava interessada em ser cortejada, por isso disse.
— Essa merda está escrito em uma das paredes da biblioteca. Eu fico lá por muitas horas. Não tem como não decorar — Dei de ombros. Ela assentiu compreendendo e logo perguntou:
— Em sua opinião, a Primeira Guerra Mundial foi uma guerra justa? Justifique para mim sua resposta — Certo, isso só podia ser praga, mas vamos lá.
— Para que caralhos precisa da minha opinião sobre isso? Guerra não tem que ser justas, não há heróis ou vilões, e sim os que mais se destacam e os que os seguem. Vejo as guerras como acontecimentos idiotas e que só servem para matar e maltratar pessoas, a população é cheia de hipócritas e políticos sem noção. Tá certo que em alguns casos podem até ser importantes, mas guerra é guerra, e nela todos matam, brigam e até mesmo se suicidam. E tudo por causa de uma merda de território, isso não tem a menor valia, pois se para ter dinheiro temos que nos tornamos pessoas sem escrúpulos que torturam e assassinam pessoas, — sejam inocentes ou culpados — como seremos considerados uma pessoa de bem?
— Certíssimo. E devo concordar com a senhorita — Sorri como um sinal de “Estou pouco me lixando” — Bom, o que é Hidrocarbonetos?
— São compostos formados por carbono e hidrogênio. A fórmula geral dos hidrocarbonetos é CxHy. Sendo que x representa o número de átomos de carbono e y é o número de átomos de hidrogênio — Agora ela tinha ficado impressionada, pois estava me olhando com curiosidade, e não era única. Porém ninguém sabia que no mês retrasado, eu tinha pesquisado por Hidrocarbonetos e muitas coisas mais para conseguir uma forma de entender melhor como explodir uma experiência na sala de laboratório. Tudo isso para deixar o cabelo das garotas de outra cor.
Não deu muito certo, pois acabei por pegar uma alergia horrível em minhas mãos, que ficaram laranja durante o resto dos dias daquela semana.
— Qual é a capital da Austrália? — desafiou com um olhar maligno.
Sorri maldosamente.
— Camberra — Respondi.
— Com quantos anos Obama foi eleito?
— 47.
— O que é geometria analítica? — fingi uma cara de medo.
— Merda professora, essa é difícil —falei, e alguns sorriram incluindo a professora. Gargalhei alto jogando-me espalhada na cadeira — Sonhem idiotas — zombei tirando o sorriso de todos do rosto e respondi olhando fixamente a professora — É o estudo da geometria por meio de um sistema de coordenadas e dos princípios da álgebra e da análise. Ela contrasta com a abordagem sintética da geometria euclidiana, em que certas noções geométricas são consideradas primitivas.
Acho que as perguntas acabaram, pois a velha me olhava quieta e batucando os dedos na mesa.
— Espera, como você sabe tudo isso se só fica riscando a mesa enquanto os professores estão dando aula? — Lisa foi quem perguntou, e eu na mesma hora fiz careta.
— Não é só porque não olho para frente, que quer dizer que não escuto, igual você e suas cachorrinhas — Menti, mas ninguém precisava saber que eu tinha dado muita sorte. Vai que aquela velha volta a fazer perguntas. Tenho certeza que as próximas eu não iria saber.
— Parem com isso já! — mandou a professora Erin quando o fuzuê começou — Senhorita Jodie, por mais que eu esteja admirada com sua inteligência, peço que seja mais educada com sua colega — virei os olhos e me encostei na cadeira bufando.
— Por que seria? E ela não é minha colega.
— Como se eu quisesse ser colega de uma selvagem como você — Mirei ela sem esconder minha fúria.
— Oh, sim, eu sou selvagem, tanto quanto feia, horrível, esquisita e humm... Quer me ajudar a achar mais palavras para me insultar? — perguntei ironicamente, mas a garota sorriu sínica e falou.
— Com todo o prazer — Ela levantou os dedos e começou a contar— Tosca, imbecil, ignorante, vadia, pretensiosa, vaca, infeliz.... — Agora ela estava indo longe demais, e não pensei duas vezes e fiquei de pé para ir socar de novo nariz daquela loira de farmácia.
— Quero ver quem é a vadia aqui seu projetinho de loira aguada — A turma se agitou e Liam me segurou — Eu posso ser tudo o que disse, mas quer ver o que consigo fazer só com uma mão? — enquanto eu perguntava também ia até ela, Lisa se levantou para correr.
Liam me puxou pelo braço e murmurou um “Calma” para mim.
Fácil pra ele falar.
— Parem. — disse a professora — Exijo modos durante a minha aula.
— Não tive aula de boas maneiras para ser educada— censurei sem olhá-la, mas sabia como seu rosto estava vermelho de raiva.
— Legal, tinha falar isso? — murmurou Liam passando a mão para minhas costa.
Seria errado dizer que eu estava gostando dele tão próximo de mim?
— Isso é o bastante Eli…
— NÃO! — Mas que merda, porque esse povo sempre quer falar meu nome? — Me chama de Jodie por favor — A sala começou a rir.
— E ai brigona, quando vai nos falar seu nome? — Perguntou um dos garotos do time.
— Nunca — respondi.
— Não me interessa se querem ou não saber seu nome, apenas quero que você e a senhorita Packer sigam para a secretaria.
— Mas professora eu nã… — Lisa começou, mas a professora colocou a mão em frente a seu rosto.
— Não quero mais conversa, as duas para fora — Lisa bufou e pegou seus materiais.
Eu me virei e comecei a fazer o mesmo.
— Me espera na saída, Eloise vai vir com a prima dela — Liam falou e eu assenti colocando a bolsa no ombro.
— Beleza, até mais novato — falei e quando ele fez careta eu andei para fora da sala.
~*~
Obviamente eu não fui para secretaria como a professora mandou, acabei indo para biblioteca aproveitar meu tempo de paz. Ao chegar lá peguei um livro do meu autor favorito e coloquei os fones no ouvido, o rock começou enquanto eu rolava os olhos pelo livro lendo a mórbida historia chamada “O corvo.” Era tão interessante como as palavras desse cara me eram familiares, tudo tão triste e depressivo, e tudo que eu sentia. Uma coisa estranha, para uma garota estranha, perfeito!
Com certeza você deve achar que sou uma garota que fica se lamentando pelos cantos, mas não é como se eu fizesse de proposito, os pensamentos apenas vinham até mim sem consentimento. E apesar disso, eu prefiro descarregar minha raiva em algo que tenha carne e osso, é mais interessante do que lamentações. Não que fazer arte não seja legal, mas em fim, os dois conta.
“Com longo olhar escruto a sombra,
Que me amedronta, que me assombra,
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta:
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu como um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais.”
Olhei para a janela depois que li esse trecho. Era como se ele dissesse tudo que eu tinha dentro do peito, tudo o que mais queria me livrar. Uma, duas, três vezes, eu poderia contar, mas nunca me livraria de tal tormento, nunca me livraria do medo, da saudade, da ignorância, e sobre tudo… De Edgar.
Eu tinha conquistado meu lugar, e esse era o que mais me machucava. Mas quem liga? Devia levantar e continuar andando, não seria um idiota mais velho, — na verdade meu ”pai” — que queria me derrubar que iria fraquejar, e por minha mãe, toda vez que ganhasse um machucado, eu iria me ergue e seguir tentando ganhar minha liberdade, iria enfrentar quem quer queira me derrubar.
~*~
Vamos se dizer que eu meio que dormir em cima da mesa, levei um susto quando o sinal tocou anunciando o final das aulas. Bocejei alto e sai da biblioteca para seguir para fora do colégio, mas ao por o pé fora fechei a cara ao encontrar com Liam encostado na parede e Helen quase o beijando. Suas mãos estavam sobre o peito dele e tinha um sorriso enjoado no rosto, apertei os olhos vendo Liam rir de algo que ela tinha falado, uma de suas mãos estava na cintura de Helen.
Erg, eu quis vomitar, mas me contentei em chegar perto para estragar com o clima deles.
— Uau! Não é que a novata é rápida — falei atraindo a atenção deles. Liam parou de sorrir e fez Helen tirar as mãos de seu peito.
Essa me fez uma cara feia.
— O que quer dizer fofa? — perguntou, e dessa vez eu fiz careta.
— Me chama de “fofa” de novo, e eu corto sua língua fora — Liam riu, ela fechou a boca.
— Calma Jodie, ela só estava sendo simpática — falou e eu virei os olhos.
— Tenho cara de fofa por acaso? — Liam e sua peguete me olharam de cima a baixo.
— Não. — disseram juntos, eu assenti confirmando.
— Resposta correta — falei.
— Mas o que quer dizer com eu ser rápida? — perguntou ela se fingindo de ingênua.
— Ora, vai me dizer que não ficou babando a aula inteira em cima desse bastardo? — Helen corou, e Liam colocou a mão sobre os olhos balançando a cabeça.
— Eu-eu, não sei do que está falando— Ri alto.
— Oh claro, tanto que estava quase o beijando agora pouco, e aposto que quer levá-lo agora nesse exato momento para dentro de umas das salas, onde podem fazer o que quiser, apenas os dois, será que devo ser mais clara….
— Chega Jodie — Liam falou ficando ao meu lado e tampando minha boca para que eu não falasse mais nada. Debati-me contra ele — Estou indo Helen, nos falamos depois — O garoto começou a me puxar, mas Helen se colocou na nossa frente.
— Espera, mas você não vai me levar até em casa? — virei os olhos.
— Não vai dar Helen, nos falamos depois — Ele voltou a empurrar-me para outro lugar enquanto eu tentava chutá-lo.
— Amanhã, então? — A infeliz insistiu e eu já estava ficando entediada.
— TCHAU HELEN! — Liam gritou e voltou a me empurrar em direção a uma arvore bem afastada, nervosa dei uma mordida em sua mão.
— AI! — Ele gritou se afastando de mim — Porra Jodie, você me mordeu! — disse inconformado e sacudindo a mão.
Dei um sorriso macabro e ajeitei o coque no cabelo.
— Lógico, você não devia tampar minha boca enquanto estou falando — Ele fez careta.
— E você devia ficar quieta quando o assunto é sobre mim — Sorri olhando para unhas.
— Não sei porque, mas é tão legal te provocar — Ele bufou.
— Se você continuar fazendo isso vai se arrepender. — Ri.
— Não tenho medo de você — Ele me olhou desafiador.
— Sabia que uma garota não deve falar isso nunca para um garoto? — perguntou e eu franzi a testa.
— E por que não? — Ele sorriu se aproximando. Dei passos para trás.
Mas que merda ele estava fazendo?
— Isso faz com que o extinto de exibição dele suba, e digo que nesse momento estou aponto de provar que deve tomar cuidado comigo — Dei mais passos para trás, mas tive que parar ao bater na árvore.
Meus olhos encontram com os deles e eu engoli em seco.
— Já disse que não tenho medo, mas tocar em mim juro que chuto sua bunda sem nem pensar duas vezes — Ele riu e deixou a mochila cair no chão.
— Sabe, também não tenho medo de você, então acho que vou arriscar tocá-la aqui… — Ele tocou meu rosto, seus dedos me causaram um sentimento estranho, meu corpo todo se arrepiou, eu quis fechar os olhos, mas não pude, pois os olhos de Liam pareciam atentos para cada uma de minhas reações, e no momento que eu estremeci, esse idiota sorriu aproximando o rosto de mim.
— O-o que… está fazendo? — Porcaria, eu gaguejei, eu nunca gaguejo, pelo amor de Deus!
Ele sorriu e acariciou minha bochecha.
— Está tremendo doçura, será que isso é por minha causa? — Não, NUNCA! Ou talvez, sim… Merda, merda.
— Vai se foder — falei e antes que ele tivesse a chance de rir ou falar, eu subi meu joelho para cima e acertei bem nos seus filhos.
Ele caiu no chão gemendo e segurando aquela coisa que ficava no meio das pernas. Sorri prendendo o riso.
— V-você… me paga... Jodie! — falou apertando os olhos por causa da dor.
— Eu disse para não tocar em mim — falei apenas.
— Li?… O que foi? — Olhei para frente e encontrei Eloise e Harlow olhando Liam com as testa franzidas. Uma garota morena estava logo atrás olhando de longe. Bonita, mas que se dane, eu precisava de apenas mais uma menina para meu time.
— Ele deve estar com algumas partes dele doloridas, nada de mais — falei e andei até ela normalmente enquanto Liam continuava a proferir xingamentos — Então — disse olhando a garota morena de cima à baixo — Essa é sua prima?
Eloise e Harlow deixaram de olhar Liam e se viraram para mim, Lizze assentiu ficando perto da prima.
— Jodie, essa é Stefany. Stefany, essa Jodie — Avaliei a garota de cima à baixo olhando seu porte. Tinha muitas curvas, cabelos grandes e castanhos, pele morena, e um estilo legal. Usava maquiagem e era baixinha.
Sorri ao ver que pelo menos, ela não usava salto.
—— Olá Stefany— falei erguendo a mão e apertando a dela — Sabe jogar futebol?
Ela mordeu o lábio inferior.
— Na verdade não. Mas eu aprendo rápido, juro — falou e eu gostei de saber disso.
— Certo, quantos anos tem?
—— 17 -— Assenti e olhei para Liam que ainda parecia estar se recuperando do chute.
Ri e perguntei.
— Onde vamos treinar? — Ele fez careta ao levantar e respirou fundo antes de falar.
—— Na praça. Lá tem um campo de futebol — disse, e eu assenti virando-me para as meninas.
— Nos vemos daqui à uma hora na praça. Sem atrasos, pois não posso ficar tempo demais fora de casa, até lá — Me virei para ir embora e comecei a andar, mas assim que passei do lado de Liam, eu fui jogada contra o chão em um movimento rápido e quase não visível, fiquei sem ar no mesmo momento que bati as costas.
Liam se ergueu sobre mim sorrindo vitorioso.
— Isso foi pelo o chute — falou, e saiu andando enquanto eu ficava olhando para o céu, abasbacada, e com os olhares dos outros sobre mim.
Ele me derrubou. Liam conseguiu me derrubar!
Isso não ia ficar assim. Mas não ia mesmo!
Mas que merda estava havendo com minha vida? Ou melhor. O que estava havendo comigo?
~*~
Em casa, eu ainda tentava recuperar o pouco da dignidade que tinha contra meu amigo, saco de box. Eu fiquei muito contente por meu pai não estar em casa, pois eu estava com tanta… Erg! Sei lá o que eu tinha, só precisava, necessitava! bater em alguma coisa. Arranquei aquela roupa quente dos infernos ficando apenas de top e um chortinhos preto. Amarrei o cabelo e comecei o show.
Mandei um soco de direita contra o ar, joguei meu punho contra meu adversário invisível e grunhi introduzindo logo depois um soco de esquerda. Eu sentia meu sangue fervendo, estava por alguma razão, com muita raiva, e sabia que era tudo por causa dele.
Liam.
Garoto infeliz! Idiota, imbecil!
Ataquei com joelho meu oponente, depois braços, joelhos de novo, soco, joelhos, pés, soco direito e esquerdo, esquerdo e direito, sempre colocando força e agressão, meus ossos já pareciam sentir o enfeito daquilo, tudo estava dolorido, e eu não pude deixar de sorrir, pois como vocês sabem, eu amo me torturar, mas vamos pular essa parte chata e voltar ao meu treino.
Treinei com garra, ensaiei meus passos e meus ataques até ter a testa pingando de tanto suor, quando finalmente estava um pouco mais lucida e com menos raiva, encostei a testa contra o guarda roupa e respirei fundo, procurando um controle e também fôlego. Andy apareceu em meus pés e eu sorri.
Ela era a minha única amiga de verdade.
— Olá princesa, como vai seu dia? — Como resposta, a lagartixa subiu pela porta do guarda roupa tentando se esconder entre a abertura. Bufei — Acho que nosso dia foi horrível, então estamos quites — Ouvi meu celular apitar mostrando que alguém me ligava e bufei.
Devia ser Liam, aquele moleque insuportável.
Ajeitei-me corretamente nos pés e fui até onde estava meu celular. O peguei e coloquei no viva-voz.
— Quem é o filho da puta que me perturba? — perguntei enquanto jogava umas roupas sobre a cama.
Do outro lado da linha, ouvi a voz de Liam, como esperado.
— Está de mal humor marrentinha? — provocou ele e eu bufei mostrando o dedo para o celular.
Como se ele pudesse ver.
— Vai encher a paciência de outro novato — resmunguei.
Com as roupas em mão, peguei o celular e segui para o banheiro
— O que você quer agora?
— Eu e os garotos queríamos saber se podemos ver vocês treinando — fiz careta não gostando nada disso.
— O que está querendo? Sabotar nosso jogo? — perguntei desconfiada e ele fez um ruído de indignação fingido.
— O que? Acha mesmo que nós vamos fazer algo tão baixo? — virei os olhos e comecei a me despir.
— Claro. Não sou burra — Ele riu.
— Relaxa Srta. Desconfiada. Não vamos fazer nada, só olhar se você leva jeito mesmo com o futebol.
Oh. O pobrezinho estava duvidando de mim. Como é iludido senhor.
— Filhinho, eu não sou boa — falei e entrei de baixo do chuveiro depois de lig-lo — Eu sou ótima -— Me gabei, e esperava que ele fosse retrucar dizendo que eu era uma metida e que dava de dez a zero em mim — O que NÃO era verdade — ou qualquer outra coisa, mas ele ficou estranhamente quieto, acho que se desligasse o chuveiro, poderia ouvir sua respiração.
— Hey. Morreu foi? — perguntei com a testa franzida. Do outro lado, ele limpou a garganta.
— Ah, foi mal. Eu só, bem… É, o que está fazendo? — Ergui a sobrancelha e encarei o celular em cima da pia.
— No momento? — perguntei fechando os olhos e enfiando a cabeça debaixo da água — Lavando meus cabelos, por que? — Mais silencio, que estranho — Você tá legal Liam?
— Sim. Mas, por que está lavando o cabelo se vai suar quando for jogar? — Perguntou, mesmo que sua voz tivesse meio longe.
— Ah, é que eu estava me aquecendo e fiquei suada… Eu não ia sair para rua assim, por mais desleixada que seja — Liam deu um risinho baixo.
— Você não é desleixada — falou e acrescentou — Então quer dizer que enquanto fala comigo, você está tomando banho? — Isso era meio obvio, não?
— Estou. Algum problema? Aliás, por que isso te interessa? — Agora ele gargalhou, tão alto que só não ri junto, para não passar por idiota.
— Ah, Jodie… Não faz ideia de como isso me interessa — disse, e não sei se foi a voz dele, ou o jeito que ele falou, mas minhas bochechas de repente queimaram. E só ai eu notei a porcaria que estava fazendo.
Estou tomando banho enquanto falo com um garoto na pré-adolescência, cheio de hormônios acumulados — pelo menos eu acho — Deus do céu, o menino devia está pensando em mim no…
PUTAQUEPARIU.
— Vou desligar Liam — avisei logo enquanto ia até a pia para pegar o celular.
— Ah. Por que? Vai se ensaboar agora? — perguntou risonho, essa pergunta fez-me arregalar os olhos e me apressar para pegar o aparelho, mas a burra aqui acabou pisando no pano molhado, e esse escorregou para frente levando meu pé junto. O que resultou em eu caindo no chão de bunda.
— PORRA! — Não deu para refrear a palavra, pois a única coisa que sentia era a dor que consumia meu lindo bumbum.
— Jodie! Jodie, o que foi? — Liam se exaltou do outro lado.
Xingando muito a mim mesmo, usei a parede para ficar de pé novamente.
—Nada… Vou desligar.
—O que? Mas que barulho foi esse? Por que você gritou? — Virei os olhos impaciente e bufei.
— Não aconteceu nada de mais Liam, agora tchau, preciso me trocar para sair antes de Edgar chegar.
— Mas… — Não permiti que ele concluísse a frase e desliguei o aparelho de uma vez.
Por alguma razão, eu me sentia um pouco estranha. Meu rosto estava quente e minhas mãos tremendo. E por mais que eu quisesse recusar-me, eu sentia que isso era por causa do novato.
Mas que diabos estava havendo comigo?!
~*~
Até que o campo que iriamos jogar era legal. Pensei enquanto aproximava-me da quadra que os garotos disseram que iriamos usar. Ela era grande e não tinha nenhum telhado. As traves tinham redes e o chão não tinha grama, não era perfeito, mas dava para o gasto.
Olhei para a direção das arquibancadas e encontrei as meninas, todas elas com chuteira, cabelos presos, shorts e regata — Andei até elas em passadas rápidas, e ao alcansá-las, todas me sorriram amigável. Erg.
— Ah, chegou bem na hora — disse Harlow olhando para o relógio no pulso.
Joguei minha mochila em cima do banco com a sobrancelha erguida.
— Eu nunca atraso — falei sincera.
—- Hey. Você vai jogar assim? —- perguntou a prima de Eloise me olhando de cima a baixo.
Franzi a testa e olhei para minhas roupas. Eu estava de chuteira, calça legging preta, e uma blusa de manga longa… também preta. Bem, eu sabia que essa não era uma roupa legal para se usar agora, mas como vocês sabem, eu não posso mostrar meu corpo por ai.
— Vou sim. Algum problema? — perguntei sem ser gentil e notei a menina estremecer.
— Oh, não. Só acho que está muito calor para você estar assim.
— Stefany tem razão Jodie — disse Eloise enquanto amarrava o cadarço do tênis — Vai passar mal com essa roupa.
— Eu vou ficar legal — garanti e arramei os cabelos em um rabo de cavalo — Bem, vamos acabar logo com isso…
— MENINAS! — Arregalei os olhos quando a peste chamada Jimmy pulou do nada ao meu lado como um fantasma.
— PUTAQUEPARIUGAROTO! — Berrei colocando a mão no coração. Ele começou a rir descontroladamente e as garotas fizeram o mesmo enquanto eu bufava de raiva — Vai assustar sua mãe, seu infeliz.
— Calma a e gatinha. Não fiz por mal — ele disse ainda rindo, e dessa vez mais risadas juntaram-se também. Virei, e encontrei o resto da gangue de idiotas.
— Oh, que lindo. O clube de babacas está completo — resmunguei jogando as mãos para o alto. Jonah e Jack riram e sentara-se cada um de um lado da Stefany. Liam se se encostava à parede e cruzava os braços e passava a me encarar. Deus, não podia olhá-lo. Droga!
— Quanto amor você tem por nós — zombou Jack sorrindo provocativo.
— E quem disse que amo vocês? — perguntei direta, e todos riram — Agora, já que estão aqui. Não nos atrapalhe. Meninas venham aqui — Chamei e elas trotaram até mim com sorrisinhos ansiosos, enquanto os curiosos ficavam sentados apenas nos observando com os mesmos sorrisos daquela pessoa que vai aprontar.
— Certo. Alguma de vocês já jogou pelo menos? — perguntei e de todas, a única que levanto a mão foi Harlow.
— Essa dai devia ter nascido moleque — Logo atrás, Jimmy murmurou.
Harlow se virou para ele com um olhar assassino.
— Calado, Jaime Nicholas Rory! — Jimmy fechou a cara, e eu não pude conter a gargalhada louca que subiu por minha garganta. Segurei na parede sem fôlego só repassando o nome de Jimmy.
— Ah não, me diga que seu nome não é Jaime — pedi entre risos e fui acompanhada pelos outros.
Jimmy levantou-se do banco com o semblante nervoso.
— E o que a de errado com meu nome? — perguntou, e eu limpei as lagrimas dos olhos.
— O que não à de errado com seu nome, você quer dizer — corrigi — Esse nome é de garota — Jimmy bufou e jogou as mãos para o alto irritado. Logo depois apontou para Harlow ameaçadoramente.
— Você me paga! — disse e a menina riu.
— Oh, estou morrendo de medo fofa— provocou e eu ri mais.
— Vou te mostrar quem é fofa — ameaçou ele com um olhar perigoso. Liam, que até agora não fizera nada a não ser rir, chegou perto do amigo e lhe apertou o ombro.
— Se conforme companheiro. Seu nome não é muito legal — O cara ficou vermelho, sério. Depois só percebi que ele jogou o cotovelo com tudo para trás e acertou Liam no estômago. Esse agachou gemendo e xingando o lourinho.
— Vai se foder — resmungou ele e o restante riu.
— Mas e ai. O jogo vai começar ou não? — Jack perguntou ignorando os idiotas que se xingavam, e subiu no banco.
Virei os olhos e voltei a minha atenção para meu time.
— Certo. Eloise e Stefany, você não sabem mesmo nada? — perguntei pelo menos um pouco esperançosa, mas as duas negaram. Bufei e andei até um armarinho que tinha ali. Peguei a bola de futebol dela e girei-a no dedo.
— Vamos para o campo macacas — falei e marchei até a quadra com meu time me seguindo.
Os meninos tomaram os seus lugares nas arquibancadas enquanto discutiam sobre algo. Seus olhares duvidosos em cima de mim era comediante, eu sabia que nenhum deles botava fé de que eu conseguiria jogar, mas em breve eles quebrariam a cara só de ver o que eu era capaz de fazer.
— Primeiro; Futebol é normalmente associado ao esquema táctico utilizado, podendo se dividir em 4 posições base: Guarda-Redes ou Goleiro se preferirem, que como devem saber, defende o gol. A Defesa, mais conhecido como Zagueiro, dependendo da formação podem ser vários, ocupa a região da grande área defensiva. Os Laterais são jogadores que actuam pelas laterais do campo e assim estabelecendo a ligação entre a defesa e o meio-de-campo. Geralmente o numero 2 e 6 são os escolhidos para esta posição, mas como somos apenas em quatro, teremos que dar o sangue para pegar a maldita bola daqueles infelizes — Elas riram, e ao fundo pude ouvir os meninos fazerem o mesmo — Harlow, você fica aqui — Posicionei a menina em um canto perto do gol — Você, sendo a Líbero, tem a função de jogar atrás da linha dos centrais. Sem a posse da bola, joga como zagueiro e sua principal função é defender.
— Certo. Entendi — falou assentindo. Suspirei e olhei para as mãos dela.
Fiz careta.
— Hmm. Só um instante — falei e corri até os bancos novamente. Peguei minha mochila e tirei de lá umas luvas para o goleiro. Voltei para o lado de Harlow e entreguei para ela.
— Aqui, coloque isso ou vai foder com suas mãos — Ela arregalou os olhos, mas eu fingi que não tinha visto e virei-me para as outras — Vocês vão jogar comigo, tentar a todo custo seguir meus passos e fazer gol na hora, e de forma certa.
— E como fazemos isso? Nem chutar uma bola eu sei — reclamou Eloise me fazendo perceber a encrenca que estava me metendo. Do outro lado campo, Liam gritou risonho.
— AINDA PODE DESISTIR, JODIE! — Apertei os olhos para ele, e como resposta mostrei o dedo do meio.
Ele sorriu enquanto Jonah, Jimmy e Jack riam dele.
— Vou mostra como se joga. Só não percam nada, não é difícil, mas precisam estar atentas.
Fui para o frente do gol com a bola na mão, depois a posicionei no chão bem paradinha. Olhei para a rede que tinha em minha frente, fixamente, foquei apenas nela e em mais ninguém. Afastei-me uns passo para trás e…
— GOLLLLL! — O todo exagerado do Jack berrou enquanto chacoalhava Jonah para frente e para trás como um louco.
Dei um meio sorriso e virei-me para as meninas.
— Pegaram? — Eloise fez careta, mas Stefany sorriu.
— Acho que eu peguei — disse. Pedi para Harlow trazer a bola de volta e a coloquei onde estava antes.
— Legal. Então tente — falei me afastando.
A morena foi nervosamente para trás da bola e encarou o gol. Ficou lá por um bom tempo sem fazer nada, mas depois começou a dar distancia para chutar, porém eu interrompi.
— Opa, espera. Você estava indo bem, mas uma coisa — Me aproximei dela — Nunca chute a bola com a ponta do pé, isso pode deixá-la sem dedo, provocar uma torção, ou até mesmo uma fratura ao cair.
— E então como faço?
— Assim, veja… Afasta, corre um pouco, e quando estiver prestes a chutar, você entorta o pé só um pouquinho para o lado e chuta — Chutei a bola de novo, e essa foi novamente para dentro do gol sem o mínimo esforço. A garota sorriu assentindo.
Permiti que ela tentasse de novo, e ela quase com seguiu. A bola acabou batendo na trave, mas até que foi bem para começo. Depois de cinco tentativas, ela acertou e comemorou, dando o lugar para Harlow tentar a sorte. Essa era uma das minhas, acertou na segunda tentativa deixando um certo Jaime muito bravinho.
A que me deu mais trabalho foi Eloise, pois ela foi me informar de última hora que não enxergava de longe. Eu só não pulei em seu pescoço por que precisava dela para ganhar aquela porra.
Passei duas incontáveis horas ensinando, explicando as táticas do jogo, as posições, o que devia e o que não devia fazer. Depois demos uma pausa para água, onde comecei a falar sobre a tarefa do juiz. Elas ficaram confusas no começo, mas depois pegaram o que explicava. Os mauricinhos que assistiam tinham a cara totalmente espantada, pareciam inconformados com minha facilidade em falar e jogar futebol.
Não me importava com opinião deles, estava mais interessada em ir para casa arrancar aquela roupa quente. Estava cozinhando dentro dela.
— Vamos treinar de novo na próxima sexta — Avisei enfiando minhas coisas de volta na mochila. Eloise, que estava largada no chão como uma mendiga, falou.
— Ótimo… Sexta… Não sei se sobrevivo a tanto — Virei os olhos com o exagero.
— Nem treinamos tanto para estar assim — falei e pendurei a mochila no ombro.
—Sim, mas estamos cansadas e doloridas — disse Harlow deitada no banco e com a blusa levantada, sua pequena cintura estava à mostra, e me impressionei com quão magra ela era.
Ergui a sobrancelha para as outras duas notando também, suas camisetas levantas como se a qualquer momento fossem parar no chão. E nossa. Todas eram lindas.
— Vão se acostumar — garanti e nesse momento o grupinho fuxigueiro de idiotas apareceu.
— Caramba, que visão mais inspiradora — Jonah falou com os olhos pregados em Eloise, tal essa o ignorou totalmente.
— Vai se ferrar Graham! — falou depois de respirar varias vezes.
Sorri de lado divertida.
— Graham? O que os pais de vocês tem na cabeça para colocar nomes em vocês tão… Peculiares? — Jonah sorriu e deu de ombro.
— Não sei, também queria saber.
— Como é seu nome inteiro? — quis saber só para poder zoar, mas ele parecia não se importar.
—Jonathon William Graham — falou franzindo a testa.
— Hmm. Não é tão ruim quanto o do Jaime — Ao falar eu afinei a voz e cutuquei o loirinho, provocativa. Ele apertou os olhos para mim e bateu em minha mão.
Rimos.
— Sai fora garota. Não quero papo contigo — disse como uma criança birrenta.
Sorri.
— Olha só, o menino de vocês está fugindo de uma garota — Harlow brincou olhando Jimmy com um sorrisinho maldoso.
Jack gargalhou alto.
— Mas que porra é essa Jimmy? Fugindo de garotas pô — zoou ele também, e o loiro só faltava socar alguém.
— Vão comer alguma puta, todos vocês — rosnou ele.
— Uuuh. Ele ficou bravinho — cutucou Harlow ficando de pé em cima do banco.
— Cala essa boca nanica, ou eu mesmo vou fazer isso — E mais uma vez, a mais nova começou a rir igual uma condenada.
— Ahaha. Primeiro. Nanica é sua mãe, e segundo… Até parece que consegue me pegar, borboleta — duvidou ela.
Jimmy já ia para cima dela, mas Liam e Jonah o seguraram, e eu — automaticamente — fiquei na frente de Harlow para defendê-la de qualquer coisa.
—— Abaixa a bola gatinho — Stefany disse empurrando o garoto para trás e Eloise ajudou.
— Abaixar a bola o caramba. Essa garota esta merecendo uma lição. Essa praga vive me provocando — O cara estava mesmo nervoso, seus olhos nunca se desviavam da menina em cima do banco. Olhei de um para outro, e de repente, soube o que iria fazer.
Bufei e joguei a bolsa no chão.
— Legal. Querem se atracar? — perguntei, e com brutalidade, fiz os meninos e as meninas soltarem Jimmy — Vão em frente.
— O que?
Os dois lesados que estavam brigando me olharam com a sobrancelha erguida.
— E então? Estou esperando, aliás. Onde posso marcar os pontos de cada um? —fingi procurar por uma lousa distraidamente.
— O que está fazendo? — Liam sussurrou em meu ouvido, e juro que senti os pelos da minha nunca se eriçar.
— Observe — sussurrei de volta — Vão logo, acabem com isso.
— Você quer que ele me bata? — perguntou Harlow surpresa.
— Quero! — Confirmei, e a garota arregalou os olhos.
— Sério? — Jimmy foi quem falou agora, e não estava mais bravo ou vermelho. Sorri para ele.
— Sim. Por que? Não era isso que ia fazer quando nós te impedimos? — Ele fez careta e olhou para Harlow.
Bufou rendido.
— Não foi exatamente isso, eu só ia assustá-la um pouco.
— Por que quer que ele bata em mim? — Ela ainda estava pasma com o que eu disse. Virei os olhos cansados, com calor de mais para explicar.
— Okay. Já chega. Eu só fiz isso porque sabia que nenhum nem outro teriam coragem de se baterem, e mesmo que fizessem. Eu daria uma surra nos dois que nunca esqueceriam — Agora os dois sorriam e assentiram em entendimento — Agora por favor, parem com essa merda. Harlow, se você quiser irritar o loirinho, sugiro que tome mais cuidado com as palavras, pois pode um dia se arrepender de tê-las dito — peguei a mochila do chão novamente — E Jimmy, se não gosta que te chamem de gay, você podia provar da forma mais infalível que existe de que não é — ele se aproximou interessado.
—E qual seria essa? — sorri maliciosa e olhei para Harlow.
— Se ela, ou qualquer outra menina não calar a boca ou te chamar de gay, simplesmente cale a boca dela — Atrás de mim, Liam soltou uma risadinha enquanto Jimmy tentava entender.
— Você ainda não falou o que devo fazer para calar a boca delas — Ô santa paciência. Cadê a inteligência desses meninos de hoje em dia?
— Ela esta sugerindo que você agarre a agarota, seu imbecil— Jonah explicou rindo e transferindo um tapa na cabeça de Jaime.
— Ah! — falou, e olhou para Harlow com um sorriso torto. Ela corou muuuuito, e depois não falou nada, só pulou do banco e saiu correndo para fora do campo.
Todos caíram no chão depois de tanto rir dessa cena. E eu aproveitei a chance de que eles estavam distraídos, e me mandei também, pois se chegasse tarde em casa, ia dar em merda. Ah se ia.
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