Believe In Me

41 Capitulo 41 — Michelle/ Mitchie


Notas iniciais
Hey pessoal, primeiramente quero pedir desculpas por não ter postado ontem. Tenho passado por uns problemas familiares e ta difícil até dormir direito. Sinto muito okay. Espero que o cap de hoje toque o coração de vcs, pois o meu tocou. Obrigada, e boa leitura ♥

Pela quinta vez, eu olhei em volta da sala desconfortável fechando e abrindo as mãos enquanto assistia Ethan zanzar pela casa, com o celular no ouvido. Ele não estava nada satisfeito comigo, e eu também não estava lá para tentar adulá-lo ou para pedir desculpas por ter fugido de Amara e Carter. Ainda me sentia mal por toda aquela mentira, e não conseguia olhar nos olhos dele nem que por um instante.

— Aqui — Tirei os olhos do advogado nervoso quando Liam abaixou-se na minha frente. Ele tinha tiras de bandagem e pomada. Continuei sem emitir palavras quando ele pegou meus braços para verificar o tamanho das feridas, seu desgosto evidente por toda face — Mitchie será que dá para andar mais depressa? — Ele gritou impaciente. Dois segundos depois Michelle apareceu na sala com uma bacia pequena de água e os cabelos ruivos presos no topo da cabeça.

Eu ainda não conseguia parar de olhá-la, era tão fascinante a forma como se parecia com Marissa. Era como se pudesse matar a saudade do rosto de minha querida mãe.

— Prontinho — Ela ajoelhou-se ao lado de Liam e colocou a bacia no chão. O novato mergulhou um pano na água quente e passou pelos machucados, livrando-me do sangue seco. Não abri a boca para falar nada, mas percebi os olhos da garota percorrendo uma lenta subida até meus ombros, franzindo o cenho com preocupação e curiosidade.

— Pode perguntar — falei suavemente. Os olhos azuis idênticos aos meus focaram em meu rosto, envergonhada por ser pega olhando. Acenei coma cabeça — Sei que está louca para perguntar alguma coisa. Vá em frente — Mitchie piscou cheia de duvidas, mas finalmente falou.

— O que aconteceu com você? — Ela voltou a fitar meus braços — Isso foi...

— Sim — respondi antes que perdesse a coragem. Observei a mão do novato ir e vir enquanto cuidava de minhas novas feridas — Foi Edgar. — Surpreendentemente, a menina praguejou, e quando a olhei, fiquei pasma com seu rosto se avermelhando, quase que ficando como seu lindo cabelo cor de fogo.

— Aquele bastardo bateu em você?! — Esbravejou. Eu sorri, já Liam e Ethan na mesma hora viraram-se para ela com expressões severas.

— Eu estou bem aqui Michelle — relembrou Ethan, aparecendo no campo de visão da filha adotiva — Já disse que não gosto que fale dessa forma. — Ergui uma sobrancelha quando a menina deu de ombros, e respondeu:

— Eu prometi que ia me comportar, mas deixei claro que quando se trata do meu pai, eu nunca ficaria quieta ou me comportaria — Orgulho envolveu meu coração com força, trazendo lágrimas para a beirada de meus olhos, mas as prendi, abaixando a cabeça para que ninguém percebesse. O toque que veio em minha bochecha me surpreendeu. Tanto que me afastei.

Os olhos de Liam se entristeceram ao ver a forma ferida que eu me encontrava, e por segundos eu permaneci daquele jeito, isso até recusar a fraqueza e desviar os olhos. Ficando fria novamente.

— Amara está chegando e Carter está com ela — Ethan anunciou com as mãos no quadril enquanto me olhava com repreensão — O que disse para ela? — questionou, ele foi tão duro ao perguntar, que Liam lhe mandou um olhar nervoso e segurou minha mão. Afastei-a assim que pude não aceitando sua proteção. O que o fez deixar os ombros caírem em decepção.

— Disse a verdade — respondi normalmente. Eu não tinha medo de Ethan, e ele sabia disso, e devia ser por isso que estava tão irritado ao me perfurar com seu olhar verde-intenso.

— Ela estava estranha — cerrou os olhos — Eu a conheço e parecia... — A raiva deu lugar à outra coisa, e eu pude sentir o medo em sua voz ao dizer: — quebrada — Desviei o olhar, odiando essa palavra até mais que Edgar, pois ela queria dizer o pior, e pela segunda vez, eu era a culpada por “Quebrar” um Corey.

— Jodie, o que falou para ela? — Ethan ficou mais impaciente. Sob seu olhar nervoso, me levantei para caminhar para fora da casa, farta de toda aquela confusão. Eu queria ir embora e ficar para sempre em baixo dos cobertores, onde poderia me esconder.

Meu braço foi segurado e puxado sem aviso. Eu colidi contra o peito de Ethan com os olhos arregalados.

— Pai! — Liam rosnou ao mesmo tempo em que Mitchie gritou. Ambos se colocando de pé enquanto eu encarava as íris esverdeadas de Ethan. — Solte, ela!

— Diga-me menina. — Ethan ignorou o grunhido do filho — Eu não tenho paciência para joguinhos quando se trata da minha família. Da minha esposa. — As mãos em meus braços não faziam contusões e não machucavam o suficiente para que lágrimas inundassem meus olhos. Por isso apenas me aproximei de seu rosto bonito e falei, o mais fria possível.

— Disse que será culpa dela — Minha voz ficou tão afiada quanto uma lamina de um inimigo — Disse que vocês serão os culpados. E eu não vou recuar com essas palavras. Pois eu sei que você entende o que fizeram — Ethan não me soltou e ele continuou a encarar, e soube que ele andava numa corda bamba ao controlar a própria fúria.

— Fizemos por você! — disse a contra gosto. Minha cara não foi das melhores.

Eu, não importava — falei entre dentes — Eu passei o inferno ao lado de Edgar, minha mãe teve de se separar de Michelle para protegê-la, para no final ela acabar no mesmo perigo de sempre. Eu pedi... não, na verdade eu implorei para Linnea falar com a nova família dela, pedi para se mudarem... e no final das contas vocês sempre estavam ao meu lado — Puxei meu braço, a revolta correndo em minhas veias ao olhar para Liam do outro lado da sala. Fiquei mal por vê-lo amparar Micthie, que tinha os olhos abertos tão grandes que me senti culpada por estar soltando tudo tão rápido.

— Agora eu entendo — murmurei, olhando o novato me observar — Agora sei por que meu pai queria saber tudo sobre você quando estávamos de castigo e porque quis tanto que eu voltasse para o colégio — O cenho dele franziu, e então a compreensão o fez suspirar e fechar os olhos — Claro que ele descobriria onde você estudava e se aproveitaria do nosso tempo juntos para saber de Michelle... Ele só precisava saber onde você morava e...

— Ele está vindo me pegar?! — Mitchie se encolheu no abraço de Liam, fazendo-o abraçá-la com força.

— Não vai acontecer nada — falou, e tinha a mesma convicção de Amara ao dizer que protegeria a filha — Jodie, vamos falar disso outra hora... — interrompendo-o, eu fingi uma risada, carregada com meu próprio desgosto.

— Outra hora — debochei — Será que temos mais alguma hora? Eu aposto uma nota que meu pai está lá fora apenas esperando eu sair com Michelle... Bem que eu estranhei ele não ter me pego no dia em que nos encontramos. Ele só não me atacou, porque queria pegar dois patinhos com uma cajadada só — Esfreguei o rosto, sentindo minha cabeça pulsar — E agora eu não sei o que fazer. — Virei-me, esfregando os braços enquanto tentava pensar em algo para aparar aquela confusão. Mas não era como se visse alguma saída. Estava tudo acabado.

O toque que veio em meu braço ao me sentir pequena, fez-me virar o rosto e encarar a pessoa ao meu lado. Michelle ou Micthie, tinha seus olhos azuis cristalinos presos em mim com a força de uma leoa.

— Vai dar tudo certo Beth. — Encorajou, e deu um sorriso grande — Eu não tenho medo de Edgar — Meu coração se apertou tanto a olhando daquela forma, que quase a puxei para um abraço, no entanto não o fiz. Apenas disse:

— Você não sabe como ele é querida — Tentei ser o mais suave possível — Ter medo dele é uma coisa inteligente a se fazer — O sorriso dela diminuiu aos poucos e ela olhou para seus pés.

— Eu não entendo — chacoalhou a cabeça e seus fios ruivos caíram do elástico — Por que ele faz isso? Fizemos alguma coisa de ruim? Nossa mãe fez? Por que ele nos odeia tanto? — Engoli em seco, observando-a e encarando a pergunta que sempre tive de aguentar se multiplicando diante de meus olhos.

— Eu não sei — sussurrei. — Não sei mesmo — Micthie pareceu entender minha frustração, porque a forma que ela encarou colocou as cartas de tristeza na mesa, e pela primeira vez em minha vida, eu quis que não tivesse conhecido minha irmã, não daquele jeito pelo menos. — Me desculpe Michelle, mas... — chacoalhei a cabeça — Preciso ficar sozinha — E antes que qualquer um protestasse, virei-me segurando a mochila com força e corri para fora da casa, ignorando o chamado da menina e de Ethan, ignorando o grito cheio de medo de Liam. Eu apenas saí e passei a andar para longe deles.

Caminhando, meus ombros ficaram tensos, meus molares se apertaram, e por uma fração de segundo não sabia o quanto mais poderia aguentar. Estava realmente precisando de uma das várias bebidas horríveis que Edgar engolia a seco, a ideia de manter-me no vazio da embriagues por apenas uns minutos era tentadora.

Profundamente dentro de minha pele, em meu centro, o meu fio interno começou a vibrar. Era o tipo de coisa que já estava intimamente familiarizada pelo tempo que passei antes da minha fuga de casa. Foi um choque total. Não tinha tido esta sensação depois que Liam e os amigos tivessem aparecido, e seu retorno era... Outra fatia do “Me Foda”.

Lágrimas escorreram por meus olhos, fazendo com que a fonte de luz do sol brilhante vacilasse.

Como eu desejava estar com minha mãe agora.

— Jodie — senti as pontas dos dedos formigarem de raiva ao som da voz logo atrás. Por longos minutos permaneci parada ao meio da rua, e quando finalmente dei meia volta, meus olhos encontraram os olhos dele, e eu quis gritar até meu intestino se romper, o suor encharcando minhas sobrancelhas.

Apertei as mãos em punho em uma tentativa falha de controle, e com um som entrecortado, falei:

— Eu disse que queria ficar sozinha — Ele deixou a cabeça pender para trás, e soltou um suspiro pesado enquanto enterrava os dedos contra os cabelos.

— Jodie, por favor — Ele pareceu tão cansado ao pedir — Tente nos entender.

— Não quero entender nada agora Liam. Eu acabei de encontrar com minha irmã e minha cabeça está rodando. Quero ficar só — Ele não estava gostando, e a decepção aparente em seus olhos me fazia quase fraquejar.

— Deixe-me levá-la para casa pelo menos. Você não pode ficar andando por...

— Liam — O interrompi o mais séria possível — Nos falamos depois. Se preocupe em cuidar de Michelle e não cuidar de mim. — Eu estava farta de falar isso, e ao mesmo tempo em que estava farta eu também estava angustiada para fugir. Correr para longe dele para que pudesse pensar direito, para que pudesse ficar no silêncio e descansar um pouco.

Achando que poderia sufocar de repente, deixei de olhá-lo e passei a me afastar, a mão esfregando o peito a todo instante, mas não é como se eu tivesse conseguindo uma longa distancia dele, pois acho que foi com poucos passos que ele conseguiu chegar a mim tão rápido e me pegar por trás.

— Mesmo que nada funcione para fazê-la me perdoar, lembre-se — Apertei os lábios cerrados quando ele beijou meu pescoço — Eu te amo. Amo você Jodie, e eu não quero perdê-la. — Ah, aquelas palavras, deixavam-me tão estranha que pude sentir todo meu corpo corresponder enquanto virava-me para ele. Era como se o vento me levasse e nos mantesse colados. E eu queria permanecer ali, queria descansar ali mais do que nunca.

— Não complique — murmurei quando sua testa tocou a minha — Por favor, não complique. — E sustentando-me ao máximo possível, dei passos para trás até que estava longe de seu toque e seu cheiro. Eu o deixei e segui pela rua estreita enquanto tentava em vão, arranjar algum conforto no meio de minha cascata partida ao meio.

O mundo pareceu ficar silencioso a cada passo mais distante dele, o vento que ia se esfriando acertava meu rosto enquanto o sol partia para dar lugar a grande e majestosa lua. Eu não podia compreender como conseguia andar sem derramar lágrimas, pois me sentia tão machucada que era até mesmo possível sentir a perda das minhas forças. Pensei se era isso que Marissa sentia quando via seu marido ferindo-a de tantas formas, pensei se em algum instante da vida dela, ela parou para realmente sucumbir à dor que tudo aquilo fazia ao seu coração.

Fechando os olhos, uma memoria esquecida e quase apagada, me fez suspirar em tristeza. Era Marissa em seus dias ruins, quando estava doente e preste a morrer, e a lembrança de seu rosto pálido e sem vida fez com que mais uma punhalada acertasse em cheio ao meu peito.

Cuidado quando se trata de amor, ela dissera naquele dia cansativo, eu o tive da forma errada e me esqueci o que ele significava. Essa foi minha ilusão, meu erro.

— Oh, mamãe — gemi. Tinha sido tão descuidada mesmo depois de seu aviso. Permiti que alguém entrasse e agora Michelle receberia a culpa em suas costas. Mesmo depois de tantos anos tentando protege-la, guardá-la como Marissa havia feito. Não consegui protegê-la.

Como andar sabendo disso? Como seguir? Eram perguntas que eu não podia decifrar, mas que de alguma forma, me fazia ficar atenta, e até mesmo arranjar força. E acho que foi a partir dessa força, que eu pude continuar caminhando pelas aquelas ruas escuras e vazias, o silêncio me rondando como desejava há poucos instantes antes.

Era bom, seguir o nada até sentir o calejar dos dedos começarem a incomodar, e eu não pararia de andar, se não fosse por perceber a onde havia ido parar.

O chão pareceu tremer de baixo de meus pés cansados enquanto subia os degraus da fachada de minha antiga casa. Ela estava escura, não havia nenhum sinal de que algum dia, ela foi moradia de alguém. Toquei a porta velha de madeira marrom e respirei, suportando, aguentando a preção que era estar novamente ali. Ninguém nunca ouviu meus apelos, minhas lágrimas derramadas no chão daquela casa abandonada. Ninguém veio ajudar quando Marissa enfrentava o homem que um dia foi tudo e muito mais em sua vida. Olhar os cantos de onde eu morava e sua tristeza, fez-me ficar fria novamente, as mãos apertadas em punho enquanto dava voltas em meio a sala destruída, que provavelmente fora obra de Edgar ao descobrir de minha fuga.

Sua fúria o levou a arruinar o sofá, quebrar a televisão e colocar a cozinha abaixo. Meu quarto ainda tinha a porta arrombada e a cama estava revirada, assim como o colchão estava em frangalhos. Os destroços do meu antigo guarda-roupa se encontravam espalhados pelo chão cheios de cacos de garrafas e madeira.

Engolindo seco abaixei-me em meio à destruição e me arrastei até a caixa na qual Andy ficava, mas não a encontrei lá. De joelhos ali, era como ver meus pesadelos novamente tornarem reais e vivos, e o problema era que não podia afastá-los, pois o único que um dia foi capaz de afasta-los, fora o garoto que eu havia deixado plantado ao meio da rua horas mais cedo. Ele não estava ali para me acolher, e no meio da escuridão da noite, tudo que pude fazer foi sentar e me encolher. Eu queria ser forte como achava que era, mas não podia, pois minhas barreiras tinham caído no momento em que Michelle ficou de frente para mim e me chamou de Beth. Parei então para raciocinar no sentimento de dor que senti ali, depois em como compreendi que realmente amava Liam Corey e que esse fato só fazia tudo mais doloroso que o normal.

Estava dividida entre aceitar e recusar, e todo o meu ser queria dizer “Sim” para o sentimento desconhecido, mas minha cabeça recusava e chacoalhava em uma recusa desesperada, era como se todos os meus sentimentos estivesse em uma confusão anormal. Eu o queria, mas também não podia me deixar tê-lo. Como aquilo era possível? Faltava alguma coisa para encaixar, mas o que?

Com certeza o empenho para encontrar uma resposta tirou todas minhas forças, pois aos poucos meus olhos foram se fechando, e sem perceber, o sono veio até mim como uma cortina escura, me levando para tão longe que nem os sonhos ruins puderam me perturbar.

Quando acordei, não ouvia nada além dos pássaros cantando fora da casa. Eu não precisei olhar em volta para lembrar onde estava. Tudo que fiz foi suspirar, e ao esfregar o rosto com as mãos, percebi a trilha de lágrimas secas que havia em minhas bochechas, o que deixava claro que eu havia chorado enquanto dormia. Pela janela pude ver o céu clareando novamente e sol dando novamente as caras.

— Mais um dia — sussurrei cansada. E tomando forças, me coloquei de pé, e caminhei para saída, deixando a casa sem sequer um olhar para trás.

Cambaleante, andei de volta para a casa de Linnea, mesmo que essa opção me fizesse fechar os punhos em uma hesitação descomunal. Eu não queria voltar, porque no final das contas, Linnea ainda tinha mentindo, mas não era como se eu não fosse parte culpada de isso acontecer.

Eu sabia que tinha recusado saber de Michelle, mas o caso era que ela permitiu que eu continuasse com a ilusão de que minha irmã estava segura. Isso. Eu não podia perdoar.

Mas claro que nada ia ser tão fácil. Percebi isso assim que vi o carro do delegado Richard estacionado logo a frente da casa de Linnea e Carter. Mais afastado estava o ônix de Ethan quase sobre a calçada, o que me fazia perceber como o dia seria uma merda hoje.

— Porcaria — praguejei.

Não me dei à chance de hesitar, apenas segurei a maçaneta da porta e entrei. As vozes que vinham da sala eram exaltadas e desesperadas, eu nem mesmo tinha chegado perto e podia sentir a camada de energia ruim vir de encontro a mim.

Porque merda ainda estou fazendo o que pede? Jodie está lá fora sozinha faz horas! E seu pai louco está procurando por ela! Entende isso pai?! — Encostei-me contra parede, ouvindo os grunhidos laçados de Liam para o senhor Corey. Mais ao fundo, pude ouvir ruídos contraídos de choramingo.

Pense direito garoto. Edgar a quer, mas você também está na lista, então tente se manter a salvo até descobrimos o que fazer...

Até descobrimos?! Ao inferno com isso delegado. Não vou ficar parado enquanto Jodie está correndo perigo...

Liam, por favor. Vamos ter calma, as buscas já foram expandidas e vamos encontrá-la — Fiquei meio receosa quando Amara falou, mas não porque ainda sentia raiva dela, mas sim porque a forma que ela falou me fez perceber que ainda não estava totalmente bem depois da nossa conversa.

Desculpe Amara, mas dessa vez eu vou concordar com seu filho — Carter falou pela primeira vez, duro — Eu vou atrás de Jodie, e vocês não vão me impedir. Não mais. — Suspirei quando os passos se aproximando da saída soaram. Apertando as mãos, saí do meu esconderijo bem a tempo de ficar na frente de um Carter quase insano. Seus olhos estavam mais escuros que o normal e os cabelos bagunçados o deixavam diferente, e eu com certeza não gostava de como a raiva ameaçava tomar sua feição. O alivio que apareceu ali quando me viu, surpreendeu-me terrivelmente.

— Oh, Jodie. Graças a Deus — Ele se aproximou, tomando meu rosto em suas mãos, para em seguida começara me revistar com dedos desesperados. — Você está bem? Machucada? — A afeição que saía de suas palavras enquanto me revistava fez meus olhos arderem, mas ainda sim, não consegui achar lágrimas para chorar naquele momento.

— Estou. — respondi rouca.

Eu achei que ele fosse me abraçar, mas não foi como se ele tivesse tido tempo para isso, porque de uma hora para outra, eu estava sendo puxada contra uma parede grande e em seguida, esmagada por braços e fortes lábios macios. A pressão contra mim fez-me gemer em surpresa enquanto levava as palmas à cima, sentindo as costas que tanto me derretia, depois reconhecendo os músculos tencionados que me tiveram não por uma, mas por três vezes. Suspirei, abrindo a boca para recebê-lo, sentindo que finalmente eu tinha encontrado minhas lágrimas, pois quando mais ele me pressionava, mais delas desciam meu rosto silenciosamente.

Pensei no que aconteceu, pensei no que pedi, pensei no que senti, pensei no que apareceu. O mundo estava ruindo, dando as verdadeiras caras e eu não achava que podia suportar. E o homem que agora me beijava fazia tudo ficar mais estranho que nunca.

— Liam... — me afastei, sem fôlego, sem forças. Suas mãos acariciaram meu rosto devagar enquanto continuava bem perto, seu hálito batendo contra mim.

— Shhh. Está tudo bem meu doce. Vai ficar tudo bem — sussurrou suavemente.

— Não vai. Nada vai ficar bem — neguei, balançando a cabeça negativamente.

— Jodie? — Fechei os olhos quando a voz chorosa de Linnea chegou a mim. Com as mãos de Liam ainda em mim, virei-me para ela, minha estrutura tremula vacilando. — Jodie, será que... podemos conversar? — Os incríveis olhos verdes de sua amiga estavam profundos, lágrimas nas beiradas e o rosto corado. As mãos estendidas para mim em um pedido de confiança.

Confiança que eu tinha dado, mas me arrependido.

— Acho que não precisamos conversar — Assisti como a mulher estremeceu ao sentir meu tom frio e sem carinho. Carter foi ampará-la ainda me olhando.

— Onde estava Jodie? — perguntou, segurando os ombros da mulher — Fale e vamos conversar e acertar todo esse mal entendido que...

— Mal intendido? Saber onde eu fui? — minha voz era incrédula — Acha isso tudo um mal intendido Carter? E se acham no direito de saber onde eu estava depois do que fizeram?— O homem apertou os lábios retos — Não existe nada que eu não entenda. Vocês todos... — Me afastei de Liam, mandando-lhe um olhar duro, mesmo que sentisse meu coração aquecido por tê-lo perto. — Mentiram para mim. Enganaram-me! — Liam se encolheu como se tivesse levado um soco. Um toque inesperado veio em minha mão, e quanto olhei para o lado, encontrei o rosto cheio de culpa pertencente à Linnea.

— Perdão — murmurou, e pelo modo como tremia, parecia estar enfrentando uma luta contra os sentimentos acumulados — Eu sei que fizemos errado em não contar, mas lembre, Jodie. Quantas vezes eu perguntei? Quantas vezes eu pedi para que desse uma chance a sua irmã? Não estávamos mentindo ao dizer que ela estava segura, porque achávamos isso — Ela fungou e mandou um olhar por cima do ombro para os Corey, que se encontravam estranhamente quietos ao lado de Richard. — Se pelo menos escutasse, saberia que nunca, jamais, a nova família de Michelle permitiria que algo lhe acontecesse.

— Eles não podem...

— Jodie — Linnea interrompeu com a insistência que eu sempre soube que ela tinha — Você não sabe o que eles passaram. Não sabe o que sentem. Então pare e escute antes de julgar-nos. Michelle não foi adotada somente porque os pais de Liam queriam uma filha, mas sim porque estavam feridos. No ano passado, em dezembro, Amara sofreu um acidente, caiu da escada de sua casa e ficou durante o tempo internada. A queda não somente a impediu de ter filhos, mas também lhe tirou a criança que carregava no ventre — Pega de surpresa, arrastei os olhos do rosto determinado de Linnea para o de Amara e Ethan, que se encontravam abraçados ao canto com expressões de partir o coração. Amara segurava lágrimas nos olhos enquanto Ethan tentava olhar para outro lugar que não fosse meu rosto.

Tremi. — Eu não sabia.

— Não sabia — Linnea concordou, finalmente soltando meu braço. — Sei que tem motivos para estar nervosa, e o assunto que estou lhe contando agora, nem mesmo é meu para falar, mas queria que entendesse o porquê de termos tanta certeza que Michelle ou Micthie, estava segura. Acha que pais como eles permitiriam que qualquer coisa acontecesse com a filha que eles decidiram criar, depois de ter perdido um que nem sequer chegou a nascer? Diga-me Jodie, não acha que eles já perderam demais para não usarem todos os meios possíveis para proteger sua irmã? — Me afastando, olhei cautelosamente para os Corey, depois Liam, que agora tinha a cabeça baixa e fitava as mãos com muito empenho.

As palavras que tinha dito para Amara no escritório de Lorenzo me vieram à cabeça e estremeci em pesar, voltando-me para ela com nada mais que uma tristeza enorme. Prendi seus olhos na esperança que ela visse ali, que agora, realmente sentia por ela, mas que nada mudava se a perdoasse. Michelle continuaria em perigo. Fitei Ethan então.

Tão grande, tão duro e tão astuto, e mesmo assim naquele instante não parecia mais que uma criança enquanto tentava encontrar outra coisa para olhar na esperança que eu não visse a dor da perda refletindo em suas íris esverdeadas. Tão frio.

— Admito que errei também — falei olhando de um em um e parando em Amara — Desculpe o que eu disse, e espero que esteja certa ao falar que Michelle está segura. — Suspirei pesadamente, abaixando meu olhar e dando-lhe as costas — Talvez eu me acalme pensando nisso enquanto lembro que o tempo está acabando, e que em breve, Edgar vira me pegar e levará também aquele que criou toda a confusão — Mirei Liam de canto, percebendo bem quando esse fechou as mãos em punho. Esfreguei os olhos — O tempo está acabando para todos.

~*~

Notas finais
E é isso por hoje gente. Comentem, pelo amor de Deus e claro, estejam preparados para os próximos capítulos, pois Believe in Me está mesmo na reta final. Hhuhuhu. Vamos aproveitar okay. Beijos e até segunda.