Believe In Me

37 Capitulo 37 — Liam.


Notas iniciais
Ei meu povo, demorei para postar hoje, desculpe, mas estava fazendo umas coisas. Espero que estejam preparado para conhecer um pouquinho mais sobre Liam, e claro, conhecer um alguém totalmente ligado a ele. Boa leitura jovens.

Seis horas e quarenta e cinco minutos na manhã de sábado, e eu estava olhando através da janela do consultório de Clarice, enquanto inutilmente, tentava conversar ou colocar algo relativamente bom para fora de minha boca. Os pequenos raios de sol estavam começando a dar as caras e o ar se tornava quente e bem-vindo, mas ainda sim, eu não conseguia ver motivo para tirar aquela minha jaqueta preta e o jeans absurdamente quente. Mantendo um pouco de calma, voltei-me para a doutora, percebendo que ela ainda esperava que eu respondesse sua pergunta.

— Isso é difícil de falar — disse finalmente, a mulher assentiu, e cruzando as pernas, entrelaçou os dedos em cima do joelho.

— Eu sei que é, mas lembre de que eu disse sobre dividirmos as coisas. Agora, tente me explicar o porquê de você ter paralisado ontem ao ver seu avô. O que sentiu e como conseguiu sair desse pequeno transe? — Estralei os dedos desconfortavelmente e contorci-me na poltrona.

— Não consegui olhar nos olhos de Josh a maior parte do tempo enquanto falava — Olhei novamente para janela, e com uma angustia escondida, contornei os traços das nuvens brancas — Doeu e nem mesmo percebi que tinha desligado. E sim, eu quis muito ter corrido daquele quarto para poder me cortar — Suspirei, enrolando uma mexa do cabelo em meu dedo — Na hora parecia a melhor saída para acabar com aquela sensação que apertava todo meu coração.

— Mas você não fez isso — Apontou a doutora com um olhar orgulhoso e satisfeito — E só o fato de você ter conseguido oprimir essa vontade, já lhe faz uma vencedora. Não vou dizer que ficará mais fácil Jodie, essa só foi uma pequena amostra do que terá de enfrentar. Vai ser duro, mas se colocar o tanto de empenho nisso como coloca no seu prazer em lutar, você com certeza irá muito longe.

Quando a consulta terminou, por mais incrível que parecesse, eu me sentia um pouco mais leve. E pela primeira vez, pensei que talvez não iria ser tão ruim ter um psicólogo.

Surpreendi-me quando saí e encontrei com Carter encostado ao seu BMW. Ele obviamente tinha vindo do trabalho direto me buscar, pois seu terno lhe entregava isso.

— Pensei que Linnea ia vir me buscar — falei, parando a sua frente. Ele se ajeitou, e balançou a cabeça ao dizer.

— Houve um problema de última hora no orfanato que recorreu à atenção dela. Pediu que eu levasse você para ver Joshua — Assenti em entendimento.

— Okay. Então vamos — Entrei no carro primeiro que ele, e no instante que virei-me para por o cinto, encontrei uma garotinha de olhos verdes me encarando com um sorriso.

— Jojo! — Sorri, e estendi a mão para ela.

— Olá Ivy. Bom-dia, não nos vimos essa manhã — A menina puxou meus dedos e sorriu, mostrando os dentinhos que estavam ainda nascendo. Carter entrou ao meu lado logo em seguida. — Por que ela não está com a babá?

— Hannah pediu folga hoje e tive de trazê-la — Explicou lingando o motor. Voltei a brincar com Ivy enquanto ele dirigia, e de repente me encontrei procurando herança de Carter em seu rosto.

Encontrei assim que a menina sorriu.

— Ela tem as suas covinhas. Aparece apenas quando ela sorri igual você — Vi quando o homem ergueu uma sobrancelha e mirou a filha curiosamente, quando a mesma riu para ele, seus lábios formaram um sorriso orgulhoso, revelando as tão bonitas covinhas que sua filha herdou.

— Parece que sim. — Ele voltou a prestar atenção na rua, e durante o tempo de silêncio, me lembrei de ontem à noite, de quando Linnea foi tão próxima de mim que me levou ao hospital e fez sua doutora explicar tudo sobre sexo, camisinhas e pílulas. Eu com certeza quis correr na maioria das vezes, mas ela não permitiu. Porcaria. Ela ainda me fez abrir as pernas para aquela mulher desconhecida, tirando o momento em que Liam me viu nua pela primeira vez, eu nunca me senti tão exposta na minha vida.

Linnea acabou por rir de tanto que eu ameacei a doutora de morte. Ela não disse nada sobre as cicatrizes, pois eu sabia que Linnea havia conversado com ela antes de começar a me examinar, mas de toda forma, eu senti o olhar preocupado dela em cima de mim a todo instante. Seu nome era Helena, e agora ela era minha nova ginecologista, ou seja, a veria pelo menos uma vez por mês para chegar se tudo estava correndo bem com meu corpo.

Ela me ensinou a tomar anticoncepcional e as pílulas do dia seguinte e claro, ela também acrescentou que a coisa mais eficiente depois da camisinha, era a injeção. Tanto que preferi começar a tomá-la antes de ir embora do hospital.

Linnea foi incrível depois e acabou por me levar para comer em um restaurante ali perto, e lá ela me passou uma pequena listinha que nas palavras dela, eram “Opções disponíveis para contracepção de emergência.” Foi impossível não rir ao ler cada linha.

Limite de tempo para tomar a pílula do dia seguinte.

Quando usar a pílula do dia seguinte.

Como age a pílula do dia seguinte.

Eficácia da pílula do dia seguinte.

Como tomar a pílula do dia seguinte.

Nomes e preços da pílula do dia seguinte.

Efeitos colaterais da pílula do dia seguinte.

Aquele momento intimo entre nós pareceu nos aproximar ainda mais, tanto que conversamos mais sobre Trevor e como o maldito ferrou com a vida dela. Olhando de canto, pensei em como Carter se sentia ao falar de um Ex de Linnea. Minha curiosidade foi tão grande, que falei.

— Carter, eu posso perguntar uma coisa? — Ele me mandou aquela expressão cheia de duvida antes de assentir.

— Fale. — disse. Eu hesitei, mas então perguntei.

— O que você fez com Trevor? — Estreitei os olhos quando a estrutura de Carter ficou rígida e as mãos apertaram o volante, seu rosto de repente mudou para um vermelho exageradamente forte. A fúria que seus olhos emanavam era quase amedrontadora.

— Linnea falou sobre ele? — indagou rouco. Assenti.

— Conversamos sobre muita coisa ontem e... Ela me contou que quando conheceu você, ela e Trevor tinham acabado de... — Refreei as palavras quando os ombros dele se contorceram em baixo do paletó e sua garganta emitiu um ruído de desgosto parecido com um rosnado.

— Tudo bem, eu não quero lhe deixar nervoso — falei arrependida por ter tocado nesse assunto — Mas é que quando conversei com Linnea, ela pareceu tão triste ao contar tudo isso. Eu até mesmo perguntei se ela não queria que e eu e Liam pegássemos o maldito cafajeste. — Fiquei feliz quando Carter deixou a rigidez acalmar e aos poucos, soltou um suspiro e sorriu.

— Ela com certeza negou — murmurou, bufei.

— Sim, ela o fez. Tanto que quero saber se você pelo menos quebrou a fuça dele como lição — Carter sorriu ainda mais, para em seguida me olhar, pela primeira vez, com perversidade nos olhos.

— Não se preocupe, eu literalmente cuidei para que ele nunca se esqueça de se manter afastado da minha esposa. — Me virei no banco com um sorriso de orelha a orelha.

— Por favor, me diga que arrancou as bolas dele — Mais uma vez, Carter gargalhou ao meu lado, o que fez sua filhinha saltitar na sua cadeirinha enquanto o acompanhava.

— Eu bem que queria ter feito isso — falou ele controlando a enxurrada de risos — Mas Linnea não permitiria, por tanto me contentei em apenas assustá-lo. Como eu disse a você, depois da morte de Jessie, eu me envolvi com coisas muito perigosas. Assim como conheci pessoas perigosas — Seu sorriso se tornou maligno — Eles me ajudaram na parte do sequestro, já eu fiquei com a parte divertida. Com o cigarro, as cordas e o fogo — Ele riu mais uma vez — O imbecil se urinou antes mesmo de começar a festa — Eu não pude ficar quieta e o acompanhei nos risos. E naquele instante eu fiquei muito feliz em conhecê-lo.

— Céus, isso foi genial!

— De fato — concordou satisfeito — É uma boa lembrança.

— Pena que não gravou — falei, limpando as lágrimas na beirada dos olhos — Eu adoraria assistir — funguei, mas quando Carter ficou muito quieto, olhei-o, e percebi como apertava os lábios com força e como seus olhos não paravam quietos. Ele parecia com cara de que era culpado.

Arregalei os olhos para ele, entendendo o motivo.

— Não creio! Você gravou mesmo?! — Ele fez uma careta e não conseguia me encarar.

— Não conte a Linnea, ela ficaria horrorizada — disse somente, e eu não pude parar mais para tomar fôlego, gargalhei ao seu lado como uma louca.

— Deus, eu sou sua fã — choraminguei. Ele sorriu de lado — Você precisa me mostrar isso — Seu sorriso apagou.

— Não. — Fiz careta e cruzei os braços.

— Qual é? Se me mostrar eu mostro a foto da ex-namorada Liam. — Ele ergueu uma sobrancelha para mim.

— E por que ela seria interessante para mim? — sorri maliciosamente.

— Foi ela que me pegou na escola e me bateu como se fosse um boneco imundo — grunhi de raiva — Eu me vinguei dela ontem e tirei uma foto para guardar como lembrança. — Os olhos de Carter estavam espantados.

— O que você fez com a menina? — questionou alarmado. Eu ri.

— Ah não senhor Carter. Primeiro prometa que vai me mostrar o vídeo — Ele rosnou.

— Jodie, isso não é coisa para você ver. — reclamou. Dei de ombros.

— Não importa. Quero ver, e se não mostrar vou contar a Linnea — Ameacei. Ele cerrou os olhos.

— Você não faria isso. — O enfrentei de volta sorrindo o meu melhor sorriso.

— Ah, pode apostar que eu faria — Ele me observou por minutos, e acho que quando ele realmente acreditou, ele quis me matar mentalmente.

— Maldição — rugiu. — Tudo bem. Eu mostro. — Bati palmas, ansiosa, e logo tirei meu celular do bolso e estendi para que ele visse minha tela de descanso.

Seus olhos arregalaram para imagem lamentável de Helen, mas em seguida, ele começou a rir escandalosamente.

Deus. Com certeza ele era o melhor pai que eu podia encontrar.

~*~

Assim que chegamos ao asilo, Carte e eu riamos horrores, pois ele realmente me mostrou o vídeo em que ele torturava Trevor, ele o tinha gravado e trancado com senha em seu notebook. Eu juro que foi a coisa mais inspiradora que já assisti. Quando terminei, o entreguei de novo e falei.

— Eu realmente sou sua fã — Ele chacoalhou a cabeça, mas sorriu.

— Você é uma garota estranha — sorri.

— Com certeza Carter. Até mais tarde. — Abri a porta do carro e pulei para fora, mas antes de fechá-la, olhei para Ivy — Até depois garota — Ela sorriu e chacoalhou a mão em despedida. Carter falou antes de eu partir.

— Ethan falou sobre a aula de Box. Ele irá vir lhe buscar — Ele estreitou os olhos — Vai mesmo fazer isso Jodie? Pode se machucar — Sorri convicta.

— Sim, eu sei disso. Mas vai ser incrível, já que meu advogado é incrível. Verá como eu aprendo rápido, você e Linnea arranjou uma filha problemática, terão que lidar com isso Carter. Bye — Fechei a porta, e corri para dentro do asilo. Dessa vez eu não precisei ir até o quarto de Josh, pois assim que entrei, eu o vi caminhando com sua enfermeira, Luce, ao seu lado. Percebi que ele parecia tão resmungão quanto ontem.

— Caminhar. Caminhar. Caminhar... Para que serve essa maldita caminhada? Minhas pernas são uma porcaria Lucinda!

— Mas o senhor não pode ficar naquele quarto o resto dia. — retrucou a enfermeira — Deixe de ser rabugento Josh — Meu avô bufou, e como eu estava ansiosa demais para falar com ele, me anunciei.

— Bom-dia! — A cabeça do meu velhinho pulou para cima no mesmo instante, e acho que o homem só parava de reclamar quando me via, pois agora aquele olhar era de puro carinho e amor.

— Bonequinha! Você está aqui de novo! — Ele se soltou de Luce e caminhou para mim na intenção de me abraçar, não querendo ser rude, permiti isso e ainda retribui. Ao me afastar, o olhei.

— Eu disse que viria. Como você está? — E a pergunta desencadeou a careta novamente, assim com seu mal humor.

— Eu estou péssimo! Essas pessoas estão tentando me colocar dentro de um caixão. Estou dizendo a verdade bonequinha. Meu café da manhã foi chá e biscoitos! O que eles têm contra bacon e ovos? Nem mesmo me lembro de quando comi algo com sal e que tenha gosto — Ergui uma sobrancelha para ele e depois virei-me para Luce, que virava os olhos enquanto escutava as reclamações, sua expressão entregava que todos os dias era a mesma coisa vinda de Joshua Jodie.

— Você pode ir — falei para ela — Quero conversar com meu avô — Ela apertou os olhos para mim, extremamente duvidosa, no entanto suspirou e virou-se em outra direção. Deixando-nos sozinhos.

Virei para Josh sorrindo.

— Eu lhe trouxe uma surpresa — Sussurrei, ele mirou super-interessado.

— Verdade? E o que é? — Ri um pouco, e com cuidado, o guiei até um banco para se sentar. Quando estávamos acomodados, puxei minha mochila das costas, olhei de um lado para o outro e retirei da bolsa um grande e enorme x-burgue: com muito cheddar e mostarda. Do jeitinho que eu gostava.

— Doces Céus! — Os olhos azuis de Josh brilhavam como duas estrelas enquanto pegava o x-burgue da minha mão, eu ri, fascinada por seu gosto para comida ser o mesmo que o meu — Bonequinha, eu realmente te amo — murmurou e se saboreou de sua refeição, fechando os olhos enquanto mastigava. — Deus. Como isso é bom. Eu senti falta disso.

— Trouxe suco também — falei, e tirei uma garrafinha da bolsa — De goiaba, o meu favorito.

— O meu também meu anjo, e se tomasse o suco de goiaba de sua avó Mary, você derreteria — Ri, e entreguei o suco. Enquanto ele comia, eu observava, ficamos quietos daquela forma até que ele perguntasse em um tom sério — E Edgar?

Olhei para as mãos, pois obviamente elas eram mais interessantes no momento.

— Não temos pistas dele. Fico me perguntando como ele consegue se esconder por tanto tempo — falei com rancor. Joshua virou os olhos e terminou seu lanche, e logo em seguida encarou o céu.

— Ed. sempre gostou de brincar de esconde-esconde, e ele levava a brincadeira a sério demais. — Chacoalhou cabeça, obviamente para se livrar da afeição paterna que pareceu crescer em sua voz ao pronunciar o apelido do filho — Meu filho gosta de jogos, e ele vai estar no lugar em que menos esperamos. — franzi o cenho, tentando pensar em qual seria esse último lugar.

— Será que um dia isso vai acabar? — me perguntei. Fechei os olhos quando a palma quente de meu avô esfregou minhas costas de cima para baixo.

— Eu espero que sim minha querida. — Permiti que ele me puxasse para seus braços depois, me aconcheguei de baixo de seu braço enquanto conversávamos durante o resto de tempo que podíamos. E naquelas horas em que ficamos juntos, tudo serviu para conhecer mais o homem que Joshua foi antes de ser preso em um asilo. Descobri que vó Mary e ele se conheceram em um mercado e que o primeiro encontro deles foi em uma praça que hoje já não existia mais, e soube que Joshua foi quem apresentou minha mãe para Edgar.

Essa historia me chamou muita atenção.

— Mary e Harry eram muito amigos, por tanto quando sua avó Harriet deu a luz a Marissa, nós sabíamos. Quando sua mãe completou dez anos e Edgar quinze, nós resolvemos apresentá-los — A testa de Josh se enrugou — Eles se deram bem tão rápido. Achamos aquilo maravilhoso na época, nada os separava e o meu filho pareceu um pouco mais contente com a doce Marissa ao seu lado.

— Então é mesmo verdade? — suspirei, cheia de lamento — Eles se amavam.

— Oh. Sim. E passaram a namora quando ela fez quinze e ele vinte anos. Ficaram nisso por anos e no terceiro noivaram. Edgar gostava de levá-la a um parque perto de casa. Ele voltava brilhando depois de uma tarde com Marissa. Agora eu penso o quão apressado eles foram, nem mesmo quiseram conhecer outras pessoas, se socializar. Antes do casamento Edgar conseguiu um emprego bom, tudo estava bem, mas depois de seis anos, justamente no ano que em que você nasceu, ele perdeu tudo. Assim como cada gotícula de esperança para com Marissa, que nas palavras dele, só o julgava e o atirava pedras todo os dias — Josh se ajeitou no banco e apertou os olhos para o céu, como se estivesse procurando uma resposta para sua duvidas em meio as nuvens — Eu queria ter ajudado ele, mas... Não tive tempo para explicar isso a ele antes de ser enfiado nesse lugar.

— Eu não vou perdoá-lo por ter feito isso com o senhor — falei, sem poder conter a raiva que ameaçou transbordar. Olhei para os tão claros olhos azuis de meu avô — Por mais doente que ele deva ser... Nada irá justificar o que ele fez para mim, para minha mãe, e nem mesmo para você e Michelle. Por mim ele pode queimar no inferno por incontáveis dias que não irei me importar — Desviei a atenção de seu rosto para focar nos portões do asilo — Qualquer sofrimento que ele sofra é pouco comparado ao que eu tive de enfrentar.

A tarde passou mais rápido depois daquela conversa, e quando percebi já se passava das três. Ethan chegou as quatro em ponto, e eu não pude deixar de ficar surpresa ao vê-lo.

Enquanto me aproximava, eu não conseguir me impedir de mirá-lo dos pés a cabeça com admiração muito feminina.

— Uau. Você está diferente — Olhei seus braços surpreendentemente descobertos e em seguida para o peito que sempre era coberto por um paletó, mas que hoje se encontrava com uma confortável regata branca. Engoli em seco. Seu cabelo chocolate estava sem todo aquele famoso gel e encontravam-se meio rebeldes, o que me fez babar enquanto o rosto de Liam surgia em minha mente.

Pai e filho realmente se pareciam muito, e aquela corporação com certeza era compatível e muito desejável.

Ethan sorriu de lado ao perceber que eu o olhava, e eu apostava que assim como o filho idiota, ele era acostumado a ser observado com extrema frequência.

— Não poderia treinar com terno, não é? — disse, e se afastando um pouco, abriu a porta de seu ônix para que eu pudesse entrar — Aliás, essa sua roupa não é adequada para o que vamos fazer — Ergui uma sobrancelha, ainda sem pode tirar os olhos daqueles braços.

— Eu sei, mas não tenho outra.

— Então é ótimo que eu tenha comprado uma para você na vinda até aqui — Acenou para o banco do carro. — Por favor? — Rolando os olhos, joguei a mochila dentro do carro e entrei, ele veio logo em seguida e sem demora, partimos.

Depois de duas horinhas eu já franzia a testa e olhava para janela sem sabe onde estávamos indo. O olhei curiosamente quando o carro estacionou em frente a uma casa com uma varanda consideravelmente grande.

— Onde estamos? — perguntei quando ele tirou o cinto.

— Meu filho mais velho mora aqui com a namorada quando vem da faculdade. Nos fundos tem um jardim onde podemos treinar sem empecilhos — Fiz careta, e antes que pudesse retrucar, o infeliz saiu do carro com uma sacola na mão. O segui com passos acelerados.

— Mas por que não fazemos isso na academia? — Ethan contorceu o rosto em desgosto.

— Você não ouviu quando eu disse que devia ficar longe daquele lugar? — Ah sim, como podia esquecer-me disso?

Bufei.

— Está exagerando. Eu duvido que meu pai tente me pegar quando estou com uma montanha como você — Ethan deixou um sorrisinho contorcer seus lábios enquanto apertava a campainha da casa. O que me deixou meio nervosa — Opa, seu filho ta em casa?

— Provavelmente. Ele quer conhecer você — Fiquei em alerta por isso. Por que ele queria me conhecer?

— E como ele sabe de mim? — Ethan riu, e me olhou de forma cética.

— Primeiramente, eu conversei com ele, mas foi inútil porque ele já sabia de você —fiz careta, confusa — Liam e Mick são próximos, Jodie. Sem falar que você causou um efeito muito grande em Liam, tanto que ele quase matou um homem em cima do tatame. — Cruzei os braços, emburrada ao lembrar tal assunto.

— Seu filho é um louco Ethan. Eu o dei a chance de se afastar e ele surtou de raiva. Eu não o entendo! — Ethan continuou a olhar para mim com aqueles impossíveis olhos verde-floresta, e permaneceu daquela forma até falar.

— Eu conheço o menino que criei Jodie, e sei que se afastar de você, é o que ele menos quer nesse momento. Acredite quando digo que Liam não vai deixar você nem que o obrigue — Ele deu um passo até porta novamente quando eu pisquei, absorvendo o que ele tinha dito. Preparei-me para falar, no entanto a porta da casa foi aberta e uma garota apareceu.

— Ethan! — Eu fiquei olhando para a mulher enquanto essa abraçava o advogado, tentando me convencer que o cabelo dela, era mesmo daquela cor. Esfreguei olhos e merda, era real. O cabelo da garota podia ser considerado um pote de tinta azul!

— Como vai Lilah? Mick está ai não é?

— Ah sim, ele se recusou sair ao saber que você vinha — Eu ainda fitava o cabelo dela quando os olhos pousaram em mim. Eram castanhos, ou quase pretos, e caralho, a tal Lilah era mesmo bonita.

— Lilah, essa é Jodie. Jodie, essa é a namorada de Michael — A do cabelo azul acenou com um sorriso entusiasmado.

— Olá, é um prazer conhecê-la — Acenei com a cabeça de volta, mas o que saiu dos meus lábios foi:

— Gostei do cabelo — Lilah tocou os fios com a mão e sorriu satisfeita.

— Estou pensando em mudar para verde, mas Mick disse que prefere essa cor mesmo — Apertei os olhos para a cabeça dela e seu rosto.

— Talvez ele esteja errado. Nunca saberá se não tentar — falei. Lilah fez uma expressão pensativa, e depois sorriu radiante.

— Tem razão — piscou um olho para mim — Valeu — Dei de ombros e assenti. —Vamos, entrem. Podem seguir para o jardim Ethan.

— Agradeço Lilah.

Eu o segui para os fundos da casa aos tropeções, porque a cada passo eu arregalava os olhos. Tá legal, a casa era pequena, mas muito bem mobilhada e com portas de vidro. Quando entrei no jardim da casa, parei na porta boquiaberta.

— Fodendo com minha cabeça — sussurrei.

— Isso é um convite? — Dei um pulo para frente longe da pessoa que falou em meu ouvido. Minhas pernas tremularam enquanto eu arregalava os olhos para o intruso. — Então essa é belezinha do meu maninho?

Belezinha?

Eu?

Ah.

Meu.

Deus.

O homem tinha cabelos escuros como os de Liam, mas era mais longo, quase chegando à altura dos ombros. Tinha o mesmo sorriso malicioso, seu braço enorme como o do pai e irmão e ele possuía tatuagens. Eu conseguia vê-las porque ele estava sem camisa. E o maldito era tão sexy que fiquei sem reação nenhuma. Tive muita dificuldade em não olhar nas linhas em formato de V em seu quadril, mas acabei me controlando, o que me fazia merecer uma medalha de ouro.

— Abaixe os olhos, Michael, ela é minha — Eu engasguei quando de trás do homem sexy, Liam saiu. E caramba, eu quase perdi meus olhos. Ele também estava sem camisa.

Claro. Eu devia saber que ele iria aparecer aqui.

— Não esquenta mano, a sua Jodie está segura.

— Eu não sou dele — resmunguei.

Os homens riram enquanto Ethan balançava a cabeça com um sorriso.

— Oh, mas ela é mesmo nervosa — Mick zombou.

— Não sabe o quanto — retruquei cautelosamente.

— Garotos. Já chega — Ethan falou calmamente enquanto batia no ombro de ambos os filhos. — E Liam, se veio para deixá-la nervosa, acho bom que vaze daqui. — O novato sorriu um pouco, guiando os olhos absurdamente azuis para mim, e ao fazê-lo, percebi que Mick não compartilhava essa cor, pelo contrário, ele tinha os olhos de seu pai. O tão intenso verde.

— Vou ficar na minha, não esquenta pai — falou, mas em seguida caminhou para mim com a mesma expressão que me fez derreter muitos minutos durante o ocorrido na academia. — Olá doçura — resmunguei uma maldição quando Liam se inclinou e beijou minha bochecha, cara, eu queria que ele descesse os lábios por meu pescoço e depois seguisse por minha clavícula e então muito mais a baixo, mas ouvir o risinho de Mick e seu pai ferveu meu sangue.

— Você é um idiota — rangi os dentes ao falar. Seu riso foi baixo.

— Sei disso, mas mais uma coisa — Estremeci quando o nariz dele roçou minha mandíbula — Deixe a janela aberta — Eu não compreendi bem o que ele queria dizer, e também não tentei saber, só detectei o riso de Mick e agi.

— Eu falei para não fazer isso em publico. — grunhi, e o acertei com força no estômago.

— Porra... — Ele gemeu, cambaleando para trás quando uma explosão de gargalhadas veio de Mick e Lilah, que assistiam tudo lado a lado. Ethan encontrava-se com os braços cruzados todo sorridente e com diversão brilhando nos olhos.

— Filho da puta! Ela te bateu mano — Michael parecia querer rolar na grama de tanto rir. — Eu não acreditei quando contou, mas agora entendi. Pai, qual é a primeira regra mesmo?

Ethan sorriu alegremente ao responder.

— Concentração.

— Há! — Mick jogou um tapa contra a cabeça do irmão violentamente, me fazendo pestanejar, mas então segurar um riso. — Concentração na luta seu bastardo, não em um par de seios.

— Vai à merda Michael — Liam rosnou, esfregando o estômago. Eu virei na direção de Ethan.

— Quando vamos começar isso?

— Vá vestir isso e começamos — Ele jogou a sacola para mim no ar e eu a peguei abri e fiquei muito feliz que era um moletom e apenas um top, esse eu odiei. Não querendo fazê-lo mudar de ideia, virei para Lilah, que já me esperava para levar-me até o banheiro.

Enfiei-me naquelas roupas e fiz um coque com meu cabelo. Olhei no grande espelho que tinha ali fiz careta para a maquiagem preta e forte, eu sabia que aquilo ia derreter e eu ficaria com cara de palhaço, por isso passei a retirar tudo com água. Quando estava finalmente com o rosto limpo, suspirei, com muita raiva por o azul dos meus olhos quase saltarem de meus olhos. Eles eram bonitos, mas isso não selava o fato de que pertenciam a Edgar.

Mordi os lábios, fechei os olhos quando o frio me apanhou. Aquele mesmo frio que sempre fazia meu mundo girar.

— Não. — puxei o ar e sentei-me no vaso, tentando pensar em outra coisa que não fosse Edgar.

Michael. Sim, ele e Liam pareciam se dar bem, e a forma como se olhavam. O amor dos irmãos os rondavam com tanta força que era inspirador.

Michelle.

— Pare — Coloquei a cabeça entre as mãos, mas aquilo só serviu para ver o que eu realmente era, onde eu deveria ficar.

A pele branca de meu braço estava destacada com cicatrizes, o pulso maltratado era o que mais brilhava no momento, juntamente ao nome estampado de minha querida irmã. Encolhi-me em um canto daquele banheiro até que me senti segura em levantar, mesmo que meu desejo fosse pegar aquela gilete de dentro do copinho em cima do lavabo.

Recusei-me a olhar para trás com medo de mudar de ideia, e logo corri na direção do jardim. Estava respirando depressa e não consegui normalizar nada quando apareci nas portas.

Ethan estava enrolando bandagem nas mãos de Lilah por alguma razão, enquanto Liam e Mick pareciam se encarar no meio do jardim. Mick tinha um sorriso enorme no rosto, ao contrário de Liam, que parecia tão... Relutante?

— Vocês vão dançar ou lutar? — O grunhido impaciente do pai foi dirigido a eles, o que os fez acorda e começar.

Fiquei sem ar. Os homens eram como flashes no ar, nem mesmo podia distingui os movimentos, tudo que podia falar era que eles pareciam querer se matar.

— Dez. Nove... — Lilah começou a contar e Ethan cerrou os olhos, assistindo os filhos na luta. Liam fez um gancho de direita no irmão, mas Mick escapou, invertendo as posições e o jogando no chão. — Sete... Seis... Cinco — Liam pulou contra ele, derrubando Mick de costas — Quatro. Três. — Mick rolou para o lado e puxou o novato pelo braço, forçando-o para o chão, fazendo com que as veias de seu braço saltassem enquanto o segurava, e aquele movimento eu sabia que era para dar a luta como encerrada, e sim, Mick ia ganhar, mas seu rosto inesperadamente ficou vermelho e os olhos se tornaram tão grandes, que imaginei que o homem morreria ali mesmo. Não podendo me mexer, eu assisti com o coração apertado quando ele soltou Liam e caiu, agarrando o peito com força enquanto gemia.

— Mick! — Lilah foi para ele, assim como Ethan, que o pegou pelos ombros e segurou seu rosto.

— Michael. — Observei como o garoto começou a tremer e em seguida impe ventilar. Ethan segurou firme seu rosto — Você quase conseguiu. Foram apenas dois minutos perdidos. É bom filho! Muito bom. Agora respira de vagar. — Eu não achava que Michael estava conseguindo seguir o que o pai pedia, contudo depois de uns segundos o corpo do garoto foi acalmando e a tremedeira passou a ser apenas leves choques. Ele puxou e soltou o ar enquanto deixava a cabeça pender contra o ombro do homem mais velho.

— Que droga — falou, e Ethan riu, batendo em suas costas levemente.

— Tudo bem, foi quase.

— Merda nenhuma... — Mick tinha a respiração pesada — Eu senti quando a porcaria acelerou.

— Você é um imbecil — Lilah resmungou. O rosto branco de pavor — Tem que parar de tentar se matar! — De longe, pude ver o brilho dos dentes de Mick ao sorrir e falar.

— Faz parte da rotina amor — A namorada bufou, e estressada, saiu pisando duro para dentro da casa.

Voltei-me para os meninos, no entanto fiz careta para o silêncio repentino de Liam: Ele ainda estava no chão, de joelhos e assistindo pai tentando acalmar uma crise do filho mais velho. Meu coração murchou com a dor que encontrei em seu rosto, tudo em mim vacilou quando percebi o medo por trás dos olhos azulados do novato.

O garoto não tinha se conformado com nada daquilo, e era tão obviamente doloroso que comecei a me aproximar dele, mas não fui rápida o bastante, pois Liam se levantou e correu para a saída da casa, passando por mim como se não me visse.

— Liam! — Gritei, e corri atrás dele. Foi inútil, porque quando cheguei lá fora, ele já tinha partido.

Eu voltei para dentro da casa depois de horas olhando a rua vazia. Eu não gostava da ideia do novato caminhando sozinho por ai.

— Para onde ele foi? — perguntei quando Ethan jogou Mick em um dos sofás de sua sala. O pai virou, olhando-me curiosamente.

— Descansar a cabeça. — falou, e fiquei aliviada por ele não parece aflito com a saída do filho mais novo.

— E por que ele precisa esfriar a cabeça? — indaguei, quando uma Lilah ainda nervosa, entrou na sala e empurrou um copo com água para Mick e também um comprimido.

— Viu o que aconteceu comigo lá fora? — Ele perguntou, sem mais aquele humor de logo cedo. Assenti, sentando no encosto do sofá — Aquilo foi meu coração. Normalmente, para uma pessoa da minha idade, os batimentos são de 60, mas para um boxeador como eu, o normal seria o batimento ser 40 bpm, porque sou um boxeador que se exercita muito... Esse fato teria que fazer essa coisa dentro de mim ser mais eficiente — Uma careta de desgosto formou-se em seu rosto e ele alisou o lado de seu peito, sobre o coração — Mas esse bastardo aumenta o batimento a cada tentativa inútil de uma luta de verdade. Quando o coração acelera, ele encurta a diástole. Assim, o órgão envia menos sangue para o meu corpo, causando cansaço e desmaios. Uma freqüência cardíaca perto dos 180 bpm é sinal de alerta total e perigo de morte.

— Infelizmente, Mick herdou esse problema de mim — Ethan lamentou, encostando-se na mesinha atrás de si, enquanto a namorada do filho ia se aconchegar ao lado de Mick. — As palpitações geralmente não são graves. No entanto, isso depende se as sensações representam um ritmo cardíaco anormal ou não.

Franzi o cenho.

— E o que causa a aceleração dos batimentos de vocês?

— Obviamente a ansiedade e o a tensão das lutas — Mick respondeu, e bufou — Liam não encara isso muito bem. Eu posso dizer que também não, mas o que passo fazer? A merda dentro de mim enlouquece sem autorização.

— Você sabe que Liam o ama — Lilah reclamou lhe acertando no ombro — Saber que você é doente e ainda ver você tentar aquela droga lá fora o deixa frágil.

— E o que quer que eu faça Lily? Eu não vou ficar parado enquanto o médico me manda ficar com bunda em uma cama. — Mick se levantou, de vagar, mas o fez, e com os olhos faiscando, subiu as escadas da casa.

A namorada suspirou, balançando a cabeça.

— Ele ainda não entendeu — murmurou.

— É difícil Lilah — Ethan falou tristemente — Muito difícil.

— O que? — perguntei, atraindo seus olhares.

— A ideia de parar de lutar ainda é nova para Mick — Ethan explicou — Ele parou, mas a cada semana ele tenta uma luta com Liam para ver se consegue controlar os próprios batimentos. Mas fazer isso pode custar muito coisa.

— Principalmente a vida dele — Acrescentou Lily com olhos preocupados. Eu compreendi Mick, mas também comecei a pensar em como era para Liam ter que lutar com seu irmão sabendo que o cara poderia cair morto na sua frente a qualquer instante. Por breves instantes olhei através dos olhos do novato e entendi o que significava a sua fuga, e também a forma como seus ombros caiam ao falar de seu pai e irmão.

O garoto sofria, e não tinha com quem conversar para desabar, e saber disso deu-me vontade de ser essa pessoa. Mas ao invés de pedir que Ethan me levasse até ele ou acabasse com aquela historia de luta com o filho mais velho, eu disse, tentando ser o mais “Jodie” possível.

Fria e sem sentimento.

— Vamos começar logo isso? — indaguei, ficando de pé — Quero ir para casa. — O sr. Corey me olhou, e eu apostava que procurava alguma coisa que me fizesse menos dura em relação a Liam, porém eu não permiti e fiquei firme até que esse desistiu e apontou para Lilah.

— Vou usar Lilah para que ela demonstre os movimentos. Eu não sou tão tolerante quanto Mick — falou, e saiu para o jardim pisando tão forte que estrondou. Virei-me para a namorada de Mick.

— Você luta? — Indaguei. Ela negou e respondeu:

— Mick me ensinou algumas coisas, mas não sou tão boa. Na verdade eu prefiro tratar as coisas com paz e o amor — Ri, e dando-me conta de outra coisa, perguntei.

— O que ele quis dizer com “Menos-Tolerante?” — A feição dela decaiu enquanto caminhávamos para fora, e quando conseguimos uma boa visão de Ethan, ela disse, com muito pesar.

— Ethan é mais velho que Mick, e se ele ficasse apenas dois minutinhos treinando... Seu coração aceleraria. Ou seja, Ethan é mais frágil que Mick e qualquer esforço não aceito acabariam com tudo e ele... — Ela hesitou, porém eu sabia a resposta.

— Ele morreria

~*~

Notas finais
E ai? O que acharam de Michael e Lilah? E o que acham dessa merda que Liam tem que passar? Digam-me o que acham. E antes de ir, queria deixar duas músicas aqui. Uma, uma de minhas leitoras, a aquela gata chamada Pandora, me mostrou e eu absolutamente achei a cara da Jodie, por tanto, estarei fazendo-a parte da minha play liste de Believe in Me. E outra coisa que parei para pensar, é que nunca mostrei a musica na qual me inspirei para fazer essa fic, por tanto também colocarei o nome dela aqui. Deem uma olhada okay. Bjs, e até a próxima. Play Liste Believe in Me. Demi Lovato - Believe In Me: https://www.youtube.com/watch?v=zLnbQaASmcg One Direction - She's Not Afraid: https://www.youtube.com/watch?v=CoaTJ629O9w