Believe In Me

36 Capitulo 36 — Joshua


Notas iniciais
E ai está o cap. Aproveitem a chegada do vovô Josh. Boa leitura!

Talvez aquilo que meu coração experimentava poderia ser chamado de sentimento bom. Eu não conseguia captar o que significava realmente, mas podia ver nos olhos arregalados de Joshua, que ele sentia o mesmo, que uma bagunça fazia sua cabeça zunir tanto quanto seus sentimentos.

— É mesmo você? — A bengala do velho foi solta no chão e as mãos tremularam ao segurar meu rosto, obrigando-me olhá-lo fixamente. Ele parecia não acreditar que estava ali de verdade. — Santo Deus, como está crescida. Oh, deixe-me vê-la direito, não posso crer que está mesmo aqui — O riso infantil que partiu ao ser rodopiada por ele foi uma surpresa, ele sorriu para mim e esfregou o rosto.

— É você! Ah, isso sim é uma visita de verdade. Lucinda! — Josh virou-se para enfermeira e bateu palmas rapidamente. — O que está esperando menina? Vá pegar um copo de água para minha neta. Oh, e traga comida com gosto, minha bonequinha não deve comer essa porcaria.

— Mas senhor...

— Eu não vou mandar de novo minha jovem — Os olhos de meu avô faiscaram com irritação. — Está realmente me deixando nervoso. — Ergui a sobrancelha quando a enfermeira bufou e, insatisfeita, saiu com a sopa intacta de Josh para fora do quarto.

Mais uma vez, me voltei para ele, e fiz careta ao notar que ele usava o encosto da poltrona para ficar de pé. Olhei para o chão, e recuperei sua bengala. Fui para ele meio incerta e mordi os lábios, tentando tocá-lo.

— Vovô, o senhor precisa se sentar. Deve estar cansando — Indiquei a poltrona na qual se apoiava, mas ele apenas riu e chacoalhou a cabeça.

— Bobagem querida. Eu sou velho, mas não um invalido. Esse pedaço de madeira em suas mãos só me permitir ficar mais tempo em pé — sorri de lado.

— Eu fico feliz que ainda esteja em forma, mas sente-se um pouco. Por favor? — Josh virou os olhos, e mal humorado, falou.

— Estou bem em pé, preciso ficar perto de você. Não posso acreditar que não reconheci esses olhos — Ele suspirou, me observando com atenção e também achava que parecia triste — Está a cara de seu pai sabe. Ele deve estar orgulhoso. — Desviei os olhos dele, não desejando que ele visse como aquelas palavras me machucaram. Parecer-me com Edgar era uma das coisas que eu mais temia.

— Sente vô — falei mais uma vez, dessa vez sem olhá-lo e um pouco mais grossa — Não falarei de novo. — O homem ficou em silêncio, e podia apostar como estava surpreso por eu ser rude, porém não me importei. A saúde dele vinha em primeiro lugar.

— Okay. Mas quando vai me dizer o que está acontecendo? — Voltei-me para ele só quando ouvi a poltrona rangendo ante seu peso. Aproximei-me e sentei na cadeira que a enfermeira estava antes. — Nunca passou pela minha cabeça que soubesse onde eu estava. — suspirei.

— E eu não sabia. — Abaixei os olhos ressentida — Descobri isso há dez minutos na verdade — Joshua franziu o cenho em confusão, depois mirou por cima de meu ombro quietamente.

— Eu devo me preocupar com isso Eli...

— Vovô — Eu gemi, sabendo que Liam obviamente tinha se aproximado na intenção de ouvir meu nome. — O senhor lembra o que eu disse sobre o meu nome anos atrás? Ainda está valendo. — A careta dele não foi amigável.

— Sabe como eu odeio isso? Chamá-la por meu sobrenome quando se tem um nome tão lindo? Tinha esperanças que tivesse mudado de ideia — Sorri, balançando a cabeça negativamente.

— Ninguém sabe meu nome a não você, Edgar, o delegado e meus advogados — Josh abriu a boca para protestar mais, no entanto ele achou de dar atenção à outra coisa. Voltou a olhar por cima de meu ombro.

— Por que precisa de advogados? O que está acontecendo e por que esse senhor — Apontou para Richard com o semblante irritado — ...está envolvido? Diga-me de uma vez Eli... Erg, Jodie — Ele bufou ao dizer meu nome, o que me fez rir levemente antes de me levantar e me direcionar aos outros.

— Me deixem com ele um instante. Quero explicar eu mesma — Richard esfregou a nuca a contra gosto, mas assentiu.

— Tudo bem, faça isso e nos chame quando ele estiver bem para responder perguntas. Seja rápida porque não podemos ficar muito, nem mesmo é horário de visita e...

— Pare de dizer o que ela deve fazer — Meu avô interrompeu o delegado e lhe apontou a bengala — Eu não vejo minha neta há nove anos, e não permitirei que leve ela agora.

Um grunhido de insatisfação veio da garganta de Richard, mas ele não se dirigiu a ele.

— Aproveite e ensine bons modos ao velho resmungão — E eu não pude fazê-lo engoli as palavras dele antes que esse saísse. Fiz careta, e me dirigi a Amara e Ethan.

— Não o quero tratando meu avô mal — falei. Eles sorriram.

— Acha mesmo que seu avô permitiria isso? — Perguntou Ethan, e eu olhei para meu velhinho e sorri quando esse ergueu uma sobrancelha cheia de impertinência.

— É, acho que não. — murmurei orgulhosa. Linnea e Liam se aproximaram em seguida, e eu quase engasguei quando o maldito Liam me puxou para seus braços e beijou minha testa.

— Vai dar tudo certo. Vou esperar lá fora com meus pais. — fiz careta para ele.

— Ainda continua com a mania de me agarrar em publico. Terei que cortar suas mãos por isso? — ele não deu a mínima para meu rosnado e sorriu, me beijando mais uma vez, porém na boca. Eu quase morri pela segunda vez no dia.

— Boa sorte doçura. — Ele se virou e saiu, me deixando com a boca aberta e sem nenhuma reação. Virei para os pais deles e Linnea, e eles sorriam discretamente.

— Eu proíbo que falem algo — resmunguei mal humorada.

— Okay. Estamos indo — Linnea ergueu as mãos em sinal de paz e me mandou um beijo. — Boa sorte querida. Prazer em conhecê-lo senhor Joshua.

— Como assim prazer? Eu nem mesmo sei o que a senhora é! Estão invadindo meu quarto sem explicação nenhuma e isso é inaceitável! Que tipo de lugar é esse que permitem estranhos terem contatos com os pacientes? Isso devia ser fechado por falta de juízo... — Linnea riu sozinha quando Josh passou a murmurar para si mesmo, depois me abraçou e disse.

— Ele é um bom homem, mas tenha cuidado ao contar tudo. — Ela olhou de canto para meu avô — Ele está frágil e, por mais difícil que seja para você, Edgar é filho dele. Vá com calma com o que disser certo? — Meu coração se partiu por isso, e durante os minutos olhando Linnea, pensei se aquilo era seguro para ele, se devia mesmo contar tudo a Josh.

Chacoalhei a cabeça atordoada e respirei fundo.

— Serei cuidadosa — garanti. Linnea sorriu, e então seguiu os Corey para fora do quarto, me deixando finalmente sozinha com meu avô.

Cerrando as mãos em punho, virei-me para Joshua, ele continuava brigando sozinho com o vento e falando algo sobre a vovó, Mary, o observei por horas totalmente ressentida sobre o que falar. Nada daquilo era sua culpa e ele parecia bem sem saber de nada, poderia somente cuidar dele agora que tínhamos nos reencontrado, eu poderia arranjar um emprego para pode arranjar um lugarzinho legal e depois, tentar tirá-lo desse fim de mundo. Eu podia fazer, por ele. Minha única família no momento.

— Você irá continuar me olhando assim ou contar o que está acontecendo? — franzi o cenho, voltando à realidade.

Josh me olhava pensativamente de sua poltrona.

— Não sei como começar — confessei. Ele apontou para a cadeia a sua frente.

— Por que não do começo? — sugeriu, e sem nenhuma alternativa, sentei-me na cadeira. — Sua expressão me diz que é uma má noticia. Isso com certeza tem haver com Edgar. Não é? Eu devia ter esperado, já que ele não apareceu mais. — Minha atenção foi totalmente para ele.

— Ele vinha te ver? — perguntei. Josh rolou os olhos desinteressadamente.

— Isso não é importante. Ele não vinha para me ver, e sim pagar esse lugar mesquinho no quão me trancou. Muitas vezes me pergunto da onde ele tirava esse dinheiro — fiz careta, pensando na mesma coisa, mas depois me obriguei a focar no que aconteceria agora.

Segurei as mãos de meu avô e alisei, tendo certeza que esse tivesse toda a atenção em mim.

— Vô, o que vou lhe contar agora pode machucar bastante, então queria pedir que fique calmo e que não se exalte. Não quero que passe mal. — Ele piscou para mim mais confuso, mas continuou em silêncio, esperando que eu começasse. O problema era quão difícil estava sendo tudo.

— Lembra-se do dia em que mamãe morreu? — sussurrei. A feição do homem foi de eterna compaixão, e sua mão apertou as minhas levemente.

— Sim. O que Marissa tem haver com isso querida? — Fechei os olhos, tentando encontrar palavras para explicar, mas não tive outra opção a não ser ir direto ao ponto.

— Quando ela morreu ela... contou-me uma coisa. Uma coisa que recentemente, meu pai descobriu.

— O que é? — indagou curioso. Mordi os lábios agitada.

— Ela me disse que eu tinha uma irmã. Uma irmã mais nova chamada Michelle que estava morando com a vovó Harriet — Observei quando lentamente, os olhos do homem se abriram arregalados e em seguida, a cor se esvaia de seu rosto.

— Está me dizendo que ela escondeu uma filha de Edgar e de mim, e você sabia disso? — Não gostei como a voz dele demonstrou decepção e raiva, tanto que apertei seus dedos e chacoalhei a cabeça um tanto desesperada.

— Não fique com raiva de nós. Não contei o resto da historia.

— E garanto que eu estou muito interessado nela. — apontou grosseiramente. — Comece a falar tudo Jodie, e não se esqueça de nada. Estou farto do meu filho me deixar fora de sua vida e de ficar trancafiado nesse lugar sem noticias do mundo.

Controle-se.

Eu silenciosamente repeti enquanto começava a contar tudo para Joshua. Começando com o dia em que Edgar perdeu o emprego e acabou por se dedicar somente a bebida, meu avô não era pacifico ou gostava de apenas escutar, ele se indignou e gritou lamurias e xingamentos contra seu próprio filho. O que me fazia sentir pelo menos um pouco melhor durante os breves segundos de silencio que eu podia ficar. Porém na terceira vez em que pausei para que ele falasse mal, eu devo ter alertado alguma coisa em seu sistema, pois os olhos azuis me fitaram instantaneamente e algo ali me deu um aperto e me fez ficar muda, quieta até poder ouvir as gotas caírem na pia do banheiro ao lado.

Eu queria ter que não ouvir a pergunta que estava gravada em seus olhos, mas não foi possível, a voz dele a fez, mesmo que hesitante.

— O que ele lhe fez?

Fechei os olhos e os mantive assim, apertando as mãos apertadas e juntas até sentir que estavam sendo cobertas pelas de Josh. Pestanejei, não querendo que ele roçasse em meus pulsos, contudo acho que foi tarde demais. Quando o olhei eu vi o deslumbre de horror crescer em suas íris, seus lábios tremeram quando puxou minha mão de volta e ergueu a minha manga rudemente.

Deus, acho que não podia explicar como foi que me senti ao ouvir ele começar a murmurar meu nome várias e várias vezes. Seus olhos subiram para meu rosto, espantados, e depois eu não pude impedir quando a tremulas mãos capturaram o zíper de minha jaqueta.

— Vovô...

— Não. — rosnou ele, e abaixou o zíper, afastando a jaqueta e depois a jogando longe de sua vista.

Era a pior parte. Te que me submeter aos olhos de outros, mesmo sendo de uma pessoa tão importante como Josh. Era humilhante e trazia-me pânico, e o difícil era controlar-me nessas situações.

Respirei fundo, tentando pensar então no que a psicóloga disse ontem: Isso é psicológico, Jodie. Se acreditar que não pode fazer algo, nada vai acontecer, mas se você bater o pé e contradisser sua mente, todo seu corpo vai obedecer. Você é a dona dele e tem seu direito.

Sim. Eu era a dona, e eu estava dizendo não. Não agora. Eu tinha que ter controle. Somente controle. O corpo era meu, não podia me corta. Não ia me corta. Um corte é só deixa as coisas piores. Eu não preciso. Eu não preciso disso!

— Jodie? Abra os olhos para mim doçura, está tudo bem.

— O que esta acontecendo com minha bonequinha? Deixe-me ir com ela — abri os olhos quando a voz chorosa de Josh chegou aos meus ouvidos, no entanto o rosto que estava a minha frente era o de Liam. Ele sorriu levemente para mim.

— Oi. — falou. Sua mão deslizou por meu rosto — Você está bem? — pisquei mais umas vezes.

— Vô?

— Bonequinha — Ergui os olhos com o rosto do meu velhinho apareceu. Ele se apoiava na bengala para se abaixar a meu lado. Confusa, olhei em volta, percebi que eu estava em sua cama. — Você me assustou de verdade querida. Não faça mais isso.

— Mas o que aconteceu? — indaguei alheia de tudo. Outro toque veio em minha mão, e quando virei o rosto, descobri Linnea, com o rosto coberto por uma camada de preocupação.

— Achamos que foi uma crise de pânico. Joshua nos chamou quando você parou de se mover e só ficou respirando, como se nada estivesse acontecendo — colei os olhos, muito cansada.

— Não me lembro de ter feito isso.

— Amara está no telefone com Clarice — falou, o que me fez fazer uma careta terrível. Linnea não se importou — Mude essa cara moça, não sabíamos o que você tinha, então decidimos pedir uma ajuda. Ela entendeu o que você tinha assim que seu avô explicou o que vocês estavam fazendo — Senti mesmo ombros caírem, e então, desviei os olhos para Josh, que estava me avaliando cheio de preocupação.

— Estou bem vovô — garanti. Ele não concordou.

— Ainda está sem a jaqueta Jodie — Ele lembrou, nervoso. Eu já congelei no mesmo lugar, para depois procurar algo com que me cobri. Liam estava o mais próximo e passou um braço por meus ombros. Ele suspirou de forma que me fizesse entender como se sentia por me ver tão acuada.

— Eu não queria isso vô — garanti, sentindo que devia deixar isso claro. — Mas ele era tão forte. E tinha Michelle... não podia arriscar deixá-la em perigo. Foram tantos anos aguentando, sentindo, que passei a não me importar mais com o que acontecia comigo — Me apoiei contra Liam, deitando em seu peito enquanto falava — Se fosse por mim eu continuava daquela forma, mas fiquei tão brava quando Edgar fez o que fez com minha irmã — Senti quando meu avô estremeceu de raiva, e era compreensivo depois de tudo que falei. Nem mesmo queria ver como ele reagiria ao saber para onde meu pai levou Michelle.

— O que esse trate fez com a menina?! — Josh rosnou para mim, eu engoli, preocupada com sua saúde.

Não querendo deixar ele alarmado, voltei a me concentrar nele.

— Calma. Por favor. Eu já fiquei com raiva o bastante disso. O que aconteceu com minha irmã foi o melhor... Encarando de certa forma — falei cansada. E alisei o peito de Liam sem que realmente percebesse o ato — Eu o enfrentei por isso, o que me deixou em maus lençóis. Acho que ele percebeu que se não tivesse minha irmã não ia me ter também, e agora acho que está a caçando assim como faz comigo. Eu saí da casa dele depois que Liam me salvou de levar uma pior — Meu corpo foi apertado levemente pelos braços do novato, o que me fez suspirar sem tirar os olhos de meu avô.

Fiquei preocupada que aquela expressão de pura raiva, fosse por minha causa, fiquei ainda mais preocupada pelo fato de ele não ser tão jovem e poder passar mal.

— Não posso crer no que aquele imbecil do meu filho anda fazendo — resmungou inconformado e chacoalhando a cabeça. — Como isso é possível? Bater na própria esposa, maltratar as filhas — Mais uma vez, ele balançou a cabeça, angustiado, contudo dessa vez se levantou, apoiando-se na bengala para poder caminhar lentamente pelo quarto. — Por Deus, como errei com esse moleque. Mary não me perdoaria, a sim, ela me chutaria a bunda se descobrisse tal coisa. E depois de acabar com isso, pegaria Edgar pelas orelhas e arrancaria — Ergui uma sobrancelha, agora realmente querendo que minha avó Mary estivesse vivia.

Ri um pouco.

— Acho que gostaria dela então. Uma pena não ter conhecido ela. — lamentei, e o brilho que cresceu nos olhos de meu avô foi intenso e grande. Linnea, que assistia-nos, perguntou.

— Não conheceu sua avó, querida? — Antes de respondê-la, Josh falou, com um pesar grande na voz.

— Jodie não havia nascido quando ela se foi — Minha vontade de caminhar para ele e ampará-lo foi enorme, mas percebi que ele queria manter distância de qualquer um. E eu entendia, a pior coisa de todas era estar sofrendo ao lado das pessoas que nos importa.

Esfreguei o braço do novato lembrando que ele era uma das pessoas que eu menos queria que me observasse sofrer. Ainda mais depois do que aconteceu naquela tarde em sua academia.

— Eu sinto muito senhor Joshua — Linnea tinha o rosto sincero e triste — Tenho certeza que sua Mary era maravilhosa. — O sorrisinho cheio de saudades do meu velho foi tocante, e seja lá qual lembrança estivesse em sua cabeça, eu sabia que o fazia feliz a cada dia acordado mesmo que por apenas dois segundos.

— Sim. Ela era. Mary era dura, forte... Tinha uma mente divina para cálculos e mãos magnificas na cozinha. Casamo-nos cedo, eu tinha dezenove e ela dezoito. E escute bem, ela tinha o melhor cabelo — Ele riu alto, apontando para nós com felicidade repentina — Era loiro, oh, como o de minha bonequinha. Tão grande quanto — Alisei meu cabelo e sorri de lado, sentido que Liam fazia o mesmo enquanto apenas ouvia Josh falar. — Ela era minha única companheira, minha vida... Então vocês vão entender que quando ela morreu naquele acedente de carro, eu comecei a morrer aos poucos — Ele piscou umas vezes com a testa franzida. — Eu não morri no entanto, porque anos depois Edgar me deu algo que preste — Os olhos azuis prenderam em mim com afeição, amor, e aquilo era tão estranho de se ver, que me encolhi, sem saber que reação lhe demonstrar.

Joshua notou, pois suspirou, e esfregou a testa.

— Jodie nasceu e eu me alegrei pela primeira vez. Mas quando meu filho se perdeu, começou a beber, e ainda por cima Marissa morreu... eu temi por minha netinha. Recusei ajudar aquele ingrato. O que me resultou vir para esse lugar — Olhou em volta insatisfeito. — Me trancou como se fosse um animal e não se importou com o que eu queria. Ele vendeu minha casa, o lugar em que eu e Mary morávamos. Vendeu até mesmo os moveis e as joias da mãe — balançou a cabeça — E eu não pude fazer nada.

— Não foi sua culpa senhor — Ethan falou pela primeira vez — Não tem que se culpar — O velho fez careta para o advogado.

— Oh, mas eu não o faço — respondeu sinceramente — Não me culpo, pois o verdadeiro culpado é meu filho. O menino mais problemático que já tive o desprazer de cuidar. E por mais que esse seja do meu sangue, nada de afetuosamente bom existe mais naquele coração congelado. Ele o perdeu junto com sua coerência e emprego, anos atrás — Ah, eu sabia bem do que ele falava. A convivência ao lado de Edgar me fazia acreditar em cada palavra dita por Josh, no entanto não podia falar, pois toda aquela confusão afetava ainda mais em mim.

— Jodie? — voltei-me para Josh ao ser chamada, e esse estava sentado em sua poltrona novamente — Eu queria poder falar algo que acabasse com tudo que está acontecendo. Compreendi o básico, mas já posso imaginar o tamanho da tortura que está tendo de enfrentar. Sei que está sofrendo mais do que eu, que virei minha vida sozinho nesse fim de mundo — suspirou — Eu reclamava, mas não percebi que minha neta podia estar bem pior. Não sou a merda de um filósofo para tentar tocar seu coração ferido com palavras bonitas. Eu sou seu avô, e por isso quero que levante a cabeça, pois você estar aqui já a faz forte o suficiente. Respire fundo uma, duas, três vezes. Faça como eu, e feche os olhos para imaginar uma cena muito bonita, faça qualquer coisa. Apenas não chore por causa de Edgar. Eu posso ter pedido minha vida, mas a sua ainda está ai para que você construa. Não permita que meu filho lhe tome isso.

~*~

— Eu não quero deixar ele aqui — reclamei quando Richard retornou do quarto de meu avô. Fiz careta, tentada a perguntar o que eles conversaram tanto, no entanto desisti, pois Amara e Ethan chacoalharam a cabeça negativamente.

— Não podemos agora. E também existe o fato que o único com liberdade para interromper os cuidados e levá-lo para casa, é Edgar, pois foi quem o internou — Grunhi, insatisfeita e nervosa.

— Eu não posso simplesmente deixá-lo aqui. Ele nem mesmo é alimentado direito. Eu poderia fazer melhor! — O advogado ergueu uma sobrancelha, enquanto Liam ria ao dizer.

— Não acho que seu tipo de comida seja saudável, Jodie. Seu avô poderia morrer de colesterol se você o tratasse — O fuzilei malignamente, preparando-me para atacá-lo, mas Linnea então esfregou meu braço gentilmente e disse, com um sorrisinho de lado:

— Ele vai ficar bem Jodie, fique tranquila. Amanhã voltamos para visitá-lo depois de sua consulta. — Como se isso fosse ajudar, só de lembrar da maldita consulta eu quis sair correndo. Tanto que tentei apelar pelo sentimentalismo da minha adorável amiga.

— Mas Linnea... por favor, não me faça ir amanhã a essa merda... Estou exausta! — A mulher deixou os ombros caírem, e fiquei supercontente ao notar que estava conseguindo driblá-la, mas como tudo que é bom dura muito pouco, Ethan se prontificou ao lado da moça com uma expressão nada contente.

— Essa cara de cachorrinha sem dono não vai funcionar garota. Eu sei o que está tentando fazer — ladrou ele, e eu não pude deixar de bufar.

— Uff, será que o senhor não tem senso de humor? Ou um pouquinho de compaixão com uma menina que acabou de reencontrar com seu avô depois de nove anos e contar tudo de horrível que aconteceu na vida dela? Onde estão as palavras: “Tudo bem Jodie, vai ficar tudo bem” ou algo como, “Não Jodie, você pode ficar na cama o dia todo ou passar o dia com seu querido avô“— cruzei os braços, desgostosa — Algo como isso seria melhor do que ver a Doutora Clarice — Fiz careta enquanto enfatizava o nome na moça, o que fez o riso sair dos outros, enquanto Ethan me olhava chacoalhando a cabeça. Com certeza, tentava arranjar uma forma de me entender.

— Passei tempo o suficiente com você para saber que não gosta de nem um pingo de compaixão — disse ele, e eu quase o esganei por estar absolutamente certo.

Dei um olhar duro para Liam.

— Eu devia saber que existia dois de você. Na verdade eu devia mesmo saber que você era uma copia irritante de seu pai — O olhar que ele me deu foi arrepiante, mas não desviei, e o mirei da mesma forma quando ele disse.

— Você me adora doçura, admita de uma só vez — Franzi o cenho.

— Com licença, mas será que não ouviu o irritante da frase? — Ele riu.

— Eu acho que não devo me ofender com isso não é? — Ethan perguntou em meia voz enquanto ajeitava a manga de seu paletó — Pelas breves vezes que nos encontramos você já me chamou de irritante, enxerido e burro. Será que esqueci algo Liam?

— Talvez a parte do “Sem sendo de humor” — Liam lembrou-o com um sorriso.

— Ah, sim! — O pai estalou os dedos para ele e me olhou — Sou completamente sem senso de humor. Que tal colocar o sádico na lista? — Eu não queria, mas ri, e acenei positivamente.

— Oh, seria uma ótima ideia. Depois que eu assisti o senhor agarrando o novato na varada de Linnea, sádico combinaria bem — Ethan apertou os olhos cerrados, e pela forma como impe ventilou, soube que de devia ter ficado quieta. Levantei as mãos — Foi mal, é verdade.

— Eu não sou sádico! — Liam e a mãe passaram a rir no mesmo instante, colocando a mão em frente da boca tentando refrear o riso.

— Essa foi muito boa pai.

— Permaneça calado, Liam — rosnou o homem. Eu gargalhei.

— Viu?! Sádico com S maiúsculo — Ele grunhiu. — Não fica bolado não senhor Corey, ainda quero que seja meu professor. Você dá medo, e Liam também tem seus momentos, o que faz do senhor um ótimo professor — Bati em seu ombro levemente — Começamos nossa aula amanhã depois da visita do meu avô. Quem sabe na academia né? Você decide, estou superansiosa. Agora, vou me despedir de Josh, e pode ir embora se quiser, Linnea me leva para casa okay. Até mais.

Deixei-os ali e corri para o corredor em direção ao quarto de meu avô, e não pude deixar de sorrir quando os risos de Ethan chegaram aos meus ouvidos assim que os abandonei. Ele com certeza achava que eu era louca, e talvez fosse a coisa que mais gostava em mim. A minha falta de neurônio.

Balancei a cabeça e minha mente pulou de um pensamento para o outro, e esse me fez frear os passos no meio do corredor enquanto lembrava.

Porra. Eu não era mais virgem.

A quentura que subiu minhas bochechas foi constrangedora, e o embrulho no estômago me fez praguejar enquanto a historia de ir a um médico voltou a me perturbar.

Como caralho iria fazer isso? Como eu ia assim, do nada, ir a um médico? Meu Deus, eu nem mesmo sabia se veria Liam nu novamente, provavelmente não, mas se dependesse dele, com certeza iria acontecer. E claro que eu não impediria, pois vamos combinar que vê-lo sem roupa é bem inspirador... Ah, aqueles ombros eram totalmente perfeitos, e não podia deixar para trás o abdômen, o peito, as costas, erg! E aquela bunda? Tudo nele era ótimo para...

— Ficar no meio do corredor atrapalha as pessoas doçura — Saltei para o lado sentindo o arrepio em minha pele, mas quando ia xingá-lo, Liam sorriu e tampou minha boca com a mão. Segurando-me forte pela cintura — Não seja grosseira, só vim me despedir — Cerrei os olhos para ele deixando claro que o mataria por causa disso. Ele se aproximou, me deixando com a respiração fraca — Eu amo quando me olha assim, esses seus olhos azuis me fascinam — ronronou ele, e não pude retrucar quando sua mão se afastou de meus lábios, pois não demorou em que a boca dele estivesse sobre a minha.

Mas que droga, eu não gostava daquilo. Sentir-me tão entregue toda vez que era beijada por ele, não gostava mesmo. Contudo, como nas incontáveis vezes em que acabei nos braços dele, eu deixei levar, fechei os olhos e permiti que a sensação de proximidade nos aquecesse juntos. Senti o cheiro dele, a energia de seu toque, não me incomodei com pensamentos negativos ou com o nosso relacionamento que era tão confuso. Só deixei levar.

Quando ele se afastou, estávamos ofegantes, as mãos de Liam segurando meu rosto enquanto eu prendia seus ombros com força. A testa dele encostou-se a minha, e quando abri os olhos, encontrei-o ali, observando-me com paixão, e naquela paixão, por uns poucos segundos, eu pude ter uma decisão sobre o que fazer com o assunto do hospital. Liam já tinha tentado tanto por mim, estava na hora de tentar também, nem que fosse me arrastando.

— Nos vemos amanhã? — perguntou suavemente.

— Não acho que teremos tempo. Eu tenho consulta e depois virei ver meu avô, em seguida tirarei seu pai de casa para me ensinar no Box. Isso vai levar um tempo, então... — Os olhos dele não pareciam tristes, o que me fez pensar que ele sabia como resolver aquilo.

— Apenas pense que vamos nos ver. — Ele me puxou novamente, dessa vez para me abraçar — Não faça uma loucura enquanto estiver longe de você doçura — Sorri, e passei os braços em volta dele, acompanhando sua respiração calma.

— Eu vou tentar fazer isso — falei, mas ao ouvir seu riso, mordi os lábios. — Quero dizer uma coisa — disse, com a boca colada na camisa dele — Quero falar antes de fazer qualquer coisa.

Pude sentir o queixo dele roçando a parte superior de minha cabeça. Ele estava assentindo.

— Eu vou ir ao médico depois que sair daqui. Vou pedir a Linnea que me leve — Liam soltou-me e nos separou, para então erguer meu queixo gentilmente e olhar para mim com curiosidade e um certo alívio.

— O que fez você mudar de ideia? — questionou carinhosamente.

— Não sei ao certo, só decidi isso agora — dei de ombros — Mas no final das contas nada disso importa, eu vou ao médico e se quiser mostro-lhe o atestado depois, só quero me livrar de mais esse problema. Como foi você quem pediu, achei que devia saber — Liam segurou meu rosto na frente do dele. O azul de seus olhos praticamente brilhava.

— Eu fico extremante feliz por ter decidido isso Jodie. — sussurrou ele — Agradeço por me ouvir. — Eu assenti, deixando por isso mesmo e esperando que ele se fosse, mas não foi isso que aconteceu, pois ele se inclinou e capturou meus lábios mais uma vez, pousando sobre eles um beijo sincero e calmo. Eu o apanhei, sentindo-o tão perto, tão quente. Como se fossemos um só.

— Eu tenho que ir — Ele falou contra mim, mas não me soltou. Engoli em seco assentindo.

— Tudo bem. — Tentei me separar, mas ele continuou me abraçando, o que me fez suspirar — Não posso ir se não me soltar — apontei, ele sorriu.

— O problema é esse. Não quero soltá-la — Eu tentei me afastar mais uma vez, mas nada funcionou a não ser voltar a beijá-lo, e Deus, como eu gostava de fazê-lo.

Os lábios de Liam eram suaves como plumas, beijando-me com delicadeza suficiente para entender que se importava e que poderia fazer mais que aquilo... se eu quisesse.

Mas, por mais ligada que eu fosse nele, o beijo em forma de pedido me trouxe uma sensação errada. E eu ainda sentia que devia entender mais o que eu sentia para poder seguir adiante. Não por só ter medo de magoá-lo, mas sim porque eu tinha medo de me aprofundar cada vez mais.

Liam se afastou, parecendo feliz e triste ao mesmo tempo. E soube que ele sabia como minha mente estava confusa em relação a ele.

— Então, boa-noite Jodie — Ele se virou, quase como se fosse sair correndo. Mas se virou de novo e pegou minha mão — Eu vou ser paciente. Prometo. Mas quero que se lembre de que estou aqui. Okay?

Eu assenti, já lutando contra os sentimentos nervosos que se aproximavam. Liam apertou minha mão e em seguida partiu na outra direção, desaparecendo no final do corredor.

Sozinha, eu toquei os meus próprios lábios, que Liam acabará de beijar. Perguntas e mais perguntas sobrevoando minha mente enquanto caminhava para o quarto de Josh lentamente. Será que conseguiria me entregar completamente para Liam? Minha cabeça doía por todos os altos e baixos do dia, e por um instante eu só quis deitar em minha cama e descansar. E enquanto deslizava para dentro do quanto, tentei disfarçar minha expressão assim que virei na direção de Josh, que estava em sua cama, olhando com cenho franzindo para a janela ao lado de sua poltrona.

Ele parecia pensativo e relativamente nervoso. O que me fez sorrir em reconhecimento. Aproximei-me e fiquei ao pé de sua cama.

— Eu tenho uma sugestão para acabar com a raiva — Ele virou a cabeça em minha direção — Tente imaginar Edgar apanhando, seria um grande conforto — Josh bufou, virando os olhos enquanto apertava o lençol com as mãos.

— Queria que isso fosse ajudar mesmo bonequinha. — Ele bateu na cama e acenou com a mão — Venha aqui Jodie — Eu fui e sentei ao seu lado, permitindo que ele capturasse minhas mãos em agarro forte — Desculpe ter deixado você com ele depois da morte de Marissa — balancei a cabeça negativamente.

— Não foi sua culpa. Pare com isso. E não tinha como o senhor fazer alguma coisa — Olhei em volta do quarto e depois para ele — Eu que devo me desculpar por ter demorado tanto para vir buscá-lo. Nunca passou pela minha cabeça que pudesse estar em um lugar como esse... E não podia perguntar ao meu pai se não — suspirei — Ele ficava nervoso, e aprendi que não é bom ver meu pai nervoso.

— Eu sinto muito querida — Apertou minhas mãos — Por isso e também por Michelle. Aquele delegado enxerido falou que Edgar a colocou em um orfanato. É verdade? — Josh grunhiu quando assenti confirmando — Aquele idiota. Não posso acreditar.

— Não pense mais nisso vô — pedi suplicante, e acrescentei — Além do mais, eu sei como encontrar minha irmã. — Os olhos dele se arregalaram.

— Como assim? Sabe onde ela está? Já a viu? Ela bonita como você? Traga-me ela meu bem, estou louco para...

— Vovô! — O cortei, sentindo meu coração apertar — Eu não a conheço ainda e não sei onde ela está — Os ombros dele caíram em decepção.

— Mas...

— Lembra-se da moça que estava comigo, a Linnea? — Assentiu — Então. Ela era a diretora do orfanato em que Michelle estava. Ela sabe com qual família ela está e disse que os pais permitem que eu a conheça — Josh sorriu, alegre com a noticia, mas ao ver meu desanimo, seu sorriso cedeu.

— Por que não a encontrou ainda, boneca? — Abaixei os olhos tristes e disse, com minha alma dolorosa.

— Porque eu não sou uma irmã boa para ela — Respirei fundo, prendendo a amargura na garganta e as lágrimas nos olhos — Michelle pensa em mim como uma irmã diferente, não o que sou agora. Estar na vida dela seria trazê-la ao perigo, trazê-la para minha vida cheia decepções.

— Não diga isso Jodie — Joshua pestanejou rudemente — É a melhor menina que conheço. Corajosa e forte. Michelle teria orgulho de você assim como eu tenho minha querida — Chacoalhei a cabeça, incapaz de acreditar naquilo.

— Eu sou quebrada vô. E não desejo machucá-la com um simples olhar em minha direção. Tenho medo do que vou encontrar em seus olhos quando encontrar cicatrizes em meu corpo, tenho medo do que ela vai pensar ao dizer que frequento um psiquiatra, e tenho medo de contar que sou uma louca que gosta de se automutilar. Em toda a minha vida eu pensei em como seria bom revê-la, mas quando tive a chance de realizar esse sonho, eu percebi como monstruoso seria para ela me conhecer. — Funguei, quando a primeira lágrima escorreu, mas a sequei de pressa, me recusando de novo a chorar — Eu só lhe traria problemas, e por isso prefiro que ela permaneça com a nova família do que ao meu lado. Eu não a mereço e ela não me merece. E espero do fundo do coração, que ela tenha conseguido muitos irmãos homens, assim estará mais protegida do que estaria se estivesse comigo.

~*~

— Está pronta para ir? — Linnea perguntou quando apareci a sua frente.

Puxei as mangas da jaqueta para baixo.

— Sim, mas... — Olhei ao redor, vendo se não tinha ninguém olhando ou ouvindo. Depois voltei-me para ela — Queria que me levasse a um lugar antes de voltar para casa. — Ela ergueu uma sobrancelha.

— Claro, diga-me onde. — Mordi os lábios, e desconfortável, entrelacei meu braço com o dela.

— Vamos para o carro, lá eu lhe explico melhor. — Ele franziu o cenho confusa, mas concordou me levou para o local em que seu carro estava estacionado. Ainda tive de olhar mais uma vez para trás, hesitante em deixar meu avô ali, mas como não tinha outra escolha, entrei no carro e fechei a porta.

— Pronto. Agora fale para onde quer ir — pediu. E eu apertei as mãos e comecei a estalar os dedos tentando arranjar palavras para contar o que fiz hoje com o novato. Tomei um pouco de fôlego algumas vezes, o que fez Linnea estreitar o olhar — Parece como se você estivesse prestes a dar a luz — falou, tentando me aliviar o clima. Funcionou, porque eu sorri um pouco mais a vontade.

— Isso é difícil. — resmunguei. Ela sorriu.

— Tome seu tempo, Carter pode cuidar de Ivy, obviamente ele já deve estar em casa. Relaxe e respire até que saía — Tentei fazer como ela mandava, mas estava suando frio cada minuto, portanto, resolvi falar logo na lata.

— Eu e Liam transamos — Linnea engasgou, e eu quase fechei os olhos quando os dela se arregalaram em surpresa. A mulher estava tão vermelha que se a situação não fosse séria demais, eu teria rido.

— Isso é... surpreendente, eu acho — falou ela, ainda pasma. Limpou a garganta em seguida — Acho que isso não está funcionando... Desculpe minha reação, eu só... — Ergui uma mão, impedindo-a de falar.

— Tudo bem. Eu entendo, ainda não consigo acreditar que fizemos isso — falei de cabeça baixa. O silencio que surgiu foi incomodante, mas depois, Linnea se remexeu em seu banco e perguntou.

— Sua primeira vez? — No escuro do carro, senti minhas bochechas queimarem em vermelho, e assenti, mas fiquei surpresa quando Linnea riu e perguntou — Como foi?

Voltei-me para ela, ainda vermelha, mas fiquei mais a vontade quando vi seu sorriso amável.

— Seria errado dizer que foi meio doloroso e ao mesmo bom, de certo modo? — indaguei e Linnea gargalhou, jogando sua cabeça para trás divertidamente.

— Com certeza essa é a expressão minha querida. A minha primeira vez também foi dolorosa e nada romântica — A mirei curiosamente.

— Sério? Pensei que todas as mulheres achassem a primeira vez bonitinha, especial. Uff! Sinto raiva só de pensar que elas se expressão dessa maneira. Como pode uma dor daquelas ser bonita? — Linnea riu novamente, e quando seu riso sessou e seus olhos me miraram, eles eram gentis.

— Também me perguntei isso. Mas a dor se vai com o tempo, não precisar temer, foi apenas a primeira tentativa — disse, mas então seu rosto se tornou severo — Mas é claro que precisam se prevenir se resolverem tentar de novo. Sabe disso não é Jodie? Não queremos uma criança tão cedo, ou queremos? — Arregalei os olhos.

— Oh meu Deus, não Linnea. Nem me fala — Esfreguei o rosto, nervosa — Eu não sou louca a esse ponto. E Liam tem mais cérebro que eu, tanto que me mandou ir a um médico — O rosto de Linnea não escondeu a admiração.

— Ele está certíssimo — falou, e então deduziu — Então é por isso que está me contando. Quer que eu leve-a ao médico? — Assenti relutante.

— Eu não quero ir, admito, mas tem certas coisas que não posso simplesmente recusar. E depois de hoje, queria me prevenir — Olhei-a cheia de incerteza — Pode me levar. Eu não sei fazer essas coisas. Nem mesmo lembro quando fui a um hospital, e o Jared foi um único médico que vi depois de anos. Estou apavorada com isso — Linnea sorriu, me olhando daquela forma tão amena que e confortante sempre. Aquela que fazia eu me sentir segura.

— Eu fico feliz por estar me pedindo isso. E claro que irei com você, é uma coisa que sonho sempre fazer com minha filha — confessou alegremente enquanto ligava o carro — Quando era mais nova, eu não tive minha mãe para explicar essas coisas ou me levar a um ginecologista, ela não tinha muito tempo, tanto que apelei a uma amiga. Por causa disso, quero ser o mais próxima possível de Ivy, não quero que ela corra o risco de ter que recorrer a uma amiga quando eu posso ajudar. — Assenti, totalmente compreensiva, e então perguntei quando a pulguinha em minha orelha se moveu.

— Desculpe perguntar mas... A sua primeira vez foi com Carter? — Ela riu, movendo o carro para a estrada.

— Não. Eu tinha dezesseis anos, e engraçado foi que, logo depois que perdi minha virgindade, Carter resolveu bater continência em minha porta — riu, mas em seguida franziu o cenho — Ou talvez devesse dizer vomita muito em minha porta. Foi um dia lamentável para ele — Ri, lembrando-me da historia que Carter havia me contado.

— Você namorava com outro então — falei, no entanto Linnea suspirou, como se o assunto fosse doloroso. — Tudo bem se não quiser falar.

— Não, tudo bem, mas todos tem um pouquinho de decepção na vida. Carter estava com o coração partido por causa de Jessie, já eu por causa de Trevor, o cara que me enxotou depois que conseguiu entrar em minhas calcinhas — A olhei tristemente.

— Eu sinto muito. Se te faz sentir melhor, eu posso levar Liam para me ajudar a bater nele. É só me dizer onde o traste mora — Linnea sorriu, novamente alegre.

— Obrigada, mas Trevor está bem longe de mim. E vamos se dizer que Carter conseguiu resolver as coisas com ele — Seus olhos emitiram um brilho cheio de amor — Não guardo mais magoas, mas ainda não deixa de ser doloroso. Assim como a perda de Carter.

— Entendo — Olhei através da janela — Todos tem suas dores guardadas.

— Isso mesmo. Mas não devemos falar ou focar nelas — Linnea disse animada — Isso é sobre sua primeira relação, e tenho certeza que não será a última — Corei novamente, desvaindo o olhar.

— Linnea.

— Não se sinta envergonhada querida, é normal existir relações sexuais na vida de uma mulher. E prometo que se aprender, tudo saíra maravilhosamente bem. Contudo primeiro precisamos cuidar da sua saúde, vou levá-la agora mesmo a minha doutora particular. Ela é uma grande amiga e provavelmente está de plantão, adorará lhe explicar tudo — Linnea pegou minha mão firmemente — Tudo vai sair bem, e estou orgulhosa por tomar a iniciativa de vir me procurar.

— Será constrangedor não é? — indaguei nervosa. Ela sorriu.

— Sempre é, mas irá se acostumar. Garanto — suspirei, e assenti, apertando sua mão de volta.

— Espero que esteja certa.

~*~

Notas finais
E ai? Gostaram? Conversa tensa entre ela e o Josh né não? Mas vamos, me digam o que acham do Joshua okay. Obrigada por tudo e beijos.