Believe In Me

35 Capitulo 35 — Raiva


Notas iniciais
E la vai mais uma surpresinha para Jodie e para vocês, espero que gostem. Boa-leitura :)

Eu não sabia quantas horas eram quando acordei, mas o sol já estava se pondo e a claridade se esvaindo do céu, mas ainda não podia me mover dali, assim como Liam parecia não querer me soltar. Um sentimento de satisfação batia em meu peito, me fazia virar os olhos e soltar risinhos descontraídos ao lembrar o que eu tinha acabado de fazer com aquele garoto.

— Está quieta — pulei um pouco quando a voz do novato interrompeu meus pensamentos. Sua mão alisou meu ombro e parou em meu cabelo, entrelaçando os dedos aos fios a cada cinco segundos.

Remexi-me em cima de seu peito até estar olhando diretamente aos seus olhos.

— Só pensando como foi que eu cheguei a esse ponto — falei, e sorri com diversão óbvia — Bem que você disse que os chatos podiam impressionar — Seu riso se espalhou por todo canto insistentemente.

Seu polegar deslizou por minha bochecha quando ele disse.

— Eu sempre tenho razão. — fiz careta.

— Não fique se achando só porque fizemos... — Droga, eu ainda não podia falar. Não saía a maldita palavra — Você sabe — virei os olhos. Liam ergueu uma sobrancelha, obviamente amando minha forma nervosa de me expressar.

— Eu já disse que fica linda com vergonha? — indagou, eu o acertei. — Hey!

— Vai se ferrar. Eu não estou com vergonha! — ralhei. Ele riu.

— Acho que sempre vou amar a forma como retruca comigo. Principalmente depois do sexo — A palavra trouxe a cor ao meu rosto novamente, e eu odiei isso.

Chacoalhei a cabeça.

— Você é desprezível — murmurei, e me afastei para levantar. Não foi possível, porque o infeliz segurou meu braço e puxou-me para cima dele.

Arregalei os olhos quando estava em cima dele literalmente. Olhei-me por um momento e tentei ao máximo não levantar os braços para me cobrir, mas me aguentei ao avaliar o olhar cheio de admiração que Liam me direcionava. Com certeza ele gostava do que via.

Uma garota nua em cima dele e usando apenas os cabelos para cobrir os seios. Para ele aquilo devia ser um paraíso.

Ergui uma sobrancelha para ele.

— Você me olha como se quisesse me devorar — resmunguei impressionada. O sorriso que esse abriu foi ainda mais estreito e cheio de malícia.

— Isso porque eu me viciei em você doçura. E com certeza gostaria de devorá-la de novo — Ofeguei quando ele remexeu o quadril contra o meu, roçando os sexos e deixando-me ciente que algo já estava acordado de novo.

Porra! Caralho! Puta que pariu!

— Liam — gemi fechando os olhos e tentando voltar a terra — Pare com isso seu manipulador. — Mais uma vez, ele riu, e Cristo, como eu gostava de ouvi-lo rir.

Suspirei quando seu quadril aquietou e de repente, minha cintura estava sendo abraçada e minha boca beijada.

— Não esquenta doçura. Não quero arriscar dessa vez — falou, mas mais parecia estar ronronando para mim. Abri os olhos.

— Como assim arriscar? Arriscar o que? — questionei. Ele mordeu o lábio inferior enquanto me olhava e afastou meus cabelos para lado, expondo meu pescoço.

— Tenho medo de não sair na hora — falou, e suspirou de uma maneira que considerei decepcionado. — Estamos sem camisinha e da primeira vez eu consegui sair de você antes de gozar. Agora que sei como é estar dentro de você, acho que não conseguirei sair a tempo — Ele parecia tão triste por isso, que comecei a rir, jogando a cabeça para trás.

Ele me olhava com o cenho franzido.

— Qual a graça?

— Está triste porque não pode ter um orgasmo dentro de mim? Que coisa mais nojenta, novato — Ele voltou a sorrir e me pegou de surpresa quando passou a beijar meu pescoço. Meu riso se transformou em algo muito diferente. — Liam...

— Seria divino estar dentro de você quando isso acontecer. E tenho certeza que também gostaria — murmurou. Agarrei seu rosto fazendo-o me olhar.

— Isso nunca vai acontecer. Se eu ficar gravida eu mato a criança — Ele bufou, rolando os olhos despreocupadamente.

— Existem pílulas para você tomar Jodie. Posso levá-la ao médico para examiná-la e explicar tudo sobre relações. — Seus dedos acariciaram meu rosto — É uma coisa difícil de fazer, mas agora que você não é mais virgem, precisa de um acompanhamento médico — Neguei na mesma hora.

— Nem pensar. Sabem o que os médicos vão falar assim que me verem? Eu nunca na minha vida pisei em um hospital ao não ser quando era uma criança boba. Não pretendo voltar lá nem que me arraste — Com o semblante fechado, afastei-o e fiquei de pé. Muito má ideia, pois foi quando eu senti o desconforto nas pernas e na região intima.

Fazendo uma careta, olhei-me e mais vergonha se apossou de meu rosto. Lá estava a prova de que não era mais uma menininha virgem e sim uma mulher, bem entre as coxas e também em cima do colchonete. Uma trilha de sangue seco escorrendo. Constrangida, voltei-me para Liam, e ele olhava-me seriamente, e fiquei surpresa por não estar me admirando ou sorrindo para a mancha em minhas pernas, mancha que marcava o que fizemos horas atrás.

Ele se levantou, e dessa vez eu tive de olhá-lo. O garoto era majestoso. Todo aquele tamanho, aqueles músculos e aquele poderoso membro poderia derreter qualquer mulher, até mesmo a mim. Mas eu não estava pronta para demonstrar fraqueza apenas por seu corpo nu gostoso e sarado, aquilo tudo era tão novo, que tudo que podia mostrar, era minha expressão de eterna confusão.

Eu finalmente estava me relacionando com alguém, mas ainda não podia falar um “Eu te amo” com segurança. E não era porque estava preso em minha garganta, mas sim porque eu não tinha certeza que o amava.

— Venha. Vou ajudá-la no banho — disse ele, pegando minha mão e passando o braço por meu quadril.

— Eu posso fazer isso sozinha — falei, mesmo que meu corpo tivesse ido para ele no momento que esse pediu. Liam negou, me levando ao vestiário.

— Eu vou fazê-lo. Não seja teimosa agora, ok? — permaneci quieta e deixei que me lavasse.

Suas mãos foram gentis ao me tocarem, e eu gostei. Quase podia sorrir quando ele entrou no chuveiro comigo esfregou meu cabelo, minhas costas, e com muito cuidado, a região mais intima de meu corpo. Eu não fiz absolutamente nada, só assisti e fiz os movimentos que ele pedia, sem saber muito bem o porquê. No final, ele se lavou rapidamente e saiu, me deixando sozinha por dois minutinhos.

— Venha. — Ele voltou segundo depois com uma toalha enrolada no quadril e outra nas mãos. Essa ele usou para me secar. Fiquei ciente de como ele era mais carinhoso nos lugares em que era ferido ou que tinha uma cicatriz, e soube enquanto o observava que a preocupação estava em sua cabeça.

— O que você tem? — perguntei quando já estávamos vestidos e eu cansada de seu silêncio. Ele franziu o cenho enquanto chacoalhava a toalha contra o cabelo molhado, e ao abaixá-la, me enfrentou.

— Precisa ir ao médico Jodie — disse. Eu não pude conter o grunhido que saiu de minha garganta. O novato não se importou — Eu não estou dizendo por causa da porcaria da pílula, e sim por causa de sua saúde. Precisa verificar se está tudo bem com você.

— Mas é claro que está tudo bem comigo. Não é só porque ficamos juntos que posso estar à beira da morte — Não foi uma coisa boa ironizar sobre isso, pois só o deixou nervoso.

— Não se trata de morte Jodie, e sim de cuidado com seu corpo intimamente. Por favor, se você não quer ir comigo, vá com Linnea, converse com ela ou qualquer pessoa que tenha confiança. Apenas não esqueça de se cuidar depois de hoje — E então ele deixou a toalha no banco e saiu do vestiário. Naquele instante, percebi que estava com mais um grande problema. Merda.

~*~

O clima ruim que ficou dentro do carro do novato era um incomodo do tamanho de um caminhão. Eu nem mesmo conseguia olhar para ele sem pensar naquela droga de opção de ir ao médico. Ta certo que ele tinha razão, mas merda, eu não suportava hospital, já bastava eu ter que ir a um psicólogo.

Apertei as mãos em punho quando o SUV parou em frente à casa de Linnea. Olhei pela janela e suspirei, tentando pensar em alguma coisa para falar, não queria ter que ir sem concertar aquele ar ruim entre mim e o novato, pois afinal das contas, eu tinha tido um momento ótimo com ele e não desejava estar brigada depois de tudo.

Respirando fundo, tomei fôlego.

— Liam eu...

— Jodie eu...

Minhas bochechas erubesceram quando falamos ao mesmo tempo, abaixei o olhar para as mãos e pelo canto do olho notei o novato fazer o mesmo com um sorriso de lado.

— Não quero ficar mal com você por isso — Ele falou sem me olhar, o que me tirou um peso enorme das costas.

— Você sabe que eu não suporto esses tipos de lugares — rebati baixo, acuada — Eu já estou tendo que enfrentar um psicólogo, um médico só me faria ficar mais...

— Nervosa — completou como se estivesse compreendendo só agora. Ouvi então quando ele suspirou e depois, sua mão agarrou a minha um aperto suave — Desculpe por forçar isso. Só quero o seu bem — Vire-me para ele e encontrei com seus olhos sinceros e preocupados. Era tão estranho saber que aquela aflição era por minha causa.

— Eu sei me cuidar.

— Sei disso meu anjo — Tocou meu rosto lentamente — Mas ainda não posso deixar de ficar paranóico — Era crueldade, mas o grude dele me fez rolar os olhos.

— Está tudo bem certo? Agora tenho que ir. Tchau — Abri a porta e pulei para fora com a minha mochila na mão. Subi a varanda da casa e peguei na maçaneta... Foi quando senti as mãos vir em volta do meu estômago por trás, eu quase morri.

Ele estava me tocando!

Liam Corey estava me tocando em publico como se fossemos dois namorados.

Oh, meu Jesus!

— Você esqueceu do meu beijo — ronronou ele perto demais. Engoli em seco.

— Você não devia fazer isso no lugar que muitos podem ver.

A risada de Liam em meu ouvido fez meu corpo ficar mais tenso do que desejava.

— E por que não doçura? — Erg. Doçura?

— Porque se não eu vou te bater, porra!

— Ainda não entendeu que não pode me alcançar? — Merda. Por acaso ele estava tentando ser engraçado ou algo assim?

— Se iluda o quanto quiser idiota — retruquei e então disse: — E não me chame assim novamente!

— Eu posso chamá-la do que eu quiser, já ouviu falar de liberdade de expressão?

— E você quer um nariz quebrado? — Ele voltou a rir, em seguida me virou para ele ainda segurando minha cintura.

— Ainda quero meu beijo.

— Foda-se! — Eu levantei a perna e chutei de volta na canela de Liam: ele grunhiu quando pulou para trás. Virei-me e abri a porta da casa na mesma hora em que ele chacoalhava a perna, obviamente para acabar com a dor.

— Maldita — assobiou ele.

Eu sorri.

— Isso vai acontecer com suas bolas se continuar me chamando assim — Ele revirou os olhos ainda resmungando com a dor.

— Eu não agrido você por causa do infeliz apelido que não esquece. Eu poderia tê-la presa por agressão, você sabe disso, não é? Você já me bateu duas vezes hoje! E vamos deixar claro que nem mesmo contei com os dias anteriores.

Bufei meio impaciente.

— Foi alto defesa. Você estava me agarrando e me irritando — Eu cuspi e tentei fechar a porta, mas ele a segurou com um sorriso safado no rosto.

— Mas bem que você gostou de como lhe agarrei algumas horas atrás — Ele balançou a sobrancelhas para mim sugestivamente. Eu olhei para Liam quase que pulando em seu pescoço. Apostava que só faltava a fumaça sair de meus ouvidos.

— Você é um bastardo — grunhi.

— Um bastardo que você adora — E ele realmente capturou meus lábios com os dentes, me provocando até que conseguiu ter a maldita língua dentro de minha boca.

Fiquei ainda mais furiosa por não conseguir afastá-lo, e como vingança, mordi-o com força.

Ele se afastou uivando com a dor.

— Ai... porra, Jodie — Ele tocou a boca e amparou o lugar ferido e sangrando. — Você me mordeu! — Sorri.

— Supere isso, seu bebê — E estava pronta para fechar a porta, quando um carro estacionou atrás do SUV de Liam.

Franzimos a testa, obviamente reconhecendo o Onix 2014 de Ethan.

— Isso não pode ser bom — murmurei. Liam assentiu.

— Com certeza não é.

Esperamos o pai de Liam descer do carro e caminhar até nós com aquela droga de expressão séria. Era a pior de todas que ele usava, e não era a melhor para aquele instante.

Ele subiu escadas da varanda ajeitando o paletó e estreitando os ombros. Ele nos avaliou curiosamente e com uma sobrancelha erguida.

— Onde estavam? — Questionou logo para o filho. Esse apertou os lábios nervosos.

— Na casa de Lizze, eu disse que íamos...

— Não tente me enrolar moleque — Ele mirou Liam extremamente nervoso — Eu acabei de vir da casa de Eloise e ela me disse que vocês saíram de lá às nove da manhã. Já são cinco da tarde. Liguei para Linnea e ela me garantiu que Jodie ainda não estava em casa porque a babá não lhe ligou avisando. Vou dar mais uma oportunidade para me contar a verdade antes de pegá-lo pela orelha — Eu fiquei congelada. Olhando o pai ameaçar filho como se fossem dois lutadores de MMA, o que de fato ambos eram.

Liam nem parecia amedrontado, só alisava o cabelo e bufava com uma expressão de “Fui pego”.

— Okay. Nós estávamos na academia, mas... — Acham que o cara permitiu que o filho terminasse? SQÑ. O homem realmente acertou a cabeça do moleque com a mão, tão forte que eu pude sentir a dor em mim. Arregalei os olhos quando Ethan segurou a nuca do filho e o arrastou até ficar com o rosto muito perto do dele.

O advogado rugiu.

— O que disse para fazer ontem? Diga-me bem de vagar — mandou, e parecia mortal a voz calma dirigida ao novato. Liam gemeu tentando escapar de sua mão.

— Disse que não era para mim voltar lá — falou relutante. Ethan apertou mais sua nuca.

— E o que merda estava fazendo lá depois que eu o proibi de ir? — Isso Liam não respondeu, o que fez o pai fazer mais preção, tirando-lhe um grunhido. Eu fiz careta, não gostando a forma como ele segurava o novato.

Quantas vezes eu tinha que dizer que somente eu podia bater nesse bastardo?

— Com licença, mas o que estávamos fazendo não é bem da sua conta. Solte-o! — falei, atraindo seus olhos. Liam arregalou os olhos para mim e depois o pai, e eu sabia que ele me achava louca por provocá-lo.

— É da minha conta quando meu filho está sendo perseguidor por um louco — rosnou Ethan, mas soltou Liam grosseiramente para o lado — Vocês não tem nenhum senso de inteligência em suas cabeças? Ontem mesmo encontraram com Edgar naquelas redondezas. Você mesma devia saber o quão perigoso é — Pisquei incapaz de negar tal coisa. Ethan estava certo, e dessa vez eu não podia me defender, pois eu tinha mesmo esquecido de como Liam estaria em perigo indo novamente para a academia. Desviei os olhos e cruzei os braços, quieta ao ser mirada por olhos verdes tão gélidos.

— Não os quero lá. Será que fui claro agora Liam? — O novato assentiu mesmo que a contra gosto, depois o advogado esperou meu consentimento. Eu balancei a cabeça de vagar sem mirá-lo. — Bom. — falou. Em seguida respirou fundo e arrumou as mangas do paletó. — Agora temos que conversar sobre outra coisa.

— Novidade — ironizei, e ao ver seu semblante questionador, eu bufei. — Manda bala. O que meu pai fez agora? — Eu não gostei nada como a feição dele mudou para mais suave e quando aquele suspiro derrotado saiu de seus lábios. Acho que até Liam soube que era algo muito terrível, pois se aproximou de mim e pegou minha mão.

— Lembra-se que você nos disse que não tem nenhuma ideia para onde ele possa ter ido e que por isso o delegado estava revirando a fixa de seu pai atrás de uma pista sobre seu paradeiro? — Assenti, já pressentindo uma coisa muito ruim. — Bom. Nós encontramos o pai dele. — Meu coração deu um salto tão grande, que eu quase pude considerar estar tendo uma crise de ataque cardíaco.

Meu avô Joshua. Eu não encontrava com ele desde os meus oito anos de idade. Fechei os olhos, lembrando-me de como sua última visita tinha sido horrível; Edgar, seu próprio filho, expulsando-o de nossa casa, jogando-o na rua depois que o homem negou-se a dar-lhe dinheiro para bebida.

— Vocês encontraram meu avô? — perguntei depois que revi a frase várias vez. Ethan assentiu, mas parecia tão triste, que engoli em seco — Onde ele está? — O advogado suspirou, e então retirou um pequeno panfleto do bolso da casa. O peguei, e assim que o li tive uma repulsa e raiva ainda maior.

Apertei o papel entre os dedos quando rosnei.

— Edgar colocou meu avô em um asilo! — Eu não podia estar mais furiosa.

— Infelizmente sim. Amara e o delegado foi para lá na esperança de verifica-lo e ter certeza de que ele não é... — Ele parou ao ver meu olhar assassino. Eu grunhi, soltando a mão do novato e pisando passos a frente, porém Liam me deteve antes que pulasse no advogado.

— Meu avô não é nenhum doente! Ele é bom. Não devia estar trancado nessa porcaria de asilo — gritei exaltada.

— Jodie, se aclame. Meu pai não quis dizer que ele é doente, apenas...

— Foda-se Liam. Foda-se tudo. Eu quero ver o meu avô agora! — Minha voz saiu mais animalesca do que pretendia, mas não pude evitar. Meu coração martelava pela adrenalina que pulsava em minhas veias, e o desejo de rosnar novamente era forte.

— Eu sabia que falaria isso — Ethan suspirou e acenou — Vamos logo. Amara e Richard nos espera. Linnea nos encontrará lá também.

Joguei a mochila para dentro da casa de Linnea e tranquei a porta, depois marchei com ele e Liam para o carro de Ethan. Sentei na parte de trás e Liam acabou por decidir sentar ao meu lado, provavelmente na esperança de acalmar-me.

Mas por dentro eu ofegava fortemente de raiva. Ficava horrizada de saber que Joshua estava há todos esses anos, preso. Devia ter suspeitado que Edgar tivesse feito alguma coisa, meu avô nunca seria capaz de me abandonar, principalmente porque Mary, sua esposa e minha avó, era falecida há muito tempo. Joshua se sentia sozinho e comigo ele parecia ficar mais feliz. Era mais que cruel deixá-lo em um asilo sem absolutamente ninguém.

Cerrei minhas mãos em punho tentando ao máximo procurar um pouco de calma, mas era impossível.

— Não fique assim meu doce — Liam esfregou minhas costas ternamente — Seu avô está bem. — balancei a cabeça, inconformada.

— Joshua não tem ninguém Liam. A última vez que nos vimos, eu tinha oito anos e meu pai estava o expulsando da nossa casa por causa de dinheiro. Meu avô era ciente da bebida na vida de meu pai e temia por mim, mas recusar ajuda para Edgar o fez ser vitima do próprio filho. — Esfreguei o rosto, fervendo e queimando — Eu pensei que Josh estivesse se afastado, me abandonado... mas na verdade ele está preso em um asilo. Como pude ser tão burra por pensar que ele um dia ele poderia desistir de mim? — Olhei para ele quando senti o toque em meu rosto. Seu queixo abaixou e ele olhou de volta para mim. Compaixão e aceitação suavizavam sua face.

— Pare. — Liam sussurrou. — Por favor? Não tem culpa nisso.

— Tenho culpa em tanta coisa.

Surpreendeu-me por ver tanta aflição em seus olhos. Ele sentia por mim e isso me chocou, que ele sentisse tal emoção por algo que aconteceu em meu passado e não no dele.

Ele se debruçou mais perto, olhando profundamente em seus olhos.

— Não quero ouvi-la se culpando de novo. Tudo que aconteceu com você, com sua mãe e irmã, e até mesmo com seu avô, é culpa de somente uma pessoa: Edgar. E escute bem o que digo — Suas mãos seguraram bem meu rosto e sua testa encostou-se a minha, fazendo com que os olhos azuis brilhassem pedindo atenção — Ele vai pagar por isso. Juro para você que vai.

~*~

— Estamos aqui — Ethan falou soltando o cinto.

Olhei através da janela e fiz mais um careta entre tantas, tive de segurar mais xingamentos quando saí do carro e o segui para dentro do asilo com Liam ao meu lado, sempre tentando não me fazer socar a primeira coisa que entrava em minha frente. Nós passamos por um portão enorme com câmeras e atrás desse, havia um pátio com bancos, grama aparada, e uma fonte de água. O lugar era grande e bem bonito para um asilo, e por um instante, enquanto olhava pessoas velhas caminhando, e até mesmo cadeirantes circularem o lugar tomando sol ou conversando, pensei se o lugar era mesmo tão ruim.

— Pelo menos é agradável — Liam sussurrou adivinhando meus pensamentos. Porém me recusei a aceitar até saber como estava Joshua.

— Espero que seja mesmo — Não sabia o que faria se soubesse que meu avô era mal cuidado.

— Por aqui — Ethan indicou para que virássemos à esquerda e depois entrássemos na casa.

Os corredores eram como os de um hospital, mas não tinha cheiro de álcool ou medicação, também era estranho como por toda parte parecia haver velhinhos sentados conversando. Fomos mais a fundo até que paramos em frente à recepção. Reconheci de longe o cabelo ondulado de Amara e o cacheado de Linnea.

— Linnea? — Chamei, e assim que se virou, sorriu carinhosamente e me alcançou com os braços abertos. — Onde está meu avô? — perguntei quando ela se afastou. O sorriso dela estreitou-se para o lado enquanto trocava olhares com Amara, que também sorria.

— Acabamos de sair de seu quarto e... Parece que está sendo alimentado — disse. Cerrei os olhos para as duas.

— E ele está bem? Não quero que mintam para mim — avisei seriamente. Linnea tocou meu ombro gentilmente.

— Por que não vê pessoalmente querida? Vamos levá-la ao quarto. Deixamos o delegado com ele por uns minutos, mas creio que já acabaram a conversa — Apertei a mão com mais força e assenti.

— Me leve. — E assim o fizeram.

Eu não sabia o que era aquilo que de repente se agitou em meu estômago. Esfreguei o rosto e a nuca, incerta de como reagiria ao ver Joshua depois de tantos anos. Ele seria o mesmo? Lembraria-se de mim ou ficaria ressentido por não ter vindo até ele?

Comecei a suar, minha pernas tremiam e tudo parecia girar por causa de meu nervosismo.

— Hey — Liam ficou ao meu lado e sorriu — Se acalme. Está parecendo que vai a uma missão impossível. — Apertei os lábios fechados e olhei de cara feia.

— Eu não posso evitar. Nem sei se ele continua com o mesmo rosto. Não me lembro nem a sua idade — Alisei meu cabelo já seco e fechei os olhos — Eu me sinto com vontade de vomitar. Mas ainda quero arrancar a cabeça de meu pai por fazer isso com ele. — O sorriso compreensivo dele e o olhar perigoso que ele dirigia para frente eram de dar medo em muita gente, podia apostar uma nota.

— Compartilhamos esse sentimento acredite. — depois se voltou para mim — Mas não vomite. Pode aguentar isso.

— Fácil para você dizer — censurei.

As mulheres e Ethan pararam em frente a duas portas brancas e se viraram.

— Ele está lá dentro. Pode entrar quando quiser querida — Linnea falou, o que me fez olhar a porta como se olha um muro de espinho. No entanto eu não recuei, dei um passo até ela e ergui uma mão.

Dei uma batida leve e empurrei a maçaneta, estava com medo do que encontrar e apavorada que Josh não quisesse me ver. Porém qualquer pensamento se foi quando um grunhido insatisfeito alcançou meus ouvidos.

— Eu me recuso minha jovem. Esqueça! — Ergui uma sobrancelha e curiosidade me fez adentrar o lugar completamente. Dei de cara com as costas e o cabelo grisalho do delegado Richard, que quando se virou para ver quem entrava, não pôde disfarçar a irritação estampada no rosto.

— Você veio — murmurou, mas eu não me preocupava com ele e sim com outra pessoa. O ignorei e dei a volta em seu corpo, para então refrear os passos. Eu simplesmente não podia acreditar no que via.

— Saía. Vamos, vamos! Vá depressa e me traga uma sopa que tenha gosto. Isso está sem sal. É um absurdo que tentem servir uma comida assim aos seus pacientes. Minha Mary fazia comidas melhores que essa se quer saber. — Eu tive de coçar os olhos para ter certeza de que ali mesmo, próximo a uma janela e sentado em uma poltrona, estava meu avô insultando a pobre enfermeira, que com certeza estava virando os olhos enquanto tentava, em vão, empurrar uma colher para a boca do velho rabugento e resmungão.

Josh estava diferente, a face estava mais enrugada do que lembrava e seu cabelo parecia um punhado de neve de tão branco. E Cristo, seus lábios cerrados em uma linha severa e os olhos azuis cristalinos transmitindo insatisfação, me fazia lembrar de Edgar, por mais doloroso que fosse.

— Precisa comer Joshua. Seja bonzinho, o senhor tem visita observando — A doutora de branco falou na esperança de fazê-lo comer, mas o velho apenas bufou e fez careta.

— Visita. Nada disso é uma vista mulher. Esse homem veio só perturbar-me para querer saber de meu filho ingrato. Diga para ela delegado — Josh acenou com a mão para Richard sem saber que existia mais gente no quarto, mas depois virou o rosto e me descobriu em frente de Richard.

Eu congelei quando uma de suas sobrancelhas se ergueu e sua cabeça deitou para o lado um pouco e depois, falou para enfermeira.

— Mais uma de suas voluntarias Lucinda? Até quando isso vai durar? — Engoli em seco quando a tal de Lucinda virou-se com a testa franzida para mim e se levantou. Ela ia falar, mas o resmungão que era meu avô se pôs na frente — Veja bem menina, vou lhe ensinar uma coisa já que é nova nesse fim de mundo. Trague-me comida boa, fui claro? E se quer me conquistar, me ofereça um sanduíche completo cheio de cheddar e bacon — Eu finalmente sorri, olhando-o divertida pela primeira vez. Meu sorriso o fez franzir o cenho por uns instantes.

— Ela não é nenhuma voluntaria — A enfermeira Lucinda retrucou antes que houvesse mais enganos. — Quem é você?

— Ela está conosco — O delegado falou, e olhei sobre o ombro para os outros, que também pareciam divertidos com o comportamento de Josh. Liam sorria tão largamente para mim que relaxei um pouco.

— Oh. Quer dizer que não haverá sanduíche? — lamentou Joshua. O delegado respirou fundo coçando os olhos.

Eu tentei criar coragem para falar enquanto me aproximava.

— Eu posso trazer para o senhor. E prometo caprichar no cheddar — O velhinho me olhou tão esperançosamente que eu sorri.

— Estou gostando de você minha jovem. Pode me conseguir refrigerante também? Esse lugar é terrível. Nem mesmo tenho curiosidade de entrar no refeitório — ri um pouco ao assenti.

— Eu o trago sim.

— Nem pensar — recusou a enfermeira com uma cara de poucos amigos para mim — Ele não deve comer esses tipos de coisa. — Fiz careta para ela e Josh bufou, jogando as mãos para o alto ao falar.

— Não seja estraga prazeres Luce.

— Estou cuidando do senhor — rebateu ela. E depois me olhou — Não traga nada disso. — Eu odiei-a assim que tentou mandar.

— Quero ver me impedir — rebati, cruzando os braços desafiadoramente. Ela estreitou os olhos para mim enquanto Joshua sorria alegre e batia palmas.

— Sim! Finalmente uma coisa interessante acontecendo nesse lugar — Eu realmente queria abraçar aquele velhote.

— É proibido! Delegado, não podemos permitir que...

— Ah, cala a boca. Como se esse homem fosse capaz de me impedir de vir alimentar ele corretamente — ironizei fazendo com que Richard me fuzilasse com os olhos. Assim como a enfermeira.

— Esse tipo de comida não é saudável. — rebateu furiosa.

— Mentira! — Eu berrei, porém não contava que meu avô querido fizesse o mesmo. Nós nos olhamos um pouco, mas depois eu me voltei para a enfermeira assustada e disse:

— Cheddar é muito saudável!

— Concordo plenamente querida — Josh sorria amplamente para mim.

Os risos que veio de trás de mim fez-me virar. Liam ria contra a parede enquanto as moças e Ethan sorriam.

— Agora se vê de onde ela puxou — O novato gargalhou, e eu só pude virar os olhos e voltar-me a Josh, no entanto ele agora parecia cauteloso e avaliativo. Mirava Liam com curiosidade.

— O que disse garoto? — Oh sim. Era agora. Ele tinha sacado.

O novato parou de rir no mesmo instante e me olhou, fazendo com que o velho me mirasse agora muito sério.

— Quem é você? — Ele realmente não me reconhecia. Isso machucava, mas ainda sim, não tirava-lhe a razão de preferir esquecer. Afinal de contas, eu era filha do homem que o havia prendido ali.

Abaixei os olhos, insegura.

— Eu acho que não tenho o direito de ficar chateada por não me reconhecer — sussurrei. Ouvi então o farfalhar da poltrona, e quando percebi, o homem estava de frente para mim com os olhos familiares confusos.

— E eu deveria reconhecê-la? — Não respondi, só o olhei.

Ele se aproximou, e notei que tinha uma bengala para se apoiar. Josh me observava com tanta precisão que até mesmo me assustei quando os dedos trêmulos pegaram uma mexa dourada de meu cabelo. Os fios foram enrolados em seus dedos enquanto ele avaliava, e eu assisti bem lentamente seu rosto envelhecido mudar, e então, seus olhos me fitarem com compreensão.

— Bonequinha? — Lágrimas acumularam em meus olhos ao ouvir o tão antigo apelido, eu sorri emocionada.

— Olá vovô.

~*~

Notas finais
E ai genteeee? Minha mana aqui ta me insultando porque parei na parte boa, e agora estou com pressentimento de que vão fazer o mesmo. Me mandem suas frustrações pelas reviews e não esqueçam que vem mais na sexta-feira. Até lá povo!