Believe In Me
34 Capitulo 34 — Um dia disfarçado
Notas iniciais
Encolhi-me quando minha pele arrepiou ao sentir o ventinho bater minha nuca. Suspirei, contorcendo-me e erguendo os braços para me espreguiçar, mas minha tarefa foi interrompida quando minha mão bateu contra algo duro. O gemido veio logo em seguida de trás de mim me fazendo despertar rápido e olhar para a pessoa que tinha acertado.
— Liam? — franzi a testa quando o novato resmungou segurando o nariz e rolando para longe. Ajoelhei-me e engatinhei até ele com cara feia. — Você é idiota? Como é que fica atrás de mim enquanto estou dormindo? Isso foi sua culpa — Ele finalmente abriu os olhos e lá tinha irritação, mas ainda sim, não pude deixar de notar como seu rosto ficava lindo depois de acordar.
— Minha culpa?! Como eu podia saber que ia acertar meu nariz logo pela manhã? — questionou nervoso. Rolei os olhos e bati em sua mão para tirá-la da frente.
— Me deixa ver seu bebezão — Toquei em seu nariz e apertei, o que fez ele apenas estremecer.
— Jodie!
— Não está quebrado. Não é para tanto — Me sentei e olhei em volta só para olhar para a imagem mais engraçada de todas.
Todos estavam deitados nos colchões ou até mesmo no chão, havia comida e pipoca para todos os lados da casa, e as meninas estavam por cima dos meninos da forma mais desleixada. A minha esquerda Stef agarrada a Jack, atrás do sofá, Jonah e Lizze, e em cima do mesmo, Jimmy e Harlow quase tombando para o lado em direção ao chão. Era A cena! E claro, eu não ia deixar de guardar como lembrança.
Levantei-me e comecei a procurar meu celular no meio das cobertas. Liam ergueu uma sobrancelha me observando.
— O que vai fazer? — perguntou. Eu sorri.
— Preciso registrar isso — falei. Ao achar o aparelho, me levantei e subi em uma cadeira. O novato riu ao ouvir o click da câmera.
— Eles vão matar você — disse, eu voltei para seu lado rindo.
— Não. Eles vão querer me trucidar ao ver o que eu tirei ontem — Liam estreitou os olhos, curioso, depois esticou os lábios em um sorriso ao se aproximar de mim.
— Me mostra — pediu. Ele começou a gargalhar só de ver a primeira com Jimmy e Harlow. — Devemos emoldurar? — brincou. Segui mostrando as outras e ele continuou rindo, pelo menos só até que o movimento de Harlow nos fez calar a boca e observar.
A baixinha bocejou e franziu o cenho, prendemos o riso quando essa esfregou o rosto contra o peito de Jimmy o fazendo mover a mão para cintura dela. Acho que o toque a fez se assustar, pois os olhos dela se abriram arregalados logo em seguida e ela pulou e gritou. O problema era que ela agiu rápido demais, o que os levou direto para o chão.
— Ah! Droga.
— Mas que merda... Harlow? — Jimmy resmungou sem ar e por cima da menina. Eu e o novato voltamos a rir quando a menina berrou novamente.
— Sai de cima! Saaaai!! Seu ogro!
— O que está acontecendo? — A mão de Lizze apareceu atrás do sofá e ela se levantou esfregando os olhos, mas ao abrir, olhou para o lado e deu de cara com a fuça e o cabelo azul de Jonah, que também esfregava os olhos e boceja. — O que nós... Jonah! — Ela saiu do lado do garoto se arrastando pelo chão e com o rosto tão pálido, que com certeza apostava que ela deveria estar lembrando-se do que fizeram no banheiro e bem atrás daquele sofá.
— Hey, bom dia gatinha — Jonah, como sempre sem vergonha, sorriu e piscou para ela.
Eu já não conseguia para de rir, e ver Jimmy e Harlow tentarem se afastar assustados me fez ter a barriga doendo. O próximo casal a acordar não foi tão escandaloso. Stef apenas ergueu a cabeça, olhou para onde estava deitada e depois para nós, ela se encolheu envergonhada e se sentou antes de cutucar o seu parceiro no braço.
Jack esfregou o rosto e ao abrir os olhos, sorriu para Stef.
— Olá linda.
— Booom diaaa Jack! — Acenei com a mão enquanto sorria. Apoiei os pés nas pernas de Liam o mais relaxada possível.
— Otchi! Como paramos aqui? — Ele olhou de mim para os outros, confuso.
— Ai meu Deus... Sai de cima! — Harlow berrou de novo empurrando o loirinho, que por mais incrível, não estava nem ai para os outros, só olhava ela com preocupação.
— Você está bem? — perguntou. A menina o olhou sombriamente.
— Não! Sai. De. Cima. De. Mim. — grunhiu a pequena, lentamente, o que o fez se mover para o outro lado com uma expressão nervosa. — Não. Não. Nada aconteceu! Isso é minha imaginação. Deus, faz ser mentira. — Ela pedia juntando as mãos.
— Do que estão falando? — Stefany perguntou quando Jack a puxou para perto. Virei os olhos.
Não era legal zoar eles.
Jonah, que ainda estava atrás do sofá, gargalhou alto.
— Isso não está obvio? — Ele olhou para cada um ali — Todos tiraram um pedacinho dessa brincadeira. Não é gatinha? — piscou novamente para Lizze.
— Vai se foder Jonathon! — rugiu ela.
— O que! Eu não fiz...
— Acho que não tem como negar dessa vez baixinha — Liam sorriu maliciosamente. Harlow e Jimmy o miraram.
— O que quer dizer? — Liam me olhou rindo, o que fez todos eles me olharem também.
Desviei os olhos para o celular em minhas mãos e, bem de vagar, liberei as pernas das mãos de Liam.
— Jodie? — falaram.
— Então. Eu achei tanto que vocês iam gostar de ter uma recordação desse momento que... eu tirei umas fotinhos para guardar — Eu quase me encolhi com suas expressões assassinas que diziam com todas as letras: VÔCE TA FODIADA!
As piores de todas eram Lizze e Harlow.
— Você não fez isso — murmurou Jimmy com a voz entrecortada. Ergui uma sobrancelha desafiadora.
— Eu vou te matar! — Harlow e Eloise, e agora até mesmo Stef gritaram e pularam em pé. Eu que não ia ficar parada, corri direto para cozinha enquanto gargalhava.
Os meninos nos seguiram rindo ao invés de me ajudar. Mas que porra de amizade era aquela?
— Será que não podemos fazer um acordo? — perguntei quando rodamos a mesa de Lizze. Elas mostraram os dentes.
— Apague as malditas fotos! — Harlow exigiu. Fiz bico.
— Mas elas ficaram tão boas.
— Jodie!
— Vamos fazer assim. Que tal eu prometer nunca postar em nenhum um lugar e também nunca dizer que... — dei um sorrisinho sapeca — Vocês estavam quase comendo uns aos outros! — Elas arregalaram os olhos, e a correria recomeçou até que eu não tive opção a não ser correr para fora da casa.
Outra coisa que deu muita merda, porque assim que colocamos o pé no gramado de Lizze, as porcarias dos irrigadores foram ativados.
— Aaaah!!! Puta que pariu
— NÃO!! Meu cabelo!
— Saí da minha frente! Aaah meu Deus. Meu cabelinho — As garotas saíram empurrando umas as outras enquanto eu tentava me manter longe. Passei a mão pelo rosto afastando as gotinhas de água. Ri com a confusão delas até que finalmente empurraram os meninos que estavam na porta assistindo tudo e entraram.
Lambi os lábios molhados e sorri para eles quando me fitaram com os braços cruzados. Dei de ombros.
— Querem ver as fotos? — perguntei toda encharcada.
Eles passaram a rir alto antes de me chamarem para longe dos irrigadores e então, olharem as fotos e passarem copias para seus celulares. Aquela manhã sim foi agitada, e da melhor forma claro.
~*~
— Pronta Jodie? — Fechei a mochila e me virei quando a porta do quarto de Lizze abriu.
— Sim. Todos já foram? — Liam assentiu, entrou e fechou a porta suavemente atrás dele. Percebi como ele era muito mais alto já que eu estava descalça. Minhas botas davam-me alguns centímetros de altura.
— Lizze está lá em baixo tentando evitar Jonah, que ficou para tentar convencê-la que tudo está bem — Joguei a mochila no ombro e fechei a jaqueta, para em seguida, olhar o relógio.
— Linnea e Carter devem ter ido trabalhar já. — Ele se aproximou e enlaçou os dedos aos meus.
— Você tem consulta hoje? — suspirei e balancei a cabeça.
— Não, apenas amanhã. O que me deixa com a tarde sem fazer nada — Liam sorriu, e assim que captei o brilho em seu olhos eu entendi o que o novato pensava. Ergui uma sobrancelha para ele e o ato me fez ser puxada contra seu peito — Liam!
— Vamos para a academia — pediu. Meu coração acelerou pela mudança de sua voz rouca. Parecia sexy para mim.
Inalei e quase gemi em voz alta. Ele cheirava tão bem que me fez querer enterrar o nariz na sua camisa. Fosse qual fosse a colônia que usava era dinheiro bem gasto. Lembrei-me vividamente da noite anterior, quando estavam beijando e nos tocando. Uma imagem dele apalpando e mordendo passou em minha mente, o que me fez sentir calor se propagar entre as coxas.
Deus do seu. O que esse garoto tinha para me deixar assim?
Pare com isso, eu me ordenei.
Chacoalhei a cabeça e tentei pensar em outra coisa.
— Não é uma má ideia, mas... Quero que me leve para um lugar primeiro. — Ele estreitou os olhos curiosos.
— Onde? — sorri perversamente.
— A casa da Helen. — Liam congelou. Seu olhar escuro encontrou o meu fixamente.
— Como?
— Sei que você sabe onde ela mora, porque no final das contas, vocês foram namorados. Quero que me leve lá. Agora. — Liam ficou perfeitamente imóvel e esperei que a tensão aliviasse.
Respirou fundo e estendeu a mão. Era grande, com dedos longos e fortes e calos bacanas que cobriam ambas as pontas dos dedos e sua palma. Tocou meu olho roxo suavemente.
— Não tem que fazer nada. Posso resolver isso — falou. Colei a mão livre sobre a dele enquanto com a outra, os dedos se enroscaram em torno dos maiores.
— Sabe que não vou deixar isso barato. Essa garota vem me provocando por sua causa há muito tempo. Estou farta, e agora que ela armou isso para cima de mim, eu com certeza não vou ficar quieta enquanto você tenta concertar — Ele encolheu os ombros.
— Entendo suas razões, mas... e se ela lhe machucar de novo? — seu polegar alisou minha bochecha — que Deus me perdoe, mas não sei se me controlo caso ela te atacar de novo. — Eu sorri. Odiava mesmo quando ele era tão adoravelmente protetor.
— Bem, se serve de consolo... Se o que estou pensando der errado, eu permito que faça o que quiser com ela — Um som veio de sua garganta e eu sorri rapidamente sobre o deslize de seus lábios. Isso era definitivamente grunhido. Ele era tão quente. Alto, boa aparência, podia lutar, resistir às mulheres e fazer esse som sexy.
— Você é teimosa — reclamou. Eu dei de ombros.
— Isso não é novidade. Agora vamos logo — Ele rosnou insatisfeito quando o puxei pelo braço escadas a baixo. — Estamos saindo Lizze! — gritei, e rapidamente coloquei minhas botas e fomos para o SUV do novato.
— Isso não vai dar certo — Ele murmurava ao travar o cinto. Rolei os olhos impaciente.
— Cala a boca e dirige novato.
Ficamos no carro por nada mais que dois minutinhos, e eu odiei ao constatar que a casa da maldita era duas ruas antes da de Linnea. Olhei fixamente para a varanda antes de me dirigir a Liam.
— Não existe nenhuma chance de ela morar sozinha ou tem? — Liam esfregou o rosto e negou.
— Mora com os pais, mas o pai trabalha durante toda a manhã o que a deixa com a mãe em casa.
— Acha que ela está dormindo ainda? — perguntei. Ele franziu a testa olhando o relógio no pulso.
— Com certeza. Por que? — sorri, peguei minha mochila.
— Eu já volto.
— Jodie...
— Confia em mim. Me espera, okay? — Não dei chance dele retrucar, só sai e corri para entrada da casa.
Bati na porta umas duas vezes e me ajeitei, tentando parecer um pouco descente. A mulher que me atendeu era definitivamente a cara de Helen, e assim que percebi seu olhar me percorrer com os lábios em uma linha reta, eu me impedi de mostrar o dedo do meio.
— Pois não? — Sorri um pouco.
— Por acaso a Helen está? Somos colegas de escola e preciso entregar uma coisa muito importante. — O olhar desconfiado dela foi bem previsível.
— Perdão, mas Helen esta dormindo ainda, mas pode me entregar. Sou mãe dela e garanto que lhe entregarei. — sorri novamente, dessa vez tentando demonstrar como estava nervosa.
— Sabe o que é dona — Olhei por cima do ombro e para os lados, e então voltei para ela abaixando a voz — O que eu tenho aqui tem haver com Liam Corey, e ele pediu-me que entregasse pessoalmente para ela. Mas se não quer me deixar entrar, vou dizer para ele que não deu — comecei a me virar para ir embora, mas como esperava, a moça segurou pelo braço.
— Espere. Você disse Liam? — Ela sorria largamente — Oh. Entre! Helen ficara arrasada se não ter o que ele manda. O quarto dela é o primeiro da esquerda. — Eu realmente brilhei com autorização.
— Muito obrigada. Prometo não demorar — falei, e querendo cumprir minha promessa, entrei na casa e acelerei o passo para as escadas. Não quis prestar atenção na casa, mas ela parecia se destacar. Fiz careta só de pensar no preço dos vasos de flores daquela casa.
Deixando isso de lado caminhei para a porta que a mãe de Helen falou, juro que me senti radiante ao encontrar a garota deitada na cama com a cara verde. Tapei a boca com a mão e me aproximei, olhando em volta do quarto enorme.
Era lindo por mais horrível que fosse admitir.
— Vamos à vingança. — murmurei.
Fechei a porta bem de vagar e abri minha mochila. Peguei minha tesoura e sorri maldosamente.
— Agora veremos quem é que manda querida Helen — Peguei mexa por mexa de seu perfeito e lindo cabelo e passei a tesoura, cortando desleixadamente e jogando os fios por cima do cobertor, ao terminar, guardei a tesoura e peguei a cola. — E então o grande finale — espalhei cola por toda parte, e vocês devem imaginar nojeira que ficou não é?
Fotografei aquilo também, porque o dia tinha que ser memorizando. No final, sentei-me na cadeira ao resolver escrever um bilhetinho cheio de amor.
Queridíssima Helen,
Espero que tenha gostado do meu penteado. Fica tranquila que é por minha conta. Eu até mesmo tirei uma fotinho para guarda sempre comigo para me lembrar de como você ficou L I N D A! Espero que morra careca depois dessa e que pense duas vezes antes de chegar perto de mim e principalmente de Liam.
Com muito ódio e eterna satisfação,
Jodie. Seu pior pesadelo.
PS: Pense muito bem antes de me acusar para alguém. Meu dedo coça muito às vezes e posso muito bem usar a tecla de “Enviar” para aliviar o meu tormento. Tenha ótimos sonhos comigo querida ♥ S2
Sorrindo, coloquei a cartinha ao lado de seu computador. Peguei minha mochila e desci o mais calma possível. A mãe de Helen apareceu sorrindo e radiante.
— E então? O que era? Eles voltaram não é? — perguntou animada. Sorri ainda mais e desci o último degrau.
— Bem. Vamos esperar que ela leia a carta. Você vai se surpreender, vai por mim — E rindo, sai da casa e caminhei de volta para o carro de Liam.
— Não ouvi gritos — Liam falou assim que sentei ao seu lado. Eu ri e coloquei os pés os em cima de seu porta-luvas.
— Bem. Espere uns minutos e... — não passou nem mesmo três deles. O grito que soou de dentro da casa foi assustador e música para meus ouvidos.
Liam arregalou os olhos e me olhou.
— Jodie. O que você fez? — sorri largamente.
— Me vinguei.
A porta da casa de Helen abriu. Eu explodi em gargalhadas assim que a garota apareceu na fachada com cabelo até mesmo na boca.
— Meu Deus — O novato olhava ela com a boca escarada, eu soquei-o no braço.
— O que ta esperando? Dirige! — berrei.
— JODIE!!! — Helen gritou correndo cheia de raiva e grunhindo. Eu ri mais e passei a cabeça através da janela quando Liam ligou o carro. — Eu vou te matar! Você vai me pagar muito caro! — sorrindo acenei um tchauzinho.
— Curta seu novo penteado Helen — E ela gritou mais vezes batendo os pés no chão como criança birrenta enquanto a mãe tentava ampará-la sem ter que tocá-la.
— Ah. O dia está tão lindo hoje não é? — suspirei ao me ajeitar no banco novamente. Bati de leve no ombro de Liam — Bora para a academia, novato.
~*~
Dirigimo-nos a academia rindo sobre a imagem lamentável de Helen, entrando na sala de treinamento que Liam usava para se manter em forma, eu abaixei o zíper da jaqueta e joguei as botas longe.
Tranquei a porta e eu atravessei a sala para desbloquear a janela. Na sala grande, apenas colchões no chão estavam espalhados e um monte de equipamentos de exercício ao longo de uma parede.
Liam voltou, se abaixou e arrancou as botas. Levantou a cabeça, e começou a remover sua camisa.
Abri um sorriso de lado.
— Eu deveria me preocupara com você se despindo dessa forma? — Questionei.
Liam deu um sorriso.
— Acha que quero estragá-la suando? É minha camiseta favorita — reclamou, e voltou a puxar o pano que lhe cobria o peito. Estreitei os olhos para ele totalmente interessada.
— Tudo bem então. — dei de ombros, e virando-me peguei na barra de minha regata. A puxei para cima despreocupadamente e joguei com minha jaqueta. Fiz o mesmo com minhas calças, já que não seria a primeira vez que Liam me via com uma calcinha boxer daquela.
Entrei no tatame e voltei-me para ele.
— O que? — Ele assistia cada movimento meu em silêncio. Balançou a cabeça e riu, para depois subir no tatame e me olhar.
— Você adora me provocar — disse. Eu rolei os olhos, mas assenti.
— Eu sei. Fazê-lo me deixa de bom humor — Ele apertou os olhos para mim e eu balancei as sobrancelhas — Agora que tal aproveitarmos que estamos aqui para me ensinar a lutar de verdade? Ta certo que seu pai vai fazer isso, mas pode me preparar não? — O novato gargalhou, jogou a cabeça para trás e riu muito alto.
— Quer que eu lhe ensine como poder me matar de vez? — sorri.
— Sim. — riu mais.
— Nem pensar.
— Se não fizer, vou agora mesmo pedir ao seu pai e te deixar sozinho — cruzei os braços o olhando com seriedade. — Você decide — Seu olhar baixou ainda mais por todo meu corpo e puxou um sorriso em seus lábios.
— Adoro quanto me olha assim — Ele andou até mim, e inesperadamente, puxou um grampo de meus cabelos. Meu corpo imbecil respondeu ao toque macio quando ele libertou os cabelos e usou os dedos através deles. Cerrei os dentes, lutando para conter um gemido. — Mantenha-os soltos para mim.
Ergui uma sobrancelha.
— Não. — respondi. Ele rosnou e aproximou a boca na intenção de beijar-me, mas eu recuei, o que o fez apenas morder o ar.
— Muito respondona doçura.
— Sempre. — Acenei com as mãos — Me ensine. — falei novamente. Dessa vez ele não implicou só ficou de frente para mim me fez erguer as mãos fechadas em punho.
— Primeira coisa que você deve saber: Não basta ser apenas forte para lutar Box, também é preciso ser ágil e aplicar força na hora e momento certo — Ele se afastou um pouco e me fez afastar as pernas, depois ficou na mesma posição que eu estava — Existe dois tipos de Cruzados. Cruzado Olímpico e o profissional. Geralmente o olímpico ou amador se preferir, cruza girando o braço ao contrário. Assim — Ele fez o movimento lentamente para que pudesse ver com precisão, virando o punho para em um angulo meio torto — E o profissional, o que vai mais potente, cruza com ele de frente para você. Como nós só estamos começando, quero que repita esses dois movimentos. Punhos a baixo do nariz depois cruzado de esquerda e cruzado de direita. O de esquerda para você pegar o movimento mais longe girando o braço assim — Ele esticou o braço e torceu minimamente, a palma da mão fechada direcionada para o chão — Repete. — mandou.
Posicionei-me como ele, e com a mesma lentidão, copiei o cruzado de esquerda, duas vezes. Ele foi atrás de mim e empurrou meu cotovelo para cima.
— Não abaixe. — pegou em minha mão com força me olhando nos olhos — Punho firme. Novamente. Mãos de frente para você — posicionei os punhos em baixo do nariz e refiz o golpe. Ele sorriu satisfeito, o que acabou por me fazer sorrir também — Bom. Mas não vamos comemorar porque existe muita coisa pela frente.
— Eu aprendo rápido — falei divertida, e mais uma vez repeti o golpe, mas dessa vez com um pouco mais de velocidade e até o rosto do novato. Claro que não o acertei, pois ele estava me assistindo atentamente e segurou meu punho, mas mais um pouquinho.
Ele sorriu tentadoramente.
— Eu percebi, mas será que é uma aluna obediente? — Ofeguei quando os dedos fortes algemaram meus pulsos e puxaram os braços para baixo. Foquei em seus olhos com um sorriso cético.
— Com você? Nunca, mas quem sabe com seu pai — Um rosnado saiu de Liam e eu jurava que ele estava insatisfeito e nervoso com minha resposta, mas outra coisa brilhou em suas íris azuis. Ciúmes.
— Acha meu pai melhor que eu para ensiná-la? — grunhiu, e por gostar muito de vê-lo assim, sorri e lhe dei um simples selinho.
— Não faço ideia do que está falado novato — Me afastei e corri para o vestiário para pegar as bandagens, mas assim que as capturei, elas foram parar no chão ao quando fui empurrada por Liam contra os armários — Hey...
— Eu falei que não se deve provocar a capacidade de um homem. Agora encare as consequências — Ele me pressionou para trás, meu corpo preso contra o armário e as palmas das suas mãos pousaram sobre a superfície ao meu lado, me mantendo no mesmo lugar.
— Você se descontrola rápido novato — provoquei, mesmo que estivesse tremendo. Ele grunhiu.
— Não. Me. Chame. Assim. — E me beijou.
Ele tinha gosto de pasta de dente de hortelã. Fique altamente tensa e tentei me afastar de sua boca faminta, mas ele segurou meu o rosto para manter-me imóvel.
Caralho. Isso era tão malditamente difícil. Parar era a porra de uma tarefa impossível. Não levar minhas mãos para outros lugares era torturante. Liam sabia disso e continuava.
Infeliz bastardo.
Parecia que sua necessidade de mostrar a mim o quanto significava confiar cancelou tudo, e ele me puxou, segurando-me contra ele forte, eu ofeguei em sua boca, tomando o máximo possível de sua língua insaciável, a mão enorme puxou minha delgada cintura e desceu para as minhas pernas, afoitas e agitadas. Arregalei os olhos quando fui erguida no ar.
— Liam! — Agarrei em seu pescoço e prendi as pernas em sua cintura para não cair. O novato sorriu com o olhar cheio de malícia, e então sentou-se em um dos bancos. Beijou-me o pescoço — Li-Liam o que... está fazendo? — gaguejei, suspirando ao deitar a cabeça, liberando o pescoço para que ele tivesse mais espaço.
— Beijando minha namorada — respondeu sem interromper a trilha de beijos, eu abri os olhos no mesmo instante e o olhei espantada.
— Não estamos namorando — retruquei. Ele piscou e eu esperei ver a magoa em seus olhos, mas não apareceu, tudo que vi foi paixão, carinho, e sim, havia um amor suave e perigoso ali.
— Bem, mas eu tenho esperança que um dia você seja — falou, me deixando ainda mais surpresa. Abaixei a cabeça me sentindo estranhamente constrangida.
— Você não pode estar falando sério. — sussurrei. Uma das mãos dele se soltou de minha cintura para erguer meu queixo.
— Falo muito sério. E queria do fundo do meu coração, ter você como namorada Jodie. Mas não vou forçá-la se não quiser isso agora, eu gosto do que está começando entre nós no momento — Seus lábios pousaram nos meus tranquilamente — Quando disse que estou apaixonado, eu não estava mentindo. Quero só você Jodie, mas preciso saber se você deseja me querer também — Ta ai a pergunta que eu temia responder, aquela que me fez prender seus olhos com tanto medo, que ele me puxou para mais perto, tentei organizar palavras boas e gentis, queria dizer que aquilo não era para mim e que sozinha eu estava melhor, mas minha língua travou e meu coração pulou, minha mente deu voltas e meus olhos arderam.
A feição de Liam suavizou ainda mais ao notar minhas lágrimas presas.
— Ah Jodie... — Ele segurou meu rosto e beijou-o por inteiro, não se esqueceu de parte alguma — Está tudo bem doçura. — Senti quando as gotinhas caíram e franzi o cenho, deixando que ele as recolhesse com os polegares — Não chore. Odeio vê-la chorando.
— Eu quero — sussurrei, o que o fez prender sua atenção em mim enquanto minhas lágrimas voltavam a cair — Mas eu não sei como Liam. Eu sinto tudo em você e é uma merda porque tem alguma coisa errada dentro de mim. Eu não confio, eu me sinto sem tempo de amar porque estou ocupada demais odiando. Drama me enoja, mas aqui dentro — toquei acima do coração — Aqui doí. Eu sinto vergonha por chorar estragando minha maquiagem, por não conseguir lavar todas as coisas que Edgar me tomou. Não ligo se não pareço bonita, só penso que garotas crescidas como eu choram quando seus corações quebram. Eu sempre acordava sozinha, mas agora você está sempre ao meu lado, e isso me apavora. Eu quero me afastar de você — funguei e hesitante, rocei os dedos no rosto dele —, mas pensar nisso também me faz querer chorar.
Suas mãos em meu rosto foram para minha nuca, onde brincaram com meus cabelos e empurram-me até encostar a testa na dele. Fechei os olhos e suspirei.
— Eu não entendo nada disso — lamentei, mas a boca que de repente capturou a minha, dizia que sabia de tudo.
— Deixe-me mostrar então. Aos pouquinhos — mordi o meu lábio duvidosa e voltei a prender seu olhar. Engolindo em seco, deslizei minhas mãos sobre seus ombros, depois peito e finalmente abdome. Liam estremeceu — Jodie? — voltei-me para ele. Estava atordoado, cheio de paixão escondida. Paixão que eu queria ver agora e aqui.
Tremula, balancei a cabeça em uma breve confirmação.
A esperança que ele demonstrou emocionou-me, e quando ele passou a me beijar, imaginei como seria ser dele, ser feliz por um tempo curto, nem que fosse apenas uma vez. Sim, eu queria uma experiência como aquela, e não desejava que fosse com outra pessoa, a não ser ele.
Deixei que ele seguisse com aquilo de vagar, mas tremia loucamente com suas mãos gentis me alisando, tocando lugares que nunca antes fui tocada. Gemi, sentindo quando uma de suas mãos tocou a ferida que ainda cicatrizava em meu pescoço.
A lembrança da mão de meu pai foi plantada na hora e choraminguei, não pela dor, mas por aquele rosto se infiltrar na primeira coisa boa que acontecia em minha vida.
Afastei-me.
— Não vou conseguir... Não vou — chorei, ainda contra a testa dele e com suas mãos em mim. Liam negou, capturando minhas lágrimas com os lábios.
— Consegue meu anjo. Minha menina corajosa. Nenhuma lembrança ruim pode impedi-la de ser feliz se você quiser. Só precisa acreditar em você — Dessa vez ele me beijou mais forte, como se para me fazer permanecer naquele mundo, com ele, ao lado dele — Acredite em você Jodie. Acredite em somente você — E eu o abracei, aceitando seus braços como aconchego e sua boca como carinho. Eu o beijei, apertei os olhos e segurei seu rosto, indo para ele e apertando os olhos com tanta força que doía. Gemi contra a língua que mergulhou dentro de minha boca e envolvi meus braços em volta do pescoço dele.
Apertei os quadris contra a excitação dura aninhada contra o V de sua calça. Um ruído de tecido se rasgado foi registrado, e só notei o que era, quando Liam separou-se de minha boca e se livrou de meu top preto. Arregalei os olhos ao ser vista dessa forma por ele, me senti envergonhada, humilhada por ele ver como meus seios também eram afetados por machucados. Ergui os braços para me cobrir e depois me levantar, mas ele impediu-me, negando com a cabeça, para depois distribuir beijos na extensão de meu pescoço e clavícula, descendo mais até...
— Oh meu Deus, Liam... — Me desesperei querendo sair de seu colo, mas ele me prendeu quando tomou meu peito na boca. — Jesus. — Revirei os olhos, enterrando os dedos em seu cabelo enquanto, inesperadamente, me oferecia para ele.
Eu não fazia nem ideia do que eu estava fazendo, mas eu parei de me preocupar e me afoguei em Liam, somente ele e mais ninguém. Seus braços me enlaçaram como cordas de amor e paixão, me permitindo aproveitar seu calor e o toque, levando-me ao mais distante deserto escaldante.
Tão profundo, tão intenso, que afastou um pouco do medo em meu peito. E naquele instante, eu sabia que estava encontrando um lugar para eu morar.
— Segure-se em mim — pediu com a voz entrecortada. Fiz como pediu, e no momento seguinte estava sendo carregada de volta para a sala de treinamento, sendo beijada apaixonadamente até que ele se abaixou e minhas costas encostaram contra algo macio.
Abri os olhos quando Liam se ergueu, os olhos cheios de tudo, e vê-lo naquele estado me trouxe a vermelhidão e o desconforto, me encolhi e estremeci quando ele escorregou o olhar ao meu busto, a mão passeando dele à minha barriga.
Mordi o lábio seguindo-o atentamente, pois alguma coisa em suas ações me deixava muito, mas muito curiosa. Suspirando rapidamente, desejei de repente não ter nenhuma marca, pois podia imaginar qual era sua opinião sobre mim, e com certeza doeria fundo caso ele falasse alto e claro.
Abaixei o olhar.
— Me desculpe — minhas palavras não passaram de um murmuro sem som, mas Liam ouviu e refreou a mão em meu estômago.
— Pelo que minha linda? — Voltei a desviar meus olhos, e acuada demais, me sentei, puxando as pernas para cobrir o busto descoberto. Direcionei-me para ele novamente.
— Queria não ser assim. É bobo, eu sei, mas queria poder me livrar das marcas, assim você poderia ver uma garota normal — fiz careta quando meus olhos voltaram a arder, mas não liberei as lágrimas, nem mesmo quando o novato tocou em meu rosto com tanta suavidade.
— Eu também queria que elas não estivessem em você — confessou ele, o que me fez sentir horrível ao me apertar para longe dele, mas esse me seguiu e segurou em meus joelhos, os abaixando até o chão e depois me empurrando para deitar no colchete.
Face contra face, ele respirou, seu hálito bateu contra mim.
— Mas não é porque você não é bonita, mas porque me machuca saber que você foi tão ferida — Ele alisou meu rosto ternamente — E mesmo que as tenha, eu ainda a admiro loucamente — Minha voz abaixou mais uma polegada.
— Então me quer mesmo?
— Terrivelmente — rosnou suavemente.
Meio assustador, mas quente, eu decidi. A mudança de voz fez meu coração disparar mais rápido. Estremeci quando ele tomou meu pescoço
— Tranquila. Não tenha medo okay? — Assenti, mas então pensei em algo mais importante. O afastei rapidamente de mim com os olhos arregalados.
— Isso não pode continuar — falei. A decepção cresceu tão forte em sua feição que senti meu corpo vibrar querendo acolhê-lo.
— Por que? Estou indo muito rápido? — indagou, e a quentura em minhas bochechas foi enorme quando neguei.
— Não é isso, é só que... não temos... — hesitei, e frustrada, gemi tampando o rosto com as mãos. — Isso é muito constrangedor e é culpa sua — Ele riu, o que me deu muita raiva. Como ele podia rir de mim em uma situação dessas?
Abrir os olhos e o acertei no ombro com força.
— Cala a boca — Ele gargalhou, e de repente, de uma hora para outra, seus braços circularam minha cintura e depois ele estava me puxando para cima dele.
Corei ainda mais.
— Não fique envergonhada doçura, fale o que tem em sua cabeça — Com as mãos espalhadas em seu peito e o mirando diretamente nos olhos, tomei fôlego, empurrando mexas do cabelo para trás.
— Eu posso ser virgem, mas sei como as mulheres engravidam — disse de uma vez, e a compreensão chegou aos seus olhos fazendo-o franzir o cenho e depois, praguejar.
— Posso sair antes — garantiu, mas percebi a insegurança em sua voz. Pisquei para ele morrendo de vontade de sair correndo.
— Não sei Liam... É perigoso — Ele ergueu o tronco até estar sentado e com a boca a centímetros da minha.
— Confie em mim doçura — incerta, apertei contra seu peito e me aproximei até que os seios achataram contra o corpo grande. Suspirei baixinho pela surpresa quando, de repente, a língua traçou minha pele. Virei a cabeça e pressionei a boca timidamente na pele dele, para depois abri-la para lamber o ombro. O prendi e mordi delicadamente com os dentes enquanto chupava. O corpo contra o meu ficou tenso e ele rosnou, vibrando.
E assim, tudo começou a ir para um nível mais elevado. Toques, beijos, carícias, cuidados, peças de roupas voando para longe de nós instantaneamente até que nada nos impedia de estar pele longe de pele. Deus, como aquilo foi difícil, e em cada movimento que fazia, eu pensava no que as mulheres pensavam ao dizer que a primeira vez era tudo maravilhoso e lindo.
Nada daquilo foi lindo, houve uma palavra melhor assim que Liam se posicionou entre minhas pernas e me segurou com firmeza. Eu senti a dor perfurar dentro de mim, a queimação recusando o que invadia meu corpo lentamente, e mesmo que aquelas mãos e aquele homem fosse delicado a cada instante, eu não pude impedir os gemidos de dor no começo e as gotículas salgadas de lágrimas.
Liam as secou uma por uma, tendo paciência, sendo atencioso mesmo que estivesse em uma situação complicada e difícil, ele não se importou com o prazer dele, e sim com o meu. Seus dedos ágeis me excitaram até não sentir dor, até pegar o gostinho de um novo e impressionante prazer.
O garoto sabia como acender meu fogo. Chupava-me seio esquerdo, até que queria implorar por mais. Começou a lamber e beijar até as costelas, o ventre e os vãos de meu quadril quando recuou até seu sexo não pressionar contra mim por mais tempo. Vamos combinar que assim que aprendi como fazia, eu não quis que se afastasse, cravei as unhas em seus ombros, tentei arrastá-lo de volta até ele ceder um xingamento e voltar a me penetrar com cuidado, mas com força.
Fiquei impressionada, explodi em luxuria e o fogo subiu do baixo ventre até me fazer rolar os olhos. Caí do abismo ouvindo as lamurias e gemidos de Liam, o que fez-me responder da mesma forma. O clímax me atingiu tão poderosamente que jurava ter visto o outro lado da cabeça quando meus olhos reviraram. Não conseguia pensar, não conseguia respirar e mal registrava os barulhos saindo de mim.
No final daquilo, Liam rosnou, arremetendo contra mim mais uma vez, para depois empurrar-se para fora rapidamente enquanto tinha seu orgasmo.
Com peito subindo e descendo rápido, cabeça girando e respiração descontrolada, abri os olhos e o olhei.
Liam mantinha a maior parte do peso nos cotovelos apoiados no colchonete.
Meus braços estavam ao redor do seu pescoço, minhas mãos segurando os ombros e eu não lembrava de colocá-las lá.
— Machuquei você? — Preocupação estreitou seus bonitos olhos azuis.
— Foi doloroso — confessei, e antes que a culpa cintilasse em seu olhar, eu sorri — Mas também foi surpreendente.
Ele sorriu.
— Sim. Isso foi.
Permiti que me puxasse para perto, sua boca sobre a minha. Ele gemeu e forçou meus lábios a abrirem para explorar minha língua. Foi eu quem finalmente interrompeu o beijo. Nossos olhares se encontraram e fixaram.
— Obrigada — falei, alisando seu rosto e sentindo meus olhos pesarem — Muito obrigada Liam. — E dessa vez, eu o beijei, aprofundando em sua boca, para em seguida deixar que o cansaço me levasse.
Dormi melhor do que nunca naquele dia que parecia bom demais para ser verdade.
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