Believe In Me

33 Capitulo 33 — Brincadeirinhas


Notas iniciais
E agora pessoa, espero que se divirtam tanto quanto eu o fiz enquanto escrevia esse capitulo. As coisas estão dando certo para Jodie né não? kkkk Aproveite a "brincadeira" kkkk. Boa leitura!

No final da tarde eu já não parava de me perguntar como encararia toda aquela confusão na qual me meti. Eu olhava para trás e encontrava meu rastro gravado, olhava dos lados, e pressentia a sombra caótica de Edgar me perseguindo. Era incapaz de distingui o real e bom daquela história.

Delegacia. Psiquiatra. Família. Amigos. Tudo me cansava, e mesmo que ficar na varanda de Linnea olhando as crianças brincando com Ivy e sua mãe fosse bom, eu ainda não podia me sentir completamente em casa. Havia uma verdade. Havia uma consequência contra tudo aquilo, uma defesa fraca há outra pessoa, que sou eu.

Com dezoito anos, estou procurando uma briga com meu pai, nada daquilo me fazia sentir algum conforto, mesmo que fosse tão cuidada quanto possível.

— Por que não vai com elas? — me sobressaltei brevemente com a presença repentina, mas relaxei quando Carter se juntou a mim na escada.

— Fico melhor aqui. Obrigada. — falei, e me espremi, observando quando a garotinha Loren correu atrás de Ivy, que engatinha pela grama para chegar até Linnea, que sorriu a encorajando.

— Como foi com a Dra. Lamartne? — perguntou tão cuidadoso que quase sorri. Porém continuei com minha expressão vazia.

— Vamos nos entender — respondi somente. Carter assentiu, e permaneceu quieto, sabendo que eu não gostava de conversar na maioria das vezes. Ficamos ali, observando Linnea com as meninas até que eu não podia aguentar, e virei o rosto para ele.

O homem tinha o cabelo penteado como sempre, mas estava com roupas simples de ficar em casa, tinha uma aparência tranquila.

Falei baixo apenas para que ele ouvisse.

— Obrigada por hoje de manhã — observei quando uma linha formou-se em seu cenho, depois ele virou para mim apertando os lábios.

— Você e aquele garoto estão... — Ele não precisou concluir a frase para que eu entendesse a pergunta. Sorri um pouco, e soltei um suspiro cansado.

— Não estamos namorando — garanti a ele, e quando seus ombros caíram, tive que ressaltar — Mas eu não sei bem o que Liam e eu temos. Está tudo muito rápido e confuso.

— Compreendo. — frisou os lábios — Gosta dele? — Dei de ombros, voltando a me sentir perdida.

— Eu gosto, mas... Ele diz que está apaixonado por mim — esfreguei as mãos umas nas outras sem saber o que fazer — Isso me faz pensar que meu gostar é diferente do dele e... eu sei que vou magoá-lo por isso algum dia. — A forma como o rosto de Carter não se moveu enquanto eu falava me deixou encabulada, por isso, tive de olhar para as mãos.

— Vou tentar deduzir de que esse garoto é o primeiro que chama sua atenção dessa forma — falou, e eu quase citei Jack, mas pensei bem e assenti, não querendo que ele achasse coisa errada de mim — A primeira paixão sempre é cheia de confusão Jodie. Liam deve saber o que você está descobrindo só agora, creio que ele irá lhe esperar entender. O fará se gostar mesmo de você.

— Eu sei que ele vai fazer — falei. — O problema é que eu nem mesmo sei por onde começar a entender. Isso é tudo desconhecido. Eu nunca na minha fiz parte de alguma coisa. E agora que estou lutando contra meu pai, estar apaixonada pode deixar tudo pior sabe. — Ele balançou a cabeça e me olhou, para depois focar os escuros olhos em Linnea. Um sorriso curvou finalmente seus lábios duros, e eu não consegui deixar de olhar, fascinada com o quão bonito ele ficava sorrindo.

— Se apaixonar pode deixar sim tudo difícil, mas às vezes, acaba por ser muito mais que isso. Eu sei, porque quando conheci Linnea, eu tinha acabado de perder Jessie, minha primeira noiva — Isso me surpreendeu, e eu tive de arregalar os olhos enquanto olhava dele para a moça que estava no jardim.

— Você tinha outra noiva? — perguntei surpresa. Ele assentiu.

— Sim. Eu tinha noivado com Jessie aos dezenove, mas um ano depois ela morreu por ter aspirado uma quantidade muito grande ópio. Ela era viciada — Ele suspirou, olhando muito além do céu. Tentei me mover para tocá-lo no ombro, mas não consegui, então perguntei.

— A amava? — Ele sorriu tão tristemente, que doeu meu peito.

— Oh. Amava muito. Jessie podia ter seus problemas, mas eu tinha certeza que ela se salvaria um dia. A razão do casamento era dar-lhe um puxão para que ela entendesse que valia a pena se salvar — O sorriso apagou tão rápido quanto veio — Mas não funcionou. Ela tinha apenas dezessete anos. — Ele coçou os olhos, com certeza pensando em sua perda — Eu tenho vergonha de falar que teria me perdido por causa de sua partida. Fiz coisas das quais não me orgulho, e foi depois que fiz uma delas, que conheci Linnea.

— E o que você fez? — indaguei curiosa. Ele sorriu.

— Era meu aniversário de vinte e dois anos. Eu estava nervoso e embriagado em qualquer rua. Lembro que somente me sentei em frente uma casa e comecei a falar tudo, e pelo que Linnea me contou... Eu falava de Jessie. Acusava-a por ter me abandonado.

— E como Linnea pode saber que era isso? — Assim Carter riu novamente, e então, focou em sua mulher.

— Não está óbvio? Eu parei bem em frente à casa dos pais dela e ela me encontrou no momento que saía. Ao invés dela me enxotar dali ou chamar a policia, ela me levou para dentro e cuidou de mim, mesmo com sua mãe implicando... Lara não era muito amigável comigo no começo, e dava-lhe razão, eu não entrei da melhor forma em sua casa — seus ombros encolheram — Linnea era doce e dura comigo, mas estranhamente, isso não me incomodava. Permiti que ela se aproximasse cada vez mais, e quando percebi, estava louco por ela e prestes a me casar. — Ele piscou para sua esposa carinhosamente, e por um minuto, enquanto ele falava, pensei se essa historia era o motivo dele estar me ajudando agora.

— Linnea me salvou do pior, e por isso penso que se apaixonar pode levar alugares que nós mesmos nem imaginamos.

— Isso não tira minha angustia — bufei, mas perguntei — É por isso que me ajuda? Por causa de Jessie? — Ele não ficou surpreso com minha dedução, só me olhou, e disse:

— Talvez agora a vida tenha me dado uma nova chance. Talvez, eu possa salvar você, já que não consegui salvar minha Jessie — Carter deu de ombros — Só penso que te ajudar é algo que eu devo fazer, porque eu estou começando a ver você melhor. Não quero a machucada — Finalmente, depois de todo aquele tempo, eu sorri, e podia apostar que minha íris transbordava em azul.

— Obrigada por não me enxotar para fora daqui Carter — agradeci. Ele, inesperadamente soltou uma gargalhada que me fez ficar ainda mais espantada. Nunca tinha o visto ri dessa forma. Era... Maravilhoso.

— Eu que tenho que agradecer por vir até Linnea — Ele apontou para a mulher sorrateiramente com os olhos e sorriu maliciosamente — Você chegou na hora certa. Linnea queria ter mais um filho, e nem mesmo consigo considerar o fato que minha primeira vai um dia se tornar uma adolescente. Você vai ocupar a mente dela agora — Eu ri, eu realmente soltei um riso louco enquanto segurava o estômago. Quando sequei as lágrimas nos cantinhos dos olhos, percebi que éramos vigiados.

Sorri para Carter.

— Fomos flagrados. — Ele virou os olhos.

— Ela está adorando a imagem. — disse, e virou para encontrar os olhos curiosos e cheios de felicidade de sua esposa. Essa mesma piscou um olhou e mandou um beijo.

— Linnea é minha salvação também — falei sinceramente. Carter sorriu com as palavras — Se não fosse por ela eu não tinha para onde ir. É a mulher mais perfeita que já tive o prazer de... — hesitei, apertando os dentes com força. Podia sentir o olhar dele e mim.

— De o que Jodie? — pressionou. Engoli em seco e observei Linnea.

— De querer chamar de minha mãe.

~*~

O dia seguinte foi ainda mais agitado, eu tinha consulta com Clarice durante a manhã, Carter ia trabalhar e Linnea faria o mesmo depois que me trouxesse de volta do consultório, por isso, fizemos tudo na maior pressa. Hannah, a babá, andava com a pequena Ivy em sua cintura enquanto os pais estavam ocupados.

— Querido. Onde estão minhas chaves? — Sorri com o grito de Linnea vindo da escada. Carter, que terminava seu café, afastou-se da bancada e se e inclinou para ver na mesa da sala.

— Provavelmente na bagunça de Ivy — murmurou incerto sobre se devia ou não colocar a mão dentro do baú. Eu tive de ri. Ele estava prestes a fazer isso, quando Hannah soltou a menina no chão, e essa mesma engatinhou para o tapete, onde se enfiou de baixo da mesinha e depois saiu com chave.

Carter riu.

— Ai está. Menina arteira — Ele pegou a garotinha e a chave. — Encontrei Linnea! — Berrou, e beijando a testa da filha, virou-se para mim — Pode pegá-la? Preciso ir. E entregue essas chaves para Linnea sim — Assenti e sem opção, limpei as mãos nas calças e peguei a pequena.

— Bom trabalho para você — falei. Ele sorriu.

— Obrigada. — beijou mais uma vez a filha — Até a noite meu bem. Tchau Jodie — Eu ia me despedir, mas me surpreendi quando ele também descansou um beijo em minha testa. Acho até que ele nem percebeu o que fez, pois apenas se virou, pegou sua pasta, e saiu depois de dizer um “Eu te amo” para Linnea, que descia escadas a baixo.

Sorri mentalmente e ri tentando não ficar tão corada.

— Vamos logo Jodie. Já estamos atrasadas — Linnea disse e depois de pegar a filha e beijá-la, ela passou-a para Hannah. — Até mais tarde amor. Tchau Hannah.

— Até senhora.

Saímos no carro de Linnea o mais rápido possível, e durante o caminho eu fiquei encarando meu celular como se fosse um maldito monstro. A indecisão sobre se devia ou não ligar para o novato me fazia ficar nervosa. Eu estava prestes a guardar a porcaria do aparelho quando ele tocou.

Atendi no primeiro toque ao ver o nome.

— Isso foi o recorde de tempo sem me ligar. Estava até estranhando — falei, já curtindo com a cara dele. Do outro lado, Liam riu suavemente.

Quer dizer que estava me esperando ligar? — rolei os olhos.

— O que você quer? — perguntei na intenção de desviar de assunto.

Está indo ver a doutora Clarice?

— Sim.

E como foi ontem? Queria ter ligado perguntando, mas minha mãe me obrigou a ficar sem celular o resto dia. Ela está realmente nervosa comigo — Com certeza eu não podia deixar de provocá-lo por causa disso.

— Ai meu Deus, quer dizer que o menininho da mamãe está de castigo mesmo? — Eu ri, e notei que Linnea fazia o mesmo ao chacoalhar a cabeça negativamente. Liam rosnou para mim, revoltado.

Você gosta de brincar com fogo, não é garota? — sorri.

— Com certeza eu adoro — Apontei, e podia até ver o sorriso que se formou em seu rosto.

— Espera até eu te encontrar — murmurou em um tom tão ameaçador quanto malicioso — Vai fechar essa boca rapidinho.

— Estou morrendo de medo novato — Seu grunhido irritado era uma canção aos meus ouvidos.

Por que merda ainda me chama assim? Não faz mais sentido! — revoltou-se. Eu ri de novo sem poder evitar.

— Eu tenho meus motivos — Eu disse.

Pois eu quero saber. — retrucou.

— Não. — respondi.

Jodie — sibilou

— Liam. — cutuquei.

Vai se ferrar — Gargalhei novamente, só para então o silêncio dele também virar um carcarejar de risos também. Ao paramos, ele falou — Você é impossível.

— E você é um idiota e mesmo assim não tenho preconceito — riu.

Okay. Mas agora falando sério. Linnea está ai? — ergui uma sobrancelha.

— Sim. Por que?

Pergunte para ela se seria possível você ir dormir hoje na casa de Lizze. Vamos dar uma festinha de comemoração. — fiz careta.

— Comemoração para que?

— Férias, Jodie. Entendi o que é férias? Vamos aproveitar que os pais de Eloise estão viajando e usar a casa.

— Não acho uma boa ideia. — reclamei. Ele não desistiu.

— E por que? Vai ser legal. Não existe opção para você — Esse garoto com certeza não tinha cérebro.

— Ô gênio, esqueceu-se de como Carter agiu por pensar que eu e você... fizemos algo mais? — parei, e mandei um olhar envergonhado para Linnea, essa mesma gargalhou ao notar meu constrangimento. Liam não ficou atrás. — Ele não vai permitir que eu durma no mesmo lugar que você — Linniea ergueu uma sobrancelha.

Ele não é seu pai Jodie, e está louco se pensa que vou me afastar de você só para o bom gosto dele. — disse insatisfeito.

— Não importa. Eu não quero desobedecê-lo quando estou na casa dele e...

— Por que fala tanto de Carter? — Linnea questionou curiosa — Seu amigo quer dormir lá em casa, é isso? — Eu tive o rosto queimando com a pergunta.

— Festa na casa Lizze. Liam quer que eu vá para dormir lá, mas Carter disse que...

— Não se importe com Carter querida — falou sorridente — Eu posso me resolver com ele. Você também tem o direito de se divertir.

— Mas e se ele ficar...

— Não se preocupe menina. Eu sei dobrar meu marido — Ainda não estava convencida. Não estava nem um pouco a fim de deixar Carter nervoso logo agora que estávamos tão bem um com o outro. Suspirei, decidida a recusar, mas o que Liam disse a seguir me tirou completamente os pensamentos da cabeça e me fez ficar superatenta e muito interessada.

Se ir, terá todo a carne e cheddar possível — minha boca salivou assim que ouvi isso.

Droga de menino. Ele sabia como me manipular.

— Vou para lá depois da consulta — E desliguei.

~*~

— Conte-me de novo como se sente sobre seu pai ma cherie — pediu Clarice de sua mesa. Eu estava em uma cama e olhando para o teto. Linnea havia ido para seu orfanato, querendo me dar privacidade para conversar com ela, no entanto prometeu que estaria aqui quando a seção acabasse e que aproveitaria para pegar minhas coisas na casa dela, assim podia me deixar direto na casa de Lizze.

Respirando fundo, repeti cada palavra que tinha dito minutos antes.

— Eu o odeio. Ele acabou minha vida e da minha mãe, e se tivesse a chance, acabaria com a da minha irmã também. E eu acho que esse ódio está tão entravado em mim, que acaba por me levar a fazer cortes — suspirei, olhando o teto com uma fascinação estranha — Juro que não é de propósito, eu só... não consigo controlar.

— Isso é psicológico, Jodie. Se acreditar que não pode fazer algo, nada vai acontecer, mas se você bater o pé e contradisser sua mente, todo seu corpo vai obedecer. Você é a dona dele e tem seu direito.

— Mas é meio impossível pensar no certo quando estou prestes a, você sabe. — Ela assentiu, e escrevendo em sua planilha, falou.

— Com certeza, e então aqui vai uma dica minha. Quando sentir a necessidade de se cortar e pressentir que não poderá se deter, tente contatar alguém e peça para sair. Não diga o motivo, apenas peça uma atenção o mais rápido possível. Na maioria das vezes, a emoção e a diversão pode vencer o desejo da solidão dos cortes. Quanto mais entrosada a uma linha de emoção boa você estiver, mais forte você será. Apenas tenha em mente que uma lamina pode piorar e não ajudar.

O resto da consulta ela me perguntou sobre meus amigos, sobre nosso relacionamento. Empolguei-me um pouco contando tudo o que esses idiotas já tentaram fazer por mim, mas fiquei indecisa sobre o que falar de Liam, e Clarice notou a brecha e tentou se aprofundar, porém, eu não falaria nem fodendo sobre meu relacionamento com o novato. Linnea chegou três horas depois quando nosso tempo de conversa encerrou, estava aliviada por ir embora e mais ainda satisfeita por não ter pulado no pescoço da mulher logo no primeiro dia de consulta.

De volta ao carro, contei que tudo tinha dado certo para Linnea, que ficou extremamente orgulhosa de mim. Isso compensou todas as horas que passei naquele consultório infernal.

Chegamos à casa de Eloise às cinco da tarde. Peguei a mochila que Linnea havia me feito e a abracei.

— Nos vemos amanhã. Não façam nada errado Jodie — falou ela parecendo uma mãe severa. Sorri e bati continência a sua frente.

— Pode deixar comandante. — Ela riu e beijou meu rosto.

— Me chame se precisa que te busque.

— Okay. Tchau — Acenei, e pulei para fora no carro dela. Fechei a porta, e com a bolsa no ombro, caminhei para a porta da casa depois que o carro se foi.

Assim que eu cheguei à varanda, meu estômago revirou ao sentir o cheiro de carne saindo direto no fogo, eu não esperei mais nenhum segundo para invadir o lugar. Porém, me espantei.

Era o caus. A cozinha e sala de Eloise pareciam estar em disputa sobre qual é mais desarrumada.

Havia sete colchões de ar na sala, cobertores e almofadas por toda a parte, e mochilas até mesmo nas escadas. Deixei a minha no sofá parti e para cozinha. Essa ganhava da sala com absoluta certeza. Estava lotada com todo aquele povo, panelas, comida tanto no chão quanto nos balcões.

Franzi o cenho quando desviei de uma bola de sorvete de morango. Ela acertou a parede atrás de mim.

— Mas que... Jonah! Vou fazer você limpar aquilo com língua — Eloise gritou de algum lugar. Me ajeitei, ficando de pé novamente bem a tempo de ver uma Lizze muito brava, atacar a cabeça azul de Jonah com uma colher de madeira.

— Gatinha! Gatinha! Eu adoro que me bata, mas pega leve amor.

— Gente, onde está a porcaria da frigideira? Essas batatas não fritar sozinhas — Totalmente interessada em assentir, peguei um saquinho de bacon que encontrei no chão e pulei para sentar no balcão.

Consegui uma ótima visão dali. E vi quando Harlow empurrou todos procurando a bendita frigideira.

— Espera. Espera. Acho que isso ta errado... Lizze quanto tempo a carne tem que ficar no fogo? — Eu ri, olhando o novato fazer careta para o fogão como se não tivesse nunca mexido em um. Por sua expressão achei que era isso mesmo.

— Porra Stefany, você pisou no meu pé.

— Sai do meu caminho então.

— Ei, o que a naninica ta fazendo com aquele liquidificador? Harlow, isso não ta muito lotado para estar sem a tam... — Jimmy nem sequer terminou, pois Harlow já tinha ligado, e a burrinha não tinha fechado o troço. Foi vitamina em todo muito ali, enquanto Eloise gritava.

— Parem de destruí minha cozinha! — Foi de mais, comecei a rir em cima daquele balcão como uma maldita condenada. Aquela era cena mais hilária que eu já tinha visto. E quando eles notaram a plateia, o silencio reinou.

Sorrindo, os mirei, vendo-os todos sujos de vitamina.

— Agora entendi como ai ser a festa — E voltei a rir novamente.

A confusão recomeçou e todos falaram ao mesmo tempo, mas no final, todos começaram a se limpar e um de cada vez, foram indo rocar a roupa. Eu ainda não podia acreditar naquilo, e só assisti tudo superdivertida. Quando a comida estava finalmente pronta e eles arrumados, ajudei a levar as coisas para sala, pelo menos só a minha parte, pois assim que consegui minha carne e meu pote de natios com cheddar, eu não liguei para mais nada.

— Você prefere ficar com a comida do que cumprimentar seus amigos? — O peso que caiu em meu colchão fez toda minha comida se mexer e quase derrubar. Rosnei para Liam o repreendendo.

— Deixe-me com minha refeição, novato.

— Isso dai vai te fazer passar mão marrenta. — Jack saltou por cima de Lizze para ficar com Stef em outro colchão. Eu mostrei a língua e dei de ombros.

— Mereço essas calorias depois do dia infernal que tive.

— Como foi a consulta? — perguntou Liam e eu bati em sua mão por roubar uma das minhas tirinhas de carne. Ele fez careta — Regulada.

— Meu! — mostrei os dentes e depois enfiei a carne na boca. Falei depois de engoli— Enfim, tudo foi mais irritante possível. Ela perguntou sobre mim, meu pai, como me sentia sobre ele e tentou aprofundar bastante no meu relacionamento com vocês. Foi difícil falar no começo, mas depois comecei a pegar a onda — dei de ombros — Isso tudo é estranho para compartilhar com alguém que conheci ontem.

— Pode crer. Mas vai ver como isso vai te ajudar Jodie — Stef sorriu para mim. Seu cabelo estava solto e usava uma um pijama roxo e branco.

— Tanto faz. Desde que possa passar ser mais normal, eu tô bem — bufei. Liam não gostou da minha fala, pois fez um ruído estrangulado na garganta, e disse:

— Você não precisa ser normal, só ter juízo — o modo como ele falou me fez rir, e como se meu sorriso fosse a coisa mais maravilhosa, ele sorriu também, radiante por conseguir tirá-lo de mim. Nem sequer parecíamos ter brigado, e com certeza o pessoal pensava o mesmo.

Meu pensamento se confirmou quando Jimmy falou, sorrindo.

— Sem pressão, mas eu preciso dizer que vocês realmente são idiotas — Ergui uma sobrancelha para o loiro, enquanto Liam franzia a testa.

— Como é?

— Os dois surtaram e se trancaram só por causa de uma briga. Fico imaginando o que aconteceria se algum de vocês quebrasse a perna. — Riu — O mundo ia acabar. — isso rendeu a risada dos outros, enquanto eu e o novato viramos os olhos.

— Isso é um exagero — Liam apontou carrancudo.

Jonah se sobrepôs.

— O caralho que é. Olhe-se no espelho companheiro, está ferrado por causa da luta com o tal Killer — Jonah fez questão de sublinhar a palavra, obviamente para que eu entendesse o tamanho da confusão em que o novato se meteu. Esse mesmo não gostou, pois rosnou para Jonah o fuzilando com o olhar.

— Se cale Graham — mandou.

— Oh não, deixe que ele termine para que eu saiba da tão famosa luta — impliquei, lhe apertando os olhos — Quero saber o quão burro foi ao ir lutar. — Liam não pareceu ansioso para isso.

— Não é nada de mais Jodie.

— Fodá-se com isso. Você vai parar já que voltamos com os laços felizes, não é? — Ele nem sequer respondeu, só fitou de volta. Foi o suficiente para me fazer faiscar— Liam.

— Eu não posso — lamentou, mesmo que não parecesse arrependido — Assinei o contrato para quatro lutas. Falta mais três. — Eu agora fervia.

— Seu otário — grunhi e deixando a comida de lado, comecei a socá-lo de verdade — Você vai se matar porra! Seu idiota filho da puta! Não pensa direito! Foi a merda de uma briga, não era para você assinar sua sentença de morte por isso. — Ele tentou segurar meus pulsos enquanto eu atacava, os risos dos outro me deixava com mais raiva, e quando vi que até mesmo o novato ria, eu gritei tentando me soltar. Ele não permitiu, e me jogou contra o chão, prensando seu corpo contra o meu.

— Me solta!

— Eu sei o que estou fazendo e você não vai brigar comigo de novo por causa disso. Não sou iniciante Jodie, e não precisa se preocupar — Só porque ele queria.

— Lutar, Liam! E por minha culpa!

— Não é assim. Eu aceitei isso por minha decisão, não sua. Pare de pensar coisas tão inúteis — Eu queria, mas os machucados em seu rosto me fazia temer, e temer me levava à raiva.

— Isso vai acabar mal.

— Só se for para meu adversário — sorriu maliciosamente, rolei os olhos. — Confie em mim doçura. Dou conta disso — Ah, eu acreditava nisso, mas não fiquei melhor com nada. Quando dei a entender que tinha entendido e que ficaria quieta, ele afrouxou os pulsos, e lentamente saiu de cima de mim.

— Tudo bem — Jack quebrou o silencio que formou horas depois — Que tal uma brincadeira para aquecer esse clima gelado? — Virei o rosto para ele, ainda esparramada no colchão.

— Tipo o que? — O sorriso que ele me mandou foi tão sem vergonha, que não pude impedir de apertar os olhos e sorrir de volta.

— Gato-mia — Fiquei totalmente sem expressão quando os garotos gargalharam e as meninas começaram com a vaiar.

— Nem pensar, seu maldito pervertido. Isso está fora de cogitação — Lizze apontou ameaçadora para Jack. — Vocês não jogam limpo.

— Que mentira! Somos os mais honestos — Jonah defendeu o amigo sorrindo aquele sorriso de quem ia aprontar. — Eu topo jogar.

— Eu também — Liam tinha a mesma cara de safado do rosto ao me olhar. Jimmy, mesmo que sem jeito, também topou. O que não entendi.

— Claro que todos vão. — resmungou Harlow ao lado de Stef. — São safados.

— O que tem de mal em brincar disso? — perguntei me sentando — Seja lá o que for essa brincadeira — Eles me olharam sorrindo.

— Nunca jogou?

— Não tive muitas oportunidades sabe — disse sarcasticamente.

— É uma brincadeira inocente — garantiu Liam.

— Mentira! — As garotas gritaram, só para fazê-los se divertir mais.

— O que precisa fazer nessa coisa? — perguntei impaciente.

— É simples. Nós só vamos vendar você e te rodar dez vezes, quando te soltarmos, terá que nos procurar pela casa. Quando não ouvir nenhum sinal, chama: Gato mia. Nós — Jack apontou para os outros — que somos os gatos, miamos para dar dicas.

— Isso é meio bobo — falei. As meninas viraram os olhos.

— Eles não contaram que...

— Nada mais Stef — interrompeu Liam com um olhar de advertência — é apenas uma brincadeira legal.

— Ah, vamos garotas. Nos de uma chance. — Jonah juntou as mãos — Só um pouquinho? — Eu ainda estava boiando por causa da relutância delas, mas de qualquer forma dei de ombros e fiquei em pé.

— Eu brinco — Eles berraram em comemoração. As outras, suspirando derrotadas, se levantaram também.

— Tudo bem. Mas irá se arrepender depois Jodie — Harlow falou emburrada.

Lizze correu para cozinha para pegar um pano, e ao volta, falou.

— Quem será o primeiro?

— Eu! — Arregalei os olhos com explosão dos meninos alvoroçados. Lizze bufou.

— Foda-se. Eu escolho — falou, e encarou os meninos rabugentos. Apertou os olhos para Jimmy na hora — Venha loirinho — O garoto sorriu sorrateiramente enquanto ela vendava habilmente seus olhos, Lizze passou a mão em frente de seu rosto obviamente para ver se olhava.

— Ótimo. Vamos começar — Eloise girou o cara cinco ou dez vezes, e saiu fora. Tudo mundo começou a soltar risadinhas baixas enquanto se afastava, e seguindo esses passos, fiz o mesmo, só assistindo quando Jimmy deu um paço cego para frente com as mãos para frente. Sorri quando ele foi em direção a Stef, que estava pronta para ser presa contra a parede, mas o barulho de Jonah tropeçando na escada o fez se distrair e voltar.

Ele ficou parado por um tempo, antes de sorrir e dizer.

— Gato-mia? — E assim, eu ouvi com uma pitada de diversão, três miados risonhos vindo das escadas, da cozinha e... de trás de mim.

— Puta que pariu... — Liam tampou minha boca em me empurrou para a parede, sorrindo amplamente. Relaxei quando ele levou o dedo aos lábios e fez sinal silêncio.

— Idiota — sussurrei. Ele riu, e para minha surpresa, segurou meu rosto e beijou-me ali mesmo, abriu minha boca com sua língua de forma languida e deliciosa. Suspirei pronta para retribuir, mas ouvimos Jimmy entrar na cozinha. Liam deu um pulo para trás no momento que o cara ia agarrá-lo de verdade.

Ri, e passando por de baixo dos braços de Jimmy, corri para sala. Meus passos não foram silenciosos, o que fez ele me seguir enquanto ria. Pulei atrás do sofá para que ele batesse contra esse, mas não funcionou, pois ele parecia saber minha técnica e quase me pegou. Ri novamente, me livrando por um tris de suas mãos, porém, quando corri para as escadas, acabei por revelar o lugar da pequena Harlow, que esbarrou em mim, e ficou para trás quando passei.

— Peguei! — Jimmy gritou gargalhando. Harlow também berrou, e eu não pude deixar de rir só com imagem dos dois abraçados muito, mais muuuito colados. Acho que estava começando a aprender o intuito da brincadeira.

— Tire a mão dai seu grande pervertido! — Harlow ladrou chutando Jimmy, que ria mais que nunca. Os outros reapareceram assistindo a cena tão divertida.

— Sua vez pequena — cantarolou o loiro, e depois de tirar a venda, chacoalhou as sobrancelhas para Harlow — Vire-se. — De mau humor, ela deixou que Jimmy a vendasse e rodasse. E assim, o jogo recomeçou, e claro, Liam me seguia para todos os lados, e comecei a perceber que Jack e Stef sempre sumiam nas escadas, assim como Lizze e Jonah iam para o corredor do banheiro.

Devagar, engatinhei para trás do sofá e depois para o corredor. Estava curiosa para ver o que Eloise fazia com Jonah, no entanto, fui puxada para dentro de um dos cômodos, ou para ser mais especifica. A lavanderia de Lizze.

— Olá de novo. — O rosto de Liam era tão comprometedor que me fez corar. Cruzei os braços, irritada.

— Esse jogo está mais para agarração. Agora entendi porque as meninas não... — Interrompida do jeito mais pitoresco. Mais um beijo roubado, mas esse eu pude retribuir e aproveitar. Minhas mãos circulando seu pescoço e apertando seus braços, as dele me apalpando enquanto ele se curvava sobre mim na intenção de ter muito mais. Eu definitivamente estava gostando daquela brincadeira.

— Gato-mia? — ouvimos a Harlow e nos separamos ofegantes, ele sorriu, e movida pelo clima quente, sorri de volta enquanto abríamos a boca para falar.

— Miau. — Saiu algo tão baixo que com certeza Harlow não ouviu. Depois de mais um beijo demorado, abrimos a porta e espiamos os lados. Nada. Corremos para a porta do banheiro e...

— Caralho — sussurrei rindo baixinho. Liam me puxou, sorrindo ao ver seus amigos, Lizze e Jonah, na maior pegação dentro do box. Saímos correndo antes que fossemos descobertos. Não fomos muito longe, porque Harlow pulou bem na nossa frente.

É assim que descobrimos quem é nossos amigos de verdade, nos momentos de complicações eles ajudam, Liam não, ele apenas saiu correndo e me deixou ser agarrado por Harlow. Aquele viadinho iria me pagar.

— Peguei! Peguei! — comemorou ela. Bufei, e vi ela tirando a venda enquanto os outros saiam de seus buracos. Eu prendi o riso quando Lizze e Jonah surgiram do corredor.

A pobre garota estava tão vermelha e com o cabelo tão desgrenhado, que dava dó.

— Vire — Fiz o que Harlow pediu, e ri quando tive de me abaixar para que ela me alcançasse. Essa me beliscou, mas não antes sussurrar — Pegue ele de jeito garota marrenta — Eu sabia quem era o “Ele” dessa historia, por isso sorri sorrateiramente e deixei que me girasse.

Fiquei um pouco tonta quando ela me soltou, mas depois tentei apurar minha audição. Nada, não tinha ninguém por perto, e estranhamente, o nervosismo me fazia rir como uma louca. Segurei-me nas paredes, tocando para saber o caminho que ia, gemi quando bati o pé contra a escada e tomei cuidado ao subir de vagar. Quando estava no topo, falei, pela primeira vez:

— Gato-mia?

Miauuuuuu — Ri um pouquinho do tão chamativo miado do novato. Segui aquele rastro de som, as mãos para cima para saber onde ia. Cheguei a uma porta, que com certeza era ou o quarto de Lizze ou dos seus pais. Saí alisando as coisas só para perceber que nada era família, então estava com certeza no quarto pais.

Fiquei hesitante quanto a continuar, mas esqueci disso quando ouvi o rangido da madeira da cama. Rindo, eu corri bem na hora que Liam tentava saltar pela enorme cama de casal para chegar a porta, foi tarde, pois me joguei contra ele e agarrei sua camisa, o levando para o chão junto comigo.

— Peguei! —Falei sussurrante quando senti que estava sobre ele. Sorrindo e no escuro, senti as contrações de seu peito e barriga quando ele riu.

— Isso foi rápido — falou. Eu neguei.

— Não, isso foi vingança por ter me deixado ser pega — Ele riu novamente, e querendo deixa-lo realmente louco, segurei seu rosto e me abaixei para seu rosto, deixando um simples selinho sobre os lábios. Era a segunda vez que eu o beijava por conta própria, e isso parecia fasciná-lo cada vez mais.

Tirei a venda depressa, e quando ele tentou me puxar, passeia em volta de seus olhos.

— Jodie! — chacoalhou a cabeça enquanto eu dava o nó.

— Está com você — ri, o beijei e pulei fora para depois correr. — Está com o novato gente! — berrei pela casa.

Com certeza todos ouviram até mesmo minha corrida na escada. Fui me esconder na cozinha, porém foi uma péssima ideia. Mais um casal de agarração. Jack só faltava tirar a roupa de Stefany fora, e claro que eu não queria ver algo parecido, mas antes de correr tirei meu celular na calça e cliquei uma foto.

Os outros iriam amar isso.

Corri para o corredor, mas foi passando pela sala que vi um certo movimento atrás do sofá. Caralhooooo.

Mais um clique. Ah Eloise, espera para ver isso.

Rindo mais que nunca e não querendo ser pega, tratei de ir para a lavanderia onde estava com Liam, mas...

— Droga — Pressionei a mão na boca, e agora isso sim precisava da fotografia de prova. Jimmy grudado na boca de Harlow como se fosse um desentupidor de pia.

Sim. Essa era A brincadeira do século!

Não tendo opção, caminhei de volta para sala, mas parei congelada ao dar de cara com as costas espaçosas de Liam. Mordi o lábio.

— Gato-mia? — De vagar, andei para trás, recuando bem lentamente. Esse foi meu erro. Ele ouviu e rápido como raio, eu estava sendo agarrada pela cintura e presada novamente na parede. Seu nariz tocou o meu quando ele sorriu.

— Peguei a gatinha fujona — falou triunfante.

— Miau — sussurrei cheia de humor. Ele não parecia assim, pois arrancou a venda e se preocupou em somente me beijar. Eu não me importei, porque no final das contas, era uma brincadeira. A melhor brincadeira de todos os tempos.

~*~

Notas finais
Gato-mia? Miauuuuuuuu! KKK quem já brincou disso? HAhaha, eu já, mas nunca foi tão ousado, era muito inocente na época, por isso tentei mudar um pouco as coisas. Espero que tenham se divertido, e que não esqueçam de me mandar review. Ganhei apenas duas no cap passado, fiquei bad :( Porém, acredito que nesse vai ser diferente. Obrigada por ler, e até sexta ♥ PS: Preparem o coração, pois o próximo cap será meio... Caliente e fofinho kkk O que será que vai acontecer? Até lá gatos e gatas ♥