Believe In Me
30 Capitulo 30 — Maldita agonia!
Notas iniciais
Dois dias depois...
Serpentei pelo frio e úmido corredor do colégio em direção a sala de aula, arrastando a minha mochila vermelha Camp Gurid com a alça partida em sua trilha. As paredes que eram da cor de um quadro negro poeirento – e todo o lugar era estranhamente quieto, salvo pelo maçante zumbido das lâmpadas fluorescentes suspensas no teto recuado manchado por gotas de água. Estava em uma quarta-feira e finalmente tinha decidido voltar para o maldito colégio, mesmo que essa decisão tenha se esvaído no momento em que Carter me deixou em frente às grandes portas do inferno. Ele não permitiu que eu voltasse, mas disse que Charlotte estava de olho em mim e que Edgar não poderia entrar para me encontrar. Isso não me deixou tranquila.
Olhando em volta, tentei ser discreta quando passava por pessoas, mas elas pareciam me reconhecer de longe, e assim, passavam a sussurrar sobre mim e meu sumiço, mas a merda era como também veio do nada, o assunto da biblioteca e o beijo que Liam havia me roubado.
Eu sentia-me vermelha em baixo do capuz de meu agasalho quando notei os sorrisinhos maliciosos, e naquele momento, me estranhei ainda mais, pois eu não devia sentir vergonha e sim raiva. Onde estava a minha garota durona?
Bati na porta da sala do professor de Geometria totalmente hesitante. Dois dias tinham se passado depois de eu ter mandado Liam vazar da minha frente, fazia dois dias que tinha somente a companhia de Linnea, Carter e a pequena Ivy, pois não me sentia confortável em dirigir a palavra aos meus novos amigos. E mesmo que esses não desistissem de me visitar, eu não saía de meu quarto para vê-los. Meu coração estava ferido, e admitir isso para mim mesmo era como ver uma casa em chamas.
O problema era que olhar para Jonah e Harlow, Jimmy, Stefany e Jack, fazia-me lembrar das últimas palavras que o novato tinha me concedido antes de acatar meu pedido, e sair.
...essas palavras foram às únicas que me quebraram.
Eu tinha o quebrado, e nunca na minha vida eu quis tanto voltar atrás nas minhas palavras. Certo que eu queria ele longe, mas destroçá-lo? Isso foi sempre meu pior medo, e olhar os rostos dos seus amigos me fazia sentir medo de cometer o mesmo erro duas vezes.
Respirando fundo, bati mais uma vez, olhando para os lados. Aquilo estava tão diferente.
— Entre — A voz do professor Sebastian veio logo de dentro da sala. Eu hesitei porra, eu hesitei por muito tempo até que finalmente girei a maçaneta da porta. Eu soube que nenhum professor iria se importar com minha presença atrasada assim que olhei para Sebastian e percebi como sua face se suavizou ao me ver.
Claro que a diretora conversou com eles. Apostava que todos sabiam.
— Srta. Jodie. Que prazer em tê-la de volta — franzi a testa por mais que não estivesse surpresa. O homem veio para mim e tocou-me no ombro, empurrando-me levemente para dentro.
— Err... Será que posso sentar no meu lugar? — perguntei. O cara deu um sorrisinho e assentiu, porém, disse:
— Claro que pode, mas será que pode vir falar um instante em particular comigo? — Apertei lábios, e enfim, encarei os meus colegas depois de sete dias sem vê-los.
Todos tinham expressões confusas, alguns me olhavam surrando, outros com um sorrisinho malandro, outros — como Helen e Lisa — tinham a cara de enojadas e empinavam o nariz como duas frescurentas. Eu quis mostra-lhes o dedo do meio, mas algo dentro me fez querer fechar os e me encolher, algo me fez sentir mais fraca que elas, e havia um espaço bem dentro do meu ser, que me fazia ficar pior a cada minuto.
De repente fiquei ciente de cada barulho na sala, e o que mais ouvi, foi aquele suspirar pesado e cansado. Eu não havia percebido que tinha prendido a respiração até direcionar os olhos para o fundo da sala.
O garoto à esquerda, ombro encostado contra a parede, tinha a cabeça baixa e as mãos sustentando o queixo quadrado, seus olhos não estavam em mim, mas esse, notei, eram circulados por profundas machas prestas, suas azuis íris que sempre me faziam ficar sem fala, encontram-se ferozes, tristes como nunca antes. Eu segurei o impulso de sair correndo até que percebi um lábio inchado e um hematoma enorme na bochecha direita. Os cabelos estavam rebeldes e jogados desleixadamente para o lado, e mesmo de longe percebi os músculos de sua mandíbula e braços tensionados de forma quase desconfortável.
Ele estava acabado, e conseguiu ficar assim em apenas dois dias.
— Senhorita? — Pisquei o olhar para longe de Liam estarrecida, focando em Sebastian depois — Você está bem? — A custo, limpei a garganta e disse.
— Sim. — Sebastian estreitou os olhos.
— Tenho certeza de que sabe que a diretora...
— Sim — disse novamente — Eu sei que ela contou para vocês. Mas queria que me deixasse em paz sobre isso. Esse assunto é doloroso e pessoal para que alguém mais saiba.
— Oh, eu compreendo querida. E lamento por tudo que esteja passando— disse, e apontou — E queria lhe avisar que estará segura aqui. Mesmo sendo nossa ultima semana de aula, a escola está sendo vigiada durante vinte e quatro horas por dia. Não precisa se preocupar com nada okay? — suspirando, concordei com a cabeça depois de agradecer. Logo vire-me e olhei mais uma vez para Liam Corey. Ele ergueu a cabeça e então, olhou em minha direção.
Nossos olhares de encontram, e eu vi quando seus olhos se empertigaram e depois rapidamente se estreitaram com que parecia ser magoa. Mais uma vez, prendi a respiração ao andar até a mesa logo atrás dele, mas percebi que ainda estava encarando Liam quando quase tropecei. Cristo. Parecia tão mal e machucado.
Fiquei satisfeita por meu assento estar vazio, assim, pude me sentar e me encolher no meu canto. Foi fazendo isso, que percebi que eu tinha voltado a ser como antes. Olhava para a sala, e todos interagiam uns com os outros, às vezes viravam o rosto para mim e Liam falando coisas baixas ou talvez se preguntando o porquê do garoto a minha frente não mover um musculo para conversar com seus colegas ou para me encher a paciência. Talvez tivessem também falando sobre o tão famoso beijo na biblioteca, ou meus dias fora — Podia ser qualquer coisa, e mesmo assim, tudo que parecia me importar no momento era o rosto machucado do garoto a minha frente. Pensei no que aconteceu somente nesses dois dias e lembrei-me como Amara chegava à casa de Linnea abatida e às vezes, até tentava trocar uma ou duas palavras comigo sobre Liam.
Eu recusava, mas agora tudo que queria era poder perguntar para ela o porquê dele estar daquele jeito e porque parecia estar se afastando das pessoas. Eu quis saber mais que tudo, o motivo daquele tormento em seus olhos, mesmo que a resposta estivesse agravada bem em sua testa com letras maiúsculas.
O sinal para próxima aula tocou depois de mais duas horas e meia e eu não pude deixar de observar quando Liam inclinou-se contra a mesa e passou a guardar o material. Mordi os lábios e cheguei mais perto, piscando para uma coisa em seu pescoço. Fiquei mortificada.
Havia hematomas lá também, a região estava toda avermelhada e os ombros cobertos pela camisa, estavam com roxões gigantes que marcavam com certeza, o punho de um brutamonte. Ofeguei, olhando com olhos arregalados. Maldito seja! Quem tinha se atrevido bater nele? Que historia era aquela? Somente eu poderia fazer isso.
— Mas o que houve com você? — As palavras saíram da minha boca sem eu ter pensado, e ergui uma mão prestes a tocar o lugar ferido.
Liam pulou longe assim que me ouviu e seus olhos me fitaram vazios.
— Acho que isso não é de sua conta — ironizou. Cocei os olhos.
— Okay. Eu merecia essa — disse. Ele continuou me olhando quando levantei. As pessoas já haviam saído até aquela altura, o que nos deixava completamente sozinhos. — Diga quem fez isso com você — pedi. O novato ergueu uma sobrancelha curtidora e um sorriso sarcástico apareceu em seu rosto.
— Não irei repetir o que disse agora pouco. Então, apenas esqueça que me viu e siga com seu dia — Ele deu um aceno com a cabeça — Até a próxima aula Jodie. — Mas que merda esse garoto estava fazendo?
Com esse pensamento em mente, peguei meu material e saí da sala, pegando meu celular no bolso da calça logo em seguida. Com dedo ágio e rápido, disquei o numero de Jack.
— E ai? — Ele atendeu no segundo toque despreocupadamente. Limpei a garganta.
— Jack. Sou eu — falei. Não ouvi nada então, apenas sua respiração entrecortada. O que me deu uma ideia sobre como ele estava chateado por eu ter recusado suas visitas e ligações. Bufei — Olha, eu sei que está com raiva de mim e nem quero pensar no outros, mas preciso da sua ajuda.
— Agora você lembra que posso ajudar? — perguntou com certo rancor — Quantas vezes liguei Jodie? Quantas vezes fomos até você para fazer exatamente isso? Afastou-nos sem ao menos considerar conversar.
Porcaria, pensei ao parar em frente de meu armário, isso seria mais difícil que pensava.
— Me desculpa tudo bem? Será que não dá para você entender que eu estava com... — Segurei a palavra, eu não queria falar, ela só me faria mais fraca, no entanto, Jack parecia curioso.
— Vamos, termine a frase Jodie, não é tão difícil admitir estar com medo. O que preciso saber é: Do que está com medo? — Arfei, olhando para os lados e depois, lembrando que ninguém poderia ouvi-lo.
— Tudo bem. Você obviamente sabe sobre Liam e nossa briga — Jack fez um som que considerei um sim.
— Ouvi falar.
— Bem, acontece que eu o machuquei demais Jack — Apertei a mão contra o telefone até ouvir um ruído de protesto vindo do aparelho — Você não viu como ele ficou, eu o quebrei. Ele mesmo me disse isso — Um suspirar veio antes de suas palavras.
— Entendo que se sinta mal por isso, e ainda não compreendo o porquê de tê-lo magoado tanto, mas, o que eu e os outros tem haver? Queríamos só o seu bem. — Olhei para meus pés, envergonhada.
— Eu sei, mas eu tive medo de acabar fazendo o mesmo que fiz com Liam. Tive medo de quebra-los, porque eu só faço isso. Não quero ver o olhar que ele me mandou nos seus olhos e nem no dos outros. — Mais uma vez, ele ficou em silêncio, até certo ponto que eu olhei para o celular para ter certeza de que ele não tinha desligado, depois voltei a coloca-lo na orelha, só para escutar, para minha grande surpresa, a voz de Stefany.
— Você é tão bobinha Jodie. Nós somos amigos, e se afastar de nós só para nos proteger não será necessário. Não queremos que o faça — Arregalei os olhos.
— Stef? Mas o que está fazendo...
— Não é só ela marrentinha — Ah merda.
— Jonah?
— Isso mesmo gatinha. E Harlow, Jimmy e Lizze. Você estava falando sobre não querer nos magoar? Continue, estava muito interessante — Resmunguei, acertando o chão como uma menina birrenta.
— Vai se ferrar, cabelo azul — Risos.
— Falando sério agora Jodie — Lizze tomou o lugar de Jonah — Amor de amigo é como de irmão, nunca acaba. A gente pode brigar, discutir, se bater, mais não tem como deixar de te amar. E sim, nós passamos tempo o suficiente juntos para dizer que te amamos como nossa irmãzinha — Por mais dura que eu fosse, eu sorri e tive aquele breve formigar em meus olhos.
— Vocês não sabem o que posso fazer para magoá-los — disse baixo.
— Verdade, mas sabemos agora que você não deseja isso — suspirei incapaz de negar isso — É uma boa pessoa Jodie. Sabe disso — Não tinha tanta certeza.
— Agora que já resolvemos os laços da amizade — Jack voltou a falar — O que queria comigo? — Abri a boca para começar a enxurrada de perguntas sobre Liam, contudo, pelo canto de olho percebi uma presença indesejada e hesitei.
Helen e Lisa começavam a me cercar junto de suas amigas frescas. Puxei o ar e olhei para o teto pedindo paciência.
— Não poderei falar agora, mas existe a possibilidade de me pegar no colégio? Preciso ter uma conversa — Eles pareceram debater um pouco.
— Na verdade estamos no colégio também — Lisa cruzou os braços e ficou me encarando fixamente enquanto Harlow falava — Mas acho que podemos escapar, não é gente?
— Com certeza, como é a última semana de aulas, tem pouca gente. — Divagou Jimmy de algum lugar — Dei-nos 10 minutos Jodie
— Okay. Vou espera-los na porta. E vão logo antes que percebam que saí — Desliguei o celular, e com força, fechei o armário antes de me virar para as garotas que me secavam. — O que vocês querem?
— O que fez a Liam? — Helen rosnou estreitando aqueles olhos escuros a minha direção. Ergui uma sobrancelha.
— Poderia ir perguntar para ele ao invés de me perturbar — Retruquei. Tentei dar-lhe a volta, mas a infeliz segurou meu braço enquanto Lisa e suas cadelas ficavam em meu caminho.
— Não se atreva a tentar fugir. Liam está diferente conosco e com todo mundo, mas agora sei que a culpada é sua! Abra essa boca antes que eu abra para você — Eu juro, eu realmente quase ri na cara daquela vaca, e só não fiz, porque estava ocupada demais olhando para a mão que segurava meu braço.
— Eu vou contar até três para você soltar meu braço — Ela nem sequer recuou, pelo contrário, se aproximou ainda mais, e vi que esse ato fez Lisa e suas amigas regalarem os olhos. Com certeza estavam pensando que Helen era maluca por me enfrentar dessa forma.
— Ou o que? — Indagou. Eu ergui uma sobrancelha.
— 1... — comecei, ainda focando nela — 2... — Ela não se intimidou e isso me irritou muito. Quem ela pensava que era? — 3. Eu avisei — Não disse mais nada conforme balançava meu punho e o acertava bem no maxilar de Helen. O rosto dela estalou para o lado, ela gemeu e ficou parada por um tempo antes de perceber o que estava acontecendo, de repente se ergueu e me empurrou com tudo para o chão. Eu me ouvi ofegar e o grito de Lisa e suas amigas.
— Segurem ela! — O que?
Tentei me levantar quando percebi o que as cadelas pretendiam fazer, mas uma das amigas segurou-me os braços e tapou minha boca. Senti os primeiros socos em meu abdômen recém-curado, com um gemido, me fazendo retorcer de dor. Isso não pode estar acontecendo!
— Peça desculpas! — segurou meu rosto com força. Minha boca foi liberada e só assim pude rosnar para ela e dizer entre dentes.
— Vai para inferno sua puta — Helen fez uma careta.
— Segurem mais forte! — Exigiu ela e eu grunhiu me chacoalhando.
— Eu vou acabar com todas vocês! — gritei, mas em vão. As garotas seguram-me com mais força enquanto ela me deu mais dois socos seguidos nas costelas do lado esquerdo, perdi o fôlego no mesmo momento que meu rosto foi o próximo a ser atingido. Toda minha estrutura tremeu, e quase perdi a consciência, porém, não me permiti perder e fiz o possível para ser libertar.
— Isso é por você colocar Liam contra nós e pelo maldito soco. Vadia. Fique longe dele ou terá mais para enfrentar — E eu simplesmente fui largada no chão. Eu não consegui acreditar que eu tinha deixado aquilo acontecer. Eu nunca na minha vida tinha apanhado de garotas do colégio, e essa Helen... Não, isso com certeza era um pesadelo. Primeiro Liam, agora isso. Eu tinha que acordar. Tinha que acordar logo.
~*~
Eu fiquei sentado no chão do corredor por alguns instantes, até que o frio chegou a mim e fui obrigada a me mover até as portas do colégio. Eu assobie e estremeci quando fiquei de pé, tossi e isso fez meu estômago entrar em uma erupção de dor, eu senti vontade de gritar por meu estado lamentável, mas não o fiz no caso de Helen e suas amigas estarem me observando, seria apenas mais uma coisa para elas se deleitarem. Meu fracasso.
Eu não podia decifrar o que doía mais, meu estômago, meu rosto ou minha cabeça. Eu me ajeitei mais e um fio de sangue desceu por minha narina, fazendo me xingar tão alto que quase me esqueci de respirar. Ergui a cabeça e fiquei daquela forma até o sangramento sessar. Quando saí do colégio, sentei em um degrau da escada e respirei fundo.
Aquela puta ia pagar por isso.
— Jodie? — Olhei para frente e sorri, por mais doloroso que fosse.
— E ai Jack — O garoto tinha os olhos arregalados para mim e correu, segurando meu rosto para cima ao me revistar.
— Quem foi o fodido que lhe fez isso porra? — Ri um pouco, observando-o me examinar com olhos bravos.
— Fui pega no corredor por Lisa, suas amigas e... Helen. — Ele ficou ainda mais pasmo.
— Helen bateu em você? — Se exaltou.
— Sim. Mas eu consegui acertar sua mandíbula também, e acho que a vai deixar uma boa marca naquele rostinho perfeito... Ai! — estremeci quando ele tocou em meu olho.
— Cadela. — bufou ele — Venha. Vou levá-la para a van. — Deixei que ele me ajudasse e passei um braço por seu ombro, me levantando bem de vagar. — Você não podia esperar até chegarmos sem consegui um machucado não é? — questionou ele inconformado. Eu ri, mas gemi com a dor incomoda em minhas costelas.
— Que graça teria se o fizesse? — brinquei.
Fui levada até a van em passos lentos, e assim que chegamos a porta foi deslizada para o lado só para os que estavam dentro me receberem da mesa forma que Jack.
— Caralho. O que houve?! — Eles me cercaram, rondando-me com perguntas até que notaram minha falta de equilíbrio. Fui deitada em um dos bancos enquanto Jonah chegava ao meu lado e erguia minha camisa. As marcas roxas já estavam dando as caras.
— Quem fez isso? — questionou.
— Helen. Lisa. Suas cadelas — resmunguei — Mas acreditem. Isso não vai ficar assim por muito tempo.
— Por que ela te bateria? — Lizze perguntou, rolando os olhos por minha barriga e depois, me entregando um papel para o nariz. Agradeci, e passei a me limpar.
— Disse que o novato está estranho com ela e que é culpa minha — virei os olhos — O mesmo papo de menininha abandona pelo macho. Mandou-me ficar longe de Liam. Aquela vaca não sabe com quem se meteu — Apontei no final.
— Helen é uma grande idiota, mas vamos deixar ela de lado só por esse momento e cuidar de você. — Harlow se ajoelhou ao lado de Jonah na van e falou — Jed. ensinou-me umas coisas e... Sei o que fazer para passar a dor. Posso tentar? — Franzi a testa para ela, surpresa.
— Você sabe? — Ela sorriu, e no outro banco, pegou sua mochila.
— Logicamente. Tenho um irmão médico, eu tive que tirar proveito — Ela abriu a bolsa e tirou uma pequena bolsinha. — Alguém tem garrafinha de água?
— Aqui — Stef estendeu a dela depois de pegar no banco da frente. Harlow me deu juntamente com um comprimido. — Tome. — Obedeci, depois senti-a olhando meus machucados. — Isso está bem feio.
— Elas me seguraram enquanto Helen batia, por isso não consegui me defender — resmunguei.
— Isso foi baixo até para Helen — Jimmy murmurou encostado contra a porta da van e os braços cruzados — Liam vai surtar quando souber. — E ali estava. A menção do novato trouxe um silêncio desconfortável, e durante ele, Harlow colocou uma caixinha ao meu lado e colocou um algodão com um líquido verde e gelado em meus hematomas. Dei um pulo mínimo com a ardência e também pela área estar sensível ao toque.
— Okay. Isso vai doer e esquentar, mas aguente porque logo aliviará a dor. — falou ela despejando uma pomada também verde em suas mãos e esfregando uma a outra como se quisesse aquecê-la — Preparada? — Assenti. Ela começou a massagear minhas costelas com força, esfregando a pomada que parecia mais fogo.
— Jesus! — gemi fazendo o possível para ficar parada.
— Doí, mas é para seu bem marrentinha — Aguentei firme até ela terminar de aquecer minhas costelas. — Sente-se — Com um pouco de dificuldade, consegui fazer isso — Eu não tenho as faixas que Jared colocou em você da outra vez, mas tenho gazes, sendo assim, é bom trocá-las quando for tomar banho.
— Por que carrega isso na bolsa de escola? — perguntei meio sem voz. Harlow sorriu um pouco enquanto cobria minhas feridas.
— Justamente por causa dos amigos que tenho. Principalmente por Liam, que sempre arranja um arranhão quando saímos. Acabei por me acostumar, e por isso, pedi umas aulas para Jed. Só para ficar prevenida. — Ela soltou um risinho de repente. — Acho que entendo meu irmão ao escolher essa profissão. É bom cuidar das pessoas — Eu sorri, olhando-a de verdade em muito tempo.
Harlow, aquela garota dura e respondona, a menininha que seu rosto demonstrava, não era nada parecida com a mulher que tinha em seus olhos. Ela parecia tão madura e forte agora, que tive de olhar de relance para Jimmy, só para ver se ele estava conseguido ver o mesmo que eu. Apostava que sim, pois o olhar cheio de surpresa e curiosidade era uma ótima brecha em seu rosto.
— Obrigada. — falei, assim que Harlow terminou.
Me sentei reta no banco e respirei fundo antes de olhá-los.
— Entrem aqui, não quero que nos vejam — pedi. Eles fizeram como pedido e se encaixaram o máximo possível dentro da Van, sempre deixando-me com um espaço maior.
— Bem. O assunto que queria falar com vocês é: — Olhei cada um nos olhos — Quero saber em que merda o novato está se metendo. — Eles desviaram o olhar de mim e ficaram tensos, o que me deixou mais aflita por Liam e mais nervosa pelo silêncio. — Falem logo!
Jack foi o primeiro a ceder.
— O problema com Liam é que ele ainda está chateado Jodie — Explicou suavemente. — Não saiu conosco desde a briga entre vocês, nem atendeu um telefonema. Esta agindo da mesma forma que você. Se afastando — Eu me encolhi um pouco.
— Tia Amara disse que ele anda bem nervoso ultimamente — comentou Lizze com uma expressão preocupada. — Pediu que nós o deixássemos pensar um pouco.
— Hoje ele estava machucado. Quem fez aquilo com ele? O infeliz está vivo ainda? — Um sorrisinho cresceu no rosto de cada um, antes de todos parecerem sombrios.
— Liam voltou lutar. Ele tinha resolvido voltar ano que vem, mas de uma hora para outra, decidiu que seria agora — Jonah falou com a voz entrecortada. Acho que meus olhos quase saltaram.
— Como é? Liam voltou o que?
— Na segunda-feira passada lutou em um lugar chamado Deadly House. Nós assistimos ele lutar — Achei ter visto Jonah estremecer ao falar. — Foi a coisa mais impressionante de todas.
— Ele quase deformou o rosto do adversário dele — Stefany tinha a voz tremula — Foi horrível. Pensamos até que aquele cara enorme ia ganhar dele, mas Liam estava tão nervoso.
— Liam acabou com apenas 4 minutinhos de luta — Harlow falou e sorriu — Ele arrasou, mesmo que tivesse se descontrolado no final — Estreitei os olhos para ela.
— O que quer dizer com descontrolar?
— Ele derrubou o adversário, mas não parou de bater — Jimmy respondeu por ela — Ethan e Mick tiveram que subir no tatame para tirá-lo de cima do homem.
— Ele parecia outra pessoa — Acrescentou Jack — No final da luta ele ganhou o cinturão, mas nem sequer quis comemorar, apenas saiu da boate e sumiu pelo resto da noite. Ethan foi atrás dele com o filho mais velho e não voltaram. O que nos deixou sozinhos no meio da D.H. — Jack esfregou os cabelos — Liam não está normal Jodie, ele parece perturbado.
Esfreguei o rosto com cuidado e suspirei.
Eu tinha feito uma merda tão grande com esse garoto.
— Isso é culpa minha — sussurrei. Eles suspiraram.
— Se culpar não vai ajudar ninguém, Jodie. Liam está se afundando por conta própria — Lizze tocou em minha mão — Não se torture por causa dele.
— Mas ele parecia tão mal, e depois de ouvir isso tudo — deixei meus ombros caírem — Eu sou uma merda de amiga. — Lizze sorriu e esfregou minha mão.
— Mas você sabe que Liam não lhe vê apenas como amiga. Certo? — fiz uma careta pronta para recusar isso, mas me impedi ao ver os olhos severos e sérios dela e de todos ali. Bufei.
— Eu não posso lidar com isso.
— Você pode! — Lizze tinha a voz firme — E você vai. Liam é seu amigo no final das contas, mesmo que não exista nenhum outro sentimento a mais ai dentro, ele ainda precisa de ajuda. E parece que somente você pode trazê-lo de volta. O garoto nunca foi de se fechar só porque uma menina lhe deu um pé na bunda, Liam está sofrendo, e o mais perigoso é que quando ele sofre, ele acaba por fazer loucuras — Eloise soltou minha mão e decidiu alisar o cabelo azul de Jonah enquanto ainda me olhava — Ele precisa sair dessa foça, e você precisa se entender com ele de uma vez por todas.
Meu estômago se revirou só de perceber quão certa estava a loura, estremeci, pensando no que deveria fazer e quase recuei, porém.
— Tudo bem eu... Vou tentar arrumar isso. Prometo. — Só esperava ter sucesso nessa loucura.
~*~
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