Believe In Me

3 Capitulo 3 — Andy?


Notas iniciais
Ei pessoal, obrigada pelos comentários, e obrigada por estarem comigo. Agradeço de verdade.

Depois da confusão com a largatixa, fomos liberados mais cedo para que os professores procurassem saber como foi que a bichinha saiu da caixa, mas claro que eles não iam descobrir.

E uma coisa boa, eu arranjei mesmo uma amiga.

— Você vai mesmo levar essa coisa para casa? — Liam perguntou enquanto andávamos pela calçada.

—Não chame ela assim. O nome dela é Andy — resmunguei deixando a largatixa subir meu braço. Sorri para ela e apeguei novamente.

— Andy? Vai chama-lá de Andy? — perguntou meio rindo.

Eu dei de ombros balançando a cabeça.

— Sim. Eu não sei se ela é menina ou menino, então lhe darei um nome que serve para os dois sexos — Liam voltou a rir escandalosamente — Eu cuidarei dela direitinho, depois do susto que Andy deu em Lisa, eu vou idolatrá-la sempre — Ele continuou rindo e assentiu.

— Você é louca. E se te pegassem? — Dei de ombros desinteressada.

— Não dou a minima, já recebi cinco suspensões e três advertências esse ano.

— Uou. Você é problemática.

— Com certeza, sou — Me virei para ele quando percebi que estávamos perto da minha casa. Nunca ia deixá-lo saber onde eu morava — Agora eu preciso ir ou… — não falei, apenas suspirei.

— Ou o que? — Ele se inclinou para frente com olhos avaliadores. Chacoalhei a cabeça..

— Nada. Apenas preciso ir — ajeite Andy na mão e o olhei — Ate amanhã, Novato — Eu ia me virar, mas o cara segurou meu braço.

— Percebeu que você nunca me chama pelo nome? — sorri maldosamente.

— Pois é, acho que me esqueço dele, os meus apelidinhos são mais fáceis — Ele sorriu balançando a cabeça.

— Você é impossível Jodie — Alarguei meu sorriso.

— Sou mais que isso querido — falei, e como uma piscadela, tornei a andar em direção a minha casa.

O caminho foi o mais divertido possível. Andy era irada, e me fazia rir muito enquanto passeava com sua minusculas patinhas por meus ombros e braços. Acho que ri muito até que pare em frente a minha varanda. Meus risos cessaram e minha garganta quase fechou ao ver pela janela, Edgar andando de um lado para o outro com o celular no ouvido.

Bem, hoje o meu dia até que foi bom, quem sabe eu escapo de levar uma surra para melhorar meu dia. Sorrateiramente, entrei em casa depois de colocar Andy no bolso da mochila, Edgar não me viu até que ele se virou para andar até a cozinha, sua expressão foi a mesma, tédio e desinteresse. Acenei com a cabeça em um cumprimento e marchei para meu quarto.

Parte um completa, agora precisava arranjar um lugar para colocar Andy.

Deixando a mochila na cama, subi em uma cadeira para alcançar uma caixa em cima do guarda-roupa, com ela em mãos, a coloquei escondida ao lado da cama e peguei alface do meu pai sem ele ver. Coloquei na caixa junto com um pote de água e em fim peguei a largatixa dentro da bolsa.

Tenho certeza que acham estranho eu estar tratando esse bicho como um cachorro, mas o que posso fazer? Ela era minha nova amiga agora.

— Me desculpe por escondê-la, mas não posso deixar que o meu pai à veja — falei enquanto acariciava sua mini cabecinha. O bicho tentou subir por meus braços e eu ri — Não. Passear por cima de mim não pode, mas prometo deixar você andar pela paredes quando Edgar sair de casa — sem nojo, beijei a largatixa e a coloquei dentro da caixa.

Quando à tampei, fiz vários furos na tampa para que pudesse entra o ar para a pobrezinha.

Com Andy segura, peguei uma leguin preta, uma blusa fechada preta, e minhas roupas intimas... Pretas. Ah, qual é, eu sou depressiva tá.

Com as roupas, entrei no banheiro e me despi. Enquanto tomava banho fiquei admirando a obra de arte que tinha feito no braço, já estava cicatrizando, mas não por completo e eu sabia que nunca mais ia sair por causa do sal que tocou a ferida, e era exatamente o meu objetivo. Deixar gravado em minha pele que devia ser forte.

— Jodie! — Edgar chamou quase derrubando a porta do banheiro. Com o frio na barriga, falei:

— Senhor?

— Eu vou sair... preciso fazer uma coisa. Mas já sabe o esquema não é? — O “esquema” que ele falava era:

Deixar a casa arrumada, o jantar pronto, e eu trancada no quarto, pois até mesmo ele sabia que se me batesse muito, um dia desses eu podia nunca mais acordar, e ele morria de medo disso acontecer. Por isso, quando batia aquele sentimento de compaixão nele, ele sempre me lembrava de ficar trancada no quarto nos dias que saia a noite para beber.

— Sei, sim! — respondi e ele não falou mais nada.

Ouvi suas passadas se esvaírem e respirei aliviada quando a porta da frente bateu. Deslisei contra a parede sentindo a água descer por minha cabeça e passando por meu corpo todo, uma sensação de paz me tomou que tive de me esforçar muito para me levantar e sair do banheiro.

Eram exatamente uma e vinte da tarde, como a casa estava toda arrumada e a comida estava pronta, fiquei assistindo um pouco de tv, isso até que me bateu uma ideia maluca. Olhei para o telefone e a caderneta do meu pai em cima da mesa e os peguei.

Olhei o pequeno caderno atrás do que precisava e encontrei rapidamente.

Orfanato Word, numero.

Sorri e digitei o numero no telefone Esperei até que atenderam no segundo toque.

Orfanato Word. Boa tarde — Engoli em seco ao ouvir a mulher e falei.

— Hmm, boa tarde… Eu, queria saber de uma informação.

Se eu puder ajudar senhora —fiz careta para o “Senhora”.

— Bem, eu queria saber sobre uma menina, queria saber se é possível me falarem quem à adotou — A mulher limpou a garganta.

Desculpe, mas isso é sigiloso. Só posso contar alguma coisa se os pais adotivos concordarem com isso. Por acaso você poderia me informar o nome da menina? Talvez posso entrar em contado com os pais e perguntar se permitem isso — Mordi os lábios nervosamente.

— Bem, é que eu não sei muito sobre essa coisa, e a menina que eu estou procurando é… minha irmã — A mulher ficou um momento em silêncio.

Não quer me falar seu nome? Ou o da menina? — suspirei em duvida e passei as mãos pelos cabelos.

—O nome da minha irmã é Michelle Jodie — A mulher fez um ruido.

Ah, eu lembro dela —Disse com entusiasmo na voz — Michelle era um amor de menina, sempre prestativa e forte… Pena que o pai a deixou aqui — sorri largamente.

—Verdade? — disse emocionada — E por acaso… Ela te falou alguma coisa sobre mim?

Sim, me lembro de um dia ela ter me contado que tinha uma irmã… Ela sempre dormia com uma foto de baixo do travesseiro da mãe e de uma garotinha loura — E agora eu já estava chorando, melhor, eu estava soluçando.

Ela me conhecia! Minha irmã sabia sobre mim!

Querida, você está bem? — A mulher perguntou notando meus soluços, funguei secando as lágrimas.

— Sim... Me desculpe é que… eu sonho há tanto tempo com o dia de encontrá-la que… chega doer — A mulher ficou muda novamente e depois falou com a voz mais sentimental.

Quantos anos tem querida?

— 18.

E você nunca viu sua irmã? Como isso é possível? — ri sem realmente achar graça.

— Minha historia é complicada… Mas de toda forma, eu só tenho ela de família.

Mas e o seu pai… Eu vi ele ontem — suspirei.

— Como eu disse, tudo é complicado… E gostaria de pedir para não contar ao meu pai que eu liguei. Poderia fazer isso? — Ela hesitou.

Bem… Eu poderia fazer isso se aceitasse tomar um sorvete comigo amanhã — franzi a testa.

— Serio? E por que? — Ela riu.

Eu gostaria de conhecer a irmã de Michelle, a menina era maravilhosa e mesmo sem conhecer você… Dizia coisas tão belas que era capaz de emocionar a qualquer um — sorri não acreditando naquilo. Era tão bom saber que alguém me amava — E além do mais, eu poderia falar com os novos pais dela para deixarem que você a encontre — Coloquei a mão sobre a boca para tapar um grito de felicidade, mas foi mais forte que eu, só sei que subi no sofá e comecei a pular igual a um canguru, rindo enquanto falava.

— Oh, obrigada, obrigada! Você não sabe o quanto isso vai ser importante para mim… Ah,1 meu Deus obrigada… Eu vou. Me fale o lugar do encontro que eu vou sem me atrasar — A mulher do outro lado riu alto com meu desespero.

Que bom, anote o endereço da soverteria — Escrevi o endereço que ela me falou com as mãos tremendo — Ah, como tê chamo, querida?

— Jodie, pode me chamar de Jodie.

Jodie? Seu sobrenome?

— Sim, eu prefiro assim.

Tudo bem... Até amanhã então, Jodie, nos vemos as duas da tarde certo? — sorri.

— Sim, obrigada de novo — falei, e depois desliguei o telefone.

Coloquei o caderno e o telefone na mesa e peguei o papel com endereço. Corri para meu quarto, e tranquei a porta e depois me joguei na cama rindo alto e abraçando o papel que tinha na mão. Quando me virei abri a caixa de Andy e a vi escondida de baixo do alface.

— Vamos bebê, pode ir brincar, está tudo bem — falei e depois levantei o travesseiro. Peguei a foto de Michelle e de minha mãe e sorri —Sabe Andy… eu finalmente vou conhecer minha irmã — sorri e peguei a largatixa de dentro da caixa.

Coloquei as duas fotografias na cama junto com o papel e segurei Andy perto delas.

— Você acha que elas são parecidas comigo? —O bichinho se contorceu na minha mão e eu olhei para as fotos.

Soltei um suspiro e deixei Andy escalar a parede. Logo depois fiquei em frente ao espelho. Franzi a testa e coloquei as duas fotografias penduradas no espelho. Fiquei olhando elas e procurando alguma coisa semelhança entre nós três. Olhei para o teto vendo Andy passear por lá.

— Eu não sou igual à elas, Andy — falei, voltando a olhar meu reflexo. Lentamente fui tirando cada peça de roupa que eu usava. Fiquei apenas de sutiã e calcinha me encarando com incredulidade.

Meus olhos vagaram horrorizados por meu meus braços, cheios de marcas e arranhões, marcas das surras que recebi, os nomes da minha mãe e de minha irmã, minhas costelas eram bem visíveis e eu quase não tinha seios. Minhas pernas marcadas com um roxo horripilante e cicatrizes.

Engolindo em seco soltei meus cabelos do coque para depois os falgar.

Loiros. Por que loiros? A cor dos cabelos dele.

Olhei os cabelos de Michelle. Ruivos, tão lindos, idênticos aos da mãe. Ela era linda já eu…

— Horrível — sussurrei.

A raiva de repente veio contra mim. Passei as mãos nos olhos tirando aquele lápis preto, borrando a maior parte com brutalidade, fiz o mesmo com aquele batom idiota, tudo em mim era errado, eu parecia com ele… Não era surpresa as pessoas não gostarem de mim, que as pessoas me jugassem e me insultarem, estava tão farta disso.

Farta daqueles olhares insignificantes, todos idiotas que gostam de se meter na vida dos outros.

Fechando a mão em punho andei até o banheiro e peguei o meu canivete. Me sentei no chão do quarto, com o canivete em minha mão, eu olhei para meu pulso onde tinha antigas e novas cicatrizes, eu sabia que meu pai checaria meu pulso então sentindo a dor em meu peito se intensificar, enfiei o canivete em minha cintura, mordi o lábio segurando o grito de dor, soltei o canivete e fiquei vendo o sangue jorrar, sentindo a raiva e a insegurança diminuírem de acordo com o tanto de liquido vermelho que escorria pela minha cintura, sujando minha calcinha e o chão.

Olhei para as fotos no espelho.

— Eu queria ser igual a vocês. Por que eu não sou bonita?

Eu fiquei ali, encarando o sangue secar contra minha pele, fazendo parte do silêncio que emanava ao meu redor. Não vi a hora passar, só estava cansada. Cansada da minha vida.

Deitei no chão sujo e me encolhi, abraçando as pernas para tentar me sentir segura pelo menos uma vez na vida, e enquanto fechava os olhos, eu achei ter visto o belo rosto de minha mãe, mas este, tinha os olhos cheios e repletos de lágrimas.

~*~

Trim, Trim, Trim…

Esfreguei meu rosto contra o braço e resmunguei. Aquele barulhinho irritante do meu celular continuou tocando até que me sentei no chão. Olhei para baixo vendo a sujeira que eu estava e bufei.

Puxei minha calça da cama e tirei o celular de dentro do bolso.

Numero desconhecido.

Franzi a testa e atendi.

— Quem é o desgraçado que está atrapalhando o meu sono? — Ouvi uma gargalhada familiar do outro lado e bufei — Não acredito! Como conseguiu meu numero sua peste?

Uou, você está mesmo de bom humor hoje — Liam falou rindo e respondeu logo depois — Eu tenho minhas fontes.

— Ah é? Então me diga quem, que eu acabo com ela — Ele riu de novo — O que você quer? Sabia que o hoje é sábado?

Sim, e queria saber se quer sair hoje a noite — Oh legal, ele tava me convidando para sair? Por que? Que coisa estranha.

— Por que?

Porque eu duvido que você saia para se diverti, e aliás, vão uns amigos meus que eu queria tê apresentar — Mordi a unha pensando se conseguiria escapar de Edgar a noite.

— Isso é muito estranho sabia? — riu.

Para você. Mas e ai? Quer que eu vá tê buscar ou você nos encontra no parque? — Olhei para as mãos pensando. Eu nunca tinha saído com outras pessoas, bem que eu queria saber como era.

Suspirei e me joguei no chão para olhar para o teto.

Sorrir ao ver Andy parada lá em cima.

Tudo bem… Eu encontro com vocês no parque, só me diz onde é — Acho que podia até ver o rosto dele com um dos seus mais belos sorrisos.

Ouvi atentamente ele falar o endereço e o anotei no mesmo papel que tinha o endereço da soverteria que encontraria a mulher do orfanato hoje.

— Se seus amigos forem idiotas, eu vou embora — avisei logo.

Não esquenta, eles são legais. Na verdade, eles são uma banda, gostam de tocar quando tem um tempo do colégio — Ah, isso era interiçante.

— E quantas pessoas são?

Cinco. Três garotos e duas garotas...

— JODIE, LEVANTE AGORA! — Edgar gritou da sala e eu virei os olhos.

Isso foi seu pai? — Liam perguntou e sua voz estava estranha.

— Sim, é ele… Eu vou ter que desligar.

Tudo bem, nos vemos às sete, beleza?

—Beleza. Até lá — falei e depois desliguei o celular.

Novamente disposta, me levantei do chão e marchei para o banheiro. Tomei o meu banho rapidamente e me vesti. Guardei os endereços no bolço da calça jeans e escondi meu celular em baixo do colchão e comecei a limpar o sangue seco que tinha no chão.

Com tudo limpo, sai do quarto depois de passar o lápis no olho e colocar meu cabelo para cima em um coque alto. Edgar estava sentado no sofá assistindo como sempre.

Sem falar com ele segui para a cozinha e comecei a preparar o café dele. Organizei a mesa colocando os copos, suco, pão, tudo do bom e do melhor, já para mim era um pacote de bolacha de sal e um copo de café preto.

Isso era tudo que eu comia sempre.

Terminando de preparar tudo aquilo, chamei meu pai que se sentou na cadeira. Ainda sem falar um palavra, peguei minha bolacha e o meu café e me sentei na sua frente. Fiquei vagando pela minha mente o que ia fazer hoje. Quase deixei um sorriso escapar de meus lábios, mas me aguentei enquanto estava na frente Edgar.

— Por que esta tão calada? — Ele perguntou me fitando curioso.

— Porque não tenho nada para dizer — falei indiferente. Ele fez careta e se encostou na cadeira.

— Vejo que vai começar a ser insolente comigo — comentou cruzando os braços. Coloquei uma bolacha na boca e o encarei com desgosto.

— Não sei por que tenho que não faze-lo, minha irmã não está mais com você, minha mãe morreu a muito tempo, não tenho mais avós e muito menos…— apertei os olhos para ele —E muito menos um pai — Eu pensei que ele fosse me bater depois dessa, mas ele ficou apenas me olhando, então continuei a falar — Não tenho mais ninguém, você me tirou tudo... — Isso ele não gostou.

Levei uma bofetada na cara que quase me fez cair da cadeira. Mas eu não chorei, apenas esfreguei o rosto voltando a olha-o.

— Vai aprender a me obedecer de um jeito ou de outro — falou em um tom grosso e se levantou para se trancar no quarto depois.

Bufei e passei a mão pelo rosto.

Como tinha perdido a fome, arrumei todas as coisas que Edgar tinha rejeitado. Quando terminei olhei o relógio e sorri ao ver que faltava apenas uma hora que eu pudesse me encontrar com a mulher do orfanato. Mordi os lábios e olhei para a porta do quarto de meu pai.

Nunca que pediria para que ele me deixasse sair depois do show que acabei de dar. Corri para meu quarto, peguei meu celular, olhei para o teto e pisquei para Andy.

Ela não desceria dali por um bom tempo. Pensei enquanto pegava as fotos de Michelle e de minha mãe.

Olhei novamente para minha amiguinha e falei:

— Não saia daqui se quiser permanecer viva viu, eu volto muito tarde — Como se a largatixa tivesse me ouvido, ela começou a correr em direção a caixa que tinha posto ao lado da minha cama.

Sorri.

— Boa, menina — Se é que era menina.

Um fato era. Eu não sabia ver se ela era fêmea ou macho, aliás… Como se via isso?

Franzi a testa para Andy ao pensar isso.

— Eu não faço ideia — murmurei, mas depois dei de ombros a olhando — Não importa, eu te amo mesmo assim.

E nisso eu sai do quarto e corri para sair de casa antes que Edgar me pegasse no flagra.

Notas finais
É isso pessoal, sexta-feira estou de volta, não esqueçam de comentar o que acharam.