Believe In Me

27 Capitulo 27 — Paixão


Notas iniciais
Eu sei. Demorei hoje, mas vamos se dizer que eu estava ocupadinha e agora estou muuuuuito feliz. Mesmo com as dificuldades, irei dormir toda sorridente essa noite. E claro, para combinar com meu humor, o cap. de hoje é todo amorzinho e tenho certeza que vão gostar. Boa leitura amores ♥

Era estranho estar em uma nova casa, com uma nova “Família” e uma nova cama. E enquanto eu estava sentada na cadeira, olhando Linnea fazer caretas para Ivy comer a janta, eu me perguntava se Marissa fazia a mesma coisa comigo, ou se ela chegou a dar comida para sua filha mais nova. Pensava se antes de vovó Harriet falecer, ela teve coragem de contar para Michelle sobre o que eu passava nas mãos de Edgar. Queria que ela não tivesse o feito, se para mim já era difícil imaginar meu pai batendo nela, poderia saber qual seria o sentimento que sua maninha mais nova iria sentir, e tudo com poucos anos de idade.

Chacoalhando a cabeça, mirei a janela acima da pia, onde havia o fogão esquisito e o lava-louças. Era noite, e através do vidro tinha o céu azul escuro cheio de estrelas, o ar estava quente de matar e com cheiro de terra molhada, o que indicava chuva para um longo e ensolarado dia de verão.

Pela primeira vez, eu me senti confortável.

— Está quieta — Linnea manteve os olhos na filha lambuzada de molho e carne ao falar. Apertei a mão em torno do garfo terminando minha refeição. A melhor de todos os tempos tinha que apontar. E ainda tinha carne.

— Apenas pensando — murmurei. A olhei — Acha que terei noticia de meu pai hoje?

— Sinceramente? Acho que não. Se esse fosse o caso, Ethan teria ligado — respirei fundo, assentindo que concordava. Mas então outra pergunta me veio.

— Como conheceu os Corey? — A mão de Linnea travou no meio do caminho até a boca de Ivy, a coitadinha olhou para sua mãe com olhos brilhantes e a boca aberta, esperando sua comida, no entanto, a colher abaixou e a mãe dela virou-se para mim.

— É uma historia longa e… complicada — Ergui uma sobrancelha questionadora.

— E você vai me contar?

— Sim. Mas não agora — disse, e preencheu o vazio da boca de sua filha — agora, quero saber se ainda continua com a decisão de não ver sua irmã. Sabia que os pais adotivos dela já concordaram com isso? — Abaixei os olhos, desviando dos dela ao dizer.

— Não é hora para isso. Ela está em perigo e preciso cuidar para que Edgar não se aproxime dela.

— A menina está segura, Jodie. Está apenas adiando o inevitável. — fechei a mão em punho.

— É o que desejo por agora. Okay? Tente viver com isso, por favor— Linnea suspirou, olhando de vez enquanto por cima do ombro, até que finalmente concordou.

Foi quando a porta da casa foi aberta, e cinco minutos depois, Carter apareceu na entrada da cozinha em seu terno elegante e os cabelos penteados para trás como mais cedo. Ele sorriu ao ver a situação da filha e a esposa, e depois deu um aceno para mim.

— Boa noite.

— Oi — cumprimentei.

— Chegou tarde — Linnea tinha um bico enorme nos lábios e os olhos brilhando em desgosto. Carter andou para ela, segurou seu rosto, e beijou-a nos lábios.

O momento foi tão intimo, que virei o rosto para a janela novamente.

— Tive um cliente de última hora. — Ele falou ao se afastar. Senti quando sentou-se em uma das cadeiras ao lado da mulher — Alguma noticia de Ethan e Amara?

— Não. Mas Edgar fugiu — Mais uma vez, apertei as mãos em punho.

— Tem ideia para onde ele foi? — Como não ouvi resposta de Linnea durante minutos, virei o rosto e soube que a pergunta era dirigida a mim.

Pisquei nervosamente.

— Não. Tudo que me vem na cabeça é a casa de minha falecida avó, Harriet —falei, e me encolhi ao outro pensamento — Ou ele poderia estar em algum boteco gastando o resto do seu dinheiro em bebida. — A pena nos olhos do homem foi desconcertante, e ele deve ter notado, pois respirou fundo e disse:

— Amanhã iremos até a delegacia para falar sobre isso — disse, e acrescentou — Irei informar seus, aparentemente, advogados — Ele virou os olhos para a filha, que brincava com sua comida enquanto Linnea tentava não ser atingida por nada — Por agora, descanse, amanhã será um longo dia.

— Estou tendo longos dias durante toda minha vida — contradisse segurando seu olhar com firmeza — E não será agora que vou cair por estar cansada.

— Bom — Ele estava serio — pois isso parece apenas o começo.

— Sim — respondi, me levantando — É apenas o começo.

~*~

Eu entrei no quarto, joguei minha jaqueta velha e os tênis no chão, e olhei ao redor. De cara para a porta estava uma janela coberta com persianas. E notei uma coisa que não tinha percebido antes. Um pequeno criado-mudo estava do lado e uma cadeira localizada abaixo da janela. Do lado direito do quarto havia duas portas. Um espelho de corpo inteiro estava preso em uma das portas. Uma cômoda estava no meio delas e uma estante de livros ocupava a parede do lado direito da porta que dava para o corredor. Era basicamente um dormitório.

Okay. Eu tinha um closet, mas esse não tinha roupas.

Que evolução!

— Adorável.

Caminhei até a grande cama, onde eu deixei minha mochila, e ao lado dela, tinha uma nova muda de roupas.

Obra de Linnea, obviamente.

Caminhei para outro canto até uma das portas do quarto. A primeira abria para o pequeno closet, dentro estava pendurados uma dúzia de cabides de madeira. A segunda abria para um pequeno banheiro — um banheiro com pés de garra, com um chuveiro e uma pia em formato de pedestal.

Absolutamente lindo!

Sem nada de muito interessante para fazer, segui para o banheiro para tomar um bom banho, foi difícil, considerando que ainda tinha que cuidar para não molhar os malditos pontos na cintura, mas consegui. Voltei para o quarto enrolada na toalha na mesma hora em que meu celular passou a tocar dentro da mochila.

O peguei rapidamente.

— Alô?

— Nossa. Ela é educada ao atender o celular, que bonitinha — virei os olhos.

— O que você quer Harlow? Estou meio ocupada — Remexi nas roupas deixadas na cama e prendi um severo xingamento na garganta.

Shorts curto e camiseta regata. Mais que merda.

Okay. Não vamos começar a atirar pedras. Só liguei para saber como está, e também te xingar por jogar Jared contra Jimmy — fiz uma careta, soltando as roupas para esfregar a testa.

— Foi mal. Eu não sabia que ele agiria daquela forma.

— Ele é meu irmão mais velho, Jodie, como acha que ele agiria? — A garota bufou. —Ele quase expulsa Jimmy a ponta pés da minha varanda agora pouco. Se não fosse Dana para controlá-lo…

— Espera. Primeiro de tudo — olhei para o relógio na escrivaninha — Por que Jimmy estaria na sua varanda às dez da noite? Ah, e quem é Dana mesmo?

Dana é minha irmã mais velha. E Jimmy apenas quis me acompanhar até em casa para pegar com minha irmã relatórios do colégio. Eles estão na mesma turma — Ergui uma sobrancelha.

— Hmm. Sei. Aposto que rolou umas mãos soltas — provoquei. Harlow fez um som esganiçado.

Você tem que parar com isso! Eu não gosto do Jimmy! — foi impossível não rir dessa.

— Conta outra nanica. Se e eu pudesse cheirar feromônios, com certeza conseguira encontrar vocês há quilômetros de distância. — A garota só faltou rosnar para mim.

— Como se você pudesse dizer algo. Você e Liam se bicam tanto, que o tesão já está visível e à cores — Arregalei os olhos, olhando o telefone como se fosse uma aberração.

— Conclusões erradas.

Nada disso. Confesse. Se quiser algo da minha parte, terá que ser tão sincera quanto — sorri divertida.

— Você acabou de dizer que, de fato, existe algo? — Ela praguejou.

— Para de tentar me desvendar.

— E você pare de insinuar coisas entre mim e Liam.

— Você está fazendo a mesma coisa, e agora, olha só o que tenho no pé. Jared não vai me deixar paz um segundo! — sentei na cama, de repente me sentindo culpada por causar esse problema.

— Foi mau tá legal? — suspirei, e então lembrei — Harlow?

— O que? — Ela estava mal humorada. Sorri em simpatia.

— Sinto muito por seus pais — A linha então ficou muda, e por segundos, só ouvi sua respiração, mas depois, sua voz veio hesitante.

— Ele contou?

— Eu adivinhei — falei, não querendo mais discórdia entre os irmãos. — Eu realmente sinto muito.

Eu acredito. — falou, me deixando aliviada — Mas assim como você, não gosto de falar nisso. Gostaria que não tocasse nesse assunto. — Apertei os lábios.

— Doí muito. Eu sei — senti minhas entranhas se moverem quando ouvi um ruído de sua respiração diferente. Droga! — Harlow?

Não quero falar disso — sua voz estava gaga — Espero que esteja bem, Jodie. Falamos amanhã. Beijos. — E desligou.

Depois disso, eu realmente me senti muito mal, e foi pensando nisso, que fucei no meu celular atrás dos novos contatos. Cliquei no numero e esperei.

— Me ligando para mais comentário idiotas, marrentinha? — Jimmy parecia mal humorado, e podia apostar isso, pois tinha acabado de ser chutado da casa da menina que gostava. E sim, eu tinha certeza que ele gostava dela. E tiraria a prova agora.

— Não dessa vez loirinho — puxei o ar — Estou preocupada com Harlow, e não tenho o numero do irmão dela. Queria ver se você tem…

— O que aconteceu? — sorri com a interrupção exaltada. Exatamente como eu esperava.

— Eu estava falando com ela no celular e… — hesitei.

— Fale de uma vez, Jodie! — Estremeci com o seu tom.

— Eu toquei no assunto de seus pais.

Caramba — praguejou, e isso me deu a dica de que ele já sabia a reação de Harlow.

— Acho que ela estava chorando — mordi a unha nervosa quando ele soltou uma maldição.

Estou indo para lá. Não estou muito longe da casa dela, chego rápido. Fique tranquila, Harlow sempre age assim quando se trata dos pais, mas sei como acalmá-la.

— Mas e Jared? — Jimmy ficou mudo, e então.

Porra. É claro que para ele me expulsar daquele jeito, teria um motivo. Caralho, Jodie! O que você disse? — Eu sei, era cruel, mas eu meio que ri ao falar.

— Acho que disse algo sobre você querer colocar as mãos em umas partes não publicas da irmãzinha dele — As maldições do garoto aumentaram, e eu tive de me encolher — É sério agora, foi sem querer. Tinha esquecido na hora que ele estava do meu lado. E eu não fazia ideia que ele era ciumento com Harlow.

É irmã mais nova dele Jodie, claro que ele seria alto protetor. Mas, merda, se ele me apunhalar com uma faca de cozinha, meu funeral será por sua conta e irei puxar seu pé durante a noite — E mais uma vez na noite, desligaram na minha cara.

— Idiotas.

Me levantei, e ainda incrédula com o tamanho daquela roupa, me vesti e refiz a bandagem que Jared havia colocado. Pronta, fui até o espelho, suspirei, e soltei os cabelos para penteá-los. Ele estava grande, batia na cintura, o que eu achava uma grande merda, pois era mais difícil de cuidar e prendê-los.

Com eles soltos e eu dentro daquela camiseta terrível, caminhei para a cama, contudo, assim que puxei os cobertores, ouvi a chuva cair lá fora com uma vontade torrencial, e junto a ela, um “CRAK!” e depois algo como “ZIPP”.

Arregalei os olhos quando a janela subiu por conta própria, ou melhor, quando ela foi aberta por uma mão muito, mais muito humana.

Estamos sendo assaltados! Pensei, e não com medo, mas raiva.

Como esse cara se atrevia invadir a casa de Linnea para roubar? Uma mulher tão digna e doce. Não. Isso definitivamente não podia ser deixado no preto e branco.

Pulei da cama em silêncio e procurei ficar encostada na parede ao lado da janela, controlando a respiração, regulando-a. Uma perna masculina foi posta para dentro do quarto, e depois os ombros largos e a cabeça… Antes mesmo de ele se virar, eu ataquei.

Pulei nas costas do maldito filho da puta lhe tirando um silvo animal, que com certeza, representava surpresa. Grunhi, usando o pouco da minha força para tentar esmagar sua garganta, entretanto, ele jogou seu peso contra mim e bateu minhas costas na parede, me fazendo chiar em dor por causa dos pontos.

— Filho da puta! — achei ar quando ele se afastou, mas não desisti e tentei alcançá-lo com garras expostas — Quem é você o que você quer aqui?

— Ei, espera… — na escuridão, tentei um soco de direita, mas o homem esperava isso, pois agarrou meu punho e puxou para perto. — Jodie, pare! — gelei. Estreitei os olhos mais abertos e encontrei a familiar imensidão azul.

— Puta que pariu! Liam, seu… seu… Erg! Eu vou te matar! — Me joguei contra ele de novo, transferindo socos e chutes.

— Jodie, caramba!

— Você quase perde um braço seu idiota!— Me afastei, ofegando e segurando os pontos com uma mão — O que pensa que está fazendo aqui? — Mesmo na escuridão do quarto, eu pude ver o sorriso brilhando no rosto do menino, e esse era cheio de diversão.

— Senti saudades. Vim dar boa noite antes de ir para casa — E sem cerimonia, caminhou até o interruptor de luz e ligou, para depois virar-se para mim. Peguei algo diferente em sua expressão assim que seus olhos desceram meu corpo e sua sobrancelha se ergueu.

Nervosa, levantei o queixo e cruzei os braços, fazendo a mesma coisa com ele e… quase morri do coração. O desgraçado estava completamente molhado, ensopado na verdade. A camiseta colada ao seu peito e braços e os cabelos para trás alcançando a nuca.

Jesus Cristo, isso era tão malditamente maldoso. Colocar um cara ultra-grande e sexy todo molhado no meu novo quarto quando eu sabia que não podia alisar seu tanquinho sarado.

Apontei para a janela que ele saiu.

— Vaza! — mandei.

Ele continuava me olhando, e estranhamente, meu corpo esquentou de acordo para o lugar que o infeliz olhava.

— Está sendo rude, doçura. Tente um, por favor — Ele andou em volta, olhando os cantos do quarto pensativamente.

Liam — minha voz era um tom de alerta que ele ignorou totalmente ao continuar andar pelo cômodo pingando igual um peixe fora d’água.

— Esse quarto é tão sem cor.

— Eu não perguntei. Sai daqui antes que alguém suba — Ele foi para a cama, mas antes que o idiota ousasse deitar, eu corri e o peguei pelo braço — Você está molhado!

— É o que parece. Tem uma toalha aqui? — Ele mirou os cantos e, quanto eu não disse nada, deu de ombros e falou — Okay. Eu tiro a roupa então — Em nem mesmo tinha processado a frase quando o louco segurou a barrada camisa e puxou por cima da cabeça.

Praguejei um palavrão.

Caralho, eu tinha um homem molhado um pouco por cima de um metro e oitenta, e a parte de cima desse um metro e oitenta — a magra linha de planos abdômen e altos peitorais, a trilha perfeita abaixo do umbigo desaparecia sob o cós da calça — brilharam no momento em que ele se voltava para mim e alisava o cabelo para trás.

— Onde posso por isso para secar? — questionou, contudo, eu não arranjei palavras, meus olhos viam demais para isso. — Sabe Jodie, tem mesmo que para de me olhar assim — Abri mais os olhos tentando me manter sóbria.

— O que? — A pergunta sem noção saiu mais lesada que minha cara. Liam sorriu, e ainda com a camisa na mão, se aproximou, ficando poucos centímetros longe de mim e comprovando o quanto eu ficava minúscula ao seu lado

— Esse, olhar — Ele mordeu o lábio por dentro da boca — Me faz querer pegá-la de novo como na casa de Lizzie, então, se for para me deixar na vontade, acho melhor tentar olhar em outra direção — Uma incrível carga de eletricidade correu por meu corpo e me tornei ofegante, e por um segundo eu considerei a ideia de puxá-lo para mim e para minha boca, mas não podia. Não podia!

— Li-Liam... Sai daqui — fiquei ao lado da janela e bufei ao ver a escada do lado de fora — Como conseguiu isso e como, em nome de Deus, você soube qual era a janela do meu quarto?

— Peguei a escada atrás da casa e passei por mais duas janelas antes da sua — respondeu normalmente.

Esfreguei o rosto não acreditando que aquilo estava acontecendo.

— Você é maluco! Fora daqui. Por que veio?

— Porque estou cansado de esperar — Seu rosto ficou tão sério que recuei um passo. Entretanto, tinha a droga da parede atrás de mim — Hoje foi a última vez que tentou me negar Jodie, pois isso não irá mais acontecer — Limpei a garganta, pois o nó que se formava nela era enorme.

— Do que está falando? Eu não…

— De nós — me cortou — Eu quero, eu preciso de nós. E desculpe se isso parece egoísta da minha parte, mas é mais forte que eu, e nunca senti algo parecido com isso durante toda minha vida. Nunca me senti assim por alguém durante todo esse tempo, e por favor, não negue que não sente o mesmo, pois vejo nos seus olhos o contrário — Devagar, a mão livre dele se encaminhou para meu rosto, e por um impulso de coerência, me afastei.

— Liam.

— Não fuja — Ele realmente suplicou — Me deixe ficar perto de você, deixe-me tocá-la, por favor.

Foi tão duro vê-lo implorar um toque, por uma aproximação, que relaxei. Quando esse não voltou a chegar perto, eu deduzi que teria de fazer isso, que eu iria ter que dar o primeiro passo por mais difícil que fosse.

Mordi os lábios e levei os dedos para o rosto dele, deixando-o espantado com a iniciativa surpresa, mas depois suas pálpebras caíram e escutei o “SPLAF!” da camiseta molhada dele ao cair no chão.

Sua pele era magnifica, lisa, e quando tomei a ousadia de passar o dedo por sua boca, fiquei sem ar. Seu corpo colou-se mais ao meu, e sentir meus seios cobertos apenas pela regata tocar seu tórax nu, transferiu calor através de toda minha maldita estrutura. Ele tinha um cheiro fresco, limpo, misturado à água da chuva, o que lembrava a brisa durante uma manhã de primavera. Fechando os olhos, inspirei, memorizando o perfume dele. Quando os abri novamente, ele estava olhando para mim, e suplicando.

Seus lábios entreabertos me implorando, o olhar fixo na minha boca.

Merda. Ele quer que eu o beije.

E eu quero beijá-lo. Só mais uma vez. Seus lábios estavam prontos, aguardando. Sua boca parecia acolhedora sob meu polegar.

Não. Não. Não. Não faça isso Jodie.

Você não é garota para ele.

Mas que droga!

Tentei achar fôlego, e percebi que seus olhos acompanhavam cada movimento meu, e por um milésimo de segundo, me perdi em seu olhar sensual, hipnotizante. Ele não desviava os olhos.

Meu corpo tremeu.

Eu o quero.

Aqui. Agora.

— Ah, foda-se.

As palavras surgiram do nada e por instinto, me agarrei em Liam, puxando-o para mim e dando a permissão de toque e muito mais. O som que ele soltou foi um gemido de vitória antes de juntar as minhas mãos acima de minha cabeça me impedindo de tocá-lo, resmunguei em protesto, mas logo uma de suas mãos puxou meu torço e meu cabelo enquanto nossos lábios se chocavam.

Gemi. Porra!

Eu realmente gemi.

Ignorei qualquer coisa que me fazia ficar longe dele forçando-o a soltar meus braços, agarrei seus ombros com força, amassei-me contra seu corpo e boca, sentindo seus dentes deixando pequenas mordidas em meu queixo e lábios, as mãos percorrendo muito além do meu corpo até descobrir que estava sem sutiã.

— Jodie… — Ele gemeu, descendo os beijos para mais baixo, mordendo, chupando. Eu chamei seu nome, absorta para pensar no certo ao fechar os olhos e enterrar os dedos em seus cabelos molhados.

Era loucura, mas uma loucura tão boa. Eu desejava Liam como nunca desejei alguém, e ele fazia o mesmo por mim. Abrindo os olhos, capturei a visão daqueles braços, aquela pele dourada de seus ombros. Não resisti, parti para lá na intenção de transferir beijos, contudo, acabei por pensar em algo muito melhor.

Sorrindo maliciosamente, mordi a área corada e molhada, e como resposta, o garoto grunhiu, empurrando-me contra a parede.

— Até mesmo em uma situação dessas… você tenta me enlouquecer? — Ele estava ofegando, os olhos cheios de luxuria, e podia apostar que eu me encontrava da mesma forma.

Sorri de novo, mais uma vez lembrando-me de como era bom provocá-lo.

— Encare os fatos, novato, você adora minhas provocações. — Uma de suas sobrancelhas ergueu, e um minuto depois, eu tinha meus pulsos presos novamente na parede.

— Pare. De. Me. Chamar. Assim. — falou, e a cada palavra, descansava um beijo em meu pescoço. Suspirei.

— Faça-me parar. — provoquei. Ele rosnou.

— Está brincando com fogo, doçura — pisquei para ele, tão brava quando alguém poderia estar ao ter um baita de um homem gotoso beijando seu pescoço.

— Fogo. Boa ideia. Será ele que usarei para queimar você caso não pare com esse apelidinho idiota — Liam gargalhou, jogando a cabeça para trás para depois, agarrar meus lábios com os dentes. O beijo foi quente, cheio de lasciva e uma fúria muito lenta.

— Você me fascina, Jodie. — murmurou.

— E você me irrita, Liam — sussurrei perto o bastante de sua orelha.

Seu aperto se intensificou, e um sorriso enorme tomou seu rosto, as íris brilhavam com ansiedade e… algo mais.

Um toque inesperado me fez arregalar os olhos de surpresa excitação, minhas pernas fraquejaram quando Liam encaminhou os dedos por cima de meu seio, acariciando, sentindo a rigidez em que estava. Ele mesmo pareceu perder o controle enquanto sentia-me estremecer, pois rugiu e atacou minha garganta.

— Oh, Deus... — O que era isso? Jesus, o que estava acontecendo? — Li-Liam...

— Se consigo te irritar, quer dizer que gosta de mim — concluiu por si próprio, e eu abri a boca para negar até a morte, mas ao tê-lo subindo os beijos para minha boca novamente, me dei conta que eu havia começado aquilo e que eu permitir o toque. Era tão inútil negar o que estava claro e óbvio.

Tomei fôlego, chacoalhando a cabeça.

— Isso é ruim. — senti explosões em minha mente, totalmente confusa. Liam com certeza detectou minha hesitação, pois pegou meu queixo entre o polegar e o dedo indicador, forçando meus olhos nos dele.

— Não, Jodie. Isso é bom. Não precisa ter medo do que está aqui. — sua mão escorregou para logo acima do meu coração louco e descontrolado — A muito mais além do que você vê, se me permitir, posso lhe mostrar tudo que não sabe. — Deus, como isso era difícil.

— Mas, Liam… Como você pode me escolher? — tentei empurrá-lo para trás — Olhe para mim, sou errada. Tenho defeitos e problemas enormes, e agora estou trazendo seus pais para minha vida e levando você junto. Isso é o que não entendo! — respirei fundo, olhando dele para meus braços marcados — Sou eu. Apenas eu. E não valho tanto o seu esforço.

La no fundo, eu queria poder ficar com ele sem correr o risco de me afastar, mas isso era tão impossível, que chegava doer e trazer lágrimas aos meus olhos. Liam me fez olhá-lo assim que as empurrei de volta, desesperada para que ele não as notasse.

— Pare com isso — Ele tinha o rosto duro — Já disse tanto que você me fascina. Toda envolta de sombras e discrição, com a beleza de um anjo quebrado. Sei que tem medo, desconfiança, confusão, mas quando você me leva pela mão, eu me pergunto quem eu sou. Ensina-me a lutar, e por isso eu vou lhe mostrar como ganhar. Desde que entrei naquela sala de aula você tem sido minha falha mortal, e isso é tão real para mim que desejo tocá-la todos os dias — Os dedos roçaram minha bochecha — Não me deixe acreditar que o que nós sentimos é errado. — Sua voz era um tom mais alto que um sussurro, mas o sentimento era tão forte que eu tive que desviar o olhar, as lágrimas transbordando em meus olhos.

Caralho. O que estava havendo comigo?

— Isso parece uma batalha que eu não posso ganhar. — falei engolindo seco.

— O amor não deveria ser uma batalha. — Ele tinha o tom suave.

— E ainda assim, se não vale a pena lutar, qual seria o objetivo?

Ficamos em silêncio por tanto tempo que os grilos começaram a cantar no jardim atrás de nós enquanto a chuva caia.

Eu olhei para ele e deixei o medo, a frustração, e a exaustão se mostrar nos meus olhos. Eu estava muito cansada para discutir, muito cansada para ligar sobre o que poderia acontecer amanhã na delegacia. Muito cansada para lutar contra o Edgar e ele.

Eu precisava de companheirismo, afeição. Eu precisava confiar e ser confiada em troca.

E eu precisava disso dele.

— Venha Jodie.

Eu fui. Ele fechou a janela pela qual tinha passado para o meu quarto e desligou as luzes. Sem outra palavra, ele colocou sua mão nos meus braços e apertou seus lábios na minha testa.

— Se estar ao seu lado como amigo for a única coisa que pode me dar por enquanto, eu vou aceitar. Por agora.

Eu fechei os meus olhos e coloquei os meus braços ao redor dele, e deixei as lágrimas fluírem.

— Eu não sei o que está acontecendo comigo — fuguei em seu ombro — Me sinto tão estranha perto de você. Por isso te odeio. — Ele soltou uma risadinha.

— Se odiar é dessa forma — Ele beijou meu rosto e acariciou meu cabelo — Eu também te odeio. Muito — sorri. Ele pegou a minha mão e entrelaçou os nossos dedos juntos, então me guiou para a cama. Eu tirei as almofadas decorativas da enorme cama, e então deslizei para dentro do algodão fresco, mas quando Liam tentou enfiar-se ao meu lado, eu quase gritei.

— O que? — Ele se assustou.

Apontei para suas calças.

— Você está molhado. Nem pensar — Claro que eu não iria permitir ele me molhar, porém eu fiquei com medo quando o menino ergueu uma sobrancelha e curvou o lábio para cima.

— Okay — falou, e simplesmente abriu os botões da calça e abaixou. Arregalei os olhos, e antes que eu tivesse uma imagem boa, enfiei a cara nos travesseiros.

— Liam! — berrei, minha voz sendo abafada pela almofada. O garoto riu, e quando senti o colchão afundar, tremi — Vaza da minha cama! Eu não vou dormir com você pelado — Ele riu mais.

— Estou de boxer, Jodie. Fique tranquila — Ai meu Deus!

— Grande coisa. Saí. Isso não vai acontecer. Se vesteeee — Apertei os olhos bem fechados, e podia apostar como meu rosto estava vermelho. E, caramba, eu queria tanto ter visto algo a mais que o cós de sua boxer — Que era branca só para constar.

— Pare com isso e vem aqui — fui puxada, com força e atitude. Ofeguei, sentindo cada parte sua contra mim, e jurava que quase encostei no…

— Ah caralho, Liam! — Ele estava se divertido, pois gargalhou mais ainda, suas mãos prendendo minha cintura.

— Cala a boca e dorme, doçura — falou. Joguei o cotovelo em seu estômago.

— Idiota.

— Resmungona.

— Vai se foder — Assim que falei isso, me arrependi amargamente, pois senti quando ele sorriu e se remexeu atrás de mim encostando o seu amiguinho em minha bunda

Sussurrou.

— Não me tente, doçura — Putaquepariu! — Vá dormir Jodie. — O braço dele serpenteou ao redor da minha cintura e me puxou apertado contra ele, seus lábios na minha orelha. — Fique bem, minha marrentinha. E durma bem. — Só depois de horas, eu pude relaxar e me acostumar com a pressão atrás de mim, e depois, eu percebi que gostava de ter ele tão perto, sentir seu calor másculo. Era reconfortante, protetor.

E como eu não podia fazer mais nada, deixei que ele me abrasasse enquanto o sono me levava para beeeem longe.

~*~

Notas finais
Eeeeh acabou! Eu sei, saiu muito fada essa parte, e eu mesma reli mais de três vezes. E como prova de que vcs curtiram, não esqueçam das reviews. Uma ótima noite para vocês gatinhos e gatinhas ♥