Believe In Me
28 Capitulo 28 — Fugitivo
Notas iniciais
Sabe. Eu realmente odiava acordar com o barulho insistente de um celular, e claro, foi exatamente assim que acordei na manhã seguinte. Estava com a mente absorta pelo sono enquanto resmungava um palavrão, afundei a cabeça em algo quente e puxei o cobertor. O aparelho continuou a tocar, e dessa vez, a fonte quentinha em baixo de minha bochecha se remexeu, em seguida, ouvi o bocejo alto quando meu travesseiro se arrastou longe de mim.
Abri um olho só para ver as costas estreitas de Liam.
— Alô? — Ele respondeu a chamada do celular, e segundos depois fez um som estranho — Ei, calma ai pai, eu tô legal. Não, eu... Será que dá para deixar eu falar? — ergui uma sobrancelha vendo sua mão esfregar-se contra a nuca — Está exagerando, eu apenas perdi a noção do tempo depois que sai da casa de Lizze. Bem, eu estou… é… Eu vim ver a Jodie.— Eu quase ri da forma como ele se encolheu depois de falar isso. — Mas é claro que não pai! Eu só acabei dormindo e… — A voz dele ficou exaltada — No chão pai. Eu fiquei... Oh não, não deixe a mamãe vir até aqui! — Soltei uma risadinha, me divertindo muito com aquilo. Meu pequeno deslize chamou sua atenção, pois ele se virou e seus olhos azuis focaram em mim. Sua expressão severa suavizou interminavelmente e seu rosto sonolento foi apanhado por um sorriso.
Me odiei mais um pouco por gostar de ver aquilo.
— Na verdade, entrei escondido. Mas não precisamos contar à sua amiga isso... Diga para ela que já estou indo para casa — Acho que o novato nem mesmo deu chance para o pai rebater, pois desligou o celular em seguida. Pisquei para ele tentando demonstra meu desgosto por acordar cedo.
— Você podia ter deixado essa coisa desligada. Que horas são? Oito ou nove da manhã? — Ele continuou sorrindo, e inesperadamente, voltou a se conchegar em baixo das cobertas, suas mãos seguraram minha cintura e puxaram-me para onde estava quando dormia. Sobre seu peito. — Hey!
— Eu vou me lembrar de desligá-lo na próxima vez — franzi o cenho.
— Como se fosse ter próxima vez — Apoiei-me em seu peito com as mãos para olhá-lo. — Não vai dormir comigo de novo.
— E por que? — Ele pareceu frustrado — Gosto de ficar assim com você.
— Está seminu em minha cama — rangi os dentes, mas sentia a quentura em minhas bochechas — Se Linnea ou Carter entrar…
— Podemos trancar a porta — Seu olhar era malicioso — Ou eu te levo para visitar meu quarto.
— Idiota.
— Linda — Não pude reagir ao elogio, pois ele me empurrou para o lado e de uma hora para outra, estava por cima de mim — É absolutamente linda durante a manhã — Engoli em seco, e quando seus lábios juntaram-se aos meus, eu quase cedi. Quase.
— Li-Liam, você não tem que ir embora?
— Uhum.— resmungou contra minha boca — Mas não sem isso aqui — E me beijou, abriu meus lábios com língua, me penetrando profundamente enquanto seu enorme corpo cobria o meu. Cristo, eu podia falar que fui forte o bastante para afastá-lo, mas não ia ser verdade. Deixei que me explorasse enquanto escorregava as mãos até as suas costas, sentindo cada músculo tencionado e forte, suspirei, indo para ele como uma garotinha boba derretida por seu ídolo.
Praguejei mentalmente e o empurrei.
— E o papo de “Amigos por agora”? — puxei ar, olhando seu rosto e sua boca avermelhada. Mordi a minha própria na vontade de voltar a beijá-lo.
Ele sorriu sorrateiramente e alisou meu rosto.
— Podemos ser amigos com benefícios — sugeriu, e dei graças por estar deitada. Tentei ficar lucida, mas ainda sentia seus músculos sob minhas mãos.
— Isso não daria certo.
— Por que não? Foi assim com Jack, certo? — ergueu aquela sobrancelha desafiadora. Respirei fundo.
— Você precisa mesmo adicionar o Jack em tudo que acontecer entre nós?
— Se for fazer você me escolher no momento. Sim, o usarei — Virei os olhos, e achando que aquela estrutura toda em cima de mim era muito para poder pensar, o empurrei, fazendo com que caísse ao meu lado de costa.
Levantei da cama no pulo.
— Levanta. Eu vou descer e você vai embora.
— Mas estou tão bem aqui — Olhei para ele, e agora sim, quase perdi os olhos. Ele tinha afastado as cobertas e se estendia sobre a cama com seu corpo espetacular.
Comecei a olhar dos pés, depois subindo para as panturrilhas fortes, as coxas grossas e bem torneadas e a virilha coberta pela boxer branca. Me senti quente só de detectar o volume que tinha ali, claro que ele não seria louco de ficar excitado em minha frente, porém, ainda podia determinar um bom tamanho através do algodão claro, e com certeza o homem era bem dotado — E aquele peito bronzeado? Poderia lambê-lo como se fosse um gostoso chocolate e nunca ficara enjoada.
Não podia acreditar no que estava pensando, mas ainda sim, não conseguia tirar de minha mente com seria passar uma noite inteira nas mãos daquele cara. Eu tinha absoluta confiança que aqueles olhos azuis eram verdadeiros ao me fitarem com uma camada grossa de desejo e diversão.
— Gosta do que vê Jodie? — perguntou, e inferno, eu gostava… gostava muito.
— Dá para o gasto — Ele apertou olhos, e sabia que ele sentia a mentira em minhas palavras, no entanto, ainda parecia insatisfeito pela minha audácia de negá-lo.
— Uma hora você vai ceder — garantiu. Cruzei os braços.
— Até lá, saía da minha cama e vista sua roupa — Ele praguejou umas maldições, mas levantou-se de todo jeito. Vi ele ir até as roupas que vestia antes, e essas pareciam um pouco mais secas enquanto se vestia.
Ao terminar, ele me olhou, mas dessa vez a camada de paixão e desejo havia abandonado seu rosto.
— Meu pai disse que você vai hoje até a delegacia — Estremeci.
— Carter irá comigo — falei abraçando a mim mesma, mas ao perceber como isso me deixava frágil aos seus olhos, mudei de posição, abaixado os braços e fechando as mãos em punhos — Edgar fugiu e tenho que confirmar com o delegado a denuncia de agressão.
— Irei encontrá-la depois — falou, pegando a camiseta que estava no chão e depois ficou a minha frente sem ter intenção de colocá-la — Irei ao colégio e depois passarei aqui com o pessoal. Maryse sabe da sua situação, assim como Charlotte — Estreitei os olhos e ele já explicou — Não se preocupe, elas não contaram para ninguém, só estão mais cientes sobre Edgar, e Charlotte aceitou suas faltas. Disse também que estamos liberados do castigo da biblioteca — Assenti, não querendo prolongar a conversa, e ele percebeu, pois falou — Não quero que se feche para mim de novo Jodie. Não depois dessa noite — virei os olhos para a porta do banheiro.
— Só preciso de tempo. Só isso. — falei. Ele suspirou e assentiu.
— Okay. Mas isso já está claro para mim, e sei que para você também — Ele segurou meu queixo e beijou-me rapidamente — Você é minha. Assim como eu sou seu — E sem mais nenhuma discussão, ele desceu a escada e correu a rua a baixo de volta para casa dele.
~*~
Remexi-me no banco pela quinta vez desconfortavelmente e puxei as mangas da jaqueta para baixo.
— Eu não gosto disso — reclamei, olhando os cantos daquele lugar com desconfiança.
Sentado ao meu lado, Carter ergueu os olhos de seu celular para focar-se em mim. Ele usava um jeans escuro e jaqueta de couro preta, seu cabelo penteado para trás o deixava charmoso, e por um instante, parabenizei Linnea em silêncio por ter escolhido um homem tão lindo.
Olhei para as pessoas que passavam por nós de novo, endurecendo a expressão como aviso para que ficassem longe.
— Sei que não gosta de estar aqui — O tom do homem era sereno — Mas é necessário. Irá acabar logo, vai ver.
— É fácil para você falar. — cruzei os braços sobre os seios — Esse lugar me sufoca.
Carter suspirou com certeza se perguntando o que fazer comigo. Eu faria isso. Mas o que podia fazer se aquele lugar era assombroso.
A delegacia de policia era grande, mas cheia de gente, e claro… cheia de câmeras. Toda vez que olhava para um lado, encontra uma diretamente na minha direção, e isso me deixava angustiada. Saber que estava sendo vigiada a cada movimento, a cada passo, queria sair dali mais que tudo. Carter e eu estávamos esperando a chegada de um de meus advogados, obviamente seria Amara, pois pelo que Liam havia me explicado ao me levar na Academia dele, sua mãe trabalhava como advogada por mais tempo que seu pai, então talvez tivesse mais sorte com meu caso.
A cada cinco minutos, eu olhava para o relógio me perguntando onde diabos ela estava, e depois de duas horas sentada sem fazer nada, eu já estava entrando em colapso e suando frio.
A mão de Carter tocou meu ombro quando o ar parecia ter se esvaído de meus pulmões.
— Respire — Os grandes e negros olhos dele prenderam os meus — Vou contar até três e você vai respirar comigo. — Engoli em seco, sentindo meu peito doer. Carter apertou minhas mãos — Vamos. 1, 2, 3… — Puxei o ar para meus pulmões, tentando manter o controle enquanto focava apenas nele — De novo — mandou, e eu o fiz, começando a me sentir melhor. Fechei os olhos, meu coração que antes dava saltos passaram a diminuir a velocidade. — Isso, muito bem — Ele acariciou meus cabelos, de vagar, como se não quisesse me assustar.
Apreciei o gesto.
— Obrigada. — sussurrei. Sua mão se afastou e ele voltou ao sua posição reta.
— Tem crises de asma, Jodie? — perguntou franzindo a testa. Neguei, empurrando umas das mexas de cabelo que havia caído do rabo de cavalo.
— Não. Mas… não gosto de ficar em lugares pequenos e com muita gente — estremeci, olhando as pessoas — Me tirar o ar.
— É claustrofóbica — concluiu ele, e notei a nota de preocupação em sua voz — Teremos que cuidar disso. — Não respondi quanto a isso.
Foi durante o meu silencio, que vi Amara Corey passar pelas portas da delegacia, me levantei e ao fazê-lo, vi Carter fazer o mesmo. A bela mulher continuava usando um terninho como da última vez que a vi, mas esse era de um rosa bem claro, e os cabelos estavam presos em um rabo de cavalo.
Ela acenou para nós educadamente.
— Boa tarde — A cumprimentamos da mesma forma, e depois, os olhos idênticos aos de Liam, focaram-se em mim — Está pronta?
— Pronta não estou, mas quero acabar com isso logo. — falei sinceramente, ela sorriu compreensiva, e indicou o caminho para que seguíssemos. Enquanto caminhávamos, percebi que Carter permanecia bem perto, sua mão a cada dois segundo ia para meu ombro para transferir um aperto, que em minha opinião, significava um “Tenha força”. Era bom ter um conforto como aquele, por isso me permiti ficar ainda mais sob seu alcance.
— Sr. Lewis, terá que permanecer aqui enquanto o delegado toma a Declaração de Jodie. Será rápido — Carter assentiu, contudo, quem não gostou foi eu. Olhei para a porta que Amara apontou, e hesitei.
Olhei Carter, ele me observava cuidadosamente com a testa vincada, e como se sentisse minha falta de coragem, se aproximou e passou um braço sobre meu ombro. Surpreendi-me tanto que arregalei os olhos para ele, que falou em voz baixa para mim.
— Podemos voltar amanhã se quiser… Entretanto, em minha opinião, quanto mais cedo fizer isso, melhor será — Apertei os lábios, deixando-me aconchegar contra ele. Não me importava com dureza nenhuma no momento, pois se tratava da prisão de Edgar, e se esse não fosse pego, eu seria a culpada. Culpada de deixar o mal solto e preparado para chegar até Michelle.
Inspirei fundo, puxando o cheiro de Carter.
— Tem razão eu… vou ir — Ele deu um sorriso, um que parecia ser de satisfação, e então deixou-me ir.
— Vou estar aqui — Assenti, e sentindo a mão de Amara em minhas costas, entrei na sala de interrogatório.
Que Deus me ajudasse.
~*~
Apertando as mãos dentro dos bolsos, deixei que Amara me empurrasse para dentro da sala gentilmente, quando a porta se abriu, olhei em volta engolindo em seco e examinando a sala do Delegado. Era quadrada, e a frente havia duas janelas grandes com persianas. A parede era da cor branca e carregada com quadros com diplomas ou até mesmo cerificados de melhor soldado e enfim, delegado. Mais a esquerda, havia uma mesa enorme com papeis, pastas, e um computador.
Amara me guiou até uma das cadeiras a frente dela, onde ficou ao meu lado enquanto meus olhos viajavam pelas bandeiras dos Estados Unidos e Inglaterra, o que me fez pensar de repente, que os países sempre andariam colados desde a época do maldito Nazismo na segunda guerra mundial.
O lugar era bem iluminado e com certeza, por mais que eu não visse, havia câmera em algum lugar. Talvez atrás daquelas gavetas cheias de arquivos, ou no canto daqueles quadros enfileirados em linha reta. Juro que quase verifiquei aquele assento, atrás de alguma porcaria de gravador.
— Tente se acalmar — Amara segurou minhas mãos agitas em cima das coxas — Vai dar tudo certo.
— Estar aqui é estranho. — O sorriso dela era simpático.
— Fique tranquila. Estou aqui para ajuda-la — Apertei os lábios e assenti, sem saber o que dizer em retribuição.
A porta da sala se abriu tão de repente que saltei da cadeira em pé. O homem que entrou era alto, tinha um corpo relativamente magro e os cabelos grisalhos batiam na nuca, e os dois caras que o seguiam já eram mais corpulentos. Os três usavam jeans, porém o um deles, — um louro — vestia uma camiseta azul marinho, enquanto os outros dois vestiam blusas de manga da cor branca.
Usavam coldres com armas, distintivos pendurados em seus pescoços e sapatos de couro. Quando o de cabelo grisalho notou as visitas, seu rosto passou de divertido para profissional.
Não sabia que tinha parado de respirar até que a mão de Amara esfregou minhas costas, e aquele toque era um pedido silencioso para controle.
— Boa tarde — O homem falou, indo para trás da mesa e então, estendendo sobre ela a sua mão para Amara, que a pegou sem ressentimentos — Dra. Corey. Que bom revê-la. Quando foi a última vez que nos vimos? Há um mês? Pensava que estava de férias.
— Bem, como pode ver, houve um equivoco e resolvi voltar ao trabalho. E espero que tenha estudado bem a fixa de minha cliente. — As mãos abaixaram, e o olhar do cara se estreitou para mim.
— Sim. Eu estou familiarizado. — disse, e sentou-se na grande poltrona atrás de si. Apontou para as nossa formalmente — Por favor, sentem-se. Querem algo?
— Apenas acabar com isso, Jodie não está familiarizada com o ambiente — Os olhos negros não desviaram de mim, e isso me fez sentir pequena, tanto que quase abaixei o olhar para as mãos, contudo, não me permitir ser tão covarde.
— Então você usa o sobrenome — apontou ele. Respirando entre pausas, assenti — Bem, eu sou o delegado, mas pode me chamar de Richard. Esses dois atrás de vocês são Bastian — O louro ficou do lado esquerdo de Richard e acenou com a cabeça — e Ryder — O outro apareceu com sua cabeça raspada estilo presidiário e deu-me uma piscadela discreta. Sorri, já um pouco confortável por eles parecerem legais.
Fiquei tensa quando mais uma pessoa entrou na sala, era uma moça pequena de cabelos curtos. Vestia quase o mesmo estilo dos meninos.
— Pronto para a Declaração chefe? — perguntou ela. O delegado assentiu e apontou para ponta se sua mesa, onde no mesmo instante Bastian puxou uma cadeira e ofereceu para a moça, que sorriu em agradecimento e se sentou para depois ocupar-se do computador de Richard.
— Bem, sabemos que você quer prestar queixa contra seu pai, Edgar Rory Jodie, por agressão. Correto? — Olhei de canto para Amara querendo saber se podia responder, ela assentiu.
— Sim. — minha voz era baixa.
— Pode me dizer o que ele lhe fazia? Se ele a tocou sexualmente ou a forçou para mais uma outra coisa? — Estremeci.
— Eu...
— Minha cliente passou por um trauma — Amara interrompeu duramente — E sim, eu sei que é seu trabalho perguntar. Contudo, peço que seja mais educado — Richard apertou os olhos para a advogada, e podia jurar que escondia um sorriso atrás daquela mão.
— Muito bem. Perdão por estar indo rápido demais — disse me olhando. — Diga-me para mim o que acontecia e não se esqueça de nada, por favor. Será de grande ajuda no seu caso. — Mordendo lábio, eu respirei fundo, e comecei a contar tudo, deixei tudo ir e esperei por suas perguntas, a todo instante, a moça ao seu lado digitava e tinha os olhos presos na tela do computador. Os policiais apenas permaneciam em silêncio, continuando daquela forma até que Richard questionou.
— Tem dezoito anos, certo?
— Sim — respondi. Ele mexeu-se em seu assentou, coçando o queixo.
— É maior de idade. Por que se submeteu a ele e não veio denunciá-lo? — Era nessa parte que eu temia chegar, e por isso, fiquei quieta, olhando ele sem ter palavras ou coragem. Amara se adiantou por mim.
— Como Jodie disse, Marissa morreu ao adoecer, no entanto, em suas últimas horas, contou para a menina que ela tinha uma irmã mais nova — O rosto do homem contorceu e um ruído de insatisfação saiu de sua garganta.
— Merda, então quer dizer que ficava com ele por causa da irmã — deduziu. Eu confirmei, e disse hesitante.
— Não conheço Michelle — Ele franziu a testa. Suspirei — Sei que é estranho, mas eu nunca a vi. Minha mãe, durante os meses que ficou sumida, teve o bebê na casa de minha avó Harriet. Assim ela passou a tutela da menina para ela não querendo que meu pai chegasse perto de Michelle. Mas minha vó faleceu há pouco tempo, e por isso a tutela de Michelle foi para ele, e só foi ai, que ele soube que ela existia. — Engoli em seco e tentei não começar a roer as unhas — Ele ficou com ela até certo tempo, e sendo assim, eu tinha que ficar com ele para que não tivesse que descontar a raiva em cima de minha irmã, que com certeza era pequenina.
— E onde está essa menina agora? — Richard estava atento, e antes que eu pudesse responder, Amara falou.
— Edgar colou-a em um orfanato, e agora mesmo a garota está em uma nova casa com sua nova família — A voz dela era equilibrada e calorosa — A dona do orfanato é... uma amiga minha. Trocamos umas palavras e lhe garanto que a irmã de Jodie está segura, mas mesmo sob o olhar de seus pais, gostaria de falar com o senhor a sós sobre uma relativa proteção — O olhar dela se tornou afiado e o azul de seus olhos saltou. O que me fez franzir a testa e com certeza, fez com que o delegado pegasse uma faísca de “Algo mais”.
— Providenciarei essa conversa doutora — garantiu, mas perguntou e seguida — Acham que ele vai atrás dela?
— É óbvio que sim — falei de pressa e com as unhas cravando-se na pele. Os olhos tristes de Linnea apareceram em minha vista, só assim, conseguir me controlar para não me ferir na frente do delegado. Esse mesmo me olhava avaliativo.
— Por que acha isso? — virei os olhos.
— Claro que é porque eu fugi. Edgar não é idiota, ele vai tentar me atrair, e com certeza eu iria até ele se estivesse com Michelle. De preferencia faria tudo para chegar até o infeliz — Amara tocou meu ombro e fez-me olhá-la.
— Foco Jodie, nada vai acontecer.
— Como posso ter certeza Amara? Meu pai é louco! — Não sei se foi o alarde em minha voz ou se foi a raiva, mas do nada Richard levantou-se e circulou a mesa, para logo depois puxar uma das poltronas encostada na parede e ficar em minha frente.
— Seu pai será pego, e se depender de mim, pegara uma pena muito grande — tentei me convencer disso enquanto assentia — Jodie, olhe para mim. — Eu o fiz, e o rosto já meio envelhecido, era amigável.
— Temos que continuar com isso com cuidado, e você não pode fazer nenhuma burrada. Pode colocá-la em perigo, e assim se trata o mesmo de sua irmã. Precisamos que faça tudo que eu instruir. Okay? — hesitei, olhando no fundo daqueles olhos negros, esses mesmos apertaram ao ver minha dificuldade de concordar — Vamos moça, fale. Prometa não fazer nenhuma bobagem.
Segurei uma maldição no fundo da garganta, e respirando aceleradamente, disse:
— Eu... prometo — Ou pelo menos achava que prometia.
Richard pareceu satisfeito, contudo, não se afastou, só assumiu uma expressão suave enquanto me olhava, e então, desviava os olhos para os policiais.
— Ryder. Traga a câmera. — O homem de cabeça raspada assentiu, e saiu da sala. Vi quando Amara se remexeu nervosamente e tocou minha mão.
— O que foi? Para que é a tal câmera? — O aperto da mulher intensificou.
— Lembra-se do que eu e Ethan explicamos? Lembra-se qual será nossa melhor prova? — gelei dos pés a cabeça no instante que a porta se abriu de novo e Ryder entrou.
Comecei a tremer.
— Nã-não falaram nada so-sobre fotografar — Amara se levantou e ficou atrás de mim, pressionando meus ombros e depois alisou meus cabelos.
— Seja forte querida, assim podemos acabar com isso e ir embora. Ninguém irá tocá-la, só precisamos ver os machucados. — Engoli em seco mais de duas vezes, olhei dos policiais para o delegado, e então, fiquei de pé com os braços cruzados.
— Tudo bem, mas não quero ser olhada por mais ninguém além de Amara e o delegado. Meu corpo não é uma paisagem para ser admirado por desconhecidos — Richard colocou-se de pé, e olhando-a com a sobrancelha erguida, falou.
— Concordo. Mas antes vamos terminar essa Declaração, e então, tirar essas fotos. Somente eu e sua Advogada, mais ninguém. — O homem colocou a mão sobre o peito e inclinou a cabeça — Dou minha palavra. — Balancei a cabeça levemente, e satisfeita, disse:
— Vamos terminar logo com isso.
~*~
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