Believe In Me
23 Capitulo 23 — Os Corey
Notas iniciais
Eu estava suada, dolorida, e pelo jeito com uma febre muito alta. A rigidez em meu corpo estava custando minha energia, Jared havia cuidado de mim como eu tinha pedido, senti as dores até o último minuto sem soltar um grito, sem pedir para parar uma só vez, todos me olhavam impressionados e preocupados com a minha coragem, se é que aquilo seria coragem. Jared ainda não tinha ido embora, pois sentir tanta dor tinha me trazido febre alta. Ele deu remédios para passar a dor, o que me fez dormir por duas horas na cama de Eloise.
Ao acordar, Liam estava ao lado da minha cama me olhando dormir.
— Você nunca vai embora? — perguntei, e ele sorriu.
— Não — respondeu divertido — Eu tenho duas pessoas para você conhecer esperando lá fora, posso os deixar entrarem? — Ergui a sobrancelha
— Quem? — Ele sorriu novamente.
— Meus pais — Arregalei os olhos e tentei me sentar, mas ele não deixou — Ei, fica calma. Eles não são dois monstros.
Engoli em seco.
— Ma-mas, o que eu falo? E-eu, não sei me comportar… Eles são advogados, o que eu vou fazer caso eles quiserem dinheiro? Eu não tenho nada…
— Ou, ou, pare com isso Jodie — Ele disse acariciando meu rosto e dessa vez, eu não tentei me afastar como sempre fazia, e pude ver o quanto isso o surpreendeu, pois seus dedos hesitaram por pouquinhos segundos, mas depois eles voltaram a se mexer e sua boca a falar — Eu expliquei o seu caso para eles, estão mais do que dispostos a te ajudar — Liam ergueu meu queixo para cima — E você não precisa pagar — pisquei para ele duvidosa.
— Tem certeza? Não quero que eles percam tempo comigo — Liam me olhou, e por um minuto seus olhos se fixaram em meus lábios, isso me deu frio na barriga e tive muita vontade de sorrir pelo simples atrevimento, mas ao invés disso eu desviei olhos do rosto dele.
— Vai ficar bem — falou novamente.
Meus lábios se fecharam com força, mas depois sussurraram.
— Vou mesmo?— questionei, e algo em seus olhos me fez ter a resposta. Se depender dele, com certeza eu ficaria.
Ele se levantou, e continuou me olhando ao perguntar.
— Posso chamá-los? — Olhei para o teto por uns minutos, pensando se isso era o certo a se fazer, se minha mãe sentiria orgulho de mim por querer Edgar detido pra sempre.
Eram tantas perguntas sem respostas.
— Me ajude a ficar sentada? — perguntei. Ele assentiu e chegou perto de mim.
Eu já estava naquela mini-roupa de novo, mas desta vez eu não tirei não querendo matar o povo dessa casa do coração. Liam me ajudou a sentar com cuidado e depois colocou uma almofada atrás das minhas costas.
— Melhor? — perguntou.
— Sim — respondi e olhei para porta — Pode chamá-los.
Liam assentiu, e andando o até a porta, ele a abriu e saiu. Fiquei esperando uns cinco minutos até que ela foi aberta novamente.
A sensação de vibração aflorou por meu corpo de novo quando aquelas duas pessoas elegantes e bem vestidas ficaram de frente para mim, posturas retas e competentes, semblantes sérios e profissionais.
Quis recuar com esse plano assim que o pai de Liam deixou seus olhos absurdamente verdes-floresta cair sobre mim. Era tão intimidador, tão… bonito.
A mãe com certeza não ficava atrás, estava tão linda quanto no dia em que a vi no colégio. Aquele cabelo divino cheio de ondas, agora estavam presos em um rabo de cavalo apertado, e suas roupas combinava com a de seu marido e com a profissão escolhida.
Terno. Ambos usavam, mas o dela era meio acinzentado, o que fazia seus próprios olhos ficarei ainda mais escuros e parecidos com os de Liam.
Os dois me sorriram amigavelmente, mas quem falou primeiro foi a mulher.
— Olá — disse se aproximando da cama. Ela estendeu a mão para mim — Sou Amara Corey. Esse é Ethan, meu marido — disse apontando para o homem atrás dela.
Engoli em seco olhando sua mão. Se eu apertasse eles iam ver meus braços. Não queria que isso acontecesse então me encolhi na cama. Ela franziu a testa e olhou para o filho.
— Confie, Jodie — Liam se limitou a dizer mais que isso.
Olhei dele para as pessoas desconhecidas meio duvidosa.
O homem que se chamava Ethan aproximou-se e puxou uma poltrona para se sentar. Amara sentou-se na cama ao lado de meus pés.
— Não precisa ter medo de nós minha cara — disse o homem, sua voz era tão grossa, nada parecida com a do filho. A do novato era suave, como um veludo que poderia acariciar durante o dia todo. Me fazia tremer, porém não estava disposta admitir isso em voz alta, acabaria com minha reputação.
Fiz careta assim que assimilei as palavras que o Sr. Corey disse.
— Não estou com medo de vocês! — Afirmei sinceramente. Eles sorriram satisfeitos, e assentiram com a cabeça.
— Isso é bom — disse Amara, e depois me avaliou — Seu nome é Jodie, certo?
— Sim.
— Seu sobrenome? — Ethan perguntou e eu novamente fiz careta. Notei Liam se aproximar com um sorriso.
— Jodie é meu sobrenome, eu o uso porque não gosto do meu primeiro — Expliquei.
— E você poderia falar o seu primeiro? — Eu quase choraminguei quando Ethan pediu isso.
Fuzilei Liam com os olhos e depois olhei para a mãe dele.
— Será que posso falar depois? — perguntei e olhei para Liam — Não quero que certa pessoa descubra — Ele riu, e seus pais sorriam assentindo.
— Tudo bem, mas vamos logo ao assunto — Ethan se endireitou na poltrona branca de Eloise — Liam nos contou sobre o que seu pai fez com você. É verdade? — A baixei a cabeça e assenti sem entusiasmo.
— Poderia nos mostrar querida? — Amara perguntou, e eu estremeci ao pensar que mais pessoas iriam ver o que eu tanto tentei esconder — Jodie, nós precisamos ver para podermos ter certeza, e para podermos te ajudar.
Mordi os lábios, e aos poucos deixei que o cobertor caísse, quando estava totalmente descoberta, os advogados me encaravam espantados e horrorizados, contudo não fizeram alarde ao me mirar cautelosamente. A mulher se aproximou e levantou um de meus braços.
— Ainda estão cicatrizando?
— Esses são novos… Ele me bateu ontem depois que descobriu que eu estava andando com Liam, e porque saí de casa sem avisar — Eles me olharam com pena.
— Pedimos perdão que tenha sido por causa do nosso filho — Disse Ethan, e eu na mesma hora neguei.
— Não… Vocês não precisão se desculpar por Liam, se não fosse por ele, tenho certeza que Edgar voltaria naquela noite ainda mais bêbado e me espancaria até me… — Parei de falar ao pensar na opção de morte. Eles pareceram entender onde queria chegar e ficaram se encarando por um momento, como se um pudesse ler a mente um do outro.
Logo depois olharam para o filho.
— Nos de licença um pouco Liam — Pediu Ethan, formalmente.
Liam assentiu, e depois de olhar uma última vez para mim, ele saiu. Ficamos em um silêncio atordoado por um momento, até que Ethan voltou a falar com a voz de um profissional.
— Vemos que sua historia é perturbadora — Olhou para mulher — Amara e eu já lidamos com casos parecidos como o seu e fico feliz por o seu parece ser fácil de lidar— Acho que não pude me impedir de soltar o ar de alivio ao ouvir isso.
— Tem certeza? Podem me ajudar de verdade? — A emoção fez minha voz tremer.
Amara sorriu.
— Temos certeza querida — falou — Se depender, podemos colocar… Edgar, não? — Assenti — Podemos colocar Edgar atrás das grades hoje mesmo — Arregalei os olhos.
— Isso é sério? Ma-mas, tão rápido assim? — perguntei surpresa — Pensei que iam precisar de provas, ou coisa do tipo para incriminá-lo — Os dois sorriram.
— Você é a nossa prova, filha — revelou Ethan, e eu franzi a testa confusa — Temos a prova gravada no seu corpo — Abri a boca em “O” já entendendo o que ele queria dizer, e por mais que fosse uma boa coisa, saber que iria ter que mostra meu corpo de novo… Era algo horrível para mim.
— Eu vou ter que mostra meu… corpo? — Fazer a tal pergunta não fazia nenhuma diferencia, a resposta estava cravada na testa deles. Tentando desesperadamente não explodir, olhou para suas mãos. Tremiam tanto que eram como as asas de uma mosca.
— Não o seu corpo — Ethan tirou-me dos pensamentos fúnebres — Apenas alguns desses seus ferimentos. Precisamos mostrar que ele é perigoso, e nada melhor do que mostrar como está a própria filha dele.
— E outra coisa que está a nosso favor, é que temos testemunhas e você já é maior de idade. Não precisa mais ficar sobre a tutela dele — Amara apontou, e abriu sua pasta preta a procura de algo — Acho que você não sabe muito sobre o seus direitos, não é? — Ergui uma sobrancelha.
— Direitos?
— Sim. Todo cidadão tem um, e ter livre-Arbitro com certeza é um deles — Amara estendeu uma folha para mim, nela tinha um porção de textos, linhas não preenchidas e palavras que eu nem sequer sabia decifrar. Olhei para ela confusa — Isso é um contrato. Se assiná-lo, serei confirmada como sua advogada pessoal. Também entregarei outro afirmando que se eu estiver com problemas para seguir com meu trabalho, Ethan entrará no meu lugar, assim não haverá problemas sobre um processamento da parte de seu pai.
— Mas… e depois? O que acontece se ele for preso?
— Obviamente, a prisão dele será provisória até o dia do julgamento — Ethan falou —E só ai, eu e Amara iremos colher mais provas contra ele. Se ele se envolveu com pessoas más intencionadas, se ele praticou crimes, tudo isso ajudará no dia em que o juiz for sentenciá-lo. Se a resposta for “Culpado” provavelmente será detido com vinte anos no presidio por agressão corporal, e, se no caso ele tiver feito algum crime como, atividades ilegais, sua pena será ainda maior — Agarrando o lençol, apertei a coisa em torno de meu corpo, muito consciente de que estava desmoronando, que a fissura tinha sido atingida por aquela viagem ao fundo do corredor e agora ela estava dividida.
— E eu? O que acontecerá comigo? — Amara e Ethan deram aquele olhar novamente um para o outro, pensando no que falar de uma forma que eu pudesse compreender.
— A agressão física com lesão é reconhecida no Juízo Criminal — Ethan apertou as mãos nervosamente quando eu fiz uma expressão de eterna confusão — O que quero dizer é que suas feridas irão ajudar até certo ponto, mas depois, precisaremos de algo para dar como definitivo, de que foi Edgar o causador de tudo. Ou seja, você vai precisar nos ajudar.
— Você será bem vigiada enquanto corre a investigação — Amara avisou, mandando um olhar profissional — E isso quer dizer que se alguma coisa acontecer enquanto Edgar estiver preso, as consequências serão severas, principalmente para você — Okay. Agora eu não estava entendendo nada. De que merda eles estavam falando? O que poderia acontecer de mais enquanto…
Eu nem sequer terminei meu pensamento, quando percebi a direção dos olhos da bela mulher. Fitava meus pulsos tão fixamente que estremeci ao escondê-los.
— Liam contou? — Não pude esconder o desgosto em minha voz, a raiva daquele moleque fuxiqueiro. Eu queria ajuda para prender meu pai, não para fazer os pais dele me acharem uma louca.
Amara estreitou os olhos, e achei que estava medindo meu rosto à procura de algo, algo que estava fazendo seu interior remexer nervosamente.
— Ele não precisou contar — falou, suavemente — Foi a primeira coisa que percebemos depois que estendeu os braços. — disse. Desviei os olhos, mas minha infelicidade foi grande ao dar de cara com os olhos verdes incríveis de Ethan.
— Isso não pode acontecer mais Jodie — Ele tinha a voz severa — Se o juiz souber por um instante, que você se corta… Tudo vai estar perdido.
— Mas por que? Isso é somente da minha conta! — Estava cansada de dizer isso, mas ninguém parecia se importar.
— Isso pode ser só da sua conta, mas também pode gerar comentários. Você pode ser acusada perigosa para si mesma. Pode ser dada como…
— Doente? — senti como se alguém tivesse estacionado um ônibus em meu útero. A pressão era tanta, que abaixei a cabeça para verificar se meu corpo havia inchado até as dimensões de uma garagem.
Não. Plano como sempre.
— Não sei como parar — confessei. O que mais poderia esconder deles se ambos seriam meus advogados? Eles precisavam da verdade, não é?
Algo deslizou para cima de minha mão lentamente, hesitante. Olhei para o lado, e a palma suave de Amara estava sobre ela. Mirei a mulher, e, estranhamente, seus olhos emanavam um tipo de afeição confortável.
— Estamos aqui para ajudá-la. Sabemos o quanto que você passou, e entendemos o porquê de você procurar amparo na dor de um corte. — Amara deu um sorriso meigo ao olhar para o homem ao lado — Não sei se Liam te contou, mas ele adora uma boa luta — Eu ri, assentindo ao dizer.
— Oh, eu sei disso. Se não gostasse, com certeza não chegava perto de mim — Para minha surpresa, os dois riram. Amara continuou.
— Eu entendo você, porque tenho três homens em casa, que compartilha um desejo parecido — Retornei a visão para Ethan, ele sorriu fracamente. — Liam é o único que luta, mas meu marido e meu filho mais velho, Mick, são apaixonado pela luta. Porém não podem praticá-la — O grande homem fechou o sorriso enquanto abaixava o rosto ressentido — É um desejo perigoso, mas que os deixam calmos, protegidos. Acho que é assim que você se senti ao fazer isso em seus pulsos. Diga-me que estou errada, e tentarei ver de outra forma com uma outra opção — franzindo a testa para sua observação inteligente, fiz que sim, incapaz de menti.
— Não posso parar… É como se a ferida feita por mim… me deixasse mais forte, mais firme para enfrentar Edgar e qualquer outro que quisesse me derrubar. Ela me faz abrir os olhos — Eu sabia se estava revelando demais para eles, mas de alguma forma, me sentia segura para ser eu mesma na frente deles, e eu só me sentia assim ao lado de Linnea.
— Isso é psicológico, Jodie — Ethan falou, brandamente — Doí eu não fazer o que eu quero, mas da mesma forma evito. O que você senti somente está ai porque é vitima de um trauma. Precisa de ajuda para se trata — Sem conseguir me impedir, virei os olhos com a arrogância de uma adolescente egoísta, sádica.
— Não preciso de ajuda. Eu sei me controlar sobre isso — Afirmei. Ethan se aproximou fechando o semblante.
— Sabe que está mentindo para si mesma. Há poucos minutos atrás você falou que não conseguia parar — Engoli um xingamento feio — Isso não pode acontecer se você quiser acusar seu pai. Precisa se cuidar.
— Eu sei me cuidar.
— Pois não está parecendo — Ele segurou meus olhos com firmeza — Escute garota. Eu criei dois moleques com meu mal temperamento e que gostam de se envolver em brigas, agora tenho uma menina que, por mais que seja nova, adora empinar aquele queixo dela de forma petulante — Seu tom era cortante, mas nos olhos, ainda podia ver o carinho que sentia por seus filhos — Sei lidar com a arrogância adolescente. Não vai adiantar você transferir essa fúria que está em seus olhos em minha direção, medo, é o que menos tem sobre minhas costas. — Ai meu Deus! Não é que o pai do novato era um intimidador.
No silêncio que se formou naquele quarto, eu não desviei os olhos dele, pois tudo que eu via era um homem cheio de si, cheio de uma coragem esmagadora que poderia fazer com que qualquer outro se arrastasse implorando por um tratado de paz. Era impressionante a forma como ele falava calmamente, mas com brutalidade visível ao mesmo tempo, era impressionante ver em seus olhos um verdadeiro lutador.
Liam tinha a quem puxar.
— Certo. Agora eu sei de onde o novato puxou a falta de juízo — murmure muito pasma. O homem ergueu uma sobrancelha, obviamente não esperando essa resposta.
— Novato? — Nem sequer foi ele a perguntar, e sim Amara, que tinha a testa franzida.
— Seu filho. Aquele garoto realmente não tem nenhum neurônio na cabeça. É única explicação para que ele continue me perseguindo — O sorriso dela foi iluminador. Olhei Ethan, e lhe apontei — Você parece dar falta dos neurônios também, só para deixar claro — O homem ficou surpreso ao me ouvir falar isso, e juro que ele iria me nocautear a qualquer momento, porém, a gargalhada de Amara nos fez ficar imóvel e me deixou assustada.
Não entendi bem o que tinha dito de tão engraçado.
— Oh, querido. Ela realmente falou igual à Mitchie — Ethan franziu a testa para mim, e eu não pude deixar de fazer o mesmo. Do que eles estavam falando?
— Você acabou de me chamar de burro? — Ele perguntou. Amara riu mais, e vê-la se divertir daquela forma, me fez ter vontade de sorrir.
— Olha senhor… Não foi bem assim. Apenas quis dizer que Liam é todo durão, se mete onde não é chamado e ainda por cima adora me desafiar para coisas absurdas sem se importar com as consequências. Ouvir você falando daquela forma, e quase me ameaçando, me fez ver o quão parecidos os dois são. — Sorri pela primeira vez. — Sempre com uma mania chata de proteção. Ah, e não posso esquecer da parte do lutador pulando para fora de seus olhos, exatamente da mesma forma que acontece com Liam… Isso é muito maneiro. E para falar verdade — Inclinei o pescoço mais para frente e dei uma olhadela na porta. Chamei o homem com dedo e sussurrei.
— Pode me ensinar uns golpes mortais? Liam anda me provocando muito ultimamente — Os olhos do homem se arregalaram, mas depois, surpreendentemente, ele começou a rir também. — Cara, o que eu disse para vocês rirem tanto? — Aquele maldito bico se formou em meu rosto como sempre, o que queria dizer o quão impaciente eu estava.
Os dois advogados me olharam divertidos.
— Perdão — Amara sorria radiante — Mas a forma que você fala… Nos lembra alguém.
— E o enfrentamento também — Ethan acrescentou ainda com indícios da risada. E Jesus, aquele sorriso era de deixar uma mulher de pernas bambas. — Gosto de saber que sabe se defender. Mesmo se for do meu filho.
Ri um pouco.
— Sinceramente? Provocar Liam é a coisa mais divertida do mundo.
— Eu ouvi isso! — Virei os olhos para porta assim que o grito do novato chegou. Os pais riram enquanto eu sentia o dedo do meio coçar em baixo das cobertas.
— Viu? Ele é insuportável — reclamei, e pude ouvir quando o infeliz riu do outro lado da porta.
— Ele gosta de você — Amara falou, tão carinhosamente que quase acreditei. Quase.
— Ele gosta de apanhar — corrigi. O pai riu. Liam gritou do cômodo ao lado.
— Só de você! — dessa vez senti minhas bochechas corarem. Não era algo bom saber que Liam gostava de apanhar de mim. Ao lado, Ethan riu alto, mas depois berrou.
— Pare de ouvir a conversa atrás da parede Liam! — Houve um ruído, então silêncio. Pensei que o garoto tinha descido, mas para minha surpresa, ele entrou no quarto com um sorriso de ponta a ponta e os cabelos caindo na testa.
— Ótimo, queria mesmo ficar aqui — falou, e se achando no direito de avançar, caiu no puf de Eloise do outro lado do quarto.
Fuzilei seu rosto com os olhos enquanto Ethan chacoalhava a cabeça, mas sorria.
— Saía Liam — disse. Eu sorri.
— Isso mesmo novato. Vaza daqui — Ele fez careta.
— Por que?
— Porque estamos tratando de algo sério — Ethan falou, mas seu filho sorriu zombeteiro.
— Ah, claro. Você vai mesmo ensinar os golpes para ela não é? — Escondi um sorriso com a mão, ao contrário de Ethan, que não conseguiu disfarçar o dele.
— Quem sabe — Ele murmurou. Eu já tava gostando disso. Liam com certeza não.
— Hey! Pai, ela quer aprender os golpes para testa em mim! — Exclamou. Ethan riu. Eu acenei para Liam sem olhá-lo.
— Cala boca ai novato. Seu pai sabe o que faz. Não é mesmo sr. Corey? — balancei as sobrancelhas para ele — Diga-me o ponto fraco dele. Uhh, e me fale como deixá-lo imóvel no chão para que eu possa fugir quando ele estiver me perseguindo. De preferencia o mais doloroso — Ethan riu mais e abriu a boca para falar, mas nem deu tempo.
— Mãe! — Liam levantou-se com cara feia — Leve ele daqui.
— Querido, deixe eles…
— Se você não ficar quieto, Liam, juro que te deixo aleijado — Ameacei. Amara arregalou os olhos, e o novato apenas sorriu para mim.
— Já disse que você não ganha de mim.
— Vai pensando isso. Espera minhas aulas com o sr. Corey começar — falei. Isso o deixou preocupado pelo que vi.
Ethan franziu a testa.
— Olha, isso bem que…
— Não se atreva, pai — Liam o interrompeu. Eu gargalhei.
— Tudo bem. Já chega! — Amara se levantou erguendo as mãos — Não era isso que eu esperava para nosso encontro, mas pelo jeito… — Ela mirou de mim para seu filho e marido — Pelo jeito você conquistou meus dois meninos. Portanto, me conquistou também. Vamos ao que é importante agora — Ela se tornou séria novamente. — Onde você vai morar? — Merda. Agora fodeu.
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