Believe In Me

21 Capitulo 21 — A decisão


Notas iniciais
E agora que a trata começa meu povo! Mão no coração e tomem fôlego. Boa Leitura e claro, não podia esquecer: FELIZ DIA DO ESCRITOR PARA MIM E PARA VOCÊ!!

Almoçar com Linnea foi ótimo, tanto que fiquei na casa dela até a noitecer, mas como eu tinha uma pedra no meu sapato, tive que ir para casa depois de convencer Linnea de que não precisava ser levada. No meio do caminho estava pensando em que historia contaria a Edgar sobre as roupas novas e de marca. E para piorar tudo, ainda tinha que me preocupar com o Liam e suas loucuras, aquele menino qualquer dia desses me levaria à loucura.

Com a cara na maior carraca do mundo, comecei a andar um pouco mais rápido, nesse ritmo eu cheguei à porta de minha casa às oito e meia da noite. Via Edgar sentado no sofá com as mãos juntas na altura do queixo, ele parecia estar pensando.

A onde eu estava claro!

Depois de respirar muito e de fechar as mãos em punho, levantei o pé para pisar no degrau da varanda, mas meu pé nem chegou perto de tocá-lo, pois do nada eu fui empurrada para trás dos arbustos por alguém e logo depois jogada para o chão.

O corpo me esmagou e segurou meus pulsos.

— Mas que...

— Você não vai! — Oh merda!

— Liam? — Merda, merda, merda! — O que faz aqui? E como encontrou minha casa?

— Tenho minhas fontes, lembra? — falou sem mover e dando de ombros. — O que importa é que eu não vou deixá-la ir.

Bufei e comecei a me debater.

— Me solta porra. Liam, isso não tem graça! — Ele apertou meus pulsos e eu ofeguei de dor. Ele afrouxou.

— Não. Isso não tem graça — concordou, mas acrescentou — Assim como não tem graça você ser espancada todo dia.

Virei os olhos e suspirei pesadamente.

— Chega com esse papo garoto, é minha vida.

— Por isso mesmo Jodie — disse, sua voz em um misto de carinho e aflição — Você não pode ter uma vida assim — O olhei-o nos olhos.

Aquele azul me fitou intensamente, tirou-me totalmente o foco do que estava acontecendo e da gravidade da situação, nesse momento tudo em que eu pensava era em como ele tinha um belo rosto, em como tudo ficava melhor quando seu cabelo caia sobre seu olho, e como aquela voz era altamente perigosa de tão perto. Por mais que odiasse essas coisas de ficar admirando um garoto, Liam era impossível não olhar.

De repente fiquei ciente de seu corpo em cima do meu, cada parte dele encostando-se a mim. Senti meu maldito rosto esquentar tão de pressa que quase amaldiçoei, mas me limitei ao ver um sorriso querendo se formar nos lábios dele.

— Você está sem maquiagem — falou para minha surpresa. Ele mordeu o canto da boca — Você é linda — Engoli em seco.

O que? Ele tinha me chamado de linda?

Ele sorriu novamente.

— Você está vermelha, sabia? — fechei a cara e grunhi para ele.

— Vai se catar — Ele riu e acariciou meu rosto.

Juro que quase pulei de susto ao sentir a mão dele contra minha bochecha.

— Prefiro que você faça isso — Oh Jesus, esses flertes dele qualquer dia vão me meter em um problema.

— Por que não vai pro inferno e me deixa em paz?

— Porque prefiro ficar com você.

— Você tem a Helen, vá cuidar da vida dela e deixe a minha — falei e o empurrei para o lado.

Me levantei e bati nas roupas para tirar a grama.

— Eu não gosto da Helen — disse ao se levantar.

Ergui a sobrancelha para ele e cruzei os braços.

— Problema é seu, mas já que ela gruda em você como um carrapato gruda em um cachorro — Ele fez careta — Aproveita o pacote querido, ela quer mesmo tirar sua roupa — Liam gargalhou alto, arregalei os olhos e corri para tampar a boca dele.

— Ficou maluco? Se Edgar te escutar estou perdida! — A expressão dele mudou de divertido para preocupado.

Soltei a boca dele e dei uma espiada na janela.

— Helen é maluca, não quero nada com ela — fingi que acreditava e dei um sorrisinho falso que dizia “E eu sou amiga da Brithiny Spears”.

Dei uma espiada na casa novamente antes de voltar a olhá-lo.

— Então procura outra garota e me deixa, você vai acabar me colocando em encrenca— Ele deu passos a frente ficando um pé de distancia de mim.

— Não vou desistir de te tirar daqui.

— Eu não posso…

— Sim, você pode! Só não tenta.

— O que ela não tenta? — Arregalei os olhos e Liam fez o mesmo.

Fodeu, pensei na hora, fodeu demais!

Viramos o rosto lentamente, prendi minha respiração ao ver meu pai com as mãos na cintura olhando de mim para Liam com um olhar curioso.

— Nada pai — falei mantendo a voz firme.

Edgar olhou para mim e franziu a testa.

— Da onde tirou essa roupa? — Engoli em seco, e então senti Liam segurar minha mão e apertá-la.

Relaxei um pouco.

— Foi eu que dei a ela senhor — Olhei para Liam surpresa — Nós nos esbarramos na praça e eu derrubei café quente na outra que ela estava usando — Dei um pequeno sorriso e apertei sua mão em agradecimento.

Voltei a olhar meu pai, e droga… Eu conhecia muito bem aquele olhar. Ele tinha bebido.

— Pai eu…

— Como saiu de casa? — Interrompeu ele, e seu tom era de poucos amigos.

— Bem, eu… — fiquei sem fala, minhas desculpas haviam acabado. — Pai eu posso explicar se...

— Vamos entrar Jodie — tremi ao ouvir sua voz raivosa — Obrigada pela gentileza de comprar a roupa garoto, fico grato — Liam forçou um sorriso e assentiu — Jodie?

Respirei fundo e tentei soltar a mão de Liam, mas ele não permitiu. O olhei pedindo com os olhos que me deixasse ir. Ele engoliu em seco me olhando, mas finalmente me soltou, lhe dei um sorriso e caminhei até a porta da minha casa, Edgar atrás de mim.

Espiei mais uma vez Liam e nossos olhares se encontraram, esse contato foi tão doloroso que me fez derramar a primeira lágrima, Liam fez uma cara de dor ao vê-la, mas antes que ele pudesse gritar ou falar algo, Edgar bateu a porta com força.

Eu não esperei que ele me pegasse desprevenida, corri para o quarto e tranquei a porta antes dele chegar. Ele esmurrou a maldita coisa e gritou para que eu abrisse, mas eu apenas deslizei pela parede ao lado da caixa de Andy, abracei minhas pernas enquanto o medo me domava.

Sempre era a mesma cena; Edgar a cada minuto usava mais força contra porta, meu desespero aumentando a cada instante em que eu percebia as dobradiças velhas se soltarem aos poucos. Encolhi-me ainda mais, lágrimas molhando minhas bochechas enquanto eu orava para que ele não conseguisse passar por aquela porta, mas deixei de orar quando a porta se estilhaçou no chão e Edgar entrou com o rosto contorcido em fruía.

— Você tinha que ser igual a ela não é? Tinha que me afrontar! — disse e agarro meu braço.

— Eu não fiz nada! — falei desesperada e tentando me soltar dele. Está certo que eu enfrentava minhas brigas, mas Edgar era meu pesadelo, o meu pior medo já escondido. Estar sob seu olhar penetrante me amedrontava.

— Eu disse para não trazê-lo aqui! Eu a proibi de sair. Por que ficou o dia todo na rua? Como se atreveu fugir de casa?! — Choraminguei quando ele apertou mais meu braço.

— Ele é meu amigo! Só isso — Ele rosnou.

— Você não tem amigos! — Berrou no meu ouvido.

Cansada de ficar quieta revidei. Eu não era de ferro também.

— Sim, não tenho! Mas isso é culpa sua! Eu te odeio, te odeio!… — Como esperado, ele me deu um tapa no rosto que me fez cair na cama. Um soluço escapou de meus lábios ao me virar para ele.

— Eu lhe disse para ficar longe dessas pessoas e você me desobedeceu. Estou ficando cheio de você.

— Foda-se! Eu não me importo mais. Mate-me se quiser — Gritei raivosa — Me bate até o meu último suspiro. Eu quero que você vá para o inferno! Quero que tire minha vida para que eu possa me livrar de você! — E foi o que ele começou a fazer.

Me pegou pelos cabelos e sim, me bateu até finalmente apagar, mas eu não gritei nem uma vez, poupei minha voz e deixei que ele acabasse com aquilo, desejei que ele — enquanto me batia — acertasse algum lugar vital que me fizesse paralisar e perder o oxigeno aos poucos. Houve hematomas por toda parte... Cortes e arranhões também. Edgar era brutal no que fazia e eu sempre revidava, pois não iria entregar minha vida sem uma luta — por isso era difícil dizer quais marcas haviam sido feitas por ele e quais foram acidentais pelo que eu tinha feito ao bastardo.

Desejei morrer em certos minutos, mas depois desejei que ele pagasse por aquilo, que ele sofresse por acabar com minha vida.

~*~

Edgar me deixou no chão do quarto, desacordada e imóvel, ao finalmente acordar não conseguia me mexer, via o sangue manchar a roupa que Linnea me deu, as lágrimas ainda escorria junto com o liquido vermelho das feridas. Engoli em seco e apertei os olhos quando uma pontada muito forte e dolorida acertou-me nas costelas, onde eu sabia, tinha batido na quina da cama ao tentar me defender de Edgar e seu cinto.

Ouvi a porta da frente ser batida e imaginei que Edgar tinha saído. Tentei me levantar, mas quanto mais esforço fazia, mais dor eu sentia. Comecei a murmurar xingamentos e maldições enquanto tentava controlar meu próprio choro, ergui os olhos para o teto e deixei um sorriso escapar ao ver Andy lá em cima, mas depois fechei os olhos tentando pensar em outra coisa que não fosse no meu corpo dolorido, tentei dormir, mas era impossível. Novamente ouvi ruídos vindos da sala e a porta sendo aberta. Respirei fundo quando os passos andaram em direção ao meu quarto.

Ele não havia acabado? Iria mesmo me matar?

Mas todos os pensamentos se foram quando a porta foi aberta e a cabeça de Liam apareceu meio cauteloso. Seus olhos se arregalaram ao me ver, e no mesmo momento ele correu até mim totalmente espantado.

— Oh meu Deus — murmurou se ajoelhando ao meu lado — Jesus, o que ele fez a você?! — Emiti um ruído de dor quando ele encostou a mão em meu braço. Mordi os lábios por isso querendo me punir por ser tão fraca — Ah Jodie… Eu sinto muito, desculpe por não ter entrado para te ajudar… Desculpe-me — A dor em sua voz me fez querer chorar como uma menininha indefesa, nunca tinha feito isso na frente dele, mas agora, o jeito que ele me olhava. Não havia pena, havia carinho, amor e proteção.

Ele passou a mão pelo rosto como se não soubesse o que fazer.

— Preciso fazer alguma coisa — murmurou a si mesmo. Engoli em seco e sorri fracamente.

— Não se… preocupa. Daqui a pouco… eu consigo me levantar — Ele negou.

— Jodie, você mal se mexe, preciso ajudá-la e tenho pouco tempo — Ele olhou para porta — Seu pai saiu e eu aproveitei para entrar, preciso que me deixe te levar para um hospital — pisquei mais lágrimas vendo minhas opções.

Ficar e apanhar mais, ou ir a um hospital para ser tratada e depois interrogada.

Eu não gostei da ideia.

— Hospital… não. Outro lugar — pedi entre pausas.

Liam sorriu.

— Claro, vou levá-la para a casa de Eloise, os pais dela não vão estar em casa e o pessoal está me esperando lá — Sem ter forças para negar, assenti devagar com a cabeça.

Mas eu não iria embora sem minha família.

— As fotos — falei a ele — Na minha bolsa… pegue — Ele sabia de que fotos eu falava, por isso olhou em volta.

Ao encontra minha bolsa em cima da cama, foi até ela e a abriu, mas não verificou se as fotografias estavam lá, apenas seguiu até meu armário e o abriu.

— O que… vai fazer? — perguntei, vendo-o tirar varias roupas minhas de dentro do armário e enfiar na bolsa.

— Você vai precisar de roupas — disse e depois fechou a bolça para depois pendurar nas costas — Certo, eu vou te carregar até meu carro, se doer alguma coisa me avisa, certo?

Franzi a tesa.

— Desde… quando, você tem carro?— sorriu, e se abaixou ao meu lado.

— Desde que tirei a carteira, agora vamos — Prendi a respiração quando ele enfiou um braço por de baixo da minha cabeça e outro por de baixo de minhas pernas.

Minhas costelas clamaram por ajuda e eu mordi os lábios impedindo-me de chorar novamente. Liam se levantou comigo nos braços, agarrei sua camisa com força tentando esquecer a dor enquanto ele andava em passos rápidos até a porta de casa, fechei os olhos concentrando-me no calor de seu corpo, me concentrando nas batidas aceleradas de seu coração, isso me fez ficar um pouco mais calma, e quando senti o vento gelado no meu rosto, soube que já estávamos na rua. Liam reforçou os braços em torno de mim enquanto andava, mas ao fazer isso ele roçou uma ferida a cima do quadril.

Estava com o corpo tão malditamente sensível que choraminguei contra seu peito.

— Shh. Você vai ficar bem Jodie — disse ele ao ouvir meu pequeno choro.

Estremeci, de repente sentindo muito frio.

— Deus, Jodie, você está tremendo! — falou alarmado — Pronto — Ouvi ele destravando o carro e logo depois fui colocada com cuidado no acento do passageiro.

Ele colocou o cinto em mim e abriu a porta de trás, apareceu com um enorme cobertor e colocou por cima de mim.

Sorri de canto e ele fechou a porta para correr para o lado do volante. Encostei a cabeça na janela e fechei os olhos novamente, me encolhi no cobertor e suspirei ao pensar que finalmente estava saindo daquela casa, e sabia que nem sobre tortura colocaria os pés lá dentro novamente.

Essa foi tinha sido a última vez que Edgar encostou um dedo em mim, pois a partir de hoje, eu iria correr atrás da minha liberdade, iria tentar ser feliz. E se Liam me oferecia ajuda, não iria recusar, pois agora a minha decisão estava feita.

Eu iria colocar Edgar na cadeia, e iria encontrar o meu lugar nesse mundinho de bosta.

~*~

Eu apaguei tão rápido que nem sequer vi o caminho até a casa de Eloise, mas assim que senti braços tentado me pegar, abri os olhos novamente sendo domada pelas dores.

Resmunguei sonolenta.

— Desculpe Jodie, mas nós já chegamos — Liam falou, e me pegou no colo de novo.

— Oh meu Deus, o que houve com ela? — Não precisei olhar para saber que era Eloise com sua voz chorosa.

— Essa menina essa toda arrebentada! Eu sabia que você fosse trazê-la, mas imaginei que fosse INTEIRA. — Jimmy tinha a voz exaltada.

— Pessoal, vamos falar depois, certo? Precisamos ajudá-la — Liam falou.

Ele voltou a andar e podia ouvir os passos de todos atrás de nós.

— Venha, coloque ela no sofá — disse Eloise.

— Ela está suja de sangue Lizze, assim como eu — Liam falou.

— Jonah, pegue o colchão no meu quarto — Eloise mandou e logo os passos dele correndo as escadas soou.

— O que aconteceu afinal? — Jack perguntou, e podia sentir que ele tentava chegar mais perto de mim.

Liam suspirou e soube que estava olhando para mim.

— O pai dela — disse apenas, os silenciando.

Cinco segundos depois Jonah reapareceu com o colchão. Ele o colocou no chão e Liam, com cuidado, descansou meu corpo sobre ele, me curvei prendendo um gemido. — Precisamos cuidar das feridas dela — Harlow finalmente se fez presente.

Não querendo ficar sem ver nada, abri os olhos lentamente. Peguei a visão de Liam e Jack bem perto de mim junto a Harlow, mais afastados estavam Jimmy e Jonah, que tinham Lizze a seus calcanhares.

Engoli em seco e respirei fundo, contando até dez para que não desse outro ataque. Senti quando Jack tocou minha bochecha gentilmente e pisquei para ele, tentei clarear minha vista cheia de lágrimas para vê-lo melhor, mas toda vez que essas caíam, mais se toldavam nos cantinhos de meus olhos.

Tremi, irritada com elas e com a estranha sensação de querer uma libertação mais forte.

— Shh. Calma — Liam sussurrou passando a mão sobre meu cabelo. Eu tentei fazer o que ele pedia dando-me conta que havia algo errado comigo, e que a fonte culpada era algo escorrendo da minha cabeça até a nuca.

— Har-Harlow? — chamei.

— Estou aqui, fale Jodie — disse ela ficando ao meu lado.

— Preciso… que, veja minha cabeça — Vi ela morder o lábio ao se aproximar de mim.

Sua mão foi com delicadeza até mim e virou minha cabeça par ao lado, levantando o cabelo que tampava visão.

— Céus — murmurou.

— O que? — Os outros perguntaram se inclinando para ver.

— Merda. Acho que ela bateu em algum lugar — Liam praguejou raivoso — Porra! como pude deixar isso acontecer?! — Liam se levantou passando a mão pelo cabelo.

— Pre-precisam cuidar... disso. Rápido. — gaguejei sentindo minha consciência se esvair — Está sagrando... muito.

— Droga — Jack xingou — Gente, ela precisa de um medico.

— Harlow, ligue para seu irmão, pelo amor de Deus — disse Eloise e logo Harlow tinha sumido.

— O irmão, dela? — perguntei confusa.

— Ele é medico e pode lhe ajudar. Harlow mora com ele aqui do lado — Explicou Lizze.

Não discuti contra isso, apenas virei o rosto para Liam.

— Liam — O chamei, o mesmo veio no mesmo momento para ficar ao meu lado — Obrigada… por me ajudar.

Ele sorriu e beijou minha mão.

— Vou sempre fazer isso — retribui o sorriso, mas falei.

— Eu aceito a sua ajuda — Os olhos dele se iluminaram na mesma hora que as palavras saíram — Quero Edgar na cadeia.

Ele me olhou por um longo tempo, era evidente a felicidade em seus olhos. Sua mão afastou uma mexa do meu cabelo para trás.

— Que bom ouvir isso Jodie, prometo ajudá-la em tudo.

— E nós também — Eloise disse segurando minha outra mão — Nós todos somos seus amigos e estamos com você.

Sim, eles estavam, e eu estava mais do que certa disso.

— Gente, meu irmão chegou — Harlow disse aparecendo no meu campo de visão depois de algumas horas esperando.

Logo ouvi mais passos vindos da porta, virei meu rosto e peguei a imagem de um homem alto, aparentava estar na cadeia dos vinte anos, cabelos e olhos escuros como os da irmã, seu rosto continha uma barba para fazer e em sua mão havia uma maleta grande.

Seus olhos se arregalaram ao ver-me.

— Minha nossa, o que houve com essa menina? — perguntou e se apressou para ficar ao meu lado.

Eloise deu espaço para ele, que se ajoelhou no chão.

— O que aconteceu? — Ele me perguntou virando meu rosto para ver corte no pescoço.

— É uma longa historia — falei desanimada.

— Gosto de historia — disse e abriu sua maleta — Meu nome é Jared, e o seu?

— Jodie.

Ele assentiu e me olhou.

— Jodie, preciso que me diga onde dói mais — Engoli em seco, tentando manter a respiração tranquila.

— Cintura e a cabeça. — Ele assentiu, e com um olhar profissional, se preparou par ame tocar, colocando lupas de borracha e abrindo a maleta. Ele virou primeiro minha cabeça, fazendo uma careta em seguida.

— Vamos torcer para isso não ser uma concussão. Vou enfaixar e depois teremos que levá-la ao hospital, isso pode ser mais grave do que pensamos — Meu controle foi para o buraco assim que ele falou isso, mas esse não permitiu que eu negasse — Fique quieta agora e cuidamos disso depois, okay? — A contra gosto, assenti. — Agora vamos tirar essa blusa — Arregalei os olhos.

— O que?... Mas…

— Não precisa se preocupara com os garotos, eles podem sair não é? — Liam e os meninos assentiram começando a se levantar.

Mas não era com isso que estava preocupada.

— Mas… eu, você não pode me ver — Todos me olharam já sabendo o porquê falava aquilo. Mas não Jared que suspirou.

— Preciso vê-la para poder cuidar dos ferimentos, se não o fizer eles vão piorar e você vai sentir dor por muito tempo. Não se preocupe, só estou fazendo meu trabalho — Engoli em seco.

— Jared, ela não quer dizer sobre você ser homem — Harlow disse ficando ao lado do irmão.

Ele franziu a testa.

— Então é o que? — Apertei os olhos fechados, pela primeira vez muito envergonhada.

— Jodie — Ouvi a voz suave de Liam, ela foi o único motivo que me fez seguir com aquilo adiante. .

Ainda de olhos fechados, as lágrimas desceram quando eu permiti que tirassem a blusa.

— Eloise e Harlow, a ajud3em — Jared pediu.

Senti as mãos das meninas em mim, aos poucos minha blusa foi subindo, ouvi Jared ofegar.

— Oh! — Ele se espantou. Isso era tão vergonhoso que não consegui olhá-lo.

Fui levantada por um breve momento e então elas finalmente tiram minha blusa. Algo líquido caiu sobre minha bochecha, abri os olhos e vi Eloise e Harlow chorando enquanto me olhava.

Virei o rosto para Jared e ele parecia assombrado, levantei os olhos para a porta da sala e vi os garotos também acuados.

Vergonhoso. Vergonhoso. Feia. Feia.

Esses eram meus pensamentos.

Eu era horrível e agora todos os meus amigos sabiam, isso me tirou todas as forças, voltei a chorar, dessa vez soluços altos e dolorosos romperam de minha boca, meu corpo vibrou de acordo com meu tormento, Jared chegou ao meu lado e começou a me tratar dizendo que eu ficaria bem, que não precisava chora, mas ele não sabia o que eu estava sentindo para falar isso, os seus olhos cheios de espanto apenas me deixava mais vulnerável para que todas essas malditas lágrimas descessem com uma força impressionante, atrás daquela libertação que necessitava.

Liam se colocou ao meu lado e segurou minha mão, as meninas ficaram segurando a outra enquanto o restante dos garotos estava em pé vendo meu estado sem saber o que fazer. De repente o meu peito começou a se encher de medo, o pânico começando a se formar enquanto as mãos do medico tocava minha pele dolorida, senti uma picada dolorosa no meu braço e minutos depois comecei a ficar mole, meus olhos pesaram e se fecharam, eu fiquei no escuro, comecei a tremer novamente, o frio me atingindo e as palavras saindo da minha boca antes que pudesse detê-las.

— Mamãe… Mãe, você me deixou.

Eu estava no escuro, estava com medo, e a queria de volta, mas nada voltava. Ela não voltava, e isso só fez os pedidos serem maiores e mais dolorosos.

— Ela está delirando, faça alguma coisa! — A voz de Liam se fez presente muito alarmada.

— Ela está sobre o efeito do sedativo. Não ira acordar tão cedo — disse Jared — E as coisas que ela fala é movido por suas emoções, porque está com medo, e pelo que você e seus amigos me contaram, ela tem motivos de sobra para agir assim— Outro tremor me percorreu, tentei afastar essas vozes irritantes e procurei por minha mãe.

~*~

Fixei os olhos naquela escuridão para enxergar algo, procurei uma saída daquela escuridão, ao fazer isso uma luz explodiu e eu fui jogada para longe. Olhei em volta e notei onde eu estava.

Era o campo de flores que eu minha mãe sempre desejávamos visitar. Apreciei as montanhas enormes e brisa refrescante, a minha volta, no chão, tinha varias flores de diversos tipos, uma mais linda que a outra. Me coloquei de pé, e ao fazer isso olhei para a roupa que usava.

Sorri para o lindo vestindo azulado que alcançava o chão com leveza, meus cabelos estavam soltos, e sabia que estava sem nenhuma maquiagem.

Suspirei e olhei para frente, conseguido então que meus olhos pegassem a visão dela. Linda dentro de um longo vestido branco, seu cabelo ruivo voando contra o vento e seu rosto contorcido em um sorriso, o mesmo que eu sempre amei ver e que me protegia quando precisava, o sorriso que — como sempre — me tirava o medo.

— Mãe? — Marissa esticou os braços quando lhe chamei, aquilo foi só o que eu precisava para sair correndo e alcançá-la em um abraço forte cheio de saudade — Mamãe, senti tanto sua falta.

A mão dela foi para minha cabeça, a mesma acariciou meu cabelo com delicadeza. Apertei-me a ela sentindo seu cheirinho familiar, ouvindo as batidas do seu coração.

— Oh minha querida. Eu também senti a sua meu amor — sorri e olhei para ela.

Estava linda como sempre, a única coisa que estava diferente… Era que seus olhos tinham mudado. Agora, eles estavam com um brilho novo.

— Por que você me deixou com ele? — perguntei chorando — Por que me deixou?

O rosto dela mudou para tristeza, suas mãos seguram as minhas com força.

— Eu nunca à deixei meu anjo, sempre estive olhando por você — Ela afastou uma mexa de cabelo do meu olho com ternura — Me desculpe por tudo que você passou ao lado de Edgar minha filha, nunca vou me perdoar por ter te deixado com ele — As lágrimas pingaram dos olhos dela — As marcas em seu corpo, também tenho no meu, mas não as que Edgar fez em mim, e sim todas que ele fez em você. Minha menina, eu lhe amo muito e te desejo tudo de bom, e por isso peço — Ela engoliu em seco e apertou minha mãos — Nunca mais volte para aquela casa, aproveite que está livre e fuja dele, não deixe que Edgar encoste um dedo em você novamente, nunca ficarei em paz realmente se souber que está em perigo — funguei.

— Mas e Michelle, mãe? Ele não pode pega-lá? — Marissa sorriu abertamente, como se o nome da filha mais nova fosse uma maravilhosa alegria para ela.

— Michelle está bem minha filha — disse e eu fechei os olhos respirando aliviada — Seu pai não pode encostar nela — sorri e mordi os lábios.

— Ela se parece com você — falei e ela riu chorosa.

— Sim, eu sei — disse e me puxou para se sentar no chão com ela — Foi horrível ter que deixá-la — lamentou ela.

— Eu sei de uma pessoa que pode encontrá-la — contei e ela me sorriu.

— Oh sim, eu sei disso — Olhei para ela surpresa — Linnea, não? — Assenti sem esconder um sorriso grande — Vejo que gosta dela.

Olhei para o céu e me apoiei nas mãos.

— Sim eu gosto… Acho que em parte é porque ela me lembra você — Minha mãe sorriu sentida — O restante é porque ela cuida de mim de um jeito tão… Protetor.

— Eu gosto dela também — sorri — Ela está cuidado das minhas filhas, então tenho muito que agradecer.

Respirei fundo e olhei as flores ao nosso redor, fazer isso me trouxe à realidade.

— Isso é um sonho não é?— Ela não precisou responder para confirmar, sua expressão triste dava para usar como resposta.

— Saber que isso é só um sonho dói mais que tudo — sussurrei incapacitada de falar alto. Deitei na grama fofa e coloquei minhas mãos para trás. Marissa fez o mesmo e se deitou ao meu lado — Daria tudo pra te ter de volta — Disse isso sem olha-lá, mas ela segurou minha mão.

— E eu daria tudo para ficar com você e sua irmã… Mas não podemos mudar o passado querida.

— Não, não podemos — Virei o rosto para olhá-la — Mas eu posso mudar meu futuro, não posso? — O sorriso que ela me deu me encheu de esperanças, tanta que senti meus olhos marejarem.

— Claro que você pode minha criança — falou e passou a mão por meu rosto — Siga seu coração e irá encontra o seu lugar — Abaixei os olhos e depois os levantei novamente receosa.

— Mas… E minha irmã? — Engoli em seco — Algum dia eu vou conhece-la? —Marissa se levantou sorrindo brilhantemente.

— Ela está mais perto do que você imagina minha filha.

Franzi a testa, mas quando ia pergunta o que aquilo queria dizer, notei minha mãe indo embora. Me levantei com rapidez.

— MÃE! — Gritei. Ela se virou e meus lábios tremeram — Não me deixe… Fica comigo, estou confusa, preciso de você.

Marissa piscou e seus lábios se curvaram em um outro sorriso.

— Eu continuo com você meu anjo, nunca vou deixa-te — pisquei as lágrimas vendo ela se afastar de novo.

— Mas eu estou com medo mãe! Não sei o que fazer.

— Siga seu coração Jodie…

Sua voz soou repetidas vezes pelo campo, olhei em volta procurando-a, mas ela tinha ido, tudo que restará dela foi o timbre de sua voz chamando meu nome pela uma última vez, como uma nota perfeita de uma música de natal.

~*~

Notas finais
Cap. grandão né? Bem, mas foi triste para Jodie hoje, desculpe e não queiram me matar, faz parte ok. Diga-me o que acharam. Mais uma vez, Feliz dia do escritor e até a próxima gentee!1]!