Believe In Me
2 Capitulo 2 — Boa de briga.
Notas iniciais
Todos os alunos seguiram eu e Liam para foram do colégio gritando e berrando no meio dos corredores. Liam parecia estar sendo motivado pelos garotos do time de futebol, era como se ele estivesse pronto para ganhar um troféu.
Coitado, não sabe com quem está se metendo — pensei balançando a cabeça.
Continuei a andar para fora ignorando as pessoas gritando atrás de mim insultos ao meu respeito e pedindo que o Novato acabasse comigo, o mesmo não sei se gostou, pois olhou de cara feia para multidão que me seguia.
Parei de andar e fiquei no meio do jardim, joguei minha mochila longe e me virei para Liam.
— Vamos, Novato? — perguntei o chamando com o dedo. Ele sorriu, e entregou sua bolsa para um dos meninos.
— Ainda pode desistir — falou tirando a jaqueta. Eu só não me abanei de calor porque era uma coisa de menina, e eu nunca daria essa bandeira.
—É mesmo? Fique a vontade — falei e comecei a abaixar o zíper na minha jaqueta. Eu realmente não gostava da ideia daquela gente me olhando sem ela, mas o que tinha de baixo dela seria um impacto e tanto no meio daquela rodinha, e como não nenhuma idiota, usaria isso à meu favor.
Alargando um sorriso falso, arranquei a jaqueta. Todos arreglaram os olhos, e todos ficaram em silêncio apenas me olhando com incredulidade.
— Jesus… O que houve com você? — Liam perguntou assombrado e dando passos em minha direção. Recuei para trás.
— Isso é para você ver que quando eu brigo — Uma mentira, mas quem precisa saber? — Eu birgo para vale — E foi assim que começou.
Sem ele perceber, dispensei um soco de direita em seu olho o acertando em cheio e o fazendo cambalear e praguejar de dor. Os gritos se fizeram presente, Liam se recompôs rapidamente e me olhou ainda espantado.
— Mas, isso... Não parece ser de alguém que brigou — falou, e logo depois jogou seu joelho contra mim, eu consegui desviar saltando para trás e depois pulando de volta para cima.
— Isso são marcas... De alguém que … já viveu tudo — falei olhando o ritmo dos pés dele e tentando pegá-lo de surpresa em algum momento.
Algo dentro de mim se ascendeu enquanto balançava e empurrava meu corpo em punhos contra Liam, a emoção de sentir meu sangue ferver subiu, aproveitei essa sensação para correr até o meu adversário e pular jogando meu pé contra suas costelas. O garoto soltou um rosnado como se indicando que aquilo o tinha irritado muito e que agora ele queria vingança, sorri de sorrateiro encarando seu rosto vermelho e seus olhos azuis, que agora, brilhavam como estrelas em um céu escuro sem nuvens.
Fiquei observando enquanto Liam, ferido, girava e soltava correndo em minha direção com segurança e convicção no rosto. Sorri me preparando para atacar, e nesse momento tudo pareceu ficar em câmera lenta, o fogo correu por minhas veias, a dor que antes sentia hoje de manhã já não era mais um problema, os machucados que arderam de baixo da água já não passavam de feridinhas insignificantes, e os gritos dos alunos só não passavam de um bom rock para meus ouvidos.
Liam investiu em mim e socou meu estômago, a falta de ar foi grande, mas deixei de lado e devolvi o soco passando as mãos atrás de sua nuca e o forçando para baixo no mesmo instante que meu joelho subia a toda velocidade direto ao seu nariz. Ele nem teve tempo reclamar de dor ou de praguejar algo, só sei que quando o vi cambaleando para trás com a mão no rosto, tomei a oportunidade e corri em direção a árvore. Ao chegar perto de dela, a usei como um local para empurrar meus pés para frente, e logo depois o atingi-lo bem no centro do seu peito com o pé direto.
Liam caiu na grama procurando ar enquanto eu voltava a minha postura reta e com a respiração acelerada.
Silêncio novamente, e agora eu encarava Liam, ofegante e sorrindo.
— Agora você entende porque muitos fogem de mim? —perguntei. O garoto estava com o nariz sangrando, nada muito grave.
— Você é brilhante! — falou para minha surpresa — Nunca conheci uma menina como você. Porra, você conseguiu me vencer. Ninguém nunca me venceu!
Fiquei o encarando a procura de alguma coisa que denunciasse sobre estar mentindo, mas não encontrei nada.
Incerta, me abaixei até ele, o mesmo não fez muita força para ficar sentado.
— Você não deve ficar me seguindo — falei, e não acreditei ao perceber que minha voz não tinha vindo com ironismo pela primeira vez — Não sou boa companhia e você não quer me conhecer.
Ele passou a mão por de baixo do nariz limpando o sangue e depois olhou para meus braços. Os levantei e o olhei.
— Vê, isso? — apontei para os machucados — É feio, mas vai encontrar coisa muito pior se ficar perto de mim.
— E seu quiser encontrar essas coisas “Piores”?... Você irá me impedir? — Iria? Me perguntei isso varias vezes de cabeça baixa.
— Eu não preciso impedir — murmurei — Você mesmo vai fazê-lo quando perceber quem eu realmente sou.
E nisso, eu me levantei, peguei minha jaqueta e minha bolsa, e empurrei o povo que estava no meu caminho. Andei lentamente de volta para casa pensado no que tinha acontecido hoje. Uma coisa incomum e interessante.
Tinha que admitir que essa coisa dele ficar me perseguindo podia ser legal, mesmo sendo perigoso por causa do meu pai... Não, esse risco eu não podia correr, Edgar Jodie não podia saber sobre Liam Corey.
Engolindo em seco subi a varanda da minha casa, estava torcendo para ele não estar em casa assim poderia me trancar no quarto até ele chegar, com certeza bêbado. Minha mãe, Marissa Jodie, morreu há doze anos atrás, não sei bem se foi de desgosto ou pelas surras que levava de meu pai, mas acho que posso optar pelas duas coisas. Em fim, desde que ela morreu eu virei o saco de pancadas de Edgar, ele me bate aponto de me deixar fraca e quase invalida, nunca intendi o por quê disso, mas desisti de tentar entender aquele infeliz há muito tempo.
Querem saber porque eu não conto à ninguém? Porque ele também é tutor da minha irmã Michelle, ela tem 12 anos e eu nunca à vi na minha vida. Marissa, antes de morrer, havia me contado que tinha deixado Michelle segura com a minha avó e longe do meu pai, ela me pediu desculpas por não fazer o mesmo comigo e depois morreu, me deixou com esse monstro. Michelle sabia de mim assim como eu dela, mas agora ela estava sobre a tutela de meu pai porque vovó morreu no ano passado, eu não sabia onde estava minha irmã e não sabia se estava segura, devo dizer que nem sei como é o seu rosto.
Olhei pela a janela ao lado da porta e me aliviei ao encontra a sala vazia. Se ele não estava na sala, não estaria em lugar algum da casa.
Mais confiante, entrei no local e fui ate a cozinha, nada para comer, eu era encarregada de fazer despesa, o jantar, almoço e etc. Olhei em cima da mesa e encontrei um bilhete e dinheiro.
Compre a comida e arrume tudo. Fui ver Michelle e não quero minha casa desarrumada.
Assi: Edgar.
Amacei o papel entre os dedos reprimindo a raiva e o joguei no lixo. Corri para meu quarto e escancarei a porta do banheiro logo depois. Tirei minha jaqueta e abri o meu armário.
Peguei de lá um canivete. Engoli em seco e me olhei no espelho.
— Por que?.... Por que você me deixou mamãe? — fechei os olhos quando a imagem da mulher de cabelos ruivos apareceu em minha mente.
As lágrimas finalmente caíram com vontade, soluços dolorosos saíram da minha boca e a mão que segurava o canivete se moveu em direção ao o outro braço.
Encarei aquela pele branca cheia de feridas e cicatrizes e afundei a lamina contra a parte sensível.
A dor foi em imediato, mordi o lábios enquanto arrastava a ponta afiada para cima e para os lados, sentindo a pele rasgar e o sangue escorrer, a dor clareou minha cabeça e secou as lágrimas trazendo de volta a raiva, afundei com mais força a lamina e soltei um grito sem som, apertei os olhos fechados vendo o rosto de minhas mãe, sentindo a dor dela enquanto levava cintadas do meu pai só para me proteger, minhas pernas tremeram, mas eu não cai, continuei a marcar meu braço deixando o sangue escorrer ao invés das lágrimas, deixando a dor me domar ao envés dos gritos de medo e magoa, deixei que minha mão gravasse o nome de minha mãe e de minha irmã como prova de que não iria desistir. De que não iria cair, em memoria delas. Olhei para minha obra de arte e dei de cara com a pia ensanguentada e os meus dois braços totalmente mutilado, virei a cabeça um pouco contemplando as letras do nome Marissa e Michelle, fechei a mão em punho ao notar que aquilo não era para sempre, que um dia ia cicatrizar.
Sem me importar em sujar a casa caminhei em passos lentos até a cozinha, abri as portas dos armários e tirei o pote de sal de dentro.
Eu queria ter algo para lembrar que devia ser forte, e estava mais do que certa sobre o que fazer. Voltei ao banheiro com o pote de sal na mão e tampei o ralo da pia. Esperei que essa estivesse com muita água e depois virei o pote de sal para que ele e misturasse na água.
Olhei mais uma vez no espelho e vi uma garota com o rosto magro, com maquiagem borada e batom preto, uma louca aos olhos dos outros.
Fechei os olhos e levantei um dos braços mutilados.
— É por vocês... E sempre vai ser – sussurrei, e logo depois afundei o primeiro braço na água com o sal — AAAAAAAAAAAHHHH.
Os gritos e lágrimas vieram tomando a casa toda, o ferimento no meu braço sofrendo me trouxe dor, mas me fez ver o sentido de ser forte, de me fazer mais forte, deixei de gritar e permiti que as lágrimas secassem enquanto a ardência nos dois braços aumentava ao ponto de me fazer perder a sanidade.
~*~
Passei um bom tempo apenas sentada no chão do banheiro tentando me acostumar com a ardência nos braços, as três da tarde me levantei daquele cantinho e lavei o braço com água sem sal. Ele estava vermelho e as letras brilhavam em carne viva. Depois de cuidar para não inflamar, vesti outra roupa bem fechada e saí para ir ao mercado. Comprei o necessário para sustentar Edgar, pois a única coisa que eu comia era sopa.
Depois de comprar tudo voltei para casa novamente.
Passei as última horas a arrumando e fazendo o jantar para quando meu pai chegasse. Meu copro havia voltado à doer, mas eu ignorei as dores e fiz o que era para ser feito. Acabei de fazer tudo as oito da noite, e foi nessa hora que ouvi a porta da frente ser aberta.
Estremeci em frente do fogão e fechei os olhos implorando para que ele estivesse sóbrio.
— Vejo que fez tudo que mandei — A voz dele tomou a cozinha, respirei um pouco mais aliviada ao notar que ele estava falando normalmente.
— Sim, senhor — falei desligando o fogo — Quer que eu o sirva agora?
— Quero — assenti e peguei um prato de cima da pia, o coloquei em frente de Edgar que já estava sentado na mesa.
Enquanto o servia fiquei pensando se seria ruim perguntar sobre Michelle. Queria tanto saber se ela estava bem, ou se era maltratada assim como eu. Obviamente ela era, o que me fez sentir uma pontada no peito enquanto servia o suco para ele. Meu braço tremeu na hora e acabei derrubando suco na mesa.
— Preste atenção! — Edgar ladrou se colocando um pouco para trás.
— Me desculpe… Por favor, foi sem querer… Eu vou limpar… — Tremi enquanto pedia varias desculpas, a cara de meu pai estava contorcida e havia raiva, o que não era bom.
Engoli em seco e peguei um pano para limpar o suco na mesa.
— Você tem medo de mim, não é? — a pergunta dele me surpreendeu, eu não respondi, apenas continuei limpando a mesa — Vamos. Pode dizer. Não vou fazer nada a você — fiquei reta e de cabeça baixa.
Eu não sabia se ele falava a verdade, não sabia se ele me bateria caso eu falasse algo que não gostasse, e acho que se apanhasse de novo hoje eu não acordaria nunca mais, o que era uma boa opção, se eu fosse ver através de meus olhos.
Apertei as mãos e apenas balancei a cabeça em concordância para ele. O mesmo suspirou e se ajeitou na cadeira.
— Você sabe por que eu lhe bato? — por alguma razão meus olhos marejaram enquanto encarava os pés.
Neguei mais uma vez sem abrir a boca. Odiava me sentir fraca, mas na frente dele era quase impossível ser forte.
— Bem, acho que isso começou com a bebida — Ele começou a comer enquanto eu apenas escutava — E depois foi por causa de sua mãe. Ela era teimosa e não me obedecia — rosnou e isso fez os pelos da minha nuca se levantarem — Mulher infeliz! Me desafiava sem medo algum… — Ele me olhou com a sobrancelha erguida.
— Me diga. Você gosta de ser desafiada? — franzi a testa imediatamente lembrando de Liam.
Balancei a cabeça em negação.
— Que bom, pois eu também odeio... Marissa era importuna e arrogante, ela fez a pior parte de mim acordar tão fácil que enlouqueci... E isso se repetiu com Michelle — Ergui os olhos para ele no mesmo minuto que ouvi o nome de minha irmã. Edgar notou isso e sorriu aquele sorriso perverso — Queria conhecê-la não? — perguntou e eu sem evitar, assenti varias vezes – Quer saber como ela é?
— Sim, por favor, eu quero! — a minha voz saiu pela primeira vez quase em desespero.
Ele riu alto.
— Oh, ela tem língua... Finalmente falou. Achei que não ia abrir a boca — disse e depois se levantou para tirar algo do bolso da cala. — Aqui. Só vou deixar que veja porque fez tudo o que mandei hoje, e eu estou de bom humor.
Olhei para o papel em sua mão e peguei. Meus olhos deixaram cair lágrimas na mesma hora que vi a foto de uma menina novinha. Sua pele era bem branquinha, tinha algumas sardas nas maçãs do rosto, olhos azuis bem claros como os meus e cabelo ruivos, os mesmos de minha mãe.
Ela era a copia perfeita de Marissa. Perfeita. Minha irmã.
Acho que nunca tinha sentido tanta alegria como agora, eu finalmente sabia como minha irmãzinha era, e ainda podia ver muita coisa da mulher que sempre tentou me proteger dentro dessa casa.
— Ela… Está bem? — perguntei quase em um sussurro e preparada para receber um bronca por perguntar.
— Sim, ela está... Aliás, ela vai estar muito melhor agora Olhei para Edgar franzindo a testa.
— O que quer dizer com isso? — ele sorriu.
— Eu entreguei ela para um orfanato ano passado. Fui hoje até lá e me disseram que ela foi adotada duas semanas depois que à deixei lá — Minha boca se abriu de incredulidade.
Olhei para ele com raiva, com fúria. E agora? E se ela tivesse ido parar em um lugar pior do que ao lado do pai, e se tivessem à torturando e ela estivesse vivendo em um inferno pior que eu meu?
— Oh meu Deus... Po-por que fez isso? E se ela estiver em perigo? E se à maltratarem? — preguntei tentado me controlar.
— Isso não é mais da minha conta, aquela menina tem a mesma ousadia de Marissa. Eu não a quero mais no meu pé.
— MAS ELA É SUA FILHA! — Berrei já esquecendo de quem estava na minha frente – COMO PÔDE FAZER ISSO? — Ele fez careta.
— Acho bom abaixar o tom comigo garota. Eu faço o que eu quero com aquela menina, e com você também — neguei dando passos para trás.
— Não, você é um louco, infeliz filho da puta! Devia ir para inferno e me deixar em paz... Deixar minha irmã em paz... você matou minha mãe. VOCÊ a matou… — E então eu senti a mão dele contra meu rosto.
Fui para o chão desprevenida na mesma hora.
— Lembre do que eu falei menina. Eu odeio que me desafie ou me afronte — falou rangendo os dentes.
Olhando para ele me coloquei de pé. Sem mudar a minha expressão fria.
— Você pode me bater, pode fazer o que quiser comigo, pois não me importo mais — dei um passo até ele — Você não gosta de ser enfrentado assim como eu — O olhei com deboche — Infelizmente puxei isso de você papai, pelo menos agora minha irmã está salva de suas mãos imundas, pelo menos ela não vai crescer apanhando daquele que devia amá-la e chamá-la de princesinha… — Edgar grunhiu e pegou meu pescoço para depois apertar. O ar começou a faltar.
— Cale a boca! Você e sua irmã são copias infelizes de Marissa, me enfrentam sem saber o que posso fazer.
— E-eu, sei o que voc-ê, pode fazer… e sei... que você é um mostro… — Abri a boca a procura de oxigênio quando ele apertou a minha garganta com mais força.
— Acho que você quer acabar como sua mãe — murmurou enquanto minha visão ficava turva.
— Morrer... é melhor... que ficar… com você — E essas foram as minhas últimas palavras antes de apagar por completa.
~*~
Virei o rosto contra algo macio e apertei os olhos. O sol que saia da janela me fez levantar o braço para tampa os olhos. Pisquei tentando me acostumar com a luz e passei a mão pelo o pescoço dolorido, e ao fazer, as lembranças da noite passadas vieram.
— Michelle — sussurrei com dor. Me sentei na cama e vi a fotografia dela ao lado de meu travesseiro. A peguei e passei os dedos gentilmente — Eu vou te encontrar... Um dia — E eu o faria. Lutaria para isso.
Ainda um pouco fraca, me levantei e olhei para o relógio. 06h00 da manhã. Pela primeira vez tinha acordado cedo e não chegaria atrasada no colégio.
Sem querer te que ouvir Edgar gritado-me para levantar, tomei banho vesti minhas roupas sem cor e passei o lápis e o batom preto. Olhei-me no espelho notando o quão magra eu estava, se me lembrava bem, a última vez que tinha comido alguma coisa fora na noite que meu pai chegará bêbado, ontem passei o dia sem por uma coisa na boca e também não tinha como eu comer, pois estava cansada de digerir apenas sopa todos os dias, era horrível, preferia ficar com fome.
Passei pela sala com a mochila no ombro e vi o desgraçado jogado no sofá quase babando. Virei os olhos e saí para fora.
Enquanto caminhava tive que prender a respiração, pois a onde eu ia, sentia cheiro de cachorro quente ou de qualquer outra comida que eu não podia comprar. Meu estômago roncou quando passei em frente de uma banca de salgados, alguns alunos da escola estavam sentados nas mesas comendo e rindo contentes, meus olhos foram para os vários salgados que comiam, minha boca se abriu querendo muito aquilo, mas como eu não tinha dinheiro, apenas me virei e segui para o jardim do colégio.
Ainda me sentia fraca e estava fazendo muita força para permanecer em pé, realmente estar sem comer e ainda ser estrangulada pelo meu progenitor na noite passada, me fez um mal enorme. O sol em cima da minha cabeça me trouxe tonturas e enjoos, fechei um pouco os olhos e andei até uma árvore quase escondida da vista dos outros, me segurei nela tentando voltar ao normal antes que alguém notasse. Quando estava melhor, endireitei-me e ergui o queixo.
Na minha postura durona confiante, entrei no colégio.
Percebi antes mesmo de entrar na sala que todos estava falando sobre minha briga com o Novato, e sabia que muitos estavam surpresos por eu ter ganhado de um garoto em uma briga. Ainda mais quando esse mesmo já treinou box, muy-tai, e sei lá mais o que. Respirei fundo enquanto entrava na sala de historia, foi o de sempre, olhares em minha direção com desgosto e nojo, mais havia um olhar novo no meio de todos aqueles.
Preocupação.
E não me surpreendeu ao ver que esse sentimento estava vindo dos olhos azuis de Liam. Ele estava sentado em cima de uma mesa conversando com uns garotos enquanto as garotas se esfregavam nele para conseguir atenção.
Ignorei o fato dele estar me encarando e andei até minha mesa lentamente, pois se fosse rápido acabaria caindo desmaiada no chão.
Eu dei graças a Deus quando finalmente me sentei na cadeira, estava tão mole hoje que duvidaria se conseguiria levantar o braço contra qualquer pessoa. Meus olhos estavam tão pesados que acabei deixando minha cabeça cair na mesa de forma cansada.
— Jodie? — não abri os olhos para olhar Liam, apenas falei:
— O que você quer? — senti ele sentar na cadeira em frente a minha mesa e me fitar.
— Você está bem?
— Estou ótima... Por que? — minha voz saiu meio grogue, mas eu não dei a minima, estava quase dormindo em cima daquela mesa.
— Você está branca igual papel, e quando entrou percebi que estava tendo dificuldade para ficar em pé — Ah legal, agora ele presta atenção no meu jeito de andar. Isso é uma beleza.
— Estou legal... volta para teus novos amigos e me deixa em paz — afundei o rosto dentro dos braços tampando a visão dele.
— Pensei que você fosse deixar eu ser seu amigo.
— E eu que você fosse esquecer que eu existo — depois disso ele finalmente se levantou e voltou para seu amiguinhos chatos.
A professora Kate entrou na sala logo depois mandando todos se sentarem. Eu já estava pegando no sono, sentindo meus ossos relaxarem e minha tontura passar, mas isso foi embora rapidamente quando ouvi a professora me chamando.
— Srta. Jodie, você trouxe seu trabalho? — franzi a testa vendo tudo em dobro, mas assenti para Kate. Foi um erro, pois só fez a tontura e a fome voltar mais forte — Ótimo, venha apresentar então — O que? Eu não podia levantar agora, eu era inteligente o bastante para saber que se o fizesse, minha pressão ia abaixar e minhas pernas iam ceder, me levando direto ao chão. Eu seria uma piada para o pessoal que estava presente.
— Srta. Jodie, está tudo bem? — A professora perguntou me tirando dos pensamentos, a sala toda me encarava, soube que muitos já notavam o meu mal estar.
Engolindo em seco peguei a folha com o trabalho e puxei o ar. Fiquei alguns minutos apenas encarando o chão para depois me levantar, mas acho que fiz isso rápido de mais, pois as paredes pareciam que iam cair em cima de mim, isso me fez cambalear para trás e usar a parede do fundo para firmar-me em pé.
— Está tudo bem menina? Cristo, você está pálida — Kate falou andando até mim. Estava preocupada. Os sussurros ao meu redor foi como se tivessem me desafiando a permanecer de pé, e por isso soltei a parede e caminhei passando pela professora... Então minhas pernas cederam e braços me seguram antes de cair no chão.
— Jodie. Jodie o que foi? — Era Liam que estava me segurando.
— Ela esta mal. Vamos levá-la para enfermaria — disse Kate e eu abri os olhos meio grogue e tentando me afastar de Liam.
— Não quero ajuda… De ninguém... — O garoto me segurou para que eu não fugisse, e dessa vez eu não consegui luta.
— Fique quieta garota, você mal consegue se firmar em pé — resmungou ele e abraçou minha cintura passando meu braço por cima de seu ombro.
O toque dele foi maravilhoso por mais que odiasse. Choques percorram meu corpo quase instanteaneamente.
— Vamos, eu levo você.
— Eu em breve estarei com vocês, preciso avisar a diretora..
— Não! — falei tentando olhá-la. — Não a chame.
— Mas menina…
— Não! — rosnou, a calando. E relutante, ela sentiu e disse.
— Ok. Leve ela, me traga noticiais, e se precisar, chamaremos o pai dela — Quis socar essa mulher, mas não deu tempo, pois Liam me puxou para sair da sala e caminhar pelos corredores até enfermaria. Minha cabeça estava tão pesada que acabei apoiando ela contra o ombro do menino.
O mesmo olhou para mim de forma preocupada.
— O que houve com você? — perguntou parando de andar. Abri os olhos para saber o que ele ia fazer e os arregalei quando o mesmo se abaixou e pegou minhas pernas.
Ele me pegou nos braços com facilidade e franziu o cenho.
— Você é louco? Me coloca no chão seu idiota! — resmunguei me debatendo contra ele, mas não funcionou muito considerando que desisti de fazê-lo ao sentir uma pontada no estômago.
— Pare com isso. Só quero ajudar. Se colocá-la no chão, você vai cair por fraqueza — Ele apertou os braços em minha volta — E você parece estar fora do peso? É leve como pena.
Desviei os olhos dele sem respondê-lo. Senti seus olhos em mim enquanto andava.
— Quando foi a última vez que se alimentou direito Jodie? — Continuei muda até chegar à enfermaria. Liam ainda me olhava curioso e preocupado quando me colocou sobre a cama. A enfermeira veio até mim e começou a me examinar. Xinguei varias vez falando que queria ir embora, e ainda me recusei a tirar a jaqueta por conta dos arranhões em meus braços.
Liam me avaliava a cada reclamação como se quisesse me desvendar mais que qualquer outra coisa.
— Senhorita Jodie, você não tem se alimentado direito, não é? — A enfermeira perguntou enquanto escrevia algo no caderno. Eu abaixei a cabeça sabendo que Liam me olhava com a sobrancelha erguida.
— Eu como sim! — menti, menti tanto que minha voz saiu esganiçada.
— Quando foi sua ultima refeição? — não respondi — Muito bem, se não responder terei que ligar para seu pai — Arregalei os olhos e olhei para aquela mulher de forma assassina.
— Não ouse ligar para ele. Não se atreva a fazer isso ou…
— Jodie — Liam me chamou a atenção antes que falasse merda. Respirei fundo controlando minha raiva.
— Então responda as minhas perguntas. Duvido que o sr. Jodie queira saber que está doente — Vi Liam franzi a testa e virei os olhos para a mulher.
— Acho que foi a noite... quarta a noite — A enfermeira e o garoto ao seu lado me encaram incrédulos
— Está me dizendo que não comeu nada ontem o dia todo e nem hoje? — Ela perguntou e eu dei de ombros assentindo normalmente.
— Sim — A enfermeira e Liam trocaram olhares e depois balançaram a cabeça — Certo, agora já posso ir? — Eu ia me levantar, mas os dois me impediram.
— Nem pensar, você vai comer alguma coisa. Agora! – disse Liam, e na mesma hora meu estômago respondeu por mim. A expressão severa fugiu de seu rosto e logo um sorriso se formou ao ouvir meu consentimento — Vamos, eu compro algo para você — fiz cara feia.
— Não quero que compre nada para mim.
— Certo, você compra, mas tem que comer algo — Abaixei o olhos para as mãos enquanto as entrelaçava.
— Não tenho dinheiro para comprar nada... E não quero que gaste seu dinheiro comigo por pena, fico bem com fome mesmo — Para não ter que ouvir mais baboseira sai do local.
Não estava mais com tonturas por causa do remédio que a mulher me deu, mas ainda me sentia fraca e com fome, o que queria dizer que devia começar a comer de novo aquela sopa horrível se quisesse ficar de pé.
Olhei o relógio em meu pulso. Agora estaria rolando minha segunda aula e meu material estava na sala de historia. Bufando, andei em direção a ela, entrei e encontrei um bando de pessoas na sala, não era a minha turma, mas ignorei-os para pegar meu material.
— Ah, querida, você está melhor? — Perguntou Kate ao me ver.
— Estou. Tchau — sai da sala batendo a porta a trás de mim.
Saí do colégio para ficar no jardim em frente à ele até dar a hora do intervalo. Me sentei encostada em uma arvore e fiquei encarando o céu.
Fechei os olhos e puxei o ar com força, não foi uma boa ideia pois ao fazer isso senti o maravilho cheirinho de cachorro quente. Resmunguei e fechei as mãos em punho ao ter meu estômago roncando querendo ser alimentado.
— Você deve alimentar o seu amigo antes que ele se revolte — bufei ao ouvir mais uma vez a voz de Liam.
— Caramba, acho que você não intende quando eu digo para me deixar em paz não é... — parei de falar ao abrir os olhos, pois a visão que peguei foi a mais bela de toda a minha vida.
Um cachorro quente completo, com ketchup, maionese, mostarda, batata palha e salada. Meus olhos ficaram encarando aquela belezura na mão de... Com quem que eu estava falando mesmo? Uuuu. É tão lindo. Perfeito para saciar minha fome.
— Jodie? Jodie está me ouvindo? — balancei a cabeça em negação ainda olhando aquela paisagem maravilhosa — Nossa, está mesmo com fome não está? — Engoli em seco e umedeci os lábios. Nessa hora, quem quer que seja, estendeu o cachorro quente para mim, olhei para cima não entendendo e foi ai que eu voltei a mim.
— Pega. É pra você — Liam falou. Eu hesitei por um bom tempo, mas aquele cheiro me chamou tanto que acabei arrancando o pão da mão dele e dando uma mordida monstra. Suspirei quando senti o gosto esplendido se misturar em minha boca e descer por minha garganta, fazia anos que não comia algo parecido, era como se eu estivesse me libertando de tudo que eu mais odiava.
Saboreei aquilo com gosto sem abri os olhos e soltando suspiros deleitosos toda vez que sentia o prazer de matar aquela fome que me inferniza há muito tempo. Quando finalmente acabei de comer, abri os olhos e encontrei os de Liam, ele tinha uma expressão divertida em seu rosto, mais ainda sim, continha a mais pura curiosidade.
Curiosidade sobre mim.
— Já concluiu que sou uma selvagem enquanto me via comer? — perguntei e isso o fez rir fracamente.
— Não, só me fez ver que faz um bom tempo que você não come algo com tanto gosto — passei o guardanapo pela boca para limpar os vestígios de molho, mas acabei tirando o batom preto junto.
— Devo dizer que esta certo — falei sem pensar. Ele se apoiou em seus cotovelos me olhando.
— O nome do seu pai também é Jodie? — ergui a sobrancelha pela pergunta, mas respondi do mesmo jeito.
— Na verdade, Jodie é meu sobrenome — franziu o cenho.
— E qual é seu primeiro nome? —fiz careta.
— Não vou te fala, eu não suporto o meu primeiro nome.
— Por que?
— Porque ele é muito “peça de teatro” sabe — falei fazendo aspas. Ele riu.
— Então usa seu sobrenome?
— Obvio, não?
— Por que ficou tão brava quando a enfermeira disse que ia chamar seu pai? — Eu estiquei as pernas na grama e cruzei os braços.
—Por que quer tanto saber sobre mim?
— Porque você me interessa —ri sem humor .
— Ah, fala serio, se eu interiçasse a você, seria apenas para tramar alguma coisa. Acha mesmo que revelaria minha vida assim tão fácil à alguém que mal conheço e que me desafia por algum motivo incomum? — Ele se moveu para mais perto de mim e encostou as costas na árvore.
— Tudo bem, pregunte o que quiser sobre mim e eu respondo — Olhei para ele duvidosa — É serio! Mas tem uma condição.
— Não estou surpresa disso. Anda, fala logo — Ele virou o rosto para mim.
— Quero que pare de fugir de mim.
— Eu não fujo de você — sorriu.
— Sim, você foge! Parece que tem medo de se enturmar — bufei olhando para outro lugar.
— Eu não tenho medo de na...— minha voz falhou ao lembrar de Edgar, ou melhor, ao lembrar de Michelle. Sim eu tinha medo. Medo de nunca encontrá-la.
— Você hesitou! Quer dizer que você sente medo sim, e de alguma coisa – o olhei com raiva.
— Isso não é da sua conta.
— Eu sei disso, mas ainda sim... — Ele se ajeitou para poder ver meu rosto melhor — Sinto que precisa desabafar com um amigo... Por que eu não posso me tornar esse amigo? — suspirei não querendo olhá-lo, mas se o fizesse tudo sairia, contaria minha vida toda mesmo sem o conhecer. Estava tão farta de ter que me afastar das pessoas por causa de meu pai que as vezes me sentia mais fraca que o normal.
E agora eu não sabia o que fazer. Tinha o garoto ao meu lado pedindo para ser meu amigo, e eu sabia o quão eu precisava de um amigo, ser sozinha e ser espancada me fazia ser alheia de carinho e afeto, e agora que Liam me oferecia isso, eu realmente não sabia o que dizer.
—Não sei se estou pronta para isso — murmurei e depois guiei os olhos para ele — Eu sempre fui sozinha e revoltada — dei de ombros — Não sei ser carinhosa e amiga. Você, de alguma forma, está pedindo muito para mim — os olhos dele encontram os meus, e vi que ele me entedia, por mais incrível que parecesse, ele me intendia.
— Você poderia tentar — sugeriu, e eu pela primeira vez, dei um meio sorriso verdadeiro a ele.
— E como eu faço isso? — Alegria veio rápido aos olhos dele assim que minhas palavras saíram, e ele me olhou com aquele jeitinho jubilo.
— Poderia tentar não me socar toda vez que apareço, é bom começo — E foi ai que ele arrancou-me a minha primeira risada sincera.
— Ah, mas assim não tem graça — resmunguei o fazendo rir também.
— Mas pode me deixar vivo até conseguir a sua confiança — parei de rir e mordi os lábios.
— E se isso um dia acontecer? — Ele segurou minha mão e apertou de forma reconfortante.
— Se acontecer, você finalmente vai se abrir de verdade.
O restante das aulas até que foram legais, mas não o conteúdo da matéria, — Isso nunca! — e sim a minha conversa com Liam. Ele literalmente me seguiu para todos os lados, mesmo quando eu o mandava embora ele ficava, no intervalo ele se sentou comigo assim como nas salas de aulas. Eu realmente estava me divertindo com isso, até que não era ruim ter um amigo, se é que ele era isso agora. As pessoas nos olhavam assombradas e vidradas, era como se o Novato estivesse com um parafuso a menos por estar andando com a “esquisita” do colégio.
Estávamos na aula de ciências. Ri para mim mesma enquanto copiava a lição da lousa. Liam que estava na minha frente, ouviu meu pequeno deslise e se virou tomando cuidado para a professora não ver.
— Por que está rindo? — sorri e apontei para os idiotas do time de futebol. Liam seguiu meu olhar e ao fazer isso os garotos viraram de volta para a direção da lousa.
Ele riu assentindo que tinha entendido.
— Você é mesmo famosa — sussurrou — Quantas pessoas daqui você já pegou no tapa? — rindo, contei nos dedos.
— Acho que umas dez, treze... Não me lembro agora — ele sorriu.
— Já perdeu alguma vez? — ergui a sobrancelha.
— Nunca. E pretendo continuar assim... Professor, em um, dois... —Liam se virou e voltou a atenção para o caderno no mesmo momento que o professor pousou os olhos em nós. Fingi estar escrevendo também enquanto segurava o riso.
Quando ele voltou a escrever na lousa, arranquei a folha do meu caderno escrevi um bilhetinho para o novato.
Vamos animar um pouco essa sala?
Joguei o papel por cima do ombro dele que me olhou sorrindo sapeca. Sorri de volta e arranquei outra folha do caderno. Com cuidado, me levantei da cadeira e abaixada me escondi atrás de umas das mesa com caixas de vidro.
Querem saber o que tinha dentro?
Largatixas.
Tampei a boca para ninguém me ouvir rindo, o único que estava assistindo o meu show era Liam, e esse parecia prestes a explodir prendendo os risos.
Com cuidado, abri a tampa da caixa de vidro, coloquei o papel para segurá-lo aberto e peguei pelo rabo uma das largatixas. A olhei pedindo desculpas por fazer o que estava tramando e voltei engatinhar no chão segurando a largatixa que se contorcia querendo ser livre. Fechei a caixa de vidro e olhei em volta da sala procurando uma vitim. Aperte os olhos para Lisa e me posicionei em um lugar que ninguém podia me ver.
— Desculpe fofinha, mas preciso da sua ajuda — sussurrei para a largatixa com um biquinho. vi Liam afundar a cabeça dentro dos braços rindo — Vamos lá bonitinha, faça o seu trabalho — me abaixei no chão e deixei que a largatixa corresse, e como esperado, ela foi direto para mesa de Lisa.
Corri de volta para minha cadeira e logo depois....
— AAAHAHHHHHAAAA.... SOCORROO, AAAAH, TIRAAA, TIRA! — Lisa pulou da cadeira se batendo e gritando como louca, a sala todo começou a rir inclusive eu e Liam, minha barriga chegava a doer.
— TIRA DE MIM, AAAH.... — Lisa subiu na cadeira e foi ai que todos viram a largatixa descer pelas pernas dela.
Continuei rindo enquanto o restante das meninas se levantava para correr da largatixa, os garotos riam e o professor parecia mais perdido que uma criança. Sério, eu já estava sem fôlego.
— ALI, PEGUEM AQUELE BICHO! — Um dos garotos gritaram. Vi a pobre da largatixa fugir assustada do bando de gazelas que a seguiam.
— Ei, eles vão machuca-lá — reclamei, e Liam que estava vermelho de tanto rir me olhou.
—É, parecem que sim, mas pensa... Isso sim foi uma aula legal — sorri em concordância, mas depois me senti culpada.
— Mas e a largatixa? —Liam ergueu a sobrancelha para mim.
— MATEM ELA... ELA ESTÁ ALI! — Virei o rosto quando um dos garotos gritou isso, a sala estava uma zona e só restava eu de garota. Me levantei e fui em direção a largatixa que corria dos infelizes do time.
Empurrei uns garotos da minha frente com brutalidade.
— SAIM DA MINHA FRENTE SUAS GAZELAS INFAMES! — Berrei, e isso fez todos me olharem.
— PEGUEI! — Thomas gritou no canto da sala e vi a coitada da largatixa de contorcendo enquanto ele a pendurava no ar.
Marchei até ele com o meu olhar assassino e estendi a mão.
— Me dê ela agora — mandei. Outro sorriu.
— Gosta de bichos, esquisita? — perguntou e eu fiz careta —Deve ser para combinar com você não é mes... — O cara nem terminou a frase e já estava com meu punho no meio da sua cara.
Peguei a largatixa da mão dele antes que caísse no chão segurando o nariz.
— Idiota —murmurei me virei de volta para Liam. O mesmo tinha os olhos arreglados e olhava do bicho na minha mão para o cara caído no chão.
— Por que fez isso? — perguntou se levantando. O olhei carrancuda e mostrei a fofinha na minha mão.
— Ele queria mata-lá... Não podia deixar isso acontecer — ele abriu a boca para falar, mas nada saiu. Olhei para a largaixa e sorri meigamente — Oi lindinha, você vai ser minha amiga agora.
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