Believe In Me

18 Capitulo 18 — Mudanças


Notas iniciais
Eita povo, é agora que as coisas vão mudar. E agora que Jodie vai finalmente solta uma coisinha sobre a vida dela. Espero que gostem. Sorry pela demora. Boa leitura ♥

O tempo passou, um mês para ser exata. Estávamos em 19 de julho, a primavera estava se esvaindo para dar o lugar ao verão, o clima estava quente e claro até demais. Nos dias que se passaram tudo à minha volta começou a mudar. Começando pelo colégio.

As pessoas começaram a falar comigo por alguma razão que ainda desconheço, era muito estranho, sério. Eu continuava falando com Liam e seus amigos, que eventualmente, eram os meus amigos também agora. Já minhas ficadinhas com Jack, tinham encerrado naquele dia em que conversamos em frente do meu colégio. O cara estava todo confiante para o lado de Stefany, e pelo que tinha me contado, quase a beijou a dois dias atrás.

Estava aliviada por isso, porque Liam, ao ver que ele estava se relacionando com outra, resolveu que podia voltar a ser amigo dele. Eu continuava com meu jeito arrogante de ser e ainda levava alguns tabefes do meu pai, mas ainda sim, ele até parecia estar maneirando, pois contando agora, só apanhei de verdade duas vezes no mês passado, e ainda só por tê-lo respondido mal por causa dos “Relatos” das coisas que eu fazia na biblioteca com Liam.

Fico pensando se ele está tramando alguma para cima de mim, mas em fim. Finalmente estava em um momento de paz absoluta, e por mais que eu detestasse admitir… Liam estava mais que envolvido nos acontecimentos da minha vida.

Ele era bom para mim, brincava comigo, tentava cuidar de mim e nunca se afastava quando eu mandava ir embora por puro orgulho. O cara era um idiota sem vergonha, pois nunca deixava de ficar insinuando coisas para mim, e tipo, quando falo “Coisas” quero dizer aquelas cantadinhas filhas da mãe que me deixava um pouco sem falas.

Não entendia o por quê daquilo tudo, já que ele estava dando em cima da Helen de novo, ou Helen estava dando em cima dele. Vai saber o que acontecia com aqueles dois. Só queria distancia disso.

Aprendi nesse meio tempo que a ex-namorada dele era a coisa mais burra e louca do mundo inteiro, — não que não tenha percebido antes — acho que poderia dizer que ela era pior que a imbecil da Lisa. Eu estava ansiosa para chegar as ferias para que não precisasse ver Helen se esfregando em Liam, era uma coisa muito irritante, eu definitivamente tinha uma vontade muito grande de socar a cara da Helen quando chegava perto de Liam.

Como agora para falar a verdade. Estávamos eu, Liam, o grupo de amigos — com Stefany incluída poucos centímetros de Jack — sentados na grama aproveitando o tempo juntos. Já que eu não saia muito de casa, acabamos marcando de nos encontrar na praça sempre que eu podia, mas hoje tivemos a infelicidade de esbarrarmos com o grude de Liam.

— Jodie, por acaso você já foi em uma festa? — Eloise perguntou enquanto devorava um saco de salgadinho.

Fiz uma careta e arquei a sobrancelha.

— Acho que não preciso responder isso — falei roubando o saco dela.

Ela sorriu e deitou na perna de Jonah.

— Você perde tanta coisa trancada dentro de casa — resmungou e eu virei os olhos.

— Não me tranco por querer — rebati, e como em uma sincronia, todos suspiraram. Stefany, como era nova integrante do grupo, acabou por saber também. Por que? Simples, o babaca do Jackson havia aberto aquela boca enorme e contado tudo. Só fiquei sabendo disso, quando a garota veio até mim com os olhos banhados em preocupação e louca para me levar até a delegacia. Juro que quase esfreguei a cara de Jack no asfalto.

Tive que explicar tudo para ela e fazê-la prometer não contar à ninguém.

— Você fala como se fosse obrigada. — Todos ficaram mudos e sem se mover com as palavras indiferentes de Helen. Liam engoliu em seco, sabendo que além de odiar falar sobre meu pai, eu também odiava a garota que estava ao seu lado.

Isso não era uma combinação agradável.

— Acho que ninguém te chamou na conversa filhinha — falei com arrogância.

Helen apertou os olhos para mim, seu rosto queimando em raiva, mas ficou caladinha. Sorri de canto elogiando a decisão dela de ficar muda.

Todos notaram meu sorrisinho e sorriram também.

— Mas então, voltando ao assunto da festa — Eloise se sentou novamente — Quer ir em uma com a gente?

Fiz careta.

— Ah, qual é. Vamos — pediu Harlow juntando as mãos.

— Bora Jodie, você precisa sair um pouco — disse Jonah.

Fiquei uns minutos pensando comigo mesma, ou melhor, pensando em Edgar. Ele estava agindo de uma forma tão estranha que tinha medo de ele estar fazendo algo para me surpreender, e a minha aflição só aumentava ao pensar que ele tinha descoberto as minhas escapadinhas para encontrar com meus amigos ou com Linnea.

Uhh. Esqueci essa parte não é? Em fim. Me encontrei com Linnea — A moça que trabalhava no orfanato que ficava Michelle — querendo noticia de como estava minha irmã. Era uma forma de ter certeza de que Edgar não havia lhe tocado novamente, e estava feliz pelas respostas que a moça dava.

Abri a boca para falar sobre isso, mas a fechei de novo ao lembra que Helen estava presente. Olhei para ela e depois para Liam.

Ele entendeu o recado.

— Helen, que tal você ir para casa? Preciso falar com meu amigos — Ele disse ficando na sua frente.

Helen olhou para mim por cima do ombro dele para mim, seu desgosto era óbvio, e só de provocação, eu sorri e mostrei o dedo do meio para ela. As meninas e os meninos começaram a rir na mesma hora, enquanto Helen bufava e saia pisando duro.

Liam se virou com a testa franzida em confusão e coçou a cabeça tentando entender porquê dela ter saído daquele jeito.

— Por que ela ficou assim? Eu nem fui grosso! — Exclamou indignado. Prendi o riso assim como os outros que deram de ombros.

— Problemas mentais — Murmurei. Liam olhou para mim e se sentou na grama novamente.

Sobrancelha erguida.

— Por que queria que ela fosse embora? — perguntou. Primeiro eu sorri.

— Porque uma: Ela é uma coisa muito chata — Ele virou os olhos, mas ninguém discordou — E outra, eu não ia falar de Edgar na frente dela.

A menção de meu pai fez com que todos se aproximassem com medo e suas faces.

— Aconteceu alguma coisa? — Stefany perguntou com uma voz tremula e cheia de aflição. Eu bem entendia, de todos, ela parecia a que mesmo conseguia encarar essa minha situação sem chorar.

— Na verdade não — falei meio confusa. Eles continuaram me olhando, uns com a sobrancelha levantada e outros com testa franzida.

— Isso é bom! — Harlow falou, mas ou ver minha expressão, seus ombros caíram — Não é?

— Nem um pouco — confirmei e cruzeis as pernas — Edgar não tem falado muito comigo, ele sai muito de casa e quando volta à noite, pela primeira vez nunca está bêbado. Trocamos palavras só quando ele vai me buscar no colégio, assim me interroga lá mesmo sobre o que estou fazendo com Liam — balancei a cabeça — Ele nem tem me batido — Vi o alivio nos rostos deles, principalmente no de Liam.

— Vai ver ele está tomando juízo e tentando parar com isso — Sugeriu Lizze, mas eu neguei.

— Não, eu não acredito nisso. Edgar é muito sem caráter para isso — Eles riram em concordância.

— Mas o que ele pode estar fazendo? — perguntou Jonah ao abraçar Eloise por trás.

Um pensamento dos dois namorando me veio na mesma hora. Eles estavam realmente muito próximos depois do beijo que deram ao perdemos — POR CULPA DE HELEN! — o jogo de futebol.

— Eu tenho duas sugestões, mas não é boa — falei, e suspirei diante dos olhares preocupados — Ou ele descobriu que ando me encontrando com vocês, ou ele descobriu que estou me encontrando com Linnea — Eles franziram a testa.

— Quem é essa Linnea? — perguntou Liam.

— É com ela que eu faço contato para saber como estar minha irmã — Eles arregalaram os olhos — Notaram que isso não pode acontecer não é?

— E se acontecer? — perguntou Liam novamente e acrescentou — O que ele iria fazer se descobrisse que você tem amigos, ou que está vendo essa mulher? — Acho que ele não vai querer saber, por isso me levantei tentando mudar de assunto.

— Isso não vem ao caso — falei me afastando do grupinho, mas eles se levantaram e me seguiram.

— É claro que vem! — disse Eloise.

— Acha que queremos você toda arrebentada por nossa causa? — Liam perguntou, e notei raiva e dor enquanto falava.

Ele estava preocupado comigo de novo. Todos estavam.

Respirei fundo e voltei a encará-los.

— Pelo menos vai ser por uma boa causa — falei, e antes que eles dissessem algo mais eu voltei a falar — Não se preocupem comigo, eu sei me defender dele — Na verdade eu não sabia, mas eles não precisavam saber disso — Mas peço que tomem cuidado, pois se ele descobriu sobre vocês, isso quer dizer que ele está tentando ganhar tempo para me afetar usando um de vocês — Os olhos deles se arregalaram — Ele sabe qual é meu defeito e vai usar contra mim.

Liam deu um passo para frente e perguntou:

— E qual é seu defeito? — Abaixei os olhos lembrando-me o dia que vi minha mãe apanhar. Lembrando de como eu queria tê-la defendido.

— Eu nunca deixo alguém sofrer por minha causa — Voltei a olhá-lo — Nunca mais vou deixar isso acontecer.

— Nunca mais? — Jack tomou a frente — Quer dizer que alguém já tentou te ajudar? — A pergunta trouxe a dor, a dor trouxe recordações, e as recordações trouxeram as lágrimas.

Não as deixei cair enquanto falava, mas vi que eles notaram meus olhos lutando para ceder. Isso me deixou louca de raiva, mas não podia dizer que a culpa era deles, porque não era.

— Lembram que eu disse que minha mãe morreu? — Eles empalideceram.

— Seu pai a matou? — perguntou Liam horrorizado e eu neguei.

— Não… Quer dizer, não literalmente — puxei e soltei o ar tentando arranjar palavras coerentes para aquela conversa. Relutante, voltei a me sentar no chão para contar a historia toda.

Eles fizeram o mesmo formando uma rodinha.

— Minha mãe vivia com ele desde que se casaram — comecei com a voz baixa — Enquanto minha mãe morria, ela me contou como isso tudo começou — Engoli em seco — Ela me disse que Edgar não era desse jeito e que eles se amavam muito quando se casaram, mas ai ele perdeu o emprego e começou a beber por desgosto — Tremi — Minha mãe estava gravida de Michelle na época o que só piorou as coisas.

— Por que? — perguntou Liam, sua voz não era dura, e sim suave como veludo. Ela me aqueceu e me encorajou a continuar a falar.

— Porque eles não estavam conseguindo dinheiro o suficiente para nos sustentar, e Edgar gastava os últimos centavos para comprar bebida — rosnei de raiva — Nesse tempo eu não sabia que minha mãe estava gravida, e mesmo assim ela sempre deixava eu comer o que tinha de melhor dentro de casa — pisquei, relembrando das várias vezes em que Marissa empurrava seu prato para mim, com aquele lindo e brilhante sorriso.

Como tudo meu amor. Assim ficará linda e forte. A voz dela ainda ecoava em minha mente durante as noites terríveis.

— Apesar da dificuldade, o que mais me assustava todos os dias era quando a noite chegava — Apertei os olhos fechados — Ele chegava bêbedo, fora de si… Às vezes tentado me pegar, mas minha mãe nunca deixava — Toquei o braço com o nome dela procurando força, amparo — Ela sempre se colocou na frente quando ele estava daquele jeito, e isso causava o pior para ela — Assim que percebi que estava começando a ceder, tentei me fechar, chacoalhei a cabeça e pisquei muito até ter os olhos ardendo por libertação. Mas não iria ceder! Chorar era para os covardes.

— Houve um tempo que minha mãe foi obrigada a me deixar com ele, e eu acabei por pensar que ela tinha ido embora e me deixado para trás, pois ela passou meses sem voltar — ri sem humor nenhum— Mas ela voltou e parecia cansada, doente, eu tinha acabado de completar seis anos quando aconteceu isso… Ela chorou tanto ao me ver machucada — A vontade que me deu de soltar um soluço e chorar foi dolorosa e torturadora. Mas o que iria adiantar? Estava tudo acabado e no passado mesmo — Os dias se passaram e minha mãe não melhorava, e as surras que ela levava por mim não estavam ajudando em sua saúde — Puxei o ar — Então chegou um dia que minha mãe apareceu em casa desesperada, chorando e dizendo que íamos embora pra sempre, que íamos ser felizes longe de Edgar — O tremor percorreu meu corpo e alma balançando com tudo — Mas ele chegou primeiro — Abracei minhas pernas perdendo o foco do meu olhar, recordando daquela cena.

— Ela me mandou ficar de baixo da cama, mandou eu ficar quieta e disse que me protegeria. Eu obedeci e corri para o quarto, tentei tampar os ouvidos para não ouvir a discussão deles, mas foi em vão, porque Edgar foi até o quarto atrás de mim. Quando ele não me achou gritou com minha mãe, mas ela não falou onde eu estava. Com raiva, ele à jogou no chão. — Apertei os lábios e cravei as unhas nas mãos.

— Ele bateu nela com o cinto dele tão forte, e eu só fiquei olhando, não fiz NADA para impedir — senti a dor das minhas unhas se formarem feridas — Quando ele saiu para me procura eu fui até ela e chorei em seu peito, pedi que fossemos embora como ela disse… Mas ela não conseguia nem se mover direito, então acabamos ficando. Edgar não encostou mais nela a partir daí, porque ela não conseguia nem sequer bater boca com ele, estava doente… Estava morrendo — Finalmente olhei para eles naquela mesma postura fria, fiquei surpresa ao ver as lágrimas nos rostos de todos, até nos dos meninos. Aquilo me tocou profundamente.

Sentia-me grata por tê-los como amigos e que eles se importassem comigo, mas demonstrar fraqueza não era uma opção, muito menos na frente deles.

— Ela morreu depois de duas semanas, mas não antes de me contar sobre Michelle, não antes de me pedir desculpa por não conseguir me deixar segura junto da minha irmã. Ela morreu segurando na minha mão, deitada na minha cama — De repente, fiquei ciente que minhas mãos estavam grudentas e escorregadias, desviei o olhar deles e passei para minhas mãos.

— Por Deus! — Liam praguejou olhando para elas. As encarei vendo o sangue jorrar das ferias que minhas unhas tinham feito.

— Oh Jesus! Jodie, deixei eu te ajudar — Eloise, Liam e os outros se aproximaram, mas eu recuei.

— Não. — falei.

— Mas Jodie, suas mãos! — Olhei de Liam para minhas mãos, reagindo dura e sem emoção a todo o momento. Passei a manga da jaqueta nos olhos, que senti estavam horrivelmente borrados por, de repente, estar suando muito.

Olhei para ele já não controlando as estribeiras.

— Vocês não entendem? — mostrei as mãos — Isso é o que me faz parar de sentir dor, isso me faz ficar em pé.

— Não é certo se cortar para querer acabar com uma dor, Jodie! — Esbravejou Liam esfregando as palmas das mãos em seus cabelos.

— Isso vai te prejudicar ainda mais — acrescentou Jonah.

— Entendemos o que você passa Jodie, não sabe como queremos te ajudar a se livrar dele — falou Eloise em lágrimas — Mas como vamos ajudar se você só se afasta?

Fiz careta, balançando a cabeça.

— Me afasto porque é preciso. E nenhum de vocês tem que se meter, sempre deixei isso claro.

— Ninguém merece uma vida igual a sua Jodie — Liam falou amentado sua voz e atiçando meu sangue, que já estava esquentando e ameaçando transbordar — Olha pra você, isso é deprimente. É um crime! Seu pai é um criminoso e precisa pagar pelo que faz!

— Acha que eu não quero isso? — aumentei minha voz também — Anos Liam, há anos eu vivo com ele e nunca consegui me livrar.

— Então deixa a gente te ajudar -— pediu Stefany de forma chorosa.

— Você não está mais sozinha — disse Jimmy, mas isso me fez recuar mais e dar passos para trás.

Eu não podia fazer isso, eles estavam entrando na minha vida, isso não podia acontecer.

— Não podem… Não podem — murmurei, esquecendo das mãos ensanguentadas e as passando pelo rosto.

— Podemos sim, é só você deixar — Liam tentou me tocar, mas eu desviei — Jodie, por favor.

— NÃO! — Berrei, atraindo os olhos das pessoas que passeavam pelas ruas — Se permitir isso, tudo vai acontecer de novo… Vou perder mais pessoas importantes — Olhei em volta vendo as pessoas horrorizadas me olhando toda cheia de sangue. Olhei para mim mesma e me entreguei de vez ao descontrole.

Tentei me limpar, mas só consegui me sujar, meus amigos tentaram me ajudar só que eu já não conseguia deixar ninguém me tocar, os olhares dos desconhecidos me deixaram apavorada, então me virei e comecei a correr para qualquer lugar longe dali.

~*~

Notas finais
Esse foi um dos cap mais curtos que já fiz, mas pelo menos saiu um alguma coisa. Curtam, comentem, e esperem a continuação segunda. O negocio vai ficar quente. Muuuuito quente.