Believe In Me
17 Capitulo 17 — Ares Limpos
Notas iniciais
O dia seguinte começou uma merda como sempre. Eu me levantei e preparei tudo para que Edgar não tivesse chance de brigar comigo, em seguida comi meu pão seco e me preparei para ir ao maldito colégio. Pelo caminho, meu celular tocou, mas ao ver o nome de Jack na tela eu me recusei a atender, não que tivesse surgido de algum efeito, pois ao chegar na fachada do colégio, o infeliz esta me esperando escorado em uma das varias mesas do jardim.
Bufei, passando direto por ele, mas não adiantou porque ele me alcançou e segurou-me pelo braço.
— Jodie. Pera ai, você não pode ficar me ignorando — protestou. Encarei cheia de raiva sua mão.
— Eu posso e vou! E espero que pare de dizer o que devo ou não fazer. Isso está me irritando — puxei meu braço de volta, pronta para ir embora, mas ele se colocou na minha frente, Soltei um palavrão bem feio olhando firmemente seu rosto, que estava só trapos para constar. Tinha um olho roxo, um hematoma na mandíbula e nariz arrebentado.
— Sai!
—Jodie, me desculpa! Eu não queria que aquilo acontecesse — garantiu. Virei os olhos e o mirei nervosa.
— Você o provocou! E que papo é esse de mandá-lo se afastar de mim? E aquela historia de nada mais que diversão? Por acaso esqueceu-se de suas próprias palavras sr. Bom-de-Briga? — Tentei dar meia volta nele, mas realmente não funcionou, me preparei para socá-lo, mas hesitei ao ver o tanto de machucado em seu rosto.
— Desculpa. Eu não pensei no que estava fazendo, apenas fiquei com raiva por ele ter te beijado depois de ter feito o mesmo com Stefany. Além do mais, eu tinha acabado de dizer para ele sobre você e eu e ai do nada, ele solta essa bomba… Eu não aguentei ficar quieto — Seus ombros cederam um pouco, mas logo ele voltou a sua posição dura, e por um instante, eu me permitir ver o lado dele.
Okay. Ele tinha todo direito de querer socar a cara de Liam, pois além de ter pegado a mina que ele estava afim, ele também beijou a que ele estava Ficando, isso com certeza deixaria qualquer um com uma puta raiva, mas merda, mandar em mim era de mais. Eu não podia deixar que isso acontecesse.
Apontei para ele.
— A parte na qual você ficou com raiva dele eu entendo, mas esqueça a parte de que pode decidir com quem eu ando. Não somos nada, Jack. Entendeu? Nada — Ele, timidamente, assentiu, abaixando a cabeça em seguida como se estivesse o matando. Eu odiava aquela expressão, pois me fazia sentir estranhamente compreensível.
Suspirei, e querendo acabar com aquilo, soquei seu braço de leve.
— Vamos esquecer isso — falei. Ele me olhou sorrindo, se aproximou e, segurando meu queixo com o polegar e o dedo indicador, me deu um selinho. Foi bom, mas me afastei rápido para socá-lo no braço de novo, dessa vez forte.
— Hey!
— Não me beija em publico! — ralhei, olhando em volta para ver se alguém notou. Quando tive a certeza de que estava limpo, me voltei para ele — Se meu pai descobrir através de outra pessoa sobre nós, irá me queimar viva. — Ele entendeu, e olhou para os lados, preocupado, depois disse.
— Desculpe.
— Esqueça. Tenho aula agora, mas antes, me diga… Se entendeu com o novato? — Ele fez uma careta, e então virou os olhos Respirei fundo. — Precisa falar com ele.
— Ele gosta de você Jodie! Não posso simplesmente chegar nele e perdoá-lo — Meu Deus, esse cara é mesmo burro.
Resmungando para mim mesma, me aproximei dele e disse.
— Jack, será que da para você pensar um pouco. Por mais que eu odeie essa ideia do novato na minha cola; será que você não percebe que é a chance perfeita para chegar na Stefany? — Ele abriu a boca para protestar, mas então franziu a testa notando óbvio, e esse era: Liam não gostava da garota dele.
Dei o tempo para ele raciocinar, e tentei fazer o mesmo até entender uma coisa, que com isso tudo acontecendo, só percebi agora.
— Você gosta dela, e mesmo que ela tenha o beijado, pode ter sido apenas pelo jogo ou por quê Liam não deu chance para a coitada opinar. Você viu assim como eu, que ele hesitou ao pegar o papel com o nome dela — Ele franziu a testa mais ainda, em seguida chacoalhou a cabeça, obviamente para entender tudo que estava se encaixando.
Encarou-me.
— Stefany não gosta de mim — foi o que falou, e a vontade de bater nele voltou, mas me segurei de novo.
— Então faça ela gostar, caramba. Não viu o que Jimmy fez com Harlow? A garota vive o insultando, mas depois que ganhou o beijo não falou nem mais uma palavra, e aposto que ainda evita olhar o loirinho nos olhos.— Jack riu balançando a cabeça afirmativamente, concordando — Está vendo, isso não é impossível. Se o Jimmy conseguiu, você consegue, mas não demora, ou vai acabar sendo tarde — dei uns tapinhas em seu ombro e me preparei para entrar, mas ele segurou minha mão.
— Quer mesmo que eu faça isso? — perguntou — Nós estamos ficando afinal, e…
— Não é minha decisão, Jack. E como já disse mais de uma vez, sim, estamos ficando, nada mais. Ponha isso na sua cabeça e vai agarrar a garota que realmente gosta — Ele sorriu amplamente, e para minha surpresa, me puxou e envolveu meu corpo com os braços, me abraçando forte.
— Obrigada. Você é a melhor amiga, Jodie — Ele beijou minha testa, e antes que pudesse dizer mais alguma coisa, ele saiu correndo, com certeza para a casa de Stefany. Virei os olhos mais uma vez.
— Garotos são tão complicados — resmunguei, e parti para dentro do colégio.
Entrar para a sala de aula foi quase uma tortura, pois não queria mesmo dar de cara com o novato, porém, me preocupei atoa, porque ao entrar, seu assento estava vazio e ele não estava em nenhum lugar. De inicio pensei que chegaria atrasado, mas depois a aula acabou e ele não chegou. Foi estranho, mas não fiquei preocupada, tentei relaxar achando-me a mais idiota do mundo, ele com certeza estaria na próxima aula e iria me infernizar.
Então parti para a sala, mas ele não apareceu como pensava, e isso me deixou com a pulga atrás da orelha. Se ele não vinha com certeza iria perder a arrumação na biblioteca, bem que era uma coisa boa, mas não me impediu de ficar olhando para o relógio a cada aula terminada.
Estava tão acostumada em ter o infeliz no meu pé, que não vê-lo me deixou agitada, um pouco apreensiva. Quis trucidar a mim mesmo só pelo fato de estar desejando que o idiota aparecesse, mas mesmo assim, no momento em que deu a hora de ir embora, eu recolhi todo o material e corri para biblioteca como foi mandado pela diretora.
Ao chegar eu olhei em volta. As estantes estavam levantadas novamente, mas havia uma porção de livros empilhados em diferentes lugares e dentro de caixa, havia cinco moças os organizando em colunas com placas diferentes, indicando de qual assunto se tratavam.
Dei mais uma passo procurando o novato, mas não tive sorte.
— Srta. Jodie? — virei-me. Maryse caminhava até mim com dois livros em mãos e um óculos na ponta do nariz. — Onde está o senhor Corey? — questionou emburrada. Dei ombros.
— Pensei que já estivesse aqui. Ele faltou em todas as aulas — disse. Ela respirou fundo como se não tivesse gostado da noticia.
— Claro — disse, e virou para outro lugar — Enquanto ele não aparece você deve começar a levar todos os livros daquela pilha, para a estante no fundo — instruiu, apontando para os livros que eram muitos. Muitos mesmo.
Tentei ficar calma e não mandá-la fazer tudo sozinha, e depois e deixei minha mochila em cima de uma mesa.
— Tá certo. — falei indo começar, mas antes Maryse disse.
— E tome cuidado com meus livros… Oh, quase ia me esquecendo — Apontou para a pilha ao seu lado — Última prateleira de cima. Por tanto, use a escada — Olhei para a escada que ela se referia e fique quase sem ar. Porra. Isso seria cansativo. Que Deus me ajudasse, mas eu pressentia morte naquele recinto. E não era a minha, e sim daquela bibliotecária infeliz.
~*~
Depois de três subidas e três descidas daquela escada do demônio, com livros pesadíssimos nas mãos, minhas costas imploravam por descanso e meus braços latejavam tanto que tive de me encostar contra a estante durante bons cinco minutos. Isso não era vida. Sério. O desejo de sair correndo daquele lugar era ainda maior do que se livrar de Edgar… Bom, talvez não a esse ponto, mas ainda sim, era um desejo.
Esbravejando comigo mesma, arrastei-me até uma outra pilha de livro e peguei cinco deles. Olhei para escada e respirei fundo. Iria socar Liam por me deixar fazer essa merda sozinha.
— Idiota — com os livros em uma mão e a outra segurando os degraus, subi lentamente, sempre equilibrando os livros para que não caíssem, ao chegar ao topo, dei glória Deus e suspirei, empurrando-os para a prateleira de cima. Com as mãos vazias, preparei-me para descer, mas como sou muito burra, retarda, e muito azarada, pisei com o pé no lugar errado.
Por um momento eu pensei que o degrau da escada havia sumido, depois, quando me senti escorregando, eu notei que estava preste a ganhar um traumatismo craniano.
Gritar nem mesmo me passou pela cabeça, pois estava surpresa demais e as coisas aconteceram rápido. Uma hora estava na escada, e na outra, estava caindo até o chão e esperando uma linda queda… que nunca veio.
De olhos fechados, sondei os sons e os sentidos.
Meu corpo era envolvido pôr algo quente, duro e muito bom, minha bochecha estava apertada contra uma parede, mas essa era confortável e se mexia, um ruído estranho como “Tum-tum-tum-tum” podia ser ouvido, e por horas, eu achei aquele som o mais lindo do mundo.
— Jodie! Jodie, você enlouqueceu? — franzi a testa, movendo o rosto sobre a parede dura. Ela moveu-se e senti meu corpo se aquecer ainda mais quando fui apertada com força — Jodie, o que foi? Está bem? — O que? Espera um pouco, eu conhecia essa voz… Uhh, que som bonito. — Jodie. Olhe para mim — Meu rosto foi segurado, e só quando recebi caricias na bochecha, pude abrir os olhos. Queria ver quem me fazia sentir tão bem.
Primeiro pensamento: Liam tinha lindos olhos. Segundo: Quero beijá-lo. Terceiro: Eu estava em seu colo. Quarto e último pensamento: POR QUE PORRA EU TÔ FAZENDO NO COLO DELE?
— Liam! — bati em sua mão, a afastando para longe tentando organizar as palavras na boca — Me solte!
— Tem certeza? Você não parece bem — falou, sua testa franzida ao observar-me. Fuzilei-o, e mesmo ante a raiva, quase toquei em seu olho, que estava meio roxo pela briga de ontem.
— Eu tô bem. Me solta! — Ele pareceu relutante, mas mesmo assim afastou os braços e deixou que eu deslizasse para o lado e ficasse em pé.
— Você devia prestar atenção ao subir e descer dessa escada — Alertou ele com uma cara séria e levantando-se da cadeira na qual tinha sentado antes.
Eu virei os olhos, dando-lhe as costas para poder pegar mais livros.
— Valeu pelo aviso. Agora deixa eu fazer minha parte do trabalho. Já que você chegou tarde, acelere o passo para falar com Maryse — Senti quando ele se moveu para mais perto, então me apressei em ficar do outro lado de uma mesa.
— Já topei com ela na entrada.
— Bom para você. Agora me deixa em paz — Me preparei para pegar uma caixa cheia de livros.
Usando toda a força possível, impulsionei o corpo para cima e grunhi. Merda, aquilo pesava.
— Vai acabar se machucando — Liam murmurou, eu apenas ignorei enquanto tentava erguer a maldita coisa. Não sei quantos minutos passaram, mas talvez tenha sido o bastante para me deixar suada e ofegante enquanto arrastava a caixa até a estante. No momento em que estava quase chegando, a coisa de repente não estava mais no chão, e sim sendo levantada por…
— Hey!
— Poderia pedir ajuda — Liam resmungou, e largou a caixa ao pé da escada como se nem mesmo tivesse centenas de livros enormes lá dentro e pesasse uma tonelada.
Cruzei os braços, extremamente nervosa.
— Eu não preciso da sua ajuda.
— Pois não é o que parece — Estreitou os olhos pela biblioteca e então soltou um suspiro cansado — Escuta Jodie… Isso aqui era para ser um castigo para os dois. — Joguei um olhar assassino em sua direção.
— Ótimo. Ainda bem que notou. Agora me diga — Acenei com a mão para ele — Por que mesmo eu fui envolvida? Ah não, espera, eu respondo: Foi por sua causa! — Tentei tirá-lo do caminho, mas não foi bem possível. — Erg! Liam!
— Está sendo imatura. Não pode fugir de mim sempre — Como é?
— Imatura! Acha que estou sendo imatura? — Minha voz aumentou uma polegada — Falou o cara que socou o próprio amigo por ciuminho bobo — nervosismo apareceu em seus olhos sem nem mesmo fazer força, mas não me intimidei. Encarei de volta com a mesma fúria que sentia.
— Aquilo não foi ciúme. Foi para deixar as coisas claras para Jackson de uma vez por todas — Dei um passo em sua direção com um sorriso sarcástico.
— Oh, sim, uma lição… E qual seria essa “senhor-professor”? — Eu não contava que meu sarcasmo fosse enfurecê-lo ainda mais, e vê-lo andar em minha direção como andou naquele instante, batendo os pés potentes contra o chão, fez-me ter juízo na cabeça. O cara era vencedor de Muay thai. Qual era meu problema? Iria morrer se arrumasse briga com ele, porém, jamais poderia deixá-lo pensar que sabia disso, ou passaria por fraca aos seus olhos.
— Fala ai professor — provoquei ainda mais — Qual a grande lição queria ensinar com seus punhos de aço para o Jack?
— Que você já me pertence — Okayyyy. Eu confesso que ouvir toda aquela possessão fez meu corpinho virar gelatina, contudo, não demonstrei e mirei-o quase sem palavras. Quase.
— Uau. Você está mesmo encanado nisso — tentei ser indiferente, e por um minuto pensei que ele fosse rosnar para mim por causa de minha falta de carinho.
— Você não pode negar que gosta de mim — disse em meia voz. Ergui uma sobrancelha desafiadora.
— Ainda não aprendeu a não me desafiar? Aliás, isso nem se trata de um desafio, considerando que eu não gosto de ninguém — dei-lhe as costas e caminhei até a caixa de livros. Sentei no chão para separá-los.
Liam me seguiu carrancudo e ajoelhou-se no chão comigo.
— Por que você faz isso Jodie? Por que está fugindo de mim? — Ignorei-o, sempre olhando as capas dos livros e os empilhando no chão para depois levar até as prateleiras. Liam suspirou cansadamente, e pareceu ter desistido de me infernizar, pois começou a separar os livros também.
Foi nesse tempo de silêncio, que eu me lembrei da noite em que conversamos por celular, quando ele disse que estava gostando de uma garota com minha personalidade.
Travei no mesmo lugar, arregalando os olhos ao compreender.
— Filho da puta — praguejei, encostando as costas na estante e levando a cabeça até os joelhos. Agora entendi o porquê daquela estupida mensagem estranha.
— Jodie? — o fuzilei com os olhos.
— Sério? “Tentativa 1: Concluída com sucesso”? — Assisti quando ele compreendeu minhas palavras e fiquei com mais raiva, pois o descarado abriu aquele sorriso cheio de dentes perfeitos e, levemente, mordeu o lábio como um menino arteiro que havia sido pego fazendo arte.
— Pensei que nunca fosse perceber — murmurou. Não aguentei, lhe atirei um livro quase na cara — Jodie!
— Idiota! Pediu concelhos para mim… para que pudesse me driblar! — Erg. Eu queria matá-lo. E pior que o infeliz estava rindo.
— Por favor Jodie, era uma coisa inteligente. Precisava de ajuda, e quem melhor para fazer isso que a própria garota que está me atormentando? — falou esbanjando lindeza. Engoli a raiva, fechando a mão em punho para me impedir de saltar sobre esse infeliz.
— Isso foi golpe baixo.
— Não. Foi um plano bem sucedido — minha pele arrepiou quando ele mandou-me um olhar malicioso — Lembra o que sua mãe sempre dizia? “Irritação sempre acaba sendo outra coisa” — Ele balançou a sobrancelhas sugestivamente. A fúria foi além do limite agora, e tive que fazer muito esforço para não gritar.
— Não jogue as palavras dela contra mim… E essa frase não tem nada haver comigo!
— Está brava comigo Jodie?
— Mas é claro que sim! — Ele sorriu amplamente.
— E está brava por que eu te irrito o tempo todo? — Fiquei sem ar, olhando a expressão de vitória em seu rosto como uma luta perdida para mim. Respirei fundo lentamente.
— Não me provoque novato — mandei. Liam se arrastou para mais perto.
— Por que não?
— Porque se não, você irá ficar sem suas bolas — rangi os dentes, mas Liam somente gargalhou, e me odiei por gostar de ouvir o som de sua risada.
— Ah Jodie, você sempre me surpreende — E eu com certeza não sábia como ele gostava disso. Minhas opções para fazer com que ele ficasse zangado estavam se esgotando.
— Qual seu problema comigo Liam? Ninguém aqui quer saber de fazer amizade comigo, como é que de repente você começa a gostar de mim? Não faz sentindo! Então por favor, esquece esse assunto e faz as pazes com Jack
— Isso não foi de repente, Jodie — seu tom suavizou enquanto falava — Eu te conheci, e mesmo se não tivesse, eu teria tentado. Desde que cheguei nesse colégio eu te olho... A minha curiosidade sobre você começou a se tornar mais, muito mais. Você me impressionou tanto ao me enfrentar ante os olhos de todos desse colégio… Tudo em você me atrai de uma forma anormal — Um brilho incomum cintilou nas íris azuis acinzentadas de Liam, e a forma que ele me olhava fez meu coração bater em um ritmo bizarro, todo meu corpo respondeu a ele como se dissesse que também o queria, mas isso era inaceitável, e não somente por não querer chegar perto de uma pessoa com tamanha intimidade, mas também porque nunca, jamais, poderia colocá-lo em perigo, e era exatamente assim que ele ficaria se meu pai descobrisse que já rolou sequer um beijo entre mim e qualquer outro menino. Jack também estaria na corda bamba, e não estava disposta a deixá-lo tocar um dedo em Liam ou qualquer um de seus amigos.
— Liam, não — chacoalhou a cabeça — Isso é loucura. Não pode gostar de mim, okay? Precisa dar um jeito de esquecer seja lá o que está sentindo — assim como farei também.
Suspirei, e enfrentei seus olhos cheios de tristeza, apertei os dedos que coçavam por tocar aquele belo rosto.
— Olha, eu e Jack não temos mais nada — falei, e tive que rir ao ver o sorriso dele voltar.— Apague esse sorriso novato, não é só porque eu e Jack não ficamos mais, que quer dizer que estou te dando uma chance.
— Mas é um começo — falou obviamente satisfeito — Agora só preciso lutar com você mesma para fazê-la entender que também gosta de mim. — Bufei esfregando o rosto.
— Liam, pelo amor de Deus, você não está me escutando!
— Jodie, olha para mim — Virei o rosto para ele. Sua expressão era dura, séria e completamente cheia de autoconfiança. Entendi tudo antes que ele mesmo dissesse. Ele não iria desistir!
Fechei os olhos cansada, mas senti uma mão segurar meu queixo fazendo com que meu rosto continuasse erguido. Os olhos dele prenderam os meus.
— Não tente se esconder de mim Jodie — pediu, e naquele momento eu estava muito exausta para brigar ou ser grosseira.
— Isso não irá funcionar — alertei sem me afastar — Não cometerei o erro de deixá-lo entrar em minha vida. — O polegar dele se arrastou, começando uma leve caricia em minha bochecha.
— E por que? Do que você tem medo? — Edgar.
Estremeci.
— Apenas não causarei sofrimento ao meu coração — pensei em Marissa, minha mãe que tentara de tudo para me salvar de Edgar.
Não. Deixar Liam fazer o mesmo nunca seria uma opção
— Eu não vou desabar por sua causa e não perderei nada por causa de uma quedinha boba… Eu aprendi da maneira difícil a nunca me deixar chegar até esse ponto — As palavras tinham sido ditas na intenção de magoá-lo, pois só assim ele iria se afastar, mas aconteceu o contrário, o cara ficou ali que nem um idiota, olhos abertos com... Esperança?
Ele não tinha ouvido nada do que eu disse?
— Você tem uma quedinha por mim? — Oh! Droga!
Sentindo minhas bochechas esquentarem, abaixei meus olhos para o chão, ou pelo menos tentei, pois havia esquecido que a mão de Liam continuava me segurando. Engoli em seco ao focar naquele rosto cheio de esperança.
— Não importa — falei. Ele balançou a cabeça e segurou minhas mãos.
— Importa sim, você só precisa começar a ver de verdade — Fiz careta para sua escolha de palavras e tentei dar o máximo de mim ao dizer.
— A verdade é que eu nasci para ficar sozinha — E assim irei ser se fosse para protegê-lo. Por mais idiota que Liam fosse, não me achava forte o suficiente para suportar a perda mais uma vez.
Um toque em minha bochecha despertou-me e depois, a voz de Liam.
— Me doí ouvir você dizer isso. — Saber disso era ruim, aquilo tudo acontecendo estava se tornando ruim.
— Então pare de sentir — pela primeira vez, eu não mandei, e sim pedi, pois a fraqueza dele me deixava ainda mais fraca que o normal.
— Sabe que não posso fazer isso — murmurou, e a frustração em sua voz fez com que eu sorrisse.
— Você é estranho, parece querer procurar uma briga comigo — Ele também sorriu, e minuto depois se afastou com aquele olhar de tirar o rumo de qualquer um.
— Eu gosto de brigar com você. Não existe nada mais excitante, contudo… — hesitou, trabalhando distraidamente em separar os livros. Olhou-me em seguida e balançou a sobrancelhas em um gesto malicioso —… podemos procurar uma coisa mais excitante para fazer se quiser — Merda. Eu tentei, juro que tentei do fundo do coração, mas a gargalhada que partiu de minha boca foi escandalosa e descontrolada, tampei a boca ao ver os olhares de desgosto das pessoas ao redor.
Liam sorria ao assistir minha situação, e por isso, o soquei no braço.
— Deixa de ser idiota. Essas cantadas são horríveis — E perigosamente boas. Pensei mentalmente.
O novato esfregou o braço, mas não fazia careta de dor.
— Minhas cantadas são maravilhosas, e fico intrigado por não funcionarem com você — sua testa franziu — Por que é tão difícil Jodie?
— Talvez porque não quero nada com você — Para qualquer outro, isso seria um fora do tamanho do mundo, mas para Liam, parecia ser um desafio.
— Você vai mudar de ideia. — Garantiu convencido. Fuzilei-o sobriamente.
— Vai realmente continuar com isso? — Assentiu sorridente. Bufei — Então não reclame se ficar sem uma parte crucial do corpo depois — Ele soltou um risadinha, e disse:
— Se é assim, será que podemos pelos menos voltar ao que era antes? Eu posso perder uma perna em dois dias, poxa, não custa voltar a falar comigo normalmente — ri novamente, levantando-me com três livros na mão.
De cima, o fitei divertida.
— Bem, isso não será um sacrifício considerando que a forma normal que eu te tratava, era sair lhe xingando, batendo, e te mandando para o inferno. — O garoto continuou com aquela expressão extremamente linda na face, quis tirar aquele sorriso com eternos socos. Ou beijos. Erg! Se controle Jodie!
— Eu aguento qualquer coisa, menos ser ignorado por você — Meu sorriso cedeu um pouco, sendo pega por tamanho carinho em sua voz como se fosse um ratinho indefeso, mas depois, ciente que ele observava minhas reações, falei.
— Com uma condição. — Ele se levantou ansioso.
— Fale. — disse. Pisquei.
— Você precisa se entender com Jackson — O bom humor dele se foi rapidinho e seus estreitos ombros encolheram. Tentou desviar o olhar, mas dessa vez, eu mesmo que relutante, segurei seu queixo o obrigando a me encarar. Ele ficou surpreso por tal ato — Estou falando sério! Fale com ele, ou diga adeus para mim — Liam soltou um grunhido de extrema insatisfação.
— Mas ele gosta de você…
— Não — O interrompi soltando seu rosto — Ele não gosta de mim. Nós apenas gostávamos de ficar juntos — Liam rosnou. Soquei seu peito.
— Hey!
—Pare de rosnar como um cachorro para mim — censurei nervosa — Não tente marcar território no meu campo Liam. Não rolou com Jack, e vai ser o mesmo com você. Jackson é caído por Stefany, e isso até você sabe, então faça o mesmo que ele e procure a Helen — Os olhos de Liam rolaram impacientes.
— Helen não é nada.
— Não perguntei se era. Só quero que pare de me perseguir.
— Não vai acontecer.
— Se fode Liam.
— Quantas vezes vou ter que dizer que farei isso somente se estiver com você? —Meu estômago revirou, e de repente, enquanto fitava aquele sorriso cheio de lasciva no rosto do novato, uma parte de minha estupida mente o imaginou sem aquele jeans surrado, ou aquela camiseta apertada, imaginei descaradamente como seria, como ele mesmo disse — ir para cama com ele.
Seu corpo era de um Deus completo, cheio de músculo e tinha mãos e pernas potentes. Seria A experiência, e se tratando de mim — a virgem — poderia ser uma grande aventura para uma primeira vez, ainda mais se fosse naquela biblioteca, em cima de uma daquelas mesas.
Maryse não iria aprovar isso — pensei com um sorriso pequeno — Com certeza não ia.
Voltando a atenção para o novato, percebi que ele me encarava esperando uma reação, e como eu sabia que ele sabia como minha mente podia estar divagando, resolvi surpreende-lo com minha resposta sendo.
— Eu não faço com garotos chatos — Os olhos dele se estreitaram tanto, que achei que fosse perdê-los a qualquer hora. Depois de um tempo, ele se recuperou e sorriu de lado, se aproximando.
— Você poderia se surpreender com o “Chato” — falou, baixo o suficiente para que só eu escutasse. Dei um sorriso malicioso, tentando ao máximo, colocar confiança nas palavras falsas.
— Não acho que gostaria — Ele tentou chegar mais perto, mas eu o empurrei, e desviei, falando algo totalmente diferente do assunto — Vai falar com Jack? — Ele puxou o ar nervoso sob meu olhar desafiador.
Passou a mão pelos cabelos e desistiu.
— Vou — sorri.
— Ótimo. Agora, vamos terminar essa estante antes que Maryse venha os infernizar — Virei para fazer exatamente isso, mas ele me segurou no lugar, pedindo atenção novamente.
— Estamos bem então? — perguntou.
Eu ergui uma sobrancelha.
— Vai parar com as cantadas? — sorriu.
— Não. — sorri de volta.
— Então querido, nós nunca vamos estar bem — soltei meu braço, mas falei — Porém, vou dar uma trégua e bater em você somente quando falar besteira. Vamos arrumar — E assim nós começamos, e Liam riu por uns minutos antes de me seguir e ajudar.
~*~
Eu estava quebradona quando acabamos — uma parte — do trabalho na biblioteca. Meus ombros pulsavam, minhas pernas não queriam ficar firmes e meus braços pareciam estar querendo sair do meu corpo na esperança de um pouco de descanso. Maryse realmente não maneirou conosco, e o que me deixava com mais raiva, era ver que Liam nem mesmo fazia uma careta.
Porra! Nós carregamos mais de seis caixas, subimos escadas e amontoamos livros enquanto tirava pó, mas mesmo assim o garoto tinha uma expressão de tranquilidade eterna. Quis quebrar a cara daquele idiota por suportar as coisas mais do que eu. Tá certo que ele é lutador e pá. Mas ele não poderia parecer menos… gostoso?
Ele estava suado no entanto, isso o fazia malditamente sexy. Arrancar meus olhos era uma ótima ideia naquela hora, porque aquele ainda era Liam. Mas ter a opção de não poder olhar aqueles braços cheios de músculos pulando da camisa, me deixava com vontade de chorar. Por mais loucura que fosse, eu sabia quando algo, ou alguém, era bonito, e se sabia disso, com certeza consigo admitir quando um homem — garoto no caso — tinha uma linda bunda, olhos extremamente brilhantes, e mãos tão grandes que podiam erguer-me sem nenhum sacrifício.
Eu estava agindo fodidamente estranha.
— Não posso acreditar que não esta nem um pouco dolorido — resmunguei insatisfeita e mexendo o pescoço de um lado para outro. Um estalo me fez estremecer.
Liam sorriu, empurrando as portas para que pudéssemos passar e ir até a saída.
— Estou acostumado a esforços como este — falou, suas mãos enfiadas nos bolsos da calça e mochila nas costas — Treino por três horas na academia com Michael, e ainda corro o quarteirão por uma hora — Estremeci novamente, mas dessa vez por pensar em como me sentiria quebrada por fazer isso tudo.
Franzi a testa em seguida e o olhei confusa.
— Mas e o negocio de estresse de seu irmão? — indaguei — Você não disse que ele passava mal por lutar? — O novato assentiu, continuando a andar ao meu lado lentamente.
— Eu disse lutar! Isso é completamente diferente de se exercitar — Apontou, e acrescentou — Mick toma remédio, e isso ajuda em sua pressão para quando vai fazer esforço físico. E ao contrário de mim, ele treina por apenas duas horas, seu corpo não aguenta tanto esforço. Antigamente meu pai se juntava a nós na academia, mas parou agora que o trabalho de advogado está rendendo. Ele precisa do tempo livre dele para estudar os casos de seus clientes — Liam soltou um suspiro, que para mim, pareceu de lamentação — Em breve eu sei que Michael vai fazer o mesmo, então tento aproveitar o tempo que me resta para estar com ele dessa forma — O modo triste que ele ficou me incomodou. Agora saber por que raios eu me sentia assim eu não sabia, mas mesmo assim, não queria saber de Liam daquela forma. Eu tinha que ser a única a maltratá-lo!
— Ora, isso não vai impedir seu irmão de estar em suas lutas — falei, querendo estranhamente confortá-lo — Pense que se você treinar sozinho, tudo será recompensado depois ao ver seu pai e irmão lhe assistindo quando ganhar mais um troféu. — Não consegui virar para encará-lo, então continuei andando enquanto sentia seu olhar sobre mim.
— Essa é a primeira vez que tenta me confortar — constatou ele. Não sei se foi aquela ponta de empolgação que escutei em sua voz que me fez girar para seu rosto, mas com certeza fique quase sem fôlego.
Os olhos dele brilhavam, o sorriso entusiasmado o deixava ainda mais atraente. Era como se ele tivesse acabado de conseguir o maior tesouro do planeta.
Sacudi a cabeça e então prendi a risada. Não podia acreditar que aquele garoto estava mesmo gostando de mim. Como ele se quer me aguentava?
— Se provocar, eu retiro minhas palavras — Ameacei. Ele sorriu ainda mais, voltando-se para frente.
— Certo. Ficarei quieto. Mas obrigado, você deve ter razão — falou. Eu assenti satisfeita.
— Claro que tenho.
— Autoestima é muito ruim sabia? — disse ele, mas sorriu divertido. Dei de ombros puxando a alça da mochila e passando para fora do colégio.
— Não me importo — retruquei. Ele estava prestes a falar mais alguma coisa, quando uma insistente buzina veio do outro lado da rua. Fazendo careta, virei e porra… O que ele estava fazendo aqui? — Me fodi — Isso era a única resposta para ter Edgar esperando dentro de sua lata velha do outro lado da rua. Ele nunca vinha me buscar.
Senti o corpo de Liam se colar ao meu logo atrás. Mas antes que pudesse aproveitar o calor dele, eu me afastei, com medo que Edgar pensasse merda.
— Tenho que ir. Isso não pode ser coisa boa — Liam continuava olhando o velho carro, fuzilando com as mãos cerradas.
— Ele vai te machucar?
— Eu não sei. É uma surpresa ele vir me pegar — confessei. Suspirei em seguida — Tenho que ir.
— Me ligue mais tarde — O tom duro indicou que era uma ordem, não gostei, mas também não tinha tempo para discussão.
Buzina.
— Okay. Okay. E você fale com Jack — Não dei chance para ele recusar, sai correndo para ir até o meu pesadelo enquanto ele assistia. Entrei no carro, e fiz careta para Edgar — O que está fazendo aqui?
— Achou que iria permitir você mostrar nossa casa para esse garoto? — resmungou ele. Vire os olhos.
— Não ia fazer isso — pois se fizesse Liam o mataria enquanto estivesse dormindo — Vim me buscar era desnecessário.
— Eu descido o que é e não é necessário — falou, ligando o motor. — Agora conte-me tudo que aconteceu enquanto estava com ele — Mais uma vez, o olhei emburrada.
— Por que?
— Diga de uma vez! Odeio quando tenta ser impertinente — E eu quando você vira um louco psicótico!
— Não teve nada de interessante. — Balançou a cabeça.
— Não importa. Conte tudo! E fique avisada que irei buscá-la todos os dias agora. Quero o relato de seu dia inteiro — O que? Mas que porcaria era essa? Esse homem tava com titica na cabeça só pode.
— Está sendo exagerado.
— Já falei para falar! —Socou o volante com violência, eu pulei pelo susto inesperado, mas me pus reta novamente rapidamente.
— Tudo bem, nós fizemos… — E comecei a contar, mentiras e verdades, distorcidas para ele não perceber. No final ele me encarou, e apenas disse um “ótimo” e então partimos para casa.
Ai tem!
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