Believe In Me
15 Capitulo 15 — De volta para o inferno
Notas iniciais
Não tem jeito. Nunca vou gostar de ir para o colégio, pois ir ao colégio queria dizer acordar cedo, e acordar cedo quer dizer ver aqueles energúmenos com quem compartilho a sala. Edgar realmente gosta de me torturar. Está sol, estou dentro de uma roupa preta de frio, e para completar essa merda, estou com fome e de mal humor.
Acho que se algum idiota topar comigo hoje será para levar um murro.
Caminhar atrasada não era bem uma novidade, contudo, havia algo estranho comigo que fazia meu estômago dar voltas, e com certeza não era a maldita fome que estava sentindo. Tentei ignorar tal incomodo e procurei pela sala de geometria, desanimada, e ajeitando o coque forte que tinha feito no topo da cabeça. Ao para na porta, dei uma olhada no espelho do celular e passei meu querido batom preto, para em seguida escurecer meus olhos, tentando ao máximo não borrar, porque mesmo odiando maquiagem, ela ajudava-me ficar mais “Assustadora” aos olhos dos outros.
Pronta, enfiei o celular na mochila e bati na porta duas vezes brutalmente.
Esperei e dois segundos depois a cara emburrada da chata professora Erin.
— Ora veja só. Resolveu voltar senhorita? — perguntou ela mostrando aquele macabro sorriso.
Virei os olhos.
— Pode apostar que não foi porque quis. Mas e ai, posso entrar? — disse indiferente. O sorriso dela fechou e seus olhos foram para o relógio.
— Está meio atrasada não?
— Serio? Não diga, nem percebi — Zombei e a mulher fechou ainda mais a cara.
— Mais modos mocinha — Ai que vontade de socar a fuça dessa velha. Por acaso tenho cara de mocinha ou senhorita? — Vou deixar você entrar porque não sou chata — Não entendi essa, mas legal — Faça silêncio. Seus colegas estão fazendo o dever.
— Que seja — Resmunguei, e sem pedir licença, passei por ela para dentro da sala assustadoramente silenciosa. Olhei em volta com a sobrancelha erguida quando todos levantaram os rostos para me encarar.
Nenhum pareceu feliz com minha volta, ou quase.
Quando olhei na direção da minha mesa, em frente a ela estava Liam, que parecia ter os olhos brilhando e um sorriso discreto no cantinho dos lábios. Olhava fixamente para mim, o que me deu arrepios e me fez perceber que o mal incomodo que sentia desde cedo era por causa dele.
Uma merda maior ainda, mas tentei ignorar usando o fato de que minha mesa estava ocupada. Meu lugarzinho estava sustentando a bunda nojenta da Helen Forbes. Por que ela estava ali? E por que ela ainda não desistiu de perseguir o Liam? Aquele beijo dado na Stefany não foi tapa na cara o suficiente?
Com certeza posso estragar a felicidade dela.
— Vaza dai projeto de perua. — falei jogando minha mochila na mesa em frente ao ela.
Helen arregalou os olhos para mim enquanto todos viravam para assistir.
— Mas eu estou sentada aqui agora — Ela falou, e mesmo que sua voz não tivesse falhado, ela com certeza estava tremendo.
— Não perguntei se está sentada, só mandei cair fora do meu lugar — A olhando bem fundo nos olhos. Liam virou para trás e, não sei se era para me ajudar ou ajudar Helen a não apanhar, mas disse.
— Vá logo Helen. Não precisa de tudo isso.
— Mas…
— Já chega meninas. Srta. Forbes, volte para seu assento aqui na frente, por favor — A professora falou, e eu dei um sorriso cético para Helen ao apontar para frente.
— Saí. Agora! — disse novamente, e dessa vez, ela se levantou bufando e pegou seus materiais para voltar a sua carteira na frente. Mas como se ela soubesse que me irritava, a infeliz se inclinou sobre Liam e lhe deu um beijo na bochecha.
— Bye, bye gatinho — disse ela manhosamente, o que quase me deu náuseas. Liam deu um sorriso sem graça e voltou a fazer sua lição como se nada tivesse acontecido, enquanto eu abria minha mochila e retirava os cadernos pichados em que fazia a lição. Às vezes.
Sem nada para fazer, e com raiva por ter esquecido meu caderno de desenho, coloquei os fones de ouvido e comecei aquela lição dos infernos. Resolvi todas as questões sem dizer um A. Não posso negar que vez ou outra olhava para cima, na direção dos fios revoltos de Liam, mas desviava assim que notava meus pensamentos indo para outros caminhos.
Ele não havia virado para falar comigo ou sequer para encher meu saco. Também não reclamei durante a aula inteira, e foi assim também a aula de Química e Biologia, e a de física, pois era a única que não tinha com ele na quinta-feira. Não entendia o porquê de ele estar me ignorando depois de me ligar e de me sorrir ao me ver entrar na sala, mas não seria eu a correr atrás. O intervalo eu passei sozinha e tive de comer aquela nojeira da merenda que davam, pois minha barriga não queria colaborar.
Quando finalmente a quinta aula chegou, eu já estava no caminho da biblioteca, pois como sabem, eu ODEIO Ed. física.
O lugar estava quieto como sempre, a moça que arrumava os livros não estava em sua habitual mesa, o que só me deixou mais animada, pois assim poderia ficar sozinha e tranquila. Entrei e peguei um livro qualquer só para me distrair, joguei a bolsa na mesa e sentei na cadeira. Era bom quando conseguia ficar sozinha, podia pensar e abrir mais a mente para tudo que estava vivendo, e no momento, tudo que me vinha na cabeça era Jack e essa ideia maluca de “Ficar”.
Ainda não acreditava que tinha mesmo concordado com tal absurdo.
— Você é uma idiota — murmurei pronta para abrir o livro e começar a ler, mas lembram daquela frase? “Tudo que é bom dura pouco”. Então, é a mais pura verdade.
— Tão nova e falando sozinha — Eu só não cai da cadeira, porque meus pés fizeram o bom trabalho de pular antes que essa, despencasse.
Grunhindo, virei-me para Liam.
— Droga garoto. Se me assustar assim novamente nunca mais irá abrir os olhos — gritei respirando forte. Liam sorriu olhando em volta, e só então me lembrei de onde estava e fiz o mesmo tentando ver se a bibliotecária tinha ouvido.
Ainda estava quieto. Tudo limpo.
— Sempre bruta — disse colocando a mochila na mesa.
— E você sempre um idiota. O que quer aqui? Já cansou de me ignorar? — Dei-lhe as costas sem esperar por uma resposta. Marchei até um dos corredores sentindo que ele me seguia.
— Não estava te ignorando — contestou ele. Eu segurei um bufar e fingi mexer nos livros.
— Com certeza não estava. Então por que não vai “ Não me ignorar” lá no inferno? — Pude ouvir ele soltar um palavrão feio. Acho que consegui finalmente o deixar irritado.
— Jodie, por favor. Pare com essa grosseria e me escuta uma só vez? — pediu, tentando manter a voz não alterada. Tentei demonstrar indiferença com isso dando de ombros, mas algo dentro de mim se contorceu ao ouvir sua bruta voz ser direcionada para mim. — Não quero te ignorar, eu quero ser seu amigo, mas… — curiosa, virei-me para olhá-lo. Ele tinha expressão confusa e seus dedos cavavam caminho entre seus cabelos com insistência.
— Mas? — incentivei o encarando. Liam fitou de volta parecendo acuado.
— Você me deixa confuso — Dessa vez eu tive de rir.
— Eu te deixo confuso? — ri novamente balançando a cabeça — Você chega no meu colégio, me chama para uma briga, diz que quer me beijar, e ainda por cima quer ser meu amigo. Depois de tudo isso você que está confuso? — Um meio sorriso apareceu em seu rosto, e a merda era que eu gostei de vê-lo.
— Sei que fiz uma bagunça na sua vida, mas você fez na minha também — disse, e estranhamente deu um passo para perto. Engoli em seco.
— Eu falei para você que eu era encrenca — retruquei ficando muito aflita por ele estar se aproximando cada vez mais.
— Eu sei, mas tem algo em você que me atrai — Arregalei os olhos, dessa vez sabendo muito bem que estava corando. Virei para prateleira não querendo que ele me olhasse.
— Não a nada de bom em mim. Pare com isso e me deixe em paz — Senti a respiração dele contra meu ombro e mordi o lábio inferior com força.
Controle-se Jodie, você não pode atacá-lo.
— Está enganada Jodie. Você tem muita coisa boa para se admirar, basta querer que eu lhe mostre — sussurrou, e quase pude sentir que sua mão estava começando a subir até meu braço. Fechei meus olhos, não acreditando que aquilo estava acontecendo comigo.
Por que esses garotos deram para se declarar para mim do nada? Por que Deus gosta de me colocar contra a parede? Ou contra a estante se for olhar de outra forma.
— Deixe-me te mostra Jodie — pediu ele, sua voz mais doce e mais perto de meu ouvido. Continuei de olhos fechados apenas sentindo seu corpo, de repente, se colar mais ao meu e sua mão tocar meu braço.
NÃO! Não posso fazer isso!
— Se afasta de mim — Ou teria um ataque cardíaco aqui, e agora.
Ele não fez o que eu pedi, só continuou, até que podia sentir seu quadril — e algo mais — bater em minha bunda. Perdi totalmente o fôlego querendo pronunciar a porra de um “Vai se foder”, mas ao invés dessas palavras saírem, outra coisa veio em seu lugar.
— Jack e eu estamos ficando — As palavras saíram tão depressa e automáticas que era como se estivesse sendo entrevistada. O tipo de entrevista na qual você ensaiou o que ia dizer mais de 100 vezes até conseguir uma expressão convincente.
A mão em meu braço recuou.
— O que? — A pergunta foi carregada com certo... Desespero?
— Jack e eu estamos ficando — E depois disso eu simplesmente não sei o que deu nele, mas do nada ele tinha me virado e prendido meu corpo contra a estante de livros, enquanto os que tinha em mãos, caiam no chão.
— O que! — Sua voz saiu agora com raiva — Está com ele? Com meu amigo!
— Eu…
— Como pôde ficar com ele quando se senti atraída por mim?! — questionou alto e claro, sem hesitar ou tirar os olhos dos meus. Não deu para impedir o rubor de minhas bochechas dessa vez. Merda.
— Ora, eu não estou atraída por você! — tentei recusar e convencer a mim mesma de que isso era verdade, mas Liam não se convenceu.
— Não negue isso a si mesma Jodie. Eu vejo nos seus olhos que gosta de mim, e vejo que se arrepia com um simples toque meu. Pare com essa maldita ideia de que pode ficar com outro, sendo que é a mim que você quer — CARALEO! Eu tô muito fodia!
Meu corpo começou a tremer tanto que em meus pensamentos, comecei a gritar muitas maldições ao meu favor. Os olhos cheios de fúria de Liam focavam em mim, e tudo que eu conseguia ver como reação, era um lindo e glorioso soco na cara, mas minha mão não se movia quando mandava.
— Liam, você está errado. Eu não…
— Cala essa maldita boca, Jodie! — rosnou ele me apontando o dedo. Eu, idiota, fiz o que ele mandou — Não vou permitir que negue o que senti por mim dessa forma, só para poder ficar com Jack — bufei realmente nervosa.
— E vai fazer o que? Pelo amor de Deus, Liam. Você está delirando!
— A merda que eu estou. Você me quer, e posso provar isso agora — Não tive tempo de reagir a qualquer palavra, pois Liam apenas se impulsionou para frente e pressionou sua boca na minha com brutalidade. A reação foi tão surpresa que não pude corresponder de imediato, mas não deu para segurar por muito tempo, pois senti aquelas enormes mãos subirem por minhas costas e uma atrevida língua deslizar para dentro de minha boca.
Estremeci, sentindo meu mundo rodar e meu corpo quase despencar, por sorte ele me segurou e usou a estante para me aperta mais. Segurou meu rosto, e com mais intensidade, aprofundou o beijo que me fez ver estrelas. A boca dele era macia e seu beijo feroz, como se necessitasse de mim há muito tempo e estivesse recolhendo o premio que já lhe pertencia, sua suavidade era deliciosa e a habilidade divina. Parecia um especialista em beijar garotas como eu, o que com certeza não era verdade, pois eu era única.
Minhas mãos agiram por conta própria e foram para cima de seus ombros largos, o que milagrosamente me fez permitir sentir, apertar cada músculo bem definido de seus braços. Ele suspirou contra mim, como se meu toque o deixasse calmo e ao mesmo tempo louco. Eu gostei da reação, mas não pude aproveitar, pois logo ele fez uma coisa parecida comigo.
Tocou a pele de minha cintura por baixo da blusa que eu usava. Foi um choque tão bom que gemi e o puxei para perto, afundando e enrolando minha língua com a dele, notando como ele tinha uma boa pegada e como seus lábios eram melhores do que os de Jack. Não queria parar de beijá-lo, não queria! Mas devia.
Apertando os olhos sobre protesto, tentei empurrá-lo, mas ao fazê-lo, suas mãos prenderam minha cintura obrigando-me ir até ele.
— Li-Liam… — tentei separa minha boca, mas isso só fez ele descer a dele para mais baixo, ou seja, para meu pescoço — Oh meu Deus! Vo-você está louco! — Me desesperei, mas suspirei, deixando que ele explorasse e beijasse o quanto quisesse.
Ele riu por minha indecisão ao acatar meu desejo.
— Oh sim… Louco para fazer mais que isso — gemeu ele e mordeu minha orelha. Encolhi-me soltando um maldito suspiro. Da onde surgiu isso?!
— Vou te bater tanto por isso — resmunguei, mas não sei se era bem verdade. Ele me mordeu novamente, mas dessa vez no pescoço.
— Bate. Apenas me excita mais — Um estranho formigamento tomou conta de uma parte não publica do meu corpo. Era uma sensação esquisita e meio… Molhada.
Mas que merda estava me acontecendo?
— Liam, para… Isso… Droga! — chiei quando ele chupou a pele de meu pescoço, e antes que me sentisse mais mole, tratei de empurrá-lo com força, porém, foi força até demais, pois ele acabou colidindo contra a estante de livros que tremeu e balançou por causa do impacto.
Arregalando os olhos, olhamos para ela com as mãos para cima, como se estivéssemos nos preparando para capturá-la caso caísse, mas era óbvio que não seriamos capaz. Nós nos afastamos quando livros caíram um por um no chão fazendo estrondo alto e forte enquanto a estante alta e estreita despencava para trás.
— Porra! — O palavrão veio da boca de Liam enquanto as mãos dele iam para o cabelo e seus olhos assistiam a trágica queda do móvel caindo e batendo em outra estante, depois outra e outra, tomando de repente o papel de uma trilha de domino despencando. Fechei os olhos fazendo careta quando a última caiu levando o restante dos livros para o chão.
Ao acabar, o lugar ficou quieto, mas não demorou muito e passo de pessoas correndo para dentro da grande sala, soou, e adivinhem; Era a diretora Sophia e a bibliotecária, e para completar a festa, havia um bando de alunos e professores fuxiqueiros atrás.
— A gente tá muito ferrado — E Liam com certeza não negou esse fato.
~*~
— Isso é culpa sua! — resmunguei enquanto passava o papel pela boca e pescoço tentando tirar o batom preto dos lugares que Liam havia deixado depois de bem… Vocês sabem — Não devia ter feito aquilo — rangi os dentes olhando através do espelho da sala da diretora.
Sophia não tinha como não estar nervosa conosco. Quando chegou na biblioteca, gritou tanto que meus ouvidos ficaram doloridos. Tivemos uma bronca daquelas sobre “Se agarrar na biblioteca é proibido” e depois a diretora mandou nós descermos para a secretaria enquanto ela olhava nossa bagunça no segundo andar. E agora eu não podia estar mais brava, pois além de a diretora saber o que estávamos fazendo, o colégio também sabia. O que queria dizer muita encrenca para cima de mim por causa de meu pai.
Bufei, olhando o garoto novamente de forma assassina, mas ele apenas ria enquanto limpava sua própria boca suja de batom.
— Por que está rindo seu babaca? Não vê o que você causou? — virei para ele nervosa, mas ele apenas se encostou-se à mesa de Sophia e jogou a bolinha de papel no lixo.
— Tinha que ter suspeitado que ao beijá-la alguma coisa muito louca ia acontecer — falou, e balançou a cabeça rindo — Nada é fácil com você.
— Com certeza não. Devia te bater agora — joguei o papel no lixo com brutalidade e peguei mais um pouco de dentro da caixinha que a coordenadora havia dado. Levantei o rosto esfregando o local machado de meu pescoço, mas assim que o batom saiu eu fiz careta para a marca de mordida e o roxão que ficou. Maldição.
Pelo espelho, notei os olhos de Liam me observar com aquele maldito sorriso malicioso. Corei, mas não dei importância.
— Já disse que me bater não vai me assustar — Ele disse me fitando. Tentei não demonstrar o quanto tremi ouvindo tais palavras.
— Você é um idiota — resmunguei.
— E você gosta.
— Vai se foder.
— Só se for comigo — Arregalei os olhos para o reflexo dele. O descarado sorria ainda mais, e para piorar, estava se divertindo — É adorável quando fica corada — Provocou ele. Abaixei o rosto, e soltando um rugido de raiva, me virei para ele pronta para lhe dar um soco, mas quando estava alcançando seu rosto, meu punho foi agarrado com força e depois meu braço estendido. Liam fez com rapidez esplendida uma chave de braço, para depois me prender contra seu corpo com minhas costas viradas para ele.
— Me solta! — grunhi ao tentar me soltar, mas o aperto no pulso me fez ofegar.
— Mas gosto tanto quando está assim — disse, e enfiou o rosto na curva de meu pescoço. Engoli em seco e cerrei os olhos tentando me controlar — Tão perto de mim — concluiu. Gemi, mas de frustração.
— Para com isso Liam. Já disse que estou ficando com Jack — Como se ele estivesse na minha cabeça agora.
— Não vou concordar com essa decisão — negou-se ele passando o braço livre em volta de minha cintura e descansando a palma aberta por minha barriga, juntando-me mais perto dele — Não quer ele. Admita Jodie.
— Não ponha palavras na minha boca, novato.
— Posso por outra coisa então — Algo molhado e quente passou por minha orelha e tive de me encolher e suspirar, soltando palavrão logo em seguida ao constatar que eu havia acabado de me derreter por uma lambida de Liam. Porcaria, eu devia estar chutando suas bolas agora mesmo!
Por que não consigo fazer isso?
— Maldito! Solte-me ou vai se arrepender — Ele soltou uma gargalhada gostosa atrás de mim e seu peito duro tremeu.
— Não se pode fazer alguma coisa com apenas um braço — zombou ele. Chacoalhei-me de novo.
— Mas que merda Liam!
— Diz que vai terminar com Jack — Aquilo não pareceu um pedido, e isso só me deixou com mais raiva. Quem ele pensa que é para me dar ordens?
— Não tente mandar eu fazer uma coisa, porque não vou fazer. Posso beijar quem eu quiser. E esse com certeza não será você de novo — Pisei em seu pé ao terminar de falar. Ele gritou e me soltou para amparar o pé dolorido.
— Droga, Jodie! — Ele mordeu o lábio, mas conseguiu ficar de pé enquanto eu corria para ficar do outro lado da mesa. Assim teria como ficar bem afastada dele — Por que está fazendo isso? Sei que gosta de mim!
— Eu não gosto de ninguém — Apontei em fúria — E você não tem direito algum de querer pedir algo para mim. Não é nada meu.
— Sou amigo e…
— Aha! — ri alto o interrompendo — Amigo? Onde estava essa amizade quando me beijou naquele maldito corredor? Amigos não se beijão!
Um sorriso brotou nos lábios dele.
— Beijo que você retribuiu — hesitei, olhando-o sem saber muito como retrucar, mas então falei.
— Eu estava distraída. Fiquei surpresa e…
— Ah, por favor — Ele murmurou jogando as mãos para o alto — Você não pode dizer que aquele beijo foi acidental porque não foi! Você o queria assim como eu. Senti seu corpo a mim, Jodie. Quer que eu prove de novo que digo a verdade?— Ele ia me agarra novamente, mas fugi antes para trás do sofá.
— Não encosta! — ordenei alto — Não quero isso e vai me deixar em paz! Já disse que estou com Jack e irei continuar com ele. Se quer diversão para esquentar sua cama, procure por Stefany ou Helen, aposto que ambas se empenhariam em lhe dar um tempo maior de prazer. — Agora ele quem estava pasmo e me olhando fixamente, parecia meio atordoado. Ele abriu a boca para falar alguma coisa, mas foi interrompido pela a porta que havia sido aberta.
Endireitamo-nos quando Sophia e a Maryse — bibliotecária — atravessaram a sala com semblantes nervosos.
— Bom — Sophia nos olhou avaliando a situação e sentou-se em sua grande cadeira de couro marrom — Vocês realmente fizeram uma bagunça — disse, e a calma em sua voz chegava ser assustadora.
— Sinto muito Dona Sophia. Não fizemos de proposito e… A Jodie não tem culpa. Eu a beijei, e quando ela me empurrou… — Sophia ergueu a mão direita para calá-lo. A diretora não era uma mulher assustadora, pelo contrário: Tinha o lindo rosto de uma mulher aos seus plenos 30 anos, um corpo que qualquer mulher deve querer, e uma cabeça cheia de fios dourados. Os olhos eram escuros e no momento demonstrava raiva. Nervosismo também combinava com a situação.
— Não quero saber o que aconteceu Sr. Corey — censurou ela e esfregou os olhos — Vocês criaram uma confusão enorme na biblioteca e iram ser punidos.
— Quanta novidade — murmurei sem paciência e cruzando os braços. Liam me deu um beliscão e mandou um olhar feio.
— O que disse menina? — A diretora se dirigiu a mim.
Liam olhou com medo para mim, e não consegui deixar de sorrir ao pensar que ele devia achar que eu falaria algum absurdo que nos fizesse ser expulsos de uma vez só.
— Nada não. Mas qual vai ser? Castigo? Vai chamar nossos pais? — perguntei mesmo já sabendo a resposta. Liam suspirou aliviado por não ter falado merda.
Sophia olhou para o lado, direcionando os olhos para Maryse.
— Vou deixar a decisão com a Maryse. Nada mais justo já que foi o lugar de trabalho dela, que vocês destruíram — falou, assinando de vez minha sentença de morte.
Maryse olhou de mim para Liam parecendo pensar no que fazer. Ela não era diferente da diretora, era tão bonita quanto, porém, tinha cabelos negros e os olhos verdes mel. Uma cor de se invejar e que fazia-lhe parecer mais nova, considerando que ela já estava na cadeia dos 40 anos de idade.
— Iram ter que arrumar todos meus livros do jeito que estavam — respondeu ela com a voz neutra — Um por um, em cada prateleira e corredor certo. Tirando pó e tomando o máximo de cuidado possível para que nenhum, repito, nenhum mesmo, saia em mal estado. E isso sobre 4 horas todos os dias da semana — Fiquei olhando aquela mulher com uma expressão de estrema raiva, corroendo por dentro e com uma louca vontade de trucidá-la.
Eu não podia ficar na mesma sala que Liam por 4 horas por dia na semana!
— Não podem me obrigar a ficar com ele — Apontei para Liam, nervosa — Não ouviram o que ele acabou de falar? Ele me beijou! Não acham que esse imbecil pode me estuprar naquela sala silenciosa e malditamente grande? Onde está a malícia dessas suas mentes? Isso é uma calunia! — dramatizei. As moças ficaram me encarando incrédulas, enquanto Liam começava a rir do meu lado.
Porra. Mas isso era sério!
Sophia então abriu um minúsculo sorriso me olhando divertidamente.
— Tenho certeza de que ele irá se comportar. Não é assim senhor Corey? — Ela olhou para o novato, e esse estava meio vermelho enquanto voltava a seu estado normal. Uma de suas sobrancelhas se ergueu e seus olhos me miraram de cima a baixo. Desviei o olhar para o chão não querendo dar chance de pensar que teria algo de mim.
Ele bufou.
— Okay. Não farei nada — prometeu ele.
Mas isso não me deixou satisfeita. Sophia olhou para Maryse.
— Algo a mais? — perguntou e eu já me frustrei.
— Mais do que isso? — Questionei inconformada, mas recuei brava quanto ao olhar da diretora. A bibliotecária falou:
— Ligarei para seus pais avisando sobre o que houve e sobre o castigo — Isso me fez estremecer e dar outro um passo para trás. Involuntariamente, toquei um ponto de meu braço e apertei, ainda sentindo a dor latente do cinto de Edgar.
Tentei pensar em algo para fazê-la mudar de idade, mas nada veio, tudo que imaginava era na noite que teria de enfrentar acordada por causa de novas feridas, pois seria exatamente assim que ficaria se meu pai descobrisse o que andei fazendo no colégio.
Um toque no meu braço me fez recuar e piscar assustada, mas relaxei ao ver que era apenas Liam. Olhei para baixo notando sua mão entrelaçar meus dedos e depois voltei ao seu rosto, notando que ele já tinha percebido o que aconteceria caso meu pai soubesse do acontecido.
Ele dirigiu-se para Maryse.
— Não conte sobre nós — pediu com uma expressão de suplica — Não conte sobre nosso beijo para o pai de Jodie. Eu o conheço e sei que é, er…— Ele hesitou, apertando minha mão — Protetor demais — Abaixei a cabeça rindo disso.
Protetor? Esse verbo é desconhecido no vocabulário de meu pai.
— O que acha que devo falar então Sr. Corey? Está me pedindo para mentir? — Maryse disse fazendo careta. Liam balançou a cabeça.
— Não. Apenas estou pedindo que omita uma parte não importante do acontecimento. Se quiser pode até mesmo falar que Jodie queria socar minha cara — Ri.
— É um pouco verdade sabe — murmurei de brincadeira só para ele, e pude ver um sorrisinho no canto de sua boca.
— Só não conte a ele, por favor — Pediu novamente, sua expressão demonstrando um pouco de medo. Medo por mim, constatei.
Maryse os encarou por minutos e depois olhou Sophia. Ela deu de ombros como se dissesse. “Faça o que achar melhor.”
— Tudo bem — falou finalmente. Percebi então que estava prendendo a respiração por todo aquele tempo, pois ao ouvir sua resposta, soltei todo o ar de uma só vez — Mas que isso não se repita. E falarei a verdade aos seus pais Liam. Os Corey além de serem seus pais também são amigos antigos. Não omitirei nada deles mesmo que peça — Um sorriso cresceu no rosto dele e ele apertou minha mão forte. Apertei esquecendo que estava nervosa com ele, como agradecimento.
— Não me importa. Conte. Apenas cuide de não falar sobre isso com o pai dela — apontou para mim — Não quero vê-la machu… De castigo — Ele se alto corrigiu a tempo, mas eu arregalei os olhos ao notar o que ele quase deixou escapar. Seus olhos se encontraram com os meus por uns minutos e depois desviram.
— Certo. Tomarei cuidado — Garantiu.
Sophia então se levantou e disse.
— Agora vão e peguem seus materiais. Voltem para a sala e esperem por seus pais. O castigo começa amanhã depois dos seus horários de aula. Não esqueçam.
— Pode deixar. Faremos isso — Liam garantiu. E sem minha permissão, puxou-me para fora da sala.
Fui arrastada por ele até fora da secretária, mas ao chegamos ao corredor, ele se virou e me abraçou. Suas mãos esfregaram minhas costas enquanto palavras eram sussurradas no meu ouvido. “Eu quase te machuquei… Me desculpe… Desculpe. Se ela não tivesse aceitado… “ Era isso que ele falava freneticamente enquanto me apertava.
Quando me afastei, o olhei sem muita expressão.
— Não tem que se culpar — falei baixo. — Nada vai acontecer.
— Nada agora. Mas sei o que ele faria se soubesse sobre nós.
— Não existe nós, Liam — O rosto dele mudou para algo horrível de se ver. Ele estava magoado, e pela primeira vez, eu quis recuperar minhas palavras de volta, mas não fiz menção de pedir desculpas, apenas me virei para ir embora.
Ele segurou meu braço na última hora.
— Então é assim? — Sua voz agora estava carregada de dureza — Vai me ignorar e voltar correndo para os braços do Jackson? — fiz careta e o mirei enraivecida.
— Eu não vou correr para braços nenhum. Eu vou embora. E sim. Vai ser assim. — tentei me soltar, mas não tive sucesso.
— Está cometendo um erro. Jack não é o homem para você e vou mostra isso — Ergui uma sobrancelha desafiadora.
— Vai mostrar o que? Que você é o certo? Por favor, Liam — ironizei, mas a seriedade dele não se foi.
— Vou fazer de tudo Jodie, mas você vai ser minha. Nem que me soque vezes e mais vezes — Isso meio que me assustou. A obsessão na voz dele e o ar convencido, me fazia ver o garoto que estava dentro daquele porta-retrato na sala de troféus de vários outros lutadores profissionais, pertencentes a sua linhagem de sangue, aquele garoto que provavelmente treinava dia e noite para ser O melhor. Ele, naquele instante, parecia tomado pelo lutador que era, e tal esse estava furioso atrás de mais um cinturão para sua coleção, e eu sabia que não ele pararia até conseguir. Seus irritantes e lindos olhos azuis denunciava todos seus planos de mão beijada.
Eu não soube o que falar, mas me recusei ficar sem dar a última palavra.
— Eu nunca pertencerei a alguém — prendi por mais um momento em seu rosto, notando como minha recusa o deixava irritado e nervoso. Sorri e me virei, contudo, não andei nem dois passos e ouvi a voz dele dizer.
— Um lutador adora um desafio — fechei minhas mãos em punho parando onde estava, e logo senti ele se aproximar de meu ouvido e sussurrou naquela voz que agora, fazia loucuras em meu estômago — Não vou desistir de você Jodie. Eu vou ter você para mim, e quando isso acontecer… Seu coração vai entender o que sinto por você, pois estará sentindo o mesmo — E dito isso, ele saiu, me deixando pasma e de boca aberta como uma incrível retardada.
~*~
Felizmente, eu consegui escapar de levar umas palmadas de Edgar. Claro que ele não gostou de saber que eu ficaria sozinha com Liam, mas estranhamente, ele permitiu que cumprisse o castigo sem protestar nada. Não que fosse normal, mas ok. Depois daquela cena lamentável, saí do colégio seguindo meu pai, de cabeça baixa e o capuz da jaqueta cobrindo a cabeça. Não sabia o que Maryse havia inventado para ele, mas ele com certeza não sabia sobre o beijo que Liam me deu, se não já estaria surtando muito.
— O que aconteceu para você bater no garoto? — Ele perguntou enquanto cruzávamos o corredor até a saída. Olhei feio para as pessoas que nos olhavam torto e bufei, já imaginado que essa tinha sido a tal “Desculpa” da bibliotecária.
— Ele estava sendo um idiota para cima de mim. Apenas quis calar a boca dele — respondi, realmente com raiva. Não tinha engolido aquele beijo ainda. Merda, ele não saía da minha cabeça.
Edgar olhou sobre o ombro para mim com sobrancelha erguida.
— Eu quero um relato completo de todas as tardes que você passar com ele. Fui claro? — Franzi a testa.
— E por que quer saber? — Questionei, ele transformou sua feição em uma careta dura.
— Não me faça perguntas idiotas garota. Apenas cumpra minhas ordens — Eu quase o mandei tomar naquele canto, mas havia muitas testemunhas… Hmm, isso pode ser uma coisa boa. Como ele me bateria com tantos olhando?
Sorri provocativa.
— Claro papai. Vou chegar todos os dias da escolinha e contar como foi meu castigo com meu coleguinha. Será o relato mais empolgante de todos, ok? — Edgar freou os pés assim que saímos do colégio, parando na escadaria em frente as portas.
Virou o rosto para mim com aquela expressão de dar medo, a mesma que marcava seu desejo podre de querer me espancar.
— Você brinca com fogo menina — resmungou baixo para que os ouvidos em volta não escutassem.
Virou os olhos adorando irritá-lo e o encarei bem os olhos azuis.
— Sabe como é. Eu adoro brincar com fogo — Ele rosnou, e sabendo que eu tinha passado dos limites, me virei, e comecei a andar até o carro velho dele. Um chevette 1981 tuning da cor vermelha. Era uma porcaria. Não sabia nem como aquela coisa ainda andava, ou como ele conseguia dinheiro para colocar gasolina. As veze é até melhor não saber.
Suspirando, continuei andando até a lata velha. Sentindo que Edgar estava logo atrás, me preparei para abrir a porta do troço, mas antes de fazê-lo um carro absolutamente divino estacionou atrás da lata velha que era o carro de meu pai. Fiquei uns minutos admirando boquiaberta, o BMW cinza que acabará de estacionar.
Pisquei algumas vezes para poder voltar ao normal, mas só o fiz, quando um cara alto e com o corpo de um verdadeiro Deus, abriu a porta e saiu. Eu juro que ofeguei só de mirar aquele homem de cima a baixo. Era puro músculo embaixo de um terno preto.
Eu o conhecia, pensei franzindo a testa.
Engoli em seco quando ele atravessou o carro e abriu a porta do passageiro para uma mulher tão linda quanto ele. Ambos tinham cabelos castanhos, mas o dela caía em ondas perfeitas sobre seus ombros enquanto o dele era liso e com um tamanho mediano. Por um momento, achei ele muito parecido com…
— Pai. Mãe — Oh. Claro. Então esses eram os Corey’s.
Edgar entrou no carro velho sem perceber as pessoas atrás, mas Jodie não pôde desviar os olhos. Ainda estava pasma enquanto olhava aquela família. Viu como o rosto do pai de Liam era duro, sua expressão parecendo ser severa assim como sua postura. Os olhos eram de um verde tão intenso, que era difícil querer olhar outra coisa.
— Vamos logo Jodie! — Edgar resmungou de dentro do carro tão alto que chamou a atenção de Liam. Os olhos dele fixaram nos meus instantaneamente, o azul acinzentado com certeza não era do pai, e confirmei tal fato quando a mãe dele também virou o rosto na minha direção.
Sim. Aquele era o azul que Liam havia puxado; a cor cinzenta tão profunda quanto à do fundo do mar. Os olhos da moça percorreram por meu corpo, como se tivesse avaliando e depois voltou a falar com o filho, que desviou os olhos de mim.
— Jodie! — Não querendo que Edgar me arrastasse para dentro do carro, abri a porta e entrei. Coloquei o cinto e voltei a olhar a janela. Liam me olhava novamente, dessa vez, tinha um sorriso estranho enquanto ouvia o pai falar alguma coisa, na qual era óbvio, não prestava atenção.
Fiz careta, e quando ele mandou uma piscadela, virei os olhos e mostrei o dedo do meio como um recado de “Me esquece”. Ele começou a rir, e antes que os pais me olhassem de novo, Edgar partiu com a lata velha para casa.
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