Believe In Me

14 Capitulo 14 — Comportamento estranho


Notas iniciais
E assim começa as curiosidades da vida. Aproveitem queridus ♥

Depois do incidente na cozinha, eu me tranquei no quarto pelo resto do dia e fiquei encarando Andy, que andava de um lado para o outro no teto. Eu estava entediada, queria fazer alguma coisa que não envolvesse ficar em casa, então como não tinha outra opção, resolvi ligar para minha distração, mas acabei nem precisando, pois ele mesmo já estava me ligando quando peguei o celular na mão.

— Olá princesa — fiz careta.

— Se me chamar assim de novo, juro que te viro do avesso — ralhei.

Jack gargalhou.

— Quanta agressividade com minha pessoa — virei os olhos — Mas e ai. O que está fazendo?

— Nada de interessante. Apenas olhando para o teto igual uma retardada — resmunguei ficando de ponta cabeça na cama. Do outro lado, ouvi ruídos estranhos como de buzina de carro e de transito — Onde você está?

— Estava na casa de Jimmy e agora estou voltando para minha casa, mas resolvi perguntar se não tá afim de ir em algum lugar comigo — Sua voz mudou para um tom mais… Sedutor é a palavra? — Não nos vemos desde o dia do futebol e estou com saudade — Em? Espera. O que deu nesse povo para estarem todos com saudade de mim? Fui pintada com ouro e não sabia? Essa é a única opção que eu tinha para tudo isso.

— Eu não posso sair — falei.

— Ah, qual é. Eu sei que tu sabe despistar seu pai… Faça um esforço que vou tê buscar — Olhei para os lados e depois para o relógio, notando que era exatamente onze e trinta da noite. Edgar já estava no decimo ronco, não acordaria nem tão cedo, mas… Sair com Jack? Eu não queria me afastar dele tanto quanto do Liam? Mas como ficaria longe do novato quando tinha uma queda por ele? Afs! Que treta.

— Certo. Me pega em frente ao mercado da praça — falei e desliguei, para ir depois correr até o armário. Enfiei-me em uma roupa qualquer e vesti uma jaqueta escura com capuz. Arrastei as mãos para os bolsos e sai de fininho para fora da casa depois de dar uma olhada em Edgar e confirmar que ele estava dormindo.

A rua escura estava fria, porém não um frio ruim, mas um muito bom e confortante, andar por elas era quase um alívio, pois não conseguia nem pensar que tinha ficado cinco dias sem colocar o pé para fora de casa. Nunca ficara trancada assim… Ok, isso é mentira, mas de qualquer forma. Estava contente por andar sem ser incomodada ou provocada, por isso diminui o passo para um pouco mais lento não querendo chegar rápido no lugar marcado com Jack, fiquei apenas aproveitando a brisa gelada.

Quando finalmente cheguei em frente ao mercado fechado, pude ver da onde estava, Jack em cima de uma das mesas de pedra que havia na praça. Parei onde estava e mirei sua roupa, gostando muito de sua calça branca e da regata preta, que ostentava braços grandes e ótimos para se olhar. Seu cabelo estava meio que de lado e voava toda vez que o vento batia, o que me fez pensar em Liam ajeitando seus fios enquanto brigava com o idiota do Ian, dias atrás. Xinguei-me por fazer isso; ficar lembrando desses tipos de detalhes enquanto olhava para um outro garoto extremante gostoso e lindo.

Bufei e balancei a cabeça querendo me livrar daqueles pensamentos infames e desnecessários. Voltei a andar, dessa vez um pouco mais rápida, e quando Jack me notou, abriu aquele sorriso que seduziria qualquer garota. Bem, menos eu, é claro.

— Marrenta — Ele cantarolou se levantando e vindo me abraçar, eu ia impedi-lo, mas algo me fez refletir melhor, e permitir que ele desse os passos adiante — Fiquei surpreso por ter aceitado vir — falou depois de se afastar. Rolei os olhos e dei de ombros.

— Estava sem nada melhor para fazer — falei e me sentei no banquinho — O que vamos fazer?

Jack se aproximou e voltou à sentar na mesa, ficando uma certa distancia longe de meu ombro. Olhou para frente como se estivesse pensando.

— O que quer fazer?

— Eu sei lá. Só vim porque achei que sabia onde me levar — Ele riu entendendo meu ponto e suspirou, abaixando a cabeça e me olhando com a sobrancelha erguida.

— Seria uma coisa ruim se eu disser que eu só queria ter um motivo para te ver? — Pisquei para ele confusa e sem saber ao certo o que falar, mas não deixei ele notar.

— Podia ter me falado, assim mandava uma foto minha por correio — zombei, e pensei que ele ia se encolher por ser tão grossa, mas ele sorriu e pulou para o chão, abaixando-se na minha frente.

— Eu vou me lembrar de pedir depois, mas eu não queria só um simples papel — franzi a testa para ele entendendo onde estava querendo chegar.

— Por que está dando em cima de mim? — perguntei logo na lata e ele pareceu surpreso por fazer tal coisa, mas se recuperou e molhou os lábios olhando para os lados.

Quando enfim resolveu me olhar diretamente, ele sorriu e falou.

— Porque eu não consigo parar de pensar no beijo que lhe dei, e queria… Hmm. Provar mais uma vez — Não consegui me conter depois dessa, minhas bochechas pegaram fogo, mas ainda sim, eu comecei a rir como uma condenada jogando a cabeça para trás e tudo. Jackson apenas me olhava sem intender.

— Ah, Jack… Vo-você, não pode estar fa-falando sério… — Eu gaguejava em convulsões da minha risada. O garoto não gostou, pois grunhiu e virou os olhos impaciente.

— Pare com isso, Jodie. Eu estou sendo sincero — falou sem dar uma risadinha. Aos poucos eu fui acalmando minha histeria, pois a cara séria dele me dava calafrios, e quando percebi que ele realmente falava a verdade, minha boca se abriu em um O enorme enquanto meus olhos focavam em seu rosto rijo.

— Vo-você… Quer, me-me beijar, de novo? — Agora eu gaguejei por estar muito nervosa, e sobre tudo, surpresa. Ele queria me beijar! Hellou! Eu pensava que Liam tinha se drogado, mas acho que me enganei, pois Jack parecia mais chapado.

Ele sorriu de lado ao notar meu nervosismo.

— Sim. E gostaria que permitisse — fiquei muda, tentando adivinhar se o cara era louco ou se tinha batido com a cabeça. Quando voltei ao estado normal, engoli em seco, e fiz careta.

— Mas é claro que não vou deixar! — ralhei e fiquei de pé para me afastar, mas ele agarrou meu pulso me puxando para perto.

— Por que? — Indagou inconformado.

Tentei me soltar.

— Porque eu não sou um brinquedo para você querer ficar beijando quando bem quer — Cerrei as mãos em punhos prontos para usá-los contra o menino, mas esperei a hora certa.

— Eu não quero brincar com você, apenas quero que me dê uma chance. Eu posso diverti-la se começar a ficar comigo — Ele puxou-me mais ainda e eu ofeguei espantada. Seus olhos me imobilizaram totalmente — Eu sei que você gostou de me beijar Jodie, e também sei que foi seu primeiro beijo de verdade — Arregalei os olhos e me senti cair no fundo do poço enquanto a vergonha me consumia aos poucos. Meu rosto esquentou tanto que agradeci por estar de noite, mas não achava que a escuridão iria impedir Jack de ver tal coisa.

— Co-Como, voc-você…

— Eu percebi. — falou com uma voz que diria ser, experiente — Você hesitou e não sabia o que fazer, mas depois senti que gostou. Assim como eu — Eu não podia negar que o cara beijava incrivelmente bem, mas também não precisava confirmar em voz alta.

— Se contar para alguém, juro que arranco sua cabeça fora — rosnei e o empurrei com as duas mãos para longe. Ele me olhou com um sorriso divertido.

— Não vou dizer a ninguém, não sei qual vantagem isso seria para mim sendo que todos já foram bv ou bvl, mas voltando ao nosso papo…

— Nosso uma vírgula! Eu não vou “Ficar” com você — Me afastei mais alguns passos, ele me seguiu.

— E seu disser que é só por diversão? Que não terá nada envolvido a um relacionamento mais avançado? — Esfreguei o rosto.

— Por que está pedindo para ficar comigo quando gosta de Stefany? — perguntei, ele na mesma hora fechou a cara e olhou para longe de mim.

— Stefany é um caso a parte — retrucou, e eu fingi uma risada irônica.

— Uma parte coisíssima nenhuma. Acha mesmo que vou ficar com você quando gosta de outra? — Ele me deu as costas e sabia que não queria falar sobre seus sentimentos, mas não queria me envolver em confusão de casal que eram lerdos demais para assumir um sentimento.

— Ela não gosta de mim, deixou bem claro quando beijou Liam sem nem mesmo dizer um “Não”. — falou rancoroso, e acrescentou — Além do mais, ela nunca me mandou um olhar que correspondesse os meus. Por que lutar por uma coisa que não terá valor? — Pensando bem, ele até tinha razão. Se Stefany gostava dele, por quê permitiu que Liam a beijasse?

— E por isso decidiu me fazer de consolo? — A pergunta cheia de rancor o fez virar novamente para mim, seus olhos em alerta enquanto me fitavam.

— Não é consolo, e sim… Uma amiga — corrigiu e suspirou — Eu gosto de você Jodie, e o modo que me sinto ao seu lado me faz esquecer que tenho um coração dependente de outra garota. Beijar você me faz esquecer, mesmo que seja por dois segundos — Droga. Agora eu estava em uma enrascada, pois as palavras dele eram quase as mesmas que eu diria para ele, e… Merda, eu também me sentia da mesma forma, e por mais que fosse uma puta idiotice, eu consegui pensar menos em Liam quando o beijei. Será que aconteceria isso toda vez caso o beijasse?

Fiquei indecisa de repente quanto ao que fazer. Era errado dar chances para alguém que sabia que não amava, mas será que daria mais complicações caso não tivesse amor nem da minha parte, ou da parte de Jack? Nós podíamos fazer um acordo, pois não era de todo horrível essa proposta dele. Eu também sairia ganhando.

— Isso é uma loucura — murmurei balançando a cabeça.

Jack sorriu dando de ombros.

— Mas você não pode negar que é uma boa proposta — falou. Ergui a sobrancelha para ele.

— Você está adorando me colocar contra a parede, não? — Ele riu, voltando a ficar perto de mim.

— É adorável quando fica nervosa — falou, e sabia o que ele estava tentando fazer.

Apontei para sua cara.

— Pode parar com isso — mandei. Ele parou de andar.

— Isso o que? — perguntou. Apertei os olhos.

— Está me provocando — sorriu.

— Está dando certo? — fiz careta.

O pior é que estava. Droga.

— Err… — Minha pequena hesitação pareceu ser um sinal para ele, pois em um minuto ele estava a cinco passos longe de mim, e depois, estava me pegando pela cintura e juntando nossas bocas com uma brutalidade nada ruim. Arregalei os olhos sem tocá-lo, ficando dura no mesmo lugar sem fazer nada, mas depois senti uma das mãos dele subindo por minhas costas para depois parar em minha nuca, à apertando e me empurrando de contra seu rosto. Gemi em protesto, mas acabei cedendo da forma mais idiota de todas.

Suspirei bobamente, e permiti que aquela língua entrasse em minha boca e se enrolasse com a minha, enquanto meus braços prendiam atrás de seu pescoço o fazendo se curvar para ficar do meu tamanho.

Eu sei que isso era uma coisa muito errada, mas minha mente não queria saber do certo, então só fiquei nas pontas dos pés e deixei que o infeliz me beijasse do mesmo modo que fez da primeira vez, e eu sabia que me arrependeria muito depois, mas quer saber. É só diversão, não faria mal algum aproveitar.

~*~

— Isso não vai dar certo — murmurei, mas não conseguia impedir o riso que saia de minha garganta.

Jack e eu estávamos agora sentados em baixo de uma árvore e ele alisava minha mão enquanto eu ficava tentando arrancar os pelinhos de seu braço. Ele xingava muito quando eu conseguia.

— Não acredito nisso, mas caso não queira, eu vou intender — falou contra meu ouvido. Olhei para ele sobre o ombro e sorri.

— Eu nunca fiz isso, mas deve ser legal — Ele sorriu de volta e me deu um selinho rápido — Aliás, se eu ficar com você, vou quebrar as regras de Edgar, e eu adoro quebrar as regras dele — Jack riu e me apertou mais contra ele, beijando meu ombro coberto pela jaqueta.

— Como você pode ser tão atentada? — perguntou. Eu olhei para o céu encarando as estrelas atentamente.

— Como você pode gostar de beijar uma garota como eu? — devolvi com outra pergunta, normalmente. Ele se mexeu atrás de mim e senti que me olhava.

— E por que não gostaria? Você é uma amiga, me faz rir, e é bonita, além de beijar muito bem — Eu quis sorrir pelo os elogios, mas saber que ele estava mentindo me torturava.

— Você não deve ficar falando coisa que não são verdade — repliquei receosa. Ele franziu a testa e me fez virar o rosto para encará-lo. Ele tinha uma expressão confusa e insatisfeita.

— Não estou mentindo — retrucou. Virei os olhos conhecendo esse papinho.

— Ah, sim. Acredito — ironizei. Ele continuou me olhando daquela forma nervosa.

— Por que acha que estou mentindo?

— Eu não acho. Tenho certeza — corrigi, e voltei a olhar para cima — Quem gostaria de ter uma garota como eu? Ignorante, cheia de cicatrizes e que se corta constantemente. Estou mais para a mulher do Chuck do que para uma princesa — Ele ficou sem dizer nada depois disso, o que me incomodou, então falei — Queria te pedir uma coisa.

— O que? — Apertei os lábios nervosos e respirei fundo.

— Se vamos mesmo começar a “Ficar”, não tenta me fazer acreditar em uma coisa que não sou ou se apague a qualquer coisa relacionada a mim — Olhei para meus pulsos, necessitando daquela pequena dorzinha que só eu sabia fazer e que me ajudava a relaxar — Não quero, e não vou me envolver com alguém. Já basta o que está rolando entre nós. Ok? — Ele não respondeu de imediato, ficou tenso atrás de mim quase que paralisado, mas no fim, assentiu e falou.

— Tudo bem. Se quer assim. Assim será — E como se selando um pacto, ele me puxou para mais perto e encostou nossas bocas novamente, me deixando absorta, e fazendo com que aquela grande necessidade de me cortar, fosse embora por apenas uns minutos, porém, quando me encontrei sozinha, sem ninguém para conversar ou beijar dentro de meu quarto, a vontade retornou, e meu braço não se safou de ganhar mais um novo corte. E talvez, ainda mais profundo.

Quando acordei na manhã seguinte, meu corpo estava cansado e não consegui sair da cama com muita facilidade, Edgar teve que dar uns três gritos em mim para poder consegui me mexer. Depois de tomar um banho e cobrir o mais novo corte, fui fazer o café de Edgar, ele estava sentado na cadeira em frente a mesa com o celular no ouvido. O ignorei e comecei a preparar as coisas, mas minha atenção foi tomada quando ouvi sobre o que se tratava a conversa que ele estava tendo.

— Tem certeza que ela está com essa família? — perguntou olhando para o nada. Engoli em seco apenas ouvindo — Eu não quero essa fedelha de volta, apenas quero ficar informado sobre onde e com quem ela está — Era Michelle! Não tinha duvidas.

Com raiva, fiquei quieta enquanto colocava a mesa, escutando sua conversa para saber o por quê dele querer saber de minha irmã.

Ele não disse que não queria mais saber dela? Por que não a deixava em paz?

— Ok. Eu vou verificar isso em breve. Estou começando a me arrepender por ter dado aquela garota para adoção — Fechei os olhos quando estava de costas para ele e reprimi a vontade de quebrar um prato em sua cabeça, contudo, acho que não seria bom para mim depois.

Engoli minha raiva e me virei, servindo seu suco e tudo que deveria. Escutei sua conversa até o fim, mas ele não disse nada de interessante que me ajudasse desvendar o motivo de sua fúria. Quando acabei de servi-lo, peguei minha sopa nojenta, e sentei na cadeira de frente para ele para começar a comer, o que fiz sem olhá-lo ou dizer uma palavra sequer, mesmo que sentisse seus olhos sobre mim quando deligou o celular.

Ao acabar, comecei a me levantar para lavar a louça, e foi nesse momento, que o infeliz falou.

— Você pode voltar para o colégio — franzi a testa e me virei para olhá-lo surpresa e também, muito duvidosa.

— E por que? Cansou-se de me fazer prisioneira? — A arrogância não o agradou, pois ele me direcionou aquele olhar que dizia “Cala a maldita boca, ou eu a calo por você”.

— Acho melhor você dobrar essa sua língua garota — resmungou ele ameaçadoramente e eu apenas virei os olhos dando lhe às costas — A única coisa que precisa saber é que vai voltar para o colégio. Preciso de você lá.

— Mas eu estava adorando esse castigo — reclamei sinceramente — Ninguém merece ver a cara daquele povo logo de manhã.

— Não me interessa se estava gostando ou não. Apenas faça o que mando e ninguém se machuca — Ele se levantou e eu me virei para a pia, colocando os pratos dentro para lavar enquanto murmurava.

— Como se eu tivesse escolha — Edgar pareceu não ouvir meu comentário, pois ao invés de voar em mim, ele desapareceu dentro de seu quarto e trancou a porta. Fique aliviada por isso e passei a lavar toda a louça. Quando acabei tudo, me sentei no sofá, e fiquei me perguntando o porquê do traste querer que eu voltasse para o colégio, ou porquê ele queria saber onde estava Michelle. Sentia medo de ele conseguir.

~*~

Notas finais
Mas e ai? O que acharam da decisão repentina de Edgar? E mais. Para qual boy você troce? Liam ou Jack? Comentem sua resposta okay.