Believe In Me

12 Capitulo 12 — O jogo


Notas iniciais
Perdão por minhas gafe ontem Sacanagem eu não ter postado, eu sei, mas olha, prometo tentar não fazer isso mais okay, Divirtam-se, esse cap vai ser beeem legal kkk

— Bateu com a cabeça em algum lugar seu imbecil?! — Berrei ficando de pé e tentando não cair. Liam me encarou de baixo com um sorriso tosco.

— Qual é Jodie, foi apenas um selinho. Nada de mais — disse e eu bufei batendo o pé no chão. Apontei o dedo ameaçadoramente para ele.

— Não ouse tentar me beijar de novo — Mandei e sai da salinha pisando duro.

Eu ainda não podia acreditar no que tinha acabado de acontecer. Ou pior, eu não podia acreditar que estava gostando daquele idiota musculoso e irritantemente atraente. Porraaa! Eu tô fodida demais.

Peguei minhas blusas e me enfiei nelas rapidamente, ouvi passos logo atrás e me apressei.

— Jodie, o que foi? Já vai embora? — perguntou e eu não hesitei em assentir.

— Sim. A essa hora a diretora já ligou para meu pai dizendo que fugi da escola com um garoto. Preciso voltar para casa — pendurei a mochila no ombro e virei para ele. Ele me encarava com alguma coisa nos olhos, e fiquei mal ao detectar que ele estava magoado.

— Claro… Apenas espere eu fechar tudo que eu te levo de volta — Assenti, não querendo prolongar um conversa desconfortante. Saí para fora para esperá-lo e bufei, brava comigo mesma por deixar isso tudo acontecer. Se tivesse me afastado assim que o que conheci, eu não estaria tendo de lidar com quedinhas idiotas. Como eu ia encara isso? Bom, o único jeito era ignorar e agir normalmente, ou seja. Teria que bater nele com mais frequência e ficar muito pouco tempo ao seu lado.

— Vamos? — Liam apareceu ao meu lado agora com a camisa de antes. Respirei fundo e assenti.

O caminho pareceu ser o mais terrível possível depois, nós não nos olhamos, não nos falamos, e nem sequer brigamos, estava realmente horrível, mas o pior é que eu não fiz nada para impedir aquilo, tive de aguentar até o fim sem reclamar para não dar bandeira sobre minha mais nova amiguinha, chamada “Atração.”

Quando chegamos ao colégio eu tive a infelicidade de ter a pior visão possível. Quis no mesmo instante que vi Edgar, sumir do mundo e nunca mais existir.

Parei na calçada e puxei o braço do novato comigo.

— Espera — falei e antes que ele dissesse algo, eu o arrastei para ficar atrás de uma árvore.

— Jodie! — Ele franziu a testa me olhando — O que foi?

Bufei, espiando dos lados para ver se o traste não tinha nos notado.

— Meu pai está ali — respondi. Liam na mesma hora fechou a cara e o punho.

— Onde? — perguntou se inclinando para o lado para ir até o outro lado da rua. O empurrei de volta — Jodie!

— Não vou deixar você ir falar com ele — rangi os dentes segurando seu peito.

— Esse cara te machuca Jodie! Acha que vou ficar atrás de uma árvore enquanto ele te leva para mais uma rodada de surra? — Tomei folego, notando o quão encrencada eu estava. Arrisquei olhar para Edgar novamente e quase praguejei um xingamento ao vê-lo tropeçar na escada da entrada do colégio.

— O imbecil está bêbado — Os olhos do garoto foram para o único homem que tinha ali e emitiu um rosnado feroz.

— Não vou deixar que vá com ele — Avisou, e seus olhos encontraram-se com os meus e tive que ter muita força para impedir um suspiro bobo. Merda, isso não podia acontecer.

— Eu preciso, sabe muito bem — Tentei convecê-lo, mas ele negou com a cabeça e suas mãos de repente prenderam minha cintura.

— Li, por favor — Não sei muito bem como consegui pronunciar o apelido dele — Eu não quero ter que bater em você — Isso fez um sorriso crescer em seus lábios. Era o mesmo sorriso que ele usou ao tentar me beijar, e era o mesmo que me dava malditos arrepios estranhos.

Suas mãos me apertaram mais contra ele e eu engoli em seco.

— Bata! — falou — Pelo menos vai estar inteira enquanto faz isso — Fiquei realmente tocada com aquilo, e por muito pouco eu não o abracei, mas não podia demonstrar fraqueza.

— Ok. Você pediu — falei, e subi o joelho para cima com tudo, mas ele parecia estar esperando por isso, pois sua mãos protegeram seus filhos antes que eu o acertasse. Sorriu.

— Quase. — provocou. Apertei os olhos.

— Acho que não. — falei, e joguei a cabeça para frente acertando seu nariz em cheio. Fui solta enquanto ele segurava o rosto dolorido — Desculpe, mas eu avisei — Não dei chance para ele me impedir, só agarrei a bolsa em meu ombro com força e corri para o outro lado da calçada. Ouvi Liam me gritar, mas ignorei, pois tinha chegado em frente ao meu pesadelo.

Edgar virou e ao me encontrar atrás dele, seus olhos se apertaram como fendas escuras. Estava realmente com raiva hoje.

— Onde estava? E quem era o moleque? — Ele agarrou meu braço em um aperto forte e doloroso, mas não gritei.

— Por que não pulamos para a parte que você me leva para casa e me espanca? — Enfrentei e inclinei o rosto para mais perto do dele — Não se preocupe, pois eu estava sozinha — Menti, e pude ver por cima do seu ombro , Liam se aproximar com a cara mais raivosa de todas.

— Está mentindo! — Esbravejou e me chacoalhou com força — Diga-me com quem estava! Fedelha impertinente — Arregalei os olhos quando ele beliscou a pele de meu braço, mas ao fazer isso vi o que Liam estava prestes a fazer. Abri a boca para gritar para ele se afastar, mas o infeliz já tinha agarrado meu pai por trás em uma chave de braço forte.

Meu braço foi solto e a mão foi para tentar impelir o braço que o sufocava. Não funcionou, pois aos poucos ele foi perdendo a consciência e Liam o abaixando até o chão lentamente.

— Você ficou louco? — Eu evitei gritar para não chamar atenção, mas olhava para o novato, horrorizada.

— Louco? Acabei de te ajudar — respondeu inconformado e ficando de pé — Ia deixar ele lhe bater! — Acusou, mas eu não me encolhi.

— Mas é claro que ia seu imbecil. É melhor que lutar — Abaixei o olhar para meu pai — E agora? O que vou fazer quando ele acorda e se lembrar de tudo?

— Não fará nada, pois vamos à delegacia agora — Aposto tudo que tenho que meu rosto empalideceu enquanto fitava o menino, embasbacada.

—— Delegacia? — Repeti como uma retardada — Não vou fazer isso.

— Sim. Irá! Pare de deixar isso acontecer com você, Jodie. É doentio — Neguei e corri para perto de meu pai. Ele estava respirando. Infelizmente.

— Tenho que levá-lo para casa antes que acorde — falei. Enfiei a mão nos bolsos da blusa dele procurando pela a chave do carro.

— Jodie, me escute! — Liam se abaixou e segurou minhas mãos — Não pode voltar com ele. Quando a consciência dele voltar, irá te prejudicar muito — Engoli saliva sabendo bem o quão prejudicada ficaria. O olhei-o nos olhos e depois para Edgar.

Não poderia fazer o que ele queria. Não podia.

— Liam — Sussurrei e senti os dedos dele se entrelaçarem com os meus — Vou enfrentar isso. Não posso ir à delegacia assim, pois não sei o que exatamente meu pai faz para saber onde está minha irmã —- Apertei sua mão — Quero a segurança dela e farei de tudo para conseguir. Agora, por favor… Ajuda-me a coloca-lo dentro do carro — Ele hesitou, e por muito tempo, seu rosto demonstrando tudo que sentia me afetou, deixando-me muito mal. Mordi o lábio sem desviar os olhos dele, querendo que ele soubesse a gravidade da minha situação.

Seu olhar desceu pelo o corpo ao nosso meio e bufou.

— Ok — falou e depois me olhou com dor — Mas e se ele te machucar? —Sorri, achando que ele merecia um pouco de conforto.

— Se te faz se sentir melhor. Eu o mordo muitas vezes durante o acontecimento, e meus punhos não ficam de fora — Ele não riu como pensei que riria, ao invés disso me puxou para perto e me abraçou. Não me importei, pois ele só estava preocupado.

Esfreguei suas costas antes de me afastar.

— Vamos fazer isso logo — falei, e assim fizemos.

Ele sozinho conseguiu carregar o idiota para dentro do carro, onde o prendemos com o cinto e eu entrei atrás no volante. Fiz careta, meio que boiando quanto ao que fazer e enfiei a chave no lugar.

— Jodie? — Virei a cabeça para a janela e encontrei o novato me observando com a sobrancelha erguida — Você sabe dirigir?

— Err… — Na verdade eu não sabia nem sequer usar a marcha, mas eu não podia pedir para ele, pois não queria que ele soubesse onde eu morava. Erg. Que merda! —Eh, sei. Claro que sei — Menti mesmo, não podia arriscar dele ir comigo.

—Sério? — Sua sobrancelha se ergueu — Onde é o freio então? — pisquei de volta para ele meio amedrontada, e depois olhei para frente.

Onde era a porcaria do freio?

— Hmm… É… -— Optei por chute, e orei a Deus que estivesse certa ao colocar a mão em um tipo de alavanca no meio dos bancos — Aqui? — Sai meio indecisa, não teve como.

Liam riu.

— Certo, isso foi sorte — falou e balançou a cabeça — É óbvio que você não sabe dirigir.

Fiz careta.

—- Claro que sei. Só observe Meu Deus, me ajuda.

Segurei aquele negocio que Liam havia confirmado ser o freio e respirei fundo. Não devia ser tão difícil assim dirigir um carro, era mole, mole.

— Jodie, acho que isso não é uma boa ideia…

Realmente não foi uma boa ideia, pois assim que puxei o maldito freio, o carro começou a descer a pequena ladeira que estávamos. Arregalei os olhos e agarrei o volante como se ele fosse me proteger de morrer ali mesmo. Ouvi Liam gritar meu nome, mas não pude responder nada, pois estava muito ocupada tentando controlar aquela maquina de quatro rodas demoníaca. Olhei para trás, e arregalei ainda mais os olhos vendo que estava prestes a bater a traseira do carro em um poste.

Soltei um gritinho amedrontado.

— Jodie, puxa o ferio! — A advertência apavorada de Liam foi como música para meus ouvidos, pois tinha esquecido completamente da porcaria que prendia as rodas quietas em um só lugar. Suor desceu minha testa, e justo quando ia bater no poste, eu puxei a alavanca com força fazendo com que o carro freasse com força e emitisse o ruído das rodas guinchando na rua. Se eu não tivesse de cinto, teria rolado para trás facilmente, mas não aconteceu graças a Deus, pelo menos para mim.

O cinto de Edgar devia ter ficado frouxo, pois ele praticamente voou por cima do banco e foi parar com a cara no vidro traseiro do automóvel.

— Ops! — Isso iria doer muito amanhã, pensei, com um misto de felicidade.

— Jodie! — Liam apareceu na janela, ofegante por ter saído correndo atrás do carro. Ao me ver viva, abriu aporta que nos afastava e pegou meu rosto entre as mãos — Jesus! Você está bem? Tem algum machucado? — Ele tirou o cinto que me prendia e me fez descer do carro, me avaliando atrás de algum ferimento. Achei isso meio engraçado, e não consegui segurar o sorriso.

— Tô legal, mas não digo o mesmo sobre ele — Apontei meu pai jogado no banco de trás e ri — Estou torcendo para estar bem dolorido amanhã — O novato não riu, apenas me encarou perplexo.

— Você ficou louca?! Quer se matar? — Soou indignado e eu virei os olhos.

— Não é nada. Só perdi o controle dessa coisa de quatro rodas — Fiz careta e bufei — Vou ser mais cuidadosa da próxima vez. Tenho que ir — Tentei voltar para meu lugar atrás do volante, mas Liam se colocou na minha frente com olhos arregalados.

— Não pode estar falando serio! — protestou — Você não sabe dirigir. Vai morrer! — Prendi o riso na garganta e fingi estar brava.

— Já disse que eu sei. Apenas não deu muito certo da primeira vez, mas posso fazer de novo — Ele arregalou os olhos e segurou meu pulso me impedindo de prosseguir.

— Deve estar sem cérebro para achar que vou permitir isso — É. Eu sabia que ele ia falar isso, por isso comecei a bolar um plano não muito legal. Por favor, não me crucifiquem pelo que vou fazer, ok? Apenas, lembrem que é necessário.

Me aproximei de Liam e sorri.

— Obrigada pelo dia maravilhoso. Eu gostei demais — A expressão dele suavizou um pouco enquanto piscava para mim, foi quando eu aproveitei para dar a volta em seu corpo e ficar atrás de suas costas. Ele ficou surpreso quando minha mão tocou suas costas e começou subir lentamente, sua respiração se tornou ofegante, e a minha, quase parava só por conseguir senti os músculos dele contra minhas palmas.

— O… que está fazendo? — Ele perguntou, mas não parecia incomodado. Sorri e cochichei em seu ouvido.

— Pondo o novato para dormir um pouquinho — Nós dois estremecemos com a proximidade, Liam estava de guarda baixa e foi isso o que precisava para deslizar até chão lentamente e pegar uma pedra enorme que estava no chão. Liam percebeu minha estratégia tarde demais, pois eu já havia jogado a coisa contra sua cabeça com toda força possível. O enorme corpo caiu como um peso morto por cima de mim quase me esmagando.

Fiquei me sentindo culpada por ter feito isso, mas não me arrependi, era melhor para ele que não soubesse onde eu morava.

Com dificuldade, o puxei para debaixo de umas das árvores para não ficar exposto ao sol e aos olhos dos outros no meio da rua. O olhei apenas por um momento, mas depois voltei ao carro e tentei novamente guiá-lo.

Foi a coisa mais difícil do mundo e eu quase bati em cinco paredes, foi quando decidi procurar ajuda. Revirei as coisas dentro do carro até que encontrei um panfleto, e para minha sorte, explicava coisas que eu nem sequer sabia que o carro podia fazer. Com Deus no coração e a oração saindo pela boca, voltei ao volante.

Consegui andar para frente dessa vez, porém quase bati em mais um poste, faróis e também quase atropelei uma velhinha, mas finalmente, consegui chegar na minha casa e arrastar Edgar para dentro sem ninguém ver.

O joguei no sofá desleixadamente e caí sentada no chão totalmente exausta e ofegante.

Durante o resto do dia, eu me preparava para quando ele acordar, mas tudo que pensava era no que Liam iria pensar de mim depois que acordasse sozinho em baixo daquela árvore. Com toda certeza ele me odiaria. Talvez seja melhor.

Quando Edgar acordou, eu já tinha tomado um banho, feito o jantar e recusado mais de uma ligação de Liam, mesmo sabendo que devia estar loucamente preocupado. Estava pronta para mais uma surra, mas o surpreendente aconteceu. Edgar acordou confuso e sem sequer se lembrar do que aconteceu, ficou resmungando pelos cantos que tinha tido um pesadelo terrível e ordenou que lhe preparasse um café bem forte por causa da enxaqueca. Foi como se tivesse me livrado de uma sentença de morte, e não consegui esperar o dia acabar para contar a novidade para o novato.

Fiz o maldito café para Edgar e me tranquei no quarto com o celular na mão, fiquei feliz quando nem precisei discar seu numero, pois ele já estava me ligando de novo.

— Novato — Eu estava sorrindo, conseguia sentir os cantos da minha boca subindo cada vez mais alto.

— Porra, Jodie! — Seu xingamento me fez ficar seria. Ele estava bravo. E muito — Você não tem algum neurônio na cabeça? Como pôde me deixar desacordado naquela merda de árvore? Como foi embora com esse traste? Você não pode ser idiota a esse ponto — Minha boca se abriu em espanto.

Idiota?

— Eu…

— Você tem ideia do quão perdido e com medo eu fiquei depois que acordei? Fiquei apavorado e em pânico pensando que poderia acontecer alguma coisa com você dirigindo, depois pensei em seu pai… Mas que merda, garota! Por que é tão burra aponto de deixar ele fazer isso com você? — Minha alegria e alivio escorreram para fora de meu corpo aos poucos e fechei a mão em punho não gostando nem um pouco do tom dele. Ele falava como se eu fosse culpada pelo que acontece comigo, mas não era. Eu queria ir embora, mas existiam barreiras das quais eu não podia passar, e isso ele não entendia, estava gritando comigo agora, em vão, pois tudo que dizia entrava por um ouvido, e saía pelo outro.

Mas ainda machucava saber que a raiva dele era direcionada para mim, a garota que ficou o dia todo com ele, aquela para qual ele contou sobre sua família. Aquela que ele salvou de levar uma surra.

Eu entendia sua raiva, mas demonstraria estar ofendida. Suspirei, ouvindo ele gritar do outro lado da linha, e por mais que ele tivesse razão em tudo, não poderia seguir seus concelhos, mas poderia fazer outra coisa, que mesmo sendo quem eu sou, eu sabia que era o certo.

— Não vou brigar com você e sua raiva — falei, e ele se calou, acho que ficou surpreso — Mesmo assim quero dizer que estou bem, e que ele não encostou em mim. Parece que a bebida o fez ficar meio confuso — Um suspiro, que considerei ser de alívio, veio dele. Molhei os lábios — Desculpe pela pancada, e obrigada por todo o resto — disse, mas acrescentei — Guarde isso na cabeça, porque nunca mais vou repetir. Boa noite, Liam.

— Jodie… — Desliguei o celular.

Joguei-me na cama e respirei profundamente olhando para o teto.

Devia me preservar melhor e acabar com essa quedinha que tinha pelo novato, ou iria colocá-lo em grandes confusões, e isso realmente não era bom.

Meu celular vibrou, peguei, e li a mensagem que Liam havia mandado.

Ainda farei você mudar de ideia… Não se livrará de mim.

Eu não queria, mas sorri, escrevendo minha resposta com certa rapidez.

Não se eu fizer você se afastar, e se não funcionar… Eu mesma me afasto.

A resposta dele demorou um bom tempo, tanto que cheguei a fechar os olhos me sentindo sonolenta, mas quando essa chegou, eu li.

Tentativa 1: Concluída com sucesso.

Tentativa 2: Começando…

Franzi a testa em confusão, mas por conta do sono pesado em minhas pálpebras, eu ignorei a mensagem e fechei os olhos, caindo em um sono sem sonhos, repleto apenas de escuridão e paz.

~*~

E assim os dias foram passando voando mais rápido que uma esteira, eu nem sequer o vi, só me concentrava do colégio, Liam, e também em treinar as meninas para o bendito jogo de futebol, o qual estava começando a ficar animada, pois meu time estava indo muito bem. Stefany era uma de minhas armas, pois estava praticamente pronta e seria aquela que faria a diferença no meio daqueles idiotas.

Foram duas longas semanas treinando e falando sobre isso, eu e Liam nunca mais comentamos sobre o que aconteceu na academia ou depois que saímos dela, apenas nos tratávamos como antes e ele sempre me jogavas indiretas desnecessárias, mas eu ignorava, pois queria ficar longe de encrenca para não chamar atenção de Edgar. Consegui fazer isso pelo menos.

Finalmente, o dia da grande partida de futebol chegou, estava mesmo com um mal pressentimento, mas não demonstrava na frente dos garotos para não lhes dar esperanças.

Era uma sexta-feira e havíamos marcado de se encontrar todos juntos no campo. Naquela tarde eu saí do colégio com Liam, mas segui para minha casa sozinha e as pressas, ao chegar preparei o almoço de Edgar, — que tinha saído mais uma vez para algum lugar que eu não sabia — por causa disso foi fácil sair. Ao chegar no campo, pude enxergar de longe minhas meninas se exercitando de um lado e os meninos sem camisa de outro. Virei os olhos para a falta de roupa e fui na direção deles. Mas foi ai que encontrei uma companhia indesejada sentada em uma das arquibancadas. Parei ao lado das meninas.

— O que essa vaca faz aqui? — Resmunguei emburrada. Elas sorriram para mim, mas depois copiaram minha expressão ao virar o rosto para Helen.

— Ela seguiu Liam — Eloise falou, amarrando o cadarço de sua chuteira.

— Liam a trouxe? — Não gostei nada disso, e também não gostava da mini-roupa que ela usava. Podia ver a calcinha daqui — Ele tem algum problema na cabeça? — Reclamei prendendo o cabelo em um rabo de cavalo. Harlow ficou ao meu lado.

— Não escutou Jodie? Lizze disse que ela o seguiu — falou e pegou uma garrafa d’água do chão para beber — Basta ignorar. É o que fazemos

Fácil para ela dizer.

Bufando, peguei minha mochila e caminhei pisando duro até o vestiário que tinha ali perto. Troquei minhas roupas por uma que não me desse tanto calor — Legging, um tope e regata preta. Já que todos ali viram meus braços, não havia problemas em mostrá-los somente agora.

Calcei minhas chuteiras e saí com uma sacolinha, a mochila e a bola na mão. Os meninos agora falavam com as garotas animadamente. Quase rosnei ao ver Helen agarrada no pescoço de Liam tentando participar da conversa.

— Eu ainda não acredito que não vão desistir — Jonah dizia, rindo e tentando chutar o vento. Seu cabelo azul ficava sobre seus olhos de vez enquanto.

— Jodie é bem persistente quando quer — Lizze comentou arrancando grama do chão — E também nos ameaçou arrancar cada partícula do nosso corpo caso desistíssemos — Sorri para mim mesma enquanto os garotos riram.

— Eu não duvido disso — Murmurou Liam sorridente. Ao seu lado, Helen virou os olhos.

— Essa garota é tão agressiva. Não sei como continuam ao lado dela — A turminha fechou a cara para ela, inclusive eu. Notei que Liam ia abrir a boca para me defender, mas me aproximei e falei por mim mesma.

— Que tal eu praticar minha agressividade com você? — Joguei a bola, mochila e a sacola no chão e a fitei com um sorriso desafiador. Helen arregalou os olhos para mim, olhando-me assombrada ao invés de medo.

— Por Deus, o que houve com seus braços? — A pergunta não me agradou, por isso ignorei.

— Não será para você que vou contar querida — falei rudemente. Jimmy apareceu ao meu lado e colocou o braço em cima de meus ombros.

— E então marretinha… Preparada para perder? — Notei que ele estava tentando amenizar o clima e deixei passar. Não queria me irritar com ninguém agora.

Olhei para ele com a sobrancelha erguida.

— Por que? Você está querendo tanto assim beijar a Harlow? — Minha provocação foi mil vez melhor, pois ele ficou muuuuuito vermelho. Os amigos riram escandalosamente enquanto Harlow se encolhia.

Jimmy se afastou de mim com uma careta.

— Mas é claro que não. Prefiro a Eloise.

— Hey! — Eloise gritou, mas logo arregalou os olhos quando Jimmy tomou um soco no ombro que quase o fez voar.

Jonah o olhou ameaçadoramente.

— O que disse Jimmy? — perguntou como se fosse assassinar o amigo agora e ali mesmo. Sorri com essa situação vendo Lizze corar e Jimmy empalidecer.

— Foi mal Jonah. Estava só brincando — disse erguendo as mãos para cima.

A respiração de Jonathon acalmou e ele voltou para onde estava antes.

— Ah, o amor é tão lindo — Murmurei divertida e senti Eloise me bater de leve no braço e sussurrar um “Fique quieta”.

— Não provoque Jodie — Liam avisou, mas sorria.

— OK. Mas por que não começamos o jogo logo? — Olhei para o relógio — Tenho que voltar em quatro horas.

— O que tem na sacola? — Stefany perguntou a pegando.

— Nada. Mas colocarei os nossos nomes ai dentro para quando for fazer o sorteio. Tanto dos meninos quanto das meninas — Expliquei, e tirei os papeis com os nossos nomes do bolso da minha mochila. Os coloquei no banco.

— Mal posso esperar por esse sorteio — Murmurou algum dos meninos, mas não pude saber quem, pois estava de costas.

E o jogo começa.

Fomos todos nós para o campo juntos enquanto a sem sal da Helen assistia tudo da arquibancada. Liam carregava a bola, então foi para o meio posicionando ela em seu devido lugar. Logicamente, eu fui com ele para me posicionar a sua frente. Ele sorriu para mim, tencionando o pescoço e ombros enquanto um garoto desconhecido vinha até a gente — Saber da onde ele surgiu era tenso — tinha um apito no pescoço, então concederei ele o juiz.

— Sou Luccas. Irmão de Jonah — Se apresentou a mim. O fitei com a sobrancelha erguida, o olhando de cima a baixo.

Cabelos loiros, os mesmo olhos azuis de Jonah, e um pouco mais magro.

— Não se parece com ele — falei obviamente. Ele sorriu assentindo, me fazendo notar que era também mais novo que Jonah.

— Eu sei, mas isso é culpa dele por pintar o cabelo e entrar para academia — falou, e eu ri entendendo. Vi Liam erguer a sobrancelha para mim como se não gostasse de me ver sorrido para Luccas.

— Bem, vamos começar logo? — perguntou impaciente.

Luccas franziu a testa para ele, mas depois assentiu e chegou mais perto.

— Quando eu apitar — Alertou e ele. Virei meu rosto para Liam e dei um sorriso desafiador, ele não se intimidou, apenas sorriu de voltar e esperou o sinal. Percebi quando todos estavam em seus devidos lugares e me preparei.

Luccas levou o apito até os lábios e o som dele soou pelo campo.

Liam conseguiu roubar a bola de mim logo de primeira. Xinguei e corri atrás enquanto ouvia os gritos dos outros de ambos os times, empurrei com o ombro o novato o desequilibrando e capturei a bola. Sorri ao ouvi-lo praguejar e correr atrás de mim, Jonah e Jack logo vieram para cima de mim, mas antes de me cercar eu chutei a bola para Stefany. A garota guio-a até o gol sem a menor dificuldade enquanto eu e Eloise corríamos para nos posicionar nos lugares que desse vantagem á ela.

Liam se jogou bem em sua frente fazendo-a parar.

— Passa para mim! — Lizze gritou do outro lado. Stefany ouviu e fez o que foi pedido. Sorri com a cara dos meninos e segui Eloise com os olhos enquanto essa corria até o gol. Estava quase.

— Chuta para o gol! — Eu berrei para ela, mas isso acabou a distraindo e deixando que Jonah lhe roubasse a bola. Bufei batendo o pé no chão. Ele gargalhou indo para nosso gol.

Não perdi tempo e tentei pará-lo dando empurrões dos lados. Funcionou, pois ele grunhiu e perdeu a posse da bola, me dando a oportunidade perfeita de fazer o gol.

Encarei Jimmy no gol da onde estava e lhe mandei um sorriso. Ele se agachou também sorrindo e esperou. Respirei fundo, e chutei direto para a rede atrás de Jimmy, enquanto esse saltava, mas caía de cara no chão.

— ISSO! GOOOOL! — Harlow gritou de onde ela estava batendo palmas e pulando. Stefany e Eloise me abraçaram rindo e ofegantes e não pude fazer o mesmo. Era nosso primeiro gol, e isso era um passo para a vitória.

Jonah, Liam, Jimmy e Jack se juntaram em frente ao gol com as testas franzidas e parecendo confusos, e eu sabia que eles estavam pensando como era possível aquelas meninas estarem jogando também com apenas duas semanas de treinamento. Tá certo que eu me achei muito naquela hora, mas fiquei quieta.

O jogo recomeçou depois que Luccas apitou mais uma vez, mas foi a partir dai que minha sorte foi embora, pois com nada menos que dois minutos, Liam fez um gol, e Jonah outro logo em seguida. Quis muito socar aqueles imbecis por ficar me provocando com sorrisinhos maliciosos e olhares infelizes, e odiei mais ainda ao saber que só faltava um ponto para eles ganharem.

Engoli um palavrão feio e continuei tentando, mas meu esforço para ganhar foi um fracasso total, pois assim que começamos a terceira rodada, Stefany — minha melhor jogadora — caiu e torceu o pé de uma maneira que até mesmo doeu em mim.

Xingando muito, corri até ela as pressas.

— Não se mova — mandei quando ela fez menção de levantar.

O restante do pessoal se juntou a nós e Eloise se abaixou ao lado da prima.

— Consegue continuar? — Jack perguntou olhando por cima dos ombros dos amigos. Fiz careta quando a menina apertou os olhos e assentiu.

— Sim, posso fazer isso — garantiu, mas eu não era tola, imaginava quão doloroso estava seu tornozelo, e sabia que não podia jogar.

— Não seja boba. Sei que está doendo como inferno — resmunguei e mexi seu pé. Ela ofegou fechando os olhos.

— Desculpe — Lamentou. Suspirei ao ver sua sinceridade.

Não a culparia por isso nem que quisesse, eu inventei tudo aquilo.

— Tudo bem, mas precisa ir ao médico ver o tornozelo, provavelmente foi só uma torção, mas melhor não abusar — Me levantei e olhei para os garotos — Algum de vocês pode levar ela?

— Eu vou — Jack falou dando um passo frente — Mas e o jogo? — Dei de ombros.

— Não sei. Não posso continuar sem ela, desfalcaria meu time — E eu não era idiota o bastante para jogar sem ela. Perderia antes mesmo de começar.

Estava pronta para me virar e ir embora quando aquela vozinha irritante disse.

— Eu poderia ficar no lugar dela

Voltei onde eu estava pronta para pular no pescoço daquela vadia enxerida, mas já era tarde, os meninos já estavam sorrindo um para outro e assentindo com a ideia.

— Não! — falei somente — Eu não vou jogar com ela.

— E por que não? — Liam perguntou e eu o fuzilei com tanta raiva que o moleque chegou a se encolher.

— Ela nem sequer treinou — protestei — Isso está fora de questão.

— Mas então nós ganhamos — retrucou ele, sorrindo — Fizemos dois gols e vocês um. É justo.

— Não a nada de justo nisto… E não perdemos, podemos muito bem acertar no pênalti caso precisasse — Cruzei os braços sobre os seios teimosamente.

Jonah colocou o braço sobre os ombros do novato, sorrindo.

— Então vire o jogo agora marretinha. Deixe Helen entrar — Grunhi insatisfeita e olhei para a galinha ao lado. Não podia os deixar ganhar assim de mão beijada, era covardia e eu não era covarde.

Sem mais opções, bufei e andei até Helen, a agarrando pelo pulso e puxando até o vestiário.

— Acho melhor você ser boa.

~*~

Notas finais
Então? Mereço comentários? Sim!!!! Por favor, digam-me o que acharam, e outra. Agradeço a mais uma alma bondosa que apareceu ali no cantinho das pessoas que estão acompanhando. Agradeço de vdd.