Believe In Me

11 Capitulo 11 — Se divertindo


Notas iniciais
Foi mal por não ter postado ontem gente, cabei esquecendo kk. Mas pelo menos esse aqui é grande e dá para vcs aproveitarem. Espero que curtam okay. Boa leitura.

Tudo bem, eu vou arriscar dizer que o novato não era de todo idiota assim, e só dele ter conseguido me tirar do colégio sem ninguém ver, já ganhava um ponto comigo. Relutante, deixei que ele me levasse ao seu “lugar preferido”, o garoto falava coisas tão sem noção, que era impossível não rir de suas palhaçadas.

Acabamos pegando o metrô e olhe, não riam, mas eu nunca tinha andado de metrô. Foi uma aventura e tanto, por mais que o ambiente dentro daquele monstro metálico fosse ruim — meio abafado — ainda deu para aproveitar a nossa curta viajem. Liam riu quando disse que nunca havia entrado em um daquele, e na hora disse que iria acabar com esse problema, e assim o fez. E eu realmente aprovei. Pela primeira vez eu estava me divertindo de verdade, e Liam era o culpado daquilo acontecer. Queria agradecê-lo, mas meu orgulho não permitia tal atrocidade.

— Ainda não acredito que nunca tinha andado de metrô — Ele disse enquanto mastigava um enorme pedaço de cachorro quente. Seu peito não estava mais nu, pelo contrário, estava coberto por uma camiseta azul escura.

Engoli meu x-burgue completo que ele havia me comprado, e suspirei.

— Deus. Isso é tão bom! — Ah, eu nem estava ligando para ele me zoando, só me importava com o que tinha dentro daquela belezura — Hmm. Tem cheddar — Eu não estava acreditando que no que tinha feito. Eu praticamente choraminguei ao falar, mas vamos se dizer que eu podia, pois não tinha comido desde manhã.

Liam riu me observando.

— Gosta tanto assim? — finalmente olhei para seu rosto e pude ver o divertimento em sua expressão.

— Eu amo cheddar! — Ele sorriu.

— Está agindo normalmente. Que bom — Virei os olhos para ele.

— Aproveite. Pois no momento estou sobre o efeito do cheddar — brinquei, e ele riu terminando seu lanche.

— Bem, se cheddar for a chave para deixá-la mansinha desse jeito — Ele me mandou um sorriso libidinoso fazendo com que minha bochechas queimassem— Vou usa-lo como uma arma ao meu favor — Ri um pouco e voltei-me para frente andando por entre as pessoas enquanto terminava o que tinha em mãos.

— Não sei se devo te socar por isso, ou aceitar todo o cheddar possível — fiz uma cara pensativa e enfiei o restante do pão da boca — Opto pela primeira opção — falei de boca cheio e rápido como raio, acertei seu ombro.

— Hey! — balbuciou e ele agarrando o ombro — Não precisa de violência.

— Nasci violenta. Se acostume.

— Ninguém nasce violento. Você só se tornou assim pelo que passa em casa — Ah. Ele tinha que falar nisso?

— Estava tudo ótimo até você tocar nesse assunto — falei com desavença e acelerei o passo para tentar me afasta. Ele segurou meu braço.

— Ei, foi mal — disse me virando — Não queria entristece-la, mas é que… — Sua voz falhou e eu suspirei. Eu compreendia sua dificuldade em se expressar, eu mesmo tinha então resolvi dar uma chance.

— Escute. Vamos fazer um trato? — perguntei. Ele ergueu a sobrancelha.

— Que trato?

— Não vamos falar sobre meu pai durante o dia todo, certo? Eu…— A palavra prendeu em minha garganta não querendo sair, os olhos de Liam me fitavam esperando eu terminar. Bufei e soltei o ar indignada — Eu estou gostando disso aqui… Estou me divertindo pela primeira vez. Por favor, não estrague isso falando naquele que mais odeio — Liam ficou surpreso por conta da confissão, mas depois seus lábios se curvaram em um sorriso meigo de lado.

— Combinado — disse, apertando minha mão, mas não a soltou depois — Agora, vamos ao lugar que eu queria. Não está longe — Sorri, sentindo seu polegar acariciar a parte de cima de minha mão.

— Só espero que não me leve para um beco escuro — Ele riu e voltou a andar, sem desgrudar nossas mãos.

— E por que um beco? — dei de ombros.

— Ah, sei lá. Vai que você quer me dopar, me estrupa, e depois me deixar machucada dentro de um buraco escuro e cheios de inseto — estremeci — Não gosto nada disso — Liam gargalhou, riu tanto que lágrimas saíram de seus olhos. Sorri de lado gostado de ver isso.

— Você tem uma imaginação fértil — assenti com a cabeça.

— Com certeza tenho.

Andamos por um curto tempo, só até chegarmos em frente de um portão preto velho, atrás desse tinha uma porta tipo de garagem. Franzi a testa para Liam e ele sorriu.

— Chegamos — disse e se abaixou enfrente ao portão com uma chave.

— Sério? Trouxe-me para um porão abandonado? — perguntei a ele.

— Não é um porão — corrigiu e se levantou — E nem está abandonado.

— Então o que é? — Olhei para a grande porta curiosa, Liam se endireitou para puxa-la para cima.

— Jodie… Bem-vinda a minha academia — falou e em sequência levantou a porta de ferro pesada.

Arregalei os olhos assim que me deparei com o que tinha dentro daquele porão. Um espaço enorme, com sacos de box, um tatame, aparelhos para ginastica, pesos de diferentes números, e luvas de box organizadas nas prateleiras. Entrei, totalmente deslumbrada com aquilo, era como entrar em um templo.

— Oh. Meu. Deus — murmurei lentamente e passei os dedos pelas laterais no tatame. Sorri — Isso é demais — falei e olhei para o novato.

— Sabia que ia gostar — disse sorrindo e fechou a porta de ferro.

— Gostar? Isso é perfeito — pulei para cima do tatame e fiquei ao meio — É como na televisão.

— Na verdade, na televisão passa campeonatos, e neles os tatames são bem maiores — falou rindo e se apoiou na lateral que eu estava antes.

— Esse lugar é mesmo seu? — perguntei.

— Sim. Era do meu irmão, mas como ele resolveu fazer faculdade, acabou fechando a academia e entregou as chaves para mim. Venho treinar aqui todos os dias — Olhei em volta empolgada e sorridente.

— Isso é demais de verdade — falei novamente e pulei para fora do tatame. Corri para trás de um tipo de balcão e olhei as luvas enfileiradas e bem organizadas, mas então, uma em especial me chamou a atenção, acho que quase parei de respirar ao encontrar aquelas belezuras, essas estavam presas dentro de um vidro realmente bonito. O que não era para menos, até eu colocaria aquelas luvas em cárcere-privado.

— Você só pode estar brincando comigo — murmurei, e me inclinei para cima da caixa de vidro — São luvas autografadas por Muhammad Ali! — Olhei Liam, incrédula e espantada. Ele se aproximou sorrindo e colocou as mãos sobre a caixa.

— São. Acho que não devo ficar surpreso por você saber quem é Muhammad Ali — disse rindo e eu fiz uma cara de indignada.

— Como se eu fosse não saber dele. Esse cara é O campeão! — Apertei as mãos empolgadas e mordi os lábios em um sorriso — Muhammad Ali foi um dos maiores nomes da história do boxe mundial. O pugilista foi campeão olímpico em 1960, em Roma, na Itália, na categoria meio-pesado. Até hoje eu assisto as lutas dele, pois tenho gravadas em DVD… Como foi que conseguiu uma luva dessas? — Não sei se falei muito, mas Liam me encarava meio espantado, e parecia muuuito surpreso. Ficou um bom tempo me olhando, e fiquei insatisfeita por não conseguir distingui suas expressões.

— Você é impressionante, Jodie — disse por fim, e balançou a cabeça — Ela pertencia ao meu avô, ele conseguiu a assinatura. E então a luva foi passando pelos filhos e netos, temos a regra de usá-la em todos os campeonatos que passamos. Michael usou, e quando parou de lutar passou-as para mim, assim como a academia — Minha boca caiu e então fechou.

Mas logo perguntei.

— Você já lutou em campeonato? — Assentiu e eu ergui a sobrancelha — Então como, em nome de Deus, eu consegui te derrubar quando brigamos? — Liam, para minha surpresa, pareceu ficar sem palavras e ficou tentando encontrá-las.

Ele engoliu em seco e bufou.

— Eu estava mesmo distraído. Não é normal, mas, você… Conseguiu essa proeza — fiz careta.

— Eu? Como eu te distraio se não fiz nada? — retruquei e ele virou os olhos.

— Ora. Você tirou a blusa naquela hora, e quando vi seus braços…

— Oh! — franzi a testa em entendimento, e realmente fiquei mal por saber disso. Não queria ter ganhado dele só por que estava distraído por culpa de meus machucados, mesmo que naquela hora eu tivesse feito de proposito ao tirar a blusa, antes não parecia importar nada, mas agora, conhecendo ele melhor. Queria que naquela luta, eu tivesse vencido de forma limpa.

— Isso explica muita coisa — Me virei e andei até um dos vários sacos.

— Não está brava, está? — perguntou ele cauteloso.

— Por que estaria? -— perguntei de volta sem olhá-lo.

— Ah. É que você ficou quieta de repente — Suspirei.

— É chato saber que só ganhei por você está distraído — me voltei para ele — Odeio saber que não sou boa — Agora ele que fez careta, se aproximou de mim com determinação.

— Que não é boa? — repetiu descrente — Jodie, você bateu com a cabeça em algum lugar? — Hãn?

— O que? — Ele se aproximou mais, me deixando um tanto nervosa.

— Esse é único motivo para dar por você se achar ruim. Acho que você bateu com a cabeça e perdeu algum neurônio — Pisquei confusa e encostei-me ao balcão quando ele estava perto demais.

— O que quer dizer? — perguntei. Ele sorriu.

— Quero dizer que nunca encontrei uma garota tão dura como você.

— Acho que isso foi um elogio — Tentei não parecer nervosa.

Ele riu assentindo.

— Sim. É um elogio — Confirmou, e para meu espanto. Tocou os dedos dele em minha mão — Você é diferente, sabe lutar melhor que qualquer menina que já conheci e conhece o nome de um dos maiores campeões, e ainda tem um talento enorme com desenhos e musica…

— São um passa tempo — retruquei incomoda por ser elogiada tanto.

— Mas de qualquer forma é um talento, Jodie. Você não é ruim… Você é ótima! Tem ideia de quantas pessoas desejariam ter a metade da coragem que você tem? Ou metade da força que você possui — Senti meus dedos se entrelaçarem aos deles quando ele prendeu meus olhos aos seus. Quase ofeguei com o tanto de brilho que encontrei ali — Eu te admiro, e sei que é boa.

Havia ficado sem palavras pela primeira vez. Liam com certeza se superou ao falar, e enquanto eu encarava aquelas pestanas azuladas, tentava fazer o possível para não cair mole no chão. Aquela porcaria de arrepio estava percorrendo meu corpo todo, e a mão quente que me tocava era a fonte que provocava os arrepios, o que queria dizer que Liam causava aquilo em mim, e isso era assustador.

— Não… Poderia parar com o grude? —Tentei trazer minha ignorância de volta — Eu sei que sou perfeita, mas não precisa tentar me deixar encabulada — Soltei sua mão e desviei os olhos para um outro canto.

Ele soltou uma risadinha.

— Legal. A marrenta voltou — disse.

Ainda sobre o enfeito do seu toque, tentei me afastar, mas ele se colocou na frente.

— Por que está fugindo doçura? Não gosta de ser elogiada? — Não por você. Me faz ficar esquisita.

— Não. — respondi e dei um passo para trás, não querendo tocá-lo — Será que podemos fazer outra coisa? Menos falar sobre mim. E por favor, não me chame de Doçura, se não vai ficar sem teus filhos — Ele riu.

— Claro. Adorei a ideia, mas vou continuar te chamando de doçura — falou, e mais uma vez no dia, puxou a camiseta por cima da cabeça. Arregalei os olhos pare ele.

— O que está fazendo? — perguntei em alerta. Ele gargalhou.

— Calma Jodie. Não vou te atacar, só treinar — disse jogando sua roupa no chão e indo até a prateleira de luvas. — Não quer fazer o mesmo? — Era uma boa ideia.

Entortei a boca pensativa e depois olhei para as luvas que ele me estendia. Era vermelha com preta. Lindas.

— Pegue. Vamos treinar juntos.

— Não vou brigar com você. Quero fazer isso só depois de ganhar o jogo de futebol — Ele sorriu e cruzou os braços, seus músculos ficaram mais evidentes e eu tive que olhar para os pés a fim de ficar sob controle.

— Não vai ganhar da gente. Então se conforme e lute comigo agora — Cruzei os braços também e neguei.

— Não. E vai pensando que vocês vão ganhar, que vai acabar se ferrando, você pode ter ficado “distraído” na nossa primeira luta, mas na segunda vamos saber quem é o melhor — Liam continuava sorrindo divertido, mas ainda jogou as luvas para mim.

— Sei. Vou tentar me conformar disso, mas por enquanto, pode ter o saco como seu adversário… Boa sorte doçura — disse, e se virou para ir até uma esteira que tinha perto do tatame.

Observei ele correr apenas por umas horas, era difícil prestar a atenção em alguma coisa com ele sem camisa e todo suado. E só o fato dele estar correndo, o deixava mais sexy que o Bred Pitt… Tá legal, não tão lindo como ele, mas era quase. Parei de olhá-lo e me concentrei em me aquecer. Olhei para os braços e fiz careta para a roupa quente que usava. Seria difícil aquecer com ela.

— Pode ficar tranquila, Jodie — Ergui a cabeça e encarei Liam. Ele ainda corria e mantinha os olhos em outro lugar — Não precisa ficar com essa blusa só por causa do que tem em baixo. Eu já vi, lembra? — Engoli em seco e abaixei o olhar para as luvas, indecisa se deveria ou não me mostrar assim.

— Você só viu meus braços… — murmurei baixo — Não o resto — Notei que ele tinha ouvido quando a esteira parou de funcionar.

— Não vou falar nada Jodie — Ele se aproximava de novo, e eu não queria isso. Praguejei.

— Legal. Mas depois não diga que te distrai — censurei, e rapidamente joguei as luvas no chão e arranquei aquela blusa quente, puxando junto a regata que tinha por baixo. Fiquei apenas com um simples top preto, mas que cobria apenas os meus seios e deixava minha barriga amostra.

Liam puxou o ar, e eu me voltei para ele. Parecia horrorizado com o que via em mim, mas em alguma parte, ali bem no fundo de todo o horror, havia uma admiração completamente incompreensiva. Não dava para acreditar que aquela admiração era por minha causa.

— Jodie você… — começou, mas eu o cortei não querendo ouvir.

— Eu sei. Sou horrível e meu corpo é uma porcaria... — dei de ombros e calcei as luvas — Mas é o único que tenho — Me virei e fui até o saco de box, Liam permanecia em silencio e eu apenas ignorei começando a me aquecer.

— Não lhe acho horrível e muito menos uma porcaria — Ri sarcástica e mandei uma de direita no saco.

— Vou fingir que acredito, novato — Ele bufou, mas eu não me virei para encará-lo.

— Falo a verdade. Você não é feia Jodie, apenas…

— Sou defeituosa — completei colocando mais força nas investidas que transferia no meu adversário inquieto.

— Pare de se menosprezar garota. Você tem um corpo lindo mesmo que esteja maltratado e um pouco fora do peso, sei que não se alimenta direito — Fechei os olhos tentando parar de ouvi-lo, mas ele continuou — Esses machucados são irrelevantes comparado ao que você guarda dentro de si mesma, tente intender que beleza não é tudo na vida e nunca vai ser, e o modo como você trata a si mesma lhe faz um mal terrível — Suor desceu minha testa quando dei um sorriso cético e me virei para Liam.

— Terrível é ter que ouvir das pessoas que sou bonita, quando sei que não sou — tirei as luvas, minha respiração descompassada estava rápida e ofegante — Acha que não me olho no espelho Liam? Acha que não sei o que eu sou?

— Acho não. Tenho certeza! — Me enfrentou levantando o queixo — O que você vê, é uma coisa muito diferente do que eu vejo — Franzi a testa e balancei a cabeça não gostando do seu modo de falar.

— Não diga que vê beleza em mim, pois não há! Pare de tentar ser gentil Liam, isso já está me irritando e me atormentando — peguei minhas blusas do chão e minha bolsa depois que tirei as luvas e as descansei em cima do balcão.

— Jodie. Não quero que vire as costas para mim. Não intende que só quero ajudar? — Ele se frustrou e eu também não pude suportar sua petulância.

— Eu nunca pedi sua ajuda. Você veio até mim! — raiva tomou seus olhos quando se aproximou.

— Queria ser seu amigo. Eu quero ser seu amigo. Mas você não ajuda, está sempre se afastando. Quando vai parar de ser tão insegura e confiar em mim? — O tom magoado dele era mais cortante que eu imaginava, e na mesma hora quis abraçá-lo para que voltássemos a rir e brincar um com o outro. Sabia que se o afastasse, estaria sozinha para sempre, e agora que tinha provado pelo menos um pouco da liberdade ao seu lado. Perde-lo seria doloroso. Tão doloroso quanto foi a morte de minha mãe.

— Não sei confiar em ninguém. Entenda isso você — falei, não conseguindo dizer outra coisa.

E mais uma vez aquele silencio incomodante pairou pelo local. Pisquei para Liam e ele para mim, como se quisemos enxergar os pensamentos um do outro apenas com aqueles olhares intensos, comecei a ficar tentada a me aproximar. Eu queria me aproximar, mas como sempre, meu orgulho impedia a porrada toda, mas pelo menos o novato não se importava em ferir seu próprio orgulho, pois foi ele que andou até mim primeiro e apertou minha palma entrelaçando nossos dedos.

— Venha — disse, agora, suavemente — Quero te mostrar uma coisa — Ele tirou as blusas e a bolsa de minhas mãos, e as jogou onde estavam antes.

Deixei que ele me levasse até um tipo de porta. Era de madeira, cor marfim e com desenhos de arabescos, notei que ela uma pintura antiga, e por cima dela havia cartazes colados, celos, adesivos de chiclete e de caderno.

— O que tem ai? — perguntei.

— Tudo que conquistamos — respondeu e abriu a porta.

Dentro era uma sala pequena. Mas não uma simples sala. Ela tinha três estantes da mesma cor que a porta, e essas estavam lotadas com troféus de todos os tamanhos, e a única parede a mostra, tinha quadros e cinturões de campeonatos de muay thay. Entrei na sala deslumbrada e observei as fotografias, tanto em cores quanto em preto e branco, e em um dos vários quadros, havia gravado.

Ash Price Cory — 1789.

— Minha nossa. É seu tataravô? — Me espantei. Ele se aproximou com um sorriso.

— Sim — respondeu, mas depois fez uma cara confusa — Eu acho. Não sei muito distingui meus tataravôs, dos meus tatataravôs — Dei um risinho nervoso e voltei a olhar para a foto.

— Ele lutou em 1789. Ganhou? — Assentiu e apontou para um dos troféus, o mais velho e o maior de todos na verdade.

— Ganhou aquele. Nocauteou o adversário apenas com dois minutos de luta — disse orgulhoso, depois apontou para um dos cinturões na parede — Aquele. Meu avô Arthur, ganhou em sua terceira luta, foi um ano depois dele se casar com minha avó Lizz, e tinha vinte anos. Se me lembro bem, foi em 1977 — Andou até uma das estantes e pegou um dos troféus prateados, ele era praticamente do tamanho do meu braço — Esse, a irmã de meu avô, Nasthya, ganhou quando tinha 18 anos. Finalizou a luta com uma chave de braço impressionante — Ele acomodou a relíquia no lugar. Eu estava a totalmente pasma. Virei-me e apontei para um dos quadros da parede. Havia um garoto bem parecido com Liam, segurando um troféu que nesse momento, se encontrava junto de outros na estante.

— Quem é? — Ele olhou a foto e sorriu.

— Meu pai — Arregalei os olhos. — Meu pai começou a lutar depois que meu avô, com 43 anos, se aposentou. Esse foi seu primeiro campeonato, e tinha quinze anos.

— Seu pai também lutava? — Me impressionei. Ele assentiu.

— A linhagem de muay thai vem da família dele pelo que entendi — Murmurei pensativa. Ela confirmou, colocando as mãos paras das costas ao falar.

— Isso mesmo, e não sei se existiu um Corey que não lutava — falou e eu franzi a testa.

— Achei ter ouvido você dizer que seu pai era advogado como sua mãe — Lembrei, ele confirmou e deslizou até o chão para se sentar. Fiz o mesmo ficando ao seu lado.

— Ele é. Mas a luta sempre foi a vida de meu pai. Entretanto, ele acabou tendo problemas no coração e teve de para de lutar — Pude ver como Liam se importava com o pai, a preocupação estava bem estampada no rosto — Ele já conhecia minha mãe quando parou de lutar. Eles se casaram e ele largou as luvas de box, mas como minha mãe cursava Direito na faculdade, ele resolveu que o melhor era fazer o mesmo. Com o trabalho deles progredindo, meu pai abriu a academia no mesmo ano em que Mick nasceu apenas para estar em um ambiente que gostava sabe — Assenti em sinal de entendimento — Quando isso aconteceu meu avô ficou internamente feliz, mas morreu um ano depois. A morte dele afetou meu pai, ele fechou a academia e se concentrou apenas na faculdade, e foi enquanto a terminava, que eu nasci.

— Seu avô morreu no ano que você nasceu — Constatei entristecida por ele. Confirmou, os olhos triste como se sentisse falta de um vô. — Não tem foto dele e de seu irmão aqui? — perguntei curiosa para saber como ele era. Liam apontou para dois quadros mais a esquerda e eu tive de me levantar para enxergar.

Michael era tão bonito quanto Liam. O cabelo rebelde castanho escuro, olhos acinzentados e um sorriso desinibido. Se pareciam bastante.

— Você parece com ele — deixei escapar e ele riu.

— Eu sei. Muitos falam isso. — Sorri, e dei atenção para a foto de Arthur, um homem realmente grande, sorriso brilhando e uma cabeça raspada. Comparei a foto dele com a de Ethan, e quase deixei a boca cair para as semelhanças.

Sentei no chão de novo com as pernas cruzadas.

— E seu irmão. Por que ele parou de lutar? — Mais preocupação atingiu o rosto de Liam, e só com aquela expressão, eu consegui ter a resposta — Ele também tem problema com o coração?

O novato suspirou e balançou a cabeça em confirmação.

— Ele herdou o problema que meu pai tem. Com 17 anos, em 2012, teve uma crise de parada cardíaca em cima do tatame no meio do campeonato, os médicos o proibiram de lutar, o coração dele acelera rapidamente provocando raiva e descontrole… Isso também acontece com meu pai ainda, mas ele controla com remédios. Michael odeia remédios, e com 17 anos só queria saber de lutar e nada mais. Mas agora ele tem se acostumado com o tratamento, mesmo que o odeie.

— Deve ter sido difícil para os dois largar o que tanto gostavam de fazer — comentei.

— Sim. Foi— concordou — Mas eles superaram bem. Micki está namorando agora, e cursando faculdade de Direito por decisão dele… Creio que esteja feliz.

— Espero que sim — falei com um sorriso e depois perguntei — Por que está me falando isso tudo? Não que desgoste claro, pois conversar sobre sua família está sendo a coisa mais interessante do mundo — disse sincera e ele sorriu.

Puxou uma perna para cima e apoiou o braço.

— Contei para que você perceba que nada é fácil — falou com os olhos nos meus — Sei o que passa e odeio não poder ajudar, mas eu posso, pelo menos por enquanto, abri seus olhos.

— Abri meus olhos? — Repeti como uma idiota. Ele assentiu e puxou um braço meu para cima. Deslizou seu dedo indicador por lá me fazendo estremecer.

— Sim. Quero abrir seus olhos antes que faça uma loucura. Você se despreza tanto e nunca vê um lado bom… Veja meu irmão ou meu pai como exemplo. Eles largaram o que amavam fazer para se manterem vivos. Foi doloroso? Foi! Mas ele seguiram em frente, não ficaram se menosprezando e se tratando como lixo — Ele tocou um de meus machucados carinhosamente — Isso, por mais doloroso que seja, faz parte de você. Não é feia por conta disso, pelo contrario. É extremamente linda — Eu tentei conter, mas o sorriso se formou em meus lábios aos poucos, minhas bochechas arderam e sabia que estava muito vermelha. Eu ODIAVA ficar vermelha.

— Por que quer me fazer ficar bem comigo mesma? -— perguntei quase sussurrando e abaixando a cabeça — Nos conhecemos apenas há o que… Há sete ou oito dias? — Ele mordeu o lábio inferior, me encarando com algo mais do que carinho.

— Não sei. Mas não consigo deixar você desamparada — Ri.

— Desamparada, eu? — Sorriu e sua mão subiu mais um pouco, parando-a em minha bochecha, me esforcei para não fechar os olhos, lutei contra a vontade de esfregar o rosto contra sua palma.

MAS QUE MERDA ERA ESSA?

— Sim, Doçura. Desamparada e indefesa… Principalmente quando está assim, mansinha e me olhando com tranquilidade — Ergui a sobrancelha.

Tranquila? Quem disse que estou tranquila?

— Não me chame assim — mandei, apertando os olhos.

— Por que? — provocou.

— Porque eu não sou uma pessoa doce — retruquei e os cantinhos de seus lábios se curvaram para cima.

— Eu posso prová-la para afirmar isso? — Arregalei os olhos. Agora eu não estava apenas vermelha, eu estava constrangida e imaginado como seria beijar aquele infeliz provocador.

— Mas… Seu, seu… — Tirei a mão dele de meu rosto tentando não demonstra como eu queria que ele fizesse o que sugeriu. Ele sorria amplamente com minha reação — Idiota! — Sem pensar, joguei meu punho para frente querendo acertar seu olho, mas sua mão segurou a minha antes, e logo depois ele deu um puxão no meu braço.

Ele caiu para trás e me levou junto, mas eu consegui ficar em cima de seu peito SEM camisa.

Mas que merda!

— Me solta! — Mandei apoiando as mãos em seu tórax para me levantar. Ele gargalhou.

— Acho que não. Gosto dessa situação.

— Liam!

— Parece que só sabe meu nome quando te deixo nervosa — rosnei.

— Não estou nervosa.

— Está! E eu sei porquê — Engoli em seco.

— Vai para merda. Agora solte meus braços.

— Jodie, eu sei que se arrepia com isso — Ele passou o braço em volta da minha cintura. Me tremi toda — E sei que seu coração dispara assim como o meu quando chego perto de você — Ele roçou o nariz em minha bochecha e não pude ficar de olhos abertos com esse ato — Eu sinto sua respiração ofegante, Doçura… Sei que quer que eu a beije — Oh meu Deus. Eu quero, mas não posso. Merda, merda, merda — E garanto que não é única — Os dedos deles apertaram minha pele e uma de suas mãos ergueu meu rosto. Encarei seus olhos acinzentados, estava completamente desarmada. Infelizmente, ele sabia que eu queria beija-lo. Não podia negar. Aqueles lábios pareciam tão apetitosos.

— Liam… — Minha voz falhou e eu quis me bater por isso. O novato não sorria mais, pois estava ocupado demais abaixando meu rosto até o dele lentamente.

— Jodie…— Eu deixei, abaixei lentamente, notando seus olhos se fecharem quanto mais chegava perto. Fiz o mesmo, respirando rápido e com ansiedade, querendo encostar naquela parte chamativa de seu rosto, querendo prová-lo só para saber como é beijar. Nossos narizes se encostaram e eu fiquei mais aflita, e quando pude finalmente sentir só um pequeno — quase nada — roçar de seu lábio, eu perdi o controle de mim mesma e ele também, pois de repente os dois braços me envolveram para me beijar de uma vez, mas ao fazer isso uma de minhas feridas recentes latejou. Estremeci com a dor e abri os olhos…

MAS QUE PORRA EU TÔ FAZENDO?

Empurrei-me para trás assustada e com os olhos arregalados. Liam fez o mesmo meio fora de orbita e ainda sobre o efeito do pequeno roçar de lábios. Pisquei para ele me sentindo estranha e então, ao prestar a atenção nas batidas do meu coração, entendi o que estava havendo comigo. E com toda certeza eu detestei.

Putaquepariumano! Eu tenho uma queda pelo novato. E não era uma quedinha boba e pequena. Era daquelas do tamanho da Torre Eiffel. Uma muuuito grande.

Tô fodida!

~*~

Notas finais
Ahahaha. E o que acharam dessa descoberta? Contem-e okay. E ah, obrigada ao Leitora que apareceu ali no cantinho da fic. Valeu por aparecer e espero, que muitos façam o mesmo,não fiquem invisíveis please.