Believe In Me
1 Capítulo 1 — Muitas dores. Uma curiosidade.
Notas iniciais
O corpo dolorido e cheio de marca, meu orgulho no chão como sempre foi. Minha vida no meio de brigas e surras, aquele devia me proteger e me chamar de filha todos os dias, me bate e me tortura desde que minha mãe morreu de desgosto. Eu sou Jodie. Bem, na verdade, Jodie, é meu maldito sobrenome, mas ele é melhor que meu primeiro nome idiota. Moro nos Estados Unidos da América, em Princiton, um lugar calmo e com vários vizinhos irritantes, e vivo nessa chatíssima cidade desde que nasci, tenho 18 anos e infelizmente ainda vou para o colégio, terceiro ano do colegial.
Vivo em uma casa pequena, mas razoável junto com meu pai, ou melhor dizendo... Meu mestre-de-espancamento-bêbedo. Não tenho vida social, sou louca, me visto de forma mórbida e uso maquiagem forte e chamativa. Loira natural e as vezes tenho mania de me cortar por causa da minha droga de vida. Acho que você já notaram que eu sou um caso perdido não é? Que bom, pois odeio ter que falar de mim.
A única coisa que eu queria escapar mesmo agora, era do inferninho que era meu colégio, não conseguia mexer um músculo desde a última surra que Edgar Jodie, me dera, tudo porque ele estava bêbado demais para se parar, o que duvido muito isso ter acontecido mesmo assim. Eu já não chorava mais por causa desses acontecimentos, a mão pesada de meu pai tirou muitas lágrimas irrelevante de mim durante minha vida toda, e já estava cansada disso acontecer.
— Jodie! Levante essa bunda dai é vá para o colégio! — gritou o infeliz da cozinha. Ele apenas me deixava ir para o colégio porque não queria chamar a atenção de pessoas para a casa dele, por mim eu fazia o maior show para eles no meio da rua, mostrar meu corpo quebrado só para me livra desse idiota.
Com dificuldade, levantei-me da cama e caminhei até o armário. Tirei uma blusa preta de mangas curtas e uma jaqueta de mangas compridas paras tampar os machucados em meus braços, e mais a minha calça jeans escura. Enquanto tomava banho, sentia as feriadas do cinto de meu pai arderem incontavelmente, mordi os lábios cravando as unhas nas palmas das mãos e respirei fundo. Tomada banho vesti minhas roupas sem cor, e minhas botas pretas de cano alto.
Em frente ao espelho passei o lápis exageradamente e depois nos lábios um batom preto. Sim, eu só usava preto, odiava coisa rosinha ou clarinha, era muito menininha e patricinha, meu mundo era escuro, não cheio de coisas fofas.
Pronta, saí do quarto ignorando as dores nas pernas e nas costas. Edgar estava sentado no sofá assistindo alguma coisa. Por mais que eu odiasse admitir, eu era parecida com ele. Tinha puxado o mesmo cabelo loiro, os olhos azuis e a pele branca até demais.
Eu me odiava por isso.
— Estou saindo — falei sem esquecer da arrogância na voz.
— Já sabe se falar não é? — perguntou sem me olhar.
— Sim, senhor — respondi, e sai de casa.
Respirei fundo fechando a mão em punho e apertando os olhos.
— Um dia isso vai acabar — murmurei para mim mesma, e depois segui para o colégio.
Nada mudava. Era eu colocar o pé dentro daquele inferno que todos davam para me encarar e cochichar coisinhas, com certeza, ao meu respeito. Da última vez que uma garota veio dar uma de gostosona para cima de mim, aconteceu a coisa mais linda, ela ficou com um olhou roxo depois que acertei meu punho contra seu rostinho perfeito. Eu ganhei uma suspensão e uma surra de fio do meu pai, mas pelo menos eu consegui algo ao meu favor.
Virando os olhos entrei na sala de Química Avançada e fui até minha mesa bem lá no fundo. Fucei na minha mochila e tirei meu caderno de desenhos, era a única coisa que eu conseguia fazer sem destruir, mas você não vai ficar surpreso em saber que meus desenhos são meios mórbidos, eu nunca deixava o sangue e o sinal de dor sair do meu foco, era uma coisa que eu sabia descrever apenas no papel, ou até mesmo através de uma música, mas eu não estava com paciência para ficar cantando para todo o lado, então para não enlouquecer acabava criando desenhos sofridos e assustadores.
— Bom dia, crianças — O professor Maxwell cumprimentou ao entrar na sala. O bando de pessoas ecoou em coro de gritos ao cumprimenta-lo e eu virei os olhos voltando ao meu caderno — Então gente, hoje teremos um novo aluno para nos acompanhar nessa maravilhosa ao aula.
— A onde está essa aula maravilhosa ,Max? — perguntou um garoto do fundo, e o restante riu.
— Meu caro Tomas, Química é sim uma matéria interessante, basta aprecia-la do jeito certo — rebateu o professor com sua serenidade irritante — Em fim, quero que recebam bem o novo colega de vocês, Liam Corey — Ouvi a porta da sala ser aberta e ergui os olhos.
Pisquei varias vezes para ver se não estava tendo uma miragem.
Bem ao lado do professor estava um garoto alto, cabelos castanhos claro, um rosto perfeito que emanava confiança e educação, olhos azuis quase acinzentados e um sorriso cheios de dentes perfeitos. Falando serio, eu podia ser louca, psicopata ou esquisita, mas eu sabia apreciar o que era bonito, e aquele indivíduo era a coisa mais gostosa de todas.
— Seja bem vindo Liam, e fique a vontade para achar um lugar — Liam acenou para o professor e depois rolou os olhos pela sala.
Não intendi muito bem quando seus olhos fixaram em mim e sua sobrancelha se ergueu, mas mesmo assim eu encarei de volta na maior cara de pau, eu não sou do tipo que foge dos olhares questionadores dos outros.
Acho que ele ficou meio encabulado com minha ousadia de encará-lo, pois desviou o olhar e se sentou na primeira carteira da fileira ao meu lado.
— Então, onde foi que paramos na matéria dada ontem? — Max perguntou, fuçando no caderno de todos os outros. Entediada voltei a minha atenção ao que estava fazendo.
Um quarto vazio, paredes manchadas e sombreadas com lábis e giz, cada detalhe do desenho feito com perfeição e raiva. Sorri enquanto passava os dedos pela imagem horrenda de uma menina encolhida no chão cobrindo a sua nudez e seus machucados, cortes e mais cortes em seus ombros e pernas, os mesmo que eu tinha e os mesmo que tentava esconder.
Duas horas e meia apenas caprichando na minha paisagem, duas horas e meias ignorando o professor e os alunos que me encaravam, duas horas e meia sentindo os olhos do garoto novo em cima de mim.
Assim que ouvi a sineta tocar fui a primeira da sala a levantar. Eles me olharam torto enquanto marchava até a porta.
— Erg, tão sem estilo... Olhem a roupa dela — falou Lisa, mais conhecida como “A-vadia-irritante-da-sala” ou o termo que mais gosto: Aquela que levou um soco da Maria Macho”, ou seja; Eu.
Respirando fundo, parei bem ao seu lado e vi a mesma engolir em seco.
— Eu sou o que? — perguntei calmamente, mas só foi eu abrir a boca para todos prestarem a atenção e ficarem quietos.
— Na-nada querida, estava falando da... Da, Lívia — sorri maldosamente vendo a menina quase mijar na calcinha por medo de mim.
— Acho, bom — falei, e sai da sala pendurando a mochila em meu ombro.
Chato, chato, próxima aula era educação física, o que eu odeio, então apenas segui para a biblioteca, cabularia aula até Edgar resolver me tirar desse lugar. Para que eu estava aqui? Era muita perda de tempo considerando que já levei mais de uma suspensão e ocorrência. A biblioteca era a parte maior do colégio e um lugar de paz para mim quanto queria fugir dessas porcariazinhas de aulas.
Joguei minha mochila na mesa e caminhei até a prateleira de livros. Anjos caídos, sempre lia sobre anjos, vampiros e demônios, lobisomens e bruxaria. Tudo que envolvia sangue, espíritos ou dor, eu já li, mas eu era fã mesmo do digníssimo Edgar Allan Poe. (Uma merda o meu escritor favorito ter o mesmo nome do meu maior pesadelo)
A vida dele era tão fascinante, parecida com a minha, cheias de desgraças e dificuldades.
Peguei um que não me cansava de ler. “O gato preto” e mais a biografia dele. Me sentei na cadeira e me perdi naquele mundo sofredor.
— Livros mórbidos. Acho que combina com você — Olhei por cima do livro e ergui a sobrancelha ao dar de cara com Liam, o garoto novo.
— Hmm. Acho que não pedi a sua opinião — falei com arrogância e abaixei os olhos para o livro.
— Não, mas eu só queria ter a chance de ouvir você ser rude — disse com ironismo e escutei ele puxar a cadeira e se sentar.
Franzi a testa para ele.
— O que está fazendo?
— Sentando.
— Eu notei isso, mas por que aqui?
— Porque, eu quero. — falou, e não saquei por quê ele estava sorrindo — Edgar Poe. Por que gosta dele? — Não respondi, apenas voltei a ler — Você não fala muito não é?... Por que todos ficam olhando para você? — bufei alto e joguei o livro na mesa.
— Merda garoto, dá o fora daqui! — Liam sorriu e se encostou na cadeira, cruzando os braços sobre o peito alto.
— Não tô a fim — Certo, o que está acontecendo aqui? Por acaso ele perdeu a noção do perigo? — Ainda não me respondeu... Por que todos te encaram?
— Quer saber por que todos me encaram? — assentiu. Eu sorri e me levantei aos poucos— Porque eu sou uma louca psicopata, e eles sabem que devem ficar longe de mim assim como de minha vista — Liam me encarou sem dizer uma palavra, eu virei os olhos e peguei minha bolsa — Quer ficar ai, fique. — falei e me virei para sair.
— Ei! Espera — Ele chamou enquanto eu caminhava — Me diga apenas o seu nome.
— Me esquece, idiota — rosnei sem olhar para trás.
— Ah qual é, só quero ser seu amigo — disse já do meu lado.
Meu amigo? Por que ele quer ser meu amigo?
— Não preciso de amigos! — respondi grosseiramente.
— Claro que precisa, todos precisam. Vai me dizer que não tem nenhum? — Virei a esquerda no correndo empurrando as pessoas que estavam em meu caminho.
— Não, eu não tenho. E estou ótima sem.
— Eu duvido. — Ele olhou em volta — Todos parecem ter medo de você aqui — sorri.
— Eles são inteligentes – falei, e mandei um olhar para ele que indicava raiva — Mas sempre existi um idiota para mudar isso.
Ele riu, e por mais que eu não quisesse, eu notei que ele ficou lindo o fazendo.
— Está certa, não tenho medo de você — parei em frente ao meu armário e o abri.
— Você é novato, ainda não sabe da minha reputação — murmurei enquanto pegava meu celular. O escondia do meu pai para que ele não pegasse e vendesse pra conseguir dinheiro para comprar bebida.
— Você podia me contar — falou, encostando-se nos outros armários e me encarando.
— Não preciso fazer isso, mais cedo ou mais tarde você irá saber — fechei a porta do armário com força e me virei para ele — E quando descobrir espero que faça o certo.
— Que, é? — perguntou se aproximando. Até demais na minha opinião.
— Ficar longe de mim — respondi, e sai andando em direção ao refeitório.
Esse mundo definitivamente está de cabeça para baixo. Como aquele garoto vem falar comigo? Ninguém nunca fala comigo! Isso é estranho, e muito.
— Cada um com a sua loucura — murmurei e passei pelas coisinhas sem sal das lideres de torcida para chegar a minha mesa.
Peguei meus fones e os liguei no último volume. Rock pesado para mim sempre. Fechei os olhos e fiquei vagando pelo meu mundinho, ou melhor... Lembrando de coisas que me levaram a ser do jeito que sou.
~*~
Doze anos antes...
— Vamos querida, suba rápido! — Marissa gritou para a filha em desespero. Seu rosto estava banhado em lágrimas violentas enquanto empurrava a menina contra escadas. Seu cabelo ruivo caiu sobre sua face quando tropeçou em um degrau.
— Mamãe! — A menina de seis anos, gritou.
— MARISSA! — A voz do homem que assombrava os pesadelos da garota berrou da porta, a mulher caída no chão olhou nos olhos da filha e a beijou.
— Corra para o quarto e esconda-se de baixo da cama. Não olhe para trás, a mamãe vai proteger você tudo bem? — A garota assentiu, e assustada, correu para o quarto que dormia com sua mãe.
Jodie estava terrivelmente confusa e assombrada, a voz de seu pai era audível mesmo se tampasse os ouvidos, os gritos e soluços de sua mãe eram como facas em brasa descendo a sua garganta.
— Você não tem mais o direito por nós! ESTOU CANSADA! — Marissa gritou no cômodo de baixo. Jodie ficou em baixo da cama como a mãe disse, mas ainda era possível ouvir coisas sendo jogadas no chão e passadas pesadas vindo em sua direção.
— NÃO! Você não vai encostar na minha filha!
— CALADA! — A porta do quarto se abriu e a menina tampou a boca para abafar os soluços que saiam. — Onde ela está? … ME DIGA AGORA!
— Está segura. Não Vou você tocar nela. Vou levá-la embrora….— Sua mãe não terminou, pois levou uma bofetada no rosto que a fez cambalear para trás.
— Idiota! Você não vai embora e não vai levar a minha filha — Edgar disse. Jodie se colocou um pouco para frente e acabou pegando a visão de seu pai agarrando sua mãe pelos cabelos — Eu já disse que deve me obedecer Marissa, mas você não o faz, parece que gosta de me ver nervoso.
— Vai pro inferno! — rosnou ela. O homem fez careta e a jogou no chão com força.
As lágrimas caíram mais rapidamente quando os olhos da mãe se encontraram com os seus. Merissa chorava olhando para filha, medo e pavor acumulado seu corpo.
Medo de Edgar machucar sua menina, medo de não suportar viver mais um dia e deixa-la com o mostro que era seu pai.
— Irá aprender a me obedecer de uma forma ou de outra — Jodie viu Edgar tirar o cinto lentamente, e com os olhos arregalados, olhou para sua mãe.
— Mamãe — a menina falou sem emitir som. Os lábios de Marissa tremeram
— Eu te amo, filha — falou, também, sem emitir som nenhum.
E então, o cinto de seu pai foi de encontro a pele dela, a mesma gritou alto cobrindo a ferida com a mão e se contorcendo no chão…
~*~
Ano atual.
— Ei... Tudo bem? — pisquei varias vezes quando ouvi uma voz. Olhei para cima e encontrei Liam de novo me encarando, mas dessa vez ele parecia preocupado.
— Fala serio, não tem como você me deixar em paz? — reclamei voltado a realidade. Liam franziu a testa e puxou a cadeira para sentar.
— Por que está chorando? — franzi a testa e passei a mão pelo o rosto.
Me xinguei varias vezes ao notar minhas bochechas molhadas. Balancei a cabeça enquanto as secava.
— Não te interessa — rebati e depois o encarei raivosa — Por que está na minha mesa?
— Não estou vendo seu nome gravado nela — sorri e levantei o braço dele para apontar o grafiti feito a lápis por mim.
Ele sorriu.
— Jodie? — perguntou parecendo interessado – Seu nome é Jodie?
— Infelizmente. Agora, vaza.
— Por que tanta agressividade?
— Porque não sou gentil.
— Poderia ao menos me tratar como gente.
— Odeio, gente.
— Certo, então me trate como quiser — falou se ajeitando na cadeira — Desde que converse comigo.
— Não quero conversar com você. Olhe em volta — apontei para o povinho que encarava minha mesa com expressões surpresas — Há muita gente fútil e intrometida para você fazer amizade, vá conversar com eles.
— Não quero saber deles, e sim de você — ergui a sobrancelha.
— Por que de mim? Não sou interessante — sorriu novamente. E sabe que eu descobri?
Eu odeio o sorriso dele, ele me tira o foco de qualquer coisa.
— Com certeza você é — falou, e depois dessa eu apenas o encarei sem palavras.
PORRA! O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM ESSE MOLEQUE?
— Você desafia a minha paciência — Com certeza ele o fazia, só queria saber o porquê.
— Descobri que gosto de desafios — disse se colocando para frente da mesa — E isso é novo para mim.
— Quer que eu te soque para ver se volta ao normal? — peguntei com a esperança dele me olhar com medo e fugisse de mim, mas o pior é que ele gargalhou, e alto.
Eu já não estava entendendo nada.
— Você nunca conseguiria me acerta. Treino box, muy-tai, taekwon-do e já fui lutador de Greco-romana— Sim, eu me surpreendi com a resposta dele, mas não demonstrei, apenas me levantei o encarando.
— Duvida que consigo? — perguntei e ele se levantou quase grudando seu corpo ao meu.
— Duvido! — sorri perversamente e dei mais um passo.
— Desafio aceito. Estava mesmo com vontade de chutar a sua bunda — Ele riu.
— Que tal uma aposta? — franzi a testa notando as pessoas nos rondarem — Se eu te derrubar primeiro, eu quero uma coisa.
— O que mauricinho?
— Um beijo — PORCARIA! Ele disse mesmo o que eu estou pensando? Não, isso só pode ser brincadeira!
A surpresa mais uma vez me atingiu e essa eu não tive como esconder assim tão facilmente.
— Está falando serio? — perguntei em tom curtidor. Ele assentiu sorrindo grandemente — Você só pode ser doente – Murmurei fazendo uma careta para os outros que nos observava.
— Vai amarelar? — apertei os olhos para ele e só de raiva, o puxei pela gola da camisa, deixando nossos rosto apenas um dedo de distancia. Ele parou de sorrir e agora me encarava surpreso.
— Eu vou quebrar a sua cara, e você vai me deixar em paz — rangi os dentes e logo depois o soltei sem delicadeza — Então bando de idiotas— Berrei para a multidão do refeitório – QUEM ESTÁ A FIM DE VER UMA BRIGA?
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