Believe In Happiness
2 Capítulo 2- Uma nova vida
–Onde é que estiveste? Pensava que estavas a dormir. Íamos agora acordar-te para te preparares porque temos voo às 10 horas!- disse o meu pai. Como se eu não soubesse…
–Esqueci-me dos auscultadores no carro e fui buscá-los para meter na mala- não sei há quanto tempo eles estavam acordados mas arrisquei nesta desculpa, acho que vai resultar.
–Está bem, vai-te preparando porque daqui a pouco quero-te a ti e à Liliana prontas. Ah! E faz-me um favor, acorda-a.- nem protesto porque sei que não é difícil acordá-la, normalmente quando a quero acordar basta fazer um pouco de barulho.
Entro no meu quarto e bato de leve com a mão no seu braço, o que a faz abrir os olhos. A Liliana acorda sempre muito… desorientada, digamos, o que não deixa de ser engraçado mas às vezes irritante. Ela é mais nova que eu dois anos, pois ela tem 14, no entanto, para o que quer, consegue ter uma mentalidade bastante persuasiva. Não confio nela, não lhe conto nada da minha vida pessoal porque sei que ela pode usar isso contra mim. Ao contrário de mim, a Liliana conta-me tudo, das suas amizades, a maneira como consegue persuadir os rapazes e a sua mãe, bastante convencida e confiante da sua beleza exterior… Embora eu não ache que a sua interior seja muito “bela”. Não tem só lados maus, também tem bons. Ela é bastante divertida e muito fácil de ter conversas alheias.
–É hoje o grande dia! Finalmente… VAMOS PARA LONDRES!- sim… A Liliana está entusiasmada por viver em Londres e nem se importa das pessoas que deixa para trás. Acho absurdo.
–Sim… Entusiasmo! Veste-te rápido porque vamos embora daqui a pouco- arrumei o resto das minha coisas e meti-as nas malas à entrada de casa, sentando-me em cima delas para observar a agitação. Até que o meu telemóvel começa a tocar, era a minha mãe.
–Bom dia, filha. Então, é hoje que nos despedimos. Vou ter muitas saudades tuas. Mas sei que é para o teu bem. Podias ficar a viver comigo… Mas pronto.
–Mãe, já falamos sobre isto. Além de que foste tu própria a dizer que é para o meu bem, não vamos voltar ao mesmo…- não sei se é a opção correta mas não me apetece estar a conversar novamente sobre este assunto.
–Desejo-te uma boa viagem, telefona-me quando chegares.
–Está bem.- desligo a chamada
–Joana, mete a trela ao Brutus!- pronuncia a Marlene, a companheira do meu pai.
–Oh, a sério?!- murmuro baixinho. Meter a trela no cão é uma coisa que me irrita bastante visto que tenho de andar atrás dele pela casa, é enfadonho, embora já me tenha habituado porque também sou obrigada a passeá-lo.
Levanto-me, indo buscar a trela e logo em seguida procuro o Brutus pela casa. Quando o avisto começo a correr porque ele é rápido e não gosta de meter uma “corda” ao pescoço, por um lado até o percebo. Quando estou quase a apanhá-lo tropeço, caindo no chão. De quem é a culpa? Liliana!
–Desculpa, não foi de propósito, tropeçaste nas minhas malas. Mas olha que até teve graça- quando acaba de se desculpar, simplesmente ri-se.
–E sabes o que vais fazer agora? Meter a trela ao cão. A tua mãe mandou-nos fazer isso- minto. Quem disse que ela não merecia? Porque merecia. Levanto-me do chão, examino-me, não me magoei. Se calhar a culpa também é minha porque eu não vi as malas e sou muito desastrada.
–Está bem. Espera aí! Quem te deu essa pulseira? Nunca a tinha visto e é linda!- ao dizer isto, observa a minha pulseira. Tenho de pensar muito bem na minha resposta. Não posso dizer que foi um rapaz e muito menos anunciar que me deram hoje.
–Foi ontem, quando me despedi da Marta, ofereceu-me isto.- Consegui uma resposta razoável. Parece que estou sempre a mentir… No entanto não me considero uma mentirosa, muito menos má pessoa, as minhas mentiras de hoje não prejudicaram ninguém e nunca prejudicarão porque eu sei medir os meus atos, apenas só o faço de vez em quando por não ter outra alternativa.
–Meninas! Vamos embora!- anuncia Marlene através da cozinha.
Parece que está na hora de ir embora.
Liliana já tinha o cão, então dirigimo-nos para a porta de saída com as nossas malas. Saem todos de casa e eu faço questão de ser a última. Olho em volta da casa, apesar de ser pequena, é acolhedora e passei a maior parte da minha vida aqui.
–Adeus…-murmuro. Então fecho a porta, desço as escadas do prédio e dirijo-me para o carro.
Estar à espera de um voo é muito aborrecido, mas eu adoro viajar. Não para ser definitivo…
–Está na hora de entrarmos. Fiquem com os vossos documentos na mão para poderem mostrar- falou o meu pai.
A viagem de avião foi tranquila, apesar de no início a Liliana parecer estar possuída por causa do entusiasmo. Acabou por adormecer.
Quando chegamos, saímos do avião. Estava frio. Acabamos por vestir um casaco. Mais um dos motivos do porquê de não gostar desta cidade. Frio.
–Agora está na hora de conhecerem a vossa nova casa. É mais espaçosa que a que tínhamos em Portugal- exclama Marlene com um sorriso nos lábios.
Olho para a janela do carro observando a paisagem. Londres era diferente do Porto, já para não falar dos autocarros vermelhos, que realmente me fascinou. Passamos pelo famoso Big Ben e a Abadia de Westminster.
A casa ainda era um bocado longe do centro da cidade. Quando entramos na rua em que iríamos viver, reparei nas várias casas lado a lado e umas em frente às outras, separadas apenas pela estrada e passeios.
–É esta!- Marlene aponta para uma casa com um jardim pequeno e um muro à volta. Existia muitas iguais àquela mas não deixava de ter o seu encanto.
O meu pai estacionou o carro em frente à casa. Pegamos nas nossas malas e no cão, e entramos na casa. A sala era grande e em frente à porta de entrada tem umas escadas que provavelmente darão acesso ao andar de cima, os quartos.
–Cada uma tem um quarto, escolham. Existe dois que têm a mesma dimensão, por isso tanto faz.- explicou o meu pai.
Eu e a Liliana subimos, havia um quarto em que a sua janela era em frente à casa dos outros vizinhos, o que não nos agradou muito, e tinha o outro quarto com a mesma dimensão mas uma janela com uma paisagem mais apelativa. Ambas queríamos ficar com esse quarto, então resolvemos jogar “Pedra, Papel, Tesoura”.
–Aos três- Anunciei. Liliana escolheu pedra enquanto que eu escolhi papel, fiquei mais confiante. No entanto ela ganhou as outras duas jogadas.
–Fica para a próxima…-ri-se e entra no seu novo quarto.
–Pois, sim… Idiota.- Murmuro. Dirijo-me ao meu quarto com uma linda imagem para os vizinhos e começo a tirar as minhas coisas das malas. O quarto tinha muito espaço, o que me contentou.
-Ao menos isso!- retruco.
Era o início de uma nova vida.
Notas finais
Beijinhos , fiquem bem (;
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