Beijada Por Um Anjo
3 Indiretas
Notas iniciais
Os dias após o nosso selinho foram como os outros, nada mudara, não havia motivos para mudar, para nos estranharmos, éramos amigos – Eu talvez uma amiga mais abusada, mas tudo bem.
- Laura, tem visita pra você... – Disse minha mãe da escada. Vamos falar da minha Rainha, que é uma verdadeira rainha, agüentou muita coisa quando menor e encontrou a felicidade quando conheceu o alemão do senhor Lucas Medeiros, dentre tantas idas e vindas de seus relacionamentos, acho que o coração da Dona Ester sempre foi dele e o dele sempre foi dela. Modéstia a parte, meus pais são o casal mais lindo que já vi na minha vida, eu e Augusto somos as copias fies de ambos, principalmente meu irmão... Às vezes eu até penso que sou adotada, me olho mais uma vez no espelho e vejo o nariz do meu pai e a boca da minha mãe e não há como negar.
Desci as escadas correndo, Vininho estava sentando frente a frente ao meu pai, que o encarava com os olhos claros semisserrados, minha mãe não conseguia esconder sua vontade de rir, meu pai nunca demonstrou tanto ciúmes quanto naquele momento, e estava claro que Vinicius queria correr dali o mais rápido possível de tanta vergonha.
- Oi – eu disse abrindo um largo sorriso, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha, me aproximei e dei um beijo em meu pai, que me segurou e me fez sentar ao seu lado, sem deixar eu cumprimentar o “Sorriso”.
- Ô Ester... Vem cá minha loira, vamos conversar com esse... Bonitão. – Eu queria rir, não me aguentava mais, olhei pro Vininho, que por minha culpa, agora também queria rir, minha mãe juntou-se a nós três e a conversa se iniciou. Meu pai fazia perguntas do tipo “qual sua intenção com minha filha?” ou “Você usa drogas? Se sim, justifique suas resposta.” A conversa ia se estendendo e aos poucos, a simpatia do Vini ia contagiando meu Coroa Ciumento. – Cara... Você é muito... Engraçado, gostei de você, no desbaratinado! Ele é legal né Morzão? – Ele dizia rindo olhando pra minha mãe, enquanto Vininho me olhava com cara de duvida prendendo o riso, minha mãe ria também, acabamos sendo levados pelos risos dos dois patetas que eu amava mais que tudo nessa vida. – Toma, pega a chave da Ferrari e vai dar um role com a Laura, mas ó... Cuidado ein, é a minha ruiva que você vai andar, tenho apego por ela. – Ele jogou a chave nas mãos do Vininho que as olhou e em seguida disse
- Mas eu tenho quinze anos Seu Lucas... Não posso e nem... Sei dirigir.
-Ué, o Augusto e o Victinho são da sua idade e saem de pião por aí... Ah, ta tudo bem, vão a pé mesmo, só tomem cuidado, e é bom cuidar da minha filha senão...
-Senão? – Disse minha mãe arcando uma sobrancelha, sorrindo de uma forma que... Hipnotizou meu pai, aquilo me fez rir. – Tanta coisa pra você se preocupar, vai se preocupar logo com isso? – Ela fez um bico, e eu continuava rindo com o Vininho. – Esse garoto é um anjo,não ta vendo? Vamos subir agora e pensar um pouco na nossa vida, vamos. – Ela se levantou deu um tchauzinho com a mão, agora ela ria e ia levando meus pais junto a si já estavam perto da escada quando meu pai virou-se e disse
- To de olho em você garoto! – Ele pegou “Sua loira” nos braços e subiu, eu e vininho dobrávamos as gargalhadas quando ele parou pra me olhar.
- Agente pode ir agora? – Ele sorriu e aqueles olhos azuis penetraram minha alma
- E aonde vamos Bonitão? – ele riu
- Dar um role de Ferrari por ai. – Vinicius tinha um humor infalível, ou eu era tão... Boba que ria de qualquer coisa que ele dizia. Levantei e ele também, peguei um casaquinho, já era outono, nos conhecemos em meados de dezembro, já era tanto tempo...
Fomos ao parque, conversamos um pouco, falamos sobre as pessoas que passavam por ali e o que provavelmente elas pensavam, olhamos as crianças, como sempre, falamos de tudo. Depois de uns 30 minutos ou mais, quando estava com ele, a hora passava tão rápido que era impossível notar, fomos para sua casa, ainda sem saber o que fazer.
- Com licença. – Eu disse entrando, e no sofá estava a Loira, como uma obra de arte que se levantou rapidamente me encarando e dando um beijo rápido no Vininho.
- Você já pecou Vinicius? – Ele nos encarava, Vinicius me olhou, e voltou a olhar pra sua mãe.
-Claro que não mãe. – Ela sorriu e dei um beijo em sua testa e voltou a me olhar, eu olhei para o Vinicius e por 5 segundos foi silencio absoluto no local.
-Está bem... Confio em você... Estou indo para o trabalho, volto ás oito, se cuida, qualquer coisa me liga ou liga pro seu pai, eu te amo. – Ela abriu a porta e saiu, passamos uma tarde maravilhosa, ás 19h45min ele me levou de volta pra casa, no outro dia havia aula e eu só queria passar mais tempo com ele.
Pietra passou em casa atrasada... Como sempre, seu pai nos levou para o colégio, o portão estava quase fechando, saímos correndo, e aquela cena nunca mais sairá da minha cabeça.
-Você precisa dormir mais a noite – Eu disse rindo enquanto escrevia no caderno.
-Como? Eu tava assistindo um filme tão legal ontem... Não podia dormir! – Ela disse tentando espiar o que estava escrito, eu me agarrei ao caderno ainda rindo.
- NÃO PODE LER! Só depois... Talvez... Ou não. – eu continuava rindo, aula vaga me dava uma baita inspiração, o que era bom.
-Você é muito malvada sabia? Laura Má Medeiros Campari. – Ele sempre isso, terminando de escrever, ela ainda tentava espiar, e eu continuava rindo.
-Para Pietra, ó, você vai entregar para o Vininho está bem? E nem pense... Em espiar. – Eu disse rindo, pois sabia que ia fazer aquilo.
-Ta bom... – Ela franziu o cenho e tomou a carta da minha mão, colocou próximo ao nariz. – Tem o seu perfume? – Ela soltou uma gargalhada estrondosa e eu acabei rindo também.
Saindo do colégio, ela foi direto entregar a carta pra ele, eu poderia entregar pessoalmente, mas... Não. O legal das cartas era ser entregue por outras pessoas. Mal havia chegado a casa e corri para atender ao telefone, Augusto como sempre devia estar na casa do Victor ou algo do tipo... Com o Victor. Meus pais saíram pra trabalhar, e eu fui atender ao telefone...
- Alô?
-Oi Laurinha é o Vininho...
-Oi Vininho, porque não foi pra escola hoje?
-Vem aqui em casa?
-Mas eu perguntei primeiro.
-Se você vir aqui eu posso te explicar.
-É mesmo né... –rimos. – Tudo bem to indo, beijo. – Ele retribuiu e eu desliguei, tomei uma ducha rápida, peguei uma maçã e fui comendo no caminho. Cheguei a sua casa e ele me deu um forte abraço, eu sorri e entrei.
-Recebeu a carta? — Eu disse com um sorriso meio de canto
-Eu... Adorei. – Ele sorriu e mostrou que era verdadeiro, ele havia gostado. – Eu posso agradecer?
-Ué, pode sim. – Eu disse rindo. Ele se aproximou me puxou pela cintura e seus lábios tocaram os meus. Naquele momento senti o frio na barriga, uma confusão de sentimentos, minhas mãos acariciavam sua nuca e as suas alisavam minha cintura. Éramos apenas um naquele momento, o mundo inteiro havia parado, pra mim, existia apenas, nós dois. O beijo parou com selinhos e um abraço apertado com uma pitada de carinho e afeto. Eu sorri e nossos olhos se cruzaram. Foi quando percebi que havia sido beijada por um anjo. Ele havia me beijado, eu deveria estar sendo a pessoa mais feliz do mundo e preferi me preocupar com quem? Dona Isabella.
- E a sua mãe Vininho? – Eu perguntei ainda em seus braços.
- O que há com ela Laurinha? – Ele disse sorrindo. Cara, aquele sorriso de alguma forma, -não sei qual- , mas tinha alguma coisa, que fazia meu coração derreter, derretia e se espalhava por todo meu corpo, deixando assim minhas pernas trêmulas, meu estomago com borboletas e meu coração saindo pela boca.
-Ué, ela vai achar ruim, porque você pecou e ela vai dizer que tenho distúrbio mental novamente. – Esqueci de mencionar que sou um tanto lenta, e na primeira vez que fui na casa do Vinicius, Isabella se apresentou, como existe vários nomes diferentes e novos, ela disse que seu nome era”Isabella” eu repeti dizendo “É Isabella”, e ela continuou “Não ’Só Isabella’” aquilo me deixou confusa mas acabei entendendo, as vezes dou risada de mim mesma com as idiotices que falo, faço e pergunto.
-Não, ela não vai dizer nada, ela vai te chamar de outra coisa. – Ele riu, devia estar me zoando pra variar um pouquinho.
-Vai me chamar do que? – Eu o encarei e ele continuava rindo
-De nora. – Ele ainda ria e um duvida surgia na minha mente, “Tá” jogando verde pra colhe maduro. Eram indiretas ou o que?
-Mas... Você precisa de uma namorada então.
-Eu sei disso. – ele continuava rindo
-Ué...
-Ainda preciso falar com uma pessoa. – Ele sorriu e me olhou, segurou meu rosto e me deu um selinho. Ficamos a tarde toda abraçados, assistindo filmes e um deles era sobre um anjo que se apaixonava por uma humana digamos, que sua protegida ou algo do tipo, algumas vezes o sentiaele suspirar cheguei a perguntar se estava sentindo alguma coisa ele sempre dizia que não... Um dos filmes foi tão tedioso que acabei encostando a cabeça em seu peito e fui embalada em um sono nos braços de um anjo, meu anjo.
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