Pulei da cama, entrei no banheiro e me despi lentamente, por causa da preguiça. Coloquei minhas roupas amontoadas em um canto a abri a torneira do chuveiro, a água me causou uma sensação gostosa e me deu ânimo. Fiquei tomando banho por tantos minutos, segundos, ou até horas, que nem senti o vapor da água morna envolvendo em meu corpo e o restante do Box parecia uma neblina. Ouvi alguém batendo seguidas vezes na porta. Gritei:

-Quem é?

-Eu! -A Cah respondeu.

-Entra. –Me enrolei na toalha, corri na ponta dos pés até a porta, com cuidado para não escorregar. Finalmente, destranquei a porta para a Camila entrar.

-Oi, Alice... Foi tão bom ter ficado em segundo lugar naquele desafio. E que ótimo que agora o nosso professor é o seu tio. Ele é divertido. –Escolheram o meu tio para dar aula no lugar do antigo professor, o Sr. Kathorian. Ele era estranho.

-Pois é. –Ela ficou tão distraída que nem percebeu que eu queria me vestir. Só depois que fizemos silêncio ela arregalou os olhos e falou:

-Desculpe-me. Somente agora me liguei que você está enrolada na toalha!

-Imagina. –Respondi.

-Vou deixar você aqui, certo? Se precisar, grita. Vem logo para o refeitório. Vou lá. Até depois. –Ela se despediu acenando com a mão e foi. Finalmente paz e sossego para mim. Passei um creme hidratante, quase dormindo, aplausos para a minha vontade! Vesti-me tão devagar que acho que uma lesma ganharia de mim. Finalmente, consegui descer para o refeitório. Sentei-me ao lado da Amanda e na mesa só havia eu, a Camila e a Amanda. Um tempo depois, apareceram todos e a Amanda falou:

-Vou especular alguém por aí. Para ver as fofocas. –Ela puxou a cadeira com o traseiro, se escondeu embaixo de uma mesa sem ninguém perceber ela indo e escutou na mesa das patricinhas. Ela chegou de volta e eu perguntei:

-Alguma novidade? –Ela assentiu com a cabeça e disse:

-Sim! –Exclamou. –Lembra do Breno e da Sabrina? Eles foram convidados para estudar aqui! –Ao ouvir Sabrina, senti um nó na garganta. E se o Gabriel a amar? E se ela for perfeita e me humilhar? E se eu andar pelos corredores solitária e sem ninguém para me conselhar? Essas são possibilidades que não saem da minha mente.

-Alice? –O Gabriel me chamou, quando ele fez isso, meu estômago embrulhou e meu pobre coração partido disparou loucamente.

-O que?

-Você parecia estar desligada.

-Pensando em muitas coisas...

-Por exemplo, o que?

-Nada não. Deixa...

-Eu quero saber. –Ele respondeu resmungando.

-Não é nada de interessante. Eu só estava pensando no Breno e na Sah. –Matei o assunto e resolvi disfarçar, mas, também queria saber. –Quando eles vêm para cá, Amanda?

-Entre hoje ou amanhã. O horário, talvez lá pelas três da tarde.

-Hm... –Respondi. O Gabriel ficou com ciúme e percebeu minha curiosidade, ele perguntou:

-Por que está tão curiosa? –Ele fez uma cara estranha à medida que perguntava isso. Com cautela para não feri-lo, apenas respondi:

-E me explique o porquê de você estar tão importado comigo. –Tinha uma tamanha vontade de dizer que não é da conta dele, mas, como eu o amo não posso responder esse tipo de coisa.

-Por que eu te amo. –Ele abriu em sorriso malicioso em seus lábios, pois, depois que ele falou isso, somente o som do silêncio calou a minha voz. Senti um pé tocando no meu, ergui uma sobrancelha e o primeiro que olhei foi para o Gabriel. Ele estava vermelho e com um sorriso zombeteiro no rosto.

-Pode parar, por favor?

-Te incomoda?

-Um pouco.

-É tão gostoso cutucar os seus pés.

-É... Com licença? Estou boiando aqui. –A Camila disse. Rimos em coro. Resolvi falar com o Artur, há certo tempo não conversamos direito:

-E ai, Artur. Nem existo mais para você, não é?

-Não é isso, é que... –Dizendo isso ele olhou para a Amanda e foi interrompido por ela:

-Eu te explico depois, Alice. –Ela disse sorrindo. Assenti com a cabeça. Vi o horário. 11 horas e 45 minutos. Após uns cinco minutos, a Amanda me puxou para um canto e disse, quase tendo um infarto do coração:

-O ARTUR PEDIU PARA NAMORAR COMIGO ONTEM! –Quando ela falou, mostrou a linda e graciosa aliança que carregava no dedo anelar, de ouro e com uma safira preta no meio. Fiquei feliz por ela.

-Que ótimo... Como foi?

-Nós conversamos e partilhamos preferências iguais. Depois, ele me arrastou para um cantinho da floresta e me deixou simplesmente sem escapatória dali. Deu-me um beijo perfeito, sem palavras. –Ela falou suspirando a cada palavra.

-Que Mara. Acho fofo vocês dois... Combinam.

-Claro! Agora, vamos voltar para o refeitório. Quer almoçar, estou faminta.

-Você que manda. –Segui-a, sentei com todos os outros e, antes de almoçar, resolvi dar uma espiada nas patricinhas. Será que elas são tão patricinhas quanto assim são chamadas? –Oi. Posso, por favor, me sentar aqui? –Pedi com educação para elas.

-O que você está... –A Carolina foi interrompida.

-Oi... Claro que sim. –A Mariana abriu um sorriso de dente a dente, achei-a simpática. Ela ainda tampava com a mão a boca da Carolina. O nome das cinco são: Carolina, a mais cheia de sardas que não vai com a minha cara, Alana, cabelos negros e compridos, olhos verdes, Lia, loira de olhos azuis e, por última, a Mari, lindos cabelos cor de mel e olhos negros brilhantes, sorriso meigo e fofo, dentição perfeita.

-Mari, porque quase ninguém nunca conversa com vocês?

-O povo é cheio de história e apelidou-nos de patricinhas só porque a Carolina passa gloss durante a aula. Nós não somos patricinhas. Deviam nos valorizar pelo o que somos por dentro...

-Vocês não são assim. Achei cada uma de vocês gentil e simpática. –Respondi. Com exceção da Carolina –claro que eu nunca iria falar isso. –

-Obrigada. –Elas disseram em coro.

-Eu vou almoçar, antes que a comida esfrie. Tchau.

-Tchau, Alice. –A Mari se despediu, abrindo um lindo sorriso esbranquiçado. Me sentei em minha cadeira, peguei os talheres e revirei a comida. Levei até a boca, mastiguei, no momento em que engoli a comida, me senti estranha, como se tudo girasse. A última coisa que ouvi foi:

-Alice?! –Parecia ser o Gabriel falando. Depois disso, apenas lembro que minha cabeça levou um tombo e meu corpo caiu como um papel.

Acordei em um sofá. Sala de repouso. Estava enrolada em uma coberta vermelha xadrez. Olhei ao me redor e havia o Breno ao meu lado. Ele sorriu. Retribuí.

-Você chegou, finalmente! -Falei bocejando.

-É... Como você é frágil... –Ele falou.

-Eu sou mesmo. –Eu disse entre risos.

-Você parece uma flor com pétalas delicadas. –Achei tão fofo ele falando isso.

-Obrigada. O que houve comigo dessa vez?

-Colocaram veneno em seu almoço.

-Que tipo de pessoa faria isso?

-Um babaca.

-Eu vou tentar descobrir...

-Eu quero ir junto para me vingar. –Mordi o lábio inferior e revirei os olhos. Respondi a ele:

-Não quero me vingar. Quero saber quem foi. Isso parece ser interessante.

-Então, temos que viajar outra vez?

-Isso é mais do que necessário. A próxima vez que eu viajar com vocês, é pra valer. –Lancei um olhar vingativo, aventureiro e desafiador.

-Pra valer? Como assim? –Ele parecia confuso e apavorado.

-Vou com intenções de exterminar com cada célula do Jackie Marall.

-Não, você não vai senhorita Alice! Quer dizer, e se...

-Calma, Breno. –Ele foi interrompido enquanto eu fazia carinho com a mão devagar sobre a face dele. Percebi o ar de mais calmo e mais tranqüilo nos olhos dele, ao nosso silêncio, mesmo que os sons lá de fora estivessem com barulhos alto, cheios de vozes, era como se entre nós, só houvesse o som do silêncio. Nisso, eu ouvi cada batida do coração dele. Eu abri um grande e largo sorriso, ele ficou muito feliz e esse clima foi interrompido:

-Alice. –O Gabriel me chamou a atenção, irritado. Só ele e o Breno estavam na sala de repouso, além de mim.

-Desculpe. –Falei. Ouvi o que parecia ser um rosnado vindo do Gabriel.

-Você não tem que se desculpar. –Ele fitava o Breno com olhar de vingança, como se houvessem faíscas explosivas saltando dos olhos dele. Já o Breno, estava um pouco confuso, mas, calmo.

-Bom... Eu vou para o dormitório. –Falei.

-Não, Alice. Fiquei mais. –O Gabriel implorou tanto que eu acabei cedendo. Me deitei no sofá, ele e Breno se sentaram em duas cadeiras. De repente, o Breno veio em minha direção e se inclinou ao meu lado. Segurou forte minha mão, passou a mão dele em meus dedos e o Gabriel chegou ao lado dele e falou:

-Pare. Não toque na Alice.

-Ela é minha amiga.

-Você nem pediu a ela permissão.

-Desculpe. –Ele o encarou com ódio.

-E que não se repita! –O Gabriel berrou. Cheguei a ficar assustada.