Beginning Of A Happy Ending

10 Capítulo 10 - Alice


Sábado de manhã. Olhei pela janela do meu quarto o tímido sol nascendo. O céu passava-me segurança de que o dia será maravilhoso. Meus pés tocaram o tapete felpudo e calcei minhas pantufas. Olhei meu reflexo no espelho. Um sorriso bobo me encarava. Vesti uma roupa simples e decidi olhar o Gali. Quanto tempo que não o vejo... Caminhei a direção ao local em que ficam os passarinhos, reconheci o Gali facilmente:

-Alice Felix Maral. –Ele chamou o meu nome. O procurei e em poucos segundos o achei.

-Gali... Saudades de você. –Olhei dentro da gaiola dele. Havia uma pássara me encarando ciumenta. –Quem é aquela? –Falei, apontando.

-Minha Geórgia.

-Prazer, Geórgia.

-Oi, Alice. Ardebal falou bastante de você.

-Que ótimo. –Sorri. Coloquei o Gali em meu ombro direito e fui ao refeitório com ele em meu ombro. O primeiro que lá estava era o... Gabriel. Ele me viu e abriu o maior sorriso que já vi, o Gabri falou:

-Bom dia, Alice, linda.

-Bom... –Estalei uma beijoca na bochecha dele. -... Dia, Gabri.

-O que você vai fazer nesse sábado?

-Nem sei. E você?

-Sair com a Sabrina. –Meus dentes rangeram de ciúmes. Uma forma de me machucar, pensei.

-Eu vou ficar no tédio, é?

-E a Cah?

-Vai sair; todos vão. O único que não vai sair é o Breno.

-Argh... –Ele ficou vermelho e com raiva.

-Calma.

-Desculpa. O que ele fez não há como evitar ficar desse jeito.

-GABRIEL, VOCÊ ESTÁ DANDO FÁCIL PARA A SABRINA, ENTÃO, NEM VENHA COM CIÚMES, PORQUE NÃO VAI DAR CERTO! –Irritada e nervosa, respondi.

-Sem comentários.

-Acho bom mesmo. –Virei a cara para o lado e rangi os dentes. Ele estava estragando minha felicidade, me fazendo ficar mal. Passaram-se alguns minutos e ele voltou a falar:

-Alice.

-O que você quer?! –Respondi em chamas de raiva.

-Nada não. –Arrastei a cadeira para trás com irritação. Ele percebeu. –Alice, você está bem?

-O que você acha? –Dessa vez olhei no fundo dos olhos dele. Ele deu uma resposta que eu não ouvi, porque eu estava indo ao dormitório. Também nem queria ouvir! Joguei-me na cama com força e fiquei olhando para o teto. Lembrei de tudo que fizemos ontem, era como se fosse um sonho. Minha cabeça está latejando, pois, eu não sei o que faço mais, às vezes parece que o Gabri me ama, outras vezes, parece que ele não liga para mim.

Sentei-me sobre os joelhos na cama e olhei lá fora pela vista da janela. Observei o céu. Estava trovejando. Pingos de chuva começavam a invadir o vidro da janela, quanto mais pingos de chuva, mais gotas e partículas de chuva iam se agrupando na janela do meu quarto. Observei a chuva caindo e somente estava concentrada no barulho em que ela fazia que nem percebi meus cílios molhados e, assim como lá fora, meus olhos começaram a criar pingos de chuva; uma chuva triste, entre um nó na garganta.

-Alice? –Me virei assustada e vi a Cah. –Por que choras meu anjo? Quer lenços de papel? –Achei polido aceitar os lencinhos, assuei meu nariz em gemidos baixinhos e depois falei tudo o que eu sinto e tudo que estava entalado em mim e antes não havia ninguém para me ouvir. –Eu sei que você o ama, mas acho melhor você ignorar, ou pelo menos tentar fingir que não está nem ai para a Sabrina, para os homens, o ciúme que nós sentimos é como um método de fazê-los rirem por dentro. Então, faça de conta que não se importa.

-Vou tentar... –Respondi, já não chorando mais como antes e limpando minhas lágrimas.

-Que ótimo. –Ela respondeu sorridente. –Eu vou sair hoje.

­-Isso não é novidade. A maioria vai.

-É uma boate que vai ter. Você vai?

­-Odeio boate. –Revirei os olhos e abafei a risada com um sorriso besta. –É como se fosse um programa repetido, é sempre o mesmo botão de controle.

-Eu até gosto... –Ela riu e corou. –Bom, eu vou te deixar sozinha. Ou você quer descer comigo?

-Eu desço com você. –Respondi e levei a regra em minha mente, ignorar. O Gabriel sussurrou alguma coisa no ouvido da Camila. Puxei-a pelo braço e perguntei o que havia acontecido, o que ele havia sussurrado. Ela disse que o Gabriel vai beijar a Sabrina. Fiquei magoada e com raiva, com raiva dentro de mim. A Cah falou baixinho para eu rir. Soltei uma risada tão, mas, tão falsa que até um bobo saberia classificá-la. O Gabri nem percebeu que eu estava fingindo e ficou preocupado.

-Viu como ela não está nem ai para você? –A Camila falou pro Gabriel.

-Pois é... –Ela se voltou a mim e explicou que ele quer me deixar com ciúme. Meu queixo caiu. Se ele tem ciúme, ele me ama, não é? Ou apenas está me iludindo?

Quando o colégio inteiro estava praticamente vazio, por mais estranho que pareça, uma pessoa veio falar comigo. Estava eu na sacada do terceiro andar, olhando os pássaros voando e, como a chuva havia amenizado um pouco, o céu estava nublado e o vento congelava serenamente meu nariz, o deixando avermelhado. Senti um estranho pressentimento de que havia alguém me observando. Virei a cabeça lentamente e havia uma pessoa, parecia ser o Breno. Aproximei-me devagar, à medida que meus pés arrastavam-se no piso e iam se aproximando, a respiração da pessoa ficava ofegante.

-Breno? –Arrisquei antes de ver quem estava atrás de alguma coisa. Ele apareceu do vaso de flores onde ele estava e veio me abraçando forte. –Que foi?

-Alice... –Ele parou de me abraçar, segurou meus punhos em e encarou sorrindo.

-Oi? –Recuei um passo para trás.

-Oi, minha pequena. Está me evitando? –Ele falou, com um sorriso radiante e preocupado nos lábios.

-N-não... É que...

-Tudo bem, passou. –Ele me cortou e eu voltei um passo para onde eu estava antes.

-Por que está tão feliz? Está tudo bem com você? –Perguntei apavorada.

-Estou ótimo. E-eu estou feliz sem motivo. –O percebi disfarçando algo na frase em que ele disse. Soltei um risinho. O fitei e vi que ele escondia na mão direita alguma coisa. Ah, esqueci de comentar que o perfume dele é muito bom. Inclinei-me na pontinha dos pés, para tentar ver o que tinha na mão dele. Ele abriu um sorriso malicioso e zombeteiro, percebendo o que eu queria fazer. Arrisquei em colocar a minha mãe sobre a mão em que ele segurava o negócio. Ele movia rapidamente e eu não conseguia olhar. O Breno tem poderes de velocidade, deu para perceber. No meio dessa confusão, sem querer, eu tentei derrubá-lo com delicadeza e eu cai no chão, entre o vazio das minhas pernas ele sentou-se de joelhos e ainda estávamos rindo. De repente, ele olhou no fundo dos meus olhos e seus lábios tomaram um traço sério, os meus também. Ele abriu um meio sorriso e se rendeu, entregando-me um lindo buquê de flores.

Havia azaléias, margaridas, rosas, tulipas e girassóis, exatamente as flores que gosto. Pensei comigo mesma no dia anterior. Agora é que caiu a ficha... Ele havia perguntado aquilo ao meu tio para isso. Achei fofo até...

-Obrigada. –Agradeci, sorrindo.

-Pode me agradecer aceitando ir comigo à praia.

-Claro que eu vou. –Subi ao dormitório e coloquei um engana-mamãe branco em baixo de um vestido de manga longa que ia até os joelhos rosa claro. Passei manteiga de cacau nos lábios, desci e fomos, cada um segurando a mão do outro.

Ao chegarmos à praia, ele abriu uma toalha e eu deitei em cima. Ele abriu a cadeira de praia e sentou. Eu estava no meu silêncio, quando senti as mãos dele me pegando no colo e ele me levou correndo até o mar. Só se ouviram meus gritos desesperados naquela praia deserta suplicando:

-POR FAVOR, BRENO, ME LARGA! PÕE-ME NO CHÃO! –Com certeza ele fingiu que não havia ouvido aquilo, apenas sorriu de um jeito malicioso, aquele jeito de sorrir de garoto bobo. Colocou-me no mar com ele, ficamos sentindo o sabor do vento em nossa pele e das ondas quebrando em nossos joelhos. Ele percebeu minha pele arrepiando e meus dentes tremendo, pois estava frio, muito frio, me deixou abraçada a ele, em poucos minutos, cada célula do meu corpo se esquentou. Apalpei o peito dele, o coração dele palpitou rapidamente. Ele envolveu os braços na minha cintura e entrelaçou os dedos dele, me deixando sem para onde ir. Ergui uma sobrancelha e ele me beijou a força. Sem mais nem menos, sem avisar... E ainda teve a coragem de tocar nos meus lábios em e forçar a dar um beijo nele de língua. E teve mais coragem ainda de brincar com o meu cabelo e mordeu meu pescoço tão fortemente que acho que deve até ter ficado marca.

Ele me levou até umas dunas de areia e lá me deitou, passou a mão em minha barriga lentamente, eu gostei.

-Quer ir embora, Alice?

-Sim, se você quiser.

-Certo. –Coloquei meus chinelos, um deles quase perdi nas ondas do mar, ele me levou até a escola com o braço envolvendo a região dos meus ombros. –Gostou de hoje?

-Amei... –Eu não podia negar, foi bom mesmo. Antes de entrarmos na porta, ele envolveu os lábios dele nos meus e me deu outro beijo de amor, ao mesmo tempo em que deslizava os dedos no meu pescoço. Dessa vez, o beijo foi melhor e mais envolvente ainda, pude sentir o sabor do beijo dele e os pingos de chuva caindo lentamente sob minha face, deixando cada fio do meu cabelo molhado. Ele colocou os braços nos meus ombros e me olhou com amor e carinho.

-Você acredita que eu te amo de coração? –Ele me questionou, passando a mão na minha cabeça. Fechei os olhos para gravar na minha mente e guardar no fundo do meu coração a voz doce e suave dele. Guardei no meu coração a sensação deliciosa do toque dele.

-Sim, eu acredito. –Ele me beijou de novo e fiquei abraçada a ele na chuva, depois de um tempo, nos despedimos com angústia e fui ao dormitório. Fui deitar em minha cama na escuridão do quarto, fiquei de olhos abertos, ouvindo a chuva forte lá de fora. Na madrugada, a Cah chegou e disse, acendendo a luz:

-ALICE! –Ela me abraçou. Ela é como uma irmã para mim. –Como foi seu dia com o... Breno?

-Como sabe?

-Eu sabia! Você ficou ao lado dele, não é? –Assenti com a cabeça, apesar de ter sido mais que ‘’ao lado dele’’... –Me conte tudo! –Passei a mão sobre os meus olhos e bocejei.

Respondi:

-Ah, hoje não... Amanhã. Eu estou com muito sono. –Ela insistiu várias vezes, eu falei tanto ‘’não’’, que ela acabou cedendo.

Antes de dormir, permaneci de olhos abertos na escuridão pensando no Breno, com a mão sobre o peito, com o coração palpitando como o de uma ave.

Enfim, decidi dormir...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.