Beginning Of A Happy Ending
7 Capítulo 7 - Alice
No dia seguinte, acordei e vesti o uniforme da escola, desci para o refeitório sozinha, pois eu tinha acordado muito tarde. Bebi um suco de laranja e comi um sanduíche de mortadela. O professor nos liberou após o meio dia, porém devíamos escolher uma missão fora da escola, foi aí que eu pensei em um plano. Eu poderia tentar soltar meu to da cadeia hoje, para que ele possa me ajudar a por um fim no imortal Jackie Marall. Às dez horas da manhã, resolvi procurar o diretor, para falar com ele sobre missão de hoje. Eu comecei falando:
-Bom dia, Sr. Charles.
-Bom dia, Srta. Alice. O que faz aqui? –Expliquei o meu plano a ele. Ele logo me respondeu. –A maioria das pessoas desconfia de seu tio, por ele ser filho do seu avô, mas o Sergio, seu avô, é um dos grandes amigos meus, o único problema é que ele foi insistente demais e eu avisei que não era para ele ter enfrentado o Jackie, mas ele preferiu teimar e acabou prejudicando os herdeiros do poder, você e seu tio. Porém, fique calma, você não vai atrair problemas, mesmo que queira lutar contra o imortal Jackie. E, eu acho sim que você deve tentar, ao menos, soltar o seu tio. Se quiser, eu convenço seja quem for que seu plano não falhará. Pegue isso. –Ele me entregou em minhas mãos um chaveiro com um símbolo da escola, ensinou que se eu apertá-lo e dizer o nome do diretor completo três vezes seguidas, eu teria ligação com ele, para me comunicar e falar algo urgente.
A conversa durou trinta minutos, subi ao dormitório e agora hospedaram um armário novo, disponível para cada uma, é um tipo de armário mágico, você entra dentro e automaticamente o próprio objeto veste a roupa na qual se adéqua mais ao seu poder. Entrei dentro do armário e em poucos segundos fiquei pronta. Olhei-me no espelho e vi um lindo vestido desenhado em chamas de fogo e gotas de água, na altura do busto formava um decote delicado e triangular, a manga não ficava nos meus ombros e iniciava nos braços, era uma manga um pouco rasgada, que ia até a mão, formando um triângulo até o dedo do meio. A fivelinha do sapato ia até abaixo dos meus joelhos, se cruzava, em meus olhos havia uma máscara preta e meu cabelo ficou solto e liso, em minha cabeça havia uma tiara branca com pedrinhas de prata brilhantes. Resolvi usar o vestido, os sapatos e a tiara alguns minutos antes de a missão iniciar. Coloquei outra roupa e prendi meu cabelo em duas tranças, quando era meio dia me alimentei bem e o professor chamou nossa classe. Ele começou dizendo:
-Atenção alunos. Creio que vocês já saibam como funciona uma missão, a não ser a Alice e o Artur. Vou explicar; primeiramente cada responsável do grupo deve segurar o botão de emergências e, quando necessário, apertá-lo, assim ativando a ajuda. Após, vocês escolherão o local e eu darei um tempo limitado para vocês ficarem nessa missão. O grupo que vencer, ganha a Varinha Indestrutível, na qual possui quaisquer poderes que desejarem. Agora, arrumem suas bugigangas e me avisem quando estiverem preparados. Vocês têm exatamente quinze minutos.
Subi rapidamente ao dormitório e vesti as roupas. Deixei meu cabelo preso mesmo, coloquei comida, bebida, o chaveiro e outros objetos em uma bolsa e desci. Quando cheguei, alguns meninos não paravam de olhar e algumas meninas começaram a fofocar de mim, o Artur assobiou e disse:
-Uau! Que gata! –O Gabriel o fitou muito irritado e eu disse, para evitar ‘’lutas’’:
-Artur, vá atrás da Carolina. –Ele ficou confuso e o Gabriel entrelaçou os dedos dele nos meus e disse:
-Você é maravilhosa e desse jeito está perfeita...
-Obrigada. –Pude sentir minhas bochechas queimando e quando faltavam cinco minutos para nós sairmos da escola, reuni a Cah, a Amanda, o Ruan, o Gabriel, o Bruno e o Artur na mesa e conversei sobre o meu plano. Eles aceitaram e, como eu já possuía um chaveiro, só faltava escolhermos o local. Após muita discussão, ficou decidido que iniciaríamos na floresta, mas antes tive que explicar ao professor o meu plano, ele deu um tempo de duas semanas, no máximo.
Entramos floresta adentro e acendemos uma fogueira, para lembrarmos nosso ponto de partida. Começamos a andar devagar, cuidando para que não tropeçássemos, o Gabriel segurou minha mão, o Ruan segurou a mão da Cah e a Amanda perguntou:
-Com quem eu vou?
-Eu vou com você, linda. –O Artur disse, segurando a cintura da Amanda.
-Me solta. Você vai comigo, mas se é para ser safado, desista. –Com raiva ela respondeu.
-O. K. –Os dois se deram as mãos e cada dupla segurava um graveto na outra mão, para emergências. Continuamos prosseguindo, sem olhar para trás e de repente, em entramos em um ambiente mal-cheiroso, havia vulcões nos quais expeliam um tipo de fumaça tóxica e um rio verde e poluído. Nós seis pensamos no que fazer, quando o Artur soltou a mão da Amanda, deu um passo a frente e retirou a sua varinha, recitou um feitiço de plantas e, em um instante, a fumaça e o rio se transformaram em um largo e imenso rio azul com uma ponte de madeira por cima. Como o Ruan tem um grande controle sobre o elemento madeira, ele resolveu testar com a varinha se a ponte realmente estava segura para nós passarmos e o resultado foi negativo. Ele usou um feitiço para tentar consertar a madeira e ele concluiu que era um feitiço de união. O Artur tentou ver o que a ponte tinha, após algumas tentavas, a conclusão final foi que a ponte não existe, ou seja, é um tipo de miragem um pouco real, mas que não pode ser usada, apenas tocada ou vista.
-E agora, como vamos atravessar? –A Cah perguntou.
-Irmã, vou usar meus poderes.
-O que você vai fazer, maninho? –Ela ergueu uma sobrancelha ao perguntar.
-Veja. –Ele retirou a varinha de metal da bolsa e senti meu corpo flutuando, quando vi todos estavam flutuando até chegar ao outro lado.
-Foi uma ótima idéia. –Falei.
-Obrigado. –O Gabri respondeu.
-Desse jeito eu podia ter voado. –A Cah falou, ela exerce poder de voar e sobre a luz.
-Olhe a pontada de ciúmes! –Eu disse e todos riram em coro.
Depois, avistamos uma caverna que parecia ser escura e dessa vez foi necessária a ajuda da Cah. Com uma simples palavra, ela acendeu a varinha de ouro refinado e entramos na caverna, com muita cautela no caso de um urso ali habitar. Verificamos por todos os lados e a área está limpa. Em um cantinho, alojei meu saco de dormir e minha bolsa com alguns utensílios dentro. Após que todos nós estávamos prontos, acendemos uma fogueira baixa para esquentar alguma comida, sugeri:
-Por que não fazemos churrasco? –Todos me olharam, com exceção do Artur e eu perguntei novamente. –O que houve?
-O que é churrasco? –O Gabriel perguntou, com ar de dúvida.
-Vocês não sabem? –Peguei de minha bolsa alguns pedaços de churrasco, coloquei no palito e comecei a assar. Após um tempo, salguei os pedaços de churrasco e ofereci a eles. Observei-os comendo e o Gabriel, que já estava terminando, fez uma cara de gosto e aprovou:
-Eu gostei muito de churrasco! Você poderia me passar mais um para eu esquentar, por favor? –Cortei um pedaço e cravei em um palito, entreguei a ele e ele agradeceu. Fiquei feliz, pois todos gostaram da carne, quando eram meia noite e meia, o Artur que possui poderes sobre a natureza conseguiu criar uma pedra imensa para tampar a entrada da caverna. Fechei-me no saco de dormir, em poucos segundos, eu já estava fechando os olhos.
Passou-se três dias, enfrentamos certos obstáculos que muitas vezes nos impediram de seguir em frente, mas nossa vontade e auto-estima venceram nessa luta e quando caminhávamos, avistamos um castelo branco e vermelho, um pouco antigo e com a pintura um pouco gasta. Eu disse:
-Vamos nos aproximar? –Meio inseguros todos fizeram que sim com a cabeça e fomos. Conseguimos subir as escadas e decidi subir sozinha. De repente, vi um homem de aproximadamente os vinte centímetros, com o nariz largo e grande que me perguntou:
-O que você faz por aqui? –Dei uma olhada no que havia atrás dele e avistei algumas senzalas, concluí que era uma prisão. Só agora que havia caído a ficha, meu tio está aqui.
-Aqui não há um tal de Jack Maral? -Perguntei. O guardião me fitou perplexo e respondeu:
-Como sabe?
-Ele é meu tio.
-E o que você pretende fazer aqui, garota? Ele está preso para sempre, ele é uma ameaça para toda a humanidade. Eu não vou soltá-lo.
-Pode falar com o Instituto de Magia daqui. O diretor de lá deu permissão para soltá-lo.
-Hm... –Ele me olhou desconfiado. –Vou ligar para ele.
-Certo. –Havia um telefone vermelho sobre o gabinete dele, ele discou o número e não consegui ouvir a conversa. Em alguns minutos, ele apareceu novamente, dizendo:
-É verdade. Mas, eu só solto seu tio com uma condição.
-Qual?
-Como vivo solitário, cuidando desse bando de marginais, não tenho nenhuma companhia durante o meu dia, como você está aqui, peço que jogue três partidas de cacheta comigo. Se você ganhar as três, solto o seu tio.
-Fechado. –Apertei a mão dele, sentamos em uma mesa e ele embaralhou as cartas. Cortei-as, ele as deu e ele disse:
-Boa sorte.
-Igualmente. –Voltamos ao jogo, olhei para as minhas cartas e já havia formado dois jogos, faltava apenas uma carta para eu vencer. Comecei comprando uma carta, a observei, se fosse de outro naipe, eu poderia ter vencido. Após certo tempo, apareceu a carta que eu precisava, agora é a vez da segunda partida. Foi quase a mesma história, a seguir era a vez da terceira partida. Nesta, ele já havia formado dois jogos, eu nenhum. À medida que ele comprava cartas, meu coração disparava e eu começava a suar. Foi quando apareceram algumas cartas e, por milagre, eu venci as três partidas.
-Certo. Como sou um homem de palavra, farei o prometido. –Ele falou.
-Obrigada! –Pulei de alegria e ele ordenou que eu ficasse esperando. Em poucos minutos, um homem de barba encaracolada, cabelos pretos, olhos castanho e pele empalidecida apareceu me encarando. Ele falou gaguejando:
-A-Alice?
-Tio? –Ele correu e me envolveu com os braços e me abraçou forte. Eu retribuí.
-Quando tempo que não a vejo, sobrinha...
-Pois é;
-E meu pai está bem?
-Um pouco triste por eu ter partido... Mas, está bem, sim.
-Que ótimo.
-Desculpe atrapalhar. Querem pedaços negros?
-Pedaços negros? –Indaguei.
-Alice, é o que chamamos de chocolate aqui. –Meu tio explicou.
-Ah, então aceito. –Respondi, entre risos. Depois de um tempo conversando com o porteiro, decidimos ir embora. O Paul, o porteiro, decepcionado disse:
-Vocês já vão? Não querem ficar mais um pouco? –O abracei e respondi:
-Desculpe. Temos que ir.
-Se cuidem. Acho melhor se agasalharem bem. Samuel, quase ia esquecendo. Sua bolsa. –Ao dizer isso, ele entregou a bolsa do meu tio a ele. –Querem levar pedaços pretos e brancos?
-Obrigado, mas n... –Interrompi o meu tio:
-Sim! Por favor. –Minhas bochechas coraram e o Paul colocou em duas pequenas sacolas de pano pedaços pretos e brancos, fechou-as com um barbante e deu-as em minhas mãos. Agradeci e nos despedimos e procurei meus amigos. Mal havia saído de lá e todos vieram me abraçando e conversando com o meu tio. Acendemos uma fogueira na frente do castelo branco e vermelho mesmo, observamos o pôr do sol, comemos pipoca de pacote, vestimos casacos pesados e nos preparamos para dormir. Como de costume, eu fui procurar um graveto para me proteger de qualquer coisa, pois o meu outro sumiu. Antes de ir, o Gabriel preocupado me perguntou:
-Alice?
-Que?
-O que você está fazendo?
-Procurando um graveto. O que mais?
-Cuidado. –Não entendi e passei sem muita delicadeza por um arbusto e de deparei com algo frio e sombrio. Não lembro mais o que havia acontecido comigo.
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