Beginning Of A Happy Ending
6 Capítulo 6 - Alice
29 de Abril, seis horas e cinqüenta minutos da manhã. Acordei triste, meu estado no qual vem se tornando normal nos últimos dias. Decidi tomar um banho e nem escovei direito meu cabelo, pus um vestido preto de manga longa, uma meia até a altura do calcanhar branca e um sapato com fivelinha preto. Como ultimamente estamos usando muitos livros, resolvi colocá-los dentro de uma mochila. Arrumei os dez livros em um único bolso grande e, no bolso menor, coloquei a varinha e meu estojo. Desci para comer alguma coisa no refeitório, apenas bebi leite frio e comi um biscoito de milho. A Amanda e a Cah sentarem-se ao meu lado, pedindo para conversar:
-Então, Alice, está melhor? –A Cah perguntou.
-Não. –Respondi.
-Alice, não fique assim, há vários dias você está desse jeito e não adiantou nada, ele nunca mais vai te querer. –Amanda disse para mim, eu senti uma pontada em meu peito, no fundo do meu coração e quando me dei por conta, lágrimas já estavam deslizando por minha face. Tentei esconder com o meu cabelo, mas já era tarde demais, o refeitório inteiro estava me olhando, inclusive o Gabriel. A Camila ficou irritada com a Amanda e, entre soluços, respondi:
-Camila, não é culpa de ninguém, apenas minha. –O Gabri ouvindo isso, respondeu:
-Alice, é culpa minha. –Quando ele disse isso, meus olhos se encheram ainda mais de lágrimas e tudo que pude responder foi:
-Eu te amo muito e você não acredita...
-Quem disse? –Tapei meu rosto com as mãos, soltei um grande gemido que estava preso na minha garganta pedindo loucamente para sair. –Eu terminei o namoro porque não sinto nada no peito por você e nem por ninguém. –Parei de comer o biscoito e a Cah me chamou a atenção:
-Alice! Volte a comer menina! –Saí apressadamente e subi para o dormitório perplexa, joguei meus sapatos em um canto, tirei meu óculos e me joguei com força na minha cama, fiquei desabando lágrimas por muito minutos, ao meio dia não quis almoçar e só fui à aula porque caso contrário, eu correria risco de ser expulsa do colégio. Aqui é mesmo bem rígida as regras...
Entrei na sala de aula atrasada, alguém me tacou uma folha amassa quando cheguei. O professor recolheu. Dei boa tarde ao mestre e me sentei no meu lugar. Nas aulas de hoje, trabalhamos várias páginas dos livros, o mestre realizou um trabalho em dupla. Porém, ele que escolheu as duplas, eu fui com o Gabriel. Como o Gabri tem poderes sob o ar, o objetivo era de juntar meu poder de fogo e água com o ar. Primeiramente, recitei algumas palavras para fazer o fogo sair da varinha e coloquei em um pote de madeira, fiz o mesmo com a água e a coloquei em um pote de vidro. O Gabriel me passou a garrafa dele, tampada, com ar dentro. Unimos os três potes, apontamos nossas varinhas para eles e recitamos um feitiço, em poucos minutos vi os três elementos untando-se e, ao invés dos potes e a garrafa um bule apareceu, expelindo fumaça quente a vapor pelo ar, dentro havia uma água evaporada, mostramos a conclusão e o experimento ao professor. Ele nos avaliou e nos deu a nota máxima do feitiço. Ele explicou que mais adiante, se alguma ameaça real de um bruxo maligno aparecer, devemos usar esse feitiço em dupla -o feitiço da união-,mas claro que não colocaremos em potes. Terá a possibilidade de ser usado solto contra o adversário.
Durante o recreio, o Gabri ficou ao meu lado e disse:
-Alice, eu não quero que você fique nesse estado. Só vai evitar minha alegria, você não é um nada pra mim. Você ainda é minha amiga e enquanto eu estiver ao seu lado, você não precisa ter medo de nada. –Dizendo isso, ele segurou minha mão, entrelaçou os nossos dedos e eu comecei a chorar desesperadamente. Olhamos no fundo dos olhos um do outro e ele entendeu que um abraço me faria melhor. Ele me envolveu com os braços em minha cintura e eu fiz o mesmo, colocando os braços nos ombros dele. O abracei fortemente, não gostaria de soltá-lo naus e queria ficar para sempre abraçada a ele, porque todas as vezes que eu abraço o Gabri meu vazio se transforma em cheio em meu peito e todas minhas dores são curadas com o amor dele. Quando o sinal bateu, subimos para o segundo nadar e entramos na sala de aula de mãos dadas. Algumas pessoas ficaram zoando conosco, o Gabriel ficou irritado, porque não há nada de mais entre nós. Ele ameaçou uma briga... O Artur, que também estava zombando aceitou um duelo contra o Gabriel. Eu falei, protestando:
-Não, vocês dois não vão lutar... Isso é ridículo.
-Eu sei o que estou fazendo, Alice. –O Gabriel me respondeu.
-Me deixe matar esse panaca que te faz sofrer. –O Artur respondeu com um ar de nervoso e irritado de mais.
-Não precisam brigar por isso. –Protestei. O Gabriel segurou minha mão, fez carinhos em minha face e me deu um beijo sobre a testa. Ele pegou a varinha de madeira e sussurrou ao meu ouvido:
-Vai ficar tudo bem, meu amor. –O meu coração bateu a mil e meu pensamento começou a ficar confuso, eu percebi que realmente ele se importa comigo, mas então porque ele não volta a namorar comigo?
Os dois começaram a inclinar as varinhas, apontando um para o outro, cumprimentaram-se rapidamente e começaram a ‘’guerra’’. O Artur deu passo para frente e, da varinha dele, começaram a sair raízes de samambaias, prendendo os pés do Gabriel. Para soltar-se, o Gabri fez um vendaval, fazendo com que as raízes se desprendessem dos pés dele e, ao mesmo tempo, atingindo o Artur com o vendaval forte, o que fez ele cair no chão. Não pude deixar de solta um riso malicioso, parei quando o Artur disse:
-Você vai pagar por isso, Gabriel. –O Artur segurou fortemente a varinha e recitou uma frase comprida, em uma linguagem em que até mesmo o Artur desconhecia. Em um instante, brotaram-se sob o chão galhos de madeira, samambaias espinhosas e plantas selvagens, quando o Artur recitou o feitiço de poder de terra, todas as plantas tomaram vida própria e começaram a arranhar ferozmente o Gabriel. O professor chegou perto, tentando impedir que as plantas espalhassem o veneno sobre o Gabriel, mas não pode ser evitado. O Artur foi levado para a sala de tortura e levaram o Gabriel a enfermaria. Chamaram-me para acompanhá-lo. Meu coração doeu só de vê-lo naquele estado, ele não movia um único músculo e sobre a boca dele haviam máquinas para que ele conseguisse respirar, ele estava de olhos completamente fechados e a mão dele estava sobre o peito.
Passaram-se alguns dias e comecei a me preocupar com a situação do Gabriel, ele não conseguia se mover por causa do veneno das plantas e não conseguia falar, a única coisa de que ele conseguia fazer era mover olhos e acabamos nos comunicando por olhar.
Eu me ousei a falar, entre risos:
-E você ainda disse que iria ficar tudo bem. –Ele fechou os olhos, com a claridade do hospital, castanhos esverdeados e eu comecei a passar a mão levemente sobre a face dele, com todo cuidado para não encostar a mão sobre as máquinas, algumas lágrimas caíram de minha face sob o rosto dele, ouvi vários barulhos seguidos do aparelho que estava medindo a respiração do Gabri, a enfermeira apareceu apressada e aproximou-se da cama do Gabriel e, surpresa, falou:
-Ele está respirando normalmente e o batimento cardíaco está perfeitamente bem! Como ele melhorou rapidamente? A previsão desse veneno era para ser eliminado do organismo dele ainda no ano seguinte. –Contei para a enfermeira o que eu havia feito e, apavorada ela respondeu:
-Garota... Você tem poderes de cura!
-Eu tenho?
-Claro. Como se chama mesmo?
-Alice.
-Você é a que foi tão falada pelo nosso diretor. Quais poderes você tem?
-Água e fogo. –Assim, a enfermeira Geslaine continuou me perguntando algumas coisas sobre mim e antes de eu ir embora, ela disse que sou poderosa e devo sempre exercitar meus poderes. Agradeci e ela falou que dentro de trinta minutos o Gabriel estaria no refeitório. Enquanto ele não chegava, a Cah ficou conversando comigo, o que me fez sentir melhor. Após certo tempo, resolvi dar uma olhada no horário. Trinta minutos já haviam se passado e enquanto pensava nisso, de repente vi o Gabriel vindo em minha direção, pisquei mais do que o normal, meu coração disparou tão rápido que eu até pude ouvir o barulho do meu coração batendo alto e forte, meu corpo inteiro começou a arrepiar e eu estava sem fala, não sabia nem ao menos o que se passava em minha cabeça e, em meu peito, não havia um vazio, ao contrário... Meu vazio em meu peito havia se tornado alguma coisa completa, uma onda de saudade me atingiu, mas quando ele começou a falar comigo, meus sentidos tomaram vida e eu apenas sorrio, eu sei que um sorriso pode não significar muito, mas depois de muito tempo chorando sem parar, sorrir novamente é muito bom. Talvez esse sorriso signifique alguma coisa, sim, pois eu o abri com todas as minhas forças de dentro do coração, eu sorri de verdade e muitas vezes não faço isso.
No momento em que o Gabriel segurou a minha mão, eu me senti protegida e não pude evitar de o abraçar muito forte, sussurrei ao ouvido dele:
-Nunca mais faça isso.
-Você é quem manda. Obrigado por salvar a minha vida.
-Foi um prazer. –Olhei nos olhos dele e, dessa vez, disse de coração. –Eu te amo. –Quando já era tarde, tive que subir ao dormitório e dormir. Antes de dormir fiquei falando com a Cah e a Amanda, falar com os amigos é um tipo de terapia que sempre dá certo no fim... Um tempo depois, fechei os olhos e finalmente dormi.
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