No dia seguinte acordei cedo, tomei um bom banho e escovei meu cabelo, deixando-o macio. Coloquei uma tiara delicada e branca, vesti um short jeans azul e uma blusa branca, um casaco xadrez vermelho e preto e amarrei meu all star. Passei um pouquinho de perfume, mas o perfume, mas não é forte e enjoativo, é suave e cheiroso.

Às oito horas da manhã e vinte minutos, subi para o terceiro andar e procurei a sacada. Enquanto estava procurando, ouvi passos de alguém se aproximando e comecei a ficar preocupada em ser levada para a sala de tortura, minha respiração estava ofegante e meu coração parecia estar prestes a pular pela garganta. Senti um perfume maravilhoso no ar, me atrevi a falar:

-Tem alguém aí? -Estava insegura e ao mesmo tempo curiosa. Não houve resposta à minha pergunta, mas a resposta que eu mais precisava, a solução de todos os meus problemas apareceu, o Gabriel. Ele segurou a minha mão, a dele estava quente e a minha um pouco gelada, mas quando ele tocou em minha mão, meu coração acelerou e bateu fortemente, em uma instante todo meu corpo se aqueceu e ele disse:

-Vamos lá?

-Eu não sei onde fica a sacada.

-Ah. Não te mostraram?

-Não... -Corei.

-Talvez a sacada não foi um local indicado para ser exibido...É por causa do Jackie Marall. –Ele me guiou até lá fora e havia um banco de pedra, o céu estava azul e o sol brilhando forte. Ele começou falando:

-Alice, o que o Artur fez? –Mordi o lábio inferior, me segurando para não chorar na frente dele, pois mesmo que eu tenha esquecido o Artur, o que ele fez me machucou de verdade. Respondi devagar:

-A Carolina, das patricinhas estava tomando banho e ele disse que iria vê-la. Eu achei que não seria uma boa idéia e falei para ele que era perde de tempo, estava indo ao dormitório e ele riu de mim, de repente o Artur segurou minha mão e disse que me ama, mas ele só quer mesmo me usar...

-Agora estou com raiva dele. Ele não pode enganar você!

-Gabri. Isso ficou para trás, agora vamos nos conhecer melhor?

-Boa idéia. Quantos anos de idade você tem?

-Dezessete.

-Achei que você tinha catorze.

-A maioria diz isso. –Eu falei entre risos.

-É que seu rosto é fofo e meigo.

-Obrigada. E você, quantos anos tem?

-A mesma idade que você.

-Bem... Gosta de ouvir música?

-Eu gosto sim, de qualquer estilo, desde que mexa com os sentimentos e a letra tenha sentido.

-Eu também. E de ler, você gosta?

-Claro. Leio sempre que possível.

-Eu sempre amei ler também.

-Um dia podemos ir à biblioteca juntos, o que você acha?

-Aham. –E assim, eu fiquei conversando com ele sobre vários assuntos, foi perfeito demais para ser verdade. Uma semana após, ele me convidou para ir à biblioteca, claro que eu aceitei. Cheguei antes que ele e fui arrastar a cadeira para me sentar, a bibliotecária reclamou:

-Silêncio!

-Desculpe.

-Silêncio, por favor! –Tratei de fechar a boca e esperei o Gabriel chegar. Alguns minutos depois, senti o cheiro delicioso dele e supus que ele estava chegando. Vi a porta se abrir e ele entrou, meu coração disparando e quando vi, ele sentou do meu lado e sussurrou:

-Vamos escolher um livro? –Fiz que sim com a cabeça e observamos os livros das estantes. Avistei um livro vermelho e azul, no qual parecia ser interessante e eu e ele colocamos as mãos no livro ao mesmo tempo. Fiquei discutindo que ele podia levar o livro, mas ele insistiu que eu que devia levar, a bibliotecária começou a reclamar do barulho e perguntei a ela:

-Senhora, há outro exemplar deste livro?

-Verei. –Ela procurou no gabinete dela e após uns minutos encontrou e eu sussurrei para o Gabriel:

-Gabri, tem outro igual aqui. –Ele pegou o livro, feliz, finalmente conseguimos retirar o livro. Nós sentamos e começamos a ler, eu não conseguia mais terminar de ler, pois aquele livro prendia a atenção...

Alguns meses se passaram e chegou a Véspera de Primavera, eu estranhei um pouco porque no Brasil é outono. Antes do meio dia, haviam elfos espalhando um tal de baile da Primavera, o diretor disse:

-Aos novatos; o Baile de Primavera é um baile que acontece todas as Vésperas de Primavera e o cavalheiro deve convidar a dama para dançar. –Todos ficaram felizes... Menos eu. O que eu usarei se não trouxe um vestido? Logo, perguntei a Amanda:

-Aqui existem costureiras?

-Claro e alguns vestidos do baile estão pronto, você pode pegar de graça. –Ela respondeu gentilmente.

-Ótimo. –As costureiras ficavam em uma porta dos fundos no segundo andar e procurei um vestido delicado e decente. Demorei, mas encontrei um vestido branco impecável, com uma saia de armação média e que flutuava delicadamente, bordados brilhantes e delicados contornavam a saia e na altura do busto formava duas curvas, linhas em estilo de cobra iam da barriga até o busto e, até o fim do pescoço uma renda transparente cobria o decote, e as mangas brancas e um pouco largas até os cotovelos, a saia do vestido ia até a altura dos calcanhares. Calcei um sapato branco e delicado, passei meu perfume suave e deixei meu cabelo solto.

O baile iniciou às oito da noite. Ninguém tinha me convidado e o Artur me convidou para ser meu par. Dancei com ele por uns 30 minutos, sentamos um pouco nos bancos e ele disse que iria ao banheiro, fui o procurar e quando vi, ele estava se agarrando e beijando a Carolina. Quando ele me viu parecia confuso e não sabia o que fazer, então, disse:

-Desculpa! –Eu chorei, tentei segurar o choro para tentar não ser fraca, mas as lágrimas deslizavam em minha face descontroladamente. Sentei no banco e o Gabriel se aproximou e me convidou para dançar. Mesmo triste, aceitei.

Ele começou a colocar as mãos em minha cintura, eu pousei os braços nos ombros dele e nossos corpos se moviam no ritmo da música, quando a música parou, nos olhamos no fundo dos olhos, ele começou a mexer nos fios do meu cabelo e eu passei os dedos e as unhas devagar e levemente sobre a face dele, o Gabri cheirou meu pescoço e eu beijei o pescoço dele, o fazendo arrepiar, nos abraçamos fortemente e fechamos os olhos devagar, encostamos nossos lábios e o beijo foi demorado, ao mesmo tempo em que o beijava, fazia carinhos da bochecha até o pescoço dele, mordi os lábios dele de leve e ficamos colados um no outro. Sussurrei ao ouvido dele:

-Gabriel, eu te amo muito.

-Eu amo mais. –Ele falou e entrelaçou os nossos dedos e eu respondi:

-Eu amo muito, muito mais. –A noite foi simplesmente perfeita e eu senti que encontrei a pessoa que eu vou amar eternamente e incondicionalmente, eu morreria por ele e eu confio nele, porque eu o amo e se meu coração não bater por ele, vai parar de bater e eu vou morrer.

Um mês após de namoro com o Gabriel, certo dia eu e o Artur estávamos brigando entre fogo e água –o Artur conseguiu poder de água- e meu objetivo era fazer o Artur ficar com fogo, para tirar a água dele e o Gabri chegou ao meio da briga e entendeu bobagem. Sem nem perguntar, ele partiu meu coração em milhões de pedaços e disse:

-Alice. Eu quero terminar o namoro.

-Mas... Por quê? –Fiquei perdida, nada parecia ter sentido, senti meu coração levando vários espinhos e com muitos cortes profundos.

-Não precisa explicar. Você sabe. –Eu não vou parar de lutar por ele, apesar de que eu sempre vá perder, eu não desisto dele, pois ele é minha vida, a coisa mais importante para mim, ele me faz falta e sem ele ao meu lado, eu não sei para onde ir e não terei vontade para nada, não consigo parar de chorar desesperadamente sem ele ao meu lado.

Deitei em minha cama e um vazio em todo o meu corpo, principalmente em meu peito me atingiu, meu coração está ardendo e doendo como nunca, eu não consigo me alimentar, tomar água, falar, andar, nada consigo fazer e a Cah recebeu um pedido do Gabriel no celular, para ela me dar água, como eu não queria, ela meteu um gelo em minha boca e eu não consigo parar de chorar, gemer e mal consigo respirar.

Ele ficou conversando com a Cah via celular, pedindo várias coisas para ele fazer a mim, finalmente pude dormir e sonhei com o toque acalmante e o beijo dele que eu nunca mais vou ter.

Fiquei vários dias enfraquecida em minha cama, chorando e não conversando com ninguém, não me alimentando e sofrendo. Nunca senti o mesmo por ninguém, nem pelo Artur, mas agora o único amor de verdade me deixou pra sempre e não há mais volta, eu era o amor dele e ainda posso ser, se ele quiser; se ele voltar para mim, eu vou ressuscitar, mas acho que vou acabar morrendo...