Beginning Of A Happy Ending
4 Capítulo 4 - Alice
Meu amor sem fim pelo Artur foi apagado. Eu não sei o que houve com ele, mas sei que o Artur andou mudando nos últimos dias, antes ele era querido e realmente se importava comigo, agora ele está virando um ‘’moleque’’ que usa todas as meninas.
Mas, eu não tenho motivos para me preocupar com quem não me quer e nunca vai me querer. E, para começar, já estou gostando de outro menino que parece ser simpático, o Gabriel. Eu tenho que tomar coragem e conversar melhor com ele. Agora são 23 horas e 55 minutos, estou deitada em minha filosofando nessas e em outras coisas. A Cah e a Amanda saíram do banho e me chamaram para almoçar. Eu escovei meu cabelo apressadamente, coloquei meu tênis e desci as escadas com as duas.
Sentamos-nos à mesa do refeitório e só faltam dois minutos para o Natal. O refeitório está maravilhoso, cheio de enfeites natalinos nas cores verde e vermelho, haviam elfos e o Artur estava com eles; pois ele é um deles, distribuindo mensagens lindas de Natal. O Artur me entregou uma para mim e me beijou na nuca só para provocar. Fiquei irritada e o Gabriel percebeu, ele perguntou:
-Tudo bem, Alice?
-Não...
-O que houve?
-Prefiro não dizer aqui.
-Amanhã às 8 horas e 30 minutos, vamos nos encontrar no terceiro andar, lá fora, para conversarmos melhor?
-Pode ser. –De repente, ouvi um sino ser tocado, olhei o horário e já é meia noite, o diretor pôs a boca no microfone e disse:
-Oremos, agradecemos e supliquemos ao senhor para que nada de bom nos falte e, se houver o mal, que a chama da bondade possa reinar entre todos nós. Agora peço, por favor, um minuto de silêncio e reflexão. –Todos fecharam os olhos e, em mente, agradeci por tudo o que tenho e por tudo que eu sou e pedi que Deus ilumine a todos nesse Natal. Após, todos nós rezamos juntos. Depois do momento de paz, é hora da festa. Algumas mulheres serviram cozinhas, arroz com frutas cristalizadas, pastéis de vários sabores, sucos e doces para o fim. O diretor desejou uma boa refeição a todos e, antes de comer, eu dei feliz e iluminado Natal para os meus amigos há tão poucas horas, mas já tão especiais para mim.
Quando eram três horas da madrugada, fui ao dormitório e liguei para o meu avô:
-Oi vô. Feliz Natal!
-Alice... Que saudade! Feliz Natal para você também querida!
-Em apenas um dia e algumas horas você já está com saudade?
-Claro, Alice. Você não faz idéia o quanto é especial para mim.
-Você também. Te amo muito, vô.
-Quando você volta?
-Eu acho que não posso mais voltar. Só nas férias de Julho, aqui no Canadá as férias de verão são em Julho.
-E o trabalho, a faculdade, Alice? Você vai largar tudo?
-Eu não queria isso, mas agora eu tenho uma nova vida, vô. Você e todos têm que entender.
-Certo. E como é nessa escola?
-Bom, é uma escola de magia. Já fiz muitos amigos e todos me receberam bem aqui, descobri que tenho poder sob água e fogo...
-Eu fracassei.
-Por que, vô?
-É uma longa história. Eu tinha a sua idade e me chamaram para essa escola, eu exercia um grande poder sob a terra e seu tio, meu filho, que está preso ainda possui o poder da água. Eu não me convenci de que iria perder contra o imortal e poderoso Jackie Marall e coloquei em risco minha vida, a sua e a do seu tio.
-Tudo bem, vô. Eu vou lutar contra esse homem e eu sei que vou vencer, para salvar todas as pessoas do mal e do perigo.
-Você não vai, Alice. Você vai falar e, como se não bastasse você longe de mim, imagine você morta.
-Eu vou fazer um plano para soltarem meu tio da cadeia.
-Não é possível, eles acham que o seu tio atrapalhará e falhará como eu. Por culpa minha, a humanidade corre risco.
-Calma, vô. Todos erram.
-Obrigado. Vou desliga, estou cansado e com sono. Vá dormir, não fique rondando pelos corredores feito um fantasma. –Dei risada no telefone e perguntei:
-Como você sabe que tenho essa mania?
-Por que eu também tinha e o professor me deixou na sala de tortura.
-O que tem lá dentro?
-A sala de tortura é uma espécie de quarto que possui ferramentas de metal usadas para todos os graus de um mau comportamento. Os objetos usados normalmente são argolas, caixões e bancos que emitem ruídos nada agradáveis, No caso de passear à noite é usada uma argola nas mãos e nos calcanhares, para evitar que a pessoa fique vagando novamente. O castigo é de duas horas.
-Melhor eu não vagar por aí. Tchau, vô. –Desliguei o telefone e, por estranho que pareça, estou com muito sono mesmo.
i� e�O� �egui — lá. Eu segui todas as pessoas e entramos no dormitório, eu e outras meninas no feminino, os meninos no masculino, óbvio.
-O que tem que fazer agora? –Perguntei, fechando a porta do dormitório.
-São dados alguns minutos após o almoço, para descansar. Vou escovar os dentes.
-O. K. Eu também. –Fui ao banheiro, há cinco banheiros e a mesma quantidade de camas em cada dormitório. São grandes. A Cah falou que se vier mais pessoas, há bastante espaço. Peguei minha escova de dente, coloquei o creme dental, me olhei no espelho e escovei os dentes, um por um. Fiz três bochechos rápidos e guardei a escova e o creme dental dentro do armário pequeno do banheiro. Limpei minha boca na toalha e a Cah disse:
-Eu, a Amanda e o Gabriel somos irmãos... Só pra você saber. –Ela sorriu.
-É, eu bem que estranhei, vocês têm um olhar muito parecido. –Ela riu de leve com o que eu falei.
-Vamos descendo?
-O. K. Só espere eu colocar meu relógio de pulso. –Peguei meu relógio que estava dentro da mala ainda, amarrei a fivela no meu pulso e desci com a Cah. Ficamos uns cinco minutos conversando e após o sinal para a aula tocou. Todos subiram as escadas, eu acompanhei todos até a sala de magia. O mestre chegou e destrancou a porta, todos entraram, eu e a Cah entramos por últimas. O professor se apresentou:
-Boa tarde, Classe. –Ele colocou o óculos meia lua com a armação cor prata.
-Boa tarde, professor Kathorian. –A classe respondeu monotonamente. Ele se aproximou de mim e disse:
-Hm... Vejamos. Temos algo novo para a nossa coleção? Srta. Alice, onde está a sua varinha? –Ele me fitou e eu respondi:
-Não me disseram que era para possuir uma varinha... –Corei.
-Oh! Sua menina burra. Como você acha que em uma escola de magia não se vá precisar da varinha? Hoje eu lhe empresto a minha amiga. Mas só hoje, não irei tolerar nas próximas aulas, entendeu bem, mocinha?
-Sim senhor!
-Ótimo. Tenho que testar seus poderes. –Ele observou para a terra que estava em um pote de vidro e me mandou fazer flores brotarem. –Recite: Flor nascendo.
-Flor nascendo. –Não nasceram flores e sim um cacto espinhoso.
-Hm... Pelo jeito sua vocação não é terra e plantas.
Após o teste do ar, no qual eu quase assassinei a sala inteira, fomos para o teste do fogo e da água:
-Primeiramente na água e após no fogo. Diga: água a vapor. –Inclinei a varinha e recitei o código, a água lentamente evaporou e o professor me parabenizou. A vez do fogo:
-Dessa vez diga: fogo escuro. –Ao aproximar a varinha e dizer o código mágico, o fogo abaixou e virou cinza. O professor concluiu que tenho vocação para água e fogo.
Quando a aula terminou, o Artur me deu uma linda e delicada varinha, guardei dentro da minha bolsa, agradeci a ele e fui ao refeitório jantar com os demais. Depois, subi ao dormitório e escovei meus dentes, pus uma camisola e acendi uma vela, para andar pelos corredores à noite.
Senti alguém me seguindo discretamente. Sussurrando, perguntei:
-Quem é?
-Minha avó. –Uma voz doce e rouca me respondeu. Aproximei-me e disse:
-Artur?
-Isso, me queime o rosto com a vela.
-Ah, me desculpe.
-O que faz acordada a essas horas?
-Pergunto o mesmo.
-Observando as pessoas, você?
-O mesmo.
-Vou ver se a Carolina está tomando banho!
-Quem é Carolina? –Perguntei boiando.
-Uma garota do grupo das patricinhas.
-Não fiz isso, não, Artur. Perda de tempo...
-Está com ciúmes?
-Não. –Saí um pouco triste, subindo as escadas e aturando os risos provocantes do Artur. Ele correu atrás de mim, segurou a minha mão, olhou no fundo dos meus olhos e disse:
-Você sabe que eu te amo.
-Me engana que eu gosto, viu?
-Nossa! Que fora.
-Me deixa em paz.
Meio magoada comigo mesma, fui para o dormitório e o Artur ficou mandando mensagens por celular. Eu não respondi absolutamente nenhuma.
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